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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Keneth Rapoza, na Forbes: as descobertas da Petrobras no pré-sal são, para o Brasil, o que pousar na lua foi para os EUA

Artigo publicado no site da Forbes e (muito mal) traduzido por mim.
As descobertas de petróleo em águas profundas no Rio de Janeiro em 2007 foram um salto à frente gigante para o Brasil.

Entre 1959 e 1969, o orçamento do governo dos EUA para o programa espacial foi de 225 bilhões (dólares de 2007) - e o do amado programa Apollo foi de US$ 136 bilhões. Andar na lua foi a superação dos cosmonautas russos pelos EUA. Foi também uma prova do que ficou conhecido como excepcionalismo americano. Alguns países tem isso. Outros não.

O Brasil tem.

Investidores e aventureiros selvagens, de Jacques Custeau a Sir Richard Branson, disseram que a exploração em alto mar é a próxima grande missão da Terra. Nós podemos explorar o fundo dos oceanos antes que o homem possa explorar Marte. E o que encontraremos no fundo do oceano provavelmente será algo que todos querem: petróleo.

A companhia petrolífera brasileira Petrobras achou - cerca de quatro anos atrás, na costa do Rio de Janeiro, quilômetros abaixo do nível do mar e mais um tanto abaixo do leito de sal do Oceano Atlântico. Estima-se que a Bacia de Santos armazena até 40 bilhões de barris de petróleo. A Petrobras a encontrou. Foi o pouso lunar do Brasil.

Nos próximos 10 anos, a indústria de petróleo e gás vai investir cerca de US $ 3 trillion exploração e perfuração de petróleo ao redor do mundo. Desse total, cerca de um terço será investido no Brasil. Ao longo dos próximos cinco anos, a Petrobras vai investir mais em petróleo de águas profundas (224,7 bilhões de dólares, segundo a empresa) do que a NASA gastou em 10 anos na missão Apollo.

Perfuração em águas profundas é caro. A perfuração do pré-sal exige tecnologias avançadas. É quase impossível ver abaixo todo o aquele sal. "É essencialmente ir onde nenhuma perfuração foi antes", disse José Valera, um advogado de Mayer Brown, ao Financial Times nesta semana. "Em águas profundas, é um verdadeiro esforço de exploração. Agora estamos descobrindo esses tremendos recursos. Isso realmente é uma nova fronteira ".

Cerca de 40% da Bacia de Santos foi leiloado, com outros 60% ainda a leiloar. Alguns poços estavam secos, mas, com base no que a Petrobras confirmou até agora, é provável que o Brasil passe de 19º  para quinto maior produtor de petróleo na Terra. Isso irá colocá-lo perto de Venezuela, um dos cinco maiores produtores de petróleo para os EUA.

A descoberta de petróleo pela Petrobras vai fazer tanto economicamente para o Brasil quanto a missão Apollo fez para a ciência americana. Os poços de petróleo da Petrobras no Atlântico não são um zumbido nacional temporário, como a Copa do Mundo da FIFA, que virá ao Brasil em 2014, ou até mesmo os Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Isso é permamente, notícias boas de longo prazo para o Brasil.

"Toda a economia do Brasil vai se beneficiar muito com o que a Petrobras descobriu no oceano", diz Pedro Cordeiro, um analista do setor de petróleo e gás da Bain & Company no Rio de Janeiro. "O Brasil é o que a Noruega foi 34 anos atrás, pouco antes das descobertas do Mar do Norte. Antes disso, a maior exportação da Noruega era o bacalhau. Agora, eles produzem cerca de 2,2 milhões de barris de petróleo por dia. O Brasil vai produzir cerca de 2,5 milhões de barris por dia. Toda a tecnologia da Noruega para petróleo em águas profundas se expandiu, e agora eles exportam mais isso do que petróleo. Eles construíram a sua indústria de petróleo a partir do zero e hoje são um dos centros de petróleo do mundo. "O preço do petróleo Brent bruto é baseado principalmente no petróleo norueguês. "É para ai que o Rio está indo. Vai se tornar a nova Houston."

A Petrobras é de propriedade majoritária do governo, mas, fora os EUA e a Europa, este é um dos únicos mercados de petróleo estrangeiros que permite aos investidores estrangeiros entrar e perfurar. Todas as grandes do petróleo estão no Brasil por causa da Bacia de Santos, apesar de ter que formar parceria com a Petrobras e ceder de 30% da parceria para a gigante petrolífera brasileira. Todas as grandes de serviços de perfuração estão lá, mesmo sendo contra os incentivos do governo, que favorecem o crescimento dos atores locais. Elas estão lá porque tem que estar. O rico em petóleo Oriente Médio é majoritariamente fechado para empresas privadas. O Brasil na década de 2000 é tão bom quanto poderia ser. O setor está tão aquecido, que, quando a OGX Petróleo  (dirigida pelo bilionário da Forbes Eike Batista) fez uma oferta pública inicial para sua empresa em 2008, ela arrecadou quase US $ 5 bilhões dos investidores e ainda não tinha descoberto uma gota de óleo.

"A descoberta da Petrobras será uma bênção para a economia brasileira", diz Cordeiro de seu escritório na Cinelândia, uma região do Rio visitada pelo presidente Barack Obama em março. "Você está olhando para cerca de um trilhão de reais ($ 555 bilhões) em infra-estrutura necessária e eu estimo que 40% desse dinheiro será apenas para a indústria de petróleo e gás", diz ele. "O petróleo e o gás são importantes, mas haverá um montante de investimento devido a esta descoberta em áreas como biocombustíveis ou até mesmo a tecnologia de biocombustíveis."

O Brasil nem sempre percebeu isso bem. Eles estão constantemente propondo novas mudanças nos royalties sobre o petróleo, que pode irritar as companhias de petróleo estrangeiras, e mesmo a Petrobras, que também tem que pagá-los. A Agência Nacional do Petróleo quer leiloar mais campos de petróleo no segundo semestre de 2012, o primeiro leilão desde 2007. A  atual disputa por royaties entre os estados, clamando por sua parte da recompensa, está retardando as coisas tanto quanto o derramamento de óleo BP reduziu a produção no Golfo do México.

Isso é a política brasileira ordinária. A Petrobras enfrenta desafios extraordinários. Mas este é um programa e uma grande multinacional, que a política no Brasil nunca vai enfraquecer.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Rothkopf, no FP: Dilma assumirá muito melhor preparada que alguns líderes que assumiram grandes potências recentemente.


Artigo publicado pelo Foreign Policy.
Os desafios de escolher o antecessor certo, à moda do Brasil.Postado por David Rothkopf quarta-feira, 29 de setembro de 2010.

 

Se um dos segredos para o sucesso em qualquer trabalho é escolher o antecessor certo, então Dilma Rousseff pode estar começando com um golpe contra ela.

Seu atual chefe e campeão político do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem pode ter a atuação mais difícil de em todo o mundo. Apesar dos esforços de alguns comentaristas em tirar-lhe uma lasca ou duas (assim como jovens atiradores no velho oeste americano tentaram impulsionar sua reputação enfrentando o gatilho mais rápido na cidade), o carismático presidente do Brasil tem feito um trabalho notável. Embaralhando - e mandando para o lixo da história - as antigas distinções entre esquerda e direita, Lula conseguiu um boom econômico, grandes reformas sociais e a elevação d do Brasil para o topo da lista de países no mundo. (Veja a excelente história no Latin Business Chronicle de hoje ... rapidamente se tornando leitura obrigatória para qualquer um interessado na América Latina ... resumindo as recentes realizações económicas do Brasil. É uma coisa deslumbrante.)A pergunta é: O que uma garota tem de fazer? Dilma, que quase certamente se tornará a primeira mulher presidente do Brasil - apesar de um ligeiro deslizamento recente nas pesquisas, devido a um escândalo que não a implica de forma alguma; uma daquelas sugeiradas curiosamente cronometradas para vir à luz nas semanas antes de uma eleição - vai herdar um país com expectativas muito elevadas. Alguns críticos esperam que a ausência dos dons extraordinários de Lula ausente a fará vacilar. Mas leia a sua história e você descobrirá uma gestora excepcionalmente realizada, dura como prego e politicamente astuta, que virá para o cargo muito melhor preparada e equipada do que alguns outros líderes que assumiram as grandes potências recentemente.

De fato, uma vez que uma tarefa central do seu mandato será o esforço para explorar as enormes reservas de petróleo nas costas do Brasil - tornando o Brasil um grande produtor de petróleo - sua experiência como ministra da Energia é o ideal. O fato de que naquela posição ela dirigiu a Petrobras, a gigante estatal de petróleo, que completou recentemente uma captação maciça que fez dela a quarta empresa mais bem capitalizada do mundo, dá-lhe muito mais entendimento sobre negócios que muitos líderes políticos ... mesmo que os seus pontos de vista sobre as responsabilidades de uma empresa nacional de façam desconfortáveis alguns puristas de mercado.

É, na verdade, uma interessante nota que, se Dilma ganhar, ela se juntará Dmitry Medvedev como o segundo chefe de estado do BRIC a ter gerido sua companhia nacional de petróleo. Isso se torna ainda mais ressonante quando visto à luz do fato de um dos principais candidatos a assumir um papel de alto dirigente chinês na próxima transição daquele país é uma ex-engenheiro de energia. O que os BRICs sabem que nós não sabemos?

Há outra comparação com Medvedev que também se coloca: a questão de como você lida com um antecessor poderoso que não vai embora? Dilma vai ser vista como um fantoche de um ativo Lula como Medvedev seria de Putin? Ou será que ela frustrará essa expectativa, como Medvedev? A maioria dos que conhecem Dilma diz que é improvável ela ser fantoche de alguém; mas ela provavelmente vai procurar regularmente por Lula. Isso sugere que um modelo melhor para o relacionamento pode ser encontrado não em Moscou, mas em Cingapura, onde Lee Kwan Yew, o pai daquele estado, tem mantido um papel como Ministro Mentor.

Nos Estados Unidos, é claro, a maioria dos analistas olha para a questão através do filtro padrão global dos EUA - o que significa para nós? Por um lado, a resposta pode ser menor do que se poderia pensar. Os Estados Unidos perderam influência ao passo que o Brasil astuta e eficazmente traçou um curso independente. (O que é o caminho acertado ... como em encontros ... a instigar o interesse americano.) Esta mudança se sustentou no fato de que a China é hoje tanto o maior parceiro comercial como o maior investidor no Brasil.

A tensão permanente acerca da intervenção do Brasil na disputa nuclear iraniana, e a irrefletida decisão dos EUA de continuar a punir os brasileiros por sua iniciativa mal sucedida mas mal compreendida não vai ajudar. O Brasil de Dilma não vai mudar de rumo – e, de fato, não deveria. Com outras prioridades mais urgentes, Dilma é deve manter a continuidade da experiente e bem sucedida equipe de Amorim no Itamaraty, um grupo que, apesar da controvérsia, levou a níveis sem precedentes a influência internacional do Brasil. (Se o próprio Amorim não ficar, o principal candidato para o Ministério dos Negócios Estrangeiros é extremamente realizado seu vice, Antonio Patriota, um pensador diplomata de carreira de classe mundial.)

Assim, se a próxima líder do Brasil vai enfrentar grandes desafios, cercada pela equipe realizada e eficaz, que produziu muito progresso para o país nos últimos oito anos, ela está bem posicionada para manter a impressionante dinâmica atual desse país.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Istoé Dinheiro: programas do Governo Lula ressuscitou industria naval do Brasil

Matéria da Istoé Dinheiro publicada pelo Blog do Alê (os negritos são meus).


Após 13 anos sem construir grandes petroleiros, o Brasil assistirá ao lançamento do João Cândido, navio produzido pelo Estaleiro Atlântico Sul. Em jogo, está um mercado de US$ 12 bilhões nos próximos seis anos. Nos anos 80, a indústria naval minguou, sobretudo entre 1994 e 2002, quando a Petrobras reduziu fortemente os investimentos no País.

IstoÉ Dinheiro - Os números impressionam: 272,4 metros e US$ 120 milhões. O primeiro é o comprimento, maior que dois campos de futebol. O segundo é o seu preço. Eis o João Cândido, navio de 24,5 mil toneladas que acaba de ser lançado ao mar para ser finalizado nas águas do porto de Suape, em Pernambuco, e, assim, transportar até um milhão de barris de petróleo. Mais do que um simples lançamento, a embarcação – construída pelo Estaleiro Atlântico Sul, cujo nome é uma homenagem a João Cândido, o marinheiro negro que liderou a Revolta da Chibata em 1910 – simboliza o renascimento da indústria naval brasileira.

Afinal, é o primeiro petroleiro de grande porte construído no País depois de 13 anos. O último exemplar de que se tinha notícia foi o Livramento, que levou uma década para ser concluído, dez vezes mais do que o João Cândido. "Além de representar o renascimento do setor, ele será o nosso cartão de visita", disse Ângelo Bellelis, presidente do Estaleiro Atlântico Sul, à DINHEIRO.

A empresa, que tem entre seus sócios os grupos Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, PJMR Investimentos e a coreana Samsung Heavy Industries, investiu R$ 1,8 bilhão para levantar a sua estrutura e possui uma carteira de pedidos invejável. São 22 petroleiros e um casco da plataforma P-55, da Petrobras, que devem ser entregues até 2014 com valor de US$ 3,5 bilhões. "O Brasil tem hoje a segunda maior carteira de embarcações do mundo, atrás apenas da Coreia", diz o consultor Luiz Nelson Porto Araújo, da BDO Brasil.

Os empresários do setor, é verdade, atravessam um bom momento, mas nem sempre foi assim. "Nos anos 80, a indústria naval minguou, sobretudo entre 1994 e 2002, quando a Petrobras reduziu fortemente os investimentos no País", lembra Miguel Luiz Ferreira, professor do departamento de engenharia mecânica da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Por muito tempo, as empresas sobreviveram dos serviços de reparos de navios e algumas chegaram a fechar portas. Um conjunto de variáveis ajudou a desencalhar os fabricantes. Entre elas, políticas públicas como a do conteúdo local – exigência da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que determina o uso mínimo de 37% de equipamentos nacionais na exploração e produção –, além do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), criado em 2004.

"O Brasil voltou a produzir navios por uma decisão do governo. Faço questão de estar presente no lançamento do primeiro barco", disse Dilma Roussef à DINHEIRO. O renascimento dessa indústria também é puxado pelo pré-sal e pela expansão dos negócios nos setores agrícola e de minério.

A atividade petroleira, contudo, é o grande filão. A construção de navios, barcos de apoio e plataformas representa cerca de 80% do negócio e deve render mais de US$ 12 bilhões às empresas nos próximos seis anos – levando-se em conta apenas encomendas da Petrobras e de sua subsidiária, a Transpetro.

Segundo o Sinaval, que representa o setor, somente em 2010 os estaleiros nacionais deverão faturar R$ 5,5 bilhões. O segmento tem uma lista de pedidos que ultrapassa 100 embarcações, de diversos tipos, entre graneleiros e transportadores de contêineres. Somente a Transpetro demandará 49 embarcações, segundo a companhia.

Só de plataformas, a Petrobras já encomendou 12. O estaleiro Mauá, o mais antigo do País, está construindo quatro embarcações. O estaleiro Eisa, controlado pelo Grupo Synergy, tem 24 navios encomendados. O BrasFELS, do Grupo Keppel FELS, de Cingapura, tem dez encomendas no valor de US$ 4 bilhões. Na avaliação do consultor Porto Araújo, da BDO, o Brasil ainda tem de avançar muito nesse segmento. "Com o tempo, as embarcações se tornarão mais sofisticadas. Ainda não temos, por exemplo, navios que transportem gás natural liquefeito", diz. (Érica Polo)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Agência Brasil: depois de 13 anos de jejum, Brasil batiza um petroleiro nacional.

Matéria da Agência Brasil.

17:02
07/05/2010
Yara Aquino Enviada Especial

Ipojuca (PE) – Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi batizado e lançado ao mar hoje (7) o navio petroleiro João Cândido, no Porto de Suape (PE). Cerca de sete mil pessoas, a maior parte operários, participaram da cerimônia. A embarcação tem 274 metros de comprimento e capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo. Encomendado pela Transpetro, braço logístico do grupo Petrobras, o navio foi construído pelo Estaleiro Atlântico Sul, ao custo de R$ 300 milhões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, durante muito tempo, o Brasil foi conhecido internacionalmente apenas pelo futebol, pelo carnaval e pela violência e que projetos como o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), têm mudado essa realidade.

“Duvido que algum empresário, algum embaixador brasileiro, já teve em algum outro momento tanto orgulho de dizer lá foram que é brasileiro”, disse o presidente durante a solenidade de batismo do navio.

Lula elogiou o esforço que empresas brasileiras estão fazendo para se internacionalizar. “Hoje temos empresas no Canadá, nos Estados Unidos e fico orgulhoso por que cada empresa brasileira nesses países é um pedacinho do Brasil fincado lá”.

Primeiro navio do Promef, projeto que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o João Cândido é também o primeiro navio petroleiro construído no Brasil a ser entregue ao sistema Petrobras em mais de 13 anos, fato que está sendo considerado uma marco na retomada da indústria naval brasileira. O Promef prevê a compra de 49 navios.

O nome “João Cândido” foi escolhido em homenagem ao almirante negro que liderou a Revolta da Chibata, movimento iniciado no Rio de Janeiro em 1910, contra a aplicação de castigos físicos a marinheiros. O filho de João Cândido estava presente ao evento.

Além de Lula e dos principais executivos da Petrobras, participaram da solenidade o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff.

Edição: Vinicius Doria

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Petrobras: UTC ganhou licitação com 29 convidadas.

Texto do Blog da Petrobras.`

Trata-se da empresa que a Folha acusa de ter pago "mesada" ao PT, apesar de referir-se a doações legais e declaradas.



5 de maio de 2010 / 08:53

Veja abaixo respostas encaminhadas pela Petrobras à Folha de S. Paulo e a reportagem publicada pelo jornal, nesta quarta-feira (5/5), sob o título “ Empreiteira contratada pela Petrobras dá R$ 1,2 mi ao PT ”.

Pergunta: Gostaria, se possível, de obter os seguintes esclarecimentos/comentários sobre os contratos firmados com a UTC Engenharia S.A. (CNPJ 44.023.661/0001-08) assinados no dia 24.04.2009 nos valores de R$ 115.027.713,44 (PB/ 4600293929) e R$ 114.612.860,62 (4600293929).

1) Objeto específico dos contratos;
2) Forma de escolha;
3) Prazo de validade;
4) Quantas empresas concorreram.

A matéria trata da empreiteira UTC Engenharia e doações que ela realizou para o caixa do diretório regional do PT do Estado de São Paulo no ano de 2009. Dois dias antes da assinatura dos contratos referidos, em 22/04/09, ela fez uma doação de R$ 150 mil para o partido. Depois, continuou doando mensalmente para o PT. A Petrobras comenta essas doações?

Resposta: A Petrobras firmou apenas um contrato com a UTC Engenharia para fornecimento de equipamentos e materiais e a execução de serviços de projeto, construção e montagem, pré-comissionamento e apoio ao comissionamento, pré-operação, partida e a operação assistida da cogeração do Empreendimento da Carteira de Hidrotratamentos da Refinaria de Capuava (Recap).

Foram convidadas 29 empresas para participar da concorrência. O valor apresentado pela UTC Engenharia foi de R$ 115 milhões, que ficou abaixo do valor estimado pela Petrobras para o serviço. Posteriormente, a Petrobras renegociou o valor e conseguiu uma redução para R$ 114 milhões.

A Petrobras não comenta doações de terceiros e não faz doações a partidos políticos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Nassif: A Reconstrução do Investimento.

Artigo do Nassif.

Coluna Econômica 06/04/10

É bastante o rico o processo que o país atravessa.

Em vários momentos da história, o centralismo autocrático foi fundamental para disparar os primeiros movimentos desenvolvimentistas.

Nos anos 40 e 50 foi fundamental a participação do Estado brasileiro na criação das primeiras indústrias de base. Não havia capital privado para levantar uma Petrobras, uma Companhia Siderúrgica Nacional, a Eletrobras, a própria Telebrás nas décadas seguintes.

***
No fundo, imaginava-se um país semi-selvagem – e quase o era – sendo conduzido por um grupo de iluminados reunidos no Rio de Janeiro, capital federal, ou em São Paulo – que tornou-se região economicamente dinâmica graças aos visionários do fim do século 19.

São Paulo acumulou experiência em indústrias mecânicas, metalúrgicas, têxteis, de tal forma que, quando se decidiu pela implantação da indústria automobilística no país, não havia outro local viável.

***
Esse modelo foi importante nas fases anteriores da vida do país. Trouxe desenvolvimento, sim. Mas também concentração econômica indesejável, concentração de renda e um país torto, metade rico, metade pobre. E acabou se refletindo no próprio orçamento público, submetido a uma notável concentração do poder decisório no Executivo.

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Esse modelo morreu politicamente com a Constituição de 1988.

De lá para cá, houve o desenvolvimento de outras regiões, a crise das grandes metrópoles, o surgimento de novos pólos de desenvolvimento e, finalmente, o aprimoramento da parceria federativa entre União, Estados e Municípios.

***
Nos últimos anos, delineou-se uma nova forma de ação pública, com articulação entre as três instâncias administrativas. Cabe à União definir recursos e regras do jogo; aos estados e municípios, a execução. Há uma responsabilidade compartilhada.

Por exemplo, a maior parte dos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para saneamento são efetuados pela Sabesp, controlada pelo governo de São Paulo.

Existem atrasos – normais em obras que mexem com meio ambiente e com regulação complexa. Mas o fato de se ter uma empresa organizada no estado de São Paulo é garantia de que as obras sairão.

Em outros estados e municípios, há recursos disponíveis para as obras, mas não existem projetos básicos. Não apenas em saneamento, mas em um sem-número de obras públicas. E não tem como a União substituir as prefeituras.

***
O caminho passa pela constituição de uma empresa pública especializada em projetos, a exemplo do antigo Geipot (Empresa Brasileira de Transportes).

Trata-se de passo importante, inclusive, para consolidar as relações federativas.

Ao longo de décadas de desarticulação dos investimentos públicos, houve o desmonte completo do setor de engenharia e de projetos.

Por isso mesmo, a reconstrução do Estado como articulador de investimentos pressupõe a recuperação da capacidade de montar projetos, assessoras municípios e estados menores, compartilhar experiências de gestão.

terça-feira, 30 de março de 2010

Barron's: porque o Presidente da Petrobrás é um dos 30 CEOs mais respeitados do mundo.

Este texto sobre Gabrielli acompanha o artigo da Barron’s que gerou esse post.

CEO da Petrobras desde 2005

Porque: construiu uma gigante do petróleo da sulamericana que rivailiza com a Exxon.

José Sergio Gabrielli, tem um das maiores funções de equilíbrio no mundo dos negócios: satisfazer o governo brasileiro, que detém 40% do seu gigante da energia, ao entregar retornos atraentes para todos os acionistas. Ele a desempenha com serenidade.

Agora, a Petrobras está sentada sobre uma enorme descoberta de petróleo ao largo da costa do Brasil, e, com Gabrielli envolvido, todos irão compartilhar as riquezas. Não que o governo não dispute um grande pedaço. As autoridades estão revendo as normas estatais na esperança de guiar uma parte maior das receitas do petróleo para programas do Fundo Social.

Gabrielli raramente deixa acima. Embora outros gigantes da exploração e refino de petróleo e gás cortaram gastos no ano passado, a Petrobras despejou capital nas operações, aumentou a produção de petróleo em 5%. O resultado: suas ações ofuscaram as de muitos de seu grandes, integrado pares de energia ao longo do ano passado.

Um ex-professor de economia, Gabrielli fez claramente seu dever de casa. Agora, com o petróleo perto de US$ 80 o barril, ele pode ir para a cabeça da classe.
DimitraDeFotis

Guilherme Barros: presidente da Petrobrás está entre os 30 CEOs mais respeitados do mundo, diz revista do Wall Street Journal

Post do Blog do Guilherme Barros.

O artigo da Revista Barrons's está disponível aqui.

Em tempo, Gabrielli é miltante petista desde a fundação do partido.

Obviamente, trata-se de mais um escandaloso caso de aparelhamento do Estado por incompetentes militantes petistas. Como essa aqui, aliás.


O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, é o único latino-americano citado na lista dos trinta CEOs mais respeitados do mundo da revista Barron’s, editada pelo The Wall Street Journal. É a segunda vez que Gabrielli aparece na lista.

Segundo a publicação, foram selecionados executivos que souberam manter suas companhias longe da crise mundial e aproveitaram o momento para expandir negócios e fazer boas aquisições. O desempenho das ações das empresas também é um dos critérios.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Pochman, no Valor: se Lula copiasse medidas de FHC em 98, PIB do Brasil poderia ter caído 5% com a crise.

Artigo publicado pelo Valor e copiado daqui.

A virada de 2009.
Marcio Pochman
Valor Econômico - 25/03/2010

No final de 2008, a irrupção da maior crise internacional desde a Grande Depressão de 1929 interrompeu o mais longo ciclo de expansão de investimentos no Brasil depois do milagre econômico do começo da década de 1970. De fato, os investimentos como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) foram reduzidos em 9,9% no ano passado, após o ritmo de crescimento quase três vezes superior à expansão da produção nacional iniciada em 2004. Pelas informações do IBGE, contudo, o segundo semestre de 2009 indicou uma considerável recuperação econômica, não somente pela ocupação da capacidade instalada, mas também pelos investimentos, capazes de permitir que o PIB deste ano cresça acima de 5%.
Se diante da grave crise internacional de 2008, o Brasil tivesse optado por repetir o receituário governamental similar ao adotado durante a crise financeira de 1998 (de menor proporção), o comportamento econômico e social nacional teria sido bem diverso do que foi constatado em 2009. Ao invés da situação de relativa estagnação da produção nacional no ano passado (variação negativa de 0,2% em relação a 2008), o Brasil teria passado, provavelmente, por uma profunda recessão econômica, ao redor dos -5%.

Isso porque em 1998 o país encontrava-se iludido pela perspectiva da Alca (Acordo de Livre Comércio das Américas), o que implicava, entre outras coisas, a maior concentração das exportações nacionais aos países ricos. Ou seja, o Brasil seguiria na mesma direção do México, que em 2009 registrou mais de 80% do seu comércio externo com os Estados Unidos. Com a crise de 2008, cujo epicentro foi nos países ricos, a forte queda nas exportações mexicanas para os Estados Unidos propulsionou recessão econômica ainda maior, próxima de 7% no ano passado. O Brasil, contudo, mudou a sua trajetória externa a partir de 2003, o que permitiu diversificar os parceiros comerciais e reduzir o peso relativo dos países ricos nas exportações, caindo de mais de 2/3 para atuais menos de 50%. Mesmo com a diminuição das exportações de bens e serviços em 10,3% em 2009, enquanto componente da demanda agregada, observa-se que seu impacto terminou sendo relativamente mitigado pelo avanço do comércio exterior com nações do âmbito Sul-Sul.

Da mesma forma, nota-se que na crise financeira de 1998, a concepção governamental prevalecente era a de que o Estado se constituía na parte principal dos problemas da época. Por isso, as opções de política econômica e social entre 1998 e 1999 se concentraram adicionalmente na asfixia do setor público, por meio da contenção do gasto público (custeio e investimento), bem como da elevação da carga tributária em relação ao PIB (em 4,5%), como forma de financiar o pagamento adicional dos encargos do endividamento público originados pelo brutal aumento da taxa de juros em 136,8% (de 19% para 45%). Nessas circunstâncias, as empresas e bancos públicos foram ainda mais estrangulados, com corte de 16,6 mil funcionários públicos federais, enquanto a política social seguiu contrária a sua ação compensatória sobre os efeitos da crise. O tranco econômico e a mordaça do Estado resultaram em elevação do desemprego e da taxa de pobreza, que passou de 49,7%, em 1998, para 53,5% dos brasileiros (aumento de 7,6%).

Na grave crise internacional de 2008, a concepção governamental predominante foi outra. Ou seja, o Estado seria parte fundamental da solução dos problemas. Coube ao Estado atuar estratégica e ativamente na adoção de medidas que permitissem reduzir a carga tributária em 1,6% (de 34,8% do PIB, em 2008, para 34,3%, em 2009), sem contração das despesas públicas fundamentais diante da diminuição dos gastos financeiros - possibilitada pela prévia queda na taxa de juros em 36,4% (de 13,7%, em 2008, para 8,75%, em 2009).

Ademais, houve o imediato reforço das empresas e bancos públicos, com a garantia de recursos adicionais para ampliação do orçamento do BNDES, bem como do reposicionamento da Caixa Econômica Federal  e do Banco do Brasil, que atuaram de forma anticíclica diante do encolhimento do crédito nos bancos privados. Com isso, o conjunto das operações de crédito do sistema financeiro nacional não foi reduzido em relação ao PIB, conforme a queda de 4,3% verificada em 1999 (de 28,1% do PIB, em 1998, para 26,8%, em 1999). Também as empresas públicas como Eletrobrás e Petrobras deram sequência ao planejamento de maior prazo reavivado pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que desde 2007 focou na ampliação dos investimentos, sobretudo em energia e infraestrutura nacional e, mais recentemente, em habitação popular.

Para além do importante papel das decisões governamentais inovadoras na economia, convém destacar a ousadia nas políticas de renda adotadas na última crise internacional. De um lado, a elevação do valor real do salário mínimo em 5,8% no ano de 2009, contra apenas 0,7% em 1999. Por consequência, o impacto favorável para os beneficiários das políticas sociais (aposentados e pensionistas da Previdência Social), que tiveram ampliações no valor do benefício. Assim também houve aumento no quantitativo de atendidos pelo programa Bolsa Família e pelos receptores do Seguro Desemprego ao longo de 2009.

Por força disso, as famílias agregaram, em média, R$ 2,8 mil em 2009 (acréscimo no consumo das famílias em R$ 160 bilhões). Idêntico procedimento anticíclico não se verificou por parte do governo há dez anos. De outro lado, percebe-se que a orientação governamental em defesa da produção doméstica correspondeu ao maior estímulo à geração de empregos formais (saldo líquido de quase um milhão de novas vagas em 2009, contra redução de 190 mil postos de trabalho em 1999), bem como a contenção mais rápida do próprio desemprego. Diante disso, o Brasil entrou mais tarde e desvencilhou-se mais cedo da contaminação da crise internacional. A pobreza encolheu, uma vez que mais de 500 mil brasileiros abandonaram essa situação nas regiões metropolitanas, enquanto a desigualdade de renda do trabalho caiu 0,4%. Até a inflação não subiu, mesmo com a desvalorização cambial ocorrida em função da crise, pois terminou regredindo de 5,9%, em 2008, para 4,3%, em 2009. Na época da crise financeira de 1998 e 1999, a taxa de inflação subiu de 1,7% para 8,9%.

Sem a crise de 2008, o Brasil, possivelmente, não precisaria ter tomado medidas ousadas, que terminaram por solapar a lógica do tratamento da recessão econômica por meio das receitas neoliberais. É por isso que 2009 se tornou o ano da virada que consolida outro caminho de desenvolvimento que não seja o da reprodução do passado.

terça-feira, 23 de março de 2010

Bernardo Kucinski: A linguagem do preconceito contra Lula.

Artigo originalmente publicado pela Revista do Brasil, mas copiado do Blog do Nassif.

Virou moda dizer que “Lula não entende das coisas”. Ou “confundiu isso com aquilo”. É a linguagem do preconceito, adotada até mesmo por jornalistas ilustres e escritores consagrados

Por: Bernardo Kucinski
Publicado em 01/01/2008

Um dia encontrei Lula, ainda no Instituto Cidadania, em São Paulo, empolgado com um livro de Câmara Cascudo sobre os hábitos alimentares dos nordestinos. Lula saboreava cada prato mencionado, cada fruta, cada ingrediente. Lembrei-me desse episódio ao ler a coluna recente do João Ubaldo Ribeiro, “De caju em caju”, em que ele goza o presidente por falar do caju, “sem conhecer bem o caju”. Dias antes, Lula havia feito um elogio apaixonado ao caju, no lançamento do Projeto Caju, que procura valorizar o uso da fruta na dieta do brasileiro.

“É uma pena que o presidente Lula não seja nordestino, portanto não conheça bem a farta presença sociocultural do caju naquela remota região do país...”, escreveu João Ubaldo. Alegou que Lula não era nordestino porque tinha vindo ainda pequeno para São Paulo. E em seguida esparramou citações sobre o caju, para mostrar sua própria erudição. Estou falando de João Ubaldo porque, além de escritor notável, ele já foi um grande jornalista.

Outro jornalista ilustre, o querido Mino Carta, escreveu que Lula “confunde” parlamentarismo com presidencialismo. “Seria bom”, disse Mino, “que alguém se dispusesse a explicar ao nosso presidente que no parlamentarismo o partido vencedor das eleições assume a chefia do governo por meio de seu líder...” Essa do Mino me fez lembrar outra ocasião, no Instituto Cidadania, em que Lula defendeu o parlamentarismo.

Parlamentarista convicto, Lula diz que partidos são os instrumentos principais de ação política numa democracia. Pelo mesmo motivo Lula é a favor da lista partidária única e da tese de que o mandato pertence ao partido. Em outubro de 2001, o Instituto Cidadania iniciou uma série de seminários para o Projeto Reforma Política, aos quais Lula fazia questão de assistir do começo ao fim. Desses seminários resultou um livro de 18 ensaios, Reforma Política e Cidadania, organizado por Maria Victória Benevides e Fábio Kerche, prefaciado por Lula e editado pela Fundação Perseu Abramo.

Clichês e malandragem

Se pessoas com a formação de um Mino Carta ou João Ubaldo sucumbiram à linguagem do preconceito, temos mais é que perdoar as dezenas de jornalistas de menos prestígio que também dizem o tempo todo que “Lula não sabe nada disso, nada daquilo”. Acabou virando o que em teoria do jornalismo chamamos de “clichê”. É muito mais fácil escrever usando um clichê porque ele sintetiza idéias com as quais o leitor já está familiarizado, de tanto que foi repetido. O clichê estabelece de imediato uma identidade entre o que o jornalista quer dizer e o desejo do leitor de compreender. Por isso, o clichê do preconceito “Lula não entende” realimenta o próprio preconceito.

Alguns jornalistas sabem que Lula não é nem um pouco ignorante, mas propagam essa tese por malandragem política. Nesse caso, pode-se dizer que é uma postura contrária à ética jornalística, mas não que seja preconceituosa. Aproveitam qualquer exclamação ou uso de linguagem figurada de Lula para dizer que ele é ignorante. “Por que Lula não se informa antes de falar?”, escreveu Ricardo Noblat em seu blog, quando Lula disse que o caso da menina presa junto com homens no Pará “parecia coisa de ficção”. Quando Lula disse, até com originalidade, que ainda faltava à política externa brasileira achar “o ponto G”, William Waack escreveu: “Ficou claro que o presidente brasileiro não sabe o que é o ponto G”.

Outra expressão preconceituosa que pegou é “Lula confunde”. A tal ponto que jornalistas passam a usar essa expressão para fazer seus próprios jogos de palavras. “Lula confunde agitação com trabalho”, escreveu Lucia Hippolito. Empregam o “confunde” para desqualificar uma posição programática do presidente com a qual não concordam. “O presidente confunde choque de gestão com aumento de contratações”, diz o consultor José Pastore, fonte habitual da imprensa conservadora.

Confunde coisa alguma. Os neoliberais querem reduzir o tamanho do Estado, o presidente quer aumentar. Quer contratar mais médicos, professores, biólogos para o Ibama. É uma divergência programática. Carlos Alberto Sardenberg diz que Lula “confundiu” a Vale com uma estatal. “Trata-a como se fosse a Petrobras, empresa que segundo o presidente não pode pensar só em lucro, mas em, digamos, ajudar o Brasil.” Esse caso é curioso porque no parágrafo seguinte o próprio Sardenberg pode ser acusado de confundir as coisas, ao reclamar de a Petrobras contratar a construção de petroleiros no país, apesar de custar mais. Aqui, também, Lula não fez confusão: o presidente acha que tanto a Vale quanto a Petrobras têm de atender interesses nacionais; Sardenberg acha que ambas devem pensar primeiro na remuneração dos acionistas.

Filosofia da ignorância

A linguagem do preconceito contra Lula sofisticou-se a tal ponto que adquiriu novas dimensões, entre elas a de que Lula teria até problemas de aprendizagem ou de compreensão da realidade. Ora, justamente por ter tido pouca educação formal, Lula só chegou aonde chegou por captar rapidamente novos conhecimentos, além de ter memória de elefante e intuição. Mas, na linguagem do preconceito, “Lula já não consegue mais encadear frases com alguma conseqüência lógica”, como escreveu Paulo Ghiraldelli, apresentado como filósofo na página de comentários importantes do Estadão. Ou, como escreveu Rolf Kunz, jornalista especializado em economia e também professor de filosofia: “Lula não se conforma com o fato de, mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta”.

Como nasceu a linguagem do preconceito? As investidas vêm de longe. Mas o predomínio dessa linguagem na crônica política só se deu depois de Lula ter sido eleito presidente, e a partir de falas de políticos do PSDB e dos que hoje se autodenominam Democratas. “O presidente Lula não sabe o que é pacto federativo”, disse Serra, no ano passado. E continuam a falar: “O presidente Lula não sabe distinguir a ordem das prioridades”, escreveu Gilberto de Mello. “O presidente Lula em cinco anos não aprendeu lições básicas de gestão”, escreveu Everardo Maciel na Gazeta Mercantil.

A tese de que Lula “confunde” presidencialismo com parlamentarismo foi enunciada primeiro por Rodrigo Maia, logo depois por César Maia, e só então repetida pelos jornalistas. Um deles, Daniel Piza, dias depois dessas falas, escreveu que “só mesmo Lula, que não sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, pode achar que um governante ter a aprovação da maioria é o mesmo que ser uma democracia no seu sentido exato”.

Preconceito é juízo de valor que se faz sem conhecer os fatos. Em geral é fruto de uma generalização ou de um senso comum rebaixado. O preconceito contra Lula tem pelo menos duas raízes: a visão de classe, de que todo operário é ignorante, e a supervalorização do saber erudito, em detrimento de outras formas de saber, tais como o saber popular ou o que advém da experiência ou do exercício da liderança. Também não se aceita a possibilidade de as pessoas transitarem por formas diferentes de saber.

A isso tudo se soma o outro preconceito, o de que Lula não trabalha. Todo jornalista que cobre o Palácio do Planalto sabe que é mentira, que Lula trabalha de 12 a 14 horas por dia, mas ele é descrito com freqüência por jornalistas como uma pessoa indolente.

Não atino com o sentido dessa mentira, exceto se o objetivo é difamar uma liderança operária, o que é, convenhamos, uma explicação pobre. Talvez as elites, e com elas os jornalistas, não consigam aceitar que o presidente, ao estudar um problema com seus ministros, esteja trabalhando, já que ele é “ incapaz de entender” o tal problema. Ou achem que, ao representar o Estado ou o país, esteja apenas passeando. Afinal, onde já se viu um operário, além do mais ignorante, representar um país?

Fontes: João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 2/9/2007. Blog do Mino Carta, 16/11/2007. Blog do William Waack, 2/12/2007. Texto de Lúcia Hipólito no UOL, 24/07/2007. José Pastore, artigo no Estadão, 11/12/2007. Carlos Alberto Sardenberg, “De bronca com o capital”, Estadão, 10/12/2007. Filósofo Paulo Ghiraldelli, Estadão, 29/8/2007. Rolf Kunz, “Lula, o viajante do palanque”, Estadão, 29/11/2007. José Serra, em Folha On Line, 1º/8/2006, em reportagem de Raimundo de Oliveira. Gilberto de Mello, escritor e membro do Instituto Brasileiro de Filosofia, no Estadão de 2/8/2007, reproduzido no site do PSDB. Everardo Maciel, na Gazeta Mercantil de 4/10/2007. Rodrigo Maia, em declaração à Rádio do Moreno, 6/11/2007, 17h20. César Maia em seu blog, 12/11/2007. E Daniel Pizza em texto do Estadão de 2/12/2007.

Bernardo Kucinski é professor titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP. Foi produtor e locutor no serviço brasileiro da BBC de Londres e assistente de direção na televisão BBC. É autor de vários livros sobre jornalismo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Valor Econômico: promotor do caso Bancoop acusa sem provas.

Matéria do Valor, copiada daqui.
Além da informação que vai aí no título, a matéria do Valor Econômico traz mais duas informações bem interessantes.

1 - O fundo da Bancoop em que os fundos de pensão aplicaram dinheiro era considerado um investimento muito seguro pela Standard & Poor"s.

Ela havia dado ao FDIC a nota AA. Segundo o Brasil Econômico:  "AAA: É a notação mais elevada, que revela uma capacidade "extremamente forte" do emitente cumprir com as obrigações financeiras."; e "AA: Difere pouco da classificação de AA. A capacidade do emitente em cumprir com as obrigações financeiras é "muito forte"."

Apenas para comparação, a S&P dá nota BBB- para a Petrobrás desde 26/06/2009. Ou seja, no momento de sua cração, segundo a S&P, era mais seguro investir no FDIC da Bancoop do que é, hoje, investir na Petrobrás.


2 - Os fundos de pensão das estatais não perderam um centavo na operação; apenas ganharam menos que o previsto.

Investimento na Bancoop expôs fundos a risco alto.
Ricardo Balthazar, de São Paulo

Um grupo de fundos de pensão estatais que há seis anos se uniu para reforçar os cofres da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) com a promessa de que teria o dinheiro devolvido em condições generosas só conseguiu recuperá-lo no fim do ano passado, depois de abrir mão de boa parte dos rendimentos que teria recebido se as premissas originais do negócio tivessem sido mantidas.

A transação foi concluída discretamente em novembro, quando a cooperativa desembolsou R$ 18 milhões para quitar suas obrigações com os fundos e um pequeno grupo de investidores que se associou a eles para investir na Bancoop. Eles tinham o direito de receber quase R$ 29 milhões, mas aceitaram o desconto proposto pela cooperativa para evitar os prejuízos que poderiam sofrer se continuassem amarrados à Bancoop por mais tempo.

O envolvimento dos fundos de pensão com a Bancoop nunca foi um segredo, mas a relação entre eles voltou a ser examinada com atenção nas últimas semanas por causa das suspeitas que cercam as atividades da cooperativa. A Bancoop está sob investigação do Ministério Público de São Paulo desde 2007 e seus dirigentes foram acusados pelo promotor José Carlos Blat de desviar dinheiro da cooperativa para o PT.

Entre 2004 e 2005, a Bancoop captou no mercado cerca de R$ 37,5 milhões com o lançamento de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), em que a devolução do dinheiro dos investidores e seus rendimentos seriam assegurados pelos pagamentos feitos pelos associados da Bancoop. De acordo com a cooperativa, o objetivo da operação era arrecadar recursos para acelerar as obras de seus empreendimentos imobiliários.

A montagem do fundo e seu desempenho nos anos seguintes foram acompanhados de perto pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que nas últimas semanas virou o alvo principal das investigações conduzidas por Blat. Vaccari presidia o Sindicato dos Bancários quando o FIDC foi criado e pouco tempo depois assumiu o comando da Bancoop, onde permaneceu até fevereiro deste ano.

Os maiores fundos de pensão do país apostaram no FIDC da Bancoop. A Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF), entrou com R$ 11 milhões. A Petros, dos empregados da Petrobras, aplicou R$ 10 milhões. A Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, investiu R$ 5 milhões. Os dirigentes dos três fundos têm laços antigos com o PT e o Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Quando o FIDC foi lançado, ele parecia um bom negócio. A promessa era que os recursos seriam devolvidos em três anos, corrigidos pela variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), mais 12,5% de juros ao ano, uma taxa considerada excelente para esse tipo de aplicação. A agência de classificação de risco Standard & Poor"s analisou a operação e deu ao fundo da Bancoop a nota AA, reservada para investimentos considerados muito seguros.

Mas havia problemas na administração da cooperativa, como ficou evidente pouco tempo depois. Auditores contratados pela Bancoop em 2005 revelaram que as prestações pagas pelos associados eram insuficientes para cobrir os custos de vários empreendimentos. Para tapar o buraco, a cooperativa decidiu cobrar novos pagamentos dos cooperados. Revoltados, muitos deixaram de pagar as prestações em dia e foram à Justiça contra a Bancoop.

O resultado foi um aumento da inadimplência na cooperativa, que se refletiu sobre a qualidade da carteira de títulos formada para assegurar os rendimentos dos fundos de pensão e dos outros investidores que haviam apostado no FIDC da Bancoop. Em maio de 2006, quando faltava pouco mais de um ano para o fundo ser liquidado e os investidores reaverem seu dinheiro, as regras do FIDC foram alteradas.

O prazo para encerramento do fundo foi esticado de três para sete anos e critérios desenhados para assegurar sua rentabilidade e manter baixa a inadimplência da sua carteira foram eliminados. A mudança foi aprovada por todos os cotistas do fundo da Bancoop, exceto a Previcq, fundo de pensão dos servidores de vários órgãos subordinados ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Nos anos seguintes, novas mudanças foram feitas nas regras do FIDC, para garantir aos fundos de pensão que os resgates programados para ocorrer uma vez por ano pudessem ser antecipados sempre que houvesse dinheiro disponível. Mas os problemas da Bancoop continuaram se agravando. A Standard & Poor"s passou a considerar o fundo de alto risco e a situação chegou a um ponto em que a cooperativa só conseguia cumprir suas obrigações com os cotistas fazendo novos aportes de recursos no FIDC.

Em agosto do ano passado, a Bancoop propôs o encerramento das atividades do fundo, oferecendo aos cotistas o saldo remanescente das suas aplicações com uma correção menor do que a combinada na criação do FIDC, equivalente à variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais 6% de juros ao ano. Os fundos de pensão aceitaram o desconto e o pagamento foi feito pela cooperativa em novembro.

Os fundos de pensão não perderam dinheiro com a Bancoop. Eles poderiam ter ganho muito mais se as condições originais da transação tivessem sido preservadas. Mas eles saíram do FIDC da Bancoop com o patrimônio preservado e rendimentos suficientes para manter o equilíbrio financeiro de suas carteiras. Ainda assim, ao permanecer por tanto tempo num fundo tão problemático, eles se expuseram a níveis de risco bastante elevados.

Em resposta a questionamentos feitos pelo Valor, a Previ, a Petros e a Funcef justificaram a demora pela necessidade de encontrar uma saída que evitasse prejuízos maiores, que poderiam ter ocorrido se o FIDC da Bancoop tivesse deixado de pagar os cotistas, ou se a questão fosse levada à Justiça, medida que os fundos de pensão seriam obrigados a tomar se levassem calote do fundo.

Somados todos os resgates feitos até o encerramento do FIDC da Bancoop, a Petros recebeu R$ 12,7 milhões, a Funcef levou R$ 14,6 milhões e a Previ recuperou R$ 7,8 milhões. O promotor Blat desconfia que o fundo tenha sido usado para desviar recursos para o PT, mas não tem nenhuma prova de que isso tenha ocorrido. Há duas semanas, a Justiça autorizou o Ministério Público a examinar a movimentação financeira do FIDC para conferir a sua tese. (Colaborou Alessandra Bellotto)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Brasil Econômico: Governo Federal investe R$ 26 bilhões e dobra a malha de gasodutos de 2003 a 2010.

Matéria do Brasil Econômico.

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O uso do gás aumentou no Brasil nos últimos oito anos. A malha de gasodutos, que em 2003 era de aproximadamente 5 mil quilômetros, passará a cerca de 10 mil km neste ano.

Mais um passo será dado na integração energética do país, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurar hoje (3) o Gasoduto Cabiúnas-Reduc 3 (Gasduc 3) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A estrutura, com 179 quilômetros de extensão, liga o norte do Rio de Janeiro à região metropolitana e custou R$ 2,54 bilhões. Deste total, R$ 182 milhões foram investidos na construção de um túnel com 3.758 metros, sob a Serra de Santana, no município de Cachoeiras de Macacu, a fim de evitar impactos sobre a vida silvestre no local.

A importância principal do Gasduc será a interligação, dentro de dois meses, com o Gasoduto Sudeste Nordeste, conhecido como Gasene, permitindo uma integração energética com os estados do Nordeste, segundo a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster.

"O gás do Nordeste pode encontrar mercado no Sudeste do país. Então, hoje você literalmente integrou os dois países do ponto de vista gasífero. Tinha um Brasil pra lá e um Brasil pra cá. Esse gasoduto ligou os dois. Então, se um governador, lá no Ceará, dá vantagens competitivas para a instalação de uma planta de pneu, por exemplo, não vai deixar de ir para lá por causa do gás. Basta a distribuidora fazer um contrato comigo [Petrobras], fazer um contrato com o consumidor e o gás lá vai", assinalou Graça Foster.

Segundo ela, a inauguração do último trecho do Gasene - Cacimbas-Catu - deve ocorrer na segunda quinzena de março, o que deverá alterar a matriz energética do Nordeste. "Muda completamente. É um sinal muito bom. A gente não tem mais o que fazer. Já está pronto. É só administrar as inaugurações", comemorou a diretora da estatal. No total, o Gasene tem 1.387 quilômetros.

Ela informou que, desde 2003, o governo investiu R$ 26 bilhões na construção da malha de gasodutos no país. Com a maior integração, o sistema será mais confiável, pois haverá várias fontes de gás abastecendo os consumidores, de forma interligada, como ocorre hoje no sistema elétrico.

O gás produzido pela Petrobras pode ser utilizado de várias formas, beneficiando desde o consumidor que utiliza o produto como combustível no carro, até como fonte energética para termelétricas e empresas de todos os tamanhos. O gás também é usado na fabricação de insumos diversos, incluindo a indústria de fertilizantes

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Portal Exame: segundo estudo internacional, Petrobras é a segunda em sustentabilidade entre as grande petroleiras.

 Matéria do Portal Exame.



Petrobras é, ao lado da British Petroleum e da Chevron, líder na produção de fontes renováveis de energia entre as gigantes mundiais de petróleo e gás, informou um estudo da consultoria espanhola Management & Excellence.

O levantamento, que será publicado na quarta-feira, mostra o desempenho ambiental das dez maiores companhias do setor no mundo todo, por meio de 198 itens, em áreas que vão de economia de energia e redução de desperdício a fontes alternativas de energia e segurança.

Considerados todos esses indicadores, a britânica BP foi considerada a mais sustentável, com pontuação de 77 numa escala de zero a cem. Petrobras, foi a segunda, com 75, seguida pela francesa Total, com 74. A Petrochina foi a pior do ranking, com apenas 30.

Para a consultoria, além da crescente pressão de governos e de organismos multilaterais pela redução das emissões de gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis, as companhias do setor se viram forçadas a aumentar a eficiência energética, já que a crise ecomômica derrubou os preços de gás e petróleo, corroendo as margens de lucro.
Segundo a M&E, a Petrobras. fez investimentos de 1,9 bilhão de dólares em modernização ambiental. Já a BP investiu 1,4 bilhão de dólares na geração de energia eólica, solar, biocombustíveis e captura de carbono.

"A capacidade mundial de energia eólica cresceu 29,9 por cento em 2008, e a solar, 69 por cento. Mesmo assim, os combustíveis fósseis ainda representam mais de 80 por cento do consumo de energia do planeta", diz o estudo.

Portal Exame: Petrobrás testa usina términa inédita, movida a etanol.

Matéria do Portal Exame.

Petrobras começa a testar térmica a etanol dia 21

| 08.12.2009 | 14h58
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras começa a testar no dia 21 de dezembro a inédita usina térmica a etanol, que se der certo poderá ampliar o mercado para a venda do combustível brasileiro a vários países, afirmou a diretora de Gás e Energia da estatal, Graça Foster.


Em parceria com a General Eletric, responsável pela tecnologia, a Petrobras, já converteu uma das duas turbinas da usina térmica em Juiz de Fora, com capacidade de gerar 85 megawatts, para gás natural e etanol.

"Já fizemos os testes com o gás e voltou a operar normalmente, agora vamos rodar com etanol por três meses", informou Graça a jornalistas durante encontro de final de ano com a empresa.
"Passa a ser uma grande oportunidade de negócios em outros países e isso pode acelerar em muito o uso do etanol brasileiro", complementou.

Ela explicou que existe uma grande expectativa sobre a redução de emissóes de gás carbônico que o projeto pode proporcionar, o que facilitaria a entrada dessas usinas em países desenvolvidos.

"A disponibilidade da usina a álcool é mais uma alternativa que nós teremos para reduzir as emissões", disse a executiva que prevê para janeiro informações sobre o novo projeto.

Os testes se iniciam em um momento de aperto na oferta de etanol do Brasil, o que tem sustentado os preços, com as usinas elevando o volume de cana para a produção de açúcar, com o objetivo de aproveitar os bons preços da commodity no mercado internacional.

Espera-se, no entanto, que no futuro a oferta do biocombustível seja mais abundante, com o uso de tecnologias que conseguiriam obter mais álcool da cana.

Terra Magazine: À CPI, resta apenas uma opção: reconhecer que a Petrobrás não sonegou, escreve especialista.

Artigo no Terra Magazine.

A CPI, a Petrobrás, o Dólar e a Competência

Vitor Flores
De São Paulo

Em 10 de maio de 2009, o jornal O Globo publicou: "Artifício faz Petrobras pagar menos imposto". Antes que o mês pudesse acabar, o assunto virou o tema principal da "CPI da Petrobrás", no Senado(1). A empresa teria sonegado supostos R$ 4,3 bilhões e a verdade precisava ser posta às claras. Os dados sobre o efetivamente ocorrido não seria revelado ao público. A informação é acobertada pelo sigilo fiscal.

Mas a empresa abriu mão de sua privacidade e, a propósito da notícia divulgada, publicou em seu blog de notícias(2) informações sobre o "artifício". Em 2008, mudou seu regime de reconhecimento de receitas sobre variação cambial de ativos seus no exterior de "competência" para "caixa". O novo regime era fiscalmente mais vantajoso: sob esta nova perspectiva, a sociedade teria recolhido R$ 1,14 bilhão a mais em tributos naquele ano. Este indébito foi pedido de volta em 2009.

O valor da notícia e o valor anunciado pela empresa divergem. De qualquer forma, a situação certamente deve ter levantado a suspeita da Receita Federal. A Petrobrás é daqueles contribuintes sujeitos a acompanhamento econômico-tributário diferenciado(3). Publicou, no Balanço de 2008, despesa de impressionantes R$ 9 bilhões de Imposto de Renda e Contribuição Social. Na prática, uma guia de recolhimento sua a menos faz acender uma luz amarela no sistema atuarial do Fisco. Sinaliza ao Auditor Fiscal que pegue o telefone e ligue para saber o que contraria sua projeção de receitas. Neste caso, ele deve ter ido antes de ligar.

Se a sociedade tivesse permanecido no regime de competência, seus ativos no exterior, avaliados pelo dólar americano, sofreriam, a partir de agosto de 2008, uma apreciação vertical decorrente da fuga de capitais causada pela crise financeira mundial deflagrada neste período. De janeiro a dezembro de 2008, a valorização destes ativos chegaria a 35%, ganho inteiramente tributável.

Cotação do Dólar em 2008

Os efeitos de oscilações abruptas do câmbio podem ser nefastos. Já foram provados em 1999 quando ele passou a ser flutuante(4) . Na oportunidade, o câmbio havia sido fechado em R$ 1,20 em dezembro de 1998, e alçado ao pico de R$ 1,98 em janeiro de 1999 - uma valorização de 65% em apenas um mês. Lembramos que estas circunstâncias, por exemplo, empurraram o Banco Marka à bancarrota e Salvatore Cacciola para a prisão.

Para remediar oscilações imprevistas com tal, a Medida Provisória 2.158-35/2001, em seu artigo 30, passou a facultar a transição do regime de reconhecimento de resultados tributáveis com variação cambial de "competência" para o de "caixa". Foi o que fez a Petrobrás. E, sem dúvida, não está só.

O contribuinte pode optar por um ou outro regime. Para sermos fidedignos a respeito, transcrevemos a norma: "A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação".

A norma impõe, em um primeiro momento, a adoção do regime de caixa para tributar a variação cambial. Mas, logo em seguida, atenua a imposição: "À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência".

A legislação não prevê uma data para realizar a opção. No Brasil, até disposição em contrário, as pessoas são livres para mudar de opinião, realizar outras escolhas, e retificar suas obrigações tributárias enquanto não vencido o prazo decadencial. O Código Tributário Nacional é expresso neste sentido em seu art. 168. Quando é o caso de a opção ser irretratável, a legislação é expressa, como, por exemplo, a adesão ao Regime Tributário de Transição, da Lei 11.941/2008. Há ainda os casos em que não há opção sobre o regime de tributação. Por exemplo, a tributação do resultado com operações envolvendo derivativos para fins de proteção do patrimônio (operações de "hedge"), somente podem ser tributadas com base no regime de caixa, conforme a Lei 11.051/2004.

No Brasil e nas normas internacionais, as IFRS, o regime de reconhecimento dos resultados é o de "competência". Nele, os ganhos e perdas são apurados independentemente de liquidação dos valores. No entanto a legislação fiscal faculta o uso do regime de caixa, caso em que os resultados são apurados apenas por ocasião da liquidação da operação. No final das contas, seja por caixa, seja por competência, os ganhos serão os mesmos. Por isso, a opção pelo método de reconhecimento do resultado cambial não afeta em nada o quanto o Governo vai receber, mas apenas quando.

Demonstramos com um exemplo. O gráfico a seguir traça o resultado com a variação cambial acumulada apurado segundo o regime de competência a que esteve sujeita a empresa ao longo de 2008 para um ativo seu adquirido por US$ 1.000 no começo deste ano, e liquidado ao seu final.

Até agosto, apurava-se uma despesa dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social. A partir de então, a curva volta-se para cima, e passa a apurar ganhos verticais. Em dezembro, o valor tributável com a variação cambial acumulada alcança um pico de R$ 620 acumulados no ano. A curva acompanha exatamente a oscilação da moeda americana exibida mais acima.

Pelo regime de caixa, a curva se comporta da seguinte maneira:

Em dezembro de 2008 apurou-se o mesmo ganho tributável de R$ 620 calculados pelo regime de competência. Ganhos iguais para o Governo ao final do ano, portanto.

Nada importaria que o ano da liquidação dos ativos de nosso exemplo fosse posterior a 2008, como bem parece ser o caso da estatal. O legislador já decidiu ser justa a flexibilidade do regime de reconhecimento da variação cambial. O contribuinte pode se planejar contra seus efeitos. Afinal, sob a ótica fundamentalista do investidor de longo prazo, a flutuação do câmbio é um aspecto marginal em sua decisão de aplicar capital. Os ganhos com a variação cambial não geram caixa que sirvam a pagar os tributos sobre si incidentes. É, portanto, oportuna a liberdade de mudança dos regime de tributação.

A mudança de opção da Petrobrás, portanto, não é nenhum "artifício" contábil. Pelo menos não sob a conotação que lhe assemelhe a uma sonegação fiscal. A julgar pelos fatos conhecidos e pela legislação aplicável, o relatório da CPI, prometido para logo em breve , deveria falar muito sobre a competência da empresa em tributar seus ganhos cambiais pelo regime de caixa.

(3)Portaria RFB 2.521/08
(4)http://www.receita.fazenda.gov.br/

Vitor Flores é consultor tributário em São Paulo e mestrando em Direito Tributário pela PUCSP.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Foreign Policy: se José Serra for eleito, ele tentará reverter as novas regras que Lula propõe para o petróleo, escreve analista internacional de riscos

Segue artigo publicado pelo Foreign Policy. A tradução é minha mesmo (infelizmente), com alguma ajuda do Googlle.

Brasil se move agressivamente em direção a nacionalismo de recurso.
Qua, 11/25/2009 - 8:52 am


Por Ian Bremmer

A emergência do Brasil como um investidor amigável e a democracia de livre mercado tem sido uma das histórias mais estimulante do mundo nos últimos anos. Enquanto Hugo Chávez, da Venezuela, aperfeiçoa sua presonificaçãp de Fidel Castro, Equador e Bolívia seguem o exemplo de Chávez, e a economia da Argentina estrebucha, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tem mantido políticas macroeconômicas responsáveis - enquanto redistribui riqueza para diminuir a distancia ainda considerável entre os ricos e os pobres.

Mas, enquanto ele começa o seu último ano de mandato, uma grande descoberta de petróleo no mar encorajou o seu governo a aprofundar o controle estatal do setor energético, turvando o cenário de investimentos.

Lula parece ganhar uma batalha legislativa sobre o futuro do setor de petróleo no Brasil. A estatal petrolífera terá, então, direitos exclusivos de exploração de qualquer nova exploração e produção em campos litorâneos, que, acredita-se, contem uma das maiores jazidas mundiais de petróleo descobertas nos últimos anos. O governo do Brasil irá controlar toda a actividade nos novos domínios, tomando as grandes decisões sobre o funcionamento e gestão do projecto. Ao longo do tempo, a Petrobras vai se tornar uma empresa bem maior, mas menos rentável e menos eficiente.

Não é nenhuma surpresa, então, que as companhias petrolíferas multinacionais oponham-se resolutamente a este plano. Apesar do enorme potencial nas áreas offshore, muitas delas podem simplesmente optar por não trabalhar com a Petrobras, nos termos que o governo brasileiro propôs. É por isso que há um risco real de que o Brasil tenha de recorrer a estatal chinesa e a outras estatais de energia para obter os recursos necessários para trazer este óleo para o mercado.

Isso será notícia ruim para aqueles que importam petróleo. Embora a Petrobras tenha os conhecimentos técnicos para o trabalho, a empresa já está ficando sobrecarregada com o desenvolvimento dos projetos existentes. O fato de que a Petrobras pode fazer o trabalho não significa que deveria. Parcerias com as multinacionais do petróleo (com muito mais experiência em gerenciamento de projetos para recuperar as quantidades máximas de depósitos de petróleo de profundidade) trariam mais petróleo para os consumidores - e mais mais rapido e eficientemente.

A oposição no Brasil também não está satisfeita com o projeto de Lula, mas sua popularidade (perto de 80%) calou a oposição. Mesmo o Governador de São Paulo, José Serra, o candidato mais provável para derrotar o sucessor preferido de Lula (Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff) no próximo mês de Outubro, tem mantido a maioria de suas reservas para si mesmo. Os legisladores que normalmente se oporiam a um plano gerido pelo governo estão ansiosos para continuar nas boas graças de Lula como a aproximação das eleições.

As companhias petrolíferas multinacionais também estão se movendo cautelosamente. Elass têm exposto suas críticas através da Petróleo do Brasil Industry Association, mas tem evitado o envolvimento direto na dinâmica eleitoral do Brasil.

Sem uma oposição decidida, a legislação provavelmente irá passar. Se  José Serra ganhar as eleições presidenciais no próximo outono, ele provavelmente tentará reverter a legislação. Mas isso seria um processo longo. Se a Dilma ganhar, as companhias internacionais de petróleo só poderão esperar por uma eventual vitória na Justiça sobre a constitucionalidade do plano de reforma. De qualquer maneira, o setor de energia do Brasil será muito menos amigável com os investidores nos próximos anos.

Ian Bremmer é presidente do Eurasia Group.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Infomoney: capitalização da Petrobras para o pré-sal será transparente, acreditam analistas.

Matéria do Infomoney:

Analistas acreditam que capitalização da Petrobras será transparente.

Por: Equipe InfoMoney
23/11/09 – 17h56 -InfoMoney

SÃO PAULO - Os analistas da Itaú Corretora acreditam que a Petrobras (PETR3, PETR4) tem claras intenções de se capitalizar de forma transparente, sem prejudicar os acionistas minoritários, com base no comunicado ao mercado divulgado na última quinta-feira (19).

Dentre as principais notas do documento, o destaque foi a criação de um comitê de acionistas minoritários para acompanhar o processo de transferência dos direitos de exploração e a utilização de notas da dívida soberana na capitalização da empresa.

Pontos esclarecidos

Para a equipe da Itaú Corretora, o comunicado não traz nenhuma novidade, mas a empresa tornou alguns pontos mais claros, confirmando as primeiras impressões dos analistas. A instituição destacou três pontos adicionais importantes, sendo os dois primeiros que: o comitê de acionistas minoritários não terá direito de veto; e o valuation de 5 milhões de boe (barris de óleo equivalentes) será feito entre a empresa e a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Além disso, não somente o governo, mas os acionistas minoritários poderão usar notas da dívida soberana brasileira para subscrição no aumento de capital. Também ficou claro que apenas acionistas atuais poderão participar desse aumento, de modo que se trata de uma oferta privada. O tamanho e o prazo para a capitalização, entretanto, ainda não foram definidos.

Recomendação

Na visão dos analistas, embora seja cedo para os investidores relaxarem com relação à capitalização, esse é "um bom começo", e o processo deve ser feito de maneira clara e transparente, segundo a equipe do Itaú. Os analistas chamam atenção para os potenciais efeitos de transação no mercado de capitais do País e na percepção dos investidores estrangeiros ao risco.

Com isso, a Itaú Corretora reiterou a impressão de que a capitalização será feita sem riscos e trará impactos positivos nas ações da empresa. Assim, foi mantida a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), e o preço alvo de R$ 51,30, com base em dezembro de 2010, para as ações preferenciais da empresa. O valor representa um upside de 33% com base no fechamento de 19 de novembro.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Estadão: Produtividade do pré-sal pode reduzir custos.

ANÁLISE-Produtividade do pré-sal pode reduzir custo de produção.
DENISE LUNA E BRIAN ELLSWORTH - REUTERS

RIO DE JANEIRO - A declaração de alta produtividade de mais um poço do pré-sal, divulgada pela Petrobras na noite de quarta-feira, pode levar a empresa a reduzir ainda mais o número de poços a serem perfurados para os sistemas de produção na região e com isso diminuir seus elevados custos.

Na avaliação do diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, os resultados que vêm sendo obtidos confirmam cada vez mais o potencial da região. Mas não se pode estender a informação para todos os poços do pré-sal.

"Isso (produtividade) pode ter influência na determinação no número de poços, mas não se pode estender essa informação para tudo, não quer dizer que todas as áreas vão produzir nessa ordem", disse o executivo à Reuters nesta quinta-feira.

"A área é muito grande... ainda temos muito trabalho", completou.

Na noite de quarta-feira a Petrobras anunciou ter concluído dois testes de formação no poço 4-RJS-647, local informalmente denominado de Iracema, na parte norte da área de Tupi, registrando elevado potencial de produtividade.

Segundo a empresa, com base nos testes pode-se estimar uma produção inicial de 50 mil barris/dia quando o sistema for implantado.

O poço revelou também óleo mais leve do que em Tupi --32 graus API em Iracema contra 28 na primeira descoberta do pré-sal. Quanto mais perto de 50, melhor a qualidade do óleo e maior seu valor comercial.

Em junho, Barbassa informou que a empresa em 2008 estimava perfurar 30 poços para a produção de 120 mil barris/dia no pré-sal, sendo 20 para produção e dez para a reijeção. Estudos posteriores reduziram essa o número de perfuraçães para 20, sendo 12 para produção e 8 para injeção.

"Aquilo era com o conhecimento da época, agora testamos Iracema e Guará, que estão na faixa de 50 mil bpd ou mais", explicou, sem saber informar quantos poços seriam necessários agora. "Isso ainda depende de estudo de E&P", disse referindo-se à área de Exploração e Produção da companhia que decide esse tipo de trabalho.

"O importante é que os poços que estamos fazendo até agora estão dando resultados melhores do que o esperado", complementou.

O analista de upstream na América Latina da Wood Mackenzie Ruaraidh Montgomery, concorda com a visão de Barbassa.


"O grande custo para esses campos são os poços, porque você tem que fazer uma perfuração profunda, mas os sinais são muito positivos", disse.

Para o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, cada vez que uma notícia dessa é divulgada as dúvidas em relação ao pré-sal vão se diluindo.

"Com certeza essas notícias mostram que o pré-sal é uma reserva bastante grande, e Iracema mostrou que é um negócio ... com um óleo mais leve ainda que em Tupi".

Ele destacou no entanto que apesar das boas indicações a comercialidade desses poços só virá em 2010. "Ainda tem muitas etapas para cumprir antes da declaração de comercilidade", lembrou Pires.

"Mas o importante é que naquela área, seja em Guará, Tupi ou Iara, estamos vendo perfurações acompanhadas de notícias boas", concluiu.