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terça-feira, 1 de novembro de 2011

T1: pesquisa da Confederação do Transporte (CNT) revela que 94,5% das rodovias brasileiras estão em boas condições de pavimentação.

Notícia da agência especializada T1.

Via O Homem que Calculava

Uma observação minha: em 2002, a mesma pesquisa avaliou positivamente a pavimentação de apenas 61.2% das estradas brasileiras.

Enviada em 27 de outubro de 2011

Para saber com mais clareza as avaliações realizadas, fomos ao Relatório Executivo (clique aqui), para examinar os itens relevantes, que são as condições do pavimento e da sinalização.

Em artigo posterior, explicaremos detalhadamente porque não se deve levar em conta a avaliação da geometria da via, fundamentando essa opinião, em bases técnicas, adotadas internacionalmente.

A 15ª Pesquisa CNT de Rodovias 2011 avaliou 92,7 mil km de estradas no país, sendo que 57 mil km da malha federal e cerca de 35, 7 mil km das malhas estaduais.

O que nos mostra o Relatório Executivo dessa pesquisa?

a) Pavimento – pista de rolamento
A pesquisa mostra que 94,5% das rodovias brasileiras estão com o pavimento da pista de rolamento em boas condições e apenas 4,7% apresentam buracos, afundamentos e ondulações na pista, conforme gráfico abaixo. Ressaltar que o item “Trinca em malha/remendos” exclui a existência de buracos.


b) Velocidade em função do pavimento da pista de rolamento
De acordo com essa pesquisa, 96,8% do pavimento pesquisado não obriga à redução de velocidade pelos motoristas, o que representa aproximadamente 89,9 mil Km de rodovias brasileiras, que não afetam a regularidade e suavidade da condução dos veículos. Vejam o gráfico abaixo:


c) Pavimento dos acostamentos
Segundo a pesquisa, 88,5% dos acostamentos existentes nas estradas brasileiras foram considerados ótimos por apresentarem o acostamento pavimentado e perfeito.
Ela mostra, também, que 0,8% dos acostamentos foram considerados perfeitos, ainda que sem pavimentação.

Apenas 10,7% não apresentavam condição de uso com segurança, devido a buracos, fissuras, presença de mato e desnível acentuado em relação à rodovia.


d) Sinalização – faixas centrais
Segundo a pesquisa, 67,4%  das faixas centrais das rodovias estão com as pinturas visíveis e, em condições de separar o tráfego e regulamentar ultrapassagens.

Entretanto, outros 25,2% apresentavam faixas com a pintura desgastada e 7,4% inexistente, como aponta o gráfico abaixo.


e) Sinalização – placas de limites de velocidade
Em 72,2% da extensão de rodovias avaliadas, há a presença de placas de limite de velocidade, o que equivale a 67 mil Km em um total de 92,7 mil Km, conforme gráfico abaixo.

Esse item, aliado ao relativo às faixas centrais, é fundamental para aumentar a segurança da condução rodoviária, o que não ocorre como esperado por se tratarem dos itens que mais são violados pelos motoristas, acarretando acidentes que resultam em feridos graves e mortos.


f) Sinalização – visibilidade das placas
A pesquisa constatou que 82,1% das placas são visíveis pelos condutores dos veículos, com a inexistência de mato cobrindo as placas e 9,3% apresentavam algum mato cobrindo mas não totalmente, conforme gráfico abaixo.


g) Sinalização – legibilidade das placas
De acordo com a CNT, 67,4% das placas estavam totalmente legíveis e em 30,5% se conseguia identificar o pictograma, embora esse elemento já se encontrasse desgastado, conforme gráfico abaixo.


Conclusão
Mais de 2/3 da malha pesquisada é composta de rodovias de regular ou baixo volume de tráfego. Naturalmente, essas rodovias recebem menos recursos regulares para restauração, manutenção e sinalização.

Considerando isso, a avaliação da CNT, em 2011, constata que estão em boas condições de trafegabilidade e conforto, as principais rodovias do país, por onde trafegam mais de 80% das cargas rodoviárias, passageiros de ônibus e veículos particulares.

Essas condições satisfatórias deveriam garantir maior segurança, com redução acelerada de acidentes e mortalidade nas estradas.

Entretanto, como já escrevi em artigo anterior (clique aqui), quanto melhores as rodovias, mais perigosas se tornam, por conta do excesso de velocidade, da imprudência sistemática e cultural dos motoristas brasileiros, aliados ao reduzido nível de penalização das infrações na malha rodoviária.

Finalmente, cabe ressaltar que a CNT não avalia rodovias mas sim ligações rodoviárias, muitas vezes juntando rodovias federais com estaduais.

Além disso, não informa os respectivos volumes de tráfego dessas ligações, o que permitiria estabelecer correlação entre a logística real e a situação da infraestrutura.

Quem sabe, no futuro, essa abordagem essencial não venha a ser agregada à metodologia da pesquisa CNT? Fica aí a sugestão.

José Augusto Valente – Diretor Executivo da Agência T1

terça-feira, 22 de junho de 2010

Info Online: Brasil tem novo supercomputador do clima.

Matéria do Info Online.

Paula Rothman, de INFO Online*
Terça-feira, 22 de junho de 2010 - 11h20

SÃO PAULO - Um novo supercomputador adquirido pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) ampliará em mais de 50 vezes a capacidade de processamento de informações cruciais para a previsão do tempo.

Além de mais confiáveis, as previsões deverão ser feitas com maior prazo e qualidade, umas vez que o nível de detalhamento será de cinco quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o globo.

Segundo informações do Ministério de Ciência e Tecnologia, será possível prever eventos extremos com bastante confiabilidade, entre eles chuvas intensas, secas, geadas e ondas de calor.

O sistema foi adquirido nos Estados Unidos com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Sua velocidade é de aproximadamente 15 TFlops, ou seja, 15 trilhões de operações aritméticas por segundo. Nos testes realizados semana passada na fábrica de Chippewa Falls, Wisconsin (EUA), a máquina atingiu velocidade efetiva de 16,6 TFlops.

Esses números mostram que, se fosse atualizado hoje, o Top500, que relaciona os computadores mais rápidos do planeta, colocaria a máquina que será instalada no Inpe na 20ª posição geral e em 1º lugar entre as utilizadas para previsão numérica de tempo e clima no mundo.

A entrega da máquina XT6 está prevista para o final de julho, enquanto o início de sua operação deve ocorrer em dezembro.

O novo sistema de será instalado no Inpe em Cachoeira Paulista (SP) e será utilizado pelos centros de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec) e de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do próprio Instituto, além dos grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (Rede Clima) do MCT, do Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Agência Brasil: depois de 13 anos de jejum, Brasil batiza um petroleiro nacional.

Matéria da Agência Brasil.

17:02
07/05/2010
Yara Aquino Enviada Especial

Ipojuca (PE) – Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi batizado e lançado ao mar hoje (7) o navio petroleiro João Cândido, no Porto de Suape (PE). Cerca de sete mil pessoas, a maior parte operários, participaram da cerimônia. A embarcação tem 274 metros de comprimento e capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo. Encomendado pela Transpetro, braço logístico do grupo Petrobras, o navio foi construído pelo Estaleiro Atlântico Sul, ao custo de R$ 300 milhões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, durante muito tempo, o Brasil foi conhecido internacionalmente apenas pelo futebol, pelo carnaval e pela violência e que projetos como o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), têm mudado essa realidade.

“Duvido que algum empresário, algum embaixador brasileiro, já teve em algum outro momento tanto orgulho de dizer lá foram que é brasileiro”, disse o presidente durante a solenidade de batismo do navio.

Lula elogiou o esforço que empresas brasileiras estão fazendo para se internacionalizar. “Hoje temos empresas no Canadá, nos Estados Unidos e fico orgulhoso por que cada empresa brasileira nesses países é um pedacinho do Brasil fincado lá”.

Primeiro navio do Promef, projeto que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o João Cândido é também o primeiro navio petroleiro construído no Brasil a ser entregue ao sistema Petrobras em mais de 13 anos, fato que está sendo considerado uma marco na retomada da indústria naval brasileira. O Promef prevê a compra de 49 navios.

O nome “João Cândido” foi escolhido em homenagem ao almirante negro que liderou a Revolta da Chibata, movimento iniciado no Rio de Janeiro em 1910, contra a aplicação de castigos físicos a marinheiros. O filho de João Cândido estava presente ao evento.

Além de Lula e dos principais executivos da Petrobras, participaram da solenidade o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff.

Edição: Vinicius Doria

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Jornal da Ciência: UFRJ inaugura moderno laboratótio de Bioimagem.

Matéria do Jornal da Ciência.

JC e-mail 4001, de 03 de Maio de 2010.

Centro terá o primeiro equipamento da América Latina para análise morfológica e funcional de órgãos e sistemas em animais vivos. Projetos de pesquisa relacionadas às doenças infecciosas causadas por parasitas,
bactérias e vírus terão impulso

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, é um dos convidados para a inauguração do Centro Nacional de Bioimagem (Cenabio) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na quarta-feira, dia 5. o centro concentrará equipamentos para imageamento de pequenos animais e micro-organismos.

Os equipamentos incluem um de Ressonância Magnética Nuclear 7 Tesla (MRI 7 Tesla), o primeiro da América Latina que permite uma análise morfológica e funcional de órgãos e sistemas em animais vivos. A ideia do Cenabio é aplicar ferramentas de bioimagem e biologia estrutural em linhas de pesquisa relacionadas às doenças infecciosas causadas por parasitas, bactérias e vírus, além de doenças crônicas e degenerativas, como hipertensão, câncer, Parkinson e Alzheimer.

O Cenabio faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB) e contou para seu financiamento com um consorcio de agencias estaduais e federais. O Centro já disponibilizava também diversos equipamentos de microscopia óptica, eletrônica e de força atômica, além dos de ressonância magnética nuclear de macromoléculas.

Na quarta-feira, também serão inaugurados o ultrassom de alta resolução e o sistema de detecção de bioluminescência e fluorescência em animais vivos. O objetivo é consolidar uma rede para análise de sistemas biológicos, em nível atômico-molecular e celular. A infraestrutura estará à disposição de toda a comunidade científica nacional e da América Latina.

A cerimônia de inauguração está prevista para começar às 9h30, no Auditório Leopoldo De Meis, do Centro de Ciências da Saúde, no campus da Ilha do Fundão.

Jornal da Ciência: UFRJ inaugura laboratório que impulsiona programa nuclear

Matéria do Jornal da Ciência.

JC e-mail 4004, de 06 de Maio de 2010.

O Laboratório Multiusuário de Fusão a Arco, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi inaugurado nesta quarta-feira, dia 5. No mesmo dia, o Centro Nacional de Bioimagem (Cenabio) também foi inaugurado

O Laboratório Multiusuário de Fusão a Arco fica no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) e dará início à produção experimental de ligas de zircônio no Brasil usadas na área nuclear.

Essas ligas metálicas são usadas na produção das varetas que receberão as pastilhas de urânio para depois formar o elemento combustível. Hoje, essas ligas são importadas de outros países. O laboratório está equipado com um forno de fusão a arco de última geração, onde as ligas são processadas a vácuo, com capacidade de processamento de 100 quilos.

O coordenador do projeto na Coppe, professor Luiz Henrique de Almeida, explicou que essa é uma etapa que permitirá a independência de componentes externos. "A próxima etapa do projeto é produzir em escala industrial. Essa é uma oportunidade para que o País se torne o primeiro produtor de ligas especiais no Hemisfério Sul."

A expectativa é que o Brasil passe a economizar em torno de 15% do preço do elemento combustível importado. Atualmente, o Brasil demanda 2 mil tubos de zircônio para a Usina Angra 2 e 1,6 mil para Angra 1, que deixarão de ser importados no longo prazo. O metal é utilizado por ser o único material resistente ao esforço mecânico, radioatividade e calor do reator nuclear. As ligas também são utilizadas na recarga de um terço dos elementos combustíveis dos reatores de Angra 1 e 2. Ao todo, são 115 quilômetros de tubos compostos por zircônio nas duas usinas.

Presente à inauguração, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, ressaltou que, como o Brasil tem a sexta maior reserva comprovada de urânio no mundo, precisa continuar se desenvolvendo na área nuclear.

"Para o Brasil continuar crescendo, não podemos negligenciar essa área como foi feito por muitos anos. Com a retomada do Programa Nuclear Brasileiro, precisamos trabalhar para desenvolver toda a tecnologia nuclear. Hoje, temos um programa nuclear absolutamente transparente e o domínio de toda a tecnologia usada no ciclo do combustível nuclear. Não precisamos ficar dependentes de outros países", enfatizou.

Para Rezende, a produção do material é ponto estratégico para o desenvolvimento. "Deter essa tecnologia é uma questão não só econômica como estratégica. Estamos tendo certas dificuldades para encontrar no mercado internacional certas ligas de zircônio", explicou o ministro.

Segundo o jornal "O Estado de SP", Rezende afirmou ainda que o país já vem enfrentando uma espécie de boicote por causa da intenção de buscar autonomia no programa nuclear, investindo no desenvolvimento de tecnologias para dominar todo o ciclo do urânio.

"Há vários componentes do programa nuclear e espacial que o Brasil não consegue dos países que detêm essa tecnologia por motivos que todos entendemos. Não podemos ficar temerosos do que pode acontecer. Mas já estamos enfrentando em muitos aspectos essa questão. É quase um boicote", citou o jornal paulistano, completando que o ministro não informou quais países se negam a vender para o Brasil.

De acordo com o diretor de produção do combustível das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Samuel Fayad, a inauguração do laboratório marca o início da nacionalização de componentes. "Estamos trabalhando no desenvolvimento de projetos nessa área de fabricação de componentes, que serão úteis para a área nuclear como também para outros campos. É uma oportunidade para a INB se inserir no centro acadêmico e manter seus técnicos atualizados", destacou.

O laboratório teve investimentos de R$ 4,4 milhões, sendo R$ 3,8 milhões aplicados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com apoio do Conselho Nacional Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Coppetec.

Bioimagem
Nesta quarta-feira, a UFRJ também inaugurou o Centro Nacional de Bioimagem (Cenabio), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb).

O centro tem o primeiro equipamento da América Latina para análise morfológica e funcional de órgãos e sistemas em animais vivos. O objetivo do Cenabio é aplicar ferramentas de bioimagem e biologia estrutural em linhas de pesquisa relacionadas às doenças infecciosas causadas por parasitas, bactérias e vírus, além de doenças crônicas e degenerativas, como hipertensão, câncer, Parkinson e Alzheimer.

O Inbeb reúne pesquisadores de todo o Brasil e é coordenado pelo pesquisador e professor da UFRJ e diretor científico da Faperj, Jerson Lima Silva. "Muitas promessas da medicina podem ser comprovadas a partir desses experimentos básicos", afirmou Lima ao jornal "O Globo".
(Com informações das Assessorias de Comunicação do MCT e do INB e dos jornais "O Estado de SP" e "O Globo")

BBC: Lula ajudou o Chile a vencer disputa com a Espanha por supertelescópio.

Matéria da BBC, copiada do Jornal da Ciência.

JC e-mail 4003, de 05 de Maio de 2010.

Presidente teria influenciado União Europeia para que maior telescópio do mundo fosse instalado na América do Sul e não nas espanholas Ilhas Canárias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria investido seu cacife político de "forma definitiva" para influenciar as negociações que acabaram decidindo pela instalação de um supertelescópio no Chile, de acordo com o jornal chileno El Mercurio.

Supertelescópio
O Telescópio Extremamente Grande (E-ELT, na sigla em inglês) é um projeto da Organização Europeia para a Investigação Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês) - que reúne 14 países - e era disputado com a Espanha, que queria levá-lo para a Ilha de Palma, uma das Ilhas Canárias.

Sociedade brasileira
O jornal afirma que a dobradinha entre os vizinhos sul-americanos começou em meados de fevereiro, quando a ESO teria convidado o ministro da Ciência e Tecnologia brasileiro a conhecer, durante uma semana, os observatórios que a organização europeia já mantém no Chile.

Ao ficar sabendo da visita, a Chancelaria chilena teria, ainda segundo o Mercurio, se integrado à comitiva para conhecer o objetivo da viagem do brasileiro.

"Foi como ficaram sabendo que a ESO estava interessada em oferecer ao Brasil ser sócio da organização", afirma a reportagem assinada por Sergio Acevedo Valencia.

Prioridade
Mais que a qualidade do céu, que favorece a astronomia, pesaria a favor da Espanha o fato de o país estar disposto a investir 300 milhões de euros (cerca de R$ 680 milhões) no projeto.

Por isso, em março, o presidente chileno, Sebastián Piñera, teria iniciado conversas com Lula sobre formas de compensar os 300 milhões de euros que faltavam ao projeto.

O Mercurio afirma que a importância do assunto era tamanha que Piñera planejava discuti-lo com Lula no dia de sua posse, mas a ausência do presidente brasileiro impediu que a ideia fosse adiante.

Barganha
O periódico chileno afirma que Piñera teria então decidido ir, ele próprio, a Brasília para tocar o projeto. Em 9 de abril, ele se reuniu com Lula por mais de uma hora. Um dos assuntos tratados teria sido o telescópio.

"Lula se comprometeu informalmente a enviar um comunicado relevante à junta diretiva da ESO na Alemanha. E o fez: uma semana depois da visita de Piñera e uma antes da eleição do monte Armazones (no Chile) como local do telescópio."

Na nota, segundo o jornal chileno, Lula manifestava o interesse brasileiro em integrar a ESO sob uma condição: que o E-ELT fosse instalado em um país sul-americano, sem citar o Chile, embora não houvesse outro país do continente na disputa.

"Na Chancelaria chilena, considera-se que a determinação do Brasil foi definitiva. O governo acreditava que a decisão seria em junho, mas ao que parece, as palavras do Brasil tiveram o seu peso", conclui o Mercurio.

Benefícios e riscos naturais
 O Chile temia perder a disputa pela sede do supertelescópio para a Espanha depois do violento terremoto que sacudiu o país em 27 de fevereiro. A ESO temia investir milhões em instalações que pudessem vir a ser destruídas por futuros tremores, segundo o jornal chileno.

No entanto, o governo chileno teria pedido à ESO que divulgasse a informação de que o observatório de Paranal, próximo ao local escolhido para o novo telescópio, não sofreu qualquer dano por causa do sismo de fevereiro, nem tampouco do registrado em 4 de março.
(BBC Brasil, 5/5)

domingo, 2 de maio de 2010

NaMaria: secretário de Serra compra montes de assinaturas do El Pais sem licitaçãoç editora do jornal é cliente de empresa dele.

Texto publicado pelo Na Maria News.

Paulo Renato y sus hermanos de España - Relações de um projeto pedagógico

Qual razão para incentivar que os alunos de escolas públicas paulistas estudem a língua espanhola? Para que eles possam participar do esforço pela integração latino-americana, em especial a proporcionada pelo Mercosul.

Mas se o governo do PSDB é declaradamente contrário ao Mercosul, então eles não fazem nada para que a língua dos nossos hermanos seja estudada nas escolas estaduais, certo?
Errado. Para comprovar, o governo de São Paulo está comprando jornais para os alunos estudantes de espanhol. Qual jornal? Argentino, chileno, uruguaio, venezuelano ou paraguaio...? Diários desses países poderiam ajudar na prática da língua espanhola e, também, possibilitar que os estudantes conheçam a realidade dos vizinhos do nosso continente, não é?
Não, claro que não. O PSDB é contra o Mercosul e por isso não assinaria jornais desses países. Então o que fez o governo do PSDB de São Paulo, em especial a Secretaria da Educação? No dia 28/abril/2010 lançou em Diário Oficial a seguinte compra sob o número 15/00024/10/04:



Que bacana. Ou seja, o Sr. Paulo Renato Costa Souza aproveita a boa intenção de introduzir a língua espanhola para fazer mais um bom negócio, semelhante àqueles feitos com a Folha de SP, Estadão, Nova Escola, Fundação Roberto Marinho...

Mas por que o El País e não jornais dos participantes do Mercosul? Porque o PSDB, com seu contumaz elitismo, continua de costas para a América Latina e de olho na Europa e nos EUA. Não que o El País seja um tenebroso jornal, afinal reconheceu Lula e Dilma Rousseff como "Líderes de 2009", mas qual é o sentido de comprar só ele – e com dispensa de licitação? Será que aí tem coisa?
Amigos y negocios de siempre
Pues veyamos. Lembremos que o El País pertence à Prisa, cuja qual é dona, também, do Grupo Santillana e como já mostramos aqui e no Cloaca News, o grande pensador Paulo Renato Costa Souza, Secretário da Educação do Governo Serra, é Conselheiro Consultivo da Fundação Santillana. Seu escritório, PRS Consultores, fica (ainda? não dá para saber, o site sumiu) no mesmo edifício/14º andar (Av. São Gabriel 201) e dava assessoria à Santillana (entre várias, como a Fundação Lemann, Positivo, Moderna, Gerdau). Assim como outro escritório (de seu filho), a Prismapar, que tem como clientes a própria Santillana, bem como outra editora da Prisa, a Moderna, que por sua vez tem a Avalia Assessoria Educacional, que fica no mesmo edifício/14º andar e é cliente da PRS Consultores (repare atentamente nesta foto institucional). Fato interessante, pesquisas indicam íntima relação do Sr. Paulo Renato e a Avalia, uma instituição especializada na avaliação de escolas e sistemas educacionais das redes particular e pública. Resultado da soma da experiência de instituições de renome como o Grupo Santillana, Fundação Carlos Chagas e a Paulo Renato Souza Consultores... Será que uma coisa teria a ver com a outra?
Acompanhando o incentivo do aprendizado do espanhol da Espanha através dos CEL's e celebrando a chegada do El País nas salas de aula paulistas, a famosa Rede do Saber – também citada aqui, no espetacular caso arquivado das antenas parabólicas – abraçou o projeto “El País nas Escolas” (registrado em nome da Editora Moderna), sob a tutoria de Elena María Barcellós Morante, cujo vídeo altamente explicativo da teleconferência do dia 20/abril pode ser visto aqui.
Pelo DO ainda não se sabe o preço ou as quantidades a serem adquiridas. Mas pelas imagens sabe-se do plano de enviar 1 exemplar para cada 10 alunos. Também fica-se sabendo que há cadernos do aluno e do professor e que a primeira entrega dos materiais foi em 27 de abril, antes, portanto, da publicação do negócio no DO. Os exemplares deverão chegar às terças-feiras, até novembro/2010. Entretanto, aos 13:48 a primeira professora a falar na teleconferência, após os responsáveis discursarem as maravilhas do projeto, já entrega que não recebeu o caderno do professor; em seguida a justificativa da SEE.

De acordo com o regulamento, os alunos deverão produzir um jornal, os melhores serão premiados. Estranhamente, não há qualquer referência sobre a tal premiação no site mencionado, também não há outras informações relevantes do tipo: quem já participou, quantos alunos, os trabalhos realizados, os resultados obtidos; não há qualquer forma de avaliação das metas, não aparece nenhum produto, não há interação. Que projeto é esse, afinal? Temos de nos contentar com o PDF das apostilas do aluno e do professor se quisermos tirar conclusões ínfimas.
Ao dar umas vistas nos valores das assinaturas praticados, juntar com uma estimativa de alunos/CEL's, analisar os astros etc., concluímos que apostar entre 700 mil e um milhão de reais pode ser quanto a SEE vai gastar na façanha de ensinar espanhol para alunos utilizando jornal + técnicas jornalísticas + exemplares do periódico (+ algumas coisas que nem podemos supor). Pouco dinheiro? Já é um começo.
Vamos aguardar as atualizações em DO.
Outras relações em teia
Em SP esses centros de ensino de idiomas chamam-se CEL's (Centros de Estudos de Línguas). E em Brasília? Chamam-se CILs (Centros Interescolares de Línguas).
O projeto El País nas Escolas é inédito? Não. Ele já foi inclusive feito no DF, exatos moldes, sendo que em 20/fevereiro/2010 noticiaram pela Secretaria de Educação que o recente vencedor foi o CIL de Sobradinho. Desejamos aos dois alunos vitoriosos boa viagem à Espanha. Aos outros 18 participantes que ficarão, nuestros saludos.
Trata-se, pois, de projeto/concurso pedagógico veterano para vender singelos exemplares do periódico às Secretarias de Educação. Que o diga a Diretora de Relações Institucionais da Santillana/Moderna, Mônica Messemberg Jabour Costa (hoje Messemberg Guimarães), responsável pelos contatos entre governos e prefeituras: sem sombra de dúvidas, sabe tudo do projeto. Ela já foi Secretária Adjunta de Previdência Complementar de novembro de 1997 a março de 1998, no lugar de Carla Grasso (esposa de Paulo Renato, que por sua vez saiu para trabalhar com o empresário Benjamin Steinbruch, na Valepar; atualmente é Diretora-executiva na Vale do Rio Doce). Depois a Sra. Mônica foi Secretária-executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, quer dizer: braço direito de Paulo Renato enquanto ele esteve no poder em Brasília. Parece seguir no ritmo até hoje.
Em tempo¹: quer saber o que pensa o Sr. Paulo Renato Costa Souza sobre ensino de idiomas nas escolas públicas e quais seus enlevos quanto ao tema? Tenha paciência e assista mais esta película institucional cativante - é munição preciosa que não acaba mais.
Em tempo²: Se o El País está na Internet graciosamente, se as escolas possuem salas de informática montadas a preço de ouro com máquinas alugadas da CTIS (inclusive com laptops, de acordo com o edital do contrato), se há alunos monitorando as salas e tudo está em perfeita ordem..., por que fazer assinaturas do jornal? Será que os 92 CEL's não estão equipados? Eles não funcionam dentro das escolas estaduais?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

AdNews: até o fim do anos, 92% das escolas brasileiras terão internet banda larga.

Matéria do AdNews.



28/04/10

O secretário de Educação à Distância do Ministério da Educação (MEC), Carlos Bielshowsky, disse que até o final deste ano 92% das escolas brasileiras terão acesso à internet. Ele apresentou as ações do governo brasileiro para promover o acesso à inclusão digital e a capacitação de professores na área de tecnologia durante a Conferência Internacional - O Impacto das Tecnologias da Informação e da Comunicação na Educação.

"Fizemos um acordo com as operadoras de banda larga e até o final do ano 92% das escolas brasileiras terão acesso à internet, isto significa a inclusão digital de cerca de 35 milhões estudantes", afirma Bielshowsky.

Segundo o secretário, o trabalho desenvolvido pelo MEC busca a "alfabetização digital" de professores e alunos, além de estimular a autonomia dos estudantes na formação do conhecimento através dos laboratórios de informática e de promover novas estratégias pedagógicas com o uso de conteúdos digitais na sala de aula.

"Queremos tornar a sala de aula menos aborrecida, mais atraente. Até o momento, implantamos laboratórios em 42.688 instituições, mas é idiotice fazer isso sem capacitar o professor e é isto que estamos fazendo. Em 2009 capacitamos 332.184 professores e faremos mais este ano", destaca.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Inovação Tecnológica: novo computador do INPE colocará o Brasil na elite mundial da previsão do tempo.


Alex Sander Alcântara - Agência Fapesp - 14/04/2010

O novo supercomputador tem 1.272 nós, cada um com dois processadores de 2 GHz e velocidade máxima de 192 gigaflops (bilhões de operações de ponto flutuante) por segundo.

Super modelos

O Brasil deu um passo fundamental para se tornar um agente central na elaboração do próximo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

O motivo é que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluiu o processo de licitação para a compra de um supercomputador que será usado para rodar os modelos climáticos para previsões meteorológicas e estudos sobre mudanças no clima.

O supercomputador, que deverá estar em funcionamento até o fim deste ano, colocará o país entre os primeiros do mundo em aplicações de modelagem climática.

Ranking dos supercomputadores

O anúncio da compra do supercomputador foi feito nesta segunda-feira (12/4), pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, na presença do pelo diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, durante a Conferência Paulista de C&T&I, realizada na sede da Fundação.

"Quando recebemos o supercomputador anterior chegamos ao 25º lugar no mundo em estudos climáticos e previsões de tempo. Quando o novo estiver plenamente operacional, ficaremos entre os três ou quatro no cenário mundial", disse Carlos Nobre, pesquisador do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe e coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

Segundo Nobre, esse é o quarto computador comprado pelo Inpe com essa finalidade - o anterior foi adquirido em 2003 - e a cada quatro ou cinco anos as máquinas precisam ser renovadas.

Desempenho do supercomputador

A empresa norte-americana Cray ganhou a concorrência, com um supercomputador com 1.272 nós, cada um com dois processadores de 2 GHz e velocidade máxima de 192 gigaflops (bilhões de operações de ponto flutuante) por segundo. Além da Cray, a japonesa NEC apresentou proposta.

O desempenho teórico máximo do novo supercomputador do Inpe é de 244 teraflops (trilhões de operações) por segundo, e o desempenho efetivo no benchmark do CPTEC foi de 15,8 teraflops.
"
Ele tem cerca de 30 mil processadores instalados, o que seria equivalente a dezenas de sistemas de grande porte que o CPTEC tem instalado atualmente", disse Nobre.

Preço do supercomputador

O valor total do investimento é de cerca de R$ 50 milhões, sendo que o Ministério da Ciência e Tecnologia entrará com R$ 35 milhões, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e R$ 15 milhões serão provenientes da FAPESP. O preço do sistema da Cray ficou em R$ 31,3 milhões e o restante será usado na infraestrutura, suporte e atualização dos equipamentos.

O preço do supercomputador foi um dos pontos destacados pelo ministro. "A proposta da Cray foi mais interessante que a da NEC, que pediu cerca de R$ 50 milhões. A máquina oferecida pela empresa vencedora tem velocidade três vezes maior do que a outra e apresenta menor consumo de energia", disse.

Serviços meteorológicos

Segundo o ministro, a compra do supercomputador vai permitir ao país dar um salto tecnológico significativo em termos de serviços meteorológicos.

"Sem dúvida, é parte importante do esforço que o país realiza na superação de problemas ligados ao monitoramento e às previsões meteorológicas. Nesse sentido, a parceria com a FAPESP foi fundamental para ajudar a responder a esse e outros desafios da ciência brasileira nessa área", destacou Rezende.

Nobre ressalta que a capacidade de previsão do tempo existente hoje no Brasil é boa e, ao lado da China, é a melhor entre os países em desenvolvimento. "Mas, com essa nova máquina, muda a resolução das imagens projetadas, o tempo para apuração dos dados e, principalmente, a precisão das informações", destacou.

Previsão do tempo a cada hora

Segundo ele, com o modelo atual as previsões são feitas, em média, com três dias de antecedência. "Por dia, são feitas duas previsões. Para analisar todas as situações de códigos gerados, demoramos dois dias em média para concluir as análises. Com o novo sistema, vamos conseguir gerar previsões com resolução muito melhor em uma hora. Ou seja, teremos condições de fazer previsões a cada hora, diariamente", disse.

Segundo Nobre, melhor resuloção significa que será possível prever e modelar muito melhor a quantidade de chuva que poderá cair em determinadas regiões. "Com o sistema atual, é possível ver a média do volume de chuva por áreas, mas não se vai chover dez vezes mais a 10 quilômetros do ponto analisado, por exemplo", explicou.

Modelos globais do clima

Outro destaque é que o Brasil será capaz de projetar cenários com modelos globais. Segundo Nobre, até então o Inpe projetava esses cenários de forma limitada, utilizando modelos regionais.

O grande obstáculo para o país fazer parte do seleto grupo do IPCC, segundo Nobre, era computacional. "Já temos uma comunidade científica que tem condição de desenvolver o modelo matemático necessário", afirmou.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destacou que boa parte da discussão sobre mudanças climáticas globais está pautada em resultados científicos recentes. "Quem está mais à frente da ciência está em melhor situação no debate mundial sobre os efeitos dessas mudanças e precisamos pôr o Brasil em uma posição mais favorável nessa discussão", disse.

Brito destacou que parte do Programa FAPESP de Mudanças Climáticas Globais consiste no desenvolvimento de um modelo climático global.

"Isso é muito relevante, porque para fazer pesquisa competitiva em assuntos relacionados com mudanças climáticas ajuda muito se tivermos capacidade de rodar modelos próprios, que olhem melhor para a Amazônia e para o Atlântico Sul, por exemplo", disse.

Concluída a licitação, agora a Cray tem seis meses para entregar o supercomputador. O próximo passo será montar a estrutura de energia elétrica. A previsão é que até o fim do ano o sistema esteja funcionando. "Em dois anos, deveremos iniciar os testes das primeiras versões do modelo brasileiro para a previsão climática global", disse Nobre.

AdNews: para previsão do tempo e combate à catástrofes climáticas, Governo Brasileiro adquire supercomputador para o INPE.

Matéria do AdNews.

Aqui há uma matéria bem mais detalhada sobre o mesmo assunto.
Brasil terá um dos computadores mais rápidos do mundo.
14/04/10



O Brasil acaba de adquirir um dos 20 computadores mais rápidos do mundo. A máquina, cujo valor é de R$ 31,3 milhões, deve chegar no fim do ano, e será posta em funcionamento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, SP.

O supercomputador deve melhorar a previsão do tempo e ajudar no combate a catástrofes provenientes de situações climáticas no país – como a última, que matou mais de 200 pessoas no Rio de Janeiro. Além disso, o Brasil entrará no hall dos poucos países que poderão prever não só o tempo com alguns dias de antecedência, mas o clima, ao longo de todo o século.
O aparelho foi comprado da empresa Cray pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Só o seu sistema de refrigeração custou R$ 2,9 milhões.
Uma de suas principais funções será rodar modelos de circulação global – como os do IPCC, das Nações Unidas – para avaliar mudanças climáticas.
Com desempenho máximo de 244 teraflops, ou trilhões de operações por segundo, o supercomputador só não é mais rápido do que outros que estão nos EUA, Rússia, China e Alemanha.
Redação AdNews

terça-feira, 6 de abril de 2010

Nassif: A Reconstrução do Investimento.

Artigo do Nassif.

Coluna Econômica 06/04/10

É bastante o rico o processo que o país atravessa.

Em vários momentos da história, o centralismo autocrático foi fundamental para disparar os primeiros movimentos desenvolvimentistas.

Nos anos 40 e 50 foi fundamental a participação do Estado brasileiro na criação das primeiras indústrias de base. Não havia capital privado para levantar uma Petrobras, uma Companhia Siderúrgica Nacional, a Eletrobras, a própria Telebrás nas décadas seguintes.

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No fundo, imaginava-se um país semi-selvagem – e quase o era – sendo conduzido por um grupo de iluminados reunidos no Rio de Janeiro, capital federal, ou em São Paulo – que tornou-se região economicamente dinâmica graças aos visionários do fim do século 19.

São Paulo acumulou experiência em indústrias mecânicas, metalúrgicas, têxteis, de tal forma que, quando se decidiu pela implantação da indústria automobilística no país, não havia outro local viável.

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Esse modelo foi importante nas fases anteriores da vida do país. Trouxe desenvolvimento, sim. Mas também concentração econômica indesejável, concentração de renda e um país torto, metade rico, metade pobre. E acabou se refletindo no próprio orçamento público, submetido a uma notável concentração do poder decisório no Executivo.

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Esse modelo morreu politicamente com a Constituição de 1988.

De lá para cá, houve o desenvolvimento de outras regiões, a crise das grandes metrópoles, o surgimento de novos pólos de desenvolvimento e, finalmente, o aprimoramento da parceria federativa entre União, Estados e Municípios.

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Nos últimos anos, delineou-se uma nova forma de ação pública, com articulação entre as três instâncias administrativas. Cabe à União definir recursos e regras do jogo; aos estados e municípios, a execução. Há uma responsabilidade compartilhada.

Por exemplo, a maior parte dos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para saneamento são efetuados pela Sabesp, controlada pelo governo de São Paulo.

Existem atrasos – normais em obras que mexem com meio ambiente e com regulação complexa. Mas o fato de se ter uma empresa organizada no estado de São Paulo é garantia de que as obras sairão.

Em outros estados e municípios, há recursos disponíveis para as obras, mas não existem projetos básicos. Não apenas em saneamento, mas em um sem-número de obras públicas. E não tem como a União substituir as prefeituras.

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O caminho passa pela constituição de uma empresa pública especializada em projetos, a exemplo do antigo Geipot (Empresa Brasileira de Transportes).

Trata-se de passo importante, inclusive, para consolidar as relações federativas.

Ao longo de décadas de desarticulação dos investimentos públicos, houve o desmonte completo do setor de engenharia e de projetos.

Por isso mesmo, a reconstrução do Estado como articulador de investimentos pressupõe a recuperação da capacidade de montar projetos, assessoras municípios e estados menores, compartilhar experiências de gestão.

terça-feira, 30 de março de 2010

Brasília Confidencial: candidato a presidente, Serra multiplica por seis os gastos com publicidade.


Sobre os gastos de Serra com publicidade, aqui e aqui você encontra outras matérias. Nesse último post, com base nos dados da matéria, comparei os gastos do governo Serra e do governo federal com publicidade em 2009.

Segundo aqueles dados, levando em conta apenas os gastos da Administração Direta do estado, foi possível demonstrar o exato tamanho do recato propagandístico tucano. Até aquela data, o Estado de São Paulo (ou seja, o Governo Serra) havia gastado em publicidade o dobro do que gastara o governo federal, tendo por critério o valor despendido por habitante, e, pasmem, 15 vezes mais que o Governo Lula, se a comparação for baseada em Reais por kilômetro quadarado.

Agora, nesta matéria há vários dados interessantes, mas, lá no final, um salta aos olhos. O candidato a presidente (toc, toc, toc) gastos 2,5 vezes mais com propaganda da companhia de trens do que com a compra de trens.


O tucano José Serra renuncia ao governo paulista amanhã, para disputar a Presidência da República, ostentando um recorde histórico: nenhum governador daquele estado gastou tanto quanto ele em publicidade. Levantamento da bancada do PT na Assembleia Legislativa, baseado nos dados oficiais do Sistema de Gerenciamento do Orçamento do Estado (SIGEO), informa que as despesas do governo paulista com propaganda foram multiplicadas de R$ 40,7 milhões em 2006, ano anterior à posse de Serra, para R$ 293 milhões em 2009, terceiro ano de seu mandato. O crescimento foi de 620%.

Só para se ter uma idéia das dimensões do que o governador tucano gastou em propaganda, basta dizer que um hospital com 250 leitos, construído e montado com toda a infra-estrutura, custa aos cofres públicos algo em torno de R$ 50 milhões. Com o que gastou em publicidade no ano passado, quando já pleiteava a candidatura à Presidência, Serra poderia ter construído seis hospitais no estado.

As secretarias em que Serra aportou mais recursos em publicidade são exatamente as que ele considera as vitrines de seu governo.

Na Educação as despesas com propaganda cresceram 466% – de R$ 4,4 milhões, no último ano do governo anterior, para R$ 20,5 milhões, no ano passado.

Na Saúde, os gastos com publicidade aumentaram 442% (de R$ 4,5 milhões para R$ 24,3 milhões).

Na área de Transportes (rodovias, ferrovias etc) o crescimento das despesas com publicidade foi de 1.359% – de R$ 823 mil para R$ 12 milhões.

E na área de Transportes Metropolitanos (Metrô, CPTM ou Expansão São Paulo, amplamente divulgado por emissoras de rádio e TV) os gastos com propaganda aumentaram mais do que em todos os outros setores. O crescimento, estratosférico, foi de R$ 20 mil para R$ 48,4 milhões.

As despesas com publicidade também são exorbitantes quando se compara o que Serra gastou no primeiro bimestre de 2009 ao que gastou em janeiro e fevereiro últimos. As despesas quase triplicaram – de R$ 5,08 milhões para R$ 14,2 milhões. Como a lei eleitoral limita os gastos dos governos com publicidade até o mês de julho, a bancada do PT acredita que o governador resolveu concentrar gastos nesse semestre, procurando mostrar obras que, muitas vezes, só existem mesmo na propaganda.

Outro gasto que chamou a atenção dos parlamentares do PT foram os que o Governo Serra fez para divulgar a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Eles saltaram de R$ 15 mil, em 2006, para R$ 48 milhões, em 2009, cerca de 310 mil porcento a mais. Para se ter uma ideia do que foi gasto de propaganda na CPTM, basta dizer que os investimentos do Governo Serra na compra de novos trens, em 2009, não passaram de R$ 19 milhões. Afora isso, os gastos com serviços de limpeza das composições e também das estações foram diminuídos de R$ 46 milhões, em 2008, para R$ 40 milhões, em 2009.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

AGU: sócios da Eletronet não serão beneficiados pela reativação da Telebrás.

Nota da AGU acerca do Caso Eletronet.

Aqui e aqui, há dois posts do Blog do Nassif acerca da mesma história, que, a esta altura, parece mais um furo n’água de nossa aguerrida imprensa.


Data da publicação: 23/02/2010
Em atenção às notícias "Nova Telebrás beneficia cliente de Dirceu" e "Dirceu recebe empresa por trás da Telebrás", veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo na capa e página B1, com circulação no dia 23 de fevereiro, esclarece a Advocacia-Geral da União:

1) A União obteve, em reclamação apresentada pela AGU ao Tribunal Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em dezembro de 2009, a retomada da posse das fibras ópticas do sistema de transmissão e distribuição de energia.

2) A rede de fibras ópticas é de propriedade das empresas do sistema Eletrobrás e foi operada pela massa falida da Eletronet mediante previsão contratual.

3) Para a retomada da posse, a Eletrobrás apresentou caução conforme determinação judicial proferida em junho de 2008.

4) A caução atenderá exclusivamente eventuais direitos de credores da Eletronet e não dos seus sócios.

5) A utilização que vier a ser dada à rede de fibras ópticas não beneficiará a massa falida da Eletronet, seus sócios, seus credores ou qualquer grupo empresarial privado.

6) A retomada desse patrimônio, por via judicial, não gerou direitos aos sócios da Eletronet ou qualquer outro grupo empresarial privado.

7) Eventual reativação da Telebrás não vai gerar receitas ou direitos de crédito para a massa falida da Eletronet, seus sócios, credores, ou qualquer grupo empresarial com interesses na referida massa falida.
Advocacia-Geral da União

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

IT: Lula inaugura a primeira fábrica de chips da América Latina, uma estatal criada por ele em 2008.

Matéria do Inovação Tecnológica.

Inaugurada primeira fábrica brasileira de circuitos integrados.
Redação do Site Inovação Tecnológica - 04/02/2010

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inaugura nesta sexta-feira (5), a fábrica da Ceitec S.A., a primeira fábrica de chips da América Latina.

Instalada em Porto alegre (RS), a Ceitec é uma estatal, com fins lucrativos, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, criada por decreto presidencial em novembro de 2008. O investimento na construção foi superior a R$ 400 milhões.

Indústria eletrônica no Brasil

O investimento feito pelo governo, superior a R$ 400 milhões, tem o objetivo de desenvolver a indústria de semicondutores no Brasil, atraindo novos fabricantes e gerando as condições para a consolidação da indústria microeletrônica avançada no País.

Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos países desenvolvidos, o setor eletrônico responde por 12% do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, a indústria eletrônica é responsável por apenas 1,7% do PIB.

Sala limpa

A fábrica tem uma sala limpa classe 100, considerada 10 mil vezes mais limpa do que uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Tamanho grau de assepsia é necessário para que os circuitos integrados (CIs) sejam gravados nas pastilhas (wafers) de silício. Para garantir esse nível de limpeza, a Ceitec utiliza água e ar ultra puros, produzidos na empresa.

Os chips da Ceitec são produzidos a partir de wafers de seis polegadas de diâmetro. O processo produtivo da fábrica se inicia com esses wafers, que são lâminas circulares de silício - que é um material semicondutor - e termina com os chips impressos em processos fotoquímicos nessas lâminas.

Cada chip é fruto de um processo de 200 etapas, desde a difusão das pastilhas de silício em fornos até a aplicação de íons sobre o chip para alteração de suas características de condutibilidade.

Cada circuito integrado gravado na pastilha tem uma espessura centenas de vezes mais fina do que um fio de cabelo. Por isso, desde o design do chip até sua fabricação e teste, é aplicada uma tecnologia de ponta até agora inédita no Brasil.

A Ceitec foca sua atuação nos segmentos de identificação por radiofrequência (RFID), comunicação sem fio e mídias digitais. A empresa já desenvolveu e produziu chips para rastreabilidade animal e para moduladores de TV digital, além de um circuito integrado para controle e automação industrial.

Mão de obra especializada

O presidente da entidade é o alemão Eduard Weichselbaumer, escolhido pelo comitê de busca do MCT devido à sua experiência de mais de 25 anos na indústria de semicondutores na Europa, Estados Unidos e Ásia. Weichselbaumer já foi executivo e presidiu companhias que, a exemplo da Ceitec iniciavam suas atividades, as chamadas start-ups.

A Ceitec está em fase de expansão. Após entrar em operação, em agosto de 2009, em apenas 60 dias contratou quase 100 profissionais de alta especialização e classe mundial. Até maio próximo, serão mais de 250 funcionários nas áreas de engenharia e técnicos especialistas no Design Center e na fábrica.

Este ano, o Ceitec prevê contratar 120 engenheiros, incluindo mestres, doutores, profissionais com experiência na indústria de semicondutores e recém-formados. A fábrica deve empregar cerca de 40 profissionais altamente especializados, enquanto os demais deverão trabalhar no centro do pesquisa e desenvolvimento da estatal.

RFID e WiMax
O Chip do Boi, tecnicamente uma etiqueta RFID, está em fase de teste de campo, em Minas Gerais. Serão mais de 10 mil brincos aplicados em rebanhos no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e outros estados.

Também usando a tecnologia de RFID, foram criados produtos para rastreabilidade de automóveis, automação de aeroportos, rastreabilidade de medicamentos e derivados de sangue e o passaporte eletrônico.

Estão em desenvolvimento, chips para modulação (recepção) de TV Digital e para a última milha de transmissão de banda larga via WiMax.

Balança comercial de eletrônicos

A indústria eletroeletrônica representa o maior setor industrial nas economias avançadas. Este ano, mais de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial serão gerados por este setor, de acordo com a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE). No Brasil, segundo a Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a indústria eletroeletrônica representava 4,3% do PIB, em 2008.

Os dados consolidados da Abinee mostram ainda que o déficit da balança comercial de produtos do setor eletroeletrônico foi de US$ 17,5 bilhões, em 2009, superando as previsões anteriores de US$ 16,8 bilhões. Para este ano, a previsão é que o déficit atinja US$ 19,5 milhões. Grande parte deste déficit resulta da reduzida fabricação no País de semicondutores e do alto volume de importações para atender a demanda por produtos eletroeletrônicos.

As exportações brasileiras decorrente da produção de componentes discretos e do encapsulamento, montagem final e testes de componentes semicondutores, em geral de baixa complexidade, cresceram 50% entre 2000 e 2008, passando de US$ 50 milhões em 2000 para US$ 76 milhões em 2008, retornando ao patamar de US$ 57 milhões em 2009. As importações, por sua vez, cresceram 94,1% no mesmo período (média superior a 8% ao ano). Em 2000, eram de US$ 2 bilhões, chegando a US$ 4 bilhões em 2008 e US$ 3,2 bilhões em 2009.

O déficit nacional em componentes semicondutores também tem crescido, em decorrência da pequena produção e do crescente aumento no uso de circuitos integrados na indústria eletroeletrônica. A relevância dos componentes semicondutores para o setor eletroeletrônico, não só como insumo, mas também como agente indutor de inovações, motivou a inclusão do tema entre as prioridades nos planos e programas do governo Federal.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Valor: com investimento e estímulo do Governo Federal, setor de P&D finalmente avança no Brasil.

Artigo publicado no Valor Econômico e disponível aquiaqui.

O avanço de P&D no Brasil.
Artigo de Cristiano Romero


Governo e indústria investem mais no setor, que ainda precisa absorver doutores e pesquisadores no setor privado

Nunca foi fácil convencer empresário brasileiro a destinar parte do capital de suas companhias a investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O ambiente macroeconômico, marcado por décadas de inflação crônica, não ajudava, mas, além disso, inexistia no país uma cultura pró-Ciência e Tecnologia (C&T). Felizmente, isso está mudando.

Em 2006, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) lançou, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o primeiro edital para a concessão de subvenção econômica (recursos a fundo perdido) a empresas interessadas em investir em inovação. De lá para cá, a demanda tem sido crescente. No total, chegou a 8.890 projetos, dos quais, 791 foram aprovados, a um custo de R$ 1,5 bilhão para os cofres públicos. Neste ano, serão liberados mais R$ 600 milhões para essa modalidade.

Além da subvenção, têm crescido, também de forma exponencial, as operações de crédito, igualmente para projetos de inovação, realizadas pela Finep e o BNDES. No primeiro caso, os desembolsos saltaram de R$ 117 milhões em 2004 para R$ 1,6 bilhão no ano passado. No BNDES, as liberações para projetos de apoio à inovação saltaram de R$ 105 milhões em 2006 para R$ 1,3 bilhão em 2008 - até outubro de 2009, os empréstimos haviam atingido R$ 980 milhões. Na gestão do presidente Luciano Coutinho, o banco passou a considerar inovação tecnológica um dos critérios da análise dos pedidos de crédito.

Nos dois casos, é interessante notar que a concessão de crédito cresceu em meio à crise financeira internacional. Esta é, sem dúvida, uma novidade. No passado, toda vez que o Brasil entrava em crise, ou por suas próprias mazelas ou em decorrência de turbulência externa, o governo cortava, imediatamente, a liberação de recursos para investimentos em C&T.

O governo federal, que tem tido um papel importante na alavancagem das aplicações privadas em P&D, não se deixou abater pela crise. Os dados de execução orçamentária do MCT mostram que, em 11 anos, os recursos para C&T, excluídos os gastos com pessoal, cresceram 506%. Em 2009, atingiram R$ 5,6 bilhões e no ano corrente devem chegar a R$ 7,2 bilhões, um recorde.

O Brasil está começando, finalmente, a entrar na corrida das nações nessa área. A combinação de investimento público e privado tem elevado de forma expressiva o dispêndio nacional em P&D. Em 2004, ano que marcou o fundo do poço em C&T no período recente, possivelmente em consequência da violenta crise fiscal vivida pelo Estado brasileiro em 2002 e 2003, o total aplicado foi de apenas 0,9% do PIB. Em 2008, pulou para 1,13%.

Os números mostram que o Brasil ainda está aquém da média dos países da OCDE - de 2% do PIB. Por outro lado, revelam que tem ocorrido uma evolução firme no país. "O Brasil é uma economia de pesquisa competitiva e crescentemente importante. A capacidade de sua força de trabalho de pesquisadores e o investimento em P&D estão expandindo rapidamente, oferecendo muitas novas possibilidades num portfólio de pesquisa diversificado", atestou, em relatório do ano passado, a Thomson Reuters, empresa que lidera o fornecimento de informações sobre publicações de pesquisa e suas citações no mundo.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, acredita que a mudança de mentalidade em curso no país se deve, em primeiro lugar, à mudança do ambiente econômico, que passou a exigir das empresas maior produtividade e competitividade.

No setor público, um marco importante foi a criação, no governo Fernando Henrique, dos fundos setoriais de C&T, uma fonte permanente de recursos para pesquisa, e, já no governo Lula, a aprovação da Lei de Inovação, que tenta aproximar a pesquisa científica dos empreendimentos privados, além da chamada Lei do Bem, que criou incentivos fiscais para as empresas interessadas em aplicar em P&D.

Físico, com doutorado no MIT (Massachusetts Institute of Technology), a meca da inovação científica nos Estados Unidos, Rezende chama a atenção para o fato de entidades empresariais brasileira, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Movimento Brasil Competitivo (MBC), criado pelo empresário Jorge Gerdau, terem acordado para a importância dos investimentos em P&D. Ele lembra que, hoje, o Brasil forma 10 mil doutores por ano e publica cerca de 20 mil papers científicos, dez vezes mais do que fazia em 1981.

Apesar da sensível melhora, muito ainda há para se avançar. Existem programas do MCT em que sobram recursos e falta demanda. Um deles é a subvenção paga pela Finep às empresas que contratem mestres ou doutores para trabalhar em projetos inovadores - o benefício lhes assegura o pagamento de 50% do salário do novo funcionário.

Desde o lançamento do incentivo, há quase quatro anos, apenas 42 mestres e 26 doutores, de 18 empresas, foram empregados no âmbito do programa. "As empresas preferem contratar engenheiros. Apesar do benefício, acham caro contratar mestres e doutores", diz Rezende.

(Valor Econômico, 3/2)

Brasil Econômico: Governo Federal investe R$ 26 bilhões e dobra a malha de gasodutos de 2003 a 2010.

Matéria do Brasil Econômico.

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O uso do gás aumentou no Brasil nos últimos oito anos. A malha de gasodutos, que em 2003 era de aproximadamente 5 mil quilômetros, passará a cerca de 10 mil km neste ano.

Mais um passo será dado na integração energética do país, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurar hoje (3) o Gasoduto Cabiúnas-Reduc 3 (Gasduc 3) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A estrutura, com 179 quilômetros de extensão, liga o norte do Rio de Janeiro à região metropolitana e custou R$ 2,54 bilhões. Deste total, R$ 182 milhões foram investidos na construção de um túnel com 3.758 metros, sob a Serra de Santana, no município de Cachoeiras de Macacu, a fim de evitar impactos sobre a vida silvestre no local.

A importância principal do Gasduc será a interligação, dentro de dois meses, com o Gasoduto Sudeste Nordeste, conhecido como Gasene, permitindo uma integração energética com os estados do Nordeste, segundo a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster.

"O gás do Nordeste pode encontrar mercado no Sudeste do país. Então, hoje você literalmente integrou os dois países do ponto de vista gasífero. Tinha um Brasil pra lá e um Brasil pra cá. Esse gasoduto ligou os dois. Então, se um governador, lá no Ceará, dá vantagens competitivas para a instalação de uma planta de pneu, por exemplo, não vai deixar de ir para lá por causa do gás. Basta a distribuidora fazer um contrato comigo [Petrobras], fazer um contrato com o consumidor e o gás lá vai", assinalou Graça Foster.

Segundo ela, a inauguração do último trecho do Gasene - Cacimbas-Catu - deve ocorrer na segunda quinzena de março, o que deverá alterar a matriz energética do Nordeste. "Muda completamente. É um sinal muito bom. A gente não tem mais o que fazer. Já está pronto. É só administrar as inaugurações", comemorou a diretora da estatal. No total, o Gasene tem 1.387 quilômetros.

Ela informou que, desde 2003, o governo investiu R$ 26 bilhões na construção da malha de gasodutos no país. Com a maior integração, o sistema será mais confiável, pois haverá várias fontes de gás abastecendo os consumidores, de forma interligada, como ocorre hoje no sistema elétrico.

O gás produzido pela Petrobras pode ser utilizado de várias formas, beneficiando desde o consumidor que utiliza o produto como combustível no carro, até como fonte energética para termelétricas e empresas de todos os tamanhos. O gás também é usado na fabricação de insumos diversos, incluindo a indústria de fertilizantes

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Portal Exame: BNDES apoiará a criação de multinacionais brasileiras.

Matéria do Portal Exame.

Aqui e aqui, há artigos acerca da importância da criação de grandes emrpesas nacionais para o desenvolvimento do país.

| 02.02.2010 | 10h13

A crise mundial criou uma oportunidade de acelerar um processo considerado estratégico pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): a criação de multinacionais brasileiras. Com a desvalorização de vários ativos nas economias centrais, o banco se prepara para apoiar empresas nacionais que queiram aproveitar o cenário favorável para comprar concorrentes de outros países. O BNDES planeja gerar mais ativos no exterior para aumentar as chances das brasileiras nas compras externas.

A estruturação de uma operação consistente e estável do BNDES no exterior para apoiar a internacionalização de grupos brasileiros é a principal missão de Sérgio Foldes, funcionário de carreira do banco que acaba de assumir a superintendência da área internacional do banco. Além do escritório em Montevidéu, o BNDES formata a atuação de sua primeira subsidiária no exterior, a BNDES Limited, aberta no ano passado em Londres. Um dos planos em estudo pelo banco é usar estruturas no exterior para emprestar diretamente lá fora, e aumentar as chances de negócios internacionais das empresas brasileiras.

"Estamos na doce situação de daqui a pouco sermos chamados a criar as multinacionais brasileiras. Já temos alguns líderes mundiais e essa é uma tendência que vai se aprofundar. Os mecanismos do BNDES já permitem algum apoio, mas talvez não seja suficiente na escala que se imagina", disse Foldes, referindo-se à linha de internacionalização, criada em 2005, que já viabilizou negócios de grupos como AmBev e Andrade Gutierrez com R$ 8 bilhões, em países como Argentina, Alemanha, EUA e Índia. Em uma das operações mais emblemáticas, o banco ficou com ações da JBS Friboi para apoiá-la na aquisição da americana Swift. O grupo se tornou uma das líderes mundiais em carnes.

No entanto, o BNDES quer fazer mais. Foldes indica que a diretriz é oferecer no exterior o mesmo apoio para investimentos que o banco tem ampliado no Brasil. Além do crédito, o banco poderá usar instrumentos como a aquisição de participações acionárias e papéis de empresas brasileiras emitidos no exterior, que seriam integrados a seus ativos externos. Além disso, captações internacionais, como a de US$ 1 bilhão realizada este mês, deverão ser feitas diretamente no exterior. "Para apoiar as empresas brasileiras, o BNDES pode ter de gerar ativos no exterior", disse Foldes, sem detalhá-los. Segundo ele, a preparação dos mecanismos ainda é "um trabalho em gestação."

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Brasil Econômico: criado em 2003, Cartão BNDES já movimentou quase R$ 10 bi.

Matéria do Brasil Econômico.


As operações com o Cartão BNDES totalizaram de 2003, quando foi criado, até agora cerca de R$ 9,4 bilhões em crédito pré-aprovado, disse hoje (1) o gerente de operações do Cartão BNDES, do Departamento de Operações de Internet, Ricardo Albano.

Albano afirmou que o balanço do Cartão BNDES é "muito positivo". Com o limite de crédito ampliado recentemente para até R$ 1 milhão por banco emissor, o produto tem prestações fixas e prazo de pagamento de até 48 meses, além de juro baixo da ordem de 0,99% ao mês.

Atualmente, cerca de 125 mil itens são financiáveis pelo cartão no portal do banco na internet.

"A gente tem atingido bem a micro e pequena empresa. Tem crescido consistentemente o volume de desembolsos, de operações, o número de empresas atendidas na faixa de 200% ao ano no último ano, em cima do ano anterior". Em 2009, foram registradas em torno de 185 mil operações com o Cartão BNDES, que representaram R$ 2,5 bilhões em negócios.

Albano anunciou que banco decidiu ampliar o financiamento para os serviços de design de produtos e embalagens para estimular o investimento privado em inovação.

Segundo ele, os escritórios especializados em serviços de design de produtos, que não participavam do programa, já podem solicitar o credenciamento como fornecedores para operarem com o cartão para compras via internet.

O uso do cartão para a contratação de serviços de design de produtos era limitado aos institutos científicos e tecnológicos.

"A gente teve uma demanda e está ampliando isso para financiar os escritórios particulares, sob devidas condições". Entre elas, os escritórios têm que ter pelo menos dois anos de existência e portfólio de serviços para um mínimo de três empresas.

Albano afirmou que, para o BNDES, o design é uma ferramenta importante, na medida em que agrega valor ao produto nacional. "Entendemos que é importante o financiamento para empresas de micro e pequeno porte".

A perspectiva é que o Cartão BNDES amplie o investimento das pequenas empresas em design, criando um diferencial de competitividade frente às companhias estrangeiras. O gerente do BNDES disse ainda que o número de bancos emissores do Cartão BNDES subiu de três (Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) para cinco, com o ingresso da Nossa Caixa e Banrisul.