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quarta-feira, 25 de maio de 2016

O ódio e cada um de nós. O ódio e eu.

Isto não é um artigo; isto não tem qualquer relevância. É um questionamento pessoal, um desabafo, um descarrego, uma descarga. E, como tal, terá, é provável, o conteúdo e forma do que normalmente vai nelas. Será publicado sem revisão ou releitura.

A gente, quase todo mundo, se impressiona com o caldo de ódio em que nos metemos. A gente, quase todo mundo, se assusta com ele. A gente, quase todo mundo, o critica. A gente, quase todo mundo, vai sendo arrastado para ele sem perceber. A gente faz parte: de dentro; de fora calando; de fora sendo arrastado; de fora criticando, talvez também.

Aliás, de fora criticando, a gente pode também acabar inviabilizando o debate. De fora criticando, a gente pode acabar louvando a imparcialidade inoportuna, a isenção e o cinismo.

Mas isso não vem ao caso.

O “caso” é até que ponto podemos ir na tomada de posição, na crítica, sem caminhar para o ódio. O “caso”, na verdade, é até onde eu quero ir na tomada de posição? Toda crítica contundente é expressão de ódio? 

*****

Durante muito tempo, meu irrelevante perfilzinho fake no Twitter tentou manter certa moderação. Que eu me lembre, nunca xinguei ninguém, por mais ácido que tenha sido. Que eu me lembre, nunca participei de linchamentos, ao menos não intencionalmente e com agressões baixas.

Sempre tentei não entrar nessa, pois: (a) não gosto; c) nunca achei produtivo; e (c) achava injusto fazê-lo sem dar a cara a tapa, usando um fake (ou pseudônimo, já que nunca fingi ser outra pessoa ou usei qualquer estratégia pra me esconder). 

Mas isso também não vem ao caso.  Ou melhor, isto aqui tá ficando com cara de autodefesa – não era a ideia.

*****

Ontem, uma das pessoas mais gentis e corretas (intelectualmente honestas) que o Twitter me deu o prazer de seguir parece ter sido alvo das matilhas que caçam por lá. E, claro, sofreu imerecidamente (existe sofrimento merecido?).

E é aí que, mesmo sem ter participado, entro eu e este descarrego.

Não, eu não concordo com todas as conclusões a que ela chegou. Não sei se todas as críticas pesadas são linchamento; não sei se todos que as fazem são mesmo parte de matilhas; não sei se a intenção sempre é mesmo destruir e calar o criticado; e não sei se o perfil do criticado não tem que entrar no juízo sobre o crítico (crítico, não o pura e simplesmente agressor).

Mas sei que há certa razão na indignação.

E tenho que pensar sobre o que posso mudar: eu.

*****

Há uns meses, fixei um tuite no perfil mais ou menos assim: moderação; tinha, mas acabou.

Foi ali pela mesma época em que, diante da nossa situação, achei que o momento impunha o suicídio do pseudônimo. Cara e nome real foram para o perfil.

Ele, é claro, manteria a mesma razão de ser: o espernear, os desabafos irrelevantes de quem não é ninguém na fila do pão. Mas, em momento tão crítico, os desabafos tendiam mesmo a perder qualquer moderação – ou deixariam de serem desabafos.

E usar a própria cara e o próprio nome me liberou para “confrontar” (com aspas, pois minha adorada irrelevância inviabiliza elevar meus chistes à confrontação) diretamente alguns formadores de opinião, em sentido amplíssimo.

Que me lembre, por mais ácido que tenha sido, nunca xinguei ninguém. E só confrontei pessoas cujas posições, me parece, lhes conferem certa responsabilidade social, pessoas com lugar na fila do pão (função + visibilidade + uso dessa conjunção de fatores).

*****

Não posso fingir que não vi acontecer. Mas parece que, pela soma destas desculpas autocomplacentes (?), talvez não tenha enxergado.

Não xinguei. Ok.

Sou irrelevante. Ok.

Os alvos eram atores socialmente responsáveis. Ok.

Mas e daí?

Mesmo sem intenção de atrair matilhas, mesmo que as minhas confrontaçõeszinhas não pretendam conscientemente calar ninguém, mesmo que sejam só o espernear possível para um "fora da fila de pão", a verdade é que elas não levam a lugar nenhum.

Ou melhor, talvez sim. Talvez (certamente?) me levem em direção ao ódio. Talvez (certamente?) sejam mais um pinguinho no caldo de ódio, que ameaça nos escaldar a todos.

Provavelmente, é uma ideia boba. Mas tenho a impressão que estas coisas meio amorfas, os sentimentos pessoais e sociais, se acumulam. Quanto mais cada um afirma a própria raiva, ela vai acumulando em si - e nos grupos, na sociedade. Ela vai acumulando e levando cada um, e a sociedade, a este transbordar de ódio.

E, claro, nada de bom pode vir daí. A raiva e o ódio não nos ensina nada – pessoalmente ou socialmente. 

Acho.

E não quero. Não quero.

Ainda vou pensar melhor sobre a legitimidade do uso das redes sócias pelos “sem voz” para a confrontação dos atores socialmente responsáveis em função do poder de suas vozes.

Provavelmente, nunca acharei isso realmente errado – dentro de alguns padrões, que não incluem agressões e linchamentos organizados.

Mas não. Não quero.

Não vou criticar a utilização moderada das redes sociais pra falar com os atores sociais “relevantes”, para confrontá-los.

Mas não. Não quero. Não está sendo bom.

*****

Os fatos de ontem me ajudaram a acordar para o cheiro ruim que vinha sentindo.

Estava tão próximo, que não poderia mesmo vir só dos outros.

****

Enfim, vou tirar aquele alerta fixado no meu perfil.

E procurar um novo lugar na escala de moderação.

Vou tentar achar um lugar que não transforme minha permanência no Twitter em acumulação improdutiva de raiva.

Este lugar vai continuar crítico – ou o perfil não teria razão pra existir.

Este lugar vai continuar tendo os desabafos – ou o perfil não teria razão pra existir. 

Mas, principalmente, este lugar vai tentar não confrontar @s pessoais, mesmo de atores socialmente responsáveis. Não acho que seja relevante pra isso, mas não quero provocar matilhas. Diante do quadro, não acho que adiante, mas não quero fomentar (e fermentar) minha raiva.

Este lugar vai, enfim, tentar não participar do enchimento do caldeirão de ódio. Seja lá o que isso signifique.

Quem sabe se, sem pessoalizar a indignação, ela se torne algo mais produtivo que raivinhas – e ódio.

*****
In dubio, mea culpa. (Esse latim deve estar errado, mas a piadinha vai ficar aí.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Moro, a Lava Jato e as comparações com a Mãos Limpas, na visão de um historiador inglês.


Este texto, porcamente traduzido, é apenas um trecho de um artigo escrito pelo historiados inglês Perry Anderson.

O link para o artigo, que merece a leitura, está embaixo.


Nesta dramática escalada de crise política, o jogador central foi o Judiciário. A noção de que a operação de Moro em Curitiba agia com imparcialidade, inicialmente defensável, foi arruinada com o teatro gratuito, orquestrado com a mídia, de seu ataque de madrugada a casa de Lula, seguido de uma mensagem pública saudando as manifestações pelo impeachment de Dilma: "O Brasil está nas ruas", ele anunciou. "Estou tocado".


Em seguida, com a publicação de escutas de um telefonema entre Lula e Dilma, feito horas depois que a gravação deveria ter sido interrompida, ele quebrou a lei duas vezes: violou o sigilo que cobre tais interceptações, mesmo quando permitidas, para não falar da confidencialidade que supostamente protegeria as comunicações do chefe de estado. Eram tão patentes essas ilegalidades, que elas levaram a uma morna repreensão do juiz do Supremo Tribunal Federal, a quem Moro formalmente responde, mas nenhuma sanção foi imposta. Apesar de 'inadequado', seu superior suavemente observou, a sua ação tinha alcançado o efeito desejado.

Na maioria das democracias contemporâneas, a separação de poderes é uma polida ficção, com as supremas cortes em geral (a americana é uma exceção intermitente) inclinando-se para a vontade dos governos do dia. As contorções do Tribunal Constitucional alemão, frequentemente lembrado como um luminoso exemplo da independência judicial, confirmando violações da Grundgesetz (Constituição) do país e do Tratado de Maastricht a mando de sucessivos regimes em Berlim, pode ser tomadas como o normal.

No Brasil, a politização da mais alta magistratura é uma longa tradição. A figura ubuesque (absurda?) de Gilmar Mendes talvez seja um caso extremo, mas revelador. Como presidente, Cardoso protegeu seu amigo de acusações legais dando-lhe status ministerial antes levá-lo ao Supremo Tribunal - Mendes agora condena Dilma por fazer isso com Lula. Lá, para evitar a atenção indesejada, Cardoso iria se esgueirar para dentro do prédio, pela garagem subterrânea, para conversar com ele. Flagrantemente partidário demais do PSDB até mesmo para Eliane Cantanhede - "tucano demais" (o pássaro é o símbolo do partido) -, uma entrevistadora admiradora da direita, ele podia ser visto almoçando festivamente com líderes proeminentes do partido após absolvê-los de crimes - e não hesitou em empregar fundos públicos para matricular subordinados em uma escola privada de direito que mantêm, para o lucro, enquanto senta-se, como juiz, no mais alto tribunal da nação. Suas diatribes contra o PT são legendárias.

Sérgio Moro, uma geração mais jovem, é de outra cepa. Os Estados Unidos, que ele costuma visitar, são sua terra de referência. Um batalhador provinciano, ele não deve nada ao clientelismo ou comércio. Mas logo no início - acabara de passar dos trinta - ele mostrou sua indiferença aos princípios básicos da lei ou das regras de evidência em um artigo exaltando o exemplo dos magistrados italianos da década de 1990, "Considerações Sobre a Operação Operação Mãos Limpas ', em termos que anteciparam seus procedimentos de uma década depois.

Sem nenhuma tentativa de pesquisar a extensa literatura sobre Tangentopoli, ele contentou-se com dois encômios do grupo de Milão disponíveis para leitores americanos, citados sem uma de pitada de reflexão crítica, e tomou as alegações de um arrependido chefe da máfia sustentado pelo Estado como um evangelho, apesar de sua rejeição no tribunal. A presunção de inocência não pode ser considerada como "absoluta", ele declarou: é apenas um "instrumento pragmático", que pode ser suplantado pela vontade do magistrado. Os vazamentos para a mídia, ele celebrou como uma forma de "pressão" sobre réus, onde "objetivos legítimos não podem ser alcançados por outros métodos."

O perigo de um sistema judicial atuando neste espírito é o mesmo para Brasil que foi para a Itália: uma campanha absolutamente necessária contra a corrupção se torna tão infectada com desrespeito ao devido processo legal e o conluio sem escrúpulos com a mídia, que, em vez de incutir qualquer nova ética de legalidade, acaba confirmando o antigo desrespeito social com a lei. Berlusconi e sua herança são a prova viva disso.

A cena no Brasil difere da situação em Itália, no entanto, em dois aspectos.

Nenhum Berlusconi ou Renzi estão à vista. Moro, cuja celebridade agora excede a de qualquer um de seus modelos italianos, sem dúvida será chamado a preencher o vácuo político, se a Lava Jato fizer uma limpeza da velha ordem. Mas o destino medíocre de Antonio Di Pietro, o mais popular dos magistrados de Milão, ergue-se como um aviso para Moro, de qualquer maneira, à primeira  vista, mais genuinamente puritano, contra a tentação de entrar na política. O espaço para uma ascensão meteórica também parece ser menor, por causa de uma outra diferença fundamental entre os dois cruzados contra a corrupção. O ataque a Tangentopoli atingiu os governantes tradicionais do país, a Democracia Cristã e o Partido Socialista, que tinham estado no poder juntos por trinta anos, enquanto a Lava Jato fez mira política não nos governantes tradicionais do país, os quais, até agora, poupou, mas nos iniciantes que os substituíram. Ela parece muito mais parcial, e assim sectária.

O sectarismo foi extremamente acentuado por uma segunda diferença entre a Itália da década de 1990 e o Brasil de hoje. Quando Tangentopoli atingiu o sistema político, os meios de comunicação italianos formaram uma paisagem heterogênea. Em geral, jornais independentes tendiam a apoiar o sistema judicial em Milão. O conglomerado do chefe da Olivetti, De Benedetti, onde a maioria dos vazamentos apareceu na imprensa, alardeou as acusações contra Democratas Cristãos e Socialistas, mantendo o maior silencio que podia sobre os outros, que envolviam seu dono. O império de televisão e imprensa de Berlusconi atacou os magistrados. O resultado foi que, com o passar do tempo, houve muito mais questionamento das ações dos diferentes níveis da magistratura - muitas muito corajosas, outros muito dúbias - que no Brasil.

No Brasil, os meios de comunicação têm sido monoliticamente partidários na sua hostilidade ao PT e acrítica da estratégia de vazamentos e pressões de Curitiba, de que tem agido como o caixa de ressonância. O Brasil possui alguns dos melhores colunistas do mundo, cujos escritos analisaram a crise atual em um nível literário e intelectual muito acima do Guardian ou New York Times. Mas essas vozes são em número bem menor que o de uma floresta de conformistas ecoando as perspectivas dos proprietários e editores.

Comparar a cobertura dos meios de comunicação para qualquer vazamento ou revelação danosa ao PT com o tratamento dado à informação ou rumor que afeta a oposição é medir a extensão de seus padrões duplos.

Enquanto a Lava Jato se desenrolava, um exemplo pungente cintilava, Em 1989, um dos mais famosos pontos de virada da história moderna brasileira, Lula, então ainda um radical perigoso, aos olhos do estabelecimento, tinha ao seu alcance a vitória em sua corrida inicial para a presidência. Alguns dias antes do votação decisiva, uma ex-namorada apareceu em um programa de televisão do seu adversário, Collor, paga pelo irmão de Collor, acusando Lula de querer abortar uma criança que ela esperava. A repercussão, ampliada ao limite pela mídia, garantiram sua derrota no dia da votação.

Dois anos mais tarde Cardoso, então senador de destaque do PSDB, já apontado como um futuro candidato presidencial, era conhecido nos círculos políticos por ter uma amante trabalhando para a mesma cadeia de televisão, TV Globo, que arruinou Lula. Quando deu à luz uma criança, ela foi levada a sair do país, para Portugal. Em meados de 1994, após servir como ministro das Finanças, Cardoso estava concorrendo à presidência - e o trabalho dela se tornou cada vez formal, embora a Globo continuasse a pagar seu salário.

Com Cardoso eleito, o seu braço direito, o Magalhães mais jovem, instruiu-a a não retornar ao Brasil por medo de comprometer sua reeleição. Quando a Globo cortou seu salário, um trabalho de ficção foi encontrado para ela, fazendo uma pesquisa de mercado na Europa para uma cadeia de duty-free, com direitos de monopólio concedidos em aeroportos brasileiros por Cardoso. Através desta empresa, seu relato implicaria, Cardoso lavou U$ 100.000 (apoio à criança ou suborno)  para ela através de uma das suas contas nas Ilhas Cayman.

A história veio à tona em fevereiro, no meio do tornado da mídia em torno de acordos imobiliários de Lula. A mídia fez com que ela recebesse a menor cobertura possível. A empresa está agora sob investigação para uma transação penal. Cardoso protesta sua inocência. Ninguém espera que ele sofra qualquer inconveniente.

O mesmo pode ser dito da oposição em geral?

Moro liberou seus grampos incendiárias em 16 de março. Uma semana depois, a polícia de São Paulo invadiu a casa de um dos executivos da Odebrecht, a maior empresa de construção na América Latina, cujo presidente acabara de ser condenado a 19 anos por suborno. Lá eles encontraram um conjunto de tabelas com listas de 316 líderes políticos e quantidades de dinheiro junto a seus nomes. Apareciam figuras importantes do PSDB, PMDB e muitos outros partidos - um panorama da classe política do Brasil. Objetivamente falando, esta lista era um trovão mais alto do que a conversa entre Dilma e Lula. Mas um menos conveniente: de Curitiba, Moro tomou medidas imediatas no sentido oposto, ordenando a colocação das tabelas sob sigilo para evitar mais especulação.

Ainda assim, um alarme tinha soado: a Lava Jato poderia sair do controle. Se Dilma devia ser derrubada, era essencial que isso fosse feito antes que as tabelas da Odebrecht pudessem ameaçar seus acusadores. Dentro de alguns dias, o PMDB anunciou que estava abandonando o governo, e a contagem regressiva para a votação de impeachment começou. A maioria de três quintos da câmara baixa, que parecia muito objetivo no início do ano, estava agora ao alcance.

Opinião respeitável indicou a farsa de um Congresso repleto de ladrões, Cunha encabeçando, solenemente depor um presidente de irregularidade orçamentária.

(...)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O recorte, a ruína e a construção.

Já não é novidade para ninguém: é possível contar mentiras falando só verdades. A cuidadosa organização de fatos e ideias pode construir conclusões, no mínimo, enviesadas.

A Míriam Leitão publicou esta semana um texto com o bombástico título de “A ruína econômica”. Ele trabalha a imagem de Brasil, terra arrasada, tão cara aos construtores da destituição da Presidenta Dilma. E, claro, arruma fatos incontestáveis de forma a induzir a conclusão inafastável: foi Dilma quem destruiu tudo.


Nesta altura do campeonato, acho que ninguém seria capaz de negar a péssima situação econômica do país. Também não dá pra negar a bagunça política e institucional instalada.

Mas talvez dê pra disputar a ordem dos fatores, que, se não altera o produto, pode sim tornar mais complexo o debate a sobre causas, efeitos e soluções.

Por outro lado, talvez existam outros fatores na construção da nossa situação econômica.

Não disponho do instrumental teórico para fazer, a sério, este debate – apesar de ter sim uma opinião sobre o assunto. E, antes que alguém acuse, sim, ela inclui responsabilidades da Presidenta pelo quadro atual.

Contudo, voltando ao texto da Míriam, dá sim para denunciar a estratégia discursiva adotada por ela - com direito a planilha cheia de dados corretos e de muitas lacunas, arrumados, ambos, para legitimar a opinião da jornalista. Na tabelinha (colada lá no final), ela compara dados econômicos do ano da eleição da Presidenta (2010) e atuais, provando que Dilma causou a “ruína econômica”.

O recado é claro: estava tudo ótimo; aí, veio Dilma; aí, tudo foi arruinado.

Então, tá. Não vou nem lembrar que, lá em 2010, a jornalista não dizia que estava tudo ótimo. Mas será que este recorte temporal (defensável, até) não esconde algo?

Fui atrás dos dados – e eles estão na tabelinha abaixo.



É óbvio que estes dados não desmentem o quadro ruim atual. A economia, de fato, vai mal. Mas, ao contrário da impressão passada pelo recorte escolhido pela Míriam Leitão, não, não descemos ladeira direto desde a eleição da Dilma.

Na verdade, alguns aspectos – como o desemprego! – chegaram a melhorar durante a gestão da Presidenta.

O que a Míriam Leitão fez, e, diante da sua experiência, não tenho porque fingir que não foi intencional, foi juntar dados e, principalmente, lacunas, de forma a excluir da análise, e de qualquer conclusão, uma série de fatores interpostos entre as datas que ela escolheu como referencial.

De novo, não tenho o instrumental teórico para fazer a sério o debate sobre as causas da nossa situação atual. Mas, de qualquer forma, parece bem ilógico tirar do debate, dentre outros, os seguintes fatores, cuidadosamente obliterados pelo recorte temporal feito pela Míriam:

- os efeitos econômicos diretos da Lava Jato, que completa dois anos e afetou setores da economia (construção civil e petróleo), investimentos e arrecadação, havendo quem a responsabilize por uma queda de 2% do PIB só em 2015;
- forte queda do preço do petróleo, iniciada em 2014, que também afeta o setor petroleiro (e toda a sua cadeia), com efeitos sobre os investimentos, o crescimento do PIB e claro, a arrecadação; e
- as incertezas políticas, já que, por acaso (morte do Eduardo Campos) ou por ação das oposições, desde meados de 2014, o Brasil não sabe muito bem quem estará no comando dentro de 6 meses.

Vamos pegar como exemplo os dados de 2013 - terceiro ano do mandato da Dilma e antes da "crise política", da Lava Jato, e da queda do preço do petróleo. O país não crescia mais a 7,5%, mas o desemprego havia caído, o IPCA e a dívida bruta não haviam subido e a SELIC estava mais baixa; e a situação fiscal tinha piorado, sim, mas não parece que de forma explosiva. (O dólar tinha subido. Mas isso é ruim?)

Exceção feita ao desemprego, que caiu!, o jogo começa a virar em 2014, ano de eleição, como lembra a Mírian, mas também ano da queda do preço do petróleo, do começo das propagandas da Lava Jato e do início das grandes incertezas políticas.

Mas estes dados e fatores foram intencionalmente escondidos no texto e nesta tabela da Mírian, que, assim, cria sua verdade sem contar nenhuma mentira, constrói com fatos e lacunas a responsabilidade exclusiva da Presidenta Dilma pela nosso situação atual:


******

Fontes dos dados:
Dívida: http://www.bcb.gov.br/htms/Infecon/seriehistDBGGFC.asp
Resultados: Ipeadata : Necessidade de financiamento do setor público (NFSP) - setor público - conceito primário - sem desvalorização cambial - acum. 12 meses e Necessidade de financiamento do setor público (NFSP) - setor público - conceito nominal - sem desvalorização cambial - acum. 12 meses

sábado, 17 de outubro de 2015

FMI repete Dilma: Lava Jato causou queda do PIB brasileiro. Cadê as manchetes?




Em 27 de julho, a Dilma afirmou que a Operação Lava Jato "(...) provocou uma queda de um ponto percentual no PIB brasileiro".

No dia seguinte, O Globo saiu com a capa aí de cima, com a manchete marota, dando a entender que a presidenta fica procurando novos culpados para a crise a cada momento. Entretanto, tudo que ela dissera é que parte da cada do PIB pode ser explicada como efeito das investigações.

O genial economista Rodrigo Constantino publicou um texto sobre o assunto. Compara Dilma a uma criança procurando culpados pelas suas próprias traquinagens, debocha da análise da presidenta, mas não apresenta nenhuma razão que demonstre equívoco da assertiva dela. Sei lá, vai ver que a economista dele estava de férias.


Mais de um mês depois, foi a vez do juiz Sérgio Moro reagir. O magistrado embaralhou as coisas e se saiu com a estapafúrdia comparação: "não é o policial que descobre o crime, o culpado pelo cadáver". Para que a comparação fizesse sentido, Dilma teria que ter culpado a Lava Jato pelas propinas ou pelo sobrepreço em obras. Ou a Lava Jato investiga a queda do PIB brasileiro?

De qualquer forma, acho que o juiz perdeu uma bela chance de ficar calado. Dilma não criticara a operação; ela apenas indicara um efeito colateral adverso da apuração.

Aliás, muitos remédios para doenças graves os tem, e apontá-los não significa crítica ao seu uso. Por outro lado, fingir que estes efeitos adversos não existem impede que se adeque a "posologia" e que se busque maneiras para mitigá-los.

Enfim, agora, passados quase três meses, o insuspeito (neste ponto!) diretor do FMI foi além da Dilma. Ele não disse, como a presidenta, que parte da queda do PIB brasileiro é efeito da Lava Jato. Ele afirmou que a contração da economia brasileira este ano decorre principalmente da "paralisia dos investimentos privados para esperar para ver onde vai dar a investigação dos escândalos", e não apenas de questões macroeconômicas.

Fico pensando: o que Moro pensa disso? Constantino vai pintar lá na sede do FMI e se oferecer para um debate econômico com o diretor do fundo?

Mas, sobretudo, tenho uma dúvida: esta informação não mereceria capa de O Globo? Os leitores do jornal não merecerem receber esta informação? Se o chefão do FMI tivesse dito o contrário, que a Dilma estava errada, a fala teria rendido manchete?


RIO  -  A queda prevista do PIB brasileiro de 3% este ano não é explicada apenas por questões macroeconômicas, mas principalmente por uma paralisia dos investimentos de empresas, diante da expectativa de saber como vão terminar as investigações em curso na força-tarefa da Operação Lava-Jato, afirmou nesta sexta-feira Otaviano Canuto, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

“Estou entre aqueles que acham que a desaceleração do PIB este ano no Brasil não é explicável por questões macroeconômicas stricto sensu. Ela é principalmente explicada por uma paralisia dos investimentos privados para esperar para ver onde vai dar a investigação dos escândalos”, afirmou, durante assembleia do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), no Rio de Janeiro. O FMI espera queda de 3% no PIB brasileiro em 2015.

(Continua)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

S&P: das 15 maiores economias, cinco tem viés negativo, Alemanha e Canadá entre elas.



Então é isso: a Standard & Poor´s reviu a perspectiva do risco econômico para investidores no Brasil.

Mantivemos a nota e o tal "investiment grade", mas, segundo a empresa, a tendência não é boa. Nossa nota pode diminuir na próxima avaliação.

Mesmo que voce, como eu, veja estas avaliações com desconfiança, a notícia não é boa. Muita gente, gente com dinheiro, não compartilha nossa opinião e toma decisões de negócio e investimento olhando para estes "ratings".


Por outro lado, a notícia poderia ser pior. Tinha muita gente por aí prevendo, apostando (torcendo?), que perderíamos o grau de investimento. Ficamos a um passo disso, mas não perdemos. Menos mal. Talvez..

De qualquer forma, triunfantes (com a nossa suposta derrota como país), os insuspeitos analistas de sempre, aqueles mesmo que fingem não existir uma crise mundial, apregoam: "viu, a crise brasileira colocou nossa nota em viés negativo".

Beleza: ponto pra eles.

Mas... será?

Hoje de manhã, a mesma S&P publicou no twitter o gráfico acima, com o risco e a perspectiva de risco das 15 maiores economias mundiais.

E o que ele mostra? Entre outras coisas,

(1) que sim, a S&P nos vê com risco alto - mas empatado com a Espanha e, vejam voces, a China e melhores que a Rússia;
(2) que, dos 15, apenas 2 países tem perspectiva de risco positiva - Reino Unido e a sofrida Espanha (dos 25% de desempregados); e
(3) que mais 4 países tem perspetiva de aumento do risco - Rússia, Índia, Canadá (sim, o Canadá) e Alemanha (isso mesmo, a poderosa Alemanha).

Sei não, mas não me parece exatamente um quadro mundial de economia bombando. Ao contrario, na média, de orelhada, não seria mais sensato falar em uma situação de perspectiva de aumento de risco para a economia mundial? Ou, ao menos, trabalhar com essa hipótese nas análises?

domingo, 26 de julho de 2015

Ex-beneficiário do Bolsa Família, estudante brasileiro apresenta projeto sobre hanseníase em Bruxelas.

Do Portal Brasil.


ESIMundi


Trabalho foi um dos 20 escolhidos para a Expo-Sciences Internacional; mãe destaca importância do Bolsa Família para garantir que jovem chegasse ao ensino superior

Aos 19 anos, o jovem estudante de Comunicação Social, Raimundo Otávio Ribeiro Neto, morador de Campo Maior (PI), embarca neste sábado (18) para Bruxelas, Bélgica, para representar o Brasil na Expo-Sciences Internacional (ESIMundi).

Raimundo e Nazaré Andrade, colega do estudante, desenvolveram o projeto Diagnóstico e acompanhamento dos casos de hanseníase nas unidades básicas de saúde na zona urbana de Campo Maior, que ganhou o direito de representar o Brasil em um dos maiores eventos científicos do mundo após ter ganhado o título de melhor projeto da II Feira de Ciência e Engenharia do Estado do Amapá.


“É uma satisfação representar meu estado e meu País. Meu objetivo é levar o projeto para a universidade”, destaca. A viagem está sendo custeada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).

O estudante desenvolveu o projeto durante o ensino médio no curso profissionalizante de Técnico em Enfermagem no Centro de Ensino Profissionalizante de Tempo Integral, quando descobriu que seu município apresentava dados preocupantes de hanseníase. “Temos 45 mil habitantes e 80 casos da doença”, conta Raimundo.

Os jovens então resolveram trabalhar no projeto e realizar o sonho de conscientizar as pessoas, por meio da divulgação em veículos de comunicação, sobre a importância do tratamento da doença. “Multiplicamos a informação para minimizar o preconceito e mostrar que o tratamento é simples, leva de seis meses a um ano.”


Maria Amparo, mãe de Raimundo, conta que a educação sempre foi vista pela sua família como algo essencial para que eles pudessem ter uma vida melhor.  Até o mês passado, a família era beneficiária do Bolsa Família. Maria Amparo utilizava a complementação de renda para alimentação e na compra de remédios. Raimundo reforça a importância do programa. “Na escola, alguns alunos tinham melhores condições. Com o Bolsa Família, conseguimos comprar uniforme, sapatos, material escolar.”

A irmã, Jamile Loides Otávio Ribeiro, 23 anos, também ingressou na faculdade. Ela está cursando licenciatura em Biologia na Universidade Estadual do Piauí, em Campo Maior. No ensino médio, fez curso técnico de Higiene Bucal. Ainda concluiu um curso profissionalizante de Maquiadora, pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Maria Amparo conta que devolveu o cartão do Bolsa Família porque a filha conseguiu um emprego com carteira assinada. “Jamile foi umas das 10 selecionadas, entre 80 candidatos, por uma rede de farmácias para trabalhar como operador de caixa. Teve prova de português e matemática, entrevista e teste psicológico.”

terça-feira, 30 de junho de 2015

O boom das energias renováveis no Brasil

Três matérias mostram os avanços da geração eólica e fotovoltaica no Brasil.




São Paulo - Os bons ventos continuarão soprando forte e o sol, finalmente, brilhará sobre a matriz energética brasileira nos próximos anos. Até 2040, o Brasil deverá atrair US$ 300 bilhões em investimentos para geração de energia elétrica — a maior parte disso (70%) irá para projetos solares e eólicos, prevê o estudo Energy Outlook (NEO), feito pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

No total, o país vai adicionar 250 gigawatts (GW) de nova capacidade nos próximos anos, chegando a 383GW, um aumento de 189% sem sua capacidade total. Cerca de 89% disso, prevê o estudo, serão compostos de energias renováveis, inclusive de pequenas e grandes hidrelétricas.

Dos arquivos do blog:

No entanto, a grande mudança vem participação das renováveis eólica, solar e biomassa, que deverá saltar do atuais 14% de capacidade instalada para nada menos do que 51% em 2040.

(...)

De acordo com a especialista, a energia eólica, que nos últimos anos cresceu a velocidade de foguete por aqui, receberá R$ 84 bilhões; outros US$ 26 bilhões vão para biomassa, enquanto projetos de grandes e pequenas hidrelétricas receberão US$ 23 bilhões.

Um terço dos US$ 300 bilhões esperados até 2040 — vultosos US$ 125 bilhões — terá fins solares. Projetos de grande escala, com mais de 1 Megawatt (MW), receberão R$ 31 bilhões.

Já a geração distribuída deverá atrair US$ 93 bilhões, tornando-se a grande estrela dessa nova revolução energética.

Instalar sistemas fotovoltaicos no telhado de casa e em edifícios residenciais e comerciais deve virar um ótimo negócio, seguindo tendência mundial.  

"Com a previsão de queda acentuada de custo nas próximas duas décadas, a população vai começar a olhar para a energia solar em busca de independência energética", avalia.

Algumas mudanças pavimentam essa transformação. Medidas adotadas pela Aneel na resolução 482, há dois anos, são um grande passo nesse sentido. 

Além de regulamentar a produção de energia solar no país, as regras vislumbraram um sistema de compensação de créditos a favor do consumidor, o que ajuda a viabilizar economicamente os sistemas de energia solar.

"Movimentos como a possibilidade de retirar o ICMS sobre a eletricidade que é gerada pelos consumidores podem acelerar ainda mais esse processo", comenta a analista da BNEF. 

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O Brasil deve alcançar, em 2016, a segunda ou terceira colocação no ranking dos países que mais investem no aproveitamento dos ventos como fonte de energia, subindo ainda para a sexta posição mundial em capacidade instalada. Este é o prognóstico da presidenta executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Silva Gannoum, apresentado hoje (28) no 12º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), aberto ontem (27), no Rio de Janeiro, pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga.

No ano passado, o Brasil foi o quarto país do ranking, em termos de aumento da capacidade eólica, atrás da China, Estados Unidos e Alemanha, com expansão de 2,5 gigawatts (GW) de energia. Já em relação à capacidade instalada, ocupava a décima posição, com ganho de três posições em relação ao ano anterior.

Atualmente, 262 usinas eólicas estão em atividade no Brasil, somando capacidade instalada de 6,56 GW, suficiente para abastecer uma cidade do porte de São Paulo. Elbia disse à Agência Brasil que até o final de 2015, o setor alcançará 10 GW de capacidade instalada. Até 2019, serão 18 GW, “sem contar os leilões que vão acontecer. É energia já contratada”, salientou. Mais 3 GW estão sendo contratados no momento, e a presidenta da ABEEólica acredita que nos próximos leilões – A-3 e leilão de reserva, programados para 21 de agosto e 13 de novembro – poderão ser vendidos entre 3 e 4 GW a mais.

Complementar à matriz hidráulica, como as demais fontes renováveis, a energia eólica mostra tendência de expansão, de acordo com Elbia. “A tendência do Brasil é expandir sua matriz a partir das fontes complementares. Nós temos as renováveis complementares e as complementares, termelétricas, que além de poluentes são mais caras”, acrescentou.

Ela advertiu, entretanto, que o Brasil não pode se furtar a investir nas usinas térmicas, porque elas contribuem para a segurança do sistema elétrico nacional. “Uma tendência de matriz futura, com o nível de hidrelétrica atual e uma tendência de crescimento das renováveis complementares, puxadas pela eólica, e com alguma participação termelétrica, é um sinal do governo para garantir a segurança básica do sistema”, ressaltou.

Com a capacidade instalada de 6,56 GW, o setor de geração eólica consegue reduzir as emissões de 11,6 milhões de toneladas de gás carbônico, nas contas de Elbia Gannoum, e ela estima que em 2019, ao alcançar 18 GW, serão cerca de 30 milhões de toneladas de gás carbônico que deixarão de ser emitidas na atmosfera. “Mais ou menos três vezes o que temos hoje”, destacou.

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A energia solar fotovoltaica (energia elétrica obtida a partir de luz solar) no Brasil está em um “momento emergente”, disse nesta quinta-feira (28) no Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), no Rio de Janeiro, o diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia e a perspectiva é de expansão acentuada, com um potencial de gração de 20 empregos para cada MW instalado e investimentos de  R$ 7 bilhões ao longo de 20 anos.

Dois leilões para energia solar fotovoltaica estão anunciados, para os dias 14 de agosto e 13 de novembro. A expectativa da Absolar é que a somatória desses dois leilões supere mil megawatts (MW).

“Será um outro ano positivo de contratação, que vai ajudar a dar o sinal de continuidade do investimento nessa fonte, por parte do governo federal e, em consequência, solidificar os interesses e estabelecer cadeia produtiva”, disse Rodrigo Sauaia.

Para o diretor da Absolar, os leilões são importantes ainda para que haja um processo de busca de eficiência no setor, favorecendo, no médio prazo, que ocorram reduções de preços de energia solar, “para que ela se torne cada vez mais competitiva e atraente”.

Sauaia disse que, até abril deste ano, o Brasil registra 534 sistemas de geração distribuída conectados à rede elétrica, oriundos de diferentes fontes, dos quais 500 projetos são de energia solar fotovoltaica. Segundo ele, ocorreu também no período grande avanço no mercado de geração centralizada, relativo às usinas solares de grande porte.

Em 2014, o governo federal promoveu leilão específico do setor, no qual foram contratados 1.048 MW. “Um grande salto histórico, cerca de 70 vezes tudo que o país tinha conectado na rede, em um único leilão”.

Segundo o diretor da Absolar, cada megawatt instalado de energia solar a cada ano gera 30 empregos ao longo da cadeia produtiva no país onde o sistema é implantado, dos quais 20% são na parte de fabricação de equipamentos.

“Sendo conservador, a gente pode dizer que pelo menos 20 empregos seriam gerados para cada MW instalado. Se o governo mantiver a contratação de mil MW por ano dessa fonte, isso vai ter um potencial de gerar da ordem de 20 mil empregos”, acrescenta Sauaia.

O executivo da Absolar ressaltou que também em termos de investimentos há grande potencial de expansão no Brasil. Os investimentos para os 1.048 MW contratados no ano passado equivalem a R$ 7 bilhões ao longo de 20 anos.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Melhora no saneamento reduz em 44% internações hospitalares em 10 anos

Este tipo de notícia não merece primeira página? Se tudo é tão ruim no Brasil, por inusitada, esta melhora não merece destaque? Como brasileiros podem não estar pessimistas, se só notícias ruins ganham as primeiras páginas?


O Brasil conseguiu reduzir em 44% o número de internações hospitalares por doenças relacionadas ao saneamento inadequado, entre 2003 e 2013, revela os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dos arquivos do blog:

Segundo os dados, nesse período, houve especificamente queda de 48,2% nas internações por doenças de transmissão feco-oral e de quase 50% nas enfermidades passadas por contato com a água. Ainda de acordo com o IBGE, as internações por doenças transmitidas por inseto vetor demonstram tendência de queda - entre 2010 e 2013, os registros diminuíram 46,8%.

A gerente de estudos ambientais do IBGE, Denise Kronemberg, observa que "a queda vem ocorrendo devido ao maior acesso da população ao saneamento básico". "Há melhoria das habitações, higiene, abastecimento de água, esgotamento sanitário e até de coleta de lixo", enumerou a pesquisadora. Apesar do avanço, 16% dos brasileiros moradores de áreas urbanas não tinham acesso a saneamento básico. Na zona rural, esse número era ainda maior: 36% não possuiam o serviço.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Inclusão pelo consumo: entre 2002 e 2014, Brasil reduziu número de subalimentados em 82,1%.

Textinho do MDS, compilando dados sobre o Brasil da versão 2015 do relatório "O Estado de Insegurança Alimentar no Mundo".

Inclusão pelo consumo?

Gráfico - fome - redução - brasil


Ações de transferência de renda e de segurança alimentar são citadas como exemplo de que a proteção social gera um círculo virtuoso de crescimento inclusivo

O relatório O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) nesta quarta-feira (27), destaca os avanços brasileiros na redução do número de pessoas em situação de fome conquistado nos últimos anos. O Brasil é o país, entre os mais populosos, que teve a maior queda de subalimentados entre 2002 e 2014, que foi de 82,1%. No mesmo período, a América Latina reduziu em 43,1% esta quantidade.

Entre os mais populosos, o país também é aquele que apresenta a menor quantidade de pessoas subalimentadas. São 3,4 milhões no Brasil, pouco menos de 10% da quantidade total da América Latina, que é de 34,3 milhões. “O relatório confirma o esforço e reconhece a trajetória do Brasil na ação de redução da pobreza e do combate à fome”, ressaltou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

Dos arquivos do blog:

“O Brasil, ao contrário de outros países do mundo, sempre foi um grande produtor de alimentos. E, mesmo assim, a população passava fome. O nosso problema não era a disponibilidade de alimentos, o nosso problema era acesso aos alimentos e à renda. E isso conseguimos alcançar com políticas públicas”, explicou.

A publicação aponta também que o país alcançou todas as metas das Nações Unidas em relação à fome. O Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) era de reduzir pela metade a fome e o da Cúpula Mundial de Alimentação era de reduzir pela metade os números absolutos de subalimentados. O Brasil é um dos 29 países que conseguiram alcançar essas duas metas. “O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que está em processo de formatação, tem o objetivo de reduzir até menos de 5% até 2030. Desde o ano passado, nós já conseguimos alcançar esta meta”, contou a ministra.

As ações de segurança alimentar desenvolvidas e o Programa Bolsa Família foram citados como cruciais para o crescimento inclusivo que o Brasil alcançou. “A proteção social pode estabelecer um círculo virtuoso de progresso à população pobre com melhores salários, empregos e rendas”, destaca o relatório. “Estes programas reduziram significativamente a desigualdade de renda - entre 2000 e 2012, a renda média do quintil [20%] mais pobre da população cresceu três vezes mais rápido que a dos 20% mais ricos.”

A ministra Tereza Campello explica que o país agora enfrenta um novo desafio. “O Brasil saiu do Mapa da Fome. Temos a primeira geração de crianças alimentadas, que estão na escola e não vão repetir a trajetória de seus pais. E nos deparamos com o Brasil vivendo problemas de saúde típicos de países desenvolvidos, como a obesidade. E, principalmente, a obesidade infantil”, destacando que é um dos principais temas que serão tratados pelos governos e sociedade durante a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, no segundo semestre deste ano.

Veja mais dados elaborados pelo MDS em relação ao relatório

quarta-feira, 27 de maio de 2015

FAO/ONU: melhoria na renda dos mais pobres e fortalecimento do poder aquisitivo das mulheres tiraram o Brasil do Mapa da Fome.


Bom, a FAO divulgou nova edição do seu Mapa da Fome 2015, que confirma o Brasil com baixo índice prevalência da fome.

O relatório está disponível aqui.

Mapa da Fome da FAO - Edição de 2015
Mapa da Fome da FAO - edição de 2015


Novo relatório sobre o Estado da Insegurança Alimentar no mundo destacou que o Brasil tirou milhões de pessoas do mapa da fome não apenas por conta dos programas de transferência de renda. Fatores como fortalecimento do poder aquisitivo das mulheres e a melhoria da renda dos mais pobres também contribuíram para que país tivesse menos de 5% de sua população em situação de subnutrição.

Um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira (27) destacou o protagonismo do Brasil no combate à fome. Segundo o documento, o Brasil teve uma redução das taxas entre as décadas de 1990 e 2000, com o total de pessoas subnutridas passando de 22,6 milhões para 19,9 milhões.

Dos arquivos do blog:

A redução mais significativa veio em 2012, quando o país alcançou as duas metas da ONU de redução das taxas de fome: cortar pela metade o número de pessoas passando fome e reduzir esse número para menos de 5% da população.

O relatório global “Estado da Insegurança Alimentar 2015” (SOFI) foi publicado por três agências da ONU – a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Segundo o relatório da ONU, a proteção social pode estabelecer um círculo virtuoso de progresso envolvendo o aumento da renda, do emprego e dos salários das pessoas mais pobres. O documento cita como exemplo os programas “Fome Zero” e “Bolsa Família”, que segundo a agência da ONU foram “cruciais para alcançar um crescimento inclusivo no país”.

O Programa Bolsa Família, acrescenta, chegou a quase um quarto da população, principalmente às mulheres, com a transferência de recursos financeiros por mês para cada família – desde que elas mantenham seus filhos na escola e preencham outros requisitos, incluindo a área de saúde.

Com a economia brasileira crescendo 3% ao ano desde 2000 – e fornecendo, assim, as receitas públicas necessárias –, estes programas reduziram significativamente a desigualdade de renda, diz o documento. A ONU lembra que, entre 2000 e 2012, os rendimentos médios dos 20% mais pobres da população cresceram três vezes mais rápido que os dos 20% mais ricos.

Em vários casos, diz o documento da ONU, os efeitos positivos do crescimento econômico sobre a segurança alimentar e nutricional estão relacionados com a maior participação das mulheres na força de trabalho. O documento cita o Brasil novamente, informando que a participação na força de trabalho das mulheres subiu de 45% em 1990-1994 para 60% em 2013. Na Costa Rica, outro exemplo citado, a proporção de mulheres trabalhadoras aumentou 23% entre 2000 e 2008.

“Os gastos das mulheres geralmente envolvem mais investimentos domésticos em alimentação e nutrição, mas também em saúde, saneamento e educação, em comparação com os recursos controlados pelos homens”, acrescenta o documento.

Atualmente, os indicadores da ONU apontam o número de pessoas subnutridas no Brasil como “NS”, quando as estatísticas são insignificantes. Na prática, isso indica que o país tem menos de 5% da população nesta situação.

Os Estados-membros das Nações Unidas fizeram dois grandes compromissos para combater a fome no mundo. O primeiro foi na Cúpula Mundial da Alimentação (CMA), em Roma, em 1996, quando 182 governos se comprometeram a “erradicar a fome em todos os países, com o propósito imediato de reduzir o número de pessoas subnutridas à metade do nível atual até 2015”.

A segunda foi a formulação do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), criado em 2000 pelos Estados-membros da ONU, que inclui entre suas metas específicas “reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população que sofre de fome”.

Além do Brasil, as taxas de fome estão atualmente abaixo do limiar de 5% também na Argentina, Chile, Costa Rica, México, Uruguai e Venezuela. O objetivo da Cúpula Mundial de Alimentação foi alcançado na Argentina, Chile, Guiana, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela. Ao todo, 13 países da América Latina alcançaram a meta de reduzir a fome previsto no primeiro ODM. Além dos listados acima, estão também a Bolívia, a Guiana, o Panamá, o Peru e o Suriname.

Outros quatro países – Colômbia, Equador, Honduras e Paraguai – estão a caminho de atingir a meta nos próximos anos, se as tendências atuais persistirem. Mesmo que alguns países, como Guatemala ou El Salvador, pareçam estar fora do caminho para alcançar as metas internacionais, nenhum país da região tem uma taxa de prevalência de subnutrição (PoU) – indicador monitorado pela FAO – superior a 20%.

Apesar da queda global, quase 800 milhões ainda passam fome

Em relação aos dados globais, a ONU informou que o número de pessoas cronicamente subnutridas caiu, ficando abaixo da marca de 800 milhões, com um número crescente de países alcançando as metas do ODM contra a fome.

O relatório revela que o número de pessoas passando fome caiu para 795 milhões – 216 milhões a menos do que no período de 1990 a 1992 e quase 100 milhões a menos do que em 2012. Isto se deve em grande parte, destacaram as agências da ONU em um comunicado de imprensa, aos sucessos obtidos em regiões em desenvolvimento do mundo.

“O quase cumprimento das metas dos ODM sobre a fome nos mostra que podemos efetivamente eliminar o flagelo da fome de nossas vidas”, disse o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. “Temos de ser a geração Fome Zero. Esse objetivo deve ser integrado em todas as intervenções políticas e no coração da nova agenda de desenvolvimento sustentável a ser criada este ano”, acrescentou.

A maioria dos países monitorados – 72 de 129 – pela FAO atingiram a meta do ODM número um de reduzir pela metade a prevalência de subnutrição em 2015, com as regiões em desenvolvimento como um todo não alcançando a meta apenas por uma pequena margem. Além disso, 29 países cumpriram a meta mais ambiciosa definida na Cúpula Mundial da Alimentação, em 1996