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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Matéria da "The Economist" com os avanços e desafios do Minha casa minha vida


Do site da The Economist.

Habitação no Brasil
Um programa para promover a classe trabalhadora casa própria é um bom começo 



ATÉ 2011 Adriana Palugan, mãe de dois filhos, alugava uma casa em Balneário Camboriú, uma cidade litorânea no sul do Brasil. Agora, ela está comprando sua casa própria, uma das 166 em do Colina do Cedro, novo empreendimento em uma colina com vista para a cidade. Ela exalta suas maravilhas: luminoso e espaçoso, com piscina, academia e quadra poliespotiva, segurança 24 horas - e altitude. Seu antigo endereço foi inundado em 2008, e ela perdeu muito do que possuía.

Sem o Minha Casa Minha Vida (MCMV), um programa do governo federal para financiar habitação para as classes pobres e médias do Brasil, inciado em 2009, Ms Palugan, que trabalha para uma concessionária de carros, teria se debatido para comprar algo do tipo. O preço foi interessante: R$ 100.000,00 (U$ 51.000). A Caixa Econômica Federal, um banco estatal, deu-lhe uma hipoteca subsidiada; as parcelas são menores do que o aluguel costumava ser. A Caixa também concedeu ao desenvolvedor, Abramar, financiamento barato para a segunda fase do projeto: dois blocos de apartamentos. O financiamento vem do FGTS e do orçamento federal. Os compradores não podem já possuir casas ou ganhar mais de R$ 5.000 por mês. Quem ganha menos recebe maiores subsídios.
O MCMV está tranferindo o interesse das construtoras da minoria rica para o mercado médio. Até recentemente, as hipotecas praticamente não existiam, já que as taxas de juros eram muito altas e despejar inadimplentes era quase impossível. Imóveis antigos seriam trocados por novos, complementando-se com dinheiro, um carro ou mesmo um barco. Os pobres construiam por conta própria, sem título, muitas vezes em locais precários, em margens de rios ou colinas íngremes. Um censo de 2010 encontrou 11.4 milhões de brasileiros vivendo em favelas; milhões mais se apertam com parentes ou vivem em moradias formais, mas precárias.

Uma mudança nas regras de hipotecas, em 2005, fez a reintegração de posse mais fácil. Juntamente com as taxas de juros em queda, isso fez o financiamento habitacional mais atraente, e a nova classe média do Brasil parecia pronta para comprar. Em 2007, 17 construtoras abriram o capital. Muitas partiram pra uma farra de compra de terra – só para sem dinheiro, enquanto os custos de construção subiram.

De início, MCMV parecia uma tábua de salvação. Mas ele começou lentamente, levando até dezembro passado para colocar 1 milhão de famílias em casas novas. A burocracia foi uma grande parte do problema: entre o governo local, o planejamento e as regras da Caixa, a Abramar levou 18 meses para aprivar a segunda fase do Colina do Cedro. (A maratona de papel continuou: cada venda gerou um contrato de hipoteca 280 páginas; cada página teve que ser assinadas ou rubricadas.). Ele só sobreviveu pegando empréstimos de curto prazo, a taxas de fazer chorar.

Pior do que a papelada, diz Yannick Rault, um francês e um dos parceiros Abramar, foi "gestão de orçamentos e cronogramas em um país onde todo mundo é um otimista." No passado, a maioria dos contratos brasileiros de construção eram "cost-plus", ou seja, os construtores nunca aprenderam a planejar. A empresa criou seu próprio software de gerenciamento de projeto para construção e planeja ganhar dinheiro com a venda do programa para outras construtoras.

Nem todo comprador pelo MCMV foi tão afortunado como Ms Palugan. O YouTube tem muitos vídeos de mau acabamentos, parte elétrica e goteiras. A elevação dos preços da terra levou alguns desenvolvimentos para milhas de qualquer lugar; o pior risco é que degenerem em favelas, que estavam destinadas a substituir.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Valor: o setor da construção, as dificuldades de Serra com o diálogo e a comparação Lula x FHC.

Matéria publicada pelo Valor, mas copiado daqui.

Aqui, há outra matéria sobre as diferenças entre Lula, Dilma e Serra na visão de empresários.

Comparações de Lula ecoam em plateia da construção civil.
Autor(es): Cristiane Agostine, de São Paulo
Valor Econômico - 08/04/2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva testou com uma plateia de empresários o discurso eleitoral de comparação de seu governo com o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e foi bem-sucedido. Na noite de terça-feira, Lula recebeu apoio de dezenas de representantes da construção civil, em São Paulo, ao criticar a falta de investimentos no setor, "deteriorado há mais de vinte anos" e discorrer sobre o ineditismo do sistema capitalista brasileiro, que não tinha nem "capital nem financiamentos" em anos anteriores.

Empresários, beneficiados sobretudo por programas como o Minha Casa, Minha Vida, aprovaram também a crítica feita aos anos FHC e a comparação sobre os financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aumentaram entre 2003, primeiro ano do governo Lula, e 2010.

É o caso do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Material de Construção, Melvyn Fox, que disse "concordar totalmente" com o discurso feito pelo presidente na cerimônia de abertura da 18ª Feira da Indústria da Construção e Iluminação, em São Paulo. "O setor da construção civil estava estagnado. Muito pouco foi feito até o fim do primeiro mandato de Lula. Houve uma mudança radical", comentou.

Cláudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção, disse que o setor "está em êxtase", com projetos como o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 1 e 2. "A comparação entre os dois governos [Lula vs. FHC] não é uma questão política, mas sim numérica. Os resultados dos dois governos não são comparáveis", disse Conz. O otimismo se explica, em parte, pela previsão de crescimento 10% na venda de material de construção.

Na abertura da feira, Lula não poupou críticas a FHC e disse aos empresários que não deixem de lembrar como era a situação anos atrás. "De repente as pessoas esquecem do mundo que a gente veio, do mundo em que a gente está e do mundo que a gente quer ir. Este país teve o seu setor da construção civil praticamente deteriorado durante mais de 20 anos", declarou. Ao fazer o autoelogio, o presidente disse que a Caixa Econômica Federal investe "nove vezes" o que investia em 2003 e que o crédito cresceu de R$ 380 bilhões para R$ 1,4 bilhão. O BNDES, continuou Lula, emprestava R$ 38 bilhões e este ano fechará com R$ 139 bilhões.

A comparação entre Lula e FHC tem sido evitada pelos tucanos e apoiadores da campanha do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) à Presidência. O presidente, no entanto, sinalizou que deve insistir nessa linha em seus discursos. "Cansei de ver o Brasil se portar como se fosse um país de segunda categoria. Tudo a gente achava que não podia fazer e tudo, quando não dava certo, se jogava a culpa em cima do governo. E como o governo também não fazia, não falava nada e ficava todo mundo enganando todo mundo neste país", declarou.

Em seu discurso, Lula disse que deixará para seu sucessor "uma prateleira de projetos e programas", para que o próximo presidente não tenha que "começar do zero" como ele. Ao fazer propaganda do PAC 2 para empresários que se beneficiarão diretamente dele, Lula afirmou que lançou o programa para mudar o paradigma do país. "Não era possível um país capitalista viver sem crédito e sem capital. Isso mudou definitivamente", disse. "Quem vier a tomar posse na Presidência da República em janeiro de 2011 sabe que não existe mais espaço para pequenez política, não existe espaço para pequenos programas. Este país é grande e exige que os seus governantes pensem grande", declarou.

Representantes da construção civil disseram não temer o próximo governante, quem quer que ele seja, nem a paralisação das obras do PAC e do Minha Casa, Minha Vida. Para Dilson Ferreira, presidente executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas, "as mudanças no setor foram estruturais" e devem ser mantidas pelo sucessor de Lula. "Não foram mudanças circunstanciais", disse. No entanto, empresários ressaltam que a relação com Serra foi mais complicada, sobretudo por medidas como a substituição tributária, adotada em São Paulo. "Nossa relação com o governo estadual foi muito difícil", relatou Fox. "O que muda entre Dilma e Serra é a forma de dialogar. No Estado, não tivemos diálogo", disse Conz.