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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Agência Brasil: depois de 13 anos de jejum, Brasil batiza um petroleiro nacional.

Matéria da Agência Brasil.

17:02
07/05/2010
Yara Aquino Enviada Especial

Ipojuca (PE) – Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi batizado e lançado ao mar hoje (7) o navio petroleiro João Cândido, no Porto de Suape (PE). Cerca de sete mil pessoas, a maior parte operários, participaram da cerimônia. A embarcação tem 274 metros de comprimento e capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo. Encomendado pela Transpetro, braço logístico do grupo Petrobras, o navio foi construído pelo Estaleiro Atlântico Sul, ao custo de R$ 300 milhões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, durante muito tempo, o Brasil foi conhecido internacionalmente apenas pelo futebol, pelo carnaval e pela violência e que projetos como o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), têm mudado essa realidade.

“Duvido que algum empresário, algum embaixador brasileiro, já teve em algum outro momento tanto orgulho de dizer lá foram que é brasileiro”, disse o presidente durante a solenidade de batismo do navio.

Lula elogiou o esforço que empresas brasileiras estão fazendo para se internacionalizar. “Hoje temos empresas no Canadá, nos Estados Unidos e fico orgulhoso por que cada empresa brasileira nesses países é um pedacinho do Brasil fincado lá”.

Primeiro navio do Promef, projeto que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o João Cândido é também o primeiro navio petroleiro construído no Brasil a ser entregue ao sistema Petrobras em mais de 13 anos, fato que está sendo considerado uma marco na retomada da indústria naval brasileira. O Promef prevê a compra de 49 navios.

O nome “João Cândido” foi escolhido em homenagem ao almirante negro que liderou a Revolta da Chibata, movimento iniciado no Rio de Janeiro em 1910, contra a aplicação de castigos físicos a marinheiros. O filho de João Cândido estava presente ao evento.

Além de Lula e dos principais executivos da Petrobras, participaram da solenidade o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff.

Edição: Vinicius Doria

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Valor: o setor da construção, as dificuldades de Serra com o diálogo e a comparação Lula x FHC.

Matéria publicada pelo Valor, mas copiado daqui.

Aqui, há outra matéria sobre as diferenças entre Lula, Dilma e Serra na visão de empresários.

Comparações de Lula ecoam em plateia da construção civil.
Autor(es): Cristiane Agostine, de São Paulo
Valor Econômico - 08/04/2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva testou com uma plateia de empresários o discurso eleitoral de comparação de seu governo com o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e foi bem-sucedido. Na noite de terça-feira, Lula recebeu apoio de dezenas de representantes da construção civil, em São Paulo, ao criticar a falta de investimentos no setor, "deteriorado há mais de vinte anos" e discorrer sobre o ineditismo do sistema capitalista brasileiro, que não tinha nem "capital nem financiamentos" em anos anteriores.

Empresários, beneficiados sobretudo por programas como o Minha Casa, Minha Vida, aprovaram também a crítica feita aos anos FHC e a comparação sobre os financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aumentaram entre 2003, primeiro ano do governo Lula, e 2010.

É o caso do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Material de Construção, Melvyn Fox, que disse "concordar totalmente" com o discurso feito pelo presidente na cerimônia de abertura da 18ª Feira da Indústria da Construção e Iluminação, em São Paulo. "O setor da construção civil estava estagnado. Muito pouco foi feito até o fim do primeiro mandato de Lula. Houve uma mudança radical", comentou.

Cláudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção, disse que o setor "está em êxtase", com projetos como o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 1 e 2. "A comparação entre os dois governos [Lula vs. FHC] não é uma questão política, mas sim numérica. Os resultados dos dois governos não são comparáveis", disse Conz. O otimismo se explica, em parte, pela previsão de crescimento 10% na venda de material de construção.

Na abertura da feira, Lula não poupou críticas a FHC e disse aos empresários que não deixem de lembrar como era a situação anos atrás. "De repente as pessoas esquecem do mundo que a gente veio, do mundo em que a gente está e do mundo que a gente quer ir. Este país teve o seu setor da construção civil praticamente deteriorado durante mais de 20 anos", declarou. Ao fazer o autoelogio, o presidente disse que a Caixa Econômica Federal investe "nove vezes" o que investia em 2003 e que o crédito cresceu de R$ 380 bilhões para R$ 1,4 bilhão. O BNDES, continuou Lula, emprestava R$ 38 bilhões e este ano fechará com R$ 139 bilhões.

A comparação entre Lula e FHC tem sido evitada pelos tucanos e apoiadores da campanha do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) à Presidência. O presidente, no entanto, sinalizou que deve insistir nessa linha em seus discursos. "Cansei de ver o Brasil se portar como se fosse um país de segunda categoria. Tudo a gente achava que não podia fazer e tudo, quando não dava certo, se jogava a culpa em cima do governo. E como o governo também não fazia, não falava nada e ficava todo mundo enganando todo mundo neste país", declarou.

Em seu discurso, Lula disse que deixará para seu sucessor "uma prateleira de projetos e programas", para que o próximo presidente não tenha que "começar do zero" como ele. Ao fazer propaganda do PAC 2 para empresários que se beneficiarão diretamente dele, Lula afirmou que lançou o programa para mudar o paradigma do país. "Não era possível um país capitalista viver sem crédito e sem capital. Isso mudou definitivamente", disse. "Quem vier a tomar posse na Presidência da República em janeiro de 2011 sabe que não existe mais espaço para pequenez política, não existe espaço para pequenos programas. Este país é grande e exige que os seus governantes pensem grande", declarou.

Representantes da construção civil disseram não temer o próximo governante, quem quer que ele seja, nem a paralisação das obras do PAC e do Minha Casa, Minha Vida. Para Dilson Ferreira, presidente executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas, "as mudanças no setor foram estruturais" e devem ser mantidas pelo sucessor de Lula. "Não foram mudanças circunstanciais", disse. No entanto, empresários ressaltam que a relação com Serra foi mais complicada, sobretudo por medidas como a substituição tributária, adotada em São Paulo. "Nossa relação com o governo estadual foi muito difícil", relatou Fox. "O que muda entre Dilma e Serra é a forma de dialogar. No Estado, não tivemos diálogo", disse Conz.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Nassif: A Reconstrução do Investimento.

Artigo do Nassif.

Coluna Econômica 06/04/10

É bastante o rico o processo que o país atravessa.

Em vários momentos da história, o centralismo autocrático foi fundamental para disparar os primeiros movimentos desenvolvimentistas.

Nos anos 40 e 50 foi fundamental a participação do Estado brasileiro na criação das primeiras indústrias de base. Não havia capital privado para levantar uma Petrobras, uma Companhia Siderúrgica Nacional, a Eletrobras, a própria Telebrás nas décadas seguintes.

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No fundo, imaginava-se um país semi-selvagem – e quase o era – sendo conduzido por um grupo de iluminados reunidos no Rio de Janeiro, capital federal, ou em São Paulo – que tornou-se região economicamente dinâmica graças aos visionários do fim do século 19.

São Paulo acumulou experiência em indústrias mecânicas, metalúrgicas, têxteis, de tal forma que, quando se decidiu pela implantação da indústria automobilística no país, não havia outro local viável.

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Esse modelo foi importante nas fases anteriores da vida do país. Trouxe desenvolvimento, sim. Mas também concentração econômica indesejável, concentração de renda e um país torto, metade rico, metade pobre. E acabou se refletindo no próprio orçamento público, submetido a uma notável concentração do poder decisório no Executivo.

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Esse modelo morreu politicamente com a Constituição de 1988.

De lá para cá, houve o desenvolvimento de outras regiões, a crise das grandes metrópoles, o surgimento de novos pólos de desenvolvimento e, finalmente, o aprimoramento da parceria federativa entre União, Estados e Municípios.

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Nos últimos anos, delineou-se uma nova forma de ação pública, com articulação entre as três instâncias administrativas. Cabe à União definir recursos e regras do jogo; aos estados e municípios, a execução. Há uma responsabilidade compartilhada.

Por exemplo, a maior parte dos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para saneamento são efetuados pela Sabesp, controlada pelo governo de São Paulo.

Existem atrasos – normais em obras que mexem com meio ambiente e com regulação complexa. Mas o fato de se ter uma empresa organizada no estado de São Paulo é garantia de que as obras sairão.

Em outros estados e municípios, há recursos disponíveis para as obras, mas não existem projetos básicos. Não apenas em saneamento, mas em um sem-número de obras públicas. E não tem como a União substituir as prefeituras.

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O caminho passa pela constituição de uma empresa pública especializada em projetos, a exemplo do antigo Geipot (Empresa Brasileira de Transportes).

Trata-se de passo importante, inclusive, para consolidar as relações federativas.

Ao longo de décadas de desarticulação dos investimentos públicos, houve o desmonte completo do setor de engenharia e de projetos.

Por isso mesmo, a reconstrução do Estado como articulador de investimentos pressupõe a recuperação da capacidade de montar projetos, assessoras municípios e estados menores, compartilhar experiências de gestão.