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sábado, 17 de outubro de 2015

FMI repete Dilma: Lava Jato causou queda do PIB brasileiro. Cadê as manchetes?




Em 27 de julho, a Dilma afirmou que a Operação Lava Jato "(...) provocou uma queda de um ponto percentual no PIB brasileiro".

No dia seguinte, O Globo saiu com a capa aí de cima, com a manchete marota, dando a entender que a presidenta fica procurando novos culpados para a crise a cada momento. Entretanto, tudo que ela dissera é que parte da cada do PIB pode ser explicada como efeito das investigações.

O genial economista Rodrigo Constantino publicou um texto sobre o assunto. Compara Dilma a uma criança procurando culpados pelas suas próprias traquinagens, debocha da análise da presidenta, mas não apresenta nenhuma razão que demonstre equívoco da assertiva dela. Sei lá, vai ver que a economista dele estava de férias.


Mais de um mês depois, foi a vez do juiz Sérgio Moro reagir. O magistrado embaralhou as coisas e se saiu com a estapafúrdia comparação: "não é o policial que descobre o crime, o culpado pelo cadáver". Para que a comparação fizesse sentido, Dilma teria que ter culpado a Lava Jato pelas propinas ou pelo sobrepreço em obras. Ou a Lava Jato investiga a queda do PIB brasileiro?

De qualquer forma, acho que o juiz perdeu uma bela chance de ficar calado. Dilma não criticara a operação; ela apenas indicara um efeito colateral adverso da apuração.

Aliás, muitos remédios para doenças graves os tem, e apontá-los não significa crítica ao seu uso. Por outro lado, fingir que estes efeitos adversos não existem impede que se adeque a "posologia" e que se busque maneiras para mitigá-los.

Enfim, agora, passados quase três meses, o insuspeito (neste ponto!) diretor do FMI foi além da Dilma. Ele não disse, como a presidenta, que parte da queda do PIB brasileiro é efeito da Lava Jato. Ele afirmou que a contração da economia brasileira este ano decorre principalmente da "paralisia dos investimentos privados para esperar para ver onde vai dar a investigação dos escândalos", e não apenas de questões macroeconômicas.

Fico pensando: o que Moro pensa disso? Constantino vai pintar lá na sede do FMI e se oferecer para um debate econômico com o diretor do fundo?

Mas, sobretudo, tenho uma dúvida: esta informação não mereceria capa de O Globo? Os leitores do jornal não merecerem receber esta informação? Se o chefão do FMI tivesse dito o contrário, que a Dilma estava errada, a fala teria rendido manchete?


RIO  -  A queda prevista do PIB brasileiro de 3% este ano não é explicada apenas por questões macroeconômicas, mas principalmente por uma paralisia dos investimentos de empresas, diante da expectativa de saber como vão terminar as investigações em curso na força-tarefa da Operação Lava-Jato, afirmou nesta sexta-feira Otaviano Canuto, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

“Estou entre aqueles que acham que a desaceleração do PIB este ano no Brasil não é explicável por questões macroeconômicas stricto sensu. Ela é principalmente explicada por uma paralisia dos investimentos privados para esperar para ver onde vai dar a investigação dos escândalos”, afirmou, durante assembleia do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), no Rio de Janeiro. O FMI espera queda de 3% no PIB brasileiro em 2015.

(Continua)

terça-feira, 25 de maio de 2010

AgBr.: segundo diretor do FMI, crise européia não trará prejuízos ao Brasil.

Matéria da Agência Brasil.

Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse hoje (25) que não acredita que a crise econômica na Europa possa trazer prejuízos ao Brasil. Segundo ele, é possível que alguns setores da economia brasileira sofram com consequências pontuais do abalo nos mercados europeus. Porém, isso não deve ter impactos importantes na situação do país.

“Talvez algum problema na área do crédito ou comércio exterior atinga o Brasil”, disse. “Porém, até agora, eu não acho que há perigo com relação ao que acontece na Europa”, completou.

Strauss-Kahn afirmou ainda que as medidas que já vinham sendo adotadas pelo Brasil favoreceram o país no momento da recessão mundial causada pela crise. “A economia brasileira não foi fortemente atingida pela crise devido ao esforço feito anteriormente. O país equilibrou o Orçamento, implantou políticas corretas, e isso trouxe benefícios”, avaliou o diretor do FMI.

Ele ressaltou, no entanto, que o atual cenário da economia nacional não imuniza o Brasil. “Prejuízos podem acontecer. Depende de como a situação na Europa evoluir.”
Edição: Aécio Amado

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Foreign Policy: atualmente, Celso Amorim é o melhor Ministro de Relações Exteriores do mundo, diz Rothkopf

Seguindo indicação do Blog do Nassif, com alguns grifos meus e em péssima tradução minha mesmo (com alguma ajuda do Google), aí vai o post de David Rothkopf no Foreign Policy.


O melhor Ministro de Relações Exteriores do mundo.

Esse pode ter sido o melhor mês para o Brasil, desde cerca de junho 1494. Foi quando o Tratado de Tordesilhas foi assinado e concedeu a Portugal tudo no mundo novo a leste de uma linha imaginária, que foi declarada existente a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. Isso asegurou que o que viria a se tornar o Brasil seria Português e, portanto, desenvolver uma cultura e uma identidade muito diferente das do resto espanhol da América Latina . Isso garantiu que o mundo teria samba, churrasco, "A Garota de Ipanema", e, através de alguma cadeia incrivelmente fortuita e entrelaçada de eventos, Gisele Bundchen.

Embora o Brasil tenha levado algum tempo para superar a máxima sarcástica segundo a qual ela era "o país do futuro e sempre seria," há pouca dúvida de que o amanhã já chegou ao país, mesmo que ainda haja muito trabalho a ser feito para superar seus graves desafios sociais e tocar seu potencial econômico extraordinário.

A evidência de que algo novo e importante estava acontecendo no Brasil começou transparecer anos atrás, quando o então presidente, Fernando Henrique Cardoso, engedrou uma mudança para a ortodoxia econômica, que estabilizou um país atormentado por ciclos de altos e baixos e inflação estonteante. Ela ganhou impulso no entanto, durante todo o extraordinário período do atual presidente, Luis Inácio Lula da Silva.

Algo deste impulso se deve ao compromisso de Lula com a preservação dos fundamentos econômicos dispostos por Fernando Henrique Cardoso, um movimento político corajoso para um líder trabalhista de longa data, pertencente ao Partido dos Trabalhadores, de oposição. Algo disso é devido à sorte: uma mudança de paradigma energético mundial ajudou a fazer os 30 anos de investimentos do Brasil em biocombustíveis começarem a se justificarem em importantes novos caminhos; descobertas maciças de petróleo ao largo da costa do Brasil; e uma demanda crescente da Ásia, que permitiu ao Brasil a tornar-se um líder mundial nas exportações agrícolas e assumir o papel de "celeiro da Ásia". Mas muito desse impulso é devido à grande habilidade dos líderes do Brasil no aproveitamento de um momento com que muitos dos seus antecessores provavelmente teriam se atrapalhado.

Dentre esses líderes, grande parte do crédito vai para o presidente Lula, que tornou-se um pouco como uma estrela do rock na cena internacional, aproveitando sua energia, diligência, carisma, invulgar intuição e senso comum de forma tão eficaz, que a sua falta de educação formal mal foi impedimento. Alguns créditos vão para outros membros de sua equipe, como sua chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma ex-ministra da Energia que se tornou uma chefe de equipe muito durona e uma possível sucessora de Lula.

Mas eu acredito que uma grande parte dos créditos deveria ir para Celso Amorim, que idealizou a transformação do papel do Brasil no mundo, que quase não tem precedentes na história moderna. Ele foi ministro das Relações Exteriores de Lula desde 2003 (ele também atuou no mesmo papel na década de 1990), mas acho que há colocação justa a ser feita: a de que ele é, atualmente, o ministro de Relações Exteriores mais bem sucedido do mundo.

É impossível apontar apenas um ponto de virada nos esforços de Amorim para transformar o Brasil, de uma embaraçada potência regional de influência internacional duvidosa, em um dos jogadores mais importantes no cenário mundial, reconhecido pelo consenso global para desempenhar um papel de liderança sem precedentes. Ele pode ter ocorrido quando ele desempenhou um papel central e e ajudou a engendrar uma resposta dos países emergentes contrária a uma poderosa encenação dos EUA e da Europa durante as conversações sobre o comércio de 2003 em Cancún. Pode ter sido a forma prudente como os brasileiros usaram questões como a sua liderança em biocombustíveis para forjar novos diálogos e influência, tanto com os Estados Unidos como com outras potências emergentes. Ele ( o ponto de virada) certamente envolveu a adoção da idéia de transformar o BRIC de um acrônimo numa importante colaboração geopolítica, trabalhando com os seus homólogos da Rússia, Índia e China para institucionalizar o diálogo entre os países e coordenar suas mensagens. (Provavelmente, o BRIC mais ajudado por esta aliança é o Brasil. Rússia, China e Índia ganham todos os lugares à mesa, devido à capacidade militar, o tamanho da população, poder econômico ou de recursos. O Brasil tem todas essas coisas ... mas menos do que os outros.) Também envolveu inúmeras outras coisas, como os laços aprofundados e reforçados do Brasil com países como a China; a promoção tanto de fluxos de investimento e com de uma reputação de ser relativamente segura em face dos reverses  da economia global; o nível de conforto do novo Presidente da América com o seu correspondente brasileiro – que se extendeu a incentivá-los a desempenhar um papel de canal com, por exemplo, os iranianos. Concorde-se ou não com todos os seus movimentos, em lugares como Honduras ou OEA em Cuba, o Brasil também continuou a desempenhar um importante papel regional, mesmo que seja claro o seu foco mudou para a escala global.

Nada ilustra o ponto a que o Brasil chegou ou a eficácia da equipe de Lula-Amorim quanto os eventos das últimas semanas. Em primeiro lugar, os países do mundo rifaram o G8 e adotaram o G20, garantindo ao Brasil um lugar permanente na mesa mais importantes do mundo. Em seguida, o Brasil se torna o primeiro país da América Latina a receber o direito de sediar os Jogos Olímpicos. O FT de ontem trouxe a notícia de que "A Ásia e o Brasil lideram o aumento na confiança do consumidor", um reflexo da reputação que o governo tem efetivamente vendido (com a maior parte do crédito indo para um ressurgido setor privado brasileiro.) E as histórias desta semana, vindas  da  reunião do FMI-Banco Mundial realizada em Istambul, mostram uma maior institucionalização do novo papel do Brasil, com o acordo para alterar a estrutura do Fundo Monetário Internacional. Segundo o Washington Post de hoje: "As nações também concordaram preliminarmente em reformular a estrutura de voto no fundo, prometendo um plano para dar mais força para os gigantes emergentes, como Brasil e China, em Janeiro de 2011."

Não é um mau trabalho para alguns dias. E, apesar de ser o Ministros das Finanças do Brasil que você vai encontrar nas reuniões do FMI- Banco Mundial, o arquiteto indiscutível desta notável transformação no papel do Brasil foi Amorim.

Muito trabalho resta a ser feito, é claro. Parte disso tem a ver com o novo papel que tem sido moldado. O Brasil quer um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e mais liderança em outras instituições internacionais. Ele pode muito bem ganhá-los, mas terá de manter seu crescimento e estabilidade para chegar lá. Além disso, o Brasil parece inclinado a minimizar as ameaças regionais, tais como as decorrentes da Venezuela (brasileiros tendem a olhar de cima seus vizinhos ao norte, quase tanto como eles fazem com seus amigos da Argentina para o sul ... e, assim, subestimar a capacidade de homens como Hugo Chávez para causar muito dano.) E eles têm uma eleição chegando, que pode alterar o elenco de jogadores que, claro, podem alterar a trajetória atual de inúmeras maneiras – boas e más.

Mas é difícil pensar em outro ministro de Relações Exteriores que tenha osquestrado tão eficazmente uma transformação significativa do papel internacional de seu país. E é por isso que, se me pedissem hoje para lançar um voto no melhor ministro do mundo, provavelmente elw iria para o filho nativo de Santos, Celso Amorim.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Associated Press: as mudanças em curso no G20, no Banco Mundial e no FMI podem ser atibuídas diretamente a Lula.

Segue artigo da Associated Press (via Google News), em mais uma péssima tradução minha mesmo (com alguma ajudo do tradutor do Google).


Por Bradley Brooks (AP)

RIO DE JANEIRO - Ele é o Pelé da política, nomeado “o político mais popular na Terra" por um outro concorrente ao título - Barack Obama.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva conquista elogios de Havana a Wall Street por um boom econômico tirou levou milhões de pessoas da pobreza. Ele participou de comícios socialistas na Venezuela de Hugo Chávez, menos de duas semanas após convidar George W. Bush para um torneio de pesca.

Agora, após o trazer para o seu continente os primeiros Jogos Olímpicos, o ex-líder trabalhador com um grau de educação fundamental vê sua estrela brilhar mais quente do que nunca, levamdo alguns a se perguntar sobre a vida do Brasil depois de "Lula" - como é conhecido - quando terminar seu mandato, no próximo ano.

"Sob Lula, o Brasil se tornou a marca mais quente no mercado mundial", disse Michael Shifter, do Diálogo Interamericano. "É uma espécie de coroa de glória para sua presidência e seu legado".

Quando o Rio ganhou o Jogos Olímpicos de 2016, sexta-feira, ele superou o lobby dos Obamas para Chicago e o ex-presidente do Comitê Olímpico, Juan Antonio Samaranch, implorando para ver os jogos em Madrid em seus anos de crepúsculo. Silva pulou em um aglomeração frenética, abraçou o jogador brasileiro de futebol Pelé e rompeu em lágrimas.

"Nosso tempo chegou. Ele chegou!" , disse ele durante a apresentação final do Rio de Janeiro, em Copenhague.

Essa mistura de um chame pé no chão e uma retórica de pregador trouxe Lula ao palco mundial e conquistou o Comitê Olímpico Internacional, após três candidaturas anteriores do Brasil haverem sido abatidas.

Mas, quando ele foi eleito pela primeira vez, em 2002, os laços de Silva com Chávez e Fidel Castro de Cuba, além de seu passado como líder sindical preso sob uma ditadura militar, assustou os investidores internacionais - quase levando a economia do Brasil a um colapso.

Silva governou como um centrista, construindo um boom econômico ajudado pelo aumento dos preços das commodities. E ele promoveu garndes cortes fiscais no meio da crise global para levar os brasileiros a uma série de gastos, ajudando o Brasil a se livrar da crise financeira global mais rápido do que qualquer outra nação.

Ele usou sua trajetória para se tornar a voz moral para as nações em desenvolvimento – irritando muitos em todo o mundo ao dizer, em março passado, que a crise financeira global, que prejudicava os pobres, foi causada por "pessoas brancas de olhos azuis." Os mancheteiros do Nova York Post o apelidaram de "Brazil Nut."

Mas as mudanças atuais no G20, no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional, para aumentar o poder de voto das economias emergentes, podem ser atribuídas diretamente a Silva, que viu seu país de superar a Rússia e o Canadá e se tornar a oitava maior economia do globo.

A verdadeira “loucura” (nut) em Lula, dizem seus apoioadores, é a sua capacidade de se conectar com qualquer pessoa, passando, facilmente, de uma reunião com líderes mundiais em seus ternos sob medida para, vestindo um macacão laranja, se reunir com os trabalhadores do petróleo.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pediu a Silva, no início deste ano, para ajudar a negociar o fim da invasão de Israel na Faixa de Gaza. Poucos meses depois, o ministro das Relações Exteriores de Israel pediu-lhe para convencer o Irã a suspender seu programa nuclear.

"O Brasil tem tido esta enorme boa sorte de manter boas relações com a mais ampla gama de regimes que eu já vi", disse Peter Hakim, da Inter-American Dialogue. "Há muito poucas pessoas que podem fazer o que Lula tem feito".

Mas não tem sido tudo suave.

Silva sobreviveu a escândalos políticos que tiraram alguns de seus conselheiros mais próximos. Por alto, altos assessores supostamente pagaram senadores por votos, apesar de as investigações nunca terem ligado Silva à ilegalidade. Os crimes violentos também continuam a ser brutais no Brasil - a questão que se levantou para inviabilizar a candidatura, de resto forte, do Rio de Janeiro.

Mas seus críticos são amordaçados diante de um índice de aprovação de 77%.

O encanto de Silva pode ter ganhado a atenção do COI. Mas foi, em ultima instânciam, a transformação do Brasil que venceu pelo Rio.

Mais de 19 milhões de brasileiros foram retiradas da pobreza durante seus dois mandatos, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas. Seu programa “Bolsa Família" paga aos pobres para manter seus filhos na escola e vaciná-los. Ela agora atinge 40 das 190 milhões de pessoas da nação.

Ele é extremamente populista quando se trata de defender o desenvolvimento econômico da Amazônia pelo Brasil e de propor novas leis, que darão à estatal petrolífera uma maior participação nas maciças reservas de petróleo marítimas descobertas nos últimos dois anos.

Mas muitos querem saber onde ele deixa o Brasil quando um novo presidente tomar posse, em 1 de janeiro de 2011.

Os principais concorrentes são o candidato da oposição e governador de São Paulo, José Serra - que perdeu mal para Silva, em 2002, mas agora lidera as pesquisas iniciais –,  e a chefe de gabinete de Silva e sucessora escolhido a dedo, Dilma Rousseff.

Dois outros candidatos potenciais poderiam afetar a eleição - Aécio Neves, o popular governador de Minas Gerais, e a senadora Marina Silva, que serviu como Ministro do Ambiente de Silva, antes de se demitir em protesto por um compromisso do Brasil para a preservação da Amazônia.

"A grande diferença poderia ser no status ou posição internacional do Brasil", disse David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília. "Lula é um tremendo e carismático lider político, e nenhuma dessas pessoas são é."

Outros dizem que o país se tornou uma potência tal, que a sua partida terá pouco efeito.

As próximas eleições no Brasil irão "de certa forma desmistificar Lula", disse Mauricio Cardenas da Iniciativa América Latina da Brookings Institution, em Washington.

Ana Paula Fereira de Mello, 23, concorda.

"Lula nos deu um papel global, mas a nossa nova imagem, como uma nação vencedora, não irá mudar quando ele sair", disse a Secretária carioca, que faz faculdade à noite. "Nós chegamos, e não sairemos para qualquer lugar."

O escritor da Associated Press em São Paulo, Alan Clendenning, contribuiu para este relato.