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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ozires: ao piorar o rendimento dos títulos públicos, redução da SELIC obrigará empresários a investir em produção.

Artigo do Brasil Econômico explica como a redução da Selic pode alavancar os investimentos produtivos.

Redução da rentabilidade dos títulos públicos forçará os empresários a garantir retorno sobre a produção.

Após a Taxa Básica de Juros (Selic) romper sua mínima histórica ao alcançar o patamar de 8,5%, industriais e especialistas do setor indicam que os empresários serão obrigados a levar mais dinheiro para as companhias para conquistar o retorno que era garantido pelos investimentos em títulos públicos.

Assim, a indústria terá de enfrentar a falta de competitividade do país e realocar recursos em produção e diferenciação de seus principais produtos.

Entre os setores mais sensíveis à redução da Selic estão os de bens de consumo duráveis, como produtos de linha branca, eletroeletrônicos e automotivos. Com isso, máquinas e equipamentos também serão beneficiados com as novas necessidades da indústria manufatureira.

Ozires Silva, reitor da Unimonte e fundador da Embraer, comenta que os empresários terão que se movimentar com a perda de rentabilidade dos títulos públicos.

"Agora não há mais espaço para a renda fixa. O retorno ficará cada vez mais baixo e os empresários terão que investir na própria companhia para melhorar a produtividade e reduzir os custos."

Dados indicam que há espaço para que os aportes em máquinas e equipamentos, além de pesquisa e desenvolvimento, aumentem.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 60% dos investimentos são custeados pelas próprias empresas, mas elas seguram boa parte do capital, cerca de um quarto do montante, devido ao bom retorno fornecido pela Selic e pelas incertezas econômicas.

Silva afirma que não há mais saída para os empresários. "O retorno dos investimentos está mais atrativo que o dos títulos, e a indústria terá que se movimentar para sobreviver", avalia.

Outros reflexos da queda da Selic são indiretos, mas poderão subsidiar um ambiente econômico melhor para que o setor possa voltar a crescer. O principal deles é a redução da volatilidade do câmbio.

A expectativa é de que o real perca atratividade no mercado internacional à medida que os títulos brasileiros valham menos. A atual taxa do dólar, em torno de R$ 2,00, é entendida como o piso para os industriais.

"É um nível de câmbio que atende os interesses do Brasil. Se permanecer neste patamar, espera-se algum efeito positivo na produção industrial em seis meses", diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Skaf também acredita que a demanda pode aumentar com a redução da Taxa Básica de Juros, mas a posição atual dos bancos configura uma barreira entre os industriais e seus potenciais consumidores.

"A Selic baixa tenderia a estimular o crédito e a demanda, porém o sistema bancário está muito seletivo e não vem expandindo o crédito. Assim, a demanda continua fraca", argumenta Skaf em tom de reclamação.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A alteração na poupança para (nós) leigos

O assunto não é simples - e uma boa explicação merece ser reproduzida e espalhada. 


Sempre fui um menino curioso e no curso de jornalismo um aluno aplicado. Na adolescência descobri que os jornais eram a porta para entender o mundo (bons tempos aqueles). Hoje, com o pensamento único dos editorialistas aos colaboradores nem pensar...

Em economia, nunca passei do trivial. Administro bem o orçamento doméstico e considero ter tino para negócios. Não sou consumista, nem gosto de ostentar. Na faculdade ajudava os colegas a entender índices de correção, tabelas, investimentos, etc... Mas, repito, nada além do trivial.

Depois de formado, frequentei a Escola de Governo, o que abriu caminho para conhecer a história do pensamento econômico e acompanhar de perto o principal debate dos anos 80 e 90: o controle da inflação. Hoje, como todos nós bem sabemos, a questão central das economias emergentes são os juros e o câmbio.   

E é sobre juros que quero falar mais uma vez. Não como entendido, mas como curioso. A presidente Dilma decidiu enfrentar uma batalha dura pela redução das taxas cobradas pelos bancos, sobretudo o spread (que mede o risco de calote do devedor). Discussão que deixa muita gente confusa.

Por isso, vou tentar simplificar a questão, quem sabe não consigo ajudar os leigos a entenderem um pouquinho o que está acontecendo e se falar alguma bobagem, pode ser até que alguém mais esperto me ajude, corrigindo-me.

Um país funciona basicamente com produção, emprego, renda, consumo e poupança. Se o emprego vai bem, a renda aumenta, o consumo aumenta e produção e a poupança também. Só que para adquirir determinados bens de maior valor, como carros e imóveis por exemplo, é preciso de empréstimos. Emprestamos até um limite. Quando este limite é alcançado, só contraímos nova dívida depois de pagar o que devemos.

Com o Governo é mais ou menos assim também. Arrecada impostos, paga salários, benefícios, aposentadorias e pensões e cumpre um orçamento, que no caso brasileiro é superavitário. Para obras, investimentos e pagamento de juros de empréstimos contraídos irresponsavelmente no passado são necessários novos empréstimos.

E como o governo toma emprestado? De poupadores e investidores, nacionais ou estrangeiros.

O investidor compra um título da dívida pública que, ao final do prazo, tem que pagar a ele investidor a inflação mais um prêmio. A caderneta de poupança por exemplo paga 6,17% ao ano de juros, livre de IR e taxas bancárias.

Se o governo não tiver um papel que prometa pagar mais do que a poupança, não haverá investidores, certo? Hoje, a taxa selic, que serve de base para remunerar esses papéis está em 9% ao ano, sem descontar impostos e taxa de administração.

Portanto, para atrair investidores, o governo precisaria continuar pagando juros mais altos. E ao pagar mais, atrairia principalmente os que procuram prazos mais curtos. Um dinheiro que tem pressa de entrar, realizar e sair.

Mas quando esse dinheiro entra em boa quantidade no país, ele causa uma pressão sobre o câmbio e valoriza a nossa moeda. Com a nossa moeda mais forte, os preços dos produtos brasileiros ficam mais caros em dólar e, portanto, menos competitivos lá fora. Vendendo menos, o país tem menos divisas.

Além disso, há a competição com os bens que vêm de fora mais baratos. Logo, produzindo menos, a atividade econômica se retrai, empregos são extintos, a renda diminui, as dívidas dos trabalhadores aumentam... Nossa economia se desorganiza.

O que é preciso, então? Evitar que os rentistas fujam da recessão de seus países e fiquem aqui especulando sem produzir e, ao mesmo tempo, incentivar as pessoas a comprarem, o que compensaria a diminuição do consumo lá fora. E como isso seria possível?




Reduzindo-se os juros ainda mais, abaixo do limite do que paga hoje a caderneta de poupança. Grosso modo é rigorosamente isso que o Governo quer fazer, ao propor novo cálculo para rendimento das cadernetas de poupança, ou seja, forçar uma queda ainda maior nos juros.

Com o custo do dinheiro mais baixo, mais fácil fica contrair e pagar por novos empréstimos, o risco diminui para o credor e o spread cai. Só que os bancos privados apostaram que Dilma não mexeria no rendimento da poupança, por acharem a medida impopular, e decretaram que a taxa selic havia chegado ao piso. Perderam mais uma vez.

O povo já entendeu "empiricamente", que mexer com o rendimento da poupança é importante para o país dar mais um salto. E como as pessoas confiam em Dilma (basta ver os níveis de aprovação que ela tem) este é mais um debate superado a favor do Governo. Por isso, pode estar nascendo aí um novo momento econômico para nós.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Saul Leblon: quem ronda é o dragão da deflação.

Texto de Saul Leblon para o Blog das Frases, em Carta Maior.

Mais sobre inflação, nos arquivos do blog:
A propaganda do PPS e a volta da inflação


Na última 6ª feira, em discurso a empresários, em São Paulo, a Presidenta Dilma Rousseff rebateu as críticas do conservadorismo, reiteradas um dia antes pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o tucano, a decisão brasileira de reduzir em meio ponto a taxa de juro mais alta do mundo teria sido 'precipitada'.

A resposta da Presidenta veio em tom de alerta:"...diante da crise e da ameaça de deflação e depressão em algumas economias desenvolvidas, (estamos abrindo espaço para que o BC) possa iniciar um ciclo cauteloso e responsável de redução da taxa básica de juros. Não é admissível que, se de fato se configure uma recessão e um processo deflacionário no resto do mundo, nós aqui estejamos sem levar isso em conta'.

A deflação temida pela presidenta e desconhecida do sociólogo cosmopolita é uma espiral baixista de preços que se auto-alimenta.

Trata-se de uma das doenças mais graves do capitalismo.

Para muitos economistas, mais grave que a sua contrapartida de sinal trocado, a hiperinflação, que costuma ser equacionada com a arma clássica do coquetel conservador: recessão, arrocho salarial e juros estratosféricos.

A deflação, ao contrário se instala dentro da recessão. É uma espécie de síntese das contradições do sistema, que assume a forma de uma paralisia progressiva. Ataca, sobretudo, metabolismos com baixa resistência, caso dos EUA hoje, onde a taxa de juro real já é negativa e os recursos de intervenção do Estado estão imobilizados politicamente.

Se as taxas de juros são negativas quem tem dinheiro prefere guardá-lo em segurança no cofre do Tesouro norte-americano a correr o risco de emprestá-lo em troca de rendimentos mínimos e incertos.
Essa escolha quando feita pelos bancos amplifica a contração da atividade econômica pela retração do crédito. O crédito é a alma e o motor do capitalismo. Sem ele o sistema desfalece. É o que tem ocorrido nos EUA, onde mais de US$ 1,3 tri estão empoçados nos caixas dos bancos.

Historicamente, a tentativa de quebrar esse círculo de ferro, nem sempre bem sucedida, inclui doses cavalares de gasto fiscal em obras públicas, oxigênio negado à paralisia norte-americana pelo radicalismo neoliberal .

Na Europa há espaço para novos cortes de juros (hoje em torno de 1,5%). Mas o predomínio de burocratas ortodoxos e governos conservadores, entre os quais se incluem socialdemocratas colonizados pelo neoliberalismo, restringe o uso desse instrumento, tanto quanto a alavanca do investimento público.

O elevado custo de uma deflação pode ser inferido dos desdobramentos causados pela explosão da bolha imobiliária nos EUA, em 2008, que até hoje não cessaram.
A espiral descendente dos preços dos imóveis criou um fosso entre o valor da dívida hipotecária das famílias e o valor de mercado de suas residências. Em muitos casos, o patrimônio passou a valer a metade da dívida.

Em apenas um mês, em novembro de 2008, o preço médio dos imóveis residenciais nos EUA caiu mais de 20%.

Não raro, isso foi acompanhado da perda do emprego ou da troca involuntária por outro de salário inferior. O peso da dívida adquiriu assim um peso insuportável no orçamento familiar.

O efeito imediato é a redução da demanda, que agrava a recessão, que deprime ainda mais o valor dos imóveis. E assim sucessivamente.

Para desafogar os mutuários seria necessário estender o processo de deflação ao valor dos empréstimos, impondo perdas equivalentes aos bancos, construtoras, investidores, ações de companhias ligadas à construção etc .

A resistência do capital financeiro a esse compartilhamento de perdas é uma das causas da encruzilhada paralisante enfrentada pela crise mundial nesse momento. Toda ela está amarrada no impasse em torno de uma conta de chegar explosiva entre passivos e ativos Ou seja, entre a catastrófica massa de capital fictício sedimentada pela desregulação financeira do ciclo neoliberal --nas mãos de fundos, bolsas, investidores, empresas, bancos etc-- e a riqueza real disponível. Se a referencia for o PIB mundial essa desproporção é de 10 para 1.

Sem impor perdas ao capital fictício o que sobra é um ajuste selvagem que se faz via desemprego, perda salariais e falencia de nações. É o que assistimos nesse momento.

Alerta recente da OIT informa que o mundo já tem mais de 200 milhões de desempregados. A oferta de trabalho cresce aquém do crescimento populacional. O estoque incha em vez de diminuir. A retração do mercado sinaliza um déficit de 40 milhões de empregos entre 2011 e 2012.

Fecha-se o círculo de ferro: consumidores não compram por falta de dinheiro ou pela expectativa de que os bens venham a sofrer novas reduções. Bancos não emprestam porque o juro é baixo e os riscos são altos. Empresas não produzem porque não há demanda - e não investem porque suas máquinas estão ociosas Quem tem estoque fica encurralado por dívidas com fornecedores que o retorno das vendas já não cobre. O conjunto gera novas quedas de preços reproduzindo a mecânica da deflação em patamares cada vez mais subterrâneos. Mas as dívidas financeiras resistem blindadas pelo poder político dos bancos e grandes corporações.

Os indicadores de preços nos EUA ou na Europa não apontam ainda um cenário de deflação. Mas as previsões do FMI são de recuos pronunciados. Estimativas do Fundo feitas no início de setembro para a zona do euro apontavam uma taxa de inflação de 2,5% para este ano, caindo para 1,5% em 2012. Já nos Estados Unidos, a inflação passaria de 1,6% a 3% até o final de 2011, para recuar a 1,3% em 2012.
Expectativas de quedas mais pronunciadas ganham força até mesmo entre aqueles que costumam manifestar confiança nas virtudes auto-depurativas dos mercados. O presidente do banco central de Israel é um deles.

Ortodoxo de carteirinha, ex-dirigente do FMI, Stanley Fischer reduziu a taxa de juros do país de 3,25% para 3% ao ano, mesmo com a inflação acima da meta oficial. Fischer foi taxativo ao se justificar. A inflação nesse momento, explicou, é questão "irrelevante". E advertiu:" em 2012 o mundo pode ter deflação, não alta de preços".

Há indicativos fortes nessa direção. Eles partem de uma das roletas preferidas do capital especulativo, as bolsas de commodities. Embora a base de comparação ainda seja elevada, as cotações das commodities agrícolas e minerais fecharam setembro com as maiores quedas desde 2008. A soja teve um recuo de 16%; o cobre acumulou uma perda de 25% em relação ao pico de alta em 2010.

À fuga de especuladores ariscos somam-se agora sinais crescentes de desaceleração da economia chinesa, cuja produção industrial acumula tres quedas mensais consecutivcas. O que acontecer com a economia chinesa nos próximos meses terá impacto decisivo no movimento deflacionista das matérias-primas, que tem na China o maior importador mundial.

A precaução da Presidenta Dilma em armar o país contra o risco de uma deflação - incluindo-se uma redução mais acentuada da Selic - é mais que justificável. Uma vez iniciado é muito difícil reverter um processo deflacionário, mesmo em países dotados de grande poder de fogo fiscal.

A deflação japonesa, por exemplo, perdurou por toda a década de 90. O Estado japonês investiu US$ 1,4 trilhão em obras públicas, incluindo desde garagens urbanas a muros de contenção contra tsunamis, passando por pontes de duvidosa relevância. Entre elas a maior ponte pênsil do mundo entre Kobe e a ilha de Awaji. A obra custou US$ 7,4 bi e, segundo Paul Krugman, registra um tráfego desprezível de apenas 4 mil veículos por dia.Nem assim o Japão conseguiu engatar um novo ciclo de expansão sustentável.

Na deflação norte-americana de 29, os preços chegaram a cair 25%, em média. O desemprego saltou de 1,5 milhão de pessoas, em 1929, para 12,8 milhões em 1933, atingindo 24,9% da força de trabalho; em 1939 era ainda de 17%. O PIB diminuiu de US$104 bi para US$ 56 bi, entre 1929 e 1933.

Os EUA contaram com Roosevelt , o New Deal e uma relação de forças polarizada pela expansão dos ideais socialistas que arrancou concessões do capitalismo em benefício da renda, do emprego e do consumo. Mesmo assim foi preciso uma guerra mundial para que o sistema reencontrasse o caminho do pleno emprego e da produção.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Representantes da Indústria de Máquinas e de Base a Guilherme de Barros: decisão do BC foi técnica, acertada, autônoma e corajosa.


Duas notas do Blog do Guilherme Barros e uma mesma impressão: os setores produtivos da economia concordam com o BC.

Mais sobre a redução da SELIC aquiaqui, aqui e aqui.


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,5 ponto percentual foi correta e técnica, segundo Paulo Godoy, presidente Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). “Existe um cenário bastante real e forte de prolongamento da crise, com crescimento fraco e dificuldades para equacionar as dívidas gigantescas das principais economias do mundo”, diz.

Para Godoy, o Banco Central acertou em agir rapidamente no sentido de reduzir os juros para tentar manter uma perspectiva razoável de crescimento da economia, já que “as consequências dos problemas econômicos nos países mais ricos chegarão ao Brasil com intensidade maior”.

O presidente da Abdib afirma que o BC conquistou independência na tomada de decisões nos últimos anos. “O nosso Banco Central estudou os indicadores e os cenários e agiu preventivamente para manter perspectivas de crescimento razoáveis para o Brasil. É isso. O resto é esquizofrenia.”

*****

Abimaq contesta ‘financistas’ que defendem manutenção da Selic

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, defendeu hoje a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 12% ao ano.

Segundo ele, as críticas de que a autoridade monetária cedeu a pressões do governo para cortar os juros partem de um “grupo de financistas”.

“Há uma reação visceral de financistas sobre isso”, afirmou. “Eles estão como bezerros quando desmamam e começam a berrar”, completou.

Aubert Neto disse que a Selic é “o maior câncer” que o Brasil tem atualmente.

“Nos oito anos do governo FHC e nos oito anos de Lula, quem comandou o Banco Central foram pessoas ligadas ao sistema financeiro. O Brasil é o único país do mundo que coloca a raposa para cuidar das ovelhas.”

O presidente da Abimaq disse que a decisão do Copom reforça a autonomia do Banco Central.

“Eles tiveram coragem para reduzir os juros.”

Aubert Neto ressaltou que o corte de 1 ponto percentual da Selic representa uma economia de R$ 16 bilhões com juros. “Nos últimos 16 anos, o Brasil pagou mais de R$ 2 trilhões em juros de dívida. É a maior transferência de renda da história do capitalismo.”

O presidente da Abimaq afirmou que, sem um aperto monetário, a crise internacional poderá trazer impactos à economia brasileira.

“A decisão do Copom foi uma sinalização de que nem tudo está perdido”, completou.

Nelson de Sá: na mídia nacional, hoje é dia de notas de falecimento da autonomia do BC; na mídia estrangeira, não.


Mais sobre a redução da SELIC aquiaquiaqui e aqui.

Escrito por Nelson de Sá


Como ironizou Vinicius Torres Freire, hoje está sendo um "dia de divulgação de notas de falecimento da autonomia do Banco Central e de diagnósticos sobre o enlouquecimento de seus diretores", por quase toda mídia.

Mas não no exterior.

A "Economist" já traz na edição de hoje a análise "Mudando de direção", com o subtítulo "Aperto fiscal, afrouxamento monetário". Cita argumentos para um lado e outro, não toma posição e fecha dizendo que "o Banco Central do Brasil está diante de uma ação complicada de equilíbrio".

A tradicional seção Lex, do "Financial Times", vai na mesma linha, sob o enunciado "Espaço para manobra":

Banqueiros centrais ao redor do mundo devem estar olhando para o Brasil com uma mistura de emoções. O corte do Banco Central inspira admiração, medo e inveja. A admiração é pelo arrojo persistente. O BC está respondendo bravamente à súbita deterioração do ambiente econômico global. Se o fraco verão global terminar logo ou se a inflação brasileira voltar a subir, o banco vai parecer bobo. Mas a aposta na desaceleração parece boa... Porém o corte abre precedentes temerários. Primeiro: fraqueza política.  A crise tornou os banqueiros centrais muito mais políticos, mas na maioria dos países eles têm vantagem sobre políticos e reguladores. No Brasil, parece que cedeu à pressão do governo... Pelo menos os brasileiros têm espaço para manobra. Na maioria dos outros país, mais estímulo monetário não faria nada além de encher bolhas financeiras. Os banqueiros centrais podem se sentir desculpados por invejar a liberdade dos brasileiros.

Também no site do "FT", que até verte para o inglês o comunicado do BC, o editor de América Latina, John Paul Rathbone, ressalta que "o BC do Brasil claramente não sentiu que sentar no muro era uma alternativa" e reproduz nota do HSBC, sobre a provável influência sobre os outros emergentes:

A ação do Brasil mostrou que os bancos centrais dos mercados emergentes estão mais defensivos do que alguns podem ter pensado. O trauma de 2008 simplesmente bateu fundo. Espere que todo mundo deixe de lado o aperto monetário por um tempo, com algumas poucas exceções pontuais como a Índia e talvez a Tailândia. 

Rathbone acha que a China pode ser outra exceção, mantendo o aperto para evitar insatisfação política derivada da inflação, mas acrescenta:

A situação do Brasil é muito diferente. Seu governo não precisa se preocupar com revoltas por aumento no preço dos alimentos. Está mais preocupado com o crescimento e em manter o muito necessário fortalecimento da infraestrutura do país.

Julio Gomes de Almeida, para o Terra Magazine: decisão do BC foi autônoma e baseada em motivos consistentes


Ana Cláudia Barros

Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Julio Gomes de Almeida considerou acertada a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de baixar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros, encerrando um ciclo de alta, depois de cinco elevações em 2011. O economista explica que a ação do Banco Central (BC) foi baseada na avaliação de que 2012 virá com um "cenário nebuloso para a economia brasileira".

- É isso que ele está querendo falar. E é possível que isso aconteça. O contexto externo é grave, a desaceleração da nossa economia é forte e o Banco Central está dizendo que, para ele, esse cenário deve prevalecer no início de 2012. Razão pela qual está reduzindo a taxa de juros hoje.

Para Almeida, a medida foi tomada de maneira autônoma, e não sob pressão do Palácio do Planalto, especulação que ganhou corpo devido à declaração da presidente Dilma Rousseff, que, pouco antes da decisão do Copom, manifestou seu desejo de ver juros menores.

- É uma besteira achar que um órgão que tem prerrogativa de fazer isso, que responde com seu prestígio, vai seguir uma decisão de fora. A presidente Dilma falou que quer ver a redução de juros no Brasil, como eu acho que todos os presidentes que passaram por ali falaram. Eu acredito que não teve pressão nenhuma. É uma tolice pensar que as pessoas, cujas cabeças estão a prêmio, vão fazer uma ação baseada em pressão. Não vamos esquecer que a diretoria do Banco Central está protegida. Ninguém seria demitido se tomasse uma medida diferente dessa. Isso não existe. A presidente falou que queria baixar os juros, como muita gente fala quando os juros estão altos.

Confira a entrevista.

Terra Magazine - O Comitê de Política Monetária do Banco Central não só encerrou o ciclo de alta na taxa básica de juros, depois de cinco elevações em 2011, como também a reduziu em 0,5 ponto. Como o senhor avalia a decisão?
Julio Gomes de Almeida - Primeiro, uma observação: O Copom quando está fazendo uma medida agora na taxa de juros, nós estamos em setembro, é para ter algum resultado no fim do primeiro trimestre do ano que vem. Então, vamos dizer, para efeito de reunião da diretoria do Banco Central para avaliar taxa de juros, o ano de 2011 já acabou. Eles estão mirando 2012, especialmente depois do primeiro trimestre.
Então, o que esta ação está dizendo é que o Banco Central avalia que o (dia) 1º de janeiro de 2012 vai vir com um cenário muito nebuloso para a economia brasileira. É isso que ele está querendo falar. E é possível que isso aconteça. É uma avaliação do Banco Central. O contexto externo é grave, a desaceleração da nossa economia é forte e o Banco Central está dizendo que, para ele, esse cenário deve prevalecer no início de 2012. Razão pela qual está reduzindo a taxa de juros hoje.

A crise externa, inclusive, foi uma das principais justificativas do Copom. O argumento, então, é consistente?
Eu acho. Toda ação do Banco Central tem uma dose de avaliação e esta é a avaliação que ele está fazendo. Eu compartilho dessa avaliação. Foi correta.

A decisão do Banco Central provocou surpresa. Não se esperava uma redução da taxa de juros...
Você tem que ver também que, quando se diz que não se esperava, fala-se do mercado financeiro. Quer dizer, o mercado financeiro dita essas expectativas. E na verdade, estamos sempre acostumados que aconteça isso que aconteceu ontem (quarta-feira) do lado inverso. Ou seja, se existe algum receio de que tem algum indício de que haja no futuro uma maior pressão inflacionária, o Banco Central sempre aumenta a taxa de juros. Isso não é surpresa para ninguém. Sempre que há algum indício de redução das pressões inflacionárias, todo mundo acha que o Banco Central não vai baixar os juros. Se ele baixa, provoca uma surpresa. Ou seja, nossas expectativas são muito assimétricas, porque são formadas pelo mercado financeiro. Temos que nos acostumar a um Banco Central que atue e aposte nos dois lados. De novo, se o Banco Central acha que em 2012 teremos um quadro de crescimento relativamente ruim, ele acertou na aposta que fez. Se não, ele vai ter errado, mas só vai ver isso no futuro. Acho que o Banco Central tem elementos para agir da maneira como agiu.*

Quais os efeitos dessa redução da taxa de juros para a população?
Por enquanto, são poucos. Não é uma variação de 0,5 ponto percentual que vai mudar o bolso das pessoas. A taxa de juros de captação dos bancos cai, mas cai muito pouquinho e nessa dimensão de 0,5 ponto percentual. Agora, muda a sinalização, muda a ideia de que o Banco Central acredita num determinado quadro da economia e acha que pode afrouxar a política monetária. Muda o lado das expectativas, vamos dizer assim.

Essa medida terá rebatimentos no consumo?
Pode influenciar, sim. Na sequência de reduções, pode-se acabar influenciando a expectativa dos consumidores. Os consumidores no Brasil, aliás, estão com umas expectativas declinantes, mas é possível que melhore um pouco a partir dessa medida. De concreto, acho que não muda nada por enquanto. Nem ao nível do consumidor nem do empresário.

A redução da taxa de juros pode impactar a inflação, fazer com que o índice aumente?
Isso por si só, não. O Banco Central está mirando o quadro lá, daqui a seis meses. Ele está pensando em melhorar um pouco a expectativa do consumidor e do empresário num quadro da economia mais fraca. Isso não dá inflação.

A presidente Dilma Rousseff havia pedido juros menores. Na avaliação do senhor, a decisão do BC foi sob pressão ou a decisão foi independente, o orgão se manteve autônomo?
É uma besteira achar que um órgão que tem prerrogativa de fazer isso, que responde com seu prestígio, vai seguir uma decisão de fora. A presidente Dilma falou que quer ver a redução de juros no Brasil, como eu acho que todos os presidentes que passaram por ali falaram. Eu acredito que não teve pressão nenhuma. É uma tolice pensar que as pessoas, cujas cabeças estão a prêmio, vão fazer uma ação baseada em pressão. Não vamos esquecer que a diretoria do Banco Central está protegida. Ninguém seria demitido se tomasse uma medida diferente dessa. Isso não existe. A presidente falou que queria baixar os juros, como muita gente fala quando os juros estão altos.

Jose Roberto Toledo: política econômica é isto mesmo: política. "Por isso o substantivo na expressão"


Mais sobre a redução da SELIC aquiaquiaqui e aqui.

por Jose Roberto de Toledo

“É a opinião pública, estúpido!” Ao contrário da frase imortal de James Carville, a economia parece ter trocado de lugar com a política na ordem natural das coisas. Será?

O Banco Central surpreendeu essa entidade mítica, “o mercado”, ao cortar a taxa de juros antes da hora. Antes da hora na opinião dos analistas que erraram suas previsões, é claro. Foi pressão política de Dilma Rousseff? Ou choque de realidade no Copom, que descobriu que o Brasil não é um planeta isolado da economia global? Ambos.

Como aponta o repórter Fernando Nakagawa, no Estado, o corte ocorreu um dia depois de Dilma ter dito vislumbrar a possibilidade de um ciclo de redução dos juros. Postos nessa ordem, parecem causa e efeito. Mas o contrário é mais provável: Alexandre Tombini, o presidente do Banco Central, deve ter feito chegar aos ouvidos da presidente a tal possibilidade, e ela apenas se antecipou.

A novidade é que Ministério da Fazenda e Banco Central parecem trabalhar alinhados em uma mesma política. O primeiro anuncia cortes de gastos públicos e cria oportunidade para o outro cortar os juros, tudo no espaço de três dias, com a declaração presidencial no meio. Sugere coordenação. Se dará certo é outra questão, mas parece superada a fase dos conflitos na área econômica.

O Banco Central demonstrou preocupação de que isso seja interpretado como ameaça à sua independência -do contrário, não teria divulgado um comunicado tão longo quanto inédito para explicar imediatamente o corte dos juros. Outra interpretação é que mais forças, além de “o mercado”, passaram a influir nas decisões do Copom. Basicamente, a opinião pública.

“Sacrilégio!”, clamarão “os analistas”. “As decisões de política monetária e fiscal devem ser tomadas com base em critérios estritamente técnicos, segundo os cânones consagrados”. Consagrados por quem? Por “o mercado”. Mas mesmo a oposição ao governo no Congresso apoiou o corte de juros, porque sabe que a opinião pública é a favor. E porque, se der errado, a culpa não será dela, mas do governo.

Por mais técnica que seja, em qualquer questão cabem interpretações diferentes. Não fosse assim, por que 11 ministros no Supremo Tribunal Federal e seus julgamentos rachados? O próprio Comitê de Política Monetária, o Copom, dividiu-se quanto ao corte imediato de 0,5 ponto porcentual dos juros: cinco votaram a favor e dois contra.

As decisões são baseadas em fatos como a queda da confiança do consumidor, mas o peso que se atribui a eles é uma interpretação de cada integrante do Copom. E ela está ligada ao que se quer: uma inflação maior ou menor versus um ritmo de crescimento da economia idem idem. Do jogo de forças entre essas metas surgem as decisões de política econômica. Por isso o substantivo na expressão é “política”.

Como é política a busca de Dilma por um equilíbrio arriscado entre popularidade (leia-se economia aquecida e juros menores) e ajustes necessários ao controle da inflação (leia-se corte de gastos e juros altos). Se pender muito para a primeira, “o mercado” pode apostar contra ela e acelerar a alta de preços. Mas se perder popularidade, Dilma se enfraquecerá para negociar com aliados e opositores no Congresso. Sua margem de erro é cada vez menor.


Juros altos ou baixos, alguma coisa está errada quando o preço da banana é duas vezes mais alto nos EUA do que no Brasil. Por mais “bananeiras” que pareçam as rusgas entre Barack Obama e os republicanos no Congresso, nada justifica ser teoricamente possível o Brasil comprar bananas “norte-americanas” com vantagem. Já basta ter que importar etanol.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Brasil Econômico: Mesmo com correção da Selic, maioria dos bancos não alterou juros

Matéia do Brasil Econômico.


A maioria dos bancos ainda não alterou os juros este mês, apesar da elevação de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, durante a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no fim de abril.

Com isso, a Selic passou de 8,75% ao ano para 9,50% ao ano, a primeira alta desde setembro de 2008.

A única correção foi feita pela Caixa Econômica Federal, mas ainda assim as taxas permaneceram inferiores aos índices do mercado.

É o que mostra a pesquisa feita em dez instituições financeiras pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de São Paulo.

Os juros cobrados pelo uso do cheque especial subiram, em média, de 8,79% para 8,83% ao mês. Na Caixa, a taxa passou para 7,15% ao mês, ante 6,75%.

No caso do empréstimo pessoal, a Caixa elevou a taxa de 4,39% para 4,78% ao mês. Essa variação também foi inferior à media dos bancos pesquisados (de 5,17% para 5,21%). Os cálculos levam em consideração a taxa máxima cobrada sobre os contratos para pagamento em 12 meses.

A coleta dos dados foi feita nos dias 3 e 4 de maio nas seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco.

O Procon orienta o consumidor a evitar financiamentos com prazo mais longos, porque eles acabam saindo mais caros. Quanto ao cheque especial, a fundação alerta que essa alternativa só deve ser usada para situações de emergência e em curto prazo.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Tribuna da Imprensa: é diferença está nos salários, escreve Pedro do Couto.

Texto publicado no Tribuna da Imprensa.

Além da questão salarial, um outro dado bem interessante no texto. Em oito anos, FHC multiplicou a dívida interna por 12; no mesmo tempo, Lula apenas a dobrou.

Pedro do Coutto

Em artigo publicado domingo simultaneamente no Globo e no Estado de São Paulo, o ex presidente Fernando Henrique Cardoso apontou uma igualdade política econômica entre seu governo e o de Lula, frisando que os petistas aproveitam-se de avanços como suas conquistas efetivadas pelo antecessor. Alguns analistas econômicos surgiram nos jornais de segunda-feira dando razão aos argumentos de FHC. Pode-se dizer –penso eu- que estruturalmente há semelhanças e até igualdades em relação ao tratamento dado ao capital. Tudo bem. Entretanto, no plano salarial, as diferenças são bem marcantes.

Não no que se refere ao salário mínimo, do qual todos os demais são múltiplos. Os realinhamentos percentuais do piso nacional são convergentes, tanto de 95 a 2002, último ano de FHC, quanto nos quase oito anos de Luis Inácio da Silva. Porém nos demais salários as diferenças se impõem. Do reajuste quase igual a zero da era FHC à atualização anual na base dos índices do IBGE, era Lula, vai uma diferença enorme. Está neste fato, acredito, um dos mais fortes segredos da popularidade do atual presidente em relação à popularidade negativa de seu antecessor.

Da mesma forma que no mundo, entre 6,5 bilhões de seres humanos, não existe um igual ao outro, nenhum governo é idêntico àquele ao qual sucedeu. Previsões nesse sentido sempre falham. Vejam só os leitores: o general Ernesto Geisel fez do general João Figueiredo seu sucessor. Na articulação para tanto, manteve o também general Golberi do Couto e Silva na Casa Civil. Continuidade? Durou pouco a presença de Golberi. Em maio de 81, no episódio Riocentro, saiu do governo. Voltando às comparações entre Lula e FHC identificam-se diferenças extremamente acentuadas. Basta consultar os números.

Antes de alguns números, e depois da divergência quanto à política salarial, verificamos uma alteração substancial na política do crédito. Os juros continuaram disparados em relação às taxas inflacionárias, mas no governo Lula houve uma flexibilidade muito maior no que se refere aos prazos de pagamento. Daí que a população encontrou condições de consumir mais. Esta é uma outra face que explica a aprovação do atual governo passar de 70%, conforme revelam o Datafolha e o Ibope.

De um lado o consumo, de outro a produção, com os salários e a inflação no meio. A sociedade está, de modo geral, muito mais preocupada com o consumo do que com a produção. Karl Marx, um gênio como analista, enganou-se exatamente neste ponto ao assumir o papel de doutrinador. O acesso mais fácil ao crédito é uma outra explicação para o êxito do atual presidente.

Há diferenças acentuadas na dívida interna e no comércio externo. FHC recebeu a dívida mobiliária interna, de Itamar Franco, na escala de  63 bilhões de reais. No final de seu governo, ela havia crescido para 700 bilhões, praticamente 12 vezes. Lula a recebeu na casa dos 700 e apenas a duplicou ao longo de oito anos. FHC deixou os juros para rolagem da dívida interna em 26% a/a. Lula vai deixar na base de 9,5% por doze meses.

As exportações com FHC convergiam em torno de 70 bilhões de dólares. Com Lula, as exportações passaram de 140 bilhões e as importações atingiram em torno de 100 bilhões. O comércio externo, como se vê, deixa Lula muito melhor na fotografia. Claro que este êxito influiu na conjuntura total da administração. Pois não existe nada no mundo que deixe de causar algum efeito, algum reflexo. Lula obteve uma disponibilidade de dólares muito maior do que FHC em face do salto nas exportações.

Como se constata, as diferenças entre um governo e outro são bastante visíveis. E, sobretudo sensíveis produzindo reflexos na aprovação de Lula pela opinião pública do país. O povo pode não saber analisar. Mas sabe sentir.