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terça-feira, 28 de julho de 2015

Brasil começa a corrigir atraso na área biofarmacêutica, diz especialista




O setor biofarmacêutico brasileiro está com cerca de 30 anos de atraso em relação aos países desenvolvidos, de acordo com Leda Castilho, professora de Engenharia Química do Instituto  Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ). Nos últimos anos, porém, o governo federal detectou esse atraso e o seu impacto na balança comercial e começou a investir na área, disse ela hoje (27) à Agência Brasil.

Leda Castilho salientou que há um déficit grande na área de saúde, em grande parte decorrente da necessidade de importar produtos biotecnológicos para a saúde humana. Algumas empresas biofarmacêuticas, segundo ela, foram criadas individualmente ou em consórcio com outras companhias, no país, apoiadas por financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


As aprovações de empréstimos do BNDES entre 2004 e 2015 para esse segmento somam R$ 617 milhões, o que representa 14% da carteira de aprovações totais do banco, relativas às três fases do Profarma, o programa de apoio ao setor. Os projetos em análise na área de biotecnologia equivalem a 52% do total e alcançam R$ 500 milhões.

Os investimentos permitiram, inclusive, que uma das empresas financiadas, a Recepta Biopharma, criasse um produto inovador (anticorpo monoclonal) que acaba de ser licenciado para os Estados Unidos, visando o desenvolvimento de remédio para o tratamento de câncer. Segundo Leda, é a primeira vez que o Brasil não está comprando uma tecnologia do exterior. Ao contrário, "estamos vendendo para os EUA a tecnologia de um novo produto, moderno, para a saúde humana“. As vendas do setor de biofármacos superaram US$ 160 bilhões no ano passado. “Hoje em dia, o setor biofarmacêutico já representa 20% das vendas da indústria como um todo. E é um percentual crescente”, adiantou.

A professora Leda informou que dos 41 mil novos produtos para a saúde humana com testes clínicos em andamento no mundo, 40% são produtos biotecnológicos. “O setor biofarmacêutico está se tornando cada vez mais importante”, segundo ela. Na avaliação dela, o Brasil está dando os primeiros passos para participar desse mercado mundial. “Está montando as primeiras fábricas para passar a produzir daqui a alguns anos”, disse.

A produção de biofármacos em cultivos de células animais é o tema do sexto seminário internacional promovido a partir de hoje (27) pelo Programa de Engenharia Química da Coppe-UFRJ. O evento se estenderá até a próxima sexta-feira (31) e reunirá especialistas de universidades e da indústria de 13 países.

Para que o leitor possa entender a importância do seminário, biofármacos são produtos biológicos usados para fins terapêuticos. Leda Castilho explicou que no mundo existem medicamentos tradicionais, como aspirinas, por exemplo, que são produzidos por síntese química. Mas desde a década de 1980, começaram a chegar ao mercado, “e de forma crescente nos últimos anos”, medicamentos produzidos por biotecnologia. "São medicamentos que a molécula é muito mais complexa. Por isso, não dá para produzir pelas vias tradicionais, e tem que usar biotecnologia na fabricação. Eles usam células que foram, um dia, isoladas a partir de animais. Essa ferramenta é utilizada para produzir os modernos medicamentos biotecnológicos, explicou.

Durante o seminário, serão discutidas todas as etapas para o desenvolvimento dessas biotecnologias e sua aplicação industrial, disse ela. A manipulação genética da célula, visando a produção de uma cópia da proteína humana – para que ela possa ser injetada em um paciente e suprir uma deficiência que ele tenha em produzir aquela proteína, como ocorre em doentes com hemofilia – será um dos temas em debate, adiantou Leda.

Os especialistas vão discutir desde a modificação genética da célula até a propagação dessas células com a cópia do gene humano, de modo a que elas produzam grande quantidade da proteína humana. A purificação dessa proteína e aspectos regulatórios e de mercado, envolvendo a realização de testes em animais e testes clínicos (em humanos), também estarão na pauta do seminário, disse Leda Castilho. Os especialistas abordarão ainda outros produtos biológicos relevantes também fabricados a partir de células animais, como vacinas e terapias celulares.

terça-feira, 20 de março de 2012

BBC: programa brasileiro de estudos no exterior tem escala e velocidadesem precedentes


Matéria publicada pela BBC Brasil.






O programa Ciência sem Fronteiras, que prevê a entrega de milhares de bolsas de estudo para que brasileiros se capacitem no exterior, foi qualificado pela revista britânica The Economist como a "mais ousada tentativa do Brasil de estimular seu crescimento econômico".

Lançado em 2011, em parceria dos ministérios da Ciência e da Educação, o projeto tem como meta formar alunos de graduação e pós-graduação em países como Alemanha, EUA e Reino Unido, para torná-los, nas palavras do governo federal, "competitivos em relação à tecnologia e inovação".

"Até o final de 2015, mais de 100 mil brasileiros (oficialmente, o governo brasileiro diz que serão 75 mil) terão passado cerca de um ano no exterior nas melhores universidades do mundo, estudando temas como biotecnologia, oceanologia e engenharia de petróleo, que o governo considera essenciais para o futuro do país", escreveu a Economist em sua edição que chegou às bancas nesta sexta-feira. "Isso custará R$ 3 bilhões, sendo um quarto disso pago por empresas e o resto, pelo dinheiro dos impostos."

Dos arquivos:
O vira-lata, a cramberry e a jabuticaba
Keneth Rapoza, na Forbes: as descobertas da Petrobras no pré-sal são, para o Brasil, o que pousar na lua foi para os EUA
Corte seco.
Valor: Bolsa família reduz evasão escolar e melhora aproveitamento dos alunos.
Jornal da Ciência: UFRJ inaugura laboratório que impulsiona programa nuclear
Portal Exame: Embrapa se prepara para atender a demanda externa por seus serviços e sua tecnologia.
Newsweek: com suas conquistas desde 2003, o Brasil surge como modelo na luta contra a pobreza.

A revista cita autoridades defendendo que a melhoria na qualidade da mão de obra brasileira pode fazer "uma grande diferença" - ainda que no longo prazo - no fomento às taxas de crescimento da economia, atualmente menores que as de outros países do grupo Bric.

Além disso, brasileiros diplomados ganham, em média, 3,6 vezes mais do que os formados apenas no ensino médio, segundo a publicação britânica.

Mão de obra qualificada
"Empresários se queixam da dificuldade em encontrar mão de obra qualificada (no Brasil). Pessoas treinadas em áreas científicas são especialmente escassas. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) diz que muitos dos 30 mil engenheiros formados anualmente no país vêm de instituições medíocres", prossegue a reportagem.

"As autoridades esperam que estudantes retornem com boas ideias do exterior e elevem os níveis (de ensino) esperados nas universidades brasileiras."

A revista também cita Allan Goldman, do grupo sem fins lucrativos Institute of International Education, dizendo que o programa brasileiro tem "escala e velocidade sem precedentes".

Até então, o envio de brasileiros para estudos no exterior era menor que o de países como Índia e China.
"Os EUA são o destino mais popular, mas até o ano passado havia apenas 9 mil brasileiros em campi americanos (excluindo-se os estudantes de idiomas). Juntos, os chineses e indianos somavam 260 mil", afirma a Economist.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Brasil Econômico: Governo Federal concede benefícios fiscais a empresas que invistam em inovação.

Matéria do Brasil Econômico.

Brasil Econômico - As informações são da Agência Brasil
02/08/10 09:49

Após assinar medida provisória que prevê a redução de impostos para empresas que investirem em inovação tecnológica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou hoje (2) de empresários brasileiros maior adesão ao estímulo dado pelo governo.

"Nós precisamos ficar mais competitivos, melhorar a qualidade dos nossos produtos, baratear a qualidade dos nossos produtos e isso, obviamente, está ligado à inovação", disse.

Os incentivos incluem, por exemplo, a isenção de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Em seu programa semanal Café com o Presidente, Lula lembrou que, com a medida, o Brasil passa a ser o segundo país que mais promove incentivos fiscais no setor, perdendo apenas para os Estados Unidos.

"Do ponto de vista do dinheiro colocado pelo Estado brasileiro, nós estamos mais ou menos equiparados a todos os países do mundo. A diferença é que, em alguns países, as empresas privadas fazem muito investimento em ciência e tecnologia. E, no Brasil, nós fazemos muito pouco ainda", disse.

Durante o programa, o ministro da Ciência e Teconologia, Sergio Rezende, lembrou que, a partir de agora, as empresas brasileiras contam com incentivo ainda maior para investir em inovação tecnológica.

"Temos hoje, no Brasil, um leque de apoio do governo para que as empresas sejam estimuladas. Agora, é muito importante que os empresários se arrisquem mais. O Brasil tem hoje muitos pesquisadores com capacidade de ajudá-los, para que as empresas realmente passem a fazer da inovação parte do seu processo produtivo", afirmou.

Brasil Econômico: Cefet desenvolve asfalto mais barato e ecológico - com bagaço de cana.

Matéria do Brasil Econômico.

Carolina Pereira   (cpereira@brasileconomico.com.br
01/08/10 07:23

No Brasil, cerca de 70% do bagaço de cana que resulta do processo de produção de açúcar e álcool é queimado para geração de energia.

O restante, no entanto, não é aproveitado, de acordo com Cláudio Leal, pesquisador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF).

Preocupado em encontrar um destino sustentável para esses restos, que são desperdiçados, Leal desenvolveu um tipo de asfalto que contém bagaços de cana em sua composição.

Ao observar os materiais que compõem as misturas asfálticas como a chamada de Stone Matrix Asfalt (SMA), que é mais resistente que o convencional e no Brasil é utilizada em locais como o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, Leal percebeu que era possível substituir as fibras de celulose ou de vidro utilizadas nesse composto pelo bagaço da cana.

Dessa maneira, além de evitar o desperdício, foi possível baratear a produção do asfalto do tipo do SMA. "O bagaço é totalmente mais barato do que as outras fibras usadas nas misturas SMA, já que estas precisam de um processo industrial para sua produção", diz o pesquisador.

Os testes feitos por Leal comprovam que a mistura que contém o bagaço apresenta o mesmo desempenho que o asfalto SMA.

Entre as vantagens do asfalto SMA em relação ao convencional estão maior resistência ao desgaste, diminuição do efeito de aquaplanagem e aumento da aderência do pneu à superfície do pavimento.
Com o barateamento da sua produção, o SMA pode começar a ser utilizado nas ruas e estradas do Brasil, diminuindo os custos com a manutenção do asfalto. Nos Estados Unidos, Canadá e países da Europa a mistura já é bastante utilizada em rodovias por conta da alta resistência, principalmente ao fluxo de veículos pesados, que normalmente causam danos à pista.

A exemplo do que já acontece nos países desenvolvidos, no Brasil o SMA começa a ganhar espaço.

Teste no Rio de Janeiro

Por enquanto, a previsão é o pavimento entrar em fase de testes no estado do Rio de Janeiro, na BR-356, entre as cidades de Campos de Goytacazes e São João da Barra, no segundo semestre desse ano.

Segundo Leal, o projeto foi apresentado ao Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), que aceitou construir o trecho experimental.

A pesquisa, até agora, demandou investimentos de R$ 86 mil, vindos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), aplicados principalmente na aquisição de equipamentos de monitoramento do trecho experimental.

Por enquanto, não há interesse de empresas privadas em utilizar ou comercializar a mistura, de acordo com Leal

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Inovação Tecnológica: empresa brasileira pesquisa combustível de foguetes a base de etanol.


Alex Sander Alcântara - Agência Fapesp - 07/04/2010

Empresa brasileira desenvolve motores para foguetes à base de etanol, considerado um combustível mais seguro do que a hidrazina, usada atualmente.

Atraso espacial

O Brasil acumula um atraso de meio século na propulsão de foguetes espaciais em relação aos norte-americanos e russos. Para tentar dar um impulso no setor, há cerca de 15 anos o país iniciou um programa de pesquisa em propulsão líquida e que tem como base o etanol nacional.

O desafio do programa, liderado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), é movimentar futuros foguetes com um combustível líquido que seja mais seguro do que o propelente à base de hidrazina empregado atualmente. Esse último, cuja utilização é dominada pelo país, é corrosivo e tóxico.

Combustível verde

O desafio da busca por um combustível "verde" e nacional também conta com o apoio de um grupo particular de pesquisadores, formado em parte por engenheiros que cursam ou cursaram o mestrado profissional em engenharia aeroespacial do IAE - realizado em parceria com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica e com o Instituto de Aviação de Moscou.

Liderado pelo engenheiro José Miraglia, professor da Faculdade de Tecnologia da Informação (FIAP), o grupo se uniu para desenvolver propulsores de foguetes que utilizem propelentes líquidos e testar tais combustíveis.

"Os propelentes líquidos usados atualmente no Brasil estão restritos à aplicação no controle de altitude de satélites e à injeção orbital. Eles têm como base a hidrazina e o tetróxido de nitrogênio, ambos importados, caros e tóxicos", disse Miraglia.

A Agência Espacial Europeia (ESA) também anunciou, há poucos dias, um projeto para desenvolver um combustível verde para satélites e foguetes, que já está em testes.

Foguete a etanol

Na primeira fase do projeto, o grupo, em parceria com a empresa Guatifer, testou motores e foguetes de propulsão líquida com impulso de 10 newtons (N), com o objetivo de avaliar propelentes líquidos pré-misturados à base de peróxido de hidrogênio combinado com etanol ou querosene.

"Os testes mostraram que o projeto é viável tecnicamente. Os propulsores movidos com uma mistura de peróxido de hidrogênio e etanol, ambos produzidos em larga escala no Brasil e a baixo custo, apresentaram o melhor rendimento", disse.

Segundo Miraglia, a mistura apresenta algumas vantagens em relação à hidrazina ou ao tetróxido de nitrogênio, usados atualmente. "Ela é muito versátil, podendo ser utilizada como monopropelente e como oxidante em sistemas bipropelentes e pré-misturados. O peróxido de hidrogênio misturado com etanol apresenta densidade maior do que a maioria dos propelentes líquidos, necessitando de menor volume de reservatório e, consequentemente, de menor massa de satélite ou do veículo lançador, além de ser compatível com materiais como alumínio e aço inox", explicou.

Foguete de sondagem

Na segunda fase do projeto, o grupo pretende construir dois motores para foguetes de maior porte, com 100 N e 1000 N. "Nossa intenção é construir um foguete suborbital de sondagem que atinja os 100 quilômetros de altitude e sirva para demonstrar a tecnologia", disse.

A empresa também está em negociações para uma eventual parceria com o IAE no projeto Sara (Satélite de Reentrada Atmosférica), cujo objetivo é enviar ao espaço um satélite para o desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas e especialidades, como biologia, biotecnologia, medicina, materiais, combustão e fármacos.

"Nosso motor seria utilizado na operação de reentrada para desacelerar a cápsula quando ela ingressar na atmosfera. Atualmente, não existe no Brasil foguete de sondagem a propelente líquido. Todos utilizam propelentes sólidos", disse.

Kits educativos de foguetes

O grupo também pretende produzir motores para foguetes de sondagem que tenham baixo custo. "Eles seriam importantes para as universidades, com aplicações em estudos em microgravidade e pesquisas atmosféricas, por exemplo", disse Miraglia.

Em trabalhos de biotecnologia em microgravidade, por exemplo, pesquisas com enzimas são fundamentais para elucidar processos ligados a reações, fenômenos de transporte de massa e calor e estabilidade das enzimas. Tais processos são muito utilizados nas indústrias de alimentos, farmacêutica e química fina, entre outras.

"Queremos atingir alguns nichos, ou seja, desenvolver um foguete movido a propelente líquido que se possa ajustar à altitude e ser reutilizável. Esse é outro ponto importante, porque normalmente um foguete, depois de lançado, é descartado", disse.

O grupo já construiu um motor de 250 N, que será utilizado em testes. Como forma de difundir e reunir recursos para o projeto, a empresa comercializa kits de minifoguetes e material técnico. "São direcionados principalmente para estudantes", disse Miraglia.

No site http://www.foguete.org/, a empresa oferece também apostilas técnicas e livros digitais sobre foguetes com informações sobre astronáutica, exploração espacial e aerodinâmica.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Valor: política do Ministério da Saúde visa reduzir o déficit comercial da área.

Matéria do Valor, copiada daqui.

Esforços para estimular inovação.


Valor Econômico - 03/03/2010
Apesar dos avanços na ampliação do atendimento, na erradicação de doenças e em diversas outras frentes, a história da saúde no Brasil nos últimos 20 anos tem um contraponto negativo no capítulo dedicado ao complexo industrial do setor. Enquanto a demanda por produtos e serviços se multiplicou, a capacidade produtiva foi enfraquecida com o fechamento massivo de fabricantes de fármacos - vítimas, segundo o setor, de uma abertura comercial precipitada - e a escassez de inovação nas empresas instaladas no país.

O resultado foi a explosão do déficit comercial da área de saúde: de US$ 700 milhões, no fim da década de 80, para um total de US$ 7,1 bilhões no ano passado (indústria farmacêutica, de equipamentos e outros segmentos), um dos maiores da balança comercial brasileira, que terminou 2009 com superávit de US$ 24,6 bilhões.

Para desfazer essa bola de neve, o governo lançou em 2007 uma política para fortalecer o complexo econômico e industrial da saúde, que abrange cinco setores industriais (medicamentos, fármacos e biofármacos, vacinas, reagentes para diagnósticos e equipamentos médico-hospitalares) e três de serviços (hospitalares, ambulatoriais e serviços para diagnósticos).

Coordenados pelo Ministério da Saúde, os esforços têm como principais objetivos aumentar a capacidade de produção e inovação da indústria local, melhorar a qualidade dos produtos e dar mais competitividade às empresas brasileiras. A expectativa é que o país possa reduzir o déficit comercial para US$ 4,4 bilhões até 2013, conforme a meta do programa Mais Saúde, o PAC da Saúde.

"É evidente que essa redução depende de um conjunto de fatores", diz o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, citando entre eles a influência do câmbio no comércio exterior. "Mas é uma meta e vamos perseguir", salienta.
Uma das ações que surtiram mais efeito até o momento foi a articulação do ministério com organismos de fomento como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A aproximação contribuiu para ampliar a disponibilidade de recursos e dar mais foco às operações de apoio, que passaram a considerar uma lista de itens prioritários publicada pelo ministério na portaria 978, de 2008.

No caso do BNDES, o ministério participou diretamente do redesenho do Profarma, criado em 2004 e renovado em 2007 com maior escopo e melhores condições. Antes voltado para a cadeia farmacêutica, o programa passou a abranger todo o complexo da saúde. Em projetos de inovação que atendam às prioridades do ministério, o banco pode participar integralmente do risco. Do orçamento de R$ 3 bilhões disponibilizado até 2012, R$ 1,2 bilhão já havia sido contratado em janeiro, num total de 69 operações com investimentos previstos de R$ 2,5 bilhões.

Outra estratégia do governo para promover a inovação e a produção local de itens hoje importados são as parcerias público-privadas (PPPs). Em 2009, foram firmados nove acordos envolvendo sete laboratórios públicos e oito empresas privadas, a maioria brasileira. As parcerias propiciarão economia de cerca de R$ 120 milhões por ano na compra de medicamentos.
Depois de estabelecer acordos promissores - como o que resultará na produção da vacina pneumocócica, em parceria com a inglesa GlaxoSmithKline -, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) promete novidades para este ano. Segundo o vice-presidente de produção e inovação, Carlos Gadelha, a Fiocruz mantém conversas com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) para desenvolver iniciativas que estimulem a fabricação de leitores de diagnósticos para doenças transmissíveis, como aids e dengue. Outra aposta é na aproximação com institutos nacionais como INCA (câncer) e INTO (traumatologia e ortopedia) para ações que gerem inovação na indústria e em serviços. (D.H.)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Valor: com investimento e estímulo do Governo Federal, setor de P&D finalmente avança no Brasil.

Artigo publicado no Valor Econômico e disponível aquiaqui.

O avanço de P&D no Brasil.
Artigo de Cristiano Romero


Governo e indústria investem mais no setor, que ainda precisa absorver doutores e pesquisadores no setor privado

Nunca foi fácil convencer empresário brasileiro a destinar parte do capital de suas companhias a investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O ambiente macroeconômico, marcado por décadas de inflação crônica, não ajudava, mas, além disso, inexistia no país uma cultura pró-Ciência e Tecnologia (C&T). Felizmente, isso está mudando.

Em 2006, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) lançou, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o primeiro edital para a concessão de subvenção econômica (recursos a fundo perdido) a empresas interessadas em investir em inovação. De lá para cá, a demanda tem sido crescente. No total, chegou a 8.890 projetos, dos quais, 791 foram aprovados, a um custo de R$ 1,5 bilhão para os cofres públicos. Neste ano, serão liberados mais R$ 600 milhões para essa modalidade.

Além da subvenção, têm crescido, também de forma exponencial, as operações de crédito, igualmente para projetos de inovação, realizadas pela Finep e o BNDES. No primeiro caso, os desembolsos saltaram de R$ 117 milhões em 2004 para R$ 1,6 bilhão no ano passado. No BNDES, as liberações para projetos de apoio à inovação saltaram de R$ 105 milhões em 2006 para R$ 1,3 bilhão em 2008 - até outubro de 2009, os empréstimos haviam atingido R$ 980 milhões. Na gestão do presidente Luciano Coutinho, o banco passou a considerar inovação tecnológica um dos critérios da análise dos pedidos de crédito.

Nos dois casos, é interessante notar que a concessão de crédito cresceu em meio à crise financeira internacional. Esta é, sem dúvida, uma novidade. No passado, toda vez que o Brasil entrava em crise, ou por suas próprias mazelas ou em decorrência de turbulência externa, o governo cortava, imediatamente, a liberação de recursos para investimentos em C&T.

O governo federal, que tem tido um papel importante na alavancagem das aplicações privadas em P&D, não se deixou abater pela crise. Os dados de execução orçamentária do MCT mostram que, em 11 anos, os recursos para C&T, excluídos os gastos com pessoal, cresceram 506%. Em 2009, atingiram R$ 5,6 bilhões e no ano corrente devem chegar a R$ 7,2 bilhões, um recorde.

O Brasil está começando, finalmente, a entrar na corrida das nações nessa área. A combinação de investimento público e privado tem elevado de forma expressiva o dispêndio nacional em P&D. Em 2004, ano que marcou o fundo do poço em C&T no período recente, possivelmente em consequência da violenta crise fiscal vivida pelo Estado brasileiro em 2002 e 2003, o total aplicado foi de apenas 0,9% do PIB. Em 2008, pulou para 1,13%.

Os números mostram que o Brasil ainda está aquém da média dos países da OCDE - de 2% do PIB. Por outro lado, revelam que tem ocorrido uma evolução firme no país. "O Brasil é uma economia de pesquisa competitiva e crescentemente importante. A capacidade de sua força de trabalho de pesquisadores e o investimento em P&D estão expandindo rapidamente, oferecendo muitas novas possibilidades num portfólio de pesquisa diversificado", atestou, em relatório do ano passado, a Thomson Reuters, empresa que lidera o fornecimento de informações sobre publicações de pesquisa e suas citações no mundo.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, acredita que a mudança de mentalidade em curso no país se deve, em primeiro lugar, à mudança do ambiente econômico, que passou a exigir das empresas maior produtividade e competitividade.

No setor público, um marco importante foi a criação, no governo Fernando Henrique, dos fundos setoriais de C&T, uma fonte permanente de recursos para pesquisa, e, já no governo Lula, a aprovação da Lei de Inovação, que tenta aproximar a pesquisa científica dos empreendimentos privados, além da chamada Lei do Bem, que criou incentivos fiscais para as empresas interessadas em aplicar em P&D.

Físico, com doutorado no MIT (Massachusetts Institute of Technology), a meca da inovação científica nos Estados Unidos, Rezende chama a atenção para o fato de entidades empresariais brasileira, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Movimento Brasil Competitivo (MBC), criado pelo empresário Jorge Gerdau, terem acordado para a importância dos investimentos em P&D. Ele lembra que, hoje, o Brasil forma 10 mil doutores por ano e publica cerca de 20 mil papers científicos, dez vezes mais do que fazia em 1981.

Apesar da sensível melhora, muito ainda há para se avançar. Existem programas do MCT em que sobram recursos e falta demanda. Um deles é a subvenção paga pela Finep às empresas que contratem mestres ou doutores para trabalhar em projetos inovadores - o benefício lhes assegura o pagamento de 50% do salário do novo funcionário.

Desde o lançamento do incentivo, há quase quatro anos, apenas 42 mestres e 26 doutores, de 18 empresas, foram empregados no âmbito do programa. "As empresas preferem contratar engenheiros. Apesar do benefício, acham caro contratar mestres e doutores", diz Rezende.

(Valor Econômico, 3/2)