Mostrando postagens com marcador classe C. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador classe C. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Desenhado pra quem quiser entender: a valorização do salário desde 2003.

Imagine um cidadão, o Cessildo, que recebesse salário de R$ 100,00 em 01/01/1995. Imagine também um produto, digamos, o Bobol, que, na mesma data, custasse os mesmíssimos R$ 100,00.

Agora, suponhamos que o salário de Cessildo foi ajustado anualmente pelo índice de reajuste do salário mínimo e que o preço do Bobol sofreu variação idêntica a da inflação, pelo IPCA.

Imaginou.

Pois bem, pelas projeções da inflação que circulam por aí, em 01/01/2015, o Bobol custaria cerca de R$ 395 - quase quatro vezes o preço inicial. Mas o salário de Cessildo seria algo como dez vezes o de vinte anos antes, ou cerca de R$ 1035.


Dos arquivos do blog:


Essa diferença, obviamente equivalente à valorização real do salário mínimo, fica bem clara no gráfico abaixo - que também não deixa dúvidas de quando o ciclo se inciou.

Agora, cada um que tire daí as conclusões econômicas e políticas que quiser - ou nenhuma, se for o caso.



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Marcelo Neri: até 2014 mais 12 milhões de pessoas ascenderão para a classe C

Matéria do Exame.com.

Apesar da desaceleração da economia, pesquisador da FGV Marcelo Neri reafirma projeção de que a classe C terá mais 12 milhões de pessoas até 2014
Keila Cândido

São Paulo - A expansão da classe média brasileira segue robusta, conforme dados apurados até junho, afirma o economista e coordenador do Centro Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri. Em debate na 22ª Bienal do Livro, em São Paulo, ele reafirmou a projeção de que mais 12 milhões de pessoas ascenderão para esse segmento até 2014. Nas classes A e B, o número de entrantes chegará a 7,7 milhões. Neri não arrisca dizer, contudo, como será o comportamento dessas classes sociais de 2015 em diante. Entre 2003 e 2011, a nova classe média – que tem renda familiar de 1.700 reais – incorporou 40 milhões de pessoas.

Para Neri, foi a nova classe média que estabilizou a economia brasileira e fez crescer o Produto Interno Brunto (PIB) nos últimos anos em que tônica foi a crise internacional. “A classe média é o amortecedor interno da economia. Se ela quebrar, não sabemos para onde vai o país”, disse. O economista, autor do livro “A Nova Classe Média - O Lado Brilhante da Base da Pirâmide”, participou nesta quinta-feira de debate sobre o assunto.

Dos arquivos do blog:


2014 – Após a renda do brasileiro ter aumentado nos últimos anos, na esteira do crescimento econômico, o pesquisador não se arrisca a dizer como será sua evolução num intervalo de tempo mais extenso, a partir de 2014. “Estamos em um momento de pleno emprego, mas é arriscado dizer qual será a renda real das famílias da nova classe média”, disse.

Para Neri, por ora, não há sinal de que haverá reversão da ascensão social dos mais pobres. A classe média, aliás, ganhou força, segundo dados apurados até junho. De acordo com o economista, o mercado de trabalho faz mais diferença para o consumo destas pessoas do que o acesso crédito. “O que importa para elas é trabalhar e ter dinheiro no bolso para consumir”, explicou.

Novo consumidor – A nova classe média, hoje com maior poder de compra, tem tido acesso a bens e serviços que, anteriormente, eram restritos às classes A e B, tais como planos de saúde, escolas particulares e previdência privada. Neri lembrou que a má qualidade na oferta de serviços tem gerado nesse novo consumidor uma sensação de frustração. Na avaliação do especialista, é para essa insatisfação que as empresas têm de olhar. “Esta é a nova agenda no Brasil. As pessoas estão consumindo fortemente, e são exigentes”, afirmou.

Segundo Neri, os pacotes do governo para melhorar a infraestrutura do país – tal o programa de investimento de ferrovias e rodovias anunciado nesta quarta-feira – são de “extrema importância” porque esses novos consumidores aumentam os desafios do país. Em outras palavras, as pessoas estão consumindo o que antes não tinham acesso, como viajar de avião, por exemplo, o que tem aprofundado os gargalos dos aeroportos do país.

A alta da inadimplência verificada nos últimos meses não deve ser considerada o pior problema da classe C, na visão do economista. “O problema no Brasil não é de endividamento, mas sim as altas taxas de juros”, declarou. Outro problema, na opinião do pesquisador, é baixa taxa de poupança do brasileiro.

Comparações – Para o pesquisador, não é possível comparar a classe média americana à brasileira porque os perfis são muito diferentes. A renda das famílias e o tipo de consumo são bastante distintos. Neri relata que, desde 2004, quando houve o início da ascensão da classe média, o Brasil teve três saltos: mais pessoas tiveram acesso a cursos técnicos, houve aumento do número de pessoas com carteira assinada e a qualificação profissional também melhorou. Para o pesquisador, o acesso à educação é um avanço muito importante que contribui para a ascensão da classe C. "Quem olha para a classe média com olhar estrangeiro – de fora para dentro – não percebe o valor do que tem acontecido", disse. Essas particularidades representam outros elementos que não permitem equiparar a realidade brasileira com a americana.

O coordenador do CPS/FGV preferiu comparar o crescimento brasileiro ao de China e índia, que classificou como “invejáveis”. Contudo, na opinião do economista, no Brasil há um fator qualitativo: a redução da desigualdade. “No Brasil, o crescimento é mais sustentável porque temos a redução da desigualdade, que vem caindo nos últimos onze anos”, disse. “Este é o ingrediente brasileiro do crescimento”, comemorou.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Projeto Nacional: A vez da classe D

Texto do Projeto Nacional - @projetonacional

Por: Fernando Brito



Os últimos anos foram da classe C, que se tornou a vedete do desenvolvimento econômico brasileiro e passou a concentrar 53% dos brasileiros e superar o consumo, somado, das classes A e B.

Dos arquivos do blog:

Agora, segundo levantamento feito pelo jornal Brasil Econômico e pelo Instituto Datapopular, é a vez da classe D tomar o lugar na ribalta.

São perto de 50 milhões de brasileiros, com renda – hoje – entre R$705 e R$1126 e que, até 2012, responderão por R$ 400 bilhões em compras de bens e serviços.

Na verdade, este número é a soma das classes D e E. Só que a E, pelas contas de Renato Meirelles, diretor do Datapopular, estará extinta.

Não, é claro, como desejaria uma parte de nossa elite, fisicamente. Extinta porque terá migrado toda para a classe D.

A pesquisa é ainda mais interessante porque revela outros números promissores.

“Há 800 mil novos universitários na classe D . Há muita gente entrando no mercado de trabalho com empregos formais. E a proporção destes indicadores cresce mais na classe D do que nas demais”, diz Meirelles.

Os analistas ouvidos na matéria são unânimes em apontar os integrantes da classe D como mais equilibrados no uso do crediário e no endividamento, o que prenuncia um impacto sadio no seu perfil de consumo.

Agora, perdoem os estudiosos formuladores de teorias econômicas complicadas, sabem o que vai catalisar esta subida de perfil.

O bom e velho salário-mínimo, que terá uma elevação de cerca de 14% a partir de janeiro.

Se nossa indústria e nosso comércio tiverem um pouquinho de senso de oportunidade, verão que ali vão se abrir grandes oportunidades de venda, se souberem se adequar a um consumidor que terá um ingresso extra entre 60 e 150 reais mensais.

O perfil do que pretendem fazer com este dinheiro extra está desenhado na pesquisa do Datapopular, reproduzido no gráfico.

Se os juros baixarem, se forem oferecidas condições de compra adequadas, se quiserem ganhar menos por unidade e mais por volume, a oportunidade está aí para voltar a girar com força a roda da economia.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Bloomberg: expansão da classe média provoca crescimento recorde do mercado hoteleiro.

Matéria da  Bloomberg, com (péssima) tradução minha.

Por Nadja Brandt 

Os hotéis provavelmente terão crescimento recorde da demanda este ano no Brasil, estimulando as cadeias internacionais à duplicar a sua participação no mercado do maior país da América do Sul em uma década, diz a Jones LaSalle Lange Hotels.

A receita por quarto disponível provavelmente saltará pelo menos 20% este ano no Brasil, de acordo com Ricardo Mader, vice-presidente executivo de uma empresa de consultoria de imóveis baseada em São Paulo. A RevPAR,  uma medida de ocupação e preços, subiu um recorde de 17% em 2010, de acordo com uma pesquisa com cerca de 400 hotéis realizada pela Jones Lang LaSalle Hotels, integrante da Jones Lang LaSalle Inc. (JLL), de Chigaco

A demanda por quartos de hotel no Brasil tem sido alimentada pela classe média, que cresceu para mais de 50% população do país pela primeira vez, disse Mader. Ocupação e preços crescentes têm atraído maior interesse de investidores estrangeiros e de hoteleiros internacionais, que operam 3,8% dos hotéis do Brasil, disse ele.

"A maioria dos novos projetos que vemos são de cadeias internacionais", disse Mader em entrevista por telefone. Eles provavelmente duplicarão a sua participação no mercado do Brasil dentro de 10 anos, disse ele.

Os preços de quartos no Brasil, medidos em dólares americanos, subiram 27% no primeiro semestre, o maior aumento entre os países sul-americanos, de acordo com a STR Global, com sede em Londres. Isso comparado com um aumento de 3,4% na América do Norte. A STR foca em cadeias de hotéis, enquanto o relatório da Jones Lang LaSalle Hotels inclui muitos proprietários independentes, locais, disse Mader.

Aumento sem precedentes
A Jones Lang LaSalle Hotels tem assessorado fundos de private equity e investidores institucionais  dos EUA, Europa e América Latina, bem como do Oriente Médio e da Ásia, em expansão no Brasil, disse Clay Dickinson, vice-presidente executivo da empresa. Tem havido "um aumento sem precedentes na quantidade de investidores internacionais avaliando oportunidades de desenvolvimento no Brasil este ano", disse ele.

A Host Hotels & Resorts Inc. (HST) comprou no ano passado um JW Marriott de 245 quartos no Rio de Janeiro, a cidade que sediará as Olimpíadas de 2016. A Bethesda, fundo de investimento imobiliário baseado em Maryland, pagou cerca de US$ 48 milhões pelo o hotel, localizado perto da praia de Copacabana.

O Morgans Hotel Group Co (MHGC), o operador de hotéis boutique em Nova Iorque, entre os quais, o Royalton e Mondrian, planeja acrescentar propriedades no exterior, inclusive no Brasil, disse seu CEO, Michael Gross, em maio.

50 Hotéis Marriot
A Marriott International Inc., maior cadeia hoteleira de capital aberto dos EUA, disse em novembro que planeja aumentar de 4 para 54 o seu número de hotéis no Brasil. A empresa Bethesda, baseada em Maryland, planeja desenvolver 50 hotéis “Fairfield by Marriott” em todo o Brasil, numa parceria com a PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações, baseada no Rio de Janeiro.

Um aumento nos investimentos internacionais no Brasil, particularmente no mercado hoteleiro de alto nível, dependerá da disponibilidade de financiamento, de acordo com Mader.
"Uma coisa que ainda é um grande problema é a falta de financiamento", disse ele. "O Brasil não é um mercado maduro e os bancos comerciais ainda não financiam hotéis. Quando o financiamento estiver mais disponível nós veremos muito mais hotéis de luxo internacionais. "

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Guilherme Barros: impulsionado por baixa renda, consumo de alimentos cresceu 20% no 1º Tri, revela estudo.

Texto do Blog do Guilherme Barros, no IG.


O consumo de alimentos no Brasil cresceu 20% durante o primeiro trimestre, impulsionado principalmente pelas classes D e E, segundo levantamento da Kantar Worldpanel.

Em valor, a expansão do consumo cresceu 15% na comparação com igual período de 2009.

O maior crescimento das classes D e E ocorreu nas regiões Norte e Nordeste. De acordo com o estudo, na média Brasil, as duas faixas de renda consumiram 17 categorias de cestas monitoradas pela Kantar, enquanto que nas regiões Norte e Nordeste foram 20 tipos.

O consumo da classe C vem logo na sequência, com um crescimento de 16% no número de cestas compradas no período.

“Em resumo, podemos dizer que as classes D e E do Norte e Nordeste foram as campeãs do consumo no primeiro trimestre de 2010”, diz Christine Pereira.

“Na região os não duráveis são o destaque. O aspiracional ali é a mesa farta”, acrescentou.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Valor: a promissora classe C.

Artigo publicado no Valor, copiado daqui e seguido de comentários do Blog do Alê sobre o mesmo texto.

A promissora classe C
Maria Clara R.M. do Prado

Nem todos se deram conta da extraordinária transformação pela qual passa a sociedade brasileira. O ingresso no mercado de boa parte da população que vivia à margem das oportunidades tem enormes implicações que não se esgotam no campo econômico. Muito pelo contrário, as consequências da mudança na renda das famílias tendem a se refletir cada vez com mais intensidade na tomada de consciência do cidadão sobre seus direitos e deveres. A consequência é política, antes de tudo.

A grande maioria dos expectadores das novelas da Globo já não está mais limitada aos sonhos que a vida espetaculosa dos personagens estimulava na tela. As pessoas da nova classe C brasileira viajam de avião, ao invés de pau-de-arara. Vestem-se em lojas de departamento, ao invés do bazar da esquina. Podem comemorar o Dia das Mães no restaurante do bairro, andar em carro próprio, ter mais de um celular e, nestes dias de pré-Copa, comprar aquele aparelho de TV de tela plana que garantirá ao torcedor um novo status.
 

É essa confiança na possibilidade de melhora que move hoje a sociedade. O acesso ao mercado dos chamados "emergentes à classe C" não deve ser tratado como uma simples questão de aumento de consumo a partir da visão simplista do que isso representa em termos de pressão sobre preços, inflação e temas congêneres como taxa de juros e disponibilidade de crédito.

Muito para além dos aspectos puramente macroeconômicos - que, diga-se, envolvem uma preocupação pertinente - a inserção no mercado de uma imensa massa de consumidores nos últimos anos carece de análises mais aprofundadas sobre o significado que isso efetivamente tem, socialmente e politicamente.

Uma recente pesquisa patrocinada pela Febraban e realizada pela empresa Data Popular, dedicada justamente a traçar o comportamento do que chama de "base da pirâmide" no que tange à renda, mostra que a nova classe C percebe o consumo como sinal de inclusão social por meio da melhoria de padrão de vida. Para o "ascendente social", ter acesso a bens que antes só podiam ser almejados com desesperança, funciona psicologicamente como uma espécie de comprovação de que, finalmente, a pessoa conseguiu se desvencilhar das restrições que a mantinham segregada, escondida e sem voz, um ser sem importância, sob qualquer ponto de vista.

Entre os resultados da pesquisa realizada no mês de janeiro com famílias da classe C nas cidades de São Paulo, Rio, Recife e Porto Alegre, está a constatação de que em um país cuja sociedade discrimina pela cor e pela classe social, vestir-se bem e ter tecnologia de última geração é de extrema relevância para os jovens da nova classe C. Mostra que estão economicamente e politicamente inseridos. A pesquisa também apurou que em muitas ocasiões, dependendo do produto, o consumo pode se confundir com investimento: no caso de roupa (vista como uma forma de melhorar a aparência para a conquista ou manutenção de um emprego), computador, moto e educação.

Os filhos da nova classe C são os propulsores das mudanças de comportamento da geração mais velha, seja pela tecnologia, seja pelas opiniões sobre os temas de maior destaque na pauta política como aqueles ligados à questão ecológica, envolvendo gastos com energia, água, tabagismo, enfim.

A nova classe C poupa apenas para comprar mais adiante um bem de maior valor. Tem o objetivo de investir apenas na educação dos filhos. Sabe que a verdadeira ascensão social se faz por meio da educação. Note-se que essa classe já responde, de longe, pela maior fatia de participação em importantes setores da economia. Na área de seguros, 61,9% dos usuários estão na classe C, que também explica 63,6% do consumo de planos de saúde e 61% dos cartões de crédito.

A relação com o cartão de crédito, vale notar, nem sempre segue o padrão usual. Primeiro, é visto por muitos como um instrumento de apoio em momentos de emergência e por isso mesmo, não raro, fica guardado em casa. Mas há situações curiosas como os casos em que os cartões de crédito são emprestados para amigos e familiares. Ninguém se preocupa muito com taxa de juros na nova classe C. Quando o dinheiro vai para a poupança, nos bancos, a motivação principal é a segurança ou um objetivo específico de consumo. Tem razão um economista ouvido pela coluna: "a sociedade brasileira pratica a mais alta taxa de juros do mundo dada a preferência por consumir hoje, ao invés de adiar o consumo para o futuro".
Ele sabe também que o fenômeno tem a ver com a má distribuição de renda e o achatamento do poder aquisitivo da imensa maioria dos brasileiros por anos a fio. Isso explica a alta propensão a consumir desses "emergentes" diante da melhoria da renda.

A ampla pesquisa da Febraban impõe relevo à importância da classe C. Teve como objetivo justamente traçar o perfil dessa massa de pessoas que saiu da marginalidade e entender de que forma poderão ser educadas financeiramente. É, para os bancos, um filão a ser conquistado, assim como deveria ser para os políticos e para outros segmentos que teimam em ver o Brasil com olhos dos anos 60!

A preocupação permanente com os efeitos macroeconômicos dessa verdadeira revolução sócio-econômica se reflete no cíclico desequilíbrio entre demanda e oferta. Assim como no primeiro semestre de 2008, hoje as vendas no varejo ultrapassam a casa dos 2 dígitos de crescimento, influenciado, entre outros fatores, justamente pela entrada, em 4 meses, de 1 milhão de novos consumidores, pela via emprego formal. Emprego formal, que aquece a demanda pela via direta da maior remuneração, mas principalmente pela confiança em assumir compromissos de longo prazo. Nos últimos 6 anos, o crédito cresce 20% ao ano no Brasil.

As condições para esse crescimento nas vendas do varejo estavam claramente criadas a partir do terceiro trimestre de 2009, quando se verificou que a crise internacional não havia sido capaz de interromper o ciclo de empregabilidade iniciado em 2004. De fato, surpreendentemente o Brasil criou cerca de 1 milhão de empregos formais em um ano de recessão no mundo e até mesmo no Brasil. Como um país com PIB zero pode criar tantos postos de trabalho?
A resposta pode explicar o atual desequilíbrio entre oferta e demanda que tanto preocupa as autoridades monetárias. O resultado decepcionante das contas nacionais em 2009 se deu principalmente pela via do investimento. O presidente Lula inúmeras vezes assinalou que quem apostar contra o Brasil, perderia dinheiro. E a falta de investimentos ajuda a alimentar o círculo vicioso responsável pela nossa histórica tendência pelo ‘voo de galinha’.

Como mostra com muita precisão a matéria, o Brasil está voltando a crescer pela via da inclusão social, pela introdução no mercado de consumo de uma grande parcela da população que não tem, ainda, capacidade de poupança. Cada real que entra vai para o consumo, seja na melhoria da alimentação, o investimento na educação dos filhos ou mesmo na compra de bens duráveis absolutamente básicos para a vida urbana. São pessoas que estão com urgência para ter aquilo que para a classe média sempre fez parte do seu dia a dia.

Como disse a manchete de uma matéria dessa semana no Valor Econômico, é difícil desacelerar uma economia que gera 300.000 empregos formais por mês. É overdose na veia sem antídoto. Nossa única saída é multiplicar o incentivo ao investimento, despertar o espírito animal do empresariado. Esse novo ciclo de crescimento não pode ser abatido nem por um aperto monetário exagerado que desestimule o empreendedorismo, nem por uma leniência com o imposto inflacionário, pois este afeta principalmente essa promissora Classe C.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Brasil Econômico: população de baixa renda está comprando alimentos melhores, aponta pesquisa da FIESP.

Matéria do Brasil Econômico.


As tendências de alimentação para as classes rica, média e pobre indicam que as pessoas de menor poder aquisitivo, que só compravam o básico, passaram a procurar por alimentos mais elaborados, melhores e saborosos.

A constatação é da pesquisa Perfil do Consumo de Alimentos no Brasil, encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao Ibope e apresentada hoje (18) no seminário Brasil Food Trends 2020.

"Você tem o mercado direcionado ao rico, e sempre haverá alimentos mais sofisticados ainda. Por outro lado, há alimentos hoje que eram reconhecidos como sofisticados, mas que são acessíveis também para as categorias mais baixas", afirmou o coordenador técnico do Brasil Food Trends 2020, Raul Amaral Rego.

Entre as pessoas das classes A, B e C, 59% disseram que na hora de decidir pela compra é importante ter uma marca de sua confiança, 47% admitiram que analisam se o produto é gostoso e 32% afirmaram que avaliam se o produto é mais nutritivo. Os que avaliam se o alimento é de qualidade são 29% e os que dão importância para o preço baixo são 28%.

A pesquisa indicou ainda que a marca exerce maior influência na compra do arroz (44%), feijão (36%), café (32%), leite(24%), dos iogurtes (19%), das bolachas e dos biscoitos (14%) e dos alimentos congelados e semiprontos (13%).

Os produtos que mais despertam o desejo do consumidor quando lançados no mercado são os iogurtes (32%), as bolachas e os biscoitos (28%), o suco pronto para beber (27%), os chocolates e os bombons (25%), os queijos (24%) e os alimentos congelados e semiprontos (21%).

O gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Antonio Carlos Costa, disse que é difícil prever o futuro com relação às tendências alimentares da sociedade brasileira.

"Nós não fizemos uma segmentação entre as classes rica, média e pobre. Quando falamos dessas tendências na pesquisa, algumas dessas peculiaridades ficam claras. Mas é interessante notar que o consumidor brasileiro está preocupado com os atributos como a segurança dos alimentos, qualidade, ética. Então é realmente um desejo da sociedade como um todo".

Para a coordenadora do curso de nutrição do Centro Universitário São Camilo, Sandra Chemim, quando o alimento é visto apenas pela praticidade, leva a um risco e mostra que a população brasileira está engordando cada vez mais. "A população busca produtos práticos, porém nem sempre ideais e nutritivos".

Segundo ela, aqueles que têm pouco tempo para se alimentar devem buscar uma alimentação mais diversificada possível. "O ideal é seguir a cultura alimentar: arroz, feijão, carne, verdura, legumes e frutas. Com isso atendemos todas as necessidades".

Sandra destacou como ponto positivo da pesquisa o fato de que as pessoas, independentemente da classe social, vão buscar os produtos pela qualidade e pela saudabilidade.

"Começamos a perceber que a população brasileira se preocupa muito com a saúde. Ou está começando a se preocupar. A população vai buscar algum produto que traga algum elemento que vai deixá-la mais saudável", disse.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Folha: renda de negros cresce 222% em comparação com 2002.

Matéria da Folha republicada e comentada pelo Blog do Alê.


Renda de negros cresce 222% em 8 anos Consumidores negros e pardos devem fechar 2010 com receitas de R$ 546 bi, o que representa 40% do total das famílias. Dados incluem rendimento de trabalhos avulsos e temporários; salário do negro, no entanto, ainda equivale à metade do do branco.

Folha de S. Paulo - Os consumidores negros e pardos devem fechar 2010 com uma renda de R$ 546 bilhões no bolso, o que equivale a 40% do total previsto para todas as famílias (negras e não negras) do país, de R$ 1,38 trilhão. Isso significa que, a cada R$ 10 disponíveis para o consumo neste ano no Brasil, R$ 4 estarão em poder de trabalhadores negros e pardos (com ou sem carteira assinada). No total da população, eles representam 51%. Em 1998, eram 45%.

As projeções da renda disponível neste ano foram feitas pelo Data Popular, instituto de pesquisas e consultoria, a partir dos rendimentos das famílias da Pnad de 2008, última disponível pelo IBGE. Os valores foram atualizados para 2010 e consideram a inflação medida pelo IPCA no período, os reajustes concedidos ao salário mínimo nos últimos dois anos e a previsão de crescimento do país de 5% neste ano.


 

Em 2002, a massa de renda total de negros e pardos foi de R$ 170 bilhões. Se confirmada a previsão deste ano (R$ 546 bilhões), o crescimento será de 222% em relação àquele ano. O resultado chama a atenção porque o salário de um negro ainda é cerca da metade do de um branco. Mesmo assim, a massa de renda dos negros já representa 40% do total. O que explica essa aparente contradição é que no total de rendimentos das famílias não entram somente salários. No cálculo estão todas as fontes de receita - como trabalhos avulsos (bicos) e temporários.

A disparidade salarial obrigou as famílias negras a estimularem também o trabalho de crianças e adolescentes para complementar a renda. "Em uma família branca, que, em geral, é menos numerosa, é comum encontrar só o pai como gerador de renda", diz Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto. "Na família negra, os filhos trabalham. Se não for assim, não terão como pagar a faculdade e melhorar de vida."

Aqui um parênteses, para dizer que não é fenômeno novo a disparidade salarial obrigar as famílias negras a estimularem também o trabalho de crianças e adolescentes para complementar a renda. Ao contrário é uma chaga que já foi muito maior no século passado e tende a perder força a medida em que os salários se equalizem.
O aumento de emprego formal e o maior acesso à educação e ao crédito são as principais razões para explicar a alta no poder de consumo dos negros. De 1998 a 2008, a proporção de negros e pardos com ensino superior completo no total de adultos (25 anos ou mais) passou de 2,2% para 4,7%.
"As políticas públicas que vêm sendo desenvolvidas desde o final do governo FHC também contribuem para ajudar na inserção do negro no mercado de trabalho", diz Meirelles. "Antes, havia mais negros na informalidade, com renda ainda menor. Hoje não há como falar sobre a nova classe média brasileira sem falar no negro." A classe C negra deve ter disponível renda de R$ 187 bilhões neste ano -ou 43,8% da renda total prevista para a classe C (com renda de 3 a 10 mínimos).
Mas as empresas ainda estão longe de atender ao anseio desse consumidor. "Ter uma política de inclusão não significa somente ter um sabonete específico ou colocar o negro como garoto-propaganda. Isso é um avanço, mas é preciso entender os valores e a cultura negra." Alcir Gomes Leite, diretor-executivo e sócio da DM9, diz que empresas e marcas estão "aprendendo" a olhar para a classe C independentemente de sua cor. "Ainda existem erros absurdos de criar estereótipos para essa classe, que tem hábitos e um jeito próprio de ser. O Brasil é um país de classes C e D, acho estranho considerar que são nichos de mercado."

terça-feira, 6 de abril de 2010

Folha: Brasil reduziu o proporção de pobres durante a crise mundial,

 Matéria da Folha Online.

TATIANA RESENDE, da Folha Online

A classe C ampliou sua participação para 49% da população brasileira em 2009, ano marcado pela crise financeira global, ante 45% no ano anterior. Já as classes A/B subiram de 15% para 16%, enquanto as D/E caíram de 40% para 35% do total, de acordo com pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Cetelem, financeira do grupo francês BNP Paribas, em conjunto com a Ipsos.

Segundo o "Observador Brasil 2010", a expansão da classe C chegou a 15 pontos percentuais, considerando os dados desde 2005, quando essa fatia da população representava 34% do total. Naquele ano, as classes A/B respondiam por 15% e as D/E por 51%.

Nos últimos cinco anos, a classe C ganhou 30,2 milhões de consumidores. Já os segmentos D/E perderam 26,1 milhões.

Entre 2008 e 2009, a renda familiar média mensal caiu nas classes A e B de R$ 2.586 para R$ 2.533, mas subiu na C (de R$ 1.201 para R$ 1.276) e nas D/E (de R$ 650 para R$ 733).

Já a renda disponível, calculada subtraindo do rendimento total todos os gastos e investimentos, caiu em todos os estratos. Nas classes A/B, o número em 2009 foi de R$ 690, ante R$ 834 no ano anterior. Na C, caiu de R$ 212 para R$ 204 e nas D/E de R$ 69 para R$ 61.

Na análise por regiões, o Nordeste e o Sudeste tiveram um aumento da renda familiar mensal semelhante entre 2008 e 2009, de R$ 178 e R$ 179, respectivamente. No entanto, a renda disponível foi R$ 65 maior no Nordeste, e R$ 14 inferior no Sudeste.

As classes sociais utilizadas no estudo são as definidas pelo CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil), fornecido pela Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa). A pesquisa se baseia em uma amostra de 1.500 entrevistas, realizadas entre os dias 18 e 29 de dezembro de 2009 em 70 cidades, abrangendo nove regiões metropolitanas do país.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Terra: Com foco na classe C, Azul planeja crescer 50% em 2010.

Matéria do Portal Terra.

Guilherme Mergen
Direto de Porto Alegre

Apostando no potencial da classe C, a Azul Linhas Aéreas estabeleceu metas ousadas para o seu segundo ano de operações no mercado brasileiro. Em 2010, a empresa projeta um crescimento de 50% e quer se consolidar como a terceira maior companhia área do País, lugar atualmente ocupado pela WebJet. As pretensões foram apresentadas nesta quarta-feira pelo sócio-fundador da Azul, David Neeleman, durante encontro com empresários em Porto Alegre.
Atualmente, segundo dados de fevereiro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Azul é a quarta companhia do Brasil, com pouco mais de 5% do mercado - atrás de TAM, Gol Varig e Webjet, que respondem por 42%, 41% e 6% de participação, respectivamente. Desde o final do ano passado, a empresa de Neeleman tem registrado a maior taxa de ocupação no País, com quase 90% de lotação em suas aeronaves.

Para alcançar os 50% de crescimento, a companhia colocará em operação mais sete aeronaves modelo Embraer 195 até o final do ano, contabilizando 21 aviões. Segundo Neeleman, o número de rotas deve aumentar das 19 atuais para até 30, com quatro novos destinos. "Ainda não podemos dar detalhes dessas rotas e cidades. No entanto, com esses planos, a nossa projeção de crescer 25% saltou para 50%", disse o sócio-fundador da empresa, sem citar valores.

Para chegar ao 3º lugar no mercado, Neeleman aposta, além do avanço de sua empresa, na estagnação da maior concorrente, a Webjet. "Pelo que ouço, eles (Webjet) não têm tanta perspectiva de crescimento neste ano. Essa projeção, aliada ao nosso desejo de dominar metade do mercado onde atuamos, nós permite ocupar o lugar que planejamos. Mas, sinceramente, não importa o percentual que temos do mercado. O que importa é dominar onde estamos voando, com voos diretos e mais frequentes e um serviço satisfatório", afirmou.

Ofensiva na classe C

A partir de abril, a Azul deve iniciar uma nova ofensiva para atrair passageiros na classe C. Além de continuar com promoções como os passaportes, a empresa quer facilitar o processo de compra de passagens para pessoas sem cartão de crédito ou com limite reduzido. Conforme o sócio-fundador, qualquer cliente com conta corrente poderá adquirir pela internet a passagem parcelada, mediante o fornecimento de alguns dados.
"Tem uma fatia da classe C que deixa de viajar de avião por causa dessa questão do cartão de crédito. Queremos esse mercado. Por isso, daremos outras opções. Não posso detalhar muito ainda, mas antecipo que vamos aceitar quase todas as formas de pagamento. Nossa meta é ensinar as pessoas a andarem de avião", disse. Nas próximas semanas, com primeira parte da ofensiva, a companhia aceitará o pagamento em cheques.

Capital estrangeiro

No almoço com empresários da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), Neeleman mostrou-se indiferente à proposta encaminhada ao Congresso que permite às companhias brasileiras fixarem até 49% de capital estrangeiro. Na opinião dele, o projeto é benéfico somente para Gol e TAM, que possuem acionistas no mercado internacional.
"Não tememos a possibilidade de outras companhias crescerem com investimentos estrangeiros. Estamos girando o caixa, com lucro. Portanto, temos capital para investimentos, sem necessidade de buscar lá fora. Nenhuma companhia no mundo começou a operar com tanto capital com a Azul, disse, informando que a empresa alcançou 2,2 milhões de clientes no primeiro ano de atuação (2009).

Insatisfação com Congonhas

Apesar de a Azul ter garantido a permissão para operar em oito horários de pousos e decolagens de Congonhas, em São Paulo, Neeleman chamou de "ridícula" a distribuição de slots comandada pela Anac na semana passada. De acordo com ele, a agência destinou cerca de 80% dos voos a companhias como TAM e Gol, que atualmente já operam em mais de 95% dos horários no aeroporto paulista.
"É ridículo. A Anac deveria distribuir os novos voos de forma igual, como ocorreu no final do ano passado no Santos Dumont (Rio de Janeiro) - quando a empresa começou a operar no aeroporto carioca. Lá, TAM e Gol ganharam 20%, e não 80% como no Congonhas", disse.
Mesmo com o direito de operar em oito horário, o sócio-fundador da Gol adiantou que a companhia deve atuar, por enquanto, com apenas um voo. "Nossos slots são somente no fim de semana. Por enquanto, pensamos em um voo. Ainda não pensamos na rota. Teremos de avaliar onde encontraremos uma demanda específica de fim de semana", afirmou.