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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

JT: Filha de Soninha, coordenadora da campanha do Serra, foi nomeada por Serra sem concurso.


Outra matéria do JT, o mesmo assunto: A farra de nomeações de políticos e parentes para cargos no Governo de São Paulo durante a gestão Serra.

Esta matéria de ontém já mostrara que diversos polítcos aliados estão alojados em cargos nas estatais paulistas.

Ao ler a matéria e descobrir que, além de ter ganhado os cargos de Subprefeita e de Conselheira da CETESB, Soninha Francine garantiu um lugarzinho também para sua filha, lembrei deste tweete dela, de um mês e meio atrás:



Atrualização necessária: na verdade, duas filhas e uma irmã da Soninha foram nomeadas sem concurso para cargos no Governo Serra. Sem dúvida, uma família de mérito.
21 de outubro de 2010
Fabio Leite

A filha mais velha da ex-subprefeita da Lapa e coordenadora de comunicação da campanha presidencial do ex-governador José Serra (PSDB) na internet, Soninha Francine (PPS), está nomeada em cargo sem concurso no governo paulista.
Rachel Marmo Azzari Domenichelli, bióloga de 26 anos, ocupa desde 2007 o cargo de assistente técnica da Coordenadoria de Educação Ambiental, departamento ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente. O salário inicial do posto é de R$ 3,7 mil.
O JT revelou que Soninha recebe como conselheira da Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) R$ 3,5 mil de jetom – verba paga por cada reunião mensal do conselho. A empresa é ligada à mesma secretaria onde trabalha a filha.
Rachel foi nomeada pelo ex-titular da pasta Xico Graziano, que deixou a secretaria para coordenar o programa de governo de Serra na área ambiental. Ela chegou a ser exonerada em agosto de 2008, período em que Soninha disputava a Prefeitura, mas voltou ao governo em seguida.

O vice de Soninha na ocasião era o escritor, cineasta e ex-secretário de Cultura do Estado, João Batista de Andrade, que hoje recebe R$ 4,4 mil de jetom como conselheiro de administração da Dersa.

Além dele e de Soninha, os conselhos das estatais paulistas empregaram, ao menos até o início do ano, outros dez políticos de partidos que apoiam a candidatura Serra, alguns dos Estados de Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.

O governo negou haver loteamento político. Já Soninha afirmou que foi nomeada por conta da experiência na área ambiental como jornalista, vereadora e subprefeita. Ontem, ela não retornou a ligação até as 23h para comentar a contratação da filha.

Em nota, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente negou que tenha havido indicação política na contratação de Rachel Marmo. Segundo o governo, ela "foi estagiária da Cetesb entre os anos de 2005 e 2006" e, em 2007, já formada em biologia, "foi efetivada na Secretaria do Meio Ambiente, onde se encontra até hoje, nomeada em comissão para o cargo de Assistente Técnico de Coordenador".

JT: Meritrocracia a Serra: estatais de SP empregam até políticos de outros estados; o vice de Gabeira entre eles.


Matéria do JT. aparelhamento cabide inchaço pt dilma

Esta outra notícia, do Terra, traz mais dois exemplos de "aparelhamento do estado" pelo PSDB / PFL (ops, DEM). Ali, descobre-se que pelo menos dois políticos aliados de fora de São Paulo tinham cargo em estatais paulistas. Antero Paes de Barros, do Tocatins (PSDB), e Roberto Freire (PPS), de Pernanbuco, ocupavam cargos na SABESP e na EMURB, respectivamente.

19 de outubro de 2010
Fabio Leite

As empresas estatais paulistas empregaram até o início do ano em seus conselhos de administração ao menos dez ex-parlamentares de partidos que apoiam a candidatura presidencial do ex-governador José Serra – alguns saíram em função da eleição e outros permanecem nos cargos.

A lista inclui a ex-vereadora e ex-subprefeita Soninha Francine (PPS), coordenadora de internet da campanha do tucano, lotada até hoje no conselho da Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb). Ela nega motivação política na nomeação.

Além do PPS e do PSDB, a relação inclui políticos que ficaram sem mandato do DEM, PMDB e PTB, cujos diretórios estadual (no caso peemedebista) ou nacional apoiam Serra. Alguns deles são de Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.

Todos recebem, por reunião mensal, entre R$ 3,5 mil e R$ 4,4 mil, o chamado jetom. Como o regulamento permite até 2 sessões remuneradas por mês, eles podem acumular até R$ 7 mil e R$ 8,8 mil no período.

O JT obteve nomes dos conselheiros a partir de balanços de 2009 das estatais publicados em Diário Oficial até abril deste ano, mês no qual Serra renunciou ao governo para disputar à Presidência, sendo substituído por Alberto Goldman (PSDB).

Na lista, há seis políticos que já deixaram os conselhos este ano para saírem candidatos, assumir mandato eletivo ou trabalhar nas campanhas. É o caso, por exemplo, do ex-secretário-geral da Presidência no governo FHC e tesoureiro nacional do PSDB, Eduardo Graeff, auxiliar de comunicação na campanha de Serra. O tucano aparecia como conselheiro da Cetesb até abril deste ano, mas, segundo o governo, já deixou o cargo.

Junto com Soninha até hoje na Cetesb estão ainda os ex-deputados federais Koyu Iha (PSDB-SP) e Ney Lopes de Souza (DEM-RN). Todos ganham jetom de R$ 3,5 mil, o que corresponde a 30% do salário dos diretores da companhia, atualmente em R$ 11,8 mil. Em dezembro, todos os conselheiros recebem o equivalente a dois jetons de gratificação.
Já o suplente de senador João Faustino (PSDB-RN), que era subsecretário da Casa Civil, recebia até julho jetons da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), de R$ 3,5 mil, e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), de R$ 4,4 mil. Ele só deixou o cargo há três meses para assumir mandato por conta da licença do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).

Quem também esteve em conselho – Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) – até o limite permitido pela lei eleitoral (março) foi o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ), que atua como um dos arrecadadores da campanha de Serra. Ele se afastou do cargo para ser vice de Fernando Gabeira (PV-RJ) na disputa ao governo do Rio.

Na Companhia de Desenvolvimento Agrícola (Codasp) estava o ex-deputado Edinho Araújo (PMDB), que renunciou para concorrer a federal. Na Dersa, CDHU e Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) estavam, respectivamente, ex-deputados Claury Silva (PTB), que era secretário de Esportes, e Ronaldo Pereira (PSDB-TO) e o ex-senador Geraldo Melo (PPS-RN), que, segundo o governo, deixaram os cargos este ano.

NÃO HÁ LOTEAMENTO, DIZ GOVERNO

Em nota enviada por e-mail, o governo estadual afirma que "não existe loteamento" político nas nomeações dos conselheiros de administração das empresas estatais paulistas e destaca que "75% dos cargos dos conselhos são ocupados por representantes ligados diretamente ao governo".

"Não existe 'loteamento' e a administração dessas empresas, a exemplo das demais sociedades de economia mista, públicas e privadas, é realizada em conjunto pelo Conselho de Administração e Diretoria Executiva, conforme previsto na Lei Federal nº 6.404/76", diz a nota oficial. Segundo o governo, "é importante lembrar que o conselho não têm caráter executivo" e "o papel dos conselheiros é deliberar e auxiliar na formulação de políticas e diretrizes gerais de longo prazo que norteiam as estratégias de negócios" das empresas. A assessoria do governo destaca que a gestão das empresas "cabe aos membros das diretorias executivas, que também ocupam cargos nos conselhos das empresas que administram, e cuja seleção é exclusivamente baseada em perfil técnico."

De acordo com o governo, os critérios adotados para o preenchimento das vagas nos conselhos são os seguintes: "a presidência é reservada ao secretário da pasta à qual a empresa é vinculada; as demais vagas são ocupadas pelo diretor-presidente da empresa, por servidores graduados do Poder Executivo, por acionistas minoritários e membros independentes, por representantes da sociedade civil com perfil técnico, econômico ou político, e por representantes dos empregados."

Em um quadro com dados atualizados, o governo afirma que existem hoje 223 conselheiros em 21 empresas paulistas, sendo "75% dos cargos ocupados por representantes ligados diretamente ao governo". Segundo os dados, há 16 secretários de governo ocupando a presidência das estatais, 98 servidores graduados do Executivo, 7 acionistas minoritários, 35 "representantes da sociedade civil com perfil técnico, econômico ou político", entre outros.

'NÃO PERGUNTARAM MEU PARTIDO', AFIRMA SONINHA

Nomeada no conselho da Cetesb, a ex-subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS), negou haver favorecimento político na sua indicação e disse não ver problema em acumular a função com a coordenação da campanha do tucano José Serra à Presidência. "Ninguém me perguntou a qual partido eu era filiada, mas sabiam da minha experiência na área ambiental, como jornalista, vereadora e subprefeita", disse ela, que após a entrevista por telefone twittou: "JT prepara matéria sobre conselheiros de empresas públicas…"

sábado, 21 de agosto de 2010

Carta Maior: o crescimento do IPEA, a relevância do instituto e o incomodo de "O Globo".

Matéria publicada pela Carta Maior.


O IPEA está entalado na garganta das organizações Globo desde setembro de 2007, quando a diretoria comandada por Marcio Pochmann tomou posse. A partir daquela data, o Instituto aprofundou seu caráter público, realizou um grande concurso para a contratação de mais de uma centena de pesquisadores, editou dezenas livros e abriu seu raio de ação para vários setores da sociedade, em todas as regiões do país. O jornal O Globo enviou esta semana uma série de perguntas ao IPEA para, supostamente, esclarecer irregularidades na instituição. Temendo manipulação, a direção do instituto decidiu divulgar as perguntas e as respostas à toda sociedade.

Redação - Carta Maior

O jornal ‘O Globo’ procurou a diretoria do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), nesta semana, para supostamente esclarecer irregularidades na conduta da instituição.

Trata-se de manobra pré eleitoral.

Sem a menor noção de como levar a disputa presidencial para um segundo turno, as Organizações Globo tentam o tapetão da calúnia contra qualquer área do governo. Se colar, colou.
O IPEA está entalado na garganta dos Marinho desde setembro de 2007, quando a diretoria comandada por Marcio Pochmann tomou posse. A partir daquela data, o Instituto aprofundou seu caráter público, realizou um grande concurso para a contratação de mais de uma centena de pesquisadores, editou dezenas livros e abriu seu raio de ação para vários setores da sociedade, em todas as regiões do país. O IPEA é hoje uma usina de idéias sobre as várias faces do desenvolvimento.
‘O Globo’ e a grande imprensa não perdoaram a ousadia. Deflagraram uma campanha orquestrada, acusando a nova gestão de perseguir pesquisadores e de estimular trabalhos favoráveis ao governo. Uma grossa mentira.
O Globo deve publicar a tal “matéria”, repleta de “denúncias” neste domingo. O questionário abaixo foi remetido para a diretoria do IPEA. Sabendo das previsíveis manobras do jornal da família Marinho, o instituto decidiu responder na íntegra às perguntas, diretamente em seu site. Se a “reportagem” do jornal quiser, acessa http://www.ipea.gov.br/ e pega lá as respostas. Aqui vão elas na íntegra para Carta Maior.
O Ipea responde à sociedade
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Há 46 anos, suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.
O Ipea tem como missão "Produzir, articular e disseminar conhecimento para aperfeiçoar as políticas públicas e contribuir para o planejamento do desenvolvimento brasileiro."

Dessa forma, o Instituto torna públicos à sociedade esclarecimentos decorrentes de questionamentos feitos pelo jornal O Globo entre 19 e 20 de agosto.
Este comunicado tem como objetivo preservar a reputação desta Instituição e de seus servidores e colaboradores, que por meio dos questionamentos do diário, estão sendo vítimas de ilações, inclusive de caráter pessoal.

Dado o teor desses questionamentos, o Instituto sente-se na obrigação de publicar perguntas e respostas, na íntegra e antecipadamente, para se resguardar.

E coloca-se à disposição para dirimir quaisquer dúvidas posteriores.

Assessoria de Imprensa e Comunicação

O GLOBO: Sobre o aumento de gastos com viagens/diárias/passagens na atual gestão: Segundo levantamento feito no Portal da Transparência do governo federal, os gastos com diárias subiram 339,7%, entre 2007 e 2009, chegando no ano passado a R$ 588,3 mil. Este ano já foram gastos mais R$ 419 mil com diárias, 71% do total de 2009. Os gastos com passagens subiram 272,6% entre 2007 e 2009, chegando no ano passado a R$ 1,2 milhão. Qual a justificativa para aumentos tão expressivos?
IPEA: A justificativa é o incremento das atividades do Ipea e de seus focos de análise, instituídos pelo planejamento estratégico iniciado em 2008, que estabeleceu sete eixos voltados para a construção de uma agenda de desenvolvimento para o país. Para atender a esses objetivos foram incorporados 117 novos servidores, mediante concurso público realizado em 2008. O Plano de Trabalho para o exercício de 2009 contemplou 444 metas – publicadas no Diário Oficial da União. O cumprimento dessas metas condicionou a participação dos servidores da casa em seminários , congressos, oficinas e treinamentos, bem como em reuniões de trabalho. Além disso, o Ipea passou a realizar inúmeras atividades, como cursos de formação em regiões anteriormente pouco assistidas do ponto vista técnico-científico.

O GLOBO: Além disso, o Ipea tem gastos expressivos com a contratação da Líder Taxi Aéreo: entre 2007 e 2010, foi pago R$ 1,9 milhão à empresa pelo Ipea. Como são usados exatamente os serviços da Líder? Só em viagens no Brasil ou também no exterior?
IPEA: O Ipea nunca utilizou os serviços de táxi aéreo de qualquer empresa, sejam em voos nacionais ou internacionais. Os deslocamentos dos servidores – inclusive presidente e diretores – são efetuados em vôos de carreira. As despesas constantes no Portal Transparência se referem à locação de salas de um imóvel do qual a empresa é proprietária e onde localiza-se a unidade do Ipea no Rio de Janeiro, desde 1980. Tal despesa é estabelecida por meio do Contrato 06/2009, firmado nos termos da Lei 8.666/93.

O GLOBO: O Ipea inaugurou este ano escritórios em Caracas e Luanda. Qual a função desses escritórios?
IPEA: São representações para apoiar a articulação de projetos de cooperação entre o Ipea e países em desenvolvimento. No caso de Caracas, os grandes temas envolvidos são macroeconomia e financiamento de investimento, acompanhamento e monitoramento de políticas públicas.
No caso de Luanda, os objetivos da missão são auxiliar na avaliação dos investimentos em infraestrutura, no processo de acompanhamento e monitoramento de políticas públicas, com destaque para as políticas sociais.
O objetivo dessas missões é de prestar apoio técnico a instituições e/ou organismos governamentais de outros países. Esses projetos fazem parte de um processo amplo do Ipea de fomentar a cooperação internacional. Foram firmados acordos de cooperação técnica com diferentes instituições e países, como Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), OMPI (Organização Mundial de Propriedade Intelectual), OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), Federal Reserve Bank of Atlanta (Estados Unidos) e outras instituições na Suécia, Argentina, Burundi, Angola, Venezuela, Cuba etc.

O GLOBO: Quantos funcionários tem cada um? Qual é o gasto com essas bases no exterior?
IPEA: Cada país terá apenas um representante, que deverá promover a articulação/coordenação dos diferentes projetos. Os gastos se resumem aos salários correntes dos representantes, enquanto servidores do Ipea.

O GLOBO: Existem planos para montar outras?
IPEA: Há negociações ainda em fases iniciais.

O GLOBO: Onde ficam localizadas (endereços)? Temos a informação de que o escritório de Caracas funciona nas dependências da PDVSA. Procede?
IPEA: Sim. Nos acordos de cooperação estabelecidos, os países receptores devem fornecer escritório e moradia aos representantes do Ipea. No caso de Caracas, o governo venezuelano indicou a instalação da missão em edifício da estatal – que está cedendo apenas o espaço físico. No caso de Luanda, o governo angolano sinalizou a instalação da missão em edifício de um ministério. Não nos cabe questionar que ferramentas institucionais cada país utiliza para o cumprimento desse apoio à instalação das representações.

O GLOBO: Qual a relação direta entre os escritórios e a missão do Ipea?
IPEA: A realização de missão no exterior se fundamenta na competência do Ipea que lhe foi atribuída pelo presidente da República (art. 3º, anexo I do Decreto n.º 7.142, de 29 de março de 2010) de “promover e realizar pesquisas destinadas ao conhecimento dos processos econômicos, sociais e de gestão pública brasileira”. Além disso, a cooperação entre países conforma estratégia para a inserção internacional e passa a figurar dentre os princípios que regem as relações internacionais brasileiras, nos termos do artigo 4º da Constituição Federal, que estabelece que o Brasil recorrerá à “cooperação entre os povos para o progresso da humanidade”.

O GLOBO: Qual a justificativa para tantas viagens da diretoria a Caracas e Cuba, por exemplo? O DO registra pelo menos 15 viagens entre 2009 e 2010.
IPEA: As viagens estão relacionadas à consolidação de acordos de cooperação que o Ipea realiza visando ao avanço socioeconômico dos países em desenvolvimento. As viagens não ocorrem apenas para estes países, mas também para instituições dos países desenvolvidos (OCDE, Federal Reserve de Atlanta) e das Nações Unidas (UNCTAD, CEPAL), como os Estados Unidos e França, que, até o momento, nunca foram objeto de questionamentos ou justificativas.

O GLOBO: Os gastos com bolsistas também cresceram substancialmente nos últimos anos. Entre 2005 e 2009, o aumento desses gastos chega a 600%. Essa modalidade de contratação consumiu, entre 2008 e 2010, R$ 14,2 milhões do Orçamento do Ipea. Qual a justificativa para um aumento tão grande no número de bolsistas, só estudantes mais de 300?
IPEA: O Ipea aprimorou e ampliou seu programa de bolsas, incrementando seu relacionamento técnico com diversas instituições de estudos e pesquisas. Destaca-se o ProRedes, que organizou 11 redes de pesquisa entre 35 instituições em todo Brasil. Da mesma forma, por meio desse programa, foi lançado, em 2008, o Cátedras Ipea, com o objetivo de incentivar o debate sobre o pensamento econômico-social brasileiro.
A partir deste ano, este programa conta com a parceria e recursos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Os bolsistas são selecionados por meio de chamadas públicas e desde o início do programa há participação de aprovados de todas as regiões do País. O crescimento no número de bolsas concedidas expressa a ampliação dos temas estudados no Instituto. Desde sua instituição, o Ipea atua na formação de quadros para as atividades de planejamento de políticas públicas.

O GLOBO: Entre os pesquisadores bolsistas aparece o nome de (*)1, que mantém um relacionamento com o diretor (*)1. Ela recebeu R$ 100 mil entre 2009 e 2010, por meio dessas bolsas de pesquisa, ao mesmo tempo em que ocupa um cargo de secretária na prefeitura de Foz de Iguaçu. Como o Ipea justifica a contratação?
IPEA: O nome referido não consta em nossa lista de bolsistas. A referida pesquisadora não foi contratada pelo Instituto nesta gestão. O desembolso citado – R$ 95 mil – trata-se de apoio a evento técnico-científico: 13º Congresso Internacional da “Basic Income Earth Network” (BIEN - Rede Mundial de Renda Básica). A liberação dos recursos foi efetuada em conta institucional-pesquisador, sujeita à prestação de contas dos recursos utilizados.
A seleção do referido evento, conforme chamada pública, foi realizada por comitê de avaliação, composto por pesquisadores, que considera as propostas de acordo com critérios pré-estabelecidos. Os diretores do Ipea não têm qualquer influência sobre as recomendações deste comitê.
O lançamento e resultados da seleção são divulgados no Diário Oficial da União e estão disponíveis no sítio do Instituto. Destaca-se ainda que tal sistemática é a mesma adotada em instituições como CNPq, Capes, FAPESP e todas as agências de fomento.
As chamadas são abertas à participação de pesquisadores vinculados a instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos, de reconhecido interesse público, que desenvolvam atividades de planejamento, pesquisa socioeconômica e ambiental e/ou que gerenciem estatísticas.
Vale ressaltar que o referido evento contou ainda com patrocínio de instituições como Fundação Ford, FAPESP, Corecon SP e RJ, Petrobras, Caixa, BNDES, Fundação Friedrich Ebert, e a Capes.

O GLOBO: Os gastos com comunicação social também tiveram aumento substancial. No Orçamento de 2010 estão previstos R$ 2,3 milhões para esse fim (rubrica 131). No ano passado não apareciam despesas nessa rubrica. No momento, o Ipea tem contratos com empresas de comunicação e marketing que somam R$ 4,5 milhões. Qual a justificativa para gastos tão elevados?
IPEA: Os contratos com ‘empresas de comunicação e marketing’ se referem a trabalhos de editoração digital e gráfica (revisão, diagramação e impressão) do trabalho produzido na casa (livros, boletins, revistas etc.) e de seu respectivo material de apoio (cartazes, fôlderes, banners, hot sites etc.). O Ipea não faz uso de inserções publicitárias de qualquer tipo. O orçamento previsto, portanto, contempla o crescimento substancial da produção intelectual do Instituto – de 102 títulos, em 2007, para 219, em 2009, num total de 14,6 mil páginas (dados c onstantes no Relatório de Atividades Executivo 2009 e disponíveis no sítio do Ipea na internet) –, além do cumprimento de um dos termos de sua missão: disseminar conhecimento. Razão para ‘justificativas’ haveria se, mesmo com a entrada de 117 novos servidores em 2009, o Instituto não vivenciasse crescimento de sua produção.

O GLOBO: Tenho um levantamento que mostra que atualmente existem 33 pessoas lotadas na Ascom do Ipea. Solicito indicar quantos jornalistas/assessores de imprensa e quais as outras funções.
IPEA: A Assessoria de Imprensa e Comunicação do Instituto possui oito jornalistas/assessores de imprensa. Os demais são pessoal de apoio para as atividades que estão sob jurisdição da Ascom: Editorial, Livraria, Eventos e Multimídia, em Brasília e no Rio de Janeiro.

O GLOBO: Sobre as obras da nova sede do Ipea, apuramos que já foram gastos mais de R$ 1 milhão no projeto e existe no orçamento de 2010 uma dotação de R$ 15 milhões para a obra, mas o Ipea ainda não tem a posse legal do terreno onde será construída a nova sede. Qual a justificativa para os gastos sem garantia do terreno? Gostaria também de esclarecimentos sobre a forma de contratação do escritório de arquitetura que elaborou o projeto.
IPEA: Os gastos do projeto de planejamento e construção de uma nova sede para o Ipea, em Brasília, foram realizados conforme planejamento autorizado em lei no Plano Plurianual 2008-2011. Todas as contratações obedecem rigorosamente aos preceitos da Lei de Licitações e Contratos, Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993, bem como aos princípios constitucionais previstos no caput do art. 37 da Carta Magna: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Quanto ao terreno, órgãos do governo do Distrito Federal asseguram-no como de destinação exclusiva à construção da sede do Ipea.

O GLOBO: O enquadramento de onze técnicos de Planejamento e Pesquisa, com mais de uma década de serviços prestados ao Ipea, no Quadro Suplementar do Plano de Carreira, o que praticamente congela a situação funcional dessas técnicos, com prejuízos financeiros e na carreira. Considerando que a base jurídica está sendo questionada internamente e já é objeto de ações na Justiça, solicito a justificativa do Ipea para a decisão. Como são técnicos remanescentes da administração anterior, questiono se não se caracteriza, no caso, algum tipo de perseguição política ou tentativa de esvaziamento do grupo de pesquisadores não alinhado com a nova linha do Ipea.
IPEA: Não há ‘perseguição’ de qualquer natureza, em absoluto. A atual administração age com base no estrito cumprimento da Lei 11.890/2008, que criou o Plano de Carreira e Cargos para a Instituição, com a inserção do cargo de Planejamento e Pesquisa na Carreira de Planejamento e Pesquisa, representando um marco na história da Instituição.
A referida lei determinou o enquadramento dos servidores na carreira, processo que foi realizado individualmente, resgatando-se o histórico funcional de cada um dos servidores. Isso permitiu o enquadramento de 277 (95,5%) dos 290 TPPs ativos. No que diz respeito aos servidores inativos, todos os 282 foram posicionados na Tabela de Subsídio. No total foram enquadrados 97,7% do total.
Os servidores que atenderam aos pré-requisitos estabelecidos na lei – e referenciados no Parecer da Procuradoria Federal do Ipea – para inserção na Carreira de Planejamento e Pesquisa ou posicionamento na tabela de subsídio foram imediatamente enquadrados ou posicionados na tabela remuneratória pertinente.
A atual direção, buscando esgotar as possibilidades de análise de viabilidade quanto ao enquadramento dos servidores que não cumpriram os referidos requisitos constantes na lei, encaminhou os seus processos para análise da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que corroborou, com posicionamento de sua Consultoria Jurídica, pelo enquadramento em Quadro Suplementar dos referidos servidores.
(1) Os nomes foram omitidos pelo Ipea para preservar as pessoas citadas.

terça-feira, 30 de março de 2010

Barron's: porque o Presidente da Petrobrás é um dos 30 CEOs mais respeitados do mundo.

Este texto sobre Gabrielli acompanha o artigo da Barron’s que gerou esse post.

CEO da Petrobras desde 2005

Porque: construiu uma gigante do petróleo da sulamericana que rivailiza com a Exxon.

José Sergio Gabrielli, tem um das maiores funções de equilíbrio no mundo dos negócios: satisfazer o governo brasileiro, que detém 40% do seu gigante da energia, ao entregar retornos atraentes para todos os acionistas. Ele a desempenha com serenidade.

Agora, a Petrobras está sentada sobre uma enorme descoberta de petróleo ao largo da costa do Brasil, e, com Gabrielli envolvido, todos irão compartilhar as riquezas. Não que o governo não dispute um grande pedaço. As autoridades estão revendo as normas estatais na esperança de guiar uma parte maior das receitas do petróleo para programas do Fundo Social.

Gabrielli raramente deixa acima. Embora outros gigantes da exploração e refino de petróleo e gás cortaram gastos no ano passado, a Petrobras despejou capital nas operações, aumentou a produção de petróleo em 5%. O resultado: suas ações ofuscaram as de muitos de seu grandes, integrado pares de energia ao longo do ano passado.

Um ex-professor de economia, Gabrielli fez claramente seu dever de casa. Agora, com o petróleo perto de US$ 80 o barril, ele pode ir para a cabeça da classe.
DimitraDeFotis

Guilherme Barros: presidente da Petrobrás está entre os 30 CEOs mais respeitados do mundo, diz revista do Wall Street Journal

Post do Blog do Guilherme Barros.

O artigo da Revista Barrons's está disponível aqui.

Em tempo, Gabrielli é miltante petista desde a fundação do partido.

Obviamente, trata-se de mais um escandaloso caso de aparelhamento do Estado por incompetentes militantes petistas. Como essa aqui, aliás.


O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, é o único latino-americano citado na lista dos trinta CEOs mais respeitados do mundo da revista Barron’s, editada pelo The Wall Street Journal. É a segunda vez que Gabrielli aparece na lista.

Segundo a publicação, foram selecionados executivos que souberam manter suas companhias longe da crise mundial e aproveitaram o momento para expandir negócios e fazer boas aquisições. O desempenho das ações das empresas também é um dos critérios.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Valor: o resultado do "aparelhamento" sindical da Previ.

Matéria publicada no Valor Econômico e copiada daqui.

O ex-sindicalista que redesenhou a Previ

Autor(es): Vera Saavedra Durão e Janes Rocha, do Rio
Valor Econômico - 11/03/2010

De sindicalista a gestor do maior fundo de pensão da América Latina, responsável por um patrimônio de R$ 142,6 bilhões. A trajetória de Sergio Rosa é mais do que a história de alguém que trocou de lado do balcão. Confunde-se com a trajetória de uma fundação de histórico nem sempre republicano mas que nos últimos anos construiu uma reputação sólida.

Jornalista com pendor para os números, as negociações e o planejamento, depois de oito anos na presidência da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Rosa, de 50 anos, está prestes a deixar o cargo incensado como um administrador competente. Ele de fato desincumbiu-se de sua missão de maneira melhor que a esperada.

"Ele fez uma administração muito eficiente", comenta Paulo Lima Ribeiro, presidente da Associação dos Aposentados do Banco do Brasil. Ainda que considere excessivo o peso do Banco do Brasil nas decisões do fundo, Ribeiro enxerga na gestão de Rosa "resultados efetivos para o crescimento da Previ".

"Sergio Rosa é um dos dirigentes mais bem preparados do setor", comenta José de Souza Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Mais: Rosa foi um dos responsáveis pela mudança nas normas de aplicação das reservas dos fundos de pensão, regulamentada no ano passado pelo Conselho Monetário Nacional, diz Mendonça. O dirigente foi colega de Rosa na diretoria da Previ entre 2005 e 2007.

"É um cara superpreparado, liderou as disputas com muito profissionalismo e competência e ajudou a recuperar os investimentos da Previ", atesta Wagner Pinheiro, presidente da Petros (fundo da Petrobras) e amigo de Rosa desde 1990, quando faziam carreira na área sindical.

Entrar para a Previ o ajudou a mudar o modo como encara os interlocutores, diz Rosa. Trocou a agressividade estudada dos tempos de presidente da Confederação Nacional dos Bancários, nos anos 80, pela negociação franca e objetiva. O esforço em dialogar o transformou. Hoje, partilha ideias, estratégias de negócios e vê admiração antigos opositores.

A capacidade de negociar foi essencial. Para Rosa e para a instituição. Quando entrou para a cúpula da fundação, em 2000, na diretoria de participações, a Previ carregava a fama de ser um manancial de irregularidades e de servir a interesses de empresários e políticos - nem sempre coincidentes com os dos associados. O fundo era com frequência objeto de jogadas em que a responsabilidade para com o capital dos beneficiários não figurava entre as prioridades.

Foi negociando e atuando com uma visão mais "capitalista" dos investimentos que Rosa ajudou a redesenhar a imagem da fundação. Sob sua gestão, a Previ implantou um manual de normas e procedimentos - notas técnicas que orientam as decisões de investimentos - e novos canais de comunicação com os associados. "Insisti muito na questão da transparência", relata.

A Previ foi o primeiro fundo de pensão a aderir ao código internacional de Princípios para o Investimento Responsável (PRI), em 2006. Sua adesão abriu as portas para a entrada de outros 14 fundos e acelerou avanços nos direitos dos acionistas.

Resultado direto dessa atuação foi o reconhecimento pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do direito dos minoritários (com menos de 10% do capital votante) de eleger um membro do Conselho Fiscal, bastando para isso que 10% das ações ordinárias da empresa estejam livres no mercado.

Depois disso, a Previ instalou conselhos em todas as empresas das quais participa. Hoje, tem representantes em 131 assembleias. Um grupo de 180 conselheiros defende os interesses dos empregados e aposentados do BB junto a gigantes como Petrobras, Itaú Unibanco, Bradesco e Brasil Foods, entre dezenas de outras empresas. O grupo de conselheiros realiza uma assembleia anual para trocar experiências e discutir o futuro.

O maior símbolo da conversão do dirigente sindical para o executivo comprometido com resultados talvez seja a atuação no conselho de administração da Companhia Vale do Rio Doce. A Previ divide o controle da mineradora com outras fundações e com o Bradesco. E o banco - alvo de sua atuação nos tempos de sindicalista - é justamente um de seus maiores aliados no conselho da ex-estatal. O relacionamento com o Bradesco "é excelente", define.

É também na Vale que Rosa é obrigado a enfrentar uma das mais duras contradições de sua transmutação de líder sindical para gestor de capital. A mineradora enfrenta há sete meses uma greve na mina de níquel de Sudbury, no Canadá. A queda de braço envolve, entre outros aspectos, uma mudança importante no fundo de pensão com a qual os mineiros canadenses não concordam. Rosa se esquiva da questão: "Não quero comentar muito porque é uma greve em curso. Qualquer coisa que disser não vai colaborar para o processo de negociação".

Bancos e banqueiros não são novidades na vida do ex-sindicalista. Para além do bom relacionamento com o Bradesco e do passado de negociações sindicais, Rosa acumula altos e baixos na relação com a banca. É amigo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Conheceram-se na arena política. Rosa, vereador eleito em São Paulo, aproximou-se do então presidente do BankBoston no Brasil, porque, na época, Meirelles dirigia também o movimento Viva o Centro, organização que promove a revitalização da área central da capital paulista. Tornaram-se aliados políticos em 2002, quando assumiram seus cargos no governo Lula.

Em compensação, travou uma de suas maiores batalhas contra Daniel Dantas, dono do banco Opportunity. No que foi considerada a maior disputa societária do país, a Previ engalfinhou-se com Dantas contra a entrada dos fundos administrados pelo Opportunity no capital de operadoras de telefonia. A história levou à fusão da Brasil Telecom com a Telemar para constituição da Oi, mas até hoje pairam dúvidas sobre o negócio e a participação do banqueiro.

Refregas à parte, no balanço de sua atuação à frente do fundo, Rosa acredita ter feito poucos inimigos. "Não ter feito nenhum é impossível". Mas acredita que seu saldo de amigos é positivo, mesmo não sendo, como diz, "das pessoas mais cativantes". Tido como uma pessoa fria, esse paulistano da Vila Esperança, casado com Gema, ex-funcionária do BB com quem teve dois filhos, prefere se definir como "uma pessoa objetiva". E se justifica: "Não afasto nem aproximo as pessoas. Se alguém vem aqui fazer negócio, acho que sai satisfeito, porque falamos de negócio".

Como gestor de uma fundação de previdência, sua visão é "lidar só com pesos pesados, com grandes sócios, grandes empresas, grandes investidores sem ser um capitalista tradicional". "Estou ali gerindo uma riqueza que é de muita gente e que tem um destino social. Não posso me comportar como um magnata. Entendo que somos capitalistas de novo tipo, gestores de uma riqueza importante no mundo atual e com grande influência nos negócios. Mas a lógica de gestão do capital dos executivos de fundos de pensão é diferente da lógica de um magnata."

Seu destino após deixar o cargo ainda é um mistério. Como ele não pode, por ora, trabalhar em outra instituição financeira (fundos de pensão, bancos e corretoras), espera-se que ele vá para alguma empresa de outro setor ou para algum órgão do governo.

É possível que permaneça na condição de presidente do conselho de administração da mineradora, caso seja o desejo da fundação. Se for para qualquer outra empresa, terá de cumprir um período de quarentena que, segundo ele, será dentro da própria Previ.

Já se especulou que ele seria o substituto de Roger Agnelli na direção executiva da Vale, mas essa possibilidade jamais se confirmou. Apenas deixa escapar que não gostaria de voltar para a política - experiência que, diz, o desagradou - e prefere exercer funções mais executivas. Públicas ou privadas.

Com amplo trânsito em Brasília, onde tem amigos como o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), parceiro dos tempos de sindicalismo, Rosa pode ser convocado a ajudar na campanha da ministra Dilma Rousseff à presidência, como cogitam alguns amigos. Outra possibilidade é assumir algum cargo no governo Lula. Ele refuta os comentários. Diz que prefere atuar como gestor, administrador de empresas.

O gosto pela gestão acentuou-se à frente da fundação, mas foi sempre um traço presente em sua personalidade. Manteve-se obscuro por anos, principalmente quando o rapaz aficionado por números decidiu cursar jornalismo na Universidade de São Paulo, no final da década de 1970.

Embora fuja da política institucional, os hábitos do político permanecem. Perguntado sobre quem foi o teórico que mais o influenciou, Rosa diz que citaria Peter Drucker, filósofo e economista austríaco tido como pai da administração moderna. Mas em seguida emenda que "aprendeu um pouco com todo mundo".

Principalmente com os empresários, seus antigos adversários e atuais aliados, a quem ele agora chama de "trabalhadores". "Eles também têm que acordar cedo, são pessoas determinadas, com grande capacidade de trabalho". A diferença, claro, é o "salário", diz. Rosa abandonou definitivamente a dicotomia trabalhador-patrão. A conversão parece ter sido completa.