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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Brasil Econômico: Brasil entra na rota global de inovação do grupo Bayer.

Matéria do Brasil Econômico.

Domingos Zaparolli   (dzaparolli@brasileconomico.com.br)
07/04/10 10:30

Alemã traz ao país a divisão Technology Services e amplia investimento em pesquisa.

Uma nova divisão da alemã Bayer começa a operar no Brasil este ano, a Technology Services, especializada em soluções de engenharia e execução de obras para as indústrias químicas, farmacêuticas, petrolíferas e de construção civil.

No ano passado, o negócio gerou uma receita global de € 380 milhões. Entre as metas da nova unidade que começa a operar em junho na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, está detectar oportunidades em novos negócios que surgirão com a exploração do pré-sal, com as obras de infraestrutura em andamento no país e com a adequação das arenas esportivas brasileiras para a Olimpíada e Copa do Mundo

Horstfried Läpple, presidente da filial brasileira da Bayer, diz que ainda é cedo para projetar o desempenho da nova divisão. "Teremos um ano de prospecção de mercado e planejamento. Em 2012 teremos uma visão melhor do negócio", diz.

No Brasil, a Bayer atua em três segmentos, farmacêutico, defensivos agrícolas e materiais inovadores, que abriga os negócios com polímeros de alta performance, como poliuretanos, um produto criado nos laboratórios da Bayer nos anos 30 do século passado, e o policarbonato.

No ano passado, as vendas do grupo no país cresceram 3%, alcançando R$ 3,8 bilhões. A unidade é a sétima em faturamento no ranking interno da companhia, que está presente em 180 países. Läpple avalia que, em menos de uma década, galgará o quinto posto, posicionando-se atrás apenas das operações nos Estados Unidos, Alemanha, China e Itália.

Läpple está no Brasil há quatro anos. Nas horas de folga, sua atividade predileta é fazer caminhadas no campo. Já fez passeios no Pantanal, na Amazônia e nas imediações de São Paulo.

Mas agora, além de observar a natureza, ele aproveita o tempo para refletir. É que recentemente ele recebeu da matriz a incumbência de coordenar um planejamento, que será concluído em 2011, que direcionará os investimentos da companhia no país. É sobre os vetores deste trabalho que Läpple fala ao Brasil Econômico.

Quais são os fatores que fazem o Brasil ganhar maior importância no planejamento global da Bayer?

Os Brics respondem por 14% das vendas da Bayer, mas esta participação cresce a um ritmo de 30% ao ano. O interessante é notar que o Brasil não é mais o país do futuro. Tornou-se um país que, ano a ano, transforma seu potencial em desenvolvimento.
Além disso, há o pré-sal e os eventos esportivos, que gerarão novas oportunidades. Estou no país há quatro anos, passei por EUA, Japão e China.
O Brasil me surpreendeu positivamente pela forma como está avançando em seus marcos regulatórios e no controle da informalidade. Isso permitirá ao país assumir novas funções globais dentro do grupo.
Quais funções globais a filial brasileira pode assumir?
Para ser considerado um país chave na companhia é preciso ter produção e também pesquisa e desenvolvimento. Nosso parque industrial em Belford Roxo (polímeros e defensivos agrícolas) tem mais de 50 anos.
A Bayer tem três fábricas de hormônios femininos, duas na Alemanha e a de São Paulo, que exporta 45% de sua produção para mais de 30 países da América Latina e Ásia. Então, produção já temos. Falta avançar em P&D.
No ano passado, recebemos a tarefa de realizar pesquisas e monitoramentos em farmaco-vigilância, ou seja, controle dos efeitos dos medicamentos nas pessoas. Só EUA, Japão e Alemanha fazem. É uma função sensível para a companhia e teremos 70 profissionais envolvidos nisso. Neste ano, pela primeira vez, seremos responsáveis por coordenar mundialmente a pesquisa clínica de um novo medicamento, o Riociguat, para hipertensão pulmonar. O momento é de mostrar trabalho. Se tivermos boa performance, novos investimentos virão.
Entre os investimentos programados para 2010 estão novos laboratórios. Qual é a importância do Brasil no esforço global de inovação do grupo?
Hoje os laboratórios brasileiros têm a função de adaptar os produtos desenvolvidos pelo grupo para as condições climáticas do país e, em muitos casos, para toda a América Latina.
É uma função importante, que determina nossa importância regional. Mas acreditamos que no futuro iremos além disso, vamos fazer inovação radical aqui, desenvolver novas moléculas por exemplo.
Quais são as inovações que estão sendo trabalhadas nos laboratórios mundiais da Bayer que devem impactar os negócios no Brasil?
Estamos vivendo um momento de mudanças climáticas. O mundo poderá ficar mais quente e teremos menos água. Precisaremos de plantas mais resistentes, que consigam crescer nestas condições. Outra questão importante: a população mundial cresce em 80 milhões de novos habitantes por ano. Mas a área agrícola não tem como acompanhar.
Precisamos buscar mais eficiência e produtividade no campo. Estes são os mais importantes desenvolvimentos nos quais trabalhamos. É importante registrar que, mesmo com a crise, aumentamos nossos investimentos globais em P&D de € 2,7 bilhões em 2008 para € 2,9 bilhões neste ano.

O Brasil está investindo em infraestrutura, além disso há os eventos esportivos no horizonte e o pré-sal. Como isso impacta os negócios da Bayer?
A Bayer tem inúmeras soluções inovadoras a oferecer. Temos soluções anticorrosivas adequadas para equipamentos de perfuração em águas profundas. Temos poliuretanos que permitem a fabricação de dormentes para trilhos de trem mais resistentes e menos barulhentos e que já estão em teste no Metrô de São Paulo. Temos isolantes térmicos que permitem construções ecologicamente sustentáveis.
Na área esportiva, temos a experiência de fornecimentos para a Copa da Alemanha e a Olimpíada de Pequim. Uma solução que será oferecida no país são as chapas de policarbonato como a que cobre o estádio do Bayer Leverkusen, meu time, que disputa a Bundesliga, a primeira divisão alemã.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Bloomberg: as perspectivas de crescimento econômico para o Brasil são possivelmente as melhores das últimas décadas, diz a Goldman Sachs.

Segue a matéria da Bloomberg, com grifos meus e em péssima tradução minha.

By Paulo Winterstein

26 de outubro (Bloomberg) - As ações brasileiras não estão caras, mesmo depois do índice Bovespa subir 73% neste ano e cortar posições pode ser "perigoso" para os investidores, disse a Goldman Sachs Group Inc.

Avaliações prévias sugerem que é arriscado ser 'underweight' em Brasil", Stephen Graham, um analista de São Paulo escreveu em uma nota aos clientes. "O risco soberano brasileiro e as taxas de juros estão em ou perto dos recordes mínimos, enquanto as perspectivas de crescimento econômico sustentável são possivelmente melhores do que em qualquer período nas últimas décadas."

A Bovespa pode chegar aos 85.000 pontos até meados do próximo ano, ele escreveu. Isso representa um ganho de 31% desde o encerramento em 23 de outubro. O índice de negócios está em 16,5 vezes os lucros estimados, em comparação com 17,16 vezes para o MSCI Latin America Index, de acordo com dados da Bloomberg.

O lucro por ação provavelmente vai crescer 46% no próximo ano e 23% em 2011, o que significa que as avaliações futuras permanecerão estáveis, mesmo que o índice suba para 85.000, escreveu Graham.

O índice oscilou pouco hoje, subindo menos do que 0,1% para 65,085.55 em São Paulo.

A Bovespa está pronta para seu maior ganho anual em seis anos enquanto a economia se recupera da primeira recessão desde 2003, amparada pelo recorde de juros baixos e pelo aumento da demanda doméstica. Os economistas prevêem que o PIB do Brasil aumentará 4,8% no próximo ano, após crescer 0,18% em 2009, segundo a previsão média em outubro num levantamento do Banco Central em cerca de 100 analistas publicado hoje.

'Baby Boom'

Um "baby boom" na década de 1980 significa que consumidores na faixa dos 20 anos estão entrando agora no mercado com o "volumes de crédito nunca antes disponíveis", aumentando a demanda no mercado interno do Brasil, escreveu ele.

O crescimento da população poderá elevar o Brasil a terceiro mercado mundial de computadores e telefones ano que vem, escreveu Graham. A estabilidade financeira do país levou a 77% de crescimento em contas bancárias em sete anos e a um crescimento de 18% no número de cartões de crédito desde 2001, escreveu o estrategista.

Os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 provavelmente vão acelerar o financiamento para projetos necessários de infra-estrutura, escreveu Graham. O Brasil está assistindo "alguns dos maiores projetos de transmissão de energia, gasodutos, hidrelétricas, e de telecomunicações em curso no mundo", enquanto a atenção global dos eventos desportivos coloca o governo sob pressão para acelerar o ritmo da construção, ele escreveu.

Maior economia da América Latina, tem também uma vantagem sobre as outras nações produtoras de commodities porque vende a China, que cresce rápido, em vez de depender das vendas para mercados de crescimento mais lento na Europa e os EUA, escreveu Graham.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Foreign Policy: atualmente, Celso Amorim é o melhor Ministro de Relações Exteriores do mundo, diz Rothkopf

Seguindo indicação do Blog do Nassif, com alguns grifos meus e em péssima tradução minha mesmo (com alguma ajuda do Google), aí vai o post de David Rothkopf no Foreign Policy.


O melhor Ministro de Relações Exteriores do mundo.

Esse pode ter sido o melhor mês para o Brasil, desde cerca de junho 1494. Foi quando o Tratado de Tordesilhas foi assinado e concedeu a Portugal tudo no mundo novo a leste de uma linha imaginária, que foi declarada existente a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. Isso asegurou que o que viria a se tornar o Brasil seria Português e, portanto, desenvolver uma cultura e uma identidade muito diferente das do resto espanhol da América Latina . Isso garantiu que o mundo teria samba, churrasco, "A Garota de Ipanema", e, através de alguma cadeia incrivelmente fortuita e entrelaçada de eventos, Gisele Bundchen.

Embora o Brasil tenha levado algum tempo para superar a máxima sarcástica segundo a qual ela era "o país do futuro e sempre seria," há pouca dúvida de que o amanhã já chegou ao país, mesmo que ainda haja muito trabalho a ser feito para superar seus graves desafios sociais e tocar seu potencial econômico extraordinário.

A evidência de que algo novo e importante estava acontecendo no Brasil começou transparecer anos atrás, quando o então presidente, Fernando Henrique Cardoso, engedrou uma mudança para a ortodoxia econômica, que estabilizou um país atormentado por ciclos de altos e baixos e inflação estonteante. Ela ganhou impulso no entanto, durante todo o extraordinário período do atual presidente, Luis Inácio Lula da Silva.

Algo deste impulso se deve ao compromisso de Lula com a preservação dos fundamentos econômicos dispostos por Fernando Henrique Cardoso, um movimento político corajoso para um líder trabalhista de longa data, pertencente ao Partido dos Trabalhadores, de oposição. Algo disso é devido à sorte: uma mudança de paradigma energético mundial ajudou a fazer os 30 anos de investimentos do Brasil em biocombustíveis começarem a se justificarem em importantes novos caminhos; descobertas maciças de petróleo ao largo da costa do Brasil; e uma demanda crescente da Ásia, que permitiu ao Brasil a tornar-se um líder mundial nas exportações agrícolas e assumir o papel de "celeiro da Ásia". Mas muito desse impulso é devido à grande habilidade dos líderes do Brasil no aproveitamento de um momento com que muitos dos seus antecessores provavelmente teriam se atrapalhado.

Dentre esses líderes, grande parte do crédito vai para o presidente Lula, que tornou-se um pouco como uma estrela do rock na cena internacional, aproveitando sua energia, diligência, carisma, invulgar intuição e senso comum de forma tão eficaz, que a sua falta de educação formal mal foi impedimento. Alguns créditos vão para outros membros de sua equipe, como sua chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma ex-ministra da Energia que se tornou uma chefe de equipe muito durona e uma possível sucessora de Lula.

Mas eu acredito que uma grande parte dos créditos deveria ir para Celso Amorim, que idealizou a transformação do papel do Brasil no mundo, que quase não tem precedentes na história moderna. Ele foi ministro das Relações Exteriores de Lula desde 2003 (ele também atuou no mesmo papel na década de 1990), mas acho que há colocação justa a ser feita: a de que ele é, atualmente, o ministro de Relações Exteriores mais bem sucedido do mundo.

É impossível apontar apenas um ponto de virada nos esforços de Amorim para transformar o Brasil, de uma embaraçada potência regional de influência internacional duvidosa, em um dos jogadores mais importantes no cenário mundial, reconhecido pelo consenso global para desempenhar um papel de liderança sem precedentes. Ele pode ter ocorrido quando ele desempenhou um papel central e e ajudou a engendrar uma resposta dos países emergentes contrária a uma poderosa encenação dos EUA e da Europa durante as conversações sobre o comércio de 2003 em Cancún. Pode ter sido a forma prudente como os brasileiros usaram questões como a sua liderança em biocombustíveis para forjar novos diálogos e influência, tanto com os Estados Unidos como com outras potências emergentes. Ele ( o ponto de virada) certamente envolveu a adoção da idéia de transformar o BRIC de um acrônimo numa importante colaboração geopolítica, trabalhando com os seus homólogos da Rússia, Índia e China para institucionalizar o diálogo entre os países e coordenar suas mensagens. (Provavelmente, o BRIC mais ajudado por esta aliança é o Brasil. Rússia, China e Índia ganham todos os lugares à mesa, devido à capacidade militar, o tamanho da população, poder econômico ou de recursos. O Brasil tem todas essas coisas ... mas menos do que os outros.) Também envolveu inúmeras outras coisas, como os laços aprofundados e reforçados do Brasil com países como a China; a promoção tanto de fluxos de investimento e com de uma reputação de ser relativamente segura em face dos reverses  da economia global; o nível de conforto do novo Presidente da América com o seu correspondente brasileiro – que se extendeu a incentivá-los a desempenhar um papel de canal com, por exemplo, os iranianos. Concorde-se ou não com todos os seus movimentos, em lugares como Honduras ou OEA em Cuba, o Brasil também continuou a desempenhar um importante papel regional, mesmo que seja claro o seu foco mudou para a escala global.

Nada ilustra o ponto a que o Brasil chegou ou a eficácia da equipe de Lula-Amorim quanto os eventos das últimas semanas. Em primeiro lugar, os países do mundo rifaram o G8 e adotaram o G20, garantindo ao Brasil um lugar permanente na mesa mais importantes do mundo. Em seguida, o Brasil se torna o primeiro país da América Latina a receber o direito de sediar os Jogos Olímpicos. O FT de ontem trouxe a notícia de que "A Ásia e o Brasil lideram o aumento na confiança do consumidor", um reflexo da reputação que o governo tem efetivamente vendido (com a maior parte do crédito indo para um ressurgido setor privado brasileiro.) E as histórias desta semana, vindas  da  reunião do FMI-Banco Mundial realizada em Istambul, mostram uma maior institucionalização do novo papel do Brasil, com o acordo para alterar a estrutura do Fundo Monetário Internacional. Segundo o Washington Post de hoje: "As nações também concordaram preliminarmente em reformular a estrutura de voto no fundo, prometendo um plano para dar mais força para os gigantes emergentes, como Brasil e China, em Janeiro de 2011."

Não é um mau trabalho para alguns dias. E, apesar de ser o Ministros das Finanças do Brasil que você vai encontrar nas reuniões do FMI- Banco Mundial, o arquiteto indiscutível desta notável transformação no papel do Brasil foi Amorim.

Muito trabalho resta a ser feito, é claro. Parte disso tem a ver com o novo papel que tem sido moldado. O Brasil quer um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e mais liderança em outras instituições internacionais. Ele pode muito bem ganhá-los, mas terá de manter seu crescimento e estabilidade para chegar lá. Além disso, o Brasil parece inclinado a minimizar as ameaças regionais, tais como as decorrentes da Venezuela (brasileiros tendem a olhar de cima seus vizinhos ao norte, quase tanto como eles fazem com seus amigos da Argentina para o sul ... e, assim, subestimar a capacidade de homens como Hugo Chávez para causar muito dano.) E eles têm uma eleição chegando, que pode alterar o elenco de jogadores que, claro, podem alterar a trajetória atual de inúmeras maneiras – boas e más.

Mas é difícil pensar em outro ministro de Relações Exteriores que tenha osquestrado tão eficazmente uma transformação significativa do papel internacional de seu país. E é por isso que, se me pedissem hoje para lançar um voto no melhor ministro do mundo, provavelmente elw iria para o filho nativo de Santos, Celso Amorim.

domingo, 4 de outubro de 2009

Terra Magazine: Em Copenhague, “Lulinha paz e amor” na guerra pelas Olimpíadas.

Segue o artigo de Vitor Hugo Soares no Terra Magazine.
As faces da vitória do Rio.
Semana passada, no plenário da ONU, o presidente Lula reeditou o antigo "sapo barbudo" das lutas sindicais e políticas na região do ABC paulista nos anos 70. De cara amarrada e palavras duras, ele atacou os golpistas de Honduras, garantiu abrigo a Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, defendeu o direito de retomada do posto de governo pelo presidente eleito, usurpado pelas armas. Em seguida, retomou as vestimentas franciscanas, que lhe têm caído como luva nesta década, para produzir uma vitória histórica da América do Sul.
Ontem, na Dinamarca, ele jogou mais um papel crucial. Desta vez, porém, optou estrategicamente pela face do "Lulinha paz e amor". Assim o presidente do Brasil desfilou esta semana sob o céu da Dinamarca. Cenário sheakespeariano cheio de paixões trágicas e desencontradas; manobras muitas vezes desleais e mal-encobertas; conspirações e traições sem fim de todo lado. Neste cenário Lula entrou de corpo, alma e convicção, mas vestido de modéstia franciscana, na defesa vitoriosa do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Nesta refrega internacional entre Rio, Madri, Chicago e Tokyo, dá gosto e comove ver a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva que a televisão transmite de Copenhague para o Brasil e para o planeta inteiro interessado no desfecho desta disputa encarniçada. Com o auditório repleto de celebridades mundiais de todos os esportes, das artes, dos negócios e da política, é praticamente impossível - a não ser por cegueira ideológica ou preconceitos inqualificáveis -, não ser contagiado pela emoção do ex-operário metalúrgico no seu terno azul e elegante gravata nas cores da bandeira nacional, que está na tribuna.
"Essa candidatura não é só nossa, é também da América do Sul, um continente com quase 450 milhões de homens, mulheres e cerca de 180 milhões de jovens, um continente que, como vimos, nunca realizou os Jogos Olímpicos. Está na hora de corrigir esse desequilíbrio. É hora de acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda e maravilhosa cidade: o Rio de Janeiro", dispara Lula, com pontaria política e diplomática de um campeão olímpico de tiro.
Apesar dos argumentos aparentemente convincentes e irrespondíveis, esta não foi uma missão fácil. O presidente, Pelé, o governador, o prefeito do Rio, o cineasta Fernando Meirelles com seu filme de beleza e apelo irrecusáveis, além de todos os mais diretamente envolvidos nesta batalha da Dinamarca - e não são poucos - seguramente sabiam disso. E se não sabiam, basta ver a reportagem que o jornal espanhol El Mundo publicou ontem, assinada pelo repórter Fernando Mas.
O texto mostra primorosamente como o Hotel Marriot, nas margens de um dos principais canais de Copenhague, se transformou nesses últimos quatro dias, no centro das conspirações olímpicas. A caça e conquista do voto definitivo era a missão de todas as delegações que buscavam até a tarde de ontem, converter-se na sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Assinala o jornal de Madri:
"O rei Juan Carlos de Espanha em uma suíte. A rainha Sofia em outra. Zapatero em uma terceira. Todos no sétimo andar do Marriot. O sexto andar está reservado para os negociadores brasileiros, com Lula da Silva à frente. Os delegados que visitavam as suítes do sétimo andar eram reclamados em seguida num piso mais abaixo. O terceiro, onde atuava Michelle Obama, a desenvolta primeira-dama dos Estados Unidos", conta o texto de El Mundo.
Michelle comandou as negociações em favor de sua cidade, até o presidente Obama desembarcar na Dinamarca, na undécima hora, para as manobras do inútil esforço final em favor de Chicago, cuja população parece não chorar muito a derrota, assim como os habitantes de Tokyo, que já abrigou uma Olimpíada.
O Rio venceu! Viva o Rio! Nenhum lugar de mundo merecia mais este triunfo magnífico. A vitória não será em vão, mas cobra, a partir de agora, o cumprimento das emocionadas e, seguramente, decisivas palavras do presidente brasileiro em Copenhague: "Os que nos derem essa chance não se arrependerão. Os jogos no Rio serão inesquecíveis (...). Para o movimento olímpico será a chance de sentir o nosso sol. Será a chance de falar para o mundo que a Olimpíada é de todos".
Bravo! "Viva a sua paixão", como recomenda o maravilhoso e também decisivo filme de Fernando Meireles mostrado ontem em Copenhague para o mundo. Viva o Rio, com sua gente tão maravilhosa quanto a cidade.
E viva a América do Sul, outra grande vitoriosa de ontem na Dinamarca.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

The Independent: os esforços de Lula ajundaram a esmagar o G8, e a substituí-lo pelo G20.

Segue o artigo do The Independent, com alguns grifos meus e em mais uma terrível tradução minha, com alguma ajuda do Google.

O link para o original está no próprio título

A ascensão e a ascenção do Brasil: Mais rápido, mais forte, mais alto.
Organizar os Jogos Olímpicos 2016 seria a cereja no topo do bolo para a nação sul-americana que está finalmente cumprindo o seu potencial.

Hugh O'Shaughnessy Domingo, 27 de setembro, 2009
Deus pode não ser brasileiro, como alardeiam orgulhosamente muitos dos habitantes do Rio de Janeiro, mas o Todo-Poderoso parece estar barndindo sua nada desprezível influência a favor da Maravilhosa Cidade no oceano Atlântico Sul, enquanto ela se lança fortemente para a possibilidade derealizar os Jogos Olímpicos de 2016. Os seus três rivais - Tóquio, Madri e Chicago - parecem estar desaparecendo à medida que se enquiminham diretamente para o dia D, daquia a cinco dias. Em 2 de outubro, a cidade vitoriosa deve ser anunciada em Copenhague, assistido por um bilhão de telespectadores em todo o mundo.
Na terça-feira, em Brasília, os senadores se mexeram para aprovar a legislação necessária para garantir todo o que requer uma oferta bem sucedida - de financiamento aos regulamentos para brecar o sobrepreço para os quartos de hotéis. Na quarta-feira, o The New York Times pareceu desistir da Windy City, às margens frias do Lago Superior, prevendi que o presidente brasileiro, Luis Inácio da Silva, a quem todos chamam de Lula ( "A Lula"), teria a tarefa mais fácil do mundo para levar o prêmio pra casa. Lula, o ex-metalúrgico e líder sindical que anos atrás perdeu um dedo em uma prensa hidráulica, confessou que tinha a vantagem. Ele será acompanhado em Copenhague por sua esposa, Marisa, enquanto Michelle Obama vai estar lá sem o marido. "Então, vai ser dois para um,", destacou com alegria tranquila.
A votação do próximo mês pode ser um marco na jornada do Brasil para longe de ser o eterno país do futuro - e aquele para o qual o futuro nunca chega - para se tornar uma potência mundial indiscutível, com uma presença permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e com o dinheiro para alimentar, educar e cuidar de sua população de quase 200 milhões de habitantes.
Lula, que quando criança completava o orçamento de sua mãe vendendo amendoim em torno do porto de Santos, está revelando em sua nova eminência, a liberdade de culpar os "banqueiros de olhos azuis" pela atual crise financeira mundial e para impor respeito. O pânico dos banqueiros e o alarme dos meios de comunicação em Londres e em Wall Street nos últimos meses antes de sua primeira vitória eleitoral maciça em 2002 são coisas do passado. Hoje o Brasil é um dos chamados "BRIC", junto com Rússia, Índia e China, e admirado pelos banqueiros e economistas. E não só o presidente Obama chamá-lo o líder mais popular do mundo, mas, após um período em que a corrupção do governo parecia que poderia derrubá-lo, a taxa de aprovação de Lula pelos os eleitores é agora de cerca de 80%.
Não mais um caso perdido financeiro lutando com a hiperinflação, o Brasil está olhando para a frente do tsunami de riquezas que irá inundá-lo quando a Petrobras, a altamente bem-sucedida estatal de petróleo, alcançar toda a produção dos enormes novos campos de petróleo em águas profundas brasileiras. Lula está planejando usar o dinheiro novo para corrigir os abusos que resultaram do golpe militar de 1964 e dos anos subsequentes de selvagem repressão e tortura, que jogaram para baixo o seu padrão de vida e de milhões de outros brasileiros pobres. O Brasil também é um exportador maciço de alimentos - reconfortanso quando a fome espreita em muitos outros lugares.
As últimas semanas têm demonstrado que Lula está aproveitando a riqueza do futuro como a alavanca da influência internacional de hoje. O primeiro chefe de estado a falar no debate na Assembleia Geral da ONU na quarta-feira, ele entrou antes de o coronel Khadafi incomodar a todos com seu discurso de 90 minutos. Ele aproveitou a oportunidade para desancar as idéias das potências ocidentais durante a crise financeira. "O que foi ao chão foi o conceito social, político e econômico aceito como inquestionável", disse ele em nítida cutucada em políticos e banqueiros que se opõem à regulamentação governamental dos mercados. Os esforços de Lula ajudaram a esmagar o Grupo dos Oito países ricos, substituindo-o pelo Grupo dos 20, que inclui os países em desenvolvimento e que se reuniu em Pittsburgh, na quinta-feira para iniciar a reforma das finanças do mundo.
Na Assembleia-Geral, ele também exigiu o fim imediato do golpe de Estado em Honduras, onde a embaixada brasileira está abrigando Manuel Zelaya, o legítimo presidente, deposto em 28 de junho por um impostor com apoio militar. Lula está clamando por uma ação do Conselho de Segurança contra o cada vez mais bárbaro regime, ameaçando-o com toda a força do direito internacional, particularmente se ela continuar a privar os diplomatas brasileiros e seus convidados de energia, água e alimentos. A ação brasileira, apoiada de perto pelo governo venezuelano, deixou Washington mal, expondo o claro abismo na questão hondurenha entre Obama, que deseja uma ação decisiva para restaurar Zelaya, e as hesitações de Hillary Clinton, cuja ala direita de conselheiros têm outras idéias.
Lula é, também, um líder no novo bloco político da União de Nações Sul-Americanas. Unasul está resistindo à militarização da América do Sul, que muitos acham que se seguirá se a Colômbia, um aliado próximo de os E.U.A, permitir que o Pentágono crie sete novas bases na sua terra. Isso permitiria aos EUA o envio de aviões a qualquer parte do continente, exceto a Patagônia. Como precaução, Lula está comprando armas na França e na Rússia.
Em seus esforços para acelerar a unidade da América Latina, Lula tem tomado riscos políticos em casa, ousando desafiar as poderosas empresas de electricidade. A fim de cimentar as relações com seu vizinho pobre, o Paraguai, ele prometeu um novo acordo sobre a gigantesca hidrelétrica de Itaipu, cuja potência supostamente seria compartilhada por ambos os países, mas quem, na verdade, vai esmagadora para o Brasil.
No entanto, se o Rio ganhar nesta sexta-feira, Lula vai se voltar para a tarefa de dar esperança aos despossuídos da cidade - e garantir que os primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul se passem de forma pacífica.