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domingo, 22 de dezembro de 2013

Para o Banco Mundial, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública.

Do sítio da ONU no Brasil.




Sistema Único de Saúde do Brasil – conhecido como SUS – lançou os alicerces de um sistema de saúde melhor para o país, contribuindo para o bem-estar social e a melhoria da qualidade de vida da população, é o que afirma o livro “20 anos de Construção do SUS no Brasil”, recentemente lançado pelo Banco Mundial.
O livro busca analisar a trajetória do programa desde sua criação, destaca progressos trazidos pelo SUS e aponta que, com base nessa experiência e apesar de todas as dificuldades inerentes a um país em desenvolvimento, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública e exemplo para outros países que buscam sistemas mais igualitários de saúde.

Com a criação do SUS, o Brasil foi um dos primeiros e poucos países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a prever na legislação o acesso universal aos serviços de saúde, reconhecendo a saúde como direito do cidadão e dever do Estado.

O livro destaca que os esforços para a ampliação dos gastos em saúde e de uma melhor alocação dos recursos federais e estaduais, privilegiando as áreas e populações mais pobres do país, contribuíram para uma forte ampliação do acesso da população aos serviços básicos de saúde, com importante impacto na redução da mortalidade.

Entre os desafios do SUS, o estudo identifica que o aporte de recursos à saúde precisa ser equacionado e que a capacidade gerencial do sistema ainda é um obstáculo importante. Além disso, há questões reconhecidas sobre as quais é preciso evoluir, como a melhora da qualidade e da coordenação do cuidado e a continuidade da expansão na cobertura da atenção primária.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

OCDE: Brasil lidera avanço no índice de matemática do Relatório do PISA de 2012.

Segue um pequeno trecho do Relatório do Pisa 2012 sobre o Brasil
Principais achados (sobre o Brasil)

Enquanto o Brasil tem desempenho abaixo da média da OCDE, o seu desempenho médio em matemática melhorou de 356 para 391 pontos desde 2003, tornando o Brasil o país com os maiores ganhos de desempenho desde 2003. Melhorias significativas também são encontradas em leitura e ciências.

As melhorias têm sido particularmente fortes entre aqueles com baixo desempenho em matemática, leitura e ciências.

Entre 2003 e 2012, o Brasil também expandiu a matrícula nas escolas primárias e secundárias, com as taxas de matrícula para alunos de 15 anos de crescimento crescendo de 65% em 2003 para 78% em 2012.

O clima disciplinar nas escolas brasileiras está melhor em 2012 do que em 2003, e as escolas foram capazes de atrair e reter professores qualificados com mais facilidade.

A repetência é ainda muito difundida no Brasil, está associada negativamente com o desempenho em matemática e é mais prevalente entre os estudantes desfavorecidos. O Brasil precisa buscar formas mais eficazes para trabalhar com os alunos de baixo desempenho, a fim de estabelecer expectativas elevadas para todos, motivar os alunos, e reduzir as elevadas taxas de abandono escolar.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

OCDE: nos últimos anos, o Brasil soube aproveitar bem seu investimento em educação.

Matéria da BBC Brasil.

Duas observações minhas:

1 – não é só o percentual do PIB aplicado em educação que é similar no Brasil e na OCDE; a relação entre o investimento por estudante e renda per capita no Brasil também já é bem similar àquelas dos EUA e da média da OCDE. Tanto lá como cá, investe-se pouco mais de 20% da renda per capita em educação. Veja:

investimento em educação e renda per capita Brasil x EUA x OCDE
Fonte: este artigo e essa tabela da OCDE: http://www.keepeek.com/Digital-Asset-Management/oecd/economics/oecd-factbook-2013/size-of-gdp_factbook-2013-10-en
O problema, que não deve ser esquecido ao comparar a qualidade, penso eu, é que, aplicando a mesma parcela do PIB, por aluno, o Brasil dispõe de apenas 30% dos recursos disponíveis nos países da OCDE, em média. Num país pobre, como o nosso, o cobertor é sempre muito curto.

2 – ao contrário do que a matéria afirma, o maior investimento por aluno de nível superior não significa que “a educação superior recebeu a maior parcela de gastos no Brasil “. Isso porque o número de estudantes de nível superior é bem menor que o número de estudantes de ensino fundamental, médio ou profissional: cerca de 1 universitário pra cada aluno de educação básica ou técnica.

Márcia Bizzotto
De Bruxelas, para a BBC Brasil

Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira indica que o investimento do Brasil em educação aumentou de 3,5% para 5,6% do produto interno bruto (PIB) entre os anos 2000 e 2010, alcançando assim a média de investimento dos países da organização, que é de 5,4%.

Pertencem à OCDE 34 países, a maioria deles desenvolvidos, como França, Alemanha, Estados Unidos e Grã-Bretanha, e também nações emergentes, como México e Chile.

Divulgado nesta terça-feira em Bruxelas, o relatório Education at a Glance ("Educação em Revista", em tradução livre) afirma, no entanto, que o governo brasileiro investiu em média US$ 2.964 (aproximadamente R$ 6,6 mil) por estudante em 2010, contra US$ 8.382 (cerca de R$ 18,8 mil) nos países da OCDE.

O nível de investimento público do Brasil na educação em 2010 foi igual ao da Áustria, superior ao dos EUA (5,1% do PIB) e comparável com o da França (5,8%) e o da Grã-Bretanha (5,9%), mas ficou longe dos primeiros países da lista da OCDE. A Dinamarca dedicou 7,6% de seu PIB ao setor, a Noruega, 7,5% e a Islândia, 7%.

Entre os países da América Latina analisados no estudo, o Brasil tem o segundo maior nível de investimentos no setor, atrás da Argentina, que em 2010 destinou 5,8% do PIB à educação, mas à frente de México e Chile, com 5,1% e 3,9%, respectivamente.

A educação superior recebeu a maior parcela de gastos no Brasil ─ US$ 13.137 por estudante, mais que a média dos países da OCDE, de US$ 11.383, e mais que os US$ 12.112 dos Estados Unidos, onde 31% dos investimentos em educação são de fonte privada.

Por outro lado, os investimentos brasileiros em educação primária e secundária foram muito inferiores aos dos países ricos ─ US$ 2.653 por estudante, comparado com US$ 8.412 nos países da OCDE e US$ 11.859 nos EUA.

'Bons investimentos'
"Não há ligação direta entre o nível de investimento e a qualidade da educação. O que faz a diferença é a qualidade do investimento, não a quantidade. E o Brasil, nesses últimos anos, soube utilizar bem seus investimentos na educação", disse Eric Charbonnier, analista da OCDE, à BBC Brasil.

A organização considera que "durante a última década o Brasil provou que era capaz de melhorar sensivelmente o desempenho de seus alunos" combinando o aumento em investimentos com uma "divisão de gastos mais equilibrada que no passado".

"Os fundos federais são agora consagrados aos estados mais pobres, garantindo a seus estabelecimentos (de ensino) recursos similares aos dos estabelecimentos de estados mais ricos", diz o relatório.

O documento também destaca programas de formação para professores de todos os níveis, entre eles o "Universidade Aberta", programas de cooperação entre universidades federais e estabelecimentos municipais para intercâmbio de melhores práticas e a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2007.

Como resultado, a classificação do país no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) entre 2000 e 2009 melhorou 16 pontos no quesito compreensão escrita, 15 em ciências e 30 em matemática, apesar de que sua pontuação "continua muito inferior à média da OCDE".

Por outro lado, um ranking divulgado no ano passado pela consultoria Economist Intelligence Unit (EIU) colocou o Brail em penúltimo lugar entre 40 países no tocante à qualidade da educação.

O ranking foi compilado com base em testes de alunos realizados entre 2006 e 2010 e em outros critérios, como a quantidade de alunos que ingressam em universidades.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

OCDE: o Gov. Federal do Brasil obteve enorme progresso no combate a corrupção, que não deve ser ofuscado pelo há por fazer.

Notícia publicada no site da OCDE.


27/10/2011 - Na última década, o Brasil progrediu imensamente no que diz respeito à luta contra a má conduta no setor público. Porém, de acordo com o recente relatório publicado pela OCDE, ainda há espaço para melhoria nos procedimentos de detecção e prevenção de atos indevidos praticados por funcionários públicos.

Dos arquivos do blog:
Pesquisa americana revela: no Brasil pedido de propina é menos comum que nos EUA.
Governo Federal (via CGU) e MPF aprofundam cooperação no combate à corrupção iniciada em 2004.
Carta Capital: especialista da ONU garante: o Brasil tem feito um grande trabalho no combate à corrupção.

A Avaliação de Integridade da Administração Pública federal brasileira, realizada pela OCDE, elogia os esforços do governo federal no desenvolvimento de instituições e práticas que melhoram o nível de integridade de toda a administração pública.

O relatório - apresentado em Brasília por Angel Gurria, secretário-geral da OCDE, e Jorge Hage, Ministro-Chefe da Controladoria-Geral da União, - marca a primeira vez em que o sistema de integridade de um país membro do G20 é submetido a processo de revisão por pares, pela OCDE.

"Integridade não pode depender apenas do comprometimento dos líderes. Este conceito deve contar com sistemas, processos e a organização da administração pública em todos os níveis", de acordo com o Sr. Gurria. “O Brasil tem demonstrado comprometimento com a reforma do setor público para prevenir a corrupção. Há muito ainda a ser feito, mas isso não deve ofuscar o enorme progresso já alcançado. A disposição do Brasil de ser analisado por seus pares em uma questão sistêmica tão importante quanto a da integridade pública destaca seu crescente papel nos debates e processos decisórios internacionais”, acrescentou Sr. Gurria.

A avaliação da OCDE concentra-se em quatro áreas principais: a promoção da transparência e o envolvimento dos cidadãos, a implementação de sistemas de controle interno baseados em risco, a incorporação de elevados padrões de conduta entre os funcionários públicos e a melhoria da promoção de integridade nas contratações públicas.

Os três estudos de caso conduzidos pela OCDE - na administração tributária (Receita Federal do Brasil), no programa de transferência de renda Bolsa Família e no Programa Nacional de DST / AIDS - destacaram diferenças significativas na implementação de medidas de integridade nas organizações públicas. Os estudos de caso demonstram que as autoridades responsáveis pelas medidas de integridade pública devem fornecer orientações práticas de “como fazer” e ferramentas para melhorar o desempenho de organizações públicas, isto paralelamente a iniciativas de âmbito geral no governo. 

Em relação a ações futuras, a OCDE orienta o Brasil a:

* Fazer da gestão de risco uma responsabilidade central de todos os gestores públicos, ao invés de apenas uma tarefa dos auditores internos. Gestores públicos devem ter condições de identificar e gerenciar o risco de fraude, desperdício e corrupção em suas respectivas atividades.
* Assegurar que instituições e servidores públicos sejam capazes de atingir seus respectivos objetivos por meio do acesso a recursos necessários, tais como treinamento, avaliação contínua e compartilhamento de lições aprendidas.
*Integrar as atividades de avaliação atualmente fragmentadas - hoje administradas por diretores, inspetores, auditores internos, ouvidores, comitês de ética e outros – a quadros de gestão mais amplos para apoiar o desempenho e promover a accountability.
* Aumentar a coordenação de órgãos/entidades para o desenvolvimento  de um compromisso coletivo direcionado a  reformas de integridade. Autoridades responsáveis por promover a  integridade poderiam trabalhar em conjunto na avaliação e no planejamento de novas iniciativas de prevenção ao desperdício, fraude e corrupção ou modernização da administração pública.

A avaliação da OCDE sobre a Integridade da Administração Pública federal no Brasil é o quarto trabalho de uma série de estudos sobre Governança Pública no Brasil. Este trabalho dá seguimento a avaliações anteriores realizadas pela OCDE: sobre Orçamento Público, em 2003; Reformas em Regulação, em 2008; e, Gestão de Recursos Humanos no Governo, em 2010. A OCDE está atualmente conduzindo uma avaliação de pares do Tribunal de Contas da União, cuja publicação está prevista para ocorrer em 2012.
Este novo trabalho de avaliação apoia o amplo comprometimento internacional do Brasil em relação aos esforços internacionais de combate à corrupção. O Brasil é signatário da Convenção da OCDE sobre o Combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionaisdesde 2000. É também um dos oito países fundadores da Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership) lançada em Nova York no mês de setembro de 2011 - iniciativa multilateral para promover a transparência, combater a corrupção e fortalecer a governança.
Para mais informações, entre em contato com Janos Bertok, Chefe Interino da Divisão de Reformas do Setor Público da OCDE (Janos.Bertok@oecd.org), ou James Sheppard, coordenador da Avaliação de Integridade da Administração Pública Federalbrasileira, na OCDE (James.Sheppard@oecd.org).
Mais informações sobre a Avaliação de Integridade da Administração Pública Federal brasileira, pela OCDE: A Gestão de Riscos Para Uma Administração Pública Mais Transparente e Ética está disponível na página:www.oecd.org/gov/ethics/integrityframework.

Also available:

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cristiano Romero, no Valor: Quem tem medo de déficits externos?

Artigo do Valor Econômico, copiado daqui.

Quem tem medo de déficits externos?
Brasil - Cristiano Romero
Valor Econômico - 17/03/2010

Depois de nove anos gerando saldos positivos, o Brasil pode fechar 2010 com déficit na balança comercial. De janeiro até a segunda semana de março, o resultado foi positivo em US$ 809 milhões, mas as importações estão crescendo num ritmo mais acelerado que as exportações - 31,4%, face a 25,9%, segundo a média diária de saída e entrada de bens e serviços. O saldo em transações correntes, que entrou em território negativo no fim de 2007, tem sido crescentemente deficitário. O Banco Central (BC) projeta, para este ano, um déficit de US$ 40 bilhões, 64,3% maior que o de 2009.

Esse cenário de desaparecimento dos superávits comerciais e de crescimento "explosivo" do déficit em conta corrente foi antecipado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por conselheiros formais e informais, em abril de 2008. Na ocasião, o que se disse foi que, mantido o rumo da política econômica, o Brasil assistiria neste ou no próximo ano a uma crise no balanço de pagamentos, o mesmo tipo de turbulência que, no passado, abortara ciclos de crescimento e jogara o país em momentos de penúria e desesperança.

O objetivo dos conselheiros era, evidentemente, mudar as políticas cambial e monetária. Uma ideia ventilada foi copiar o modelo argentino, de fixação de uma meta (desvalorizada) para o câmbio. O apelo para convencer o presidente era político - "O senhor pode chegar ao ano da sucessão com o país em crise", advertiram-no. Lula, ao seu estilo "em-time-que-está ganhando-não-se-mexe", deixou o debate correr solto, mas não se moveu.

Afinal, o Brasil corre ou não o risco de sofrer uma crise no balanço de pagamentos? O economista Nilson Teixeira, do banco Credit Suisse, considera baixa essa probabilidade. Ele projeta para 2010 um déficit em transações correntes de US$ 53 bilhões (2,7% do PIB), incluído nessa conta um saldo comercial negativo de US$ 16,2 bilhões - trata-se de previsão, portanto, mais pessimista que a do BC. Para 2011, ele prevê déficit de US$ 80 bilhões, o equivalente a 3,6% do PIB - em 2009, o déficit foi de 1,5% do PIB.

Teixeira é um daqueles economistas classificados na categoria dos "chatos" (no bom sentido, claro). Para ele, não basta discutir conceitos. É preciso ir aos números, fazer contas, rodar modelos econométricos. Foi o que ele e sua equipe fizeram para concluir que, além de ser baixo o risco de o Brasil sofrer uma disrupção em 2010 e 2011, é igualmente reduzido o perigo de reversão do atual ciclo de crescimento, como consequência de um possível ajuste nas contas correntes.

Antes de mais nada, a comparação de alguns fundamentos do Brasil com os de países que experimentaram processos de reversão de déficits em conta corrente, acompanhados de forte contração do PIB, é favorável ao país. Em 1998-1999, quando viveu um processo dessa natureza, a Indonésia tinha dívida externa equivalente a 156% do PIB e reservas internacionais a apenas 12% do PIB. O país mantinha um regime de câmbio fixo e, como resultado do ajuste da conta corrente, viu seu PIB encolher 13,1% em 1998. Em 2000-2002, a Argentina acumulava dívida externa de 54% do PIB, com reservas de 9% do PIB. Então adepto do câmbio fixo, o país vizinho naufragou numa recessão que lhe subtraiu 10,9% do PIB em 2002. O Brasil tem hoje dívida externa e reservas equivalentes, respectivamente, a 10% e 13% do PIB.

Tem sido comum comparar a situação brasileira com a da Austrália, economia que, mesmo registrando constantes e elevados déficits em conta corrente, tem se mantido estável, praticamente imune a crises e com crescimento médio superior ao do seu clube (a OCDE). Teixeira e sua equipe estudaram as diferenças e concluíram que o Brasil tem posição confortável.

A Austrália financia seu déficit estrutural em transações correntes com endividamento externo. No primeiro semestre de 2009, seu passivo externo líquido, de 60,6% do PIB, estava assim distribuído: 52,9% diziam respeito à dívida externa e apenas 7,7%, a investimentos de estrangeiros em ações. Apesar da elevada despesa com juros da dívida, o risco associado ao financiamento do déficit é reduzido - a dívida soberana da Austrália, lembra Teixeira, é classificada como de baixíssimo risco pelas agências de rating. Obviamente, políticas fiscais e monetárias austeras adotadas pelo governo têm assegurado a confiança dos investidores.

Ao contrário do caso australiano, o passivo brasileiro é formado majoritariamente por ações e investimento estrangeiro direto (IED). Entre 2001 e 2009, a participação de IED e ações no passivo externo total saltou de 43% para 72%, enquanto o percentual de títulos de renda fixa e de empréstimos caiu de 55% para 27%. Esses números mostram que, na prática, o Brasil também está procurando conviver, de forma minimamente segura, com déficits estruturais em transações correntes.

Com o novo perfil de passivo externo, o peso das despesas com remessa de lucros e dividendos aumentou em relação às despesas com juros da dívida. Aplicando modelos econométricos, Teixeira e sua equipe constataram que, nos últimos anos, justamente quando ocorreu a mudança de perfil do passivo do país, verificou-se forte correlação entre despesas de transações correntes com atividade econômica e taxa de câmbio. Quando a demanda doméstica cresce, há uma expansão dessas despesas - por exemplo: uma multinacional instalada no país remete mais lucros e dividendos ao exterior. Na hipótese de uma depreciação da taxa de câmbio, há uma contração maior dessas despesas em relação ao que ocorria no passado - as importações ficam caras e diminuem, e as transnacionais lucram menos e, portanto, remetem menos ao exterior.

Para o economista-chefe do Credit Suisse, é baixa a probabilidade de um possível ajuste das contas externas provocar uma reversão abrupta do ciclo de crescimento iniciado no segundo trimestre de 2009. "Entendemos que, no Brasil, o regime de câmbio flutuante, a característica procíclica do déficit em transações correntes e a melhora dos indicadores de solvência externa, com aumento do nível de reservas internacionais, contração da dívida externa e diminuição dos pagamentos de juros, indicam que não é necessária uma elevada contração do produto para o equilíbrio do balanço de pagamentos em caso de crise
externa", diz ele.