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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Desenhado pra quem quiser entender: a valorização do salário desde 2003.

Imagine um cidadão, o Cessildo, que recebesse salário de R$ 100,00 em 01/01/1995. Imagine também um produto, digamos, o Bobol, que, na mesma data, custasse os mesmíssimos R$ 100,00.

Agora, suponhamos que o salário de Cessildo foi ajustado anualmente pelo índice de reajuste do salário mínimo e que o preço do Bobol sofreu variação idêntica a da inflação, pelo IPCA.

Imaginou.

Pois bem, pelas projeções da inflação que circulam por aí, em 01/01/2015, o Bobol custaria cerca de R$ 395 - quase quatro vezes o preço inicial. Mas o salário de Cessildo seria algo como dez vezes o de vinte anos antes, ou cerca de R$ 1035.


Dos arquivos do blog:


Essa diferença, obviamente equivalente à valorização real do salário mínimo, fica bem clara no gráfico abaixo - que também não deixa dúvidas de quando o ciclo se inciou.

Agora, cada um que tire daí as conclusões econômicas e políticas que quiser - ou nenhuma, se for o caso.



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Marcelo Neri: até 2014 mais 12 milhões de pessoas ascenderão para a classe C

Matéria do Exame.com.

Apesar da desaceleração da economia, pesquisador da FGV Marcelo Neri reafirma projeção de que a classe C terá mais 12 milhões de pessoas até 2014
Keila Cândido

São Paulo - A expansão da classe média brasileira segue robusta, conforme dados apurados até junho, afirma o economista e coordenador do Centro Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri. Em debate na 22ª Bienal do Livro, em São Paulo, ele reafirmou a projeção de que mais 12 milhões de pessoas ascenderão para esse segmento até 2014. Nas classes A e B, o número de entrantes chegará a 7,7 milhões. Neri não arrisca dizer, contudo, como será o comportamento dessas classes sociais de 2015 em diante. Entre 2003 e 2011, a nova classe média – que tem renda familiar de 1.700 reais – incorporou 40 milhões de pessoas.

Para Neri, foi a nova classe média que estabilizou a economia brasileira e fez crescer o Produto Interno Brunto (PIB) nos últimos anos em que tônica foi a crise internacional. “A classe média é o amortecedor interno da economia. Se ela quebrar, não sabemos para onde vai o país”, disse. O economista, autor do livro “A Nova Classe Média - O Lado Brilhante da Base da Pirâmide”, participou nesta quinta-feira de debate sobre o assunto.

Dos arquivos do blog:


2014 – Após a renda do brasileiro ter aumentado nos últimos anos, na esteira do crescimento econômico, o pesquisador não se arrisca a dizer como será sua evolução num intervalo de tempo mais extenso, a partir de 2014. “Estamos em um momento de pleno emprego, mas é arriscado dizer qual será a renda real das famílias da nova classe média”, disse.

Para Neri, por ora, não há sinal de que haverá reversão da ascensão social dos mais pobres. A classe média, aliás, ganhou força, segundo dados apurados até junho. De acordo com o economista, o mercado de trabalho faz mais diferença para o consumo destas pessoas do que o acesso crédito. “O que importa para elas é trabalhar e ter dinheiro no bolso para consumir”, explicou.

Novo consumidor – A nova classe média, hoje com maior poder de compra, tem tido acesso a bens e serviços que, anteriormente, eram restritos às classes A e B, tais como planos de saúde, escolas particulares e previdência privada. Neri lembrou que a má qualidade na oferta de serviços tem gerado nesse novo consumidor uma sensação de frustração. Na avaliação do especialista, é para essa insatisfação que as empresas têm de olhar. “Esta é a nova agenda no Brasil. As pessoas estão consumindo fortemente, e são exigentes”, afirmou.

Segundo Neri, os pacotes do governo para melhorar a infraestrutura do país – tal o programa de investimento de ferrovias e rodovias anunciado nesta quarta-feira – são de “extrema importância” porque esses novos consumidores aumentam os desafios do país. Em outras palavras, as pessoas estão consumindo o que antes não tinham acesso, como viajar de avião, por exemplo, o que tem aprofundado os gargalos dos aeroportos do país.

A alta da inadimplência verificada nos últimos meses não deve ser considerada o pior problema da classe C, na visão do economista. “O problema no Brasil não é de endividamento, mas sim as altas taxas de juros”, declarou. Outro problema, na opinião do pesquisador, é baixa taxa de poupança do brasileiro.

Comparações – Para o pesquisador, não é possível comparar a classe média americana à brasileira porque os perfis são muito diferentes. A renda das famílias e o tipo de consumo são bastante distintos. Neri relata que, desde 2004, quando houve o início da ascensão da classe média, o Brasil teve três saltos: mais pessoas tiveram acesso a cursos técnicos, houve aumento do número de pessoas com carteira assinada e a qualificação profissional também melhorou. Para o pesquisador, o acesso à educação é um avanço muito importante que contribui para a ascensão da classe C. "Quem olha para a classe média com olhar estrangeiro – de fora para dentro – não percebe o valor do que tem acontecido", disse. Essas particularidades representam outros elementos que não permitem equiparar a realidade brasileira com a americana.

O coordenador do CPS/FGV preferiu comparar o crescimento brasileiro ao de China e índia, que classificou como “invejáveis”. Contudo, na opinião do economista, no Brasil há um fator qualitativo: a redução da desigualdade. “No Brasil, o crescimento é mais sustentável porque temos a redução da desigualdade, que vem caindo nos últimos onze anos”, disse. “Este é o ingrediente brasileiro do crescimento”, comemorou.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Projeto Nacional: A vez da classe D

Texto do Projeto Nacional - @projetonacional

Por: Fernando Brito



Os últimos anos foram da classe C, que se tornou a vedete do desenvolvimento econômico brasileiro e passou a concentrar 53% dos brasileiros e superar o consumo, somado, das classes A e B.

Dos arquivos do blog:

Agora, segundo levantamento feito pelo jornal Brasil Econômico e pelo Instituto Datapopular, é a vez da classe D tomar o lugar na ribalta.

São perto de 50 milhões de brasileiros, com renda – hoje – entre R$705 e R$1126 e que, até 2012, responderão por R$ 400 bilhões em compras de bens e serviços.

Na verdade, este número é a soma das classes D e E. Só que a E, pelas contas de Renato Meirelles, diretor do Datapopular, estará extinta.

Não, é claro, como desejaria uma parte de nossa elite, fisicamente. Extinta porque terá migrado toda para a classe D.

A pesquisa é ainda mais interessante porque revela outros números promissores.

“Há 800 mil novos universitários na classe D . Há muita gente entrando no mercado de trabalho com empregos formais. E a proporção destes indicadores cresce mais na classe D do que nas demais”, diz Meirelles.

Os analistas ouvidos na matéria são unânimes em apontar os integrantes da classe D como mais equilibrados no uso do crediário e no endividamento, o que prenuncia um impacto sadio no seu perfil de consumo.

Agora, perdoem os estudiosos formuladores de teorias econômicas complicadas, sabem o que vai catalisar esta subida de perfil.

O bom e velho salário-mínimo, que terá uma elevação de cerca de 14% a partir de janeiro.

Se nossa indústria e nosso comércio tiverem um pouquinho de senso de oportunidade, verão que ali vão se abrir grandes oportunidades de venda, se souberem se adequar a um consumidor que terá um ingresso extra entre 60 e 150 reais mensais.

O perfil do que pretendem fazer com este dinheiro extra está desenhado na pesquisa do Datapopular, reproduzido no gráfico.

Se os juros baixarem, se forem oferecidas condições de compra adequadas, se quiserem ganhar menos por unidade e mais por volume, a oportunidade está aí para voltar a girar com força a roda da economia.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Bloomberg: expansão da classe média provoca crescimento recorde do mercado hoteleiro.

Matéria da  Bloomberg, com (péssima) tradução minha.

Por Nadja Brandt 

Os hotéis provavelmente terão crescimento recorde da demanda este ano no Brasil, estimulando as cadeias internacionais à duplicar a sua participação no mercado do maior país da América do Sul em uma década, diz a Jones LaSalle Lange Hotels.

A receita por quarto disponível provavelmente saltará pelo menos 20% este ano no Brasil, de acordo com Ricardo Mader, vice-presidente executivo de uma empresa de consultoria de imóveis baseada em São Paulo. A RevPAR,  uma medida de ocupação e preços, subiu um recorde de 17% em 2010, de acordo com uma pesquisa com cerca de 400 hotéis realizada pela Jones Lang LaSalle Hotels, integrante da Jones Lang LaSalle Inc. (JLL), de Chigaco

A demanda por quartos de hotel no Brasil tem sido alimentada pela classe média, que cresceu para mais de 50% população do país pela primeira vez, disse Mader. Ocupação e preços crescentes têm atraído maior interesse de investidores estrangeiros e de hoteleiros internacionais, que operam 3,8% dos hotéis do Brasil, disse ele.

"A maioria dos novos projetos que vemos são de cadeias internacionais", disse Mader em entrevista por telefone. Eles provavelmente duplicarão a sua participação no mercado do Brasil dentro de 10 anos, disse ele.

Os preços de quartos no Brasil, medidos em dólares americanos, subiram 27% no primeiro semestre, o maior aumento entre os países sul-americanos, de acordo com a STR Global, com sede em Londres. Isso comparado com um aumento de 3,4% na América do Norte. A STR foca em cadeias de hotéis, enquanto o relatório da Jones Lang LaSalle Hotels inclui muitos proprietários independentes, locais, disse Mader.

Aumento sem precedentes
A Jones Lang LaSalle Hotels tem assessorado fundos de private equity e investidores institucionais  dos EUA, Europa e América Latina, bem como do Oriente Médio e da Ásia, em expansão no Brasil, disse Clay Dickinson, vice-presidente executivo da empresa. Tem havido "um aumento sem precedentes na quantidade de investidores internacionais avaliando oportunidades de desenvolvimento no Brasil este ano", disse ele.

A Host Hotels & Resorts Inc. (HST) comprou no ano passado um JW Marriott de 245 quartos no Rio de Janeiro, a cidade que sediará as Olimpíadas de 2016. A Bethesda, fundo de investimento imobiliário baseado em Maryland, pagou cerca de US$ 48 milhões pelo o hotel, localizado perto da praia de Copacabana.

O Morgans Hotel Group Co (MHGC), o operador de hotéis boutique em Nova Iorque, entre os quais, o Royalton e Mondrian, planeja acrescentar propriedades no exterior, inclusive no Brasil, disse seu CEO, Michael Gross, em maio.

50 Hotéis Marriot
A Marriott International Inc., maior cadeia hoteleira de capital aberto dos EUA, disse em novembro que planeja aumentar de 4 para 54 o seu número de hotéis no Brasil. A empresa Bethesda, baseada em Maryland, planeja desenvolver 50 hotéis “Fairfield by Marriott” em todo o Brasil, numa parceria com a PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações, baseada no Rio de Janeiro.

Um aumento nos investimentos internacionais no Brasil, particularmente no mercado hoteleiro de alto nível, dependerá da disponibilidade de financiamento, de acordo com Mader.
"Uma coisa que ainda é um grande problema é a falta de financiamento", disse ele. "O Brasil não é um mercado maduro e os bancos comerciais ainda não financiam hotéis. Quando o financiamento estiver mais disponível nós veremos muito mais hotéis de luxo internacionais. "

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Guilherme Barros: impulsionado por baixa renda, consumo de alimentos cresceu 20% no 1º Tri, revela estudo.

Texto do Blog do Guilherme Barros, no IG.


O consumo de alimentos no Brasil cresceu 20% durante o primeiro trimestre, impulsionado principalmente pelas classes D e E, segundo levantamento da Kantar Worldpanel.

Em valor, a expansão do consumo cresceu 15% na comparação com igual período de 2009.

O maior crescimento das classes D e E ocorreu nas regiões Norte e Nordeste. De acordo com o estudo, na média Brasil, as duas faixas de renda consumiram 17 categorias de cestas monitoradas pela Kantar, enquanto que nas regiões Norte e Nordeste foram 20 tipos.

O consumo da classe C vem logo na sequência, com um crescimento de 16% no número de cestas compradas no período.

“Em resumo, podemos dizer que as classes D e E do Norte e Nordeste foram as campeãs do consumo no primeiro trimestre de 2010”, diz Christine Pereira.

“Na região os não duráveis são o destaque. O aspiracional ali é a mesa farta”, acrescentou.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Valor: a promissora classe C.

Artigo publicado no Valor, copiado daqui e seguido de comentários do Blog do Alê sobre o mesmo texto.

A promissora classe C
Maria Clara R.M. do Prado

Nem todos se deram conta da extraordinária transformação pela qual passa a sociedade brasileira. O ingresso no mercado de boa parte da população que vivia à margem das oportunidades tem enormes implicações que não se esgotam no campo econômico. Muito pelo contrário, as consequências da mudança na renda das famílias tendem a se refletir cada vez com mais intensidade na tomada de consciência do cidadão sobre seus direitos e deveres. A consequência é política, antes de tudo.

A grande maioria dos expectadores das novelas da Globo já não está mais limitada aos sonhos que a vida espetaculosa dos personagens estimulava na tela. As pessoas da nova classe C brasileira viajam de avião, ao invés de pau-de-arara. Vestem-se em lojas de departamento, ao invés do bazar da esquina. Podem comemorar o Dia das Mães no restaurante do bairro, andar em carro próprio, ter mais de um celular e, nestes dias de pré-Copa, comprar aquele aparelho de TV de tela plana que garantirá ao torcedor um novo status.
 

É essa confiança na possibilidade de melhora que move hoje a sociedade. O acesso ao mercado dos chamados "emergentes à classe C" não deve ser tratado como uma simples questão de aumento de consumo a partir da visão simplista do que isso representa em termos de pressão sobre preços, inflação e temas congêneres como taxa de juros e disponibilidade de crédito.

Muito para além dos aspectos puramente macroeconômicos - que, diga-se, envolvem uma preocupação pertinente - a inserção no mercado de uma imensa massa de consumidores nos últimos anos carece de análises mais aprofundadas sobre o significado que isso efetivamente tem, socialmente e politicamente.

Uma recente pesquisa patrocinada pela Febraban e realizada pela empresa Data Popular, dedicada justamente a traçar o comportamento do que chama de "base da pirâmide" no que tange à renda, mostra que a nova classe C percebe o consumo como sinal de inclusão social por meio da melhoria de padrão de vida. Para o "ascendente social", ter acesso a bens que antes só podiam ser almejados com desesperança, funciona psicologicamente como uma espécie de comprovação de que, finalmente, a pessoa conseguiu se desvencilhar das restrições que a mantinham segregada, escondida e sem voz, um ser sem importância, sob qualquer ponto de vista.

Entre os resultados da pesquisa realizada no mês de janeiro com famílias da classe C nas cidades de São Paulo, Rio, Recife e Porto Alegre, está a constatação de que em um país cuja sociedade discrimina pela cor e pela classe social, vestir-se bem e ter tecnologia de última geração é de extrema relevância para os jovens da nova classe C. Mostra que estão economicamente e politicamente inseridos. A pesquisa também apurou que em muitas ocasiões, dependendo do produto, o consumo pode se confundir com investimento: no caso de roupa (vista como uma forma de melhorar a aparência para a conquista ou manutenção de um emprego), computador, moto e educação.

Os filhos da nova classe C são os propulsores das mudanças de comportamento da geração mais velha, seja pela tecnologia, seja pelas opiniões sobre os temas de maior destaque na pauta política como aqueles ligados à questão ecológica, envolvendo gastos com energia, água, tabagismo, enfim.

A nova classe C poupa apenas para comprar mais adiante um bem de maior valor. Tem o objetivo de investir apenas na educação dos filhos. Sabe que a verdadeira ascensão social se faz por meio da educação. Note-se que essa classe já responde, de longe, pela maior fatia de participação em importantes setores da economia. Na área de seguros, 61,9% dos usuários estão na classe C, que também explica 63,6% do consumo de planos de saúde e 61% dos cartões de crédito.

A relação com o cartão de crédito, vale notar, nem sempre segue o padrão usual. Primeiro, é visto por muitos como um instrumento de apoio em momentos de emergência e por isso mesmo, não raro, fica guardado em casa. Mas há situações curiosas como os casos em que os cartões de crédito são emprestados para amigos e familiares. Ninguém se preocupa muito com taxa de juros na nova classe C. Quando o dinheiro vai para a poupança, nos bancos, a motivação principal é a segurança ou um objetivo específico de consumo. Tem razão um economista ouvido pela coluna: "a sociedade brasileira pratica a mais alta taxa de juros do mundo dada a preferência por consumir hoje, ao invés de adiar o consumo para o futuro".
Ele sabe também que o fenômeno tem a ver com a má distribuição de renda e o achatamento do poder aquisitivo da imensa maioria dos brasileiros por anos a fio. Isso explica a alta propensão a consumir desses "emergentes" diante da melhoria da renda.

A ampla pesquisa da Febraban impõe relevo à importância da classe C. Teve como objetivo justamente traçar o perfil dessa massa de pessoas que saiu da marginalidade e entender de que forma poderão ser educadas financeiramente. É, para os bancos, um filão a ser conquistado, assim como deveria ser para os políticos e para outros segmentos que teimam em ver o Brasil com olhos dos anos 60!

A preocupação permanente com os efeitos macroeconômicos dessa verdadeira revolução sócio-econômica se reflete no cíclico desequilíbrio entre demanda e oferta. Assim como no primeiro semestre de 2008, hoje as vendas no varejo ultrapassam a casa dos 2 dígitos de crescimento, influenciado, entre outros fatores, justamente pela entrada, em 4 meses, de 1 milhão de novos consumidores, pela via emprego formal. Emprego formal, que aquece a demanda pela via direta da maior remuneração, mas principalmente pela confiança em assumir compromissos de longo prazo. Nos últimos 6 anos, o crédito cresce 20% ao ano no Brasil.

As condições para esse crescimento nas vendas do varejo estavam claramente criadas a partir do terceiro trimestre de 2009, quando se verificou que a crise internacional não havia sido capaz de interromper o ciclo de empregabilidade iniciado em 2004. De fato, surpreendentemente o Brasil criou cerca de 1 milhão de empregos formais em um ano de recessão no mundo e até mesmo no Brasil. Como um país com PIB zero pode criar tantos postos de trabalho?
A resposta pode explicar o atual desequilíbrio entre oferta e demanda que tanto preocupa as autoridades monetárias. O resultado decepcionante das contas nacionais em 2009 se deu principalmente pela via do investimento. O presidente Lula inúmeras vezes assinalou que quem apostar contra o Brasil, perderia dinheiro. E a falta de investimentos ajuda a alimentar o círculo vicioso responsável pela nossa histórica tendência pelo ‘voo de galinha’.

Como mostra com muita precisão a matéria, o Brasil está voltando a crescer pela via da inclusão social, pela introdução no mercado de consumo de uma grande parcela da população que não tem, ainda, capacidade de poupança. Cada real que entra vai para o consumo, seja na melhoria da alimentação, o investimento na educação dos filhos ou mesmo na compra de bens duráveis absolutamente básicos para a vida urbana. São pessoas que estão com urgência para ter aquilo que para a classe média sempre fez parte do seu dia a dia.

Como disse a manchete de uma matéria dessa semana no Valor Econômico, é difícil desacelerar uma economia que gera 300.000 empregos formais por mês. É overdose na veia sem antídoto. Nossa única saída é multiplicar o incentivo ao investimento, despertar o espírito animal do empresariado. Esse novo ciclo de crescimento não pode ser abatido nem por um aperto monetário exagerado que desestimule o empreendedorismo, nem por uma leniência com o imposto inflacionário, pois este afeta principalmente essa promissora Classe C.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Brasil Econômico: população de baixa renda está comprando alimentos melhores, aponta pesquisa da FIESP.

Matéria do Brasil Econômico.


As tendências de alimentação para as classes rica, média e pobre indicam que as pessoas de menor poder aquisitivo, que só compravam o básico, passaram a procurar por alimentos mais elaborados, melhores e saborosos.

A constatação é da pesquisa Perfil do Consumo de Alimentos no Brasil, encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao Ibope e apresentada hoje (18) no seminário Brasil Food Trends 2020.

"Você tem o mercado direcionado ao rico, e sempre haverá alimentos mais sofisticados ainda. Por outro lado, há alimentos hoje que eram reconhecidos como sofisticados, mas que são acessíveis também para as categorias mais baixas", afirmou o coordenador técnico do Brasil Food Trends 2020, Raul Amaral Rego.

Entre as pessoas das classes A, B e C, 59% disseram que na hora de decidir pela compra é importante ter uma marca de sua confiança, 47% admitiram que analisam se o produto é gostoso e 32% afirmaram que avaliam se o produto é mais nutritivo. Os que avaliam se o alimento é de qualidade são 29% e os que dão importância para o preço baixo são 28%.

A pesquisa indicou ainda que a marca exerce maior influência na compra do arroz (44%), feijão (36%), café (32%), leite(24%), dos iogurtes (19%), das bolachas e dos biscoitos (14%) e dos alimentos congelados e semiprontos (13%).

Os produtos que mais despertam o desejo do consumidor quando lançados no mercado são os iogurtes (32%), as bolachas e os biscoitos (28%), o suco pronto para beber (27%), os chocolates e os bombons (25%), os queijos (24%) e os alimentos congelados e semiprontos (21%).

O gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Antonio Carlos Costa, disse que é difícil prever o futuro com relação às tendências alimentares da sociedade brasileira.

"Nós não fizemos uma segmentação entre as classes rica, média e pobre. Quando falamos dessas tendências na pesquisa, algumas dessas peculiaridades ficam claras. Mas é interessante notar que o consumidor brasileiro está preocupado com os atributos como a segurança dos alimentos, qualidade, ética. Então é realmente um desejo da sociedade como um todo".

Para a coordenadora do curso de nutrição do Centro Universitário São Camilo, Sandra Chemim, quando o alimento é visto apenas pela praticidade, leva a um risco e mostra que a população brasileira está engordando cada vez mais. "A população busca produtos práticos, porém nem sempre ideais e nutritivos".

Segundo ela, aqueles que têm pouco tempo para se alimentar devem buscar uma alimentação mais diversificada possível. "O ideal é seguir a cultura alimentar: arroz, feijão, carne, verdura, legumes e frutas. Com isso atendemos todas as necessidades".

Sandra destacou como ponto positivo da pesquisa o fato de que as pessoas, independentemente da classe social, vão buscar os produtos pela qualidade e pela saudabilidade.

"Começamos a perceber que a população brasileira se preocupa muito com a saúde. Ou está começando a se preocupar. A população vai buscar algum produto que traga algum elemento que vai deixá-la mais saudável", disse.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Folha: renda de negros cresce 222% em comparação com 2002.

Matéria da Folha republicada e comentada pelo Blog do Alê.


Renda de negros cresce 222% em 8 anos Consumidores negros e pardos devem fechar 2010 com receitas de R$ 546 bi, o que representa 40% do total das famílias. Dados incluem rendimento de trabalhos avulsos e temporários; salário do negro, no entanto, ainda equivale à metade do do branco.

Folha de S. Paulo - Os consumidores negros e pardos devem fechar 2010 com uma renda de R$ 546 bilhões no bolso, o que equivale a 40% do total previsto para todas as famílias (negras e não negras) do país, de R$ 1,38 trilhão. Isso significa que, a cada R$ 10 disponíveis para o consumo neste ano no Brasil, R$ 4 estarão em poder de trabalhadores negros e pardos (com ou sem carteira assinada). No total da população, eles representam 51%. Em 1998, eram 45%.

As projeções da renda disponível neste ano foram feitas pelo Data Popular, instituto de pesquisas e consultoria, a partir dos rendimentos das famílias da Pnad de 2008, última disponível pelo IBGE. Os valores foram atualizados para 2010 e consideram a inflação medida pelo IPCA no período, os reajustes concedidos ao salário mínimo nos últimos dois anos e a previsão de crescimento do país de 5% neste ano.


 

Em 2002, a massa de renda total de negros e pardos foi de R$ 170 bilhões. Se confirmada a previsão deste ano (R$ 546 bilhões), o crescimento será de 222% em relação àquele ano. O resultado chama a atenção porque o salário de um negro ainda é cerca da metade do de um branco. Mesmo assim, a massa de renda dos negros já representa 40% do total. O que explica essa aparente contradição é que no total de rendimentos das famílias não entram somente salários. No cálculo estão todas as fontes de receita - como trabalhos avulsos (bicos) e temporários.

A disparidade salarial obrigou as famílias negras a estimularem também o trabalho de crianças e adolescentes para complementar a renda. "Em uma família branca, que, em geral, é menos numerosa, é comum encontrar só o pai como gerador de renda", diz Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto. "Na família negra, os filhos trabalham. Se não for assim, não terão como pagar a faculdade e melhorar de vida."

Aqui um parênteses, para dizer que não é fenômeno novo a disparidade salarial obrigar as famílias negras a estimularem também o trabalho de crianças e adolescentes para complementar a renda. Ao contrário é uma chaga que já foi muito maior no século passado e tende a perder força a medida em que os salários se equalizem.
O aumento de emprego formal e o maior acesso à educação e ao crédito são as principais razões para explicar a alta no poder de consumo dos negros. De 1998 a 2008, a proporção de negros e pardos com ensino superior completo no total de adultos (25 anos ou mais) passou de 2,2% para 4,7%.
"As políticas públicas que vêm sendo desenvolvidas desde o final do governo FHC também contribuem para ajudar na inserção do negro no mercado de trabalho", diz Meirelles. "Antes, havia mais negros na informalidade, com renda ainda menor. Hoje não há como falar sobre a nova classe média brasileira sem falar no negro." A classe C negra deve ter disponível renda de R$ 187 bilhões neste ano -ou 43,8% da renda total prevista para a classe C (com renda de 3 a 10 mínimos).
Mas as empresas ainda estão longe de atender ao anseio desse consumidor. "Ter uma política de inclusão não significa somente ter um sabonete específico ou colocar o negro como garoto-propaganda. Isso é um avanço, mas é preciso entender os valores e a cultura negra." Alcir Gomes Leite, diretor-executivo e sócio da DM9, diz que empresas e marcas estão "aprendendo" a olhar para a classe C independentemente de sua cor. "Ainda existem erros absurdos de criar estereótipos para essa classe, que tem hábitos e um jeito próprio de ser. O Brasil é um país de classes C e D, acho estranho considerar que são nichos de mercado."

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Valor: bolsa-família e crescimento do NE já reduzem o flagelo das migrações para o Sul.

Texto publicado no Blog do Alê acerca de matéria do Valor.

Em poucos parágrafos, a matéria "Construtoras já temem apagão de mão de obra", publicada no Valor Econômico de hoje, confirma que o Brasil está mudando de fato. Leitura obrigatória, nem é preciso comentar muito, pois para bom entendedor, ‘meia palavra basta’. Apenas destaco em negrito os efeitos palpáveis dessa mudança, que para quem está no topo é silenciosa e quase imperceptível. Por isso, a imprensa brasileira estar usando tanto a frase 'o mercado se surpreendeu'.
São as empresas do setor que acreditam que o Bolsa Família e o próprio aquecimento do mercado nordestino estão provocando a redução das migrações do Nordeste, não é discurso governamental. Se alguém acha que essa redução não é uma boa notícia ou que é pouco, paciência, em outubro teremos opções para estes.

"As construtoras venderam R$ 22 bilhões em imóveis em 2008, R$ 26 bilhões no ano passado e já anunciaram planos ambiciosos para este ano: as maiores falam de expansão entre 30% e 50%. Quase todas essas obras já começaram a ser erguidas ou estão perto de sair do papel. A dúvida é se haverá braços para atender tamanha demanda. Os mais alarmistas já temem um apagão de mão de obra. Está difícil contratar profissionais qualificados e com experiência. Empresas, que atuam na baixa renda, resolveram efetivar funcionários antes terceirizados, criando planos de carreira e até em remuneração variável para o pessoal de obra.
Segundo o Sinduscon, 40% dos que trabalham em obras são serventes e 60%, qualificados. As empresas acreditam que o Bolsa Família e o próprio aquecimento do mercado nordestino provocaram a redução das migrações do Nordeste.
Para ter gente suficiente e bem treinada, as empresas adotam as mais diferentes estratégias. Na maioria das construtoras, os canteiros viraram escolas. Entre um tijolo e outro, os funcionários fazem uma pausa para participar de cursos de capacitação ou mesmo alfabetização.

A corrida por estagiários de engenharia civil e os programas de trainee também se tornaram comuns no setor. A Gafisa efetivou 103 engenheiros no ano passado, um recorde para a empresa, e este ano está com 450 estudantes na companhia. A MRV, que este ano vai construir 40 mil unidades, investe em um programa de trainee e contratou 5 mil novos funcionários apenas para os canteiros desde janeiro. Já conta com 18,5 mil trabalhadores nas obras.

"Na década de 80, se você anunciasse uma vaga na obra, fazia fila", afirma Rubens Menin, presidente da MRV. "Hoje, precisamos investir em capacitação e participação nos lucros para reter os profissionais".
O efeito direto dessa falta de mão de obra se vê nos salários: o piso do setor varia entre as cidades, mas um ajudante ganha, em média, R$ 770. Um mestre de obras ganha mais de R$ 4 mil, chegando a quase R$ 10 mil no mês do pagamento da participação nos lucros. (Daniela D'Ambrosio)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Folha: Brasil reduziu o proporção de pobres durante a crise mundial,

 Matéria da Folha Online.

TATIANA RESENDE, da Folha Online

A classe C ampliou sua participação para 49% da população brasileira em 2009, ano marcado pela crise financeira global, ante 45% no ano anterior. Já as classes A/B subiram de 15% para 16%, enquanto as D/E caíram de 40% para 35% do total, de acordo com pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Cetelem, financeira do grupo francês BNP Paribas, em conjunto com a Ipsos.

Segundo o "Observador Brasil 2010", a expansão da classe C chegou a 15 pontos percentuais, considerando os dados desde 2005, quando essa fatia da população representava 34% do total. Naquele ano, as classes A/B respondiam por 15% e as D/E por 51%.

Nos últimos cinco anos, a classe C ganhou 30,2 milhões de consumidores. Já os segmentos D/E perderam 26,1 milhões.

Entre 2008 e 2009, a renda familiar média mensal caiu nas classes A e B de R$ 2.586 para R$ 2.533, mas subiu na C (de R$ 1.201 para R$ 1.276) e nas D/E (de R$ 650 para R$ 733).

Já a renda disponível, calculada subtraindo do rendimento total todos os gastos e investimentos, caiu em todos os estratos. Nas classes A/B, o número em 2009 foi de R$ 690, ante R$ 834 no ano anterior. Na C, caiu de R$ 212 para R$ 204 e nas D/E de R$ 69 para R$ 61.

Na análise por regiões, o Nordeste e o Sudeste tiveram um aumento da renda familiar mensal semelhante entre 2008 e 2009, de R$ 178 e R$ 179, respectivamente. No entanto, a renda disponível foi R$ 65 maior no Nordeste, e R$ 14 inferior no Sudeste.

As classes sociais utilizadas no estudo são as definidas pelo CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil), fornecido pela Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa). A pesquisa se baseia em uma amostra de 1.500 entrevistas, realizadas entre os dias 18 e 29 de dezembro de 2009 em 70 cidades, abrangendo nove regiões metropolitanas do país.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Terra: Com foco na classe C, Azul planeja crescer 50% em 2010.

Matéria do Portal Terra.

Guilherme Mergen
Direto de Porto Alegre

Apostando no potencial da classe C, a Azul Linhas Aéreas estabeleceu metas ousadas para o seu segundo ano de operações no mercado brasileiro. Em 2010, a empresa projeta um crescimento de 50% e quer se consolidar como a terceira maior companhia área do País, lugar atualmente ocupado pela WebJet. As pretensões foram apresentadas nesta quarta-feira pelo sócio-fundador da Azul, David Neeleman, durante encontro com empresários em Porto Alegre.
Atualmente, segundo dados de fevereiro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Azul é a quarta companhia do Brasil, com pouco mais de 5% do mercado - atrás de TAM, Gol Varig e Webjet, que respondem por 42%, 41% e 6% de participação, respectivamente. Desde o final do ano passado, a empresa de Neeleman tem registrado a maior taxa de ocupação no País, com quase 90% de lotação em suas aeronaves.

Para alcançar os 50% de crescimento, a companhia colocará em operação mais sete aeronaves modelo Embraer 195 até o final do ano, contabilizando 21 aviões. Segundo Neeleman, o número de rotas deve aumentar das 19 atuais para até 30, com quatro novos destinos. "Ainda não podemos dar detalhes dessas rotas e cidades. No entanto, com esses planos, a nossa projeção de crescer 25% saltou para 50%", disse o sócio-fundador da empresa, sem citar valores.

Para chegar ao 3º lugar no mercado, Neeleman aposta, além do avanço de sua empresa, na estagnação da maior concorrente, a Webjet. "Pelo que ouço, eles (Webjet) não têm tanta perspectiva de crescimento neste ano. Essa projeção, aliada ao nosso desejo de dominar metade do mercado onde atuamos, nós permite ocupar o lugar que planejamos. Mas, sinceramente, não importa o percentual que temos do mercado. O que importa é dominar onde estamos voando, com voos diretos e mais frequentes e um serviço satisfatório", afirmou.

Ofensiva na classe C

A partir de abril, a Azul deve iniciar uma nova ofensiva para atrair passageiros na classe C. Além de continuar com promoções como os passaportes, a empresa quer facilitar o processo de compra de passagens para pessoas sem cartão de crédito ou com limite reduzido. Conforme o sócio-fundador, qualquer cliente com conta corrente poderá adquirir pela internet a passagem parcelada, mediante o fornecimento de alguns dados.
"Tem uma fatia da classe C que deixa de viajar de avião por causa dessa questão do cartão de crédito. Queremos esse mercado. Por isso, daremos outras opções. Não posso detalhar muito ainda, mas antecipo que vamos aceitar quase todas as formas de pagamento. Nossa meta é ensinar as pessoas a andarem de avião", disse. Nas próximas semanas, com primeira parte da ofensiva, a companhia aceitará o pagamento em cheques.

Capital estrangeiro

No almoço com empresários da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), Neeleman mostrou-se indiferente à proposta encaminhada ao Congresso que permite às companhias brasileiras fixarem até 49% de capital estrangeiro. Na opinião dele, o projeto é benéfico somente para Gol e TAM, que possuem acionistas no mercado internacional.
"Não tememos a possibilidade de outras companhias crescerem com investimentos estrangeiros. Estamos girando o caixa, com lucro. Portanto, temos capital para investimentos, sem necessidade de buscar lá fora. Nenhuma companhia no mundo começou a operar com tanto capital com a Azul, disse, informando que a empresa alcançou 2,2 milhões de clientes no primeiro ano de atuação (2009).

Insatisfação com Congonhas

Apesar de a Azul ter garantido a permissão para operar em oito horários de pousos e decolagens de Congonhas, em São Paulo, Neeleman chamou de "ridícula" a distribuição de slots comandada pela Anac na semana passada. De acordo com ele, a agência destinou cerca de 80% dos voos a companhias como TAM e Gol, que atualmente já operam em mais de 95% dos horários no aeroporto paulista.
"É ridículo. A Anac deveria distribuir os novos voos de forma igual, como ocorreu no final do ano passado no Santos Dumont (Rio de Janeiro) - quando a empresa começou a operar no aeroporto carioca. Lá, TAM e Gol ganharam 20%, e não 80% como no Congonhas", disse.
Mesmo com o direito de operar em oito horário, o sócio-fundador da Gol adiantou que a companhia deve atuar, por enquanto, com apenas um voo. "Nossos slots são somente no fim de semana. Por enquanto, pensamos em um voo. Ainda não pensamos na rota. Teremos de avaliar onde encontraremos uma demanda específica de fim de semana", afirmou.

terça-feira, 9 de março de 2010

Portal Exame: os esforços das grandes empresas para entrar o "novo mercado" nordestino.

Matéria do Portal Exame.


Executivos de companhias como Danone, Kraft e Natura criam "minicorporações" dedicadas exclusivamente a fazer negócios na região que mais cresce no paísJoão Werner Grando, de EXAME 09/03/2010
10:39

Um dos prédios mais altos na paisagem de Picos, no interior do Piauí, é o da igreja matriz de Nossa Senhora dos Remédios. A única agitação na rotina pacata da cidade, conhecida como a capital do mel e localizada a 320 quilômetros de Teresina, acontece quando uma banda regional, como a Aviões do Forró, resolve fazer um show por ali. Como muitos municípios no interior do Nordeste, até pouco tempo atrás Picos estava simplesmente fora do mapa de negócios de grandes empresas. Foi só em 2009 que seus quase 70 000 habitantes começaram a encontrar regularmente nas mercearias locais iogurtes da Danone, marca presente no mercado brasileiro há 40 anos.

Chegar até o interior do Piauí custou à companhia mais do que apenas alguns quilômetros a mais na estrada. Hoje, os produtos vendidos ali - alguns criados exclusivamente para o mercado nordestino - resultam do trabalho de uma estrutura até pouco tempo atrás inexistente. Há pouco mais de um ano, uma equipe de 180 profissionais de áreas como vendas, marketing e logística passou a reproduzir na região uma versão reduzida da estrutura da sede da Danone, localizada em São Paulo. Com base em Recife, a diretoria de Nordeste da empresa tem autonomia para lançar produtos exclusivos para a região, planejar campanhas de marketing locais e gerenciar o caixa. "Nossas vendas na área hoje crescem três vezes mais do que no restante do país", afirma a paulista Edna Giacomini, diretora da região Nordeste da Danone. "Para atender esses consumidores com a rapidez necessária, precisávamos estar fisicamente mais próximos."

Executivos de companhias como Kimberly-Clark, Natura e Kraft chegaram à mesma conclusão nos últimos anos. Para conhecer rapidamente esses milhões de novos consumidores, todos eles passaram a tratar o Nordeste com status semelhante ao de um país. Em vez de instalar apenas uma equipe regional de vendas, essas empresas montaram uma organização inteira para pensar sua estratégia - da concepção dos produtos à distribuição. Todas se debruçam sobre o que ainda é, em grande parte, uma massa de consumidores desconhecidos que até recentemente compravam apenas gêneros de primeira necessidade.

Com 28% dos habitantes brasileiros, o Nordeste mantém desde 2004 a maior média de crescimento em renda familiar do país, acima de 6,5% ao ano. Com mais dinheiro no bolso, os hábitos de consumo mudaram rapidamente. Uma pesquisa da Kantar Worldpanel (ex-Latin Panel) mostrou que, no final do ano passado, os gastos absolutos com alimentação e higiene das classes D e E do Norte e Nordeste superaram em 5% as despesas das classes A e B do Sudeste - resultado inverso ao que tradicionalmente esse levantamento apontava.

O primeiro passo da Danone para entender as regras desse "velho novo" mercado aconteceu em 2007, com o envio de um time de seis pesquisadores, que partiram numa peregrinação pela região coordenada (e algumas vezes acompanhada pessoalmente) por Edna. O grupo visitou 15 municípios nordestinos, como Picos, para conhecer 3 000 pontos de venda e entender os hábitos de consumo de 60 famílias.

Nessas visitas, eles abriram os armários dos consumidores, conversaram com alguns clientes nas mercearias e tentaram entender o que a população queria comprar e por quê. As informações colhidas nos cerca de oito meses em que os executivos da Danone bateram perna sob o escaldante sol nordestino revelaram que seria preciso criar uma estrutura local capaz de fazer adaptações na linha de produtos e de gerenciar de perto a distribuição. "Esse é um mercado totalmente novo, em que não valem as mesmas regras de outras regiões do país", diz Eduardo Ragasol, presidente da consultoria Nielsen.

No lugar de um simples escritório de vendas, a Danone criou uma estrutura com nove departamentos subordinados diretamente a Edna - seis dos quais comandados por gerentes contratados localmente, como os de inovação e de logística. A área de vendas se transformou numa rede de 30 gerências espalhadas pelos nove estados da região.

Faz parte do trabalho desse pessoal adaptar os produtos ao bolso do consumidor local. Em 2008, a Danone colocou nas prateleiras do varejo do Nordeste embalagens unitárias do iogurte Corpus, vendido a 49 centavos. No ano seguinte, repetiu a estratégia com o Danoninho Cremoso, uma variação exclusiva do iogurte, cotada a 79 centavos a unidade. "No mercado nordestino, o consumidor precisa encontrar produtos que possa comprar com uma moeda", diz Edna.

OS PRODUTOS TÊM DE SER BARATOS - e têm necessariamente de ser adaptados ao gosto do consumidor local. Nesse ponto, o Nordeste é como outro país dentro do Brasil. s resultados de uma primeira incursão da fabricante de alimentos americana Kraft na área estimularam a criação de uma divisão específica para o mercado nordestino, no mesmo modelo de uma minicorporação, no final do ano passado. A primeira etapa do processo aconteceu em 2005, quando a Kraft inaugurou um escritório de marketing e vendas em Recife - coordenado a distância, de sua sede, em Curitiba.

Rapidamente, a equipe local percebeu que havia espaço para lançar novos sabores de suco em pó. Usando a conhecida marca Tang, a empresa lançou sabores de frutas regionais, como graviola, siriguela, cajá e acerola. Os novos produtos ajudaram a aumentar a participação do Nordeste de 5% para 13% no faturamento total da Kraft nos últimos quatro anos. A recém riada estrutura para atender a região, formada por uma equipe de 250 pessoas, não vai apenas cuidar dos negócios da região mais de perto, mas também comandar uma nova fábrica que será erguida em Vitória de Santo Antão, a 50 quilômetros de Recife. A unidade, que deverá estar pronta em 2011 e consumiu investimentos de 100 milhões de reais, vai produzir chocolates e suco em pó. "Com gerências e uma fábrica inteiramente dedicadas à região, poderemos fazer lançamentos com mais velocidade", afirma André Vercelli, diretor da divisão Nordeste da Kraft.

Entrar no Nordeste é, para as empresas de bens de consumo, uma experiência semelhante a entrar num novo mercado emergente - ainda que as dimensões possam ser menores. Hábitos, costumes e cultura têm enorme influência sobre o consumo. E é quase impossível entender um novo mercado a distância. Para entender o emergente mercado nordestino, o paulista Renato Abramovich, de 37 anos, se mudou para Salvador no início de 2008. Sua missão era comandar a então recém-criada divisão Norte e Nordeste da fabricante de cosméticos Natura. "Eu me surpreendi com o tamanho das festas de São João por aqui", diz ele.

No ano passado, Abramovich levou a Natura para dentro da longa e animada comemoração de São João realizada em Caruaru, em Pernambuco - evento que movimenta cerca de 10 milhões de reais e conta com o patrocínio de empresas como Nestlé e Kraft. No arraial da cidade pernambucana, que reúne 1,5 milhão de visitantes durante todo o mês de junho, a Natura montou um estande para apresentar a Água de Banho Cheiro de Moça Bonita, primeiro produto lançado pela empresa exclusivamente numa região (40 dias depois as vendas foram estendidas ao restante do país). Além do perfume temático, outras alterações foram feitas no catálogo local. Em janeiro de 2009, por exemplo, os perfumes passaram a ser vendidos em embalagens de 50 mililitros, metade do tamanho disponível em outras regiões do país.

Tal como o consumidor, o varejo nordestino se comporta de uma forma peculiar. Adaptar-se a ele é um dos grandes desafios das minicorporações instaladas na região. Segundo a consultoria Nielsen, o Nordeste concentra o maior número de lojas de pequeno varejo do país - são cerca de 100 000 pontos de venda, o equivalente a um terço do total nacional. Essa pulverização resulta numa distribuição cara e complexa.

Foi diante dessa dificuldade que a divisão Norte e Nordeste da Kimberly-Clark, criada em 2008, ajudou a desenvolver um processo que permite que os rolos de papel higiênico sejam achatados dentro da embalagem - e depois "desamassados" pelos clientes. Compactados, os mesmos rolos ocupam quase metade do espaço. Assim, um caminhão que rodava sertão afora com 7 000 quilos de papel agora carrega até 10 000 quilos. "Pelo menos 20% do tempo da equipe local é destinado ao contato com o departamento de inovação da sede", afirma Pedro Coletta, diretor da divisão Norte e Nordeste. "Aqui temos uma percepção dos problemas locais que é inatingível para quem está apenas sentado numa cadeira em São Paulo."

O que é o consumo nordestino - As principais descobertas feitas pelas empresas que mergulharam recentemente na região:
Muito além do básico
Segundo a Kantar Worldpanel (ex-Latin Panel), em 2009, pela primeira vez, os gastos com alimentação e higiene das classes D e E do Norte e do Nordeste superaram em 5% as despesas das classes A e B do Sudeste. Além disso, os gastos com produtos mais sofisticados aumentaram. O consumo de iogurtes no Nordeste cresceu 11,2% em 2009 - ante 6,6% no restante do país.
RESPOSTA Para lançar o Danoninho na região, a Danone incrementou a fórmula original com polpa de fruta. Hoje, as vendas da empresa no Nordeste crescem três vezes mais do que no resto do país.
COMPRAS MAIS FREQUENTES Os nordestinos costumam fazer compras, em média, 17 vezes por mês e gastam 10,50 reais em cada uma delas. Em todo o país, a frequência cai para 14 e o gasto médio sobe para 12,20 reais.
RESPOSTA A saída é oferecer produtos em embalagens menores. Há um ano, a Natura vende perfumes em embalagens de 50 mililitros, metade do tamanho disponível em outras regiões do país.
O VAREJO É MAIS PULVERIZADO De acordo com dados da Nielsen, o Nordeste concentra o maior número de lojas de pequeno varejo do país: existem cerca de 100 000, um terço do total nacional.
RESPOSTA A Kimberly-Clark está treinando seus distribuidores para fracionar a venda dos produtos para os pontos de venda. Assim, o dono de um mercadinho do sertão pode comprar, por exemplo, apenas dez absorventes íntimos, em vez de uma caixa com 64 unidades.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Brasil Econômico: a classe C movimenta o consumo e é assediada por bancos.

Matéria do Brasil Econômico:

Classe C movimenta consumo e é assediada por bancos.
Aline Lima 22/01/10 09:59


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Indústria e comércio dos mais diversos segmentos da economia se debruçam sobre a classe C que emerge como novo motor do consumo.

Estão todos empenhados em entender os hábitos, preferências e necessidades desse público que, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), já responde por metade da população brasileira (exatos 49,22%).

Mas por trás da demanda crescente por eletroeletrônicos, veículos, imóveis, entre outros produtos de uma lista de desejos sem fim, existem os recursos - e, em última instância, a alavanca do crédito. Como será, pois, a relação entre a classe média e o dinheiro?

Um levantamento feito pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com 800 pessoas em novembro do ano passado, intitulado "Perspectivas do consumo", oferece um retrato interessante dessa nova classe média (com renda familiar mensal de R$ 1.116 a R$ 4.807) sob o aspecto financeiro.

A estratificação da pesquisa por camadas sociais foi aberta com exclusividade para o Brasil Econômico. O objetivo do estudo é compreender o papel do crédito para esse grupo de consumidores e, além disso, verificar como eles lidam com a dívida.

A classe C se mostra otimista com a economia brasileira e, por extensão, com o próprio futuro financeiro. Quando questionadas sobre a situação econômica do país nos próximos 12 meses, 67,7% das pessoas da classe C acreditam que ela estará melhor.

Da mesma forma, 33,20% estão confiantes na ascensão social para as classes AB nos próximos cinco anos.

Esse nível alto de confiança tem estimulado a ida às compras. E o crédito, sem dúvida, tem possibilitado o acesso a produtos de melhor qualidade. A forma de pagamento mais usada é, de longe, a compra a prazo.

Para a aquisição de móveis, por exemplo, corresponde a 60,3%; para a compra de eletrodomésticos, a 53,9%; e para a reforma da casa, a 51,9%.

Mas, ao mesmo tempo que o otimismo estimula as compras a prazo, faz aumentar também o comprometimento da renda com parcelas que tendem a representar uma fatia do salário cada vez mais significativa. Aí mora o perigo da inadimplência.

"Embora a maioria das pessoas mostre disposição para se planejar financeiramente, 53,2% dos entrevistados admitem comprar por impulso", observa Sandra Turchi, superintendente de marketing da Associação Comercial de São Paulo.

É preciso que haja, portanto, um trabalho intensivo de conscientização junto a essa classe C que, só agora, passa pela experiência de ter crédito farto na praça. "O sistema bancário ganha ainda mais com juros sobre atrasos", alerta Sandra.

Ela cita o exemplo do valor mínimo de pagamento do cartão de crédito. "Já vi muitos casos de confusão entre o valor da fatura do cartão e o pagamento mínimo que aparece em destaque", comenta.

"Essas pessoas estavam acostumadas a comprar com carnê e não são orientadas a usar os novos meios de pagamento."

A falta de conhecimento se estende também para a seara dos juros bancários. De acordo com a pesquisa feita pela ACSP, no discurso os juros são indesejados. Mas quando perguntados sobre o que é mais importante, se a taxa de juro ou se o valor da parcela cabe no bolso, 51,3% dos entrevistados pertencentes à classe C deram como resposta o valor da parcela.

Além disso, 51,9% não sabia responder qual era a taxa de juro cobrada em suas compras a prazo.

Planejamento financeiro

A boa notícia é que existe, sim, uma vontade genuína do consumidor em se planejar financeiramente. Na hora da compra, 47,9% das pessoas da classe C informaram fazer pesquisa de preço em diversas lojas.

Nas classes DE, todas as famílias entrevistadas fazem pesquisa de preço. Isso porque uma redução de 10% no valor de uma geladeira, por exemplo, pode representar até 25% do salário.

Pechinchar é conduta arraigada na classe média - 71,9% dos consultados confirmam a prática antes da compra. De forma semelhante, 88% das pessoas afirmam levar em consideração as dívidas atuais nas próximas compras, e 44,80% usam planilha para monitorar os gastos.

"É essencial ter um nível de endividamento que não saia do controle", observa Sandra. "A ideia é comprar bem para comprar sempre."

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Portal Exame: a nova classe média tem recursos para comprar eletrodomésticos e pacotes de viagem, além das depesas básicas.

Matéria do Portal Exame:


Agências de viagem fazem guerra de liquidações.

Por AE

São Paulo - De olho na nova classe média brasileira que agora tem recursos para quitar as despesas básicas do mês com alimentação, moradia e transporte e ainda comprar eletrodoméstico ou pacotes de viagem a prazo, as operadoras de turismo começaram o ano fazendo megapromoções numa concorrência acirrada com lojas de varejo de outros segmentos.

"Hoje as agências de viagens entraram numa disputa acirrada com as Casas Bahia", exemplifica o diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (Abav), Leonel Rossi, fazendo referência à gigante do setor de móveis e eletroeletrônicos que não para de fazer liquidações.

É exatamente para fisgar esse consumidor que a CVC, a maior operadora de viagens, iniciou no sábado uma megaliquidação de pacotes que vai até domingo. São cerca de 50 mil pacotes de viagens, entre destinos nacionais e estrangeiros, com passagens aéreas, rodoviárias e marítimas incluídas, além de hospedagem. Os descontos são de até 30% que podem ser parcelados em 10 vezes sem acréscimo.

A Marsans é outra operadora de viagens que decidiu cortar em até 50% os preços de seis roteiros de cruzeiros para a costa brasileira. Duas concorrentes, a Agaxtur e a Stella Barros, não entraram na onda de liquidações. A Stella Barros informa que está com todos os pacotes vendidos. A Agaxtur diz que já têm preços competitivos mesmo sem promoções.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Agência Brasil: quase todos os setores da indústria estão com a capacidade instalada próxima ao limite, diz representante do setor textil.

Matéria da Agência Brasil:

Medidas anticiclicas tomadas pelo governo ajudaram a enfrentar a crise, avalia associação
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - As medidas anticíclicas adotadas pelo governo para enfrentar a crise financeira internacional tiveram vários efeitos positivos sobre o setor têxtil nacional, entre os quais a elevação da renda, o aumento da geração de emprego e, principalmente, a ampliação da confiança do consumidor, destacou hoje (11) o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Aguinaldo Diniz Filho.

Ele disse que são esses fatores que levarão o setor a crescer em 2010. Considerando um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional de 5%, a Abit estima que o setor têxtil deverá crescer este ano 4%, enquanto a expansão do segmento de confecção ficará em torno de 3,7%. “A gente acredita que a confiança do consumidor fará esse crescimento, com tranquilidade.” O faturamento projetado para 2010 para o setor têxtil e de confecção é de US$ 50 bilhões.

O aumento de poder de consumo das classes C e D contribuiu de forma decisiva para dar novo impulso à economia brasileira, assegurou. “A grande alavanca do consumo tem sido a classe C e a D”, afirmou, mostrando que as pessoas que antes viajavam de ônibus “agora estão viajando de avião”.

O presidente da Abit previu que a indústria de transformação brasileira deve fechar 2009 com um crescimento negativo de 9%. Quase todos os setores estão com um nível de capacidade instalada próximo do limite, informou. Por isso, acrescentou, vão precisar de mais investimentos.

“Esse fator será decisivo para que a indústria de transformação tenha um incremento de 6% este ano”, projetou Diniz. O setor têxtil pretende investir em 2010 cerca de US$ 850 milhões. No ano anterior, os investimentos dos produtores de moda nacionais totalizaram US$ 1,5 bilhão.
O último superávit da balança comercial do setor têxtil e de confecção foi registrado em 2005, da ordem de US$ 292 milhões. A crise internacional elevou em cerca de US$ 1 bilhão o déficit do setor, que subiu de US$ 1,027 bilhão para US$ 2,052 bilhões em 2008, estabilizando-se em 2009 na faixa de US$ 2,254 bilhões. “Ainda é um quadro que preocupa”, observou o presidente da Abit.

Por problemas protecionistas e também devido à entrada de produtos chineses, as exportações de vestuário brasileiro para o principal mercado do país, a Argentina, caíram de US$ 460 milhões entre janeiro e novembro de 2008 para US$ 280 milhões em igual período do ano passado. Em razão da crise externa, a estimativa é que a produção têxtil em 2009 tenha caído 6,7% e a de vestuário 8%.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Valor Econômico: a nova classe média e o ambicioso ciclo de expansão da construção civik.

Artigo do Valor Econômico, copiado daqui.
Construção parte para ambicioso ciclo de expansão.
Autor(es): Daniela D"Ambrósio
Valor Econômico - 17/12/2009

Uma fotografia do mercado imobiliário no final de 2008 retratava um cenário cinzento, desolador até. Empresas endividadas e sem credibilidade, ações derretendo na Bolsa, com 70% de queda, na média, lançamentos sendo cancelados e crédito restrito. Exatos doze meses depois, o setor comemora uma recuperação surpreendentemente rápida e, ao que tudo indica, consistente.

As construtoras mais problemáticas foram compradas, o índice da construção civil acumula alta de 207,66% no ano, o financiamento é farto, as grandes empresas bateram seguidos recordes de vendas e o mercado de capitais reabriu para o setor - injetando recursos para amparar um ambicioso ciclo de expansão.

Com ajuda dos principais empresários - que tiveram e ainda mantém uma participação ativa nas discussões - o governo criou o programa habitacional para estimular a habitação popular, que inseriu no mercado um público de renda de um a seis salários mínimos, que estava excluído da compra de imóveis - e é o atual motor das vendas. Para comprar um imóvel de R$ 90 mil, uma família tinha que comprovar renda de quase R$ 3,5 mil. Hoje, com os subsídios, que podem beirar os R$ 23 mil, para comprar o mesmo imóvel é necessária uma renda de R$ 1.850,00.

O termo baixa renda ganhou as páginas de jornais e virou quase um lugar-comum. Mais do que isso. Passou a soar como música ao ouvido dos investidores estrangeiros em busca de oportunidades nos mercados emergentes. A participação dos investidores de fora foi de cerca de 90% nas ofertas públicas de empresas focadas nesse público, como MRV e PDG Realty. Em busca do apelo da baixa renda, boa parte das construtoras, especialmente as de capital aberto - com experiência nesse segmento ou não - incorporaram o discurso e trataram de explorar, de alguma maneira, esse filão.

O setor entra numa rota de crescimento em 2010 e o clima é de um otimismo contagiante. Até porque a bonança não veio na mesma proporção para todo mundo. Mas as previsões de crescimento publicadas pelas maiores empresas setor evidenciam esse gigantismo. A Cyrela espera lançar até R$ 7,7 bilhões em 2010 e vender até R$ 6,9 bilhões. A Cyrela projetou metas até 2012, quando pretende vender até R$ 10,7 bilhões. A mineira MRV espera vender R$ 4,3 bilhões em 2010 e a PDG Realty estima alcançar R$ 4,8 bilhões. Para o mercado como um todo, o Secovi estima alta entre 10% e 15% em 2010.

A demanda está forte não apenas na baixa renda como também na classe média, ancorada pelo emprego e renda. É unanimidade entre as próprias empresas, analistas e consultores que as classes C e D continuarão sendo a âncora do setor imobiliário no próximo ano. "Há um mercado gigante para ser explorado", afirma Zeca Grabowsky, presidente da PDG Realty.

Muita coisa mudou no mercado imobiliário. Há uma grande diferença em relação a 2007, quando houve a corridas de empresas do setor para a bolsa e o chamado boom do segmento. "Os investidores estrangeiros hoje enxergam o setor imobiliário brasileiro como uma oportunidade mais consistente e saudável", diz Grabowsky. "Além de muito maior, em função do Minha Casa, Minha Vida."

Para Rubens Menin, presidente da MRV, empresa mineira especializada na baixa renda, no começo de 2008 ninguém acreditava que o mercado de capitais seria reaberto para o setor. Juntas, Cyrela, MRV, PDG Realty, Rossi e Brookfield captaram quase R$ 5 bilhões na bolsa, no segundo semestre. Só em dezembro, oito empresas anunciaram colocação de debêntures.

Mas a boa vontade em relação ao setor não está restrita aos estrangeiros. "Hoje, o Brasil entende a importância econômico-social do setor", diz Menin, presidente da MRV, "Em 30 anos de MRV e 34 no setor de construção, eu nunca vi um ambiente tão propício", diz.

"O aumento da presença dos imóveis de 2 dormitórios está relacionada ao programa Minha Casa, Minha Vida e à disponibilidade de financiamento habitacional", afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi. Para Petrucci, medidas como o aumento do limite do valor do imóvel a ser financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação, de R$ 350 mil para R$ 500 mil, e do prazo das linhas de crédito para 30 anos foram importantes para estimular os empréstimos.

Esperava-se, no início do ano, que o crédito imobiliário com recursos das cadernetas de poupança atingisse R$ 28 bilhões. A Caixa Econômica Federal anunciou que as contratações no crédito imobiliário da CEF alcançaram R$ 39,3 bilhões até o dia 30 de novembro, mais 93% sobre os R$ 20,3 bilhões no mesmo período de 2008.

Mesmo com todo o cenário positivo, a crise afetou o mercado imobiliário e as vendas devem fechar o ano empatadas com 2008. As vendas, que somaram R$ 22 bilhões no ano passado, estão em R$ 16,4 bilhões este ano - o que significa que a indústria precisa vender, pelo menos, R$ 5,7 bilhões no último trimestre. Para efeito de comparação, no terceiro trimestre foram vendidos R$ 6,6 bilhões.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Agência Brasil: governo federal criará microsseguro, destinado ao mercado surgido com a nova classe média.

Matéria da Agência Brasil.

País deve ter microsseguro no próximo ano, prevê Susep.
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Armando Vergílio, estimou hoje (16), no Rio, que até abril de 2010 deverá ser lançado um novo produto no mercado segurador, destinado às classes C e D da população, abrangendo um universo entre 80 milhões a 100 milhões de pessoas.

Trata-se do microsseguro, incluído na semana passada como prioridade na agenda do governo, relatou Vergílio, durante entrevista no encontro promovido pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg). “É uma ferramenta de inclusão social.”

O Ministério da Fazenda analisa, no momento, os aspectos fiscais e tributários do microsseguro, para encaminhamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vergílio acredita que no início de 2010 já deverá haver uma definição a respeito. O projeto de lei deve ser apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara antes de ir ao Senado.

“Acredito que o governo vai pedir urgência para esse projeto de lei do deputado Adilson Soares, aqui do Rio de Janeiro. Tenho convicção de que nos primeiros meses do ano que vem já tenhamos o novo marco regulatório, criando o novo mercado de microsseguros no Brasil”, disse o superintendente do órgão.

Acidentes pessoais, auxílio funeral, proteção do micronegócio e seguro prestamista, que garante o crédito no caso de perda de emprego ou incapacidade temporária, deverão ser os principais focos do microsseguro, informou ele.

Vergílio afirmou que o tíquete médio para esse novo produto do mercado segurador, “dependendo do tipo do microsseguro, da sua modalidade, deverá ficar entre R$ 5,00 a R$ 10,00 por mês. Não vai passar disso”, previu.

Portal Exame: Gol e Tam disputam novo mercado estimado em 100 milhões de pessoas - a nova classe média.

Matéria do Portal Exame.

Aqui, há uma outra matéria sobre o mesmo projeto da Gol.

Gol inaugura primeira loja de venda de passagens para classe C.

Também de olho na classe média brasileira, TAM e Itaú fazem parceria que permite parcelar passagem aérea em até 48 meses

A companhia aérea Gol inaugurou nesta quarta-feira (16/12) a sua primeira loja do VoeFácil para venda de passagens para a classe C, mais conhecida como classe média. Os investimentos para a contrução do empreendimento não foram divulgados. No entanto, a Gol, afirmou que o valor da nova loja é baixo e não afetará a estrutura de custos da empresa.

O ponto de venda está localizado no Largo 13 de Maio, zona sul de São Paulo, região comercial em que a classe média brasileira predomina. Além disso, o Largo 13 conta com um dos maiores terminais de trem e ônibus da cidade, com fluxo diário de um milhão de pessoas, segundo dados da Prefeitura de São Paulo.

“As lojas foram projetadas para aumentar a presença da Gol entre a nova classe média, oferecendo passagens aéreas a preços competitivos aos ônibus interestaduais”, afirmou Eduardo Benardes, diretor comercial da companhia, em comunicado. A companhia ressaltou ainda que planeja abrir mais duas lojas em 2010.

O objetivo da Gol é conseguir atingir o grande potencial de consumo da classe C. “Cerca de 100 milhões de pessoas podem pagar pela passagem aérea, porém apenas aproximadamente 10% utiliza o sistema”, disse Pereira.

Atualmente, a participação da Gol, e TAM, nos voos domésticos é de 42% e 44%, respectivamente. No entanto, para os analistas da Planner, é a Gol que deve capturar o potencial do mercado de baixa tarifa no Brasil, especialmente em virtude do fim da guerra tarifária e devido à recuperação econômica, que deve ser responsável por aumentar o valor médio das passagens.

Isso, em certa medida, já pode ser observado. A taxa de ocupação da Gol já é maior do que a da TAM, com 72,5% e 68,3%, respectivamente.

Parceria Tam e Itaú

A TAM. também anunciou nesta quarta-feira (16/12) parceria com Itaú que permite aos correntistas pessoas físicas do banco, com limite de crédito disponível, parcelar o pagamento de passagens aéreas em até 48 meses. A opção de parcelamento já está disponível para as compras realizadas diretamente no site da companhia.

O novo acordo com o Itaú e o recente contrato firmado com o Banco do Brasil, que oferece uma nova linha de crédito da instituição em todas as lojas da companhia e da TAM Viagens, fazem parte da estratégia da TAM de ampliar o acesso às viagens de avião a classe C. Ambas as companhias brigam pelo mesmo objetivo.

"As pessoas que têm conta bancária e possuem linha de crédito disponível podem comprovar agora que as viagens de avião permitem economizar tempo e dinheiro na comparação com as de ônibus, em percursos acima de 1.000 quilômetros, que duram de dois a três dias apenas no trecho de ida", comenta o presidente da TAM, Líbano Barroso.

Segundo a companhia, com as opções de parcelamento oferecidas, os correntistas pessoas físicas do Itaú e do Banco do Brasil podem escolher a opção de pagamento mais conveniente.

Às 12h55, as ações preferenciais da TAM (TAMM4, sem direito a voto) disparavam 6,14%, para 38,20 reais; enquanto as da Gol (GOLL4) também registravam alta de 2,22%, para 22,27 reais.