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terça-feira, 28 de julho de 2015

Brasil começa a corrigir atraso na área biofarmacêutica, diz especialista




O setor biofarmacêutico brasileiro está com cerca de 30 anos de atraso em relação aos países desenvolvidos, de acordo com Leda Castilho, professora de Engenharia Química do Instituto  Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ). Nos últimos anos, porém, o governo federal detectou esse atraso e o seu impacto na balança comercial e começou a investir na área, disse ela hoje (27) à Agência Brasil.

Leda Castilho salientou que há um déficit grande na área de saúde, em grande parte decorrente da necessidade de importar produtos biotecnológicos para a saúde humana. Algumas empresas biofarmacêuticas, segundo ela, foram criadas individualmente ou em consórcio com outras companhias, no país, apoiadas por financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


As aprovações de empréstimos do BNDES entre 2004 e 2015 para esse segmento somam R$ 617 milhões, o que representa 14% da carteira de aprovações totais do banco, relativas às três fases do Profarma, o programa de apoio ao setor. Os projetos em análise na área de biotecnologia equivalem a 52% do total e alcançam R$ 500 milhões.

Os investimentos permitiram, inclusive, que uma das empresas financiadas, a Recepta Biopharma, criasse um produto inovador (anticorpo monoclonal) que acaba de ser licenciado para os Estados Unidos, visando o desenvolvimento de remédio para o tratamento de câncer. Segundo Leda, é a primeira vez que o Brasil não está comprando uma tecnologia do exterior. Ao contrário, "estamos vendendo para os EUA a tecnologia de um novo produto, moderno, para a saúde humana“. As vendas do setor de biofármacos superaram US$ 160 bilhões no ano passado. “Hoje em dia, o setor biofarmacêutico já representa 20% das vendas da indústria como um todo. E é um percentual crescente”, adiantou.

A professora Leda informou que dos 41 mil novos produtos para a saúde humana com testes clínicos em andamento no mundo, 40% são produtos biotecnológicos. “O setor biofarmacêutico está se tornando cada vez mais importante”, segundo ela. Na avaliação dela, o Brasil está dando os primeiros passos para participar desse mercado mundial. “Está montando as primeiras fábricas para passar a produzir daqui a alguns anos”, disse.

A produção de biofármacos em cultivos de células animais é o tema do sexto seminário internacional promovido a partir de hoje (27) pelo Programa de Engenharia Química da Coppe-UFRJ. O evento se estenderá até a próxima sexta-feira (31) e reunirá especialistas de universidades e da indústria de 13 países.

Para que o leitor possa entender a importância do seminário, biofármacos são produtos biológicos usados para fins terapêuticos. Leda Castilho explicou que no mundo existem medicamentos tradicionais, como aspirinas, por exemplo, que são produzidos por síntese química. Mas desde a década de 1980, começaram a chegar ao mercado, “e de forma crescente nos últimos anos”, medicamentos produzidos por biotecnologia. "São medicamentos que a molécula é muito mais complexa. Por isso, não dá para produzir pelas vias tradicionais, e tem que usar biotecnologia na fabricação. Eles usam células que foram, um dia, isoladas a partir de animais. Essa ferramenta é utilizada para produzir os modernos medicamentos biotecnológicos, explicou.

Durante o seminário, serão discutidas todas as etapas para o desenvolvimento dessas biotecnologias e sua aplicação industrial, disse ela. A manipulação genética da célula, visando a produção de uma cópia da proteína humana – para que ela possa ser injetada em um paciente e suprir uma deficiência que ele tenha em produzir aquela proteína, como ocorre em doentes com hemofilia – será um dos temas em debate, adiantou Leda.

Os especialistas vão discutir desde a modificação genética da célula até a propagação dessas células com a cópia do gene humano, de modo a que elas produzam grande quantidade da proteína humana. A purificação dessa proteína e aspectos regulatórios e de mercado, envolvendo a realização de testes em animais e testes clínicos (em humanos), também estarão na pauta do seminário, disse Leda Castilho. Os especialistas abordarão ainda outros produtos biológicos relevantes também fabricados a partir de células animais, como vacinas e terapias celulares.

domingo, 26 de julho de 2015

Ex-beneficiário do Bolsa Família, estudante brasileiro apresenta projeto sobre hanseníase em Bruxelas.

Do Portal Brasil.


ESIMundi


Trabalho foi um dos 20 escolhidos para a Expo-Sciences Internacional; mãe destaca importância do Bolsa Família para garantir que jovem chegasse ao ensino superior

Aos 19 anos, o jovem estudante de Comunicação Social, Raimundo Otávio Ribeiro Neto, morador de Campo Maior (PI), embarca neste sábado (18) para Bruxelas, Bélgica, para representar o Brasil na Expo-Sciences Internacional (ESIMundi).

Raimundo e Nazaré Andrade, colega do estudante, desenvolveram o projeto Diagnóstico e acompanhamento dos casos de hanseníase nas unidades básicas de saúde na zona urbana de Campo Maior, que ganhou o direito de representar o Brasil em um dos maiores eventos científicos do mundo após ter ganhado o título de melhor projeto da II Feira de Ciência e Engenharia do Estado do Amapá.


“É uma satisfação representar meu estado e meu País. Meu objetivo é levar o projeto para a universidade”, destaca. A viagem está sendo custeada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).

O estudante desenvolveu o projeto durante o ensino médio no curso profissionalizante de Técnico em Enfermagem no Centro de Ensino Profissionalizante de Tempo Integral, quando descobriu que seu município apresentava dados preocupantes de hanseníase. “Temos 45 mil habitantes e 80 casos da doença”, conta Raimundo.

Os jovens então resolveram trabalhar no projeto e realizar o sonho de conscientizar as pessoas, por meio da divulgação em veículos de comunicação, sobre a importância do tratamento da doença. “Multiplicamos a informação para minimizar o preconceito e mostrar que o tratamento é simples, leva de seis meses a um ano.”


Maria Amparo, mãe de Raimundo, conta que a educação sempre foi vista pela sua família como algo essencial para que eles pudessem ter uma vida melhor.  Até o mês passado, a família era beneficiária do Bolsa Família. Maria Amparo utilizava a complementação de renda para alimentação e na compra de remédios. Raimundo reforça a importância do programa. “Na escola, alguns alunos tinham melhores condições. Com o Bolsa Família, conseguimos comprar uniforme, sapatos, material escolar.”

A irmã, Jamile Loides Otávio Ribeiro, 23 anos, também ingressou na faculdade. Ela está cursando licenciatura em Biologia na Universidade Estadual do Piauí, em Campo Maior. No ensino médio, fez curso técnico de Higiene Bucal. Ainda concluiu um curso profissionalizante de Maquiadora, pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Maria Amparo conta que devolveu o cartão do Bolsa Família porque a filha conseguiu um emprego com carteira assinada. “Jamile foi umas das 10 selecionadas, entre 80 candidatos, por uma rede de farmácias para trabalhar como operador de caixa. Teve prova de português e matemática, entrevista e teste psicológico.”

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ministério da Saúde garante construção de primeira fábrica de equipamento para radioterapia no Brasil.

Iniciativa equipará o SUS com mais 80 equipamentos, economizando cerca de R$ 40 milhões, além de gerar empregos. Os equipamentos produzidos no Brasil terão pelo menos 40% de conteúdo nacional.



Brasil terá primeira fábrica de equipamento para radioterapia
Da EBC

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, assinou contrato hoje (2) com a empresa Varian Medical Systems para construção da primeira fábrica de equipamentos para radioterapia da América Latina. A indústria ficará em Jundiaí, São Paulo, e tem previsão de entrar em funcionamento no final de 2018. As máquinas são usadas no tratamento de câncer.



Dos arquivos do blog:

O acordo prevê que o governo brasileiro compre 80 aceleradores lineares da empresa, que serão distribuídos para hospitais que não têm o aparelho e para hospitais cujas máquinas precisam ser renovadas. Cada equipamento chega a custar R$ 2,1 milhões, mas, pela negociação, deve ficar em R$1,6 milhão. Atualmente a rede pública de saúde conta com 261 aceleradores lineares.

A iniciativa conta com investimento de R$ 500 milhões para a compra dos aceleradores, as obras de ampliação e a criação de serviços em estados e regiões que não disponibilizam os equipamentos. A previsão é que os aparelhos sejam entregues até de 2018, porque são necessárias obras para a instalação e treinamento de pessoal.

Para firmar parceria, a Varian ganhou licitação em 2013. “Nós fazemos a compra dos equipamentos e, em contrapartida, a empresa vencedora instala a fábrica no Brasil”, explicou o ministro. Segundo ele, o acordo assegura a produção dos equipamentos e a manutenção das máquinas, além de transferência de tecnologia para os institutos tecnológicos brasileiros.

A parceria prevê também a instalação de um centro de treinamento da Varian, para profissionais de toda a América Latina que lidam com esse tipo de equipamento. Segundo o presidente da Varian, Humberto Isidoro, atualmente estes profissionais são treinados em Las Vegas, nos Estados Unidos.

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Brasil terá primeira fábrica de equipamentos para radioterapia da América Latina
Da Agência Saúde

Fábrica é resultado de acordo de compensação tecnológica promovido pelo Ministério da Saúde para maior independência do mercado externo e expansão do tratamento de câncer no país

Um acordo assinado nesta quinta-feira (2) entre Ministério da Saúde e a empresa Varian Medical Systems garantirá ao Brasil a primeira fábrica para soluções de radioterapia da América Latina. A indústria, que será construída em Jundiaí (SP), será a terceira unidade da empresa no mundo a produzir aceleradores lineares, utilizados para a realização de radioterapia no tratamento do câncer. O acordo, assinado na 9ª edição da reunião do Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS), faz parte da compensação tecnológica prevista no Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, lançado em 2012. A previsão é que a unidade inicie suas atividades em dezembro de 2018.

Confira a apresentação.

A compensação será realizada por meio da prática do “Offset”, que alia a aquisição do produto à geração de benefícios industriais, tecnológicos ou comerciais. A iniciativa pioneira na área civil e liderada pelo Ministério da Saúde foi adotada por ser capaz de criar alternativas comerciais que possibilitem maior inserção internacional e também como forma de buscar o fortalecimento tecnológico e o desenvolvimento industrial. Além da fábrica para produção de aceleradores lineares, estão previstas outras ações de desenvolvimento e qualificação de fornecedores locais, desenvolvimento de softwares e a criação de um centro de treinamento e capacitação no Brasil.

"A expansão da radioterapia é um processo fundamental e estruturante, tanto para as pessoas que tem câncer, quanto para o complexo industrial da saúde. Trata-se de um conjunto de iniciativas que vão transformar o Brasil em uma plataforma de negócios para toda a América Latina. Se antes o tempo entre a decisão de se comprar equipamentos e o início de seu funcionamento, demorava cerca de dez anos, agora a expansão levará cinco anos”, garantiu o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Atualmente, tanto os aparelhos, aceleradores lineares, como suas peças e softwares utilizados na programação das sessões de radioterapia e organização da assistência são importados, de forma que seus custos e preços sofrem constantemente com flutuações cambiais e tornam o Brasil totalmente dependente do mercado externo. O acordo dará ao Brasil maior autonomia nesta área estratégica para a saúde em relação ao mercado internacional.

“Este é um projeto absolutamente inovador. Na área civil, é a primeira vez que o modelo offset é usado e o que queremos é que esta seja a porta de entrada para projetos deste tipo no governo brasileiro”, disse o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), Jarbas Barbosa.

O processo de produção nacional pela empresa Varian e qualificação de fornecedores brasileiros deverá ocorrer em um prazo de cinco anos a contar da assinatura do contrato comercial de aquisição das soluções de radioterapia, assinado em dezembro de 2013. No acordo está previsto que a Varian capacite fornecedores para a linha de produção e profissionais brasileiros para garantir que o produto final tenha ao menos 40% de partes, peças, acessórios e software produzidos no Brasil.

A fábrica ocupará uma área 17.500 m² e garantirá a criação de empregos. A escolha por uma cidade do interior de São Paulo, Jundiaí, deve-se a infraestrutura local, com acesso a aeroportos internacionais e de carga, rodovias e porto, bem como a proximidade de centros de ensino e de centros de tratamento de câncer.

“Com a fábrica e o centro de educação instalados no Brasil vamos capacitar todos os profissionais da América Latina. Serão mais de 50 treinamentos por ano e mais de 1000 profissionais capacitados”, informou o presidente da Varian no Brasil, Humberto Izidoro.

ENVOLVIMENTO DE UNIVERSIDADES – O processo de transferência de tecnologia para a produção dos aceleradores lineares e os softwares utilizados nas sessões de radioterapia envolverá até cinco Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT) do Brasil. O Ministério da Saúde e a empresa Varian lançarão uma chamada pública para a seleção dessas instituições para participarem do centro de treinamento e capacitação que será criado dentro do acordo. A ideia é transferir conhecimento aos engenheiros, físicos e técnicos brasileiros para manutenção dos equipamentos, desenvolvimento, manuseio de softwares específicos que auxiliam na programação das sessões de radioterapia, entre outros processos.

Nesta quinta-feira (2), será anunciado também acordo de cooperação técnica para o acompanhamento da compensação tecnológica em parceria com os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

EXPANSÃO DA RADIOTERAPIA – Este acordo de compensação tecnológica é um dos desdobramentos do Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) em que o Ministério da Saúde realizou a maior compra pública mundial de aceleradores lineares. Foram adquiridos um total de 80 equipamentos para ampliação da rede pública de atendimento radioterápico. A iniciativa conta com um investimento previsto de cerca de R$ 500 milhões para a compra dos aceleradores, as obras de ampliação e a criação de serviços em estados e regiões que não disponibilizam desses equipamentos. O valor da compra dos equipamentos, elaboração de projetos e acompanhamento de obras, licitados em R$ 119,9 milhões, foram 60% menor que o inicialmente estimado, gerando uma economia de R$ 176 milhões aos cofres públicos até o momento.

Os aparelhos serão destinados à ampliação de serviços existentes e criação de novas unidades de atendimento privilegiando as demandas regionais de assistência oncológica, com o objetivo de reduzir os vazios assistenciais. Assim, 65 municípios, em 22 estados e no Distrito Federal, serão beneficiados com a política de expansão do Ministério da Saúde. Além da compra dos aceleradores, serão licitadas as obras para  a construção dos “Bunkers”, locais específicos destinados a abrigar os aceleradores para garantir a segurança dos pacientes e profissionais.

GECIS – Criado em 2008, o Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS) tem como objetivo promover medidas e ações concretas visando à criação e implementação do marco regulatório brasileiro, referente à estratégia de desenvolvimento do Governo Federal para a área da saúde, segundo as diretrizes das políticas nacionais de fortalecimento do complexo produtivo e de inovação em saúde, bem como propor outras medidas complementares.

Trata-se de um Grupo de articulação intragovernamental coordenado pelo Ministério da Saúde e conta com a participação de representantes do MCTI, MPOG, MF, MRE, Casa Civil, MDIC, ANVISA, FIOCRUZ, BNDES, INPI, ABDI, INMETRO e FINEP. Também tem assento no grupo  representantes da indústria, dos gestores e dos prestadores de serviços em saúde.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Melhora no saneamento reduz em 44% internações hospitalares em 10 anos

Este tipo de notícia não merece primeira página? Se tudo é tão ruim no Brasil, por inusitada, esta melhora não merece destaque? Como brasileiros podem não estar pessimistas, se só notícias ruins ganham as primeiras páginas?


O Brasil conseguiu reduzir em 44% o número de internações hospitalares por doenças relacionadas ao saneamento inadequado, entre 2003 e 2013, revela os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dos arquivos do blog:

Segundo os dados, nesse período, houve especificamente queda de 48,2% nas internações por doenças de transmissão feco-oral e de quase 50% nas enfermidades passadas por contato com a água. Ainda de acordo com o IBGE, as internações por doenças transmitidas por inseto vetor demonstram tendência de queda - entre 2010 e 2013, os registros diminuíram 46,8%.

A gerente de estudos ambientais do IBGE, Denise Kronemberg, observa que "a queda vem ocorrendo devido ao maior acesso da população ao saneamento básico". "Há melhoria das habitações, higiene, abastecimento de água, esgotamento sanitário e até de coleta de lixo", enumerou a pesquisadora. Apesar do avanço, 16% dos brasileiros moradores de áreas urbanas não tinham acesso a saneamento básico. Na zona rural, esse número era ainda maior: 36% não possuiam o serviço.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Brasil sobe 4 posições e fica em 43º entre 133 países em ranking de progresso social.

Da EBC.

2015 Social Progress Index
Mapa do Índice de Progresso Social
Fonte:http://www.socialprogressimperative.org/pt/data/spi/findings



O Brasil ficou na 42ª posição, em uma lista com 133 países, no Índice de Progresso Social de 2015, elaborado pela fundação norte-americana Social Progress Imperative (SPI). O índice leva em conta três grandes áreas: necessidades humanas básicas, fundamentos de bem-estar e oportunidades. Em uma escala de 0 a 100 em cada área, o Brasil ficou com média 70,89, sendo o mais bem colocado do Brics, grupo econômico formado  ainda por Rússia (71ª), Índia (101ª), China (92ª) e África do Sul (63ª).

Dos arquivos do blog:
Forbes: de alguma forma, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza tem sido ignorado.
Desde 2003, número de filhos por família entre mais pobre no NE caiu 26% (frente a 10% no geral).

Na América do Sul, o país ficou atrás do Uruguai (24ª), do Chile (26ª) e da Argentina (38ª). O Brasil subiu quatro posições em relação ao ano passado, quando ficou na 46ª colocação. A Noruega ocupa a primeira posição, com 88,36 pontos, seguida por Suécia e Suíça. A República Centro-Africana está na última posição, com 31,42 pontos, acompanhada der perto por Chade e Afeganistão.

“Na dimensão de necessidades humanas básicas, o Brasil tem desempenho melhor em nutrição e cuidados médicos básicos e tem mais oportunidade de melhorar no componente de segurança pessoal. Na dimensão de fundamentos de bem-estar, o Brasil tem pontuações mais altas no acesso ao conhecimento básico, mas fica para trás no componente de sustentabilidade dos ecossistemas. Na dimensão oportunidade, o Brasil é mais forte em direitos individuais e tem o maior espaço para melhorar no acesso à educação superior”, informa a SPI em seu relatório.

Na categoria de fundamentos de bem-estar, o país teve 76,21 pontos de média, conseguindo nota 96,13 em acesso ao conhecimento básico e 61,49 em sustentabilidade dos ecossistemas. Em necessidades básicas humanas, a média brasileira foi 71,14, alcançando 96,34 pontos no item nutrição e cuidados médicos básicos e 35,55 em segurança pessoal. Na dimensão de oportunidade, o país teve média de apenas 65,33 pontos, conseguindo 75,20 em direitos individuais e 48,05 em acesso à educação superior.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Forbes: de alguma forma, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza tem sido ignorado.

A culpa da péssima "tradução" é toda minha, apesar do Google ter feito quase todo o trabalho.


Independência, de Djanira da Motta e Silva



World Cup Economics: Why Brazil's Bashers Have Got It Wrong
Nathaniel Parish Flannery

No Brasil, a Copa do Mundo gerou protestos de ativistas interessados ​​em chamar atenção para os persistentes problemas com pobreza e desigualdade no seu país. Em 2013, manifestantes seguravam cartazes com mensagens em inglês como "WE DON’T NEED THE WORLD CUP" e "WE NEED MONEY FOR HOSPITALS AND EDUCATION." No entanto, como os cientistas políticos Diego von Vacano e Thiago Silva explicaram em seu excelente artigo para o The Washington Post, "os protestos são paradoxais, porque o Brasil obteve melhorias sociais e econômicas muito significativas desde que o país se candidatou para o evento, em 2003."
De forma mais ampla, a Copa do Mundo de 2014 destaca a ascendência econômica da América Latina na última década. O mar de camisas amarelas que podem ser vistos em jogos da Colômbia e as seções de torcedores mexicanos vestindo verde e torcendo para apoiar a sua equipe são um testemunho do recente sucesso econômico e crescente classe média da América Latina . Segundo o historiador do futebol David Goldblatt  "Imagens da televisão podem ser enganosas, e vestir uma camisa colombiana não é garantia de cidadania, mas o Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, foi inundado de amarelo - talvez 20.000 em uma multidão de 57.000. A mídia chilena tem relatado que até 10 mil torcedores estão fazendo a viagem ao Brasil, e parecia que todos estavam presentes em Cuiabá, quando a seleção passou pela Austrália ".

Em 2011, pela primeira vez na história, a classe média da América Latina superou o número de pobres da região. O Brasil, em particular, se destaca por seu sucesso no investimento em programas sociais e na redução da pobreza.

Pelo o número de camisas brasileiras expostas na multidão nos jogos, a Copa do Mundo do Brasil também está sendo fortemente assistida pela crescente classe média do país. Ainda assim, a percepção de que os gastos com o futebol são um desperdício em um país onde quase um quinto da população vive na pobreza ganhou impulso nas mídias sociais. Fotos deste mural, mostrando uma criança faminta chorando com a visão de uma bola de futebol em seu prato, foram compartilhados dezenas de milhares de vezes no Twitter e no Facebook. Outros usuários do Twitter compartilharam fotos como esta, lembrando fãs da pobreza que eles devem lutar a poucos quarteirões de distância de alguns estádios.

Entretanto, estes desenhos falham em mencionar que o Brasil destinou menos de 2 bilhões de dólares para a construção de estádios. Por outro lado, entre 2010 (ano em que começou a construção dos estádios) e o início de 2014, o governo federal do Brasil gastou mais de 360 bilhões de dólares em programas de saúde e educação. Para colocar isto em perspectiva, o governo do Brasil gastou quase 200 dólares em programas de saúde e educação para cada dólar gasto em estádios da Copa do Mundo. Embora a saúde, a educação e o sistema de transportes do Brasil precisem de investimento melhoria contínuos, os gastos com a Copa do Mundo não eclipsaram em nada os gastos com programas sociais progressistas.

A economia do Brasil é definida pela desigualdade profundamente arraigada. É um país conhecido por favelas e bilionários. De acordo com a Forbes, o Brasil é o lar de dezenas de bilionários, incluindo Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, que, juntos, controlam o maior império de mídia da América Latina, a Globo, e têm um patrimônio líquido combinado é de  28 bilhões de dólares. A empresa registrou 1,2 bilhão de dólares de lucro em 2013.

Segundo a pesquisa da Forbes, "Enquanto a crescente riqueza do país está criando mais milionários e bilionários do que nunca, as famílias ricas estão ficando com um grande pedaço da torta. Dentre os 65 bilionários brasileiros listados pela Forbes na nossa mais recente lista de bilionários do mundo, 25 são parentes de sangue. Oito famílias têm vários membros na nossa classificação." Jorge Lemann, proprietário parcial da Anheuser-Busch InBev, tem um patrimônio líquido de US $ 22 bilhões. Ele é a 30º pessoa mais rica do mundo. As quinze famílias mais ricas do Brasil têm um patrimônio líquido combinado de 122 bilhões, uma soma que é apenas um pouco menor que a produção econômica anual combinada da Costa Rica e do Equador.

Mas, embora seja fácil apontar caros estádios da Copa do Mundo ou longa lista de bilionários do Brasil e fazer comparações com os milhões de moradores do país que ainda vivem em situação de pobreza extrema, tais comparações não conseguem reconhecer o tremendo sucesso que os políticos brasileiros têm tido na erradicação da pobreza na última década. De acordo com um relatório recente do Centro das Nações Unidas para a América Latina e Caribe (CEPAL), em 2005, 38% da população do Brasil viviam abaixo da linha da pobreza. Em 2012, essa taxa de probreza caiu para 18,6% da população.

Em outras palavras, desde 2005, o Brasil efetivamente reduziu em mais da metade o número de seus cidadãos que vivem na pobreza. Em contrapartida, o México, um país cujos políticos estão mais focados na exportação e em salários competitivos, de fato, viu um aumento da pobreza durante este mesmo período de tempo, de acordo com os dados da CEPAL. O Chile, um país há muito elogiado por suas políticas de desenvolvimento econômico, viu um declínio muito menor na pobreza durante este mesmo período. No Chile, a pobreza caiu de 13,7% em 2005 para 11%  em 2011.

A América Latina é a região mais desigual do mundo, e o Brasil, em particular, é conhecido por sua história colonial, que girava em torno da exploração de culturas de rendimento e ajudou fomentar o estabelecimento de uma economia profundamente dividida dos residentes ultra-ricos e ultra-pobres. Na controvérsia sobre a Copa do Mundo, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza de alguma forma tem sido ignorado.

Jason Marczak, especialista em América Latina do "The Atlantic Council", em Washington, me disse: "A crítica ao excesso de custos dos estádios é, na verdade, um grito de que a cidadania do novo Brasil, um Brasil mais de classe média, exige maior transparência e um novo modelo de Estado mais ágil." No momento em que a seleção brasileira de futebol entra em campo, o mundo também deve ter um momento para reconhecer o sucesso dos políticos progressistas do país.

"O Brasil tem feito progressos impressionantes em crescimento sócio-econômico na última década, com dezenas de milhões de pessoas se deslocando da pobreza para a classe média", acrescentou Marczak.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Para o Banco Mundial, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública.

Do sítio da ONU no Brasil.




Sistema Único de Saúde do Brasil – conhecido como SUS – lançou os alicerces de um sistema de saúde melhor para o país, contribuindo para o bem-estar social e a melhoria da qualidade de vida da população, é o que afirma o livro “20 anos de Construção do SUS no Brasil”, recentemente lançado pelo Banco Mundial.
O livro busca analisar a trajetória do programa desde sua criação, destaca progressos trazidos pelo SUS e aponta que, com base nessa experiência e apesar de todas as dificuldades inerentes a um país em desenvolvimento, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública e exemplo para outros países que buscam sistemas mais igualitários de saúde.

Com a criação do SUS, o Brasil foi um dos primeiros e poucos países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a prever na legislação o acesso universal aos serviços de saúde, reconhecendo a saúde como direito do cidadão e dever do Estado.

O livro destaca que os esforços para a ampliação dos gastos em saúde e de uma melhor alocação dos recursos federais e estaduais, privilegiando as áreas e populações mais pobres do país, contribuíram para uma forte ampliação do acesso da população aos serviços básicos de saúde, com importante impacto na redução da mortalidade.

Entre os desafios do SUS, o estudo identifica que o aporte de recursos à saúde precisa ser equacionado e que a capacidade gerencial do sistema ainda é um obstáculo importante. Além disso, há questões reconhecidas sobre as quais é preciso evoluir, como a melhora da qualidade e da coordenação do cuidado e a continuidade da expansão na cobertura da atenção primária.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Hospitais universitários economizam R$ 480 milhões em compras públicas

Matéria do site Brasília em tempo real.






O primeiro balanço da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), uma das estatais mais recentes, criada em 2011 para atuar na gestão dos 46 hospitais universitários federais (HUFs) espalhados pelo país, mostra que um novo modelo de compras de equipamentos médicos, remédios e outros produtos trouxe uma economia de R$ 477 milhões aos cofres da União. O valor é o resultado de dezenas de pregões eletrônicos feitos em dois anos de forma centralizada e em grande escala, estratégia que permitiu reduzir, numa média de 35%, os preços de mercado de mamógrafos, tomógrafos, leitos e antibióticos, por exemplo.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, explica que organizar a política de aquisição dos hospitais federais, onde médicos e enfermeiros recebem formação prática e milhões de pacientes são atendidos via Sistema Único de Saúde (SUS), é um dos objetivos iniciais da Ebserh, subordinada ao MEC.


"Em vez de cada hospital fazer sua licitação, é feito um pregão eletrônico e o ganho em escala aumenta. Se cada compra fosse feita individualmente, os desembolsos seriam de R$ 1,4 bilhão, mas fechamos nos pregões por R$ 914,7 milhões. Conseguimos, por exemplo, comprar mamógrafos com valor unitário inicial de R$ 204 mil por R$ 92,2 mil", relata o ministro.

O presidente da Ebserh, José Rubens Rebelatto, acrescenta que, antes dos pregões, a estatal e os hospitais universitários fazem um levantamento de estoque e das necessidades de cada unidade para que as compras sejam feitas em escala maior. "O preço cai também porque conseguimos eliminar atravessadores, negociando diretamente com o fabricante. É inteligência de compras", diz Rebelatto.

Segundo Mercadante, toda economia feita nessa área será revertida em investimentos no Programa de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que desembolsou R$ 1,9 bilhão desde 2010 em recursos dos Ministérios da Educação e da Saúde para reformas, novos leitos e aquisição de equipamentos e remédios.

No momento o projeto, de responsabilidade da Ebserh, executa 147 obras e prevê a abertura de cinco novos hospitais universitários federais até 2018. A estatal também responde pela modernização do sistema de informática e pela nova política de contratação e treinamento de pessoal, que tem hoje 72 mil profissionais e oferta de mais de 11,2 mil leitos do SUS.

Está em fase final o fechamento de pregão para informatizar a rede. O modelo a ser replicado nos 46 HUFs será o aplicativo eletrônico de gestão hospitalar do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nessa unidade, todos os registros, da entrada do paciente à emissão de uma receita por um médico, são feitos digitalmente em computadores ou tablets. "Quando um médico prescreve alguma medicação no consultório, o sistema acusa automaticamente no almoxarifado e logo é emitido um pedido eletrônico de reposição", explica Mercadante.

Na área de pessoal, a Ebserh tem o poder de chamar concursos públicos para contratar conforme as necessidades dos hospitais via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e não pelo tradicional sistema de contratação do funcionalismo. "Assim como a 8.666 [lei de licitação do setor público], o RJU [regime jurídico único] não é a melhor maneira para fazer funcionar um hospital. Primeiro porque não acompanha os salários do mercado, gerando grande rotatividade, depois é lento na reposição de profissionais", aponta Rebelatto.

Para fugir desse engessamento, muitos hospitais universitários criaram fundações privadas nos últimos anos para ter mais agilidade na contratação. Dos 72 mil profissionais da rede, 26 mil são empregados dessas entidades, contratados com carteira assinada ou como autônomos. Além de contratar mão de obra nova, a Ebserh pretende levar para o regime de CLT todos os profissionais de fundações. Nos próximos anos, a estatal prevê contratar 50 mil celetistas - já contando a regularização de trabalhadores das fundações.

Para participar dos editais da Ebserh, os hospitais universitários precisam assinar contratos de gestão, elaborar um diagnóstico e seguir uma série de indicadores de qualidade. Dos 46 hospitais, 34 aderiram ao modelo de contratação da Ebserh, mas a maioria ainda não formalizou a parceria. Para os sindicatos do setor, esse movimento é manobra de privatização.

"Não se trata disso, a Ebserh é uma empresa pública que não vai interferir na autonomia acadêmica dos hospitais. No âmbito de pessoal está trazendo mais agilidade administrativa, com a regularização das contratações das fundações - que usam recursos do SUS para pagar autônomos, por exemplo", diz José Roberto Ferraro, diretor-superintendente do Hospital São Paulo, o HU da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

No Maranhão, o hospital da federal do Estado, a UFMA, se beneficiou com a política de compras e de obras e está com o contrato de gestão assinado com a Ebserh. Nos próximos dias, a estatal lançará edital para a contratação de 790 profissionais, a maioria para substituir os atuais 757 trabalhadores da fundação do hospital universitário, considerados "precarizados". Além disso, o Ministério do Planejamento autorizou a abertura de 1,2 mil vagas futuras para a unidade, que passa por expansão.

"Temos 573 leitos e 1,9 mil funcionários, uma média baixa de profissional por leito [de 3,3, recomendação do Ministério da Saúde é de, no mínimo, 5]. Nossa demanda é muito grande porque somos o único hospital do Estado credenciado para fazer transplantes. Nosso fluxo é de 1,5 mil pacientes por mês, temos que ser eficientes ao extremo para minimizar as longas filas. Antes não tínhamos a quem recorrer em termos de apoio de organização, de gestão e até da parte financeira. Com as reformas, os novos equipamentos e a chegada de mais gente nos sentimos mais apoiados", conta Joyce Lages, superintendente do hospital universitário da UFMA.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A vantagem de uma mente levemente deprimida: o realismo.


Two Faces of Miroslava, de Jan Saudek
Two Faces of Miroslava, de Jan Saudek.

“(…) Em seu livro Positive Ilusions, Shelley E. Taylor mostra de forma deliciosa as mil e uma maneiras como as pessoas alegres iludem a si mesmas. Uma das mais tocantes é a crença, defendida por noventa por cento de todos os motoristas de automóveis, de que dirigem ‘melhor que a média’ – uma impossibilidade estatística. Como revela Taylor, os levemente deprimidos tendem a não alimentar tais ilusões gratificantes:


‘as pessoas normais exageram sua competência e sobre até que ponto são bem-amadas. As deprimidas, não. As normais relembram o passado com um brilho róseo. As deprimidas são mais imparciais ao recordar seus sucessos e fracassos. As normais descrevem-se como basicamente positivas. As deprimidas descrevem tanto os próprios defeitos quanto as qualidades. As normais assumem o crédito por desfechos bem-sucedidos e tendem a negar a responsabilidade pelos fracassos. As deprimidas se responsabilizam tanto pelos sucessos quanto pelos fracassos. As normais exageram o controle que têm sobre o que se passa à sua volta. As deprimidas são menos vulneráveis à ilusão de controle. As normais acreditam, até um grau irrealista, que o futuro lhes reserva uma infinidade de coisas boas e poucas ruins. As deprimidas são mais realistas em suas percepções do futuro. Em todos os pontos em que os normais exibem acentuada auto-estima, ilusões de controle e visões irrealistas do futuro, os deprimidos não mostram a mesma tendência. ‘Mais triste, porém mais sábio’, parece aplicar-se à depressão’.


Mais triste, porém mais sábio, é todo aquele qie sofre de depressão leve, prossegue Taylor. Enquanto as vítimas de depressão grave distorcem de fato os aspectos negativos da vida, as levemente deprimidas são, possivelmente, observadores mais perspicazes. Percebem com clareza cristalina que, quando o copo está meio cheio, também está vazio até a metade.”
John J. Ratey e Carherine Johnson, in Síndromes Silenciosas.


*****

Essa história de como o deprimido enxerga o tal copo com um pouco de água me lembrou deste textinho velho aí embaixo. Na verdade, não passa muito da transcrição de um chiste do Woody Allen sobre o tema.

Forma e conteúdo.

O conteúdo de um copo, sua descrição e a personalidade de alguém. Os três elementos de um dos mais irritantes entre os muitos clichês que povoam nossas conversas cotidianas. O argumento é quase onipresente na boca de polianas em geral, que o consideram definitivo em sua suposta vitória sobre a realidade e sobre aqueles que não temem encará-la de frente. Pois bem, na minha opinião, gira em torno dele o ponto alto de Scoop, de Woody Allen.

Achei o filme mesmo um copo meio vazio, mas, como não sou grande fã de Mr. Allen, vazia talvez seja a minha cabeça.

Sei que, lá pelas tantas, como Sid insiste em tentar abrir-lhe os olhos, Sondra apela para o chavão. "O problema é que você sempre vê o copo meio vazio", diz ela. A o quê Sid responde: "Não, eu vejo o copo meio cheio. De veneno."

Ele estava certo - quem viu o filme, sabe.

sábado, 24 de setembro de 2011

PML: nosso Tea Party (...) anti-social se esconde atrás da bandeiras extremistas, que fingem não ser de direita nem esquerda.

Texto publicado no sítio da Revista Época.

Ballerina, de Jan Saudek.

Paulo Moreira Leite

Mede-se o grau de desenvolvimento político de um país pela transparencia de suas disputas cotidianas. Neste sentido o universo  político americano é mais avançado do que o brasileiro.

Um bom exemplo é o Tea Party. Trata-se de um grupo de extrema direita fanatizado, que tem um respeito absoluto e reverente pelo mercado.

Diz acreditar que o indivíduo é a principal alavanca do progresso humano. Condena o Estado acima de quase todas as coisas — menos para realizar  guerras de conquista. Afirma, querendo ser levado a serio, que toda medida destinada a criar um regime de bem-estar social não passa de um esforço na direção de uma ditadura comunista.

É ridículo, como cultura política, e regressivo, como fenômeno histórico. A crise economica dos EUA, grande parte provocada por essas idéias, é uma demonstração do caráter nocivo deste condomínio conservador. Mas é mais honesto do que ocorre no Brasil.

Nosso Tea Party é difuso, anti-social e não se apresenta como tal. Esconde sua visão de mundo atrás da bandeiras extremistas, que fingem não ser de direita nem esquerda.

Está presente nos partidos políticos, mas também em artigos da mídia e em gabinetes de alto poder econômico e decisiva influencia política.

Seu discurso considera o Estado é uma entidade mal-assombrada que só deveria existir para perseguir os desajustados e os inconformados. Combate toda idéia que poderia levar a uma melhoria na proteção social e denuncia qualquer esforço para diminuir a concentração de renda.

Agindo num país muito mais pobre e desigual do que o original americano, nosso Tea Party faz uma tradução adaptada e empobrecida da mesma retórica.  Procura se esconder atrás de causas universais para esconder que se move em nome de interesses bem particulares.

Nessa versão tropicalizada, alega que tudo o que sobrevive às voltas do Estado não é embrião de comunismo mas fruto de um roubo. Como os originais americanos, nosso Tea Party adora o setor financeiro. Seus integrantes falam como se fossem anarquistas de direita mas, num tributo (sem ofensa) às mazelas nacionais, seus verdadeiros líderes e inspiradores tiveram vários flertes e até muito mais do que isso nos tempos da ditadura militar.

Em matéria de liberdades públicas, nosso Tea Party confunde liberdade de expressão com direito de venda. É contra todo e qualquer protecionismo, a menos que se destine a proteger seu mercado.

Mas alimenta uma doutrina contra uma intervenção dos poderes públicos, mesmo que patrocinada por autoridades escolhidas pelo voto popular, para modificar a distribuição de renda e assegurar benefícios aos brasileiros que não tem renda para adquiri-los. Acham que combater a desigualdade social é ir contra a natureza humana.

Por coerencia, nosso Tea Party é contra um regime de saúde pública, que considera errado  num país grande e baixa renda per capta como o nosso. Os sistemas públicos tendem a nivelar as pessoas e, de seu ponto de vista, isso é ruim.

Os mais atirados dizem que o SUS é uma utopia socialista, inviável em função de nossa renda per capta — seguindo um raciocínio que leva a crença de que o salve-se quem puder deveria virar artigo da próxima Constituição.

Os mais preparados preferem a linha policial. Alegam que todo aumento de gasto nessa área será desviado e roubado. É irracional e irreal mas funciona. Um número impressionante de brasileiros acredita nisso sem fazer contas simples.

É difícil saber quem rouba de quem quando se constata que nossa saúde privada consome 55% de todos os gastos com saúde do país mas só atende 25% da população. É um imenso e escandaloso programa de transferência de renda ao contrário. Todo dinheiro gasto com saúde pelo cidadão comum pode ser descontado do imposto de renda, privando o Estado de recursos que seriam úteis para a educação, para as obras públicas e até para a saúde. Mas estamos falando de ideologias, não de realidades.

Uma pessoa que tem um plano de saúde privado razoável irá gastar em torno de R$ 400 por mes ou mais.  São R$ 4800 por ano. Nem em dez anos deixaria uma quantia equivalente se tivesse de pagar uma contribuição de 0,1% em sua movimentação financeira como contribuição a saúde.

Continuaria tendo direito a assistencia médica mesmo que perdesse o emprego e não tivesse um centavo no banco. E faria parte de um sistema onde aqueles que tem mais pagam mais. Pode não ser correto do ponto de vista da igualdade alimentado pelo Tea Party. Mas é o justo conforme o padrão ético de muitas pessoas e toda escola progressista de diminuição da desigualdade.

Com frequencia, sempre que tem de enfrentar uma cirurgia delicada o cliente de um plano privado tem de travar uma longa batalha para valer seus direitos, que nem sempre serão respeitados. Nem todos os remédios nem tratamentos que sua doença exige serão oferecidos de forma gratuita. Como acontece também no SUS, poderá ser forçada a lutar por eles na Justiça. Mas o cidadão do plano privado não acha que está sendo roubado quando paga sua mensalidade.

Tampouco fica inquieto quando seus médicos fazem greve para denunciar ganancia patronal.  No fundo, recusa-se a acreditar numa realidade matemática: os planos de saúde só podem ficar de pé enquanto não precisam entregar os serviços que cobram. No dia em que você precisa mesmo desses serviços, é expelido dos planos, ou forçado a pagar mensalidades inviáveis para a maioria das pessoas da mesma faixa de risco. Não é maldade. É plano de negócios.

Um raciocínio parecido aplica-se a Previdencia Social, cuja falencia é anunciada periodicamente como uma fatalidade técnica — mas que tem apresentado uma contabilidade menos complicada ano a pós ano, graças a uma política oficial que faz o óbvio e apenas ele: defende os empregos formais, facilita o registro em carteira e multa a empresa que não cumpre suas obrigações.

Nesse terreno dificil, o Tea Party deixa no ar a sugestão de que a aposentadoria privada é uma alternativa séria e que a Previdencia, quanto menos dinheiro tiver, menos roubará. O problema é que as previdencias privadas até podem ser úteis para quem pode pagar por elas, mas todo analista sério sabe que nenhuma oferece os mesmos benefícios, pelo mesmo preço, como o INSS.

Há uma boa razão para nosso Tea Party assumir uma identidade esquiva e fugidia. Seu discurso pode até existir nos Estados Unidos, país com uma história muito diferente da nossa, onde a economia privada atingiu uma força sem paralelo na América ou no Velho Mundo. No Brasil, com uma condição histórica muito diferente, um grau de desigualdade maior e carencias também maiores, o Estado oferece um padrão mínimo de assistencia que não é desprezível, embora seja totalmente insuficiente. Nesse geografia, o Tea Party só pode atuar na sombra, procurando causas universais para interesses bastante privados.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Paulo Moreira Leite: há saúde gratis?


Paulo Moreira Leite - 8/09/2011

Nove meses depois da terceira derrota consecutiva nas urnas, a oposição permanece firme em sua estratégia pós-eleitoral: fingir que não se sabe qual a mensagem produzida pelo eleitor para tentar bloquear toda iniciativa do governo que não lhe interessa.

É do jogo democrático. Aquilo que se perde nas urnas tenta-se recuperar nos bastidores.
Vale tentar. Só não vale se fazer bobo nem criar histeria.

Esse debate tem relevancia especial quando o governo Dilma dá sinais de que pretende levantar recursos para financiar a saúde pública, que podem incluir a criação de uma taxa semelhante à CPMF que foi exinta (por 1 voto) no Senado. O fim da CPMF foi única vitoria da oposição no segundo mandato de Lula.

Detalhe político: os principais líderes da votação foram incapazes de renovar seus mandatos nas urnas nas eleições seguintes. Que vexame, não?

Detalhe nos costumes: as investigações da Operação Castelo de Areia revelaram que se criou um esquema de verbas clandestinas para financiar a bancada que derrubou a CPMF. Foram milhões de dólares desviados de estatais ligadas ao PSDB e a grandes empreiteiras, num esquema articulado pela FIESP.

Listas de arrecadadores foram publicadas em jornais e revistas, com datas, valores, origens. O repórter Walter Nunes publicou na Época reportagens muito instrutivas a respeito. Havia quantias, nomes, e até cargos.

Mas, talvez pela falta de um porta-voz tão articulado como o ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão do PT, desta vez ninguém falou do mensalão anti-CPMF. Seria muito mais honesto e divertido, concorda? Também ajudaria a entender tamanha combatividade da bancada da oposição para derrotar uma idéia que nasceu no governo de Fernando Henrique Cardoso, por obra de um médico tão respeitado como Adib Jatene. Até por uma questão de respeito a si mesma,  a oposição não deveria ter combatido a CPMF com tanto empenho assim.

Já disse em mais de uma ocasião que, no debate sobre verbas para a saúde, Dilma precisa chamar Warren Buffett, o bilionário americano que declarou que acha injusto pagar tão poucos impostos impostos em meio a uma crise tão grande.

É isso. A crise mundial levou bilionários do mundo inteiro a aceitar a idéia de que os ricos também podem colocar a mão no bolso e fazer um pouquinho de sacrifício para ajudar seus países a tirar o pé da lama. E isso pode implicar, no Brasil, em pagar 0,1% de sua movimentação bancária para ter hospitais melhores, médicos mais aplicados, enfermeiros melhor treinados. (O,1% equivale à milionesima parte da movimentação bancária de uma pessoa. Se você movimenta R$ 120 000 por ano, faça a conta de quantos reais irá deixar na CPMF por esse período… [Tá com preguiça? Então, lá vai: dá R$ 120,00 por ano, ou  R$ 9,23 por mês para um salário de R$9.230.])Mas a proposta está ainda em estudos, ninguém sabe qual é a idéia, exatamente. Só não vale empurrar para o Pre-Sal, que só começa a jorrar alguma coisa depois de 2015, quando muita coisa pode mudar no ambiente político, vamos combinar.

E não vale dizer que é preciso cortar primeiro os gastos para cobrar uma nova taxa depois. Afinal, ninguém quer fazer mau juizo da competencia do governo do PSDB para examinar as contas do governo, não é mesmo?

Verdade que parte das verbas da saúde foram desviadas de suas funções originais e será preciso cuidar para evitar novos abusos. Também é preciso dar conta de imensos problemas de gestão que o Estado brasileiro enfrenta e que se manifestam no setor. Mas não vamos brincar com as dores e doenças dos outros.

Não vamos por a mão na cabeça e fingir num gesto dramático que é preciso refundar o Brasil toda vez que se quer encarar um problema sério. Essa é a melhor forma de não resolver nada.

A idéia de criar novas taxas é inatacável do ponto de vista de um governo ocupado em controlar suas despesas. Madrinha de novos e velhos conservadores, a primeira-ministra britanica Margaret Tatcher não se cansou de fazer isso.

O patrono dos economistas do Estado minimo, Milton Friedman, dizia que não há almoço gratis. Verdade. Entre num posto de saúde perto de sua casa e responda rápido: há saúde gratis?