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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Brasil Atual: especialista alerta, opção tucana por terceirização excessiva mostra incapacidade de gestão.

Matéria do Brasil Atual.


Economista sustenta que PSDB considera contratação de prestadoras de serviço como "forma superior" de gestão, mas peca na fiscalização. Gestão do ex-governador Serra teve aumento de 40% na terceirização

Por: Suzana Vier
Publicado em 04/08/2010, 16:45
Última atualização às 17:25

São Paulo – Levantamento realizado pelo especialista em finanças públicas Amir Khair aponta um crescimento excessivo da terceirização em estados e municípios. O economista critica o PSDB por adotar o mecanismo como modo de "gestão superior", apesar dos problemas. Para ele, a estratégia é um reconhecimento de incapacidade de gestão e também uma forma de contornar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

De 2002 a 2008, os estados aumentaram o nível de transferência de atividades públicas para empresas privadas em 93% e os municípios em 168%, segundo o estudo. No período, a União utilizou o modelo em menor escala, com incremento de 31% em sete anos. O pesquisador utilizou dados da Secretaria de Tesouro Nacional.

Para Khair, a terceirização é usada em demasia. "Os dados são preocupantes porque, no conjunto do setor público, houve crescimento nominal de 103%", explica. "Quando o gestor público terceiriza em excesso, como mostra a expansão dos últimos anos, significa um descaso total com relação à 'prata da casa', ou seja, os servidores que deveriam de fato executar e estar bem preparados para isso", avalia.

Em São Paulo, de 2006 a 2009, dados do Sistema de Gerenciamento do Orçamento Paulista (Sisgeo) demonstram que despesas com contratações de serviços públicos repassados a terceiros, como limpeza, segurança, vigilância, além de repasses a entidades conveniadas, cresceram 40%.

Segundo levantamento do portal R7, em 2006, último ano da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) à frente do estado de São Paulo, o governo gastou R$ 7,95 bilhões em terceirizações. No ano seguinte, primeiro de José Serra (PSDB) à frente do governo paulista, o valor repassado a terceiros foi de R$ 8,53 bilhões. Nos anos seguintes, o montante continuou a crescer, chegando a R$ 9,61 bilhões em 2008 e R$ 10,26 bilhões em 2009.

As terceirizações do estado de São Paulo representam mais de 25% dos gastos de todos os estados com terceiros. De acordo com Khair, em 2008, os estados chegaram ao patamar de R$ 37 bilhões com esse item. São Paulo chegou a R$ 9,61 bilhões no mesmo período.

Em comparação com a União, o pagamento a terceiros no estado de São Paulo equivale à metade dos gastos da esfera federal. Segundo dados da Secretaria de Tesouro Nacional, foram de R$ 20 bilhões em 2008.

Competência aparente

A opção de transferir serviços públicos para empresas privadas ocorre, segundo o economista, porque os gestores públicos tentam passar a impressão de competência. O expediente também é utilizado para "contornar" os limites de gastos com pessoal para as três esferas de poder – federal, estadual e municipal – previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Entretanto, a legislação é falha, na visão de Khair, porque não limita gastos com serviços de terceiros. Seria necessário que a avaliação de custos reais da máquina pública envolvesse a soma tanto de despesas com funcionários da administração direta quanto de terceirizados.

"Alguns governantes procuram mostrar competência na gestão fiscal com dados de despesas com pessoal, que normalmente é o que a mídia acompanha. Raramente a mídia vai olhar as despesas com serviços de terceiros", afirma o pesquisador. "Os terceiros já estão assumindo em muitos casos até mais do que as despesas de pessoal", detalha Khair.

Khair diz que a terceirização de diversos serviços públicos passa a falsa impressão de que os gastos públicos com pessoal estão equilibrados. "A lei está sendo contornada, porque em vez de se gastar com o funcionário público, são usados 'servidores' de empresas privadas. No fundo é a mesma coisa, só que essa despesa com terceiros não entra no limite da lei", explica o especialista.

Desabamento no Metrô

Khair alerta que a falta de fiscalização ajuda a manter a aura de eficiência das atividades terceirizadas. "Ocorre que, como o setor público só quer evitar despesa de pessoal, ele não se aparelha para fiscalizar", diagnostica. Na prática, a contratada poderia exercer sua função como quiser, já que a execução do trabalho não é acompanhada de perto.

Como exemplo, o pesqsuisador cita os desabamentos no Metrô e no Rodoanel, em São Paulo. "Aqui em São Paulo, nota-se problemas sérios que ocorreram em desabamentos no Metrô e também no Rodoanel. Esses desabamentos não teriam ocorrido se tivesse havido a fiscalização correta do estado de São Paulo, que não houve", critica.

O economista acusa o PSDB de considerar a terceirização como uma "forma superior" de gestão, o que na prática não se comprova. "A qualidade por vezes cai e cai muito, em benefício de um custo eventualmente menor", aponta Khair. O principal problema está na falta de controle.

sábado, 17 de julho de 2010

Folha: Serra multiplica por 7 os gastos do Governo de São Paulo com publicidade.


Aqui, aqui, aqui e aqui, há mais informações sobre os gastos do Governo Serra com publicidade.

Há, inclusive, algumas comparações interessantes entre os gastos dele e do Governo Lula com propaganda. Aqui, por exemplo, demonstrou-se que o Governo Serra gastou 15 vezes mais com publicidade do que o Governo Lula, se a comparação for baseada em Reais por kilômetro quadarado de território.

 
Governo Paulista dobra gasto com publicidade.
(por Catia Seabra, da Folha de SP)


Média mensal no primeiro semestre cresceu 156% em relação a anos anteriores. Governos turbinam despesas no primeiro semestre porque a lei impede propaganda durante a campanha.

De janeiro a junho de 2010, o governo de São Paulo mais do que dobrou a média mensal dos gastos com publicidade em comparação aos três anos anteriores.

Vitrine principal do PSDB nas eleições de outubro, o governo do Estado gastou em seis meses R$ 141,8 milhões com publicidade e comunicação institucional.

No período, a média mensal foi de R$ 23,6 milhões, ante R$ 9,2 milhões mensais apurados como média dos primeiros semestres de 2007, 2008 e 2009 -crescimento de 156,5%. Os dados são do próprio governo.

BRECHA NA LEI

A lei diz que, em ano de eleição, os gastos com publicidade não podem superar a média dos três anos anteriores. Mas, apesar disso, o salto dessas despesas não pode ser considerado ilegal.

Isso porque a mesma lei impede que os governos façam gastos com propaganda nos três meses que antecedem o pleito. Assim, no fim do ano, a média mensal obrigatoriamente cairá.

Em seis meses, o governo já gastou 88,6% do seu teto legal. Segundo a Secretaria de Comunicação do Estado, cerca de R$ 20 milhões podem ser gastos no fim do ano.

Para evitar a explosão de gastos no primeiro semestre de anos eleitorais, ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estudam rever o texto da lei, para que seja considerada a média mensal em cada semestre.

O salto nos gastos com publicidade da administração Serra em 2010 supera o do governo Lula, que também registrou crescimento em comparação idêntica.

Como mostrou a Folha, em 2010 o governo federal gastou uma média mensal de R$ 24,3 milhões contra R$ 12,3 milhões nos anos anteriores -aumento de 97,5%.

Em São Paulo, nos seis primeiros meses de 2007, os gastos do governo com publicidade somaram R$ 19,5 milhões. Em 2008, foram R$ 33,9 milhões; e, em 2009, R$ 111,8 milhões.

Em junho deste ano, o governo levou ao ar cinco campanhas, incluindo um balanço institucional de gestão. A última foi veiculada no dia 2, limite do prazo legal.

O ritmo deste ano vai na contramão do praticado de 2007 a 2009, quando mais da metade dos gastos ocorreu no segundo semestre. Mas repete o ano de 2006, também de corrida presidencial.

terça-feira, 30 de março de 2010

Brasília Confidencial: candidato a presidente, Serra multiplica por seis os gastos com publicidade.


Sobre os gastos de Serra com publicidade, aqui e aqui você encontra outras matérias. Nesse último post, com base nos dados da matéria, comparei os gastos do governo Serra e do governo federal com publicidade em 2009.

Segundo aqueles dados, levando em conta apenas os gastos da Administração Direta do estado, foi possível demonstrar o exato tamanho do recato propagandístico tucano. Até aquela data, o Estado de São Paulo (ou seja, o Governo Serra) havia gastado em publicidade o dobro do que gastara o governo federal, tendo por critério o valor despendido por habitante, e, pasmem, 15 vezes mais que o Governo Lula, se a comparação for baseada em Reais por kilômetro quadarado.

Agora, nesta matéria há vários dados interessantes, mas, lá no final, um salta aos olhos. O candidato a presidente (toc, toc, toc) gastos 2,5 vezes mais com propaganda da companhia de trens do que com a compra de trens.


O tucano José Serra renuncia ao governo paulista amanhã, para disputar a Presidência da República, ostentando um recorde histórico: nenhum governador daquele estado gastou tanto quanto ele em publicidade. Levantamento da bancada do PT na Assembleia Legislativa, baseado nos dados oficiais do Sistema de Gerenciamento do Orçamento do Estado (SIGEO), informa que as despesas do governo paulista com propaganda foram multiplicadas de R$ 40,7 milhões em 2006, ano anterior à posse de Serra, para R$ 293 milhões em 2009, terceiro ano de seu mandato. O crescimento foi de 620%.

Só para se ter uma idéia das dimensões do que o governador tucano gastou em propaganda, basta dizer que um hospital com 250 leitos, construído e montado com toda a infra-estrutura, custa aos cofres públicos algo em torno de R$ 50 milhões. Com o que gastou em publicidade no ano passado, quando já pleiteava a candidatura à Presidência, Serra poderia ter construído seis hospitais no estado.

As secretarias em que Serra aportou mais recursos em publicidade são exatamente as que ele considera as vitrines de seu governo.

Na Educação as despesas com propaganda cresceram 466% – de R$ 4,4 milhões, no último ano do governo anterior, para R$ 20,5 milhões, no ano passado.

Na Saúde, os gastos com publicidade aumentaram 442% (de R$ 4,5 milhões para R$ 24,3 milhões).

Na área de Transportes (rodovias, ferrovias etc) o crescimento das despesas com publicidade foi de 1.359% – de R$ 823 mil para R$ 12 milhões.

E na área de Transportes Metropolitanos (Metrô, CPTM ou Expansão São Paulo, amplamente divulgado por emissoras de rádio e TV) os gastos com propaganda aumentaram mais do que em todos os outros setores. O crescimento, estratosférico, foi de R$ 20 mil para R$ 48,4 milhões.

As despesas com publicidade também são exorbitantes quando se compara o que Serra gastou no primeiro bimestre de 2009 ao que gastou em janeiro e fevereiro últimos. As despesas quase triplicaram – de R$ 5,08 milhões para R$ 14,2 milhões. Como a lei eleitoral limita os gastos dos governos com publicidade até o mês de julho, a bancada do PT acredita que o governador resolveu concentrar gastos nesse semestre, procurando mostrar obras que, muitas vezes, só existem mesmo na propaganda.

Outro gasto que chamou a atenção dos parlamentares do PT foram os que o Governo Serra fez para divulgar a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Eles saltaram de R$ 15 mil, em 2006, para R$ 48 milhões, em 2009, cerca de 310 mil porcento a mais. Para se ter uma ideia do que foi gasto de propaganda na CPTM, basta dizer que os investimentos do Governo Serra na compra de novos trens, em 2009, não passaram de R$ 19 milhões. Afora isso, os gastos com serviços de limpeza das composições e também das estações foram diminuídos de R$ 46 milhões, em 2008, para R$ 40 milhões, em 2009.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

IT: Lula inaugura a primeira fábrica de chips da América Latina, uma estatal criada por ele em 2008.

Matéria do Inovação Tecnológica.

Inaugurada primeira fábrica brasileira de circuitos integrados.
Redação do Site Inovação Tecnológica - 04/02/2010

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inaugura nesta sexta-feira (5), a fábrica da Ceitec S.A., a primeira fábrica de chips da América Latina.

Instalada em Porto alegre (RS), a Ceitec é uma estatal, com fins lucrativos, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, criada por decreto presidencial em novembro de 2008. O investimento na construção foi superior a R$ 400 milhões.

Indústria eletrônica no Brasil

O investimento feito pelo governo, superior a R$ 400 milhões, tem o objetivo de desenvolver a indústria de semicondutores no Brasil, atraindo novos fabricantes e gerando as condições para a consolidação da indústria microeletrônica avançada no País.

Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos países desenvolvidos, o setor eletrônico responde por 12% do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, a indústria eletrônica é responsável por apenas 1,7% do PIB.

Sala limpa

A fábrica tem uma sala limpa classe 100, considerada 10 mil vezes mais limpa do que uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Tamanho grau de assepsia é necessário para que os circuitos integrados (CIs) sejam gravados nas pastilhas (wafers) de silício. Para garantir esse nível de limpeza, a Ceitec utiliza água e ar ultra puros, produzidos na empresa.

Os chips da Ceitec são produzidos a partir de wafers de seis polegadas de diâmetro. O processo produtivo da fábrica se inicia com esses wafers, que são lâminas circulares de silício - que é um material semicondutor - e termina com os chips impressos em processos fotoquímicos nessas lâminas.

Cada chip é fruto de um processo de 200 etapas, desde a difusão das pastilhas de silício em fornos até a aplicação de íons sobre o chip para alteração de suas características de condutibilidade.

Cada circuito integrado gravado na pastilha tem uma espessura centenas de vezes mais fina do que um fio de cabelo. Por isso, desde o design do chip até sua fabricação e teste, é aplicada uma tecnologia de ponta até agora inédita no Brasil.

A Ceitec foca sua atuação nos segmentos de identificação por radiofrequência (RFID), comunicação sem fio e mídias digitais. A empresa já desenvolveu e produziu chips para rastreabilidade animal e para moduladores de TV digital, além de um circuito integrado para controle e automação industrial.

Mão de obra especializada

O presidente da entidade é o alemão Eduard Weichselbaumer, escolhido pelo comitê de busca do MCT devido à sua experiência de mais de 25 anos na indústria de semicondutores na Europa, Estados Unidos e Ásia. Weichselbaumer já foi executivo e presidiu companhias que, a exemplo da Ceitec iniciavam suas atividades, as chamadas start-ups.

A Ceitec está em fase de expansão. Após entrar em operação, em agosto de 2009, em apenas 60 dias contratou quase 100 profissionais de alta especialização e classe mundial. Até maio próximo, serão mais de 250 funcionários nas áreas de engenharia e técnicos especialistas no Design Center e na fábrica.

Este ano, o Ceitec prevê contratar 120 engenheiros, incluindo mestres, doutores, profissionais com experiência na indústria de semicondutores e recém-formados. A fábrica deve empregar cerca de 40 profissionais altamente especializados, enquanto os demais deverão trabalhar no centro do pesquisa e desenvolvimento da estatal.

RFID e WiMax
O Chip do Boi, tecnicamente uma etiqueta RFID, está em fase de teste de campo, em Minas Gerais. Serão mais de 10 mil brincos aplicados em rebanhos no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e outros estados.

Também usando a tecnologia de RFID, foram criados produtos para rastreabilidade de automóveis, automação de aeroportos, rastreabilidade de medicamentos e derivados de sangue e o passaporte eletrônico.

Estão em desenvolvimento, chips para modulação (recepção) de TV Digital e para a última milha de transmissão de banda larga via WiMax.

Balança comercial de eletrônicos

A indústria eletroeletrônica representa o maior setor industrial nas economias avançadas. Este ano, mais de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial serão gerados por este setor, de acordo com a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE). No Brasil, segundo a Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a indústria eletroeletrônica representava 4,3% do PIB, em 2008.

Os dados consolidados da Abinee mostram ainda que o déficit da balança comercial de produtos do setor eletroeletrônico foi de US$ 17,5 bilhões, em 2009, superando as previsões anteriores de US$ 16,8 bilhões. Para este ano, a previsão é que o déficit atinja US$ 19,5 milhões. Grande parte deste déficit resulta da reduzida fabricação no País de semicondutores e do alto volume de importações para atender a demanda por produtos eletroeletrônicos.

As exportações brasileiras decorrente da produção de componentes discretos e do encapsulamento, montagem final e testes de componentes semicondutores, em geral de baixa complexidade, cresceram 50% entre 2000 e 2008, passando de US$ 50 milhões em 2000 para US$ 76 milhões em 2008, retornando ao patamar de US$ 57 milhões em 2009. As importações, por sua vez, cresceram 94,1% no mesmo período (média superior a 8% ao ano). Em 2000, eram de US$ 2 bilhões, chegando a US$ 4 bilhões em 2008 e US$ 3,2 bilhões em 2009.

O déficit nacional em componentes semicondutores também tem crescido, em decorrência da pequena produção e do crescente aumento no uso de circuitos integrados na indústria eletroeletrônica. A relevância dos componentes semicondutores para o setor eletroeletrônico, não só como insumo, mas também como agente indutor de inovações, motivou a inclusão do tema entre as prioridades nos planos e programas do governo Federal.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O PSDB e o recato publicitário: os exemplos de Serra e Yeda.

Pois é: parece que, recentemente, o Serra (PSDB) declarou que os políticos de seu partido seriam recatados em relação a publicidade. Segundo ele, um tucano teria, em seu DNA, algo que o tornaria avesso à publicidade, de forma que sequer incluiria marcas de governo nos materiais de seus programas.


Bem, tá certo. Governar São Paulo deve ser mesmo muito cansativo e, nessas circunstâncias, mesmo um gênio gerencial como ele pode cometer um pequeno deslize. Talves ele só quisesse dizer que eles não colocam o nome do governador nos materiais (o que é expressamente proibido), e tenha acabado por se exceder um pouquinho. Nada demais, coitado: como disse, até os gênios erram...

Mas essa história de recato publicitário me lembrou de três posts detse blog, que, por oportuno, talvez seja legal relembrar.

Aqui, foi reproduzido post do Viomundo que revelou que, apenas no dois primeiros anos de seu governo, o Serra triplicou o gasto do Estado de São Paulo com publicidade.

Aqui, comparei os gastos do governo Serra e do governo federal com publicidade em 2009. Segundo os dados então colhidos, levando em conta apenas os gastos da Administração Direta do estado, foi possível demonstrar o exato tamanho do recato propagandístico tucano. Até aquela data, o Estado de São Paulo (ou seja, o Governo Serra) havia gastado em publicidade o dobro do que gastara o governo federal, tendo por critério o valor despendido por habitante, e, pasmem, 15 vezes mais que o Governo Lula, se a comparação for baseada em Reais por kilômetro quadarado.

Aqui, a comparação foi entre os gastos do governo federal e aqueles do governo do Rio Grande do Sul, titularizado pela recatada tucana Yeda Crusius. Neste caso, os dados são do ano de 2008 e computam os valores despendidos também pelas estatais gauchas. E eles revelam, mais uma vez, a profundidade da decantada pudicícia pubicitária tucana. Como então foi demonstrado, o Governo Yeda Crusius havia gastado em publicidade 7 vezes mais que o Governo Lula, quando o parâmetro é o valor aplicado por habitante, e 12 vezes mais, se considerado o montante dispendido em Reais por kilômetro quadrado.

Bom, talvez o Governador José Serra tenha razão. Talvez os tucanos sejam mesmo muito recatados em matéria de gastos com publicidade. Mas, nesse caso, sei não, acho que se faz necessária uma completa revisão dos significados dos termos recato e aversão.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Blog do Nassif: associação de pesquisadores denuncia apagão científico em São Paulo.

Artigo reproduzido no Blog do Nassif:
“Apagão científico” ameaça pesquisas em institutos de SP.

Êxodo em institutos traz risco de ‘apagão científico’

Responsáveis por gerar e transferir conhecimentos científicos e tecnológicos para os agronegócios, os institutos de pesquisas agrícolas do Estado estão sob o risco de um “apagão científico” por causa dos altos índices de exoneração de servidores – pesquisadores, técnicos, oficiais e agentes de pesquisa – que buscam institutos federais ou até mesmo o setor privado por melhores salários. Segundo a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APQC), Campinas – sede de quatro dos oito institutos estaduais – tem hoje cerca da metade dos profissionais que o setor registrava há dez anos.

Coordenados pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, os institutos – Agronômico de Campinas (IAC), Biológico (IB), Economia Agrícola (IEA), Pesca (IP), Tecnologia de Alimentos (Ital) e Zootecnia (IZ), e 15 Pólos Regionais distribuídos estrategicamente no estado, bem como o Departamento de Gestão Estratégica (DGE) – contribuem para o desenvolvimento regional, a inovação científica e tecnológica, e para o fortalecimento da economia baseada no agronegócio. Porém, por causa do “exôdo profissional”, muitos projetos correm o risco de não seguir adiante por falta de pessoal.

No IAC, por exemplo, atualmente são 187 pesquisadores e 542 técnicos, oficiais e agentes de pesquisa. No passado, segundo o presidente da associação, Laerte Machado, esse número era quase o dobro. “Tomando em consideração que Campinas ainda abriga o Ital e uma parte do Instituto Biológico, não somamos na cidade 300 pesquisadores”, disse. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), também está localizado o Instituto de Zootecnia (IZ) de Nova Odessa, atualmente com a maioria dos 46 pesquisadores e 214 profissionais da pesquisa. A explicação para Machado são os baixos salários. “O Estado de São Paulo é o que pior paga no país”, disse.

Exôdo

Os profissionais dos institutos têm preferido optar pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), onde o salário inicial é de R$ 7 mil e pode chegar a R$ 11 mil em um curto período de tempo. No estado, o salário inicial de um pesquisador com doutorado é de R$ 2,7 mil. No auge da carreira, o salário atinge R$ 6,4 mil. “Em alguns órgãos, o salário chega a ser o dobro do nosso”, disse o pesquisador do IAC, Maurílio Terra, durante uma debate ocorrido no final do ano passado na Câmara de Vereadores de Campinas. Segundo ele, no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o salário varia entre R$ 5 mil e R$ 10,5 mil. Nas universidades estaduais, o salário varia de R$ 3,5 mil a R$ 9,5 mil.

“Além de estarmos perdendo profissionais para órgãos federais ou empresas privadas que pegam mais, não conseguimos repor as vagas deixadas por quem se aposenta. Os jovens que estão preferindo prestar concurso em órgãos como a Embrapa e outros federais do que nos institutos”, disse Machado. “Há vários anos foi prometida a equiparação salarial entre pesquisadores e professores universitários de São Paulo. Mas, com os anos, essa promessa foi deixada de lado e hoje a diferença é grande. Todos os nossos pesquisadores tem no mínimo o mestrado, mas ganha menos”, completou.

Em todos os institutos há notícias de pesquisas paralisadas por falta de pessoal. No IZ, por exemplo, um projeto de suinocultura foi abandonado por um pesquisador que preferiu atuar em outras instituições. “Os institutos estão bem equipados, mas a falta de pesquisadores faz com que eles não sejam usados. Há casos como o de um microscópio de última geração que ficou quase dois anos sem uso por falta de um profissional adequado”, contou o presidente da associação. “Em outros casos, por não suportar os baixos salários, os pesquisadores têm partido para a iniciativa privada. Hoje, o setor do agronegócio cresce e demanda profissionais, e é onde eles encontram bons salários”, completou.

APQC cobra equiparação salarial com professores universitários

Há pelo menos um ano a direção da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo cobra do governo do Estado a equiparação salarial com professores de universidades estaduais. Embasados em decisões da Justiça que lhes garante a equiparação, eles cobram o governador José Serra (PSDB) e o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, João de Almeida Sampaio Filho, o aumento do salário. Segundo dados da associação, a correção resultaria em mais R$ 87,8 milhões ao ano ou R$ 7,3 milhões por mês ao Estado.

“Estamos cientes das dificuldades que iremos encontrar nas negociações com o atual governo. Fato já demonstrado nas respostas que nos tem sido dado à ementa que encaminhamos a diversos elementos do governo, pleiteando o ato normativo, junto ao governo paulista, para corrigir a diferença salarial provocada por efeito de medidas judiciais”, disse o presidente da associação, Laerte Machado. “Esperamos solucionar os problemas pertinentes a nossa carreira, principalmente o relacionado à questão salarial. Algo que tem sido desestimulador e nos deixado muito a quem de outros órgãos de pesquisa, a exemplos, citamos aqueles mantidos pelo governo federal”, completou.

No ano passado, em debate na Câmara de Vereadores de Campinas, os pesquisadores acusaram o governador de sucatear a categoria. Machado disse que o recurso enviado aos institutos pelo governo não é suficiente. “Precisamos nos mobilizar para conquistar melhorias”, defendeu, à época. Ele contou ainda que o governo estudava a possibilidade de transformar os institutos de pesquisa em autarquias. “Nós não temos medo de mudança, o que tememos é perder os recursos de orçamento do Estado”, disse. “Se isso acontecer, teremos que vender projetos de pesquisa para gerar nossos recursos”, criticou Machado. “O governo tem que investir em pesquisa porque nosso trabalho é longo e sequenciado, não podemos perder a manutenção desses repasses”, disse o pesquisador do IAC, Maurílio Terra. (VBF/AAN)

Direção da Apta reconhece problema, mas nega “apagão”

O coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Orlando Melo de Castro, que já atuou como pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), reconheceu o “exôdo profissional” de pesquisadores e técnicos, oficiais e agentes de pesquisa por causa dos baixos salários oferecidos pelo governo do Estado. “É muito difícil a gente competir com a Embrapa. Se fosse por salário base, até que dava, mas existem outras remunerações que fazem com que o salário fique superior”, disse. Ele, inclusive, prevê uma nova debandada de servidores com o novo concurso aberto pela Empresa de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

No entanto, ao mesmo tempo que confirma o problema, ele nega a possibilidade de um “apagão científico”. “Não vai sair todo mundo, de um dia para outro (dos institutos). Nós temos os jovens pesquisadores”, disse. “Os projetos de pesquisa são crescentes, as atividades estão sendo mantidas. O que acontece é que, quando a pesquisa não gera mais interesse para o estado, ela deixa de ser trabalhada. E, diante disso, cada instituto tem que se plajenar e ajustar no que é de importância trabalhar”, completou, ao responder sobre a falta de profissionais para seguir com pesquisas iniciadas e paralisadas.

Castro contou que um dos problemas que podem ter contribuído para o déficit de profissionais é a falta de regularidade nos concursos públicos. O último grande concurso foi finalizado em 2006. No entanto, um ano depois, a Embrapa abriu um concurso e todos os profissionais recém-contratados pelo Estado deixaram as funções. “Atualmente, estamos com 805 pesquisadores em todo o estado e 2.488 profissionais de apoio à pesquisa. Por conta disso, estamos fazendo um levantamento para identificar vagas em aberto e novos cargos. Após toda essa pesquisa, vamos apresentar ao secretário e pedir concurso, cuja regularidade tem de ser no máximo de quatro em quatro anos”, afirmou.

Sobre a equiparação salarial, Castro afirmou que o pedido deverá ser encaminhado em breve ao governador José Serra (PSDB). (VBF/AAN)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Comunique-se: Governo gaucho decide pagar à TV Cultura de São Paulo pelo que poderia receber de graça da TV Brasil.

Matéria do Comunique-se:


Da Redação
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), rejeitou a proposta de retransmitir a TV Brasil pela TV Educativa (TVE), de graça, e optou pagar pelo serviço à TV Cultura. Com a rejeição, a TVE perderá cerca de R$ 500 mil em produção de programas ao ano, além de ser prejudicada nos investimentos para a migração para o sistema digital.

Com a renovação com a TV Cultura, a TVE terá que deixar sua sede, porque o prédio foi comprado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil. Além disso, o estado gaúcho passará a ser o único sem parceria para a retransmissão da TV Brasil.

O governo alega que dispensou a proposta da TV Brasil porque "está muito bem servida" pela parceria com a TV Cultura. Mas o diretor jurídico da EBC, Luís Henrique Martins dos Anjos, acredita que o motivo da rejeição tem caráter político, já que o governo do Rio Grande do Sul é tucano, assim como o governo de São Paulo, que controla a TV Cultura. "A única explicação que eu encontro é a orientação política", diz ele, que é responsável pela instalação da EBC no RS.

A TV Brasil propôs repasse de R$ 500 mil à TVE para a produção de conteúdo jornalístico, além de programas que seriam incluídos na grade nacional da emissora federal, e a possibilidade de migrar para o sistema digital com a tecnologia da TV Brasil.

Caso a TVE aceitasse a proposta da emissora federal, poderia transmitir os principais programas da TV Cultura - que já são pagos pela TV Brasil - sem custos, além de ter um espaço de 50% para a produção local.

A EBC informou que deverá reiterar a proposta, com um novo convite da presidente, Teresa Cruvinel.

As informações são da Folha de S.Paulo.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Inovação tecnológica: Brasil desenvolve tecnologia usada em filtros especiais para petróleo.

Brasil nacionaliza filtro para extração de petróleo.
Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/12/2009

Tela Premium

A Tela Premium é um equipamento utilizado pela indústria petrolífera para extrair petróleo do fundo do mar. Ela contém um material filtrante que possibilita a obtenção de um óleo livre da areia e da terra.

Entretanto, estas telas somente são produzidas por três empresas em todo o mundo. E nenhuma delas brasileira.

Agora, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) nacionalizou a técnica de construção dessas telas de filtragem, possibilitando que empresas brasileiras, como a Petrobras, possam optar por fornecedores locais.

Soldagem por difusão

O Brasil gasta anualmente cerca de US$ 40 milhões em importação de Telas Premium. Além da economia que será gerada com a nacionalização, o país poderá passar a disputar o mercado internacional do produto, estimado em US$ 200 milhões anuais.

A grande dificuldade para produzir a Tela Premium reside no sofisticado processo de soldagem de precisão dos fios de aço usados na fabricação do filtro metálico.

"Desenvolvemos um material por um processo chamado de soldagem por difusão, em meio a vácuo, em que átomos de um material migram para outro e vice-versa, num trabalho feito em altas temperaturas", explica Osmar Bagnato, coordenador do Grupo de Materiais do LNLS.

É esta tecnologia de soldagem que une as telas metálicas que formam o filtro da Tela Premium.

Transferência de tecnologia

Os testes de corrosão, resistência mecânica e análise microestrutural foram feitos no LNLS para qualificar os primeiros protótipos. Todos apresentaram resultados positivos.

Para que o material possa ser comercializado serão realizados agora testes de campo, primeiro em poços terrestres e depois em alto mar.

A inovação já foi objeto de um contrato de transferência de tecnologia com o objetivo final de elaborar um produto pronto para comercialização. O contrato foi firmado com a Adest, uma empresa de Campinas (SP), criada em função desta parceria.

O projeto que deu origem ao acordo de transferência de tecnologia recebeu R$ 800 mil de recursos da Finep em 2007 (Fundo CT Petro). Outros 200 mil foram investidos pela Adest e houve ainda um financiamento da FAPESP. Ao Laboratório coube a alocação de profissionais especializados e infraestrutura.

Do laboratório para a indústria

Caso a Tela Premium brasileira seja aprovada nos testes finais e seja efetivada a comercialização, o LNLS, que é um laboratório ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, receberá nos próximos cinco anos um percentual financeiro sobre as vendas (royalties), valor que será aplicado em pesquisa e desenvolvimento.

"A dificuldade maior na relação academia-indústria, mais do que gerar patentes, é realizar ações que realmente tenham impacto direto no setor produtivo", analisa Antonio José Roque da Silva, diretor do LNLS. "Gerar patente é um passo importante, mas se não houver uma estratégia que a transforme em riquezas para o País, o esforço pode ser em vão. Acredito que o contrato assinado entre o LNLS e a Adest é interessante principalmente porque é um caso concreto no qual o desenvolvimento de uma tecnologia consegue motivar a abertura de empresas, gerar empregos e trazer boas perspectivas de negócios para o Brasil", acrescenta.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Terra Magazine: Antonio Corrêa de Lacerda e as lições da crise.

Artigo publicado no Terra Magazine:

Lições para o Brasil no pós-crise.
Antonio Corrêa de Lacerda
De São Paulo
Que lições podemos tirar, decorrido o primeiro ano após o auge dos efeitos da quebra do Lehman Brothers, o que fez aflorar a maior crise do capitalismo mundial dos últimos setenta anos? Especialmente para o Brasil, a crise também serviu para testar a nossa capacidade de reação e quebrar paradigmas.

A primeira lição é que a qualidade da inserção externa é determinante para a melhora dos indicadores de vulnerabilidade e de solvência externa. Somente países com baixo grau de exposição do seu balanço de pagamentos tiveram autonomia para redefinir suas políticas econômicas domésticas. Possuir um nível confortável de reservas, pelo menos equivalente ao total dos passivos externos de curto prazo, é um poderoso antídoto na crise. A despeito das críticas que destacavam o custo fiscal da acumulação de reservas cambiais elas foram e têm sido fundamentais para evitar maior volatilidade da economia.

A segunda lição importante é que um mercado interno robusto faz diferença quando há um desaquecimento global. O mercado doméstico, que no caso brasileiro responde por 85% do valor agregado, representa um importante ativo. Todos os paises que possuem um mercado interno relevante e em expansão, como no caso dos paises em desenvolvimento, tiveram um amortecedor para o colapso do comercio internacional.

Terceira, é crucial possuir bancos públicos para agir contraciclicamente e oferecer credito e financiamento para a economia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, assim como bancos estaduais, representaram importantes fatores que representaram um contraponto à contração do mercado de crédito privado.

A quarta lição foi dada pelas empresas brasileiras que, vacinadas contra crises, não se deixaram levar pela precipitação. Ao mesmo tempo que promoveram ajustes de curto prazo, elas não perderam o foco estratégico de longo prazo. Isso fez com que mantivessem basicamente os seus planos de investimento, embora inevitavelmente tivessem que ajustar os desembolsos.

A quinta lição advém da questão tributária. Foi possível ampliar a demanda de bens duráveis com a redução da tributação por unidade. O que deveríamos levar mais em conta é a elasticidade da demanda em face de uma redução da tributação unitária. Isso vale não apenas para bens duráveis, mas para outros tipos de bens, cuja demanda poderia ser estimulada, inclusive com fator distributivo de renda, especialmente nos bens de salário (alimentos, bebidas, calçados, vestuário, etc..), sem que isso atrapalhe a arrecadação tributária, uma vez que o volume seria aumentado.

A sexta vem dos estímulos fiscais. É muito importante expandir o gasto fiscal, especialmente em investimentos e na área social, porque isso estimula a demanda, ao mesmo tempo que evita o agravamento da crise social e seus efeitos. O desafio continua sendo o da melhora da eficácia dos gastos públicos correntes e do aumento dos investimentos em infraestrutura econômica e social, porque eles são balizadores e multiplicadores dos investimentos privados.

A sétima lição vale para a política monetária. O BCB agiu no inicio da crise, de forma equivocada, na contramão do mundo, elevando os juros básicos, depois relutando em reduzi-los porque estava olhando o inimigo errado - uma hipotética pressão inflacionária de demanda. Aos olhos de hoje isso parece loucura, mas quem se der ao trabalho de ler as Atas das reuniões do Copom do final do ano passado vai se deparar com a questão. O cenário do ano que vem, com a forte retomada prevista vai nos dar uma nova oportunidade. Ou de repetir o erro, ou avançar e testar novos limites para o tal "juro de equilíbrio".

A oitava lição vem do câmbio. É um erro deixar a moeda apreciar-se, em meio a uma discussão etérea sobre as suas causas. Para além das causas, embora seja importante detectá-las é preciso agir logo para evitar os efeitos da desindustrialização. Daí a necessidade de rever a estrutura da regulação e da política cambial, que sempre foi concebida para a convivência com a escassez de divisas, e não com a sua abundância, como é o caso presente e futuro da economia brasileira.

A nona lição vem da importância da credibilidade e capacidade de comunicação do governo. Particularmente o papel do presidente Lula, destacando a importância de que as empresas mantivessem seus investimentos e o nível de emprego e aos consumidores que sustentassem a demanda, foi fundamental para a continuidade das atividades.

A décima e última, mas nem porisso menos importante lição, é o rompimento de paradigmas. O cenário internacional e doméstico exige o rever paradigmas que impõem pseudo-limites para a redução das taxas de juros reais, do PIB potencial e de muitos outros aspectos. Qualquer parâmetro de potencial de crescimento e de possíveis pressões de preços deve levar em conta as condições de saída de ociosidade da industria local, também que projetos de investimentos de aumento da capacidade permanecem em execução, que há em muitos casos excesso de oferta no mercado internacional.
Antonio Corrêa de Lacerda é professor-doutor do departamento de economia da PUC-SP e autor, entre outros livros, de "Globalização e Investimento Estrangeiro no Brasil" (Saraiva). Foi presidente do Cofecon e da SOBEET.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Portal Exame: contrato de EU$ 1,89 bilhão com o Governo Federal faz empresa investir U$ 420 milhões em MG.

Matéria do Portal Exame:

Helibras inicia expansão para atender Forças Armadas.
Rquel Massote

Belo Horizonte - A Helibras e o governo de Minas Gerais anunciaram hoje que serão iniciadas em março de 2010 as obras que permitirão a companhia a começar a fabricação dos helicópteros pesados Super Cougar EC-725 que serão destinados às Forças Armadas. O contrato, de 1,89 bilhão de euros foi assinado em dezembro do ano passado entre a francesa Eurocopter, controladora da Helibras, e o governo federal e faz parte de uma série de acordos que estão sendo negociados com a França desde o ano passado.

O presidente da Helibras, Eduardo Marson, estima que o início das operações da fábrica abre espaço para que a empresa possa também negociar com a Petrobras contratos de fornecimento de uma versão civil do mesmo modelo para atender a exploração de petróleo na camada de pré-sal. "Vemos grande potencial para a versão civil deste modelo em função do pré-sal. Este modelo possui um alcance de 500 quilômetros operacionais de voo, perfeitamente capaz de atender a Petrobras. "

A nova fábrica que será instalada em Itajubá, no sul de Minas, demandará investimentos iniciais de US$ 420 milhões na ampliação da capacidade e na transferência de tecnologia de Brasil e França. A ideia é dobrar a capacidade instalada atual, de 30 aeronaves por ano de diversos modelos destinados aos segmentos civil, governamental e militar.

A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2012, quando a unidade terá capacidade para a produção de sete helicópteros pesados por ano. Hoje, durante a solenidade de comunicado conjunto entre o governo do Estado e a Helibras, Marson revelou que ontem foi assinada em Brasília a ordem de execução do contrato.

As primeiras três unidades do Super Cougar virão da França e serão entregues no final do segundo semestre de 2010, pela própria Eurocopter. Neste intervalo, 40 técnicos brasileiros serão enviados à França para treinamento e outros 40 técnicos franceses virão ao Brasil em cumprimento dos termos do contrato que prevê transferência de tecnologia.

O executivo acredita que o mercado de helicópteros no País deverá apresentar um crescimento de 6% ao ano a partir deste ano. A cidade de São Paulo, segundo ele, é a que detém o maior número de helicópteros do mundo, com 500 unidades. No total, o País possui 1,5 mil unidades. "É um mercado que tende a crescer, tanto pelo caos do trânsito, quanto pelo uso maior pelas Forças Armadas deste tipo de aparelho".

Portal Exame: Governo Federal investe R$ 6 bilhões em novos blindados para o exército.

Matéria do Portal Exame:

Exército fecha contrato de R$6 bi com Iveco para blindados.

SÃO PAULO (Reuters) - O Exército assinou nesta sexta-feira contrato de 6 bilhões de reais com a montadora italiana Iveco, pertencente ao grupo Fiat, para a produção de 2.044 blindados num período de 20 anos, informaram a empresa e o Exército.

"Para o Exército Brasileiro, este projeto significa aumentar a operacionalidade da Força Terrestre, incrementando sua capacidade de atuação nas diversas missões onde a utilização desse tipo de veículo é adequada", disse a força militar em nota no seu site.

Segundo a Iveco, os blindados, conhecidos como Veículos Blindados para o Transporte de Pessoal Médio Sobre Rodas (VBTP-MR), substituirão os atuais modelos Urutus, usados atualmente pelos militares brasileiros.

A fabricação dos blindados deve começar em 2012 e terminar em 2030. Segundo a Iveco, a produção envolverá 110 fornecedores diretos e até 600 indiretos no Brasil.

"O VBTP-MR será uma família de veículos de transporte de 18 toneladas, equipada com motor diesel, tração 6x6 e capacidade anfíbia, capaz de transportar 11 militares", disse a Iveco.

O acordo é resultado de uma licitação vencida pela Iveco em 2007. Os veículos serão produzidos no Brasil.

Nos últimos anos, o país tem buscado reequipar suas Forças Armadas e já fechou acordos para compra de helicópteros e submarinos franceses, além de uma parceria com a França para a parcela convencional de um submarino nuclear.

A Força Aérea lançou em 2008 o programa F-X2 para a compra de 36 caças de multiemprego para substituir a frota da Aeronáutica. São finalistas do processo a norte-americana Boeing, com o F-18 Super Hornet; a francesa Dassault, com o Rafale; e a sueca Saab, com o Gripen NG.

O anúncio do vencedor da disputa, inicialmente previsto para este ano, deve ser feito somente em 2010.

Agência Brasil: Governo Federal investe MAIS R$14 bilhões em estímulos à industria naval.

Matéria da Agência Brasil:

Fundo de Marinha Mercante vai financiar 161 projetos no valor de R$ 14,241 bilhões.
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou hoje (18), após reunião de dois dias no Rio de Janeiro, 161 projetos prioritários que receberão financiamentos no valor total de R$ 14,241 bilhões. A informação foi dada pelo secretário executivo do Ministério dos Transportes e presidente do Conselho Diretor do FMM, Paulo Sergio Passos. Os projetos aprovados não incluem sondas da Petrobras.

Os recursos são adicionais ao orçamento de R$ 4,8 bilhões do FMM para 2010 e resultam da Medida Provisória 472, de 15 de dezembro deste ano, que, nos capítulos 35 a 37, autoriza a União a conceder aporte financeiro ao FMM até o limite de R$ 15 bilhões.

Essa foi a 16ª reunião ordinária do Conselho do FMM. A última foi realizada no dia 9 de outubro de 2008. Do total de 164 projetos apreciados pelo conselho, três casos estão sub judice, informou Passos. “Temos clareza que o grau de interesse demonstrado está associado às condições que o país vive e com um peso muito importante nas demandas que decorrem das atividades relacionadas à área de petróleo”, disse. A perspectiva, assinalou, é de crescimento da demanda nos próximos anos.

Somente para a área de apoio marítimo serão financiados projetos no montante de R$ 5,2 bilhões. Para transporte de cargas da Petrobras Transporte (Transpetro), subsidiária da área de logística da Petrobras, os financiamentos aprovados atingem R$ 3,02 bilhões. Outros R$ 4,3 bilhões serão aplicados na produção industrial.

Nessa área, Passos destacou a prioridade estabelecida pelo FMM para a instalação de dois estaleiros de grande porte na Bahia (Estaleiros da Bahia e Paraguaçu) e em Alagoas (Estaleiro Eisa), além da ampliação de capacidade de mais quatro estaleiros de menor porte - dois no Rio Grande do Sul, um no Ceará e um na Bahia.

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Hugo Figueiredo, destacou que essa foi a maior reunião em termos de significado e valores da história do FMM. Ele enfatizou que os navios que apresentarem maior percentual de conteúdo nacional terão condições financeiras mais atrativas do que aqueles que tenham mais itens importados. “É uma forma de induzir ao aumento do conteúdo nacional”, avaliou.

Na área de apoio marítimo, Figueiredo revelou ter sido dada prioridade à construção de 19 navios mercantes para a iniciativa privada, dentro do projeto de afretamento de embarcações lançado pela Petrobras para armadores privados em contratos de longo prazo.

Passos destacou que o financiamento adicional do FMM à indústria naval brasileira beneficia a cadeia complementar de navipeças e pode significar para o país ganhos em termos de competitividade e eficiência. “Quando falo de competitividade, um volume de encomendas dessa magnitude abre para o país a possibilidade de pensar o atendimento da demanda interna e também se qualificar para ser um player na produção de alguns tipos de barcos que o país pode, seguramente, se habilitar e se colocar no plano internacional.”

O secretário do Ministério dos Transportes admitiu que os recursos do FMM são insuficientes para atender à demanda de construção de embarcações no país. Daí o aporte de até R$ 15 bilhões concedido pelo Tesouro Nacional. A arrecadação do Adicional ao Frete de Renovação da Marinha Mercante somou, em 2009, R$ 1,5 bilhão, mostrando queda de 20% em relação ao ano passado. O orçamento do FMM este ano alcançou R$ 2,9 bilhões.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Agência Brasil: governo federal financiará até 600 novas salas de cinema em 4 anos.

Matéria da Agência Brasil.
Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - A Agência Nacional do Cinema (Ancine) planeja abrir 600 salas de cinema, principalmente nas cidades médias do interior e na periferia das regiões metropolitanas. O programa Cinema Perto de Você será executado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Cultura, com início previsto para janeiro e duração de quatro anos, disse hoje (15) o presidente da Ancine, Manoel Rangel.

Rangel Participou do lançamento da segunda edição do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que vai disponibilizar R$ 81,5 milhões para apoiar o cinema nacional, incluindo produção de longas-metragens, programas para televisão, distribuição e comercialização. O valor é mais do que o dobro do investido em 2008, que foi de R$ 37 milhões.

Ele explicou que o objetivo do programa Cinema Perto de Você é aumentar o público que vai ao cinema e dotar os bairros afastados e municípios do interior com salas de exibição. Atualmente, segundo ele, existem pelo menos 80 cidades com mais de 100 mil habitantes sem uma sala de cinema. O programa será viabilizado por meio de empréstimos em condições especiais do BNDES.

“O desafio está em toda a parte. Na periferia do Rio de Janeiro, em áreas das zonas norte e oeste, na Baixada Fluminense, no interior do estado, nas periferias de São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre”, disse Rangel. Uma das inovações que vão permitir o aumento do número de cinemas é a substituição dos rolos de filmes, que dependiam de uma complexa logística de distribuição, pelos projetores digitais.

Segundo dados da Ancine, o Brasil está na 60ª posição mundial no número de salas de cinema por habitante, tendo piorado nos últimos anos. Na década de 70, eram 3.276 salas: uma para cada 30 mil pessoas. Atualmente, existem 2.278 salas no país: uma para cada 83 mil habitantes. E para agravar a situação, elas estão concentradas em 815 complexos, principalmente em shoppings.

Para o presidente da Ancine, o investimento em novos cinemas é uma necessidade e um reflexo do bom momento vivido pelo setor. Só este ano, de janeiro a novembro, os filmes brasileiros atraíram 15,7 milhões de espectadores, cerca de 15,5% do total de 93,3 milhões de pessoas que compraram ingresso, a maioria para ver produções estrangeiras, 77,9 milhões.

Os editais da segunda edição do FSA estarão disponíveis no site da Ancine (http://www.ancine.gov.br/) e no da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o agente financiador do fundo (http://www.finep.gov.br/), a partir de quinta-feira (17).

domingo, 8 de novembro de 2009

Novae: custos na construção do novo Centro Administrativo de Minas não param de crescer; agora, os móveis sairam bem mais caro que o esperado.

Segue o artigo de José de Souza Castro para a NOVAE.

Bom, a obra já saiu por mais do dobro do seu custo estomado. O gasto com móveis, pelo visto, já é cerca de 60% superior ao esperado. Certo, isso tudo pode não querer dizer muita coisa. Não quer dizer necessariamente que há qualquer negociata ou incompetência: imprevistos e equívocos acontecem.

Mas o que dizer da decisão de homologar uma licitação que, como resultado, levará o estado a adquirir um mesmo produto por preços que diferem em até 500%? Porque não revogar a licitação? Há urgência na compra dos móveis?
José de Souza Castro

Há quase três meses, este site publicou o artigo intitulado “Um elefante incomoda muita gente”, em que manifesto preocupações com o custo do Centro Administrativo de Minas Gerais, obra prevista inicialmente para custar R$ 500 milhões e que não sairia por menos de R$ 1,2 bilhão, segundo reportagem publicada pela revista Época no dia 30 de maio deste ano. A esse valor, a revista acrescentava R$ 50 milhões a título de móveis e divisórias, montagem da estrutura de informática e mudança das secretarias de Estado. Mas ao ler hoje reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, minha preocupação aumentou. Os elefantes numéricos estão crescendo descontroladamente, pelo visto.

Senão vejamos. O repórter Breno Costa, que não é mineiro, mas chegou Belo Horizonte neste ano para reforçar a cobertura de um grande Estado que tem seu governador empenhado em se tornar candidato a presidente da República pelo PSDB, descobriu que em setembro passado a Secretaria do Planejamento homologou por R$ 81 milhões a licitação para comprar móveis para a Cidade Administrativa. Ou seja, em apenas quatro meses, praticamente dobrou o preço dos móveis, entre uma reportagem e outra.

Mas não era isso, aparentemente, o que preocupava o repórter do jornal paulista. O que o intrigava era a disparidade de preços possibilitada pelo “método do edital da licitação”.

Ao lidar com a maior licitação do gênero no país neste ano, segundo a Folha de S. Paulo, a Secretaria do Planejamento dividiu cada grupo de itens (mesas, cadeiras, divisórias etc) em quatro lotes, com especificações técnicas idênticas. Além disso, a empresa vencedora de dois lotes estaria automaticamente fora da disputa dos outros grupos da mesma mobília. Essa sábia decisão teve uma conseqüência no mínimo curiosa: “O governo mineiro vai pagar uma diferença de R$ 7,9 milhões a empresas distintas para comprar móveis exatamente iguais”, verificou o repórter.

São publicados alguns exemplos: uma empresa vai receber R$ 731,76 por unidade, num lote de 10.024 cadeiras com assento e encosto em tecido de pura lã. Um total de R$ 7.335.162,24. Outra empresa vai fornecer 10.024 cadeiras do mesmo tipo, custando cada uma R$ 1.131,44 (R$ 11.341.554,56 no total). Uma diferença de R$ 4.006.392,32 entre um lote e outro. E não para aí: essa proposta vencedora “foi a sétima mais cara, já sem a primeira firma na disputa. Outras seis que ofereceram preços menores foram eliminadas na análise do protótipo do produto”. Acrescenta o repórter que “a eliminação de propostas na análise das amostras se repetiu em outros lotes, garantindo a vitória de ofertas mais caras. Na compra de 264 mesas idênticas, uma empresa fornecerá cada uma por R$ 360,47 e outra, por R$ 1.796,91 – esta venceu, embora mais cara que outras duas reprovadas”.

Especialistas ouvidos pelo jornalista Breno Costa disseram que a divisão de lotes não é ilegal e evita que o governo fique dependendo de um único fornecedor, “desde que isso seja econômico”. E o governo parece considerar que foi, pois afirmou ao jornal que as propostas vencedoras de todos os lotes licitados ficaram abaixo dos valores estimados inicialmente.

Ou seja, nenhuma empresa pode reclamar da falta de generosidade das previsões de custos governamentais nessa obra faraônica. Aparentemente, o governo mineiro estava preocupado também com a saúde financeira, pois, ao justificar a decisão, afirmou: “Havia um temor de que empresas grandes ganhassem todos os lotes, não dando chances para que pequenas e médias pudessem competir".

Cabe aqui um parêntesis: o mesmo jornal informou, também nesta segunda-feira de Finados, agora numa reportagem assinada por uma jornalista mineira, Fernanda Odila, que trabalha na sucursal de Brasília, que nem mesmo a modalidade considerada mais transparente entre as licitações públicas está imune a fraudes. Ela se refere a um estudo da Controladoria Geral da União (CGU) sobre compras feitas pelo governo federal entre 2005 e abril deste ano. E destaca o caso de uma microempresa mineira, a TBI Segurança. No ano passado, ela foi vitoriosa com um lance de R$ 443,8 mil, para prestar serviço de vigilância armada na unidade do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Minas Gerais. Em 2007, a TBI já havia recebido R$ 488,9 mil em contratos com cinco ministérios, valor duas vezes maior que o limite legal de R$ 240 mil de faturamento anual de uma microempresa. A TBI informou que prestou contas à Receita e hoje não mais atua como microempresa.

Moral da história: nenhum governo está livre de empresários que acham um jeitinho de contornar as leis nas licitações. Mas voltemos ao Centro Administrativo.

O site www.centroadministrativo.com.br, criado para acompanhar a execução do projeto e fazer sua apologia, afirma:

“Faltando pouco menos de três meses para a mudança dos primeiros servidores, a Cidade Administrativa tem sua infraestrutura praticamente finalizada. Até o momento, 85% dos sistemas de drenagem, que somam 7 mil metros de tubulações, já foram implantados. A pavimentação de 176 mil m2 do terreno está 60% concluída e 65% das redes externas (água, esgoto, incêndio, rede elétrica) encontram-se instaladas. Ao todo, serão 133 mil metros quadrados de grama, dos quais metade está plantada e os 123 mil metros quadrados de hidrossemeadura (mistura de sementes com fertilizantes) encontram-se concluídos.

Nos cinco prédios, 70% das instalações internas (sistemas elétricos, de combate a incêndio e de refrigeração) estão prontas. As fachadas de vidro nas secretarias estão ainda mais adiantadas (99%), enquanto que, no centro de convivência, faltam 15% para finalização desta etapa. Na sede, 40% do edifício estão recobertos hoje. Os túneis 1 (para circulação de veículos) e 2 (pedestres e ciclistas) já têm, respectivamente, 90 e 110 metros de escavações feitas. Cada túnel terá 152 metros de comprimento.”

Vamos todos torcer para que tudo termine logo. Cada mês de demora vai sair muito caro para os contribuintes mineiros. Pois, como vimos, esses orçamentos da obra se alimentam com minutos, horas, dias, meses e anos – e, com o passar do tempo, o elefante vai crescendo e se multiplicando tanto que nem vai caber dentro dessa magnífica “pirâmide” mineira.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Inovação Tecnológica: Petrobrás e Governo Federal investem R$ 9,5 milhões em laboratório do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de SP.

 Seguem duas matérias sobre o mesmo assunto, uma do Inovação Tecnológica e a outra do IPT.


Nielmar de Oliveira - 06/11/2009


O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Petrobras inauguraram hoje o mais moderno laboratório de engenharia naval da América Latina, que recebeu investimentos de R$ 9,5 milhões.

O laboratório, que tem o mais longo tanque naval do país, com 280 metros de comprimento, passou por completa reformulação física e tecnológica, para atender às novas demandas dos setores de transporte marítimo e de construção de plataformas de petróleo.

A aplicação da robótica na construção de modelos de embarcações também está entre os novos recursos do Centro de Engenharia Naval do IPT.

Petrobras nas universidades

A reforma da unidade faz parte de uma estratégia de investimentos da Petrobras em universidades e institutos de pesquisa brasileiros.

A companhia informou que, desde 2006, tem investido em torno de R$ 400 milhões por ano em cerca de 80 instituições de todo o Brasil, que, organizadas em redes temáticas coordenadas pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), desenvolvem soluções tecnológicas para os principais desafios da indústria de energia.

Segundo a estatal, o projeto do novo laboratório na área de engenharia naval foi concebido para atender a três objetivos: criar um centro multiusuário, com 15 estações de trabalho para pesquisadores, projetistas e clientes do Instituto Pesquisas Tecnológicas; incrementar a capacitação laboratorial do Cenpes; e reduzir o tempo de construção de modelos físicos para serem testados nesses laboratórios.

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IPT e Petrobras inauguram novas instalações do maior tanque do Brasil para testes de embarcações

Com investimento de R$ 9,5 milhões, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) inaugurou hoje, 6 de novembro, as novas instalações de seu laboratório de engenharia naval, ligado ao Centro de Engenharia Naval e Oceânica (CNAVAL) do Instituto. Nos últimos meses, o laboratório passou por uma completa reformulação física e tecnológica, que o coloca agora como o mais moderno da América Latina e em condições de atender às novas demandas de suporte tecnológico aos setores de transportes marítimos e de construção de plataformas de petróleo, que experimentam uma retomada histórica de atividades, depois de quase sucumbirem durante os anos 80 e 90. O projeto foi fomentado no âmbito de um convênio entre a Transpetro e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Como dona da maior frota de navios do continente, a Transpetro será um dos principais demandadores do laboratório.


Dos recursos aplicados, 90% são provenientes da Petrobras e 10% da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. A participação da Petrobras faz parte de um programa de R$ 32 milhões, voltados a oito projetos de capacitação tecnológica na área de naval, que incluem, além do IPT, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).


Além da rede de engenharia naval, denominada Rede de Tecnologia de Navios, a Petrobras criou outras 49 redes temáticas, das quais o IPT participa atualmente de seis, para fortalecer a atuação das instituições de pesquisa e desenvolvimento no país, em áreas consideradas desafios tecnológicos para os próximos anos no setor de energia. Essas redes envolvem cerca de 80 instituições e atualmente respondem por um investimento anual de R$ 400 milhões, o que coloca a Petrobras entre as cinco empresas no mundo que mais investem em P & D.


O projeto do novo laboratório foi concebido a partir de 2005 com base em três objetivos: criar um centro multiusuários, com 15 estações de trabalho para pesquisadores, projetistas e clientes do Instituto; incrementar a capacitação laboratorial do Centro, por meio de equipamentos modernos de medição para ensaios no tanque de provas, túnel de vento e túnel de cavitação (estudo de hélices); e reduzir o tempo de construção de modelos físicos para serem testados nesses laboratórios.


Do investimento total, cerca de R$ 5,5 milhões foram empregados em equipamentos, como o braço robótico que passou a dar suporte ao desenvolvimento de modelos de embarcações. O restante dos recursos foi aplicado em obras civis, que consistiram na troca de cobertura do tanque de provas e na renovação e ampliação das áreas técnicas do Centro. “Estamos mais eficientes para atender às novas demandas da indústria”, afirma Carlos Daher Padovezi, diretor do CNAVAL.


Segundo Padovezi, os ganhos de eficiência serão sentidos, sobretudo, na confecção de modelos com o auxílio da robótica. Mas, para isso foi preciso abandonar o antigo sistema de marcenaria, que consumia até 45 dias para executar um modelo de navio em escala. Agora os modelos são confeccionados em blocos de poliuretano ou em madeira, esculpidos pelo braço robótico. Depois as superfícies recebem tratamento com resina de fibra de vidro. O processo todo não chega a uma semana.


Há também uma máquina de prototipagem rápida para o desenvolvimento de modelos de hélices e de lemes. Como se fosse uma impressora em três dimensões, esse equipamento trabalha em sintonia com modeladores virtuais em CAD 3D. O sistema alcança um nível de detalhamento, em tempo real, difícil de ser obtido em um processo convencional de usinagem.


Outros refinamentos tecnológicos do Centro estão no novo gerador de ondas para o tanque de provas, que tem 280 metros de comprimento, 6,6 metros de largura e 4,5 metros de profundidade; novo sistema de instrumentação do carro dinamométrico do tanque; sistema de imagem de alta precisão de medições de movimentos; e modernos dinamômetros para medições de forças. “São recursos que vão dar mais precisão e rapidez aos ensaios”, afirma Padovezi. O tanque de provas do IPT existe desde 1956. Ele foi ampliado em 1980 e a remodelação atual é o terceiro marco importante de sua história.


LABORATÓRIO ESTRATÉGICO - Veja a seguir opinião de autoridades e executivos sobre o novo centro de engenharia naval do IPT.

Alberto Goldman, governador em exercício do Estado de São Paulo: “O IPT é fundamental para ajudar o desenvolvimento de São Paulo e do Brasil. Vamos fazer uma série de investimentos para que o IPT se mantenha como uma grande instituição de pesquisa, como sempre foi e deve ser no futuro”.

Geraldo Alckmin, secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo: “O IPT é um exemplo de como se faz ciências exatas com paixão. O governo do Estado vai aplicar R$ 110 milhões no IPT até 2010. O novo laboratório é único na América Latina e um exemplo de cooperação entre os entes federados, pois muitos projetos e parcerias foram e serão ainda desenvolvidos”.


Sergio Machado, presidente da Transpetro/Petrobras: “A atividade da indústria naval hoje é importante porque 95% do comércio internacional do país depende de navios. A indústria naval foi retomada há seis anos, tem atualmente o patamar de 15 mil empregos e deve alcançar até 2013 o total de 42 mil empregos. Esse laboratório surge em um momento estratégico para gerar conhecimento para a sustentabilidade econômica”.

Carlos Tadeu Fraga, gerente executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes): “Os novos laboratórios vão fazer pesquisas para toda a indústria naval, além da Petrobras. Esse é uma atividade de relevância para que o país tenha cada vez mais competência. O IPT é uma instituição centenária, fonte de inspiração para a Petrobras, pois tem práticas que são orgulho nacional”.

Allan Kardec Duailibe Filho, diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): “O Brasil investe R$ 700 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento e hoje tem 45% de energia limpa em sua matriz, o que é o mais alto nível do mundo. O IPT é um parceiro fundamental para que possamos fazer o nosso trabalho de fiscalizar os combustíveis”.
João Fernando Gomes de Oliveira, diretor presidente do IPT: "O IPT está capacitado para os desafios brasileiros na área de projetos e testes de embarcações. Este novo laboratório teve sua capacidade de testes quadruplicada. Com a descoberta das reservas do pré-sal cresceu a demanda de parceiros como a Petrobras, que precisará de embarcações de suporte às plataformas, por exemplo. Os projetos dessas novas embarcações assegurarão maior eficiência em propulsão, consumo de combustível e manobrabilidade. Por isso temos foco também na parceria com os estaleiros nacionais."

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Revista Viver: segundo economista tucano, o PSDB é o partido da elite e, no Brasil, sequer houve crise.

Segue, íntegra, a entrevista publicada pela revista Viver Brasil. O dois trecho entre colchetes são meus.

Não para não destacar, aqui no início, um trecho importantíssimo que está lá no fim.

Segundo o Mendonça de Barros, quando ele foi acusado de favorecer a Telemar na privatização da telefonia e foi convidado a prestar esclarecimentos no Senado Federal, ele resolveu ir. Mas essa decisão não foi apoiada pelo então presidente. Fernando Henrique Cardoso o teria orientado "a viajar, sumir".

Sei. Muito democrático e republicano...

Para o ex-presidente do BNDES e ex-ministro das Comunicações [no governo FHC], Luiz Carlos Mendonça de Barros, o que houve no Brasil foi um pânico desmedido. O assunto também passou pelas eleições e pelo processo enfrentado na Justiça por 10 anos
Ana Magalhães

Não existem meias palavras para Luiz Carlos Mendonça de Barros. Quando o assunto é a condução da crise pelo governo Lula, ele não poupa elogios. “Não dou nota 10, mas dou quase 10.” Questionado, porém, sobre a recente tentativa do governo de desvalorizar o real por meio da cobrança de IOF sobre capital estrangeiro, ele é pura acidez. “Foi um tiro n’água. A desvalorização do real não vai acontecer.” Economista e sócio da Quest Investimentos, Mendonça previu há seis meses que o dólar cairia para o patamar de 1,80. Agora sua expectativa é a de que a inflação voltará a crescer a partir do ano que vem. “O governo precisa reduzir os gastos, mas isso não vai acontecer especialmente às vésperas de um ano eleitoral”. Nessa entrevista, concedida em sua casa no bairro Jardim América, em São Paulo, ele antevê uma eleição complicada para o PSDB em 2010, define como “caótica” a postura de Lula com relação às privatizações e conta como foi enfrentar a Justiça durante dez anos – sob a acusação de haver beneficiado a Telemar durante o processo de privatização da Telebrás – até sua absolvição em março desse ano.

O Brasil está realmente saindo da crise?
Crise é hoje uma coisa que passou. Quando você olha para o Brasil, a gente pode dizer que aqui ela nem começou. Essa crise tem uma característica interessante porque talvez 70% dela tenha sido pânico. O mundo parecia que tinha acabado, as empresas reduziram produção, desempregaram gente e aqui não foi diferente. Nesse momento é fundamental que o governo tenha uma atitude a que chamamos de anticíclica. Está todo mundo reduzindo produção e o governo estimula e gasta. É essa a receita clássica keynesiana. Nisso o governo brasileiro teve nota muito alta, não dou 10, mas dou algo muito próximo de 10. Como os bancos privados pararam de emprestar eles puseram os bancos públicos. Isso diminuiu a intensidade da crise. O consumidor não entrou em pânico. O Banco Central também agiu de uma forma procíclica, reduziu as taxas de juros, o que ajudou ainda mais a recuperação. De maneira que o Brasil já saiu da crise e, mais do que isso, vamos crescer no ano que vem. Segundo estimativa do pessoal técnico da Quest, será um crescimento de cerca de 6%. Esse ano em que se esperava uma queda, o PIB vai ser positivo em 0,5, ou 0,4%, mas vai ser positivo.

O maior problema da política econômica brasileira hoje é a valorização do real?
É um dos problemas. Outra questão é que vamos começar a ter um problema de inflação já a partir do ano que vem. Porque a economia está muito aquecida e aqui tem um erro do governo. Se o governo teve nota 10 nesse momento de pânico ao aumentar seus gastos e colocar os bancos públicos para emprestar, ele agora teria que reduzir os gastos porque a economia já está suficientemente forte para levar o crescimento para a frente. E o governo não vai fazer isso especialmente às vésperas de um ano eleitoral. Então, você tem a valorização do real, que é um problema de prazo mais longo, e tem o superaquecimento da economia principalmente no mercado de trabalho.

Em uma entrevista em 2006, o senhor comenta que o PT estava usando um software pirata para conduzir a economia brasileira e o software original seria do PSDB. O senhor mantém essa opinião? Com a crise, o PT passou por um processo de amadurecimento da sua política econômica?
O PT não. Acho que o presidente Lula amadureceu. Ele teve uma sorte que foi ter colhido os frutos de uma política econômica que não era dele. Só que, por necessidade, quando assumiu o governo, ele teve uma crise muito séria de confiança e percebeu que para evitar problemas tinha que mudar o discurso e fez a Carta ao Povo Brasileiro [observação: a Carta ao Povo Brasileiro, na verdade, é anterior à eleição]. Ele realmente mudou. Embora tenha usado o software pirata macro econômico, ele introduziu as políticas sociais, como o aumento do Bolsa Família e principalmente o aumento real continuado do salário mínimo. Isso não fazia parte do software dos anos Fernando Henrique. Lula tem o mérito de ter feito essa gambiarra social que funcionou muito bem de maneira que hoje o fruto do crescimento realmente mexeu em 25 milhões de brasileiros que deram uma subida na escala social. Isso foi muito bom porque esse pessoal passa a consumir e a economia anda. Dei uma entrevista para a BBC onde eu falo que o que deu certo foi a combinação de oito anos de Fernando Henrique com oito anos de Lula. Essa combinação foi muito feliz para nós brasileiros.

Qual sua opinião sobre a medida tomada pelo governo federal taxando a entrada de capitais externos para aplicação no mercado financeiro brasileiro?
Essa é uma questão muito difícil de discutir. O problema do real valorizado é um problema para a sociedade. E é difícil dizer isso porque o real valorizado tem lado bom e lado ruim. Para o consumidor é positivo porque 8 você tem importados mais baratos. Só que o dólar valorizado destrói emprego. Por um prazo mais longo, nós vamos começar a importar coisas já produzidas aqui. A reação do governo é a um problema real, mas é uma reação errada. É engraçado porque a gente sabe hoje que quem comprou dólar ontem foram os estrangeiros. Hoje o euro, que é uma moeda de referência no Brasil, teve uma valorização forte lá fora e o real foi atrás. E o estrangeiro que comprou ontem vendeu hoje de maneira que o dólar está hoje mais baixo do que estava ontem antes da medida. Quer dizer, a medida foi um tiro n’água. A desvalorização do real não vai acontecer. O PT tem pouca experiência. Normalmente, gente que muda de valor – gente que fica 25 anos falando uma coisa e depois muda de discurso – é prova de que não tem experiência. Se o governo acha que o problema do Brasil é a especulação, ele vai ter que chamar um pessoal do Fernando Henrique que sabe mais sobre especulação do que qualquer petista. E o especulador é o seguinte: se o governo toma uma medida insuficiente numa determinada direção, ele passa por cima. É o que está acontecendo hoje. E agora, José? Como é que faz? O software de FHC tem o tópico “como lidar com os especuladores”, mas o software pirata não tem esse tópico.

Que medidas poderiam ser feitas para realmente desvalorizar o real?
Eu não tenho a menor ideia, sou franco com você. É um problema internacional. Esse problema só vai terminar quando você resolver a questão da China, a questão dos juros nos Estados Unidos. É muito complexo.

As perspectivas favoráveis da economia brasileira dependem das eleições de 2010?
Acho que mesmo a candidata do presidente Lula vai seguir a política econômica. Só acho que vale a pena eles entrarem num acordo com os tucanos e comprarem o software original atualizado. Mas vai falar isso para eles... é complicado, é a mesma coisa você fazer o corinthiano e o palmeirense se juntarem. Isso não vai acontecer, mas seria preciso. Quando você olha para os próximos cinco anos, se o Brasil continuar com o software pirata do PT, o Brasil crescerá 4% ao ano. Se tiverem um software mais moderno e atualizado, nós crescemos 6%.

Supondo que o PSDB ganhe as eleições do ano que vem, o senhor acredita que haveria uma manutenção das políticas sociais atuais?
Não tenho dúvidas. Não tem volta atrás. O que o Lula fez foi correr o risco de dar errado. Como deu certo, já está incorporado.

Qual sua avaliação do PSDB como um partido oposicionista?
A gente aprendeu que é muito difícil você fazer oposição ao cara que é o Brasil. Se você olhar bem hoje para o PSDB, ele é o partido da elite. A cara do PSDB é a cara da elite. Os tucanos têm medo de serem considerados populistas. E o Lula não tem, o Lula é populista e é a cara de 80% dos brasileiros. O Lula é o Brasil. O Serra tem uma posição difícil, que discurso ele vai fazer? O que eu acho que o PSDB deveria fazer, mas não é para a eleição, é justamente apresentar o software na versão nova, e isso não está feito. O PSDB dispersou. Numa sociedade de massa pode-se dizer que 70% dos brasileiros são felizes gastando e consumindo e a venda no varejo está crescendo 10, 12% ao ano. Como é que você diz pro cara que a felicidade não é só consumir? O risco que corremos é que, a partir do próximo mandato, precisamos mudar um pouco o software econômico. Não é que esse esteja errado, mas é porque o mundo mudou, o Brasil evoluiu. Na época do Fernando Henrique o problema era valorizar o real, e hoje é desvalorizar.

Acredita que a união Serra e Aécio tem condições de se estabelecer?
Estamos falando de dois políticos maduros. Nunca achei que essa disputa entre Serra e Aécio vai acontecer. Antes da eleição cada político defende o seu, mas na hora H eles sabem o que tem que fazer. Política é que nem desfile de escola de samba. Se você chegar 15 minutos antes no local do desfile você vê o caos e acha que os caras não vão conseguir desfilar. Mas quando chega o momento, todo mundo sabe o que tem que fazer. Político é a mesma coisa. No ano que vem o PSDB terá um discurso que incorpora os programas sociais e o Lula vai ter um discurso que incorpora a economia. Acho que a probabilidade de o Lula ganhar com a Dilma é grande, porque a economia vai estar muito bem.

Mesmo se Aécio e Serra saírem juntos?
Na economia moderna o sujeito vota com o estômago e com o bolso. A vida desse pessoal melhorou muito. Eu tenho um gráfico que mostra que percentual do salário mínimo você tem que usar para comprar um botijão de gás. É impressionante, porque hoje você compra com 40% menos do que há alguns anos. Eu me lembro de um político nordestino que dizia que em ano eleitoral o gás é o preço mais importante. Porque com o gás o cidadão pensa no governo três vezes por dia: no café da manhã, no almoço e no jantar.

Concorda com a orientação do governo Lula no que se refere às privatizações?
Lula, com relação às privatizações, tem um discurso caótico. É o tipo de assunto que ele não tem uma posição concreta e por não fazer nada está atrasando o Brasil. A questão do aeroporto aqui em São Paulo é um caos. Não foi feito absolutamente nada. Estamos com problema de infraestrutura de novo e isso só vai piorar. Nada foi feito para aliviar os corredores de transporte no Brasil. O porto de Santos está parado até hoje porque o governo tem que fazer dragagem e não faz nada. São questões que não estão aparecendo agora, elas vão aparecer daqui a dois ou três anos.

Qual sua avaliação a respeito da tentativa do governo federal de influir nas decisões de empresas privatizadas por meio de pressão política ou da ação dos fundos de pensão das empresas estatais?
Se é esse o custo que nós temos para o Lula manter a política ma­croeco­nômica eu pago. Quando você passa pelo governo, você aprende a se preocupar com certas coisas e outras viram um detalhe. Vamos nos preocupar com problemas gordos. A telefonia, por exemplo, está num momento incrível de crescimento e isso é o que importa. Com alguns assuntos a gente não pode ser cricri e ficar questionando tudo. Todo governo toma algumas medidas que não precisavam ser tomadas, mas que muitas vezes são tomadas até para atender à base aliada. Mas você não muda a dinâmica básica da sociedade.

Qual a sua opinião sobre o modelo de exploração do pré-sal?
Se é partilha ou concessão, tem coisas boas e coisas ruins. Portanto não me preocupo muito. O que não pode é a Petrobras ser monopolista do pré-sal. Isso é um erro que tem que ser evitado.

Mudando de assunto, em março desse ano o juiz Moacir Ferreira Ramos, da 17ª Vara Federal de Brasília, absolveu-o (assim como a outros integrantes do primeiro escalão do governo FHC) da acusação de que vocês teriam beneficiado a Telemar no processo de privatização da Telebrás. Como foram esses dez anos de luta na Justiça?
Foi uma história muito chata e difícil, mas eu amadureci e aprendi várias coisas. A mídia, por exemplo. A Veja deu uma capa na época do que surgiu e recentemente deu uma foto com uma notinha lá dentro da revista. Aí é você entender a mídia, e mais ainda a mídia brasileira. Eu aprendi com um sujeito que dizia que a mídia gosta de desgraça e de sangue ou de celebridade. Agora, o sujeito que passou por um problema e venceu infelizmente não chama a atenção da imprensa. Do ponto de vista da luta na Justiça, posso dizer que me diverti muito porque é um desafio muito grande, mas você encontra na Justiça, especialmente nos níveis mais elevados, um diálogo correto. Tive a vantagem que foi o BNDES que incorreu com os custos, porque gasta-se muito dinheiro com advogado. O Sérgio Motta fez a lei das privatizações colocou na lei que todo agente público que for processado pelas decisões tomadas teria suas despesas pagas. Então foi ótimo. É evidente que teve fases. Houve um momento muito difícil no começo, porque houve um prejulgamento por parte da imprensa. Eu tomei a decisão de ir ao Senado, e aí eu inovei porque ao invés de fugir eu fui lá. Sabia que ia ser apunhalado, mas naquele momento não poderia fugir. Eu tive uma orientação do Fernando Henrique para viajar, sumir, mas eu quis enfrentar.

O senhor teve medo?
Não, porque eu não tinha feito nada. Gravado do jeito que eu fui, se tivesse alguma coisa errada tinha aparecido. O que apareceu era uma coisa truncada.