Mostrando postagens com marcador tecnologia brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tecnologia brasileira. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ag. FAPESP: tecnologia brasileira, plástico biodegradável de açúcar está pronto para escala industrial; fala investidor.

Matéria da Agência FAPESP .

07/08/2012 - Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Há mais de dez anos, a empresa PHB Industrial produz em escala piloto o Biocycle, um plástico biodegradável feito com açúcar de cana. Apesar de dominar a tecnologia para fabricar diversos produtos com o polímero e para tornar seu custo competitivo quando comparado ao do plástico convencional, a empresa ainda não conseguiu elevar sua produção a uma escala industrial.


Dos arquivos do blog:
Para Roberto Nonato, engenheiro de desenvolvimento da PHB Industrial, o caminho mais curto para levar o Biocycle ao mercado seria uma parceria com a indústria petroquímica. “Temos tentado isso há alguns anos, mas o pessoal do petróleo não costuma conversar com o pessoal do açúcar”, disse durante sua apresentação no workshop “Produção Sustentável de Biopolímeros e Outros Produtos de Base Biológica”, realizado na sede da FAPESP.

A história do Biocycle começou no início dos anos 1990, época em que a Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) procurava outros produtos que pudessem ser fabricados em uma usina de açúcar que não fossem commodities.

Por meio de uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e com o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), a Copersucar conseguiu produzir o polihidroxibutirato (PHB) – um polímero da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) com características físicas e mecânicas semelhantes às de resinas sintéticas como o polipropileno – usando apenas açúcar fermentado por bactérias naturais do gênero alcalígeno.

Em 1994, uma planta piloto foi instalada na Usina da Pedra, em Ribeirão Preto. Em 2000, foi criada a PHB Industrial e a tecnologia passou a pertencer ao Grupo Pedra Agroindustrial, de Serrana, e ao Grupo Balbo, de Sertãozinho.

Com apoio da FAPESP por meio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e auxílio de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), a empresa desenvolveu a tecnologia de produção dos pellets – pequenas pastilhas cilíndricas feitas com uma mistura de PHB e fibras naturais –, matéria-prima usada pela indústria transformadora para produzir utensílios de plástico.

“Inicialmente, nos preocupamos apenas em desenvolver o PHB e achávamos que a indústria transformadora faria o resto, mas, quando você chega com uma resina nova ao mercado, ninguém sabe como processar. Percebemos que era preciso ir além”, disse Nonato à Agência FAPESP.

A técnica de misturar PHB com fibras vegetais trouxe outra vantagem: a redução do custo. Enquanto o quilo do polipropileno custa em torno de US$ 2, o quilo do PHB sai por volta de US$ 5. “Se você mistura com pó de madeira, por exemplo, barateia o produto e dá a ele características especiais que podem ser interessantes”, explicou o engenheiro.

Diversas aplicações
O PHB é um material duro que pode ser usado na fabricação de peças injetadas e termoformadas, como tampas de frascos, canetas, brinquedos e potes de alimentos ou de cosméticos. Também pode ser aplicado na extrusão de chapas e de fibras para atender a indústria automobilística. Serve ainda para a produção de espumas que substituem o isopor.

“Desenvolvemos diversas aplicações para o polímero em cooperação com outras empresas. A indústria automobilística, por exemplo, nos procurou para testar o PHB e vimos que o polímero era viável na fabricação de peças para o interior dos carros. Mas, como ainda não temos condições de produzir em escala industrial, não conseguimos entrar no mercado”, disse Nonato.

Segundo Nonato, a empresa chegou a ter uma pequena produção industrial de painéis de trator. O produto era mais barato que o equivalente feito com plástico convencional e, ainda assim, o negócio não prosperou. “Era uma produção tão pequena para o padrão da indústria, acostumada a comprar centenas de toneladas, que acabaram desistindo por dificuldades operacionais”, disse.

Para ampliar a produção, a PHB Industrial teria de aumentar sua planta. Segundo Nonato, isso exigiria um investimento muito superior ao que uma usina de açúcar tem como meta. Seria preciso um parceiro.

Também precisaria de ajuda para dar suporte aos compradores. “É necessário ter uma equipe que vá a campo ensinar qual é a temperatura certa para processar o PHB, o tipo de forma, o tipo de rosca. O mercado é pulverizado e grande parte dele está na Europa. Somente as grandes petroquímicas teriam condições de dar esse suporte”, disse.

Enquanto no Brasil o mercado para o PHB é restrito a nichos interessados em fabricar produtos com apelo ecológico a um preço mais elevado, na Europa a busca por produtos biodegradáveis é grande, segundo Nonato. “Na Europa, a agricultura hidropônica é forte e a legislação ambiental é rígida. Usa-se muito material biodegradável em estufas”, contou.

Com o PHB, é possível fabricar braçadeiras para plantas ou tubetes para reflorestamento e depois encaminhar o resíduo plástico para estações de compostagem, onde ele é rapidamente absorvido pela natureza.

Enquanto os plásticos tradicionais levam mais de cem anos para se degradar, os produtos feitos com PHB se decompõem em torno de 12 meses e liberam apenas água e dióxido de carbono.

Além da agricultura, o material pode ser usado na fabricação de embalagens para alimentos, cosméticos e outros produtos oleosos que são de difícil reciclagem. “O mercado existe e nosso produto está pronto. O que falta é um canal para chegar ao mercado e um pouco mais de investimento”, disse.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Exame: em sua política de cooperação "sul-sul", Brasil envia a Embrapa para tentar produzir comida na savana africana.

Matéria da Exame, para voltando ao assunto deste post: Do New York Times: os ganhos do Brasil em sua relação com a África.

Cooperação ''é hoje uma ferramenta importante para a política externa e para as relações internacionais'', informou Farani

Brasília - O Brasil destina cerca de US$ 1 bilhão anuais à cooperação do chamado ''eixo Sul-Sul'' e se propõe manter e até aumentar o investimento, disse nesta quinta-feira à Agência Efe o diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o ministro Marco Farani.

Apesar do atual cenário de crise, ''a tendência é aumentar'' esses valores, pois a cooperação ''é hoje uma ferramenta importante para a política externa e para as relações internacionais'', informou Farani.

Segundo o diretor da ABC, embora esse US$ 1 bilhão anual seja um valor ''considerável'', só representa em torno de 0,02% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, um país que é hoje a sexta economia do mundo. ''Esse papel aumenta o sentimento de responsabilidade, é necessário ajudar ainda mais para criar um mundo melhor'', disse.

A maior parte dos projetos de cooperação desenvolvidos pelo Brasil se concentra na América Latina e na África, regiões que têm desafios sociais e econômicos semelhantes, e estão mobilizados a criar condições que permitam melhorar a vida das sociedades.

O diretor da ABC informou que 21,86% dos projetos que desenvolve com 31 países da América Latina e do Caribe e com outros 42 da África são ligados ao setor agrícola.

Nessa área, o Brasil se consolidou durante os últimos anos como uma ''potência mundial'' e desenvolve suas próprias tecnologias que, através da cooperação internacional, põe à disposição de outros países em desenvolvimento.

Farani explicou na entrevista à Efe que um dos principais projetos da ABC na atualidade é desenvolvido em Moçambique, com a participação do Japão, esperando tornar viável a atividade agrícola nas regiões de savanas.

A ideia se baseia em um modelo aplicado no cerrado brasileiro, que se estende pela região central e onde, graças à processos tecnológicos e apesar da pobreza da terra, hoje se cultiva de algodão até soja.

O diretor da ABC disse que se o projeto em Moçambique der certo, cerca de 14 mil hectares de savana poderiam ser aproveitados e o país passaria a ser um grande produtor de alimentos.

A experiência poderia então ser aplicada em outros países da África, um continente com cerca de 400 mil hectares de savanas ociosas que poderiam ser utilizados para agricultura.

A incentivadora dessa cooperação agrícola entre a África e a América Latina é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma instituição pública voltada para a pesquisa e a biotecnologia, que ajudou a fazer do Brasil um dos maiores produtores mundiais de alimentos.

''É uma instituição forte, que desenvolve tecnologias e processos próprios para as regiões tropicais'', que são facilmente adaptáveis aos países da América Latina e da África, disse Farani.

Na mesma descrição situou também a Fundação Oswaldo Cruz, órgão público dedicado à pesquisa em saúde, uma área que representa 16,28% dos projetos de cooperação internacional promovidos pelo Brasil.

A preocupação da ABC com a vertente social e econômica da parceria, segundo explicou Farani, nasce da própria experiência brasileira que, na última década, permitiu o país tirar da pobreza cerca de 30 milhões de pessoas.

''O Brasil agora pode oferecer solução para os problemas que está resolvendo e pode fazer isso com uma base comprovada de sua própria experiência, por isso a cooperação acontece em um plano de maior igualdade e entre países que compartilham os mesmos desafios para alcançar o desenvolvimento pleno'', declarou.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Nicolelis: apoio Dilma porque ela e Lula tem um projeto de nação em que todos os brasileiros são cidadãos.


Entrevista publicada pelo Viomundo.

Aqui e aqui, temos duas pequenas matérias que ajudam a entender que é Miguel Nicolelis.

Miguel Nicolelis, que defende "soberania intelectual" do Brasil, anuncia apoio a Dilma Rousseff

 por Luiz Carlos Azenha

 
Entrevistei pela primeira vez o dr. Miguel Nicolelis quando era repórter da Globo. Ele é um dos mais importantes neurocientistas do mundo. Tratamos, então, do uso de impulsos elétricos capturados no cérebro de um macaco para mover braços mecânicos, pesquisa que ele desenvolveu na Universidade de Duke, nos Estados Unidos. O potencial desse tipo de pesquisa é tremendo: permitir que paraplégicos façam movimentos com o uso de impulsos elétricos do próprio cérebro, por exemplo.
 
Desde então, o cientista implantou em Natal, no Rio Grande do Norte, o Instituto Internacional de Neurociência, uma parceria público-privada. E continua coletando prêmios nos Estados Unidos, alguns dos quais anunciados recentemente:

Setembro 2010 - Miguel Nicolelis recebe outro prêmio científico dos Institutos Nacionais de Saúde dos E.U.A.
 
Dois meses depois de ter recebido dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos US$2,5 milhões para investir em suas pesquisas no campo da interface cérebro-máquina, Miguel Nicolelis volta a ser distinguido com um prêmio de aproximadamente US$4 milhões da mesma instituição. Os recursos devem ser aplicados no desenvolvimento da nova terapia para o mal de Parkinson que vem mobilizando o pesquisador há alguns anos e que, na avaliação dos NIH, se constitui numa pesquisa "arrojada, criativa e de alto impacto". Miguel Nicolelis é a primeira pessoa a receber da instituição americana no mesmo ano o Director's Pioneer Award e o Director's Transformative R01 Award.

*****

Hoje liguei para a Universidade de Duke, nos Estados Unidos, quando soube por e-mail que Nicolelis tinha decidido anunciar publicamente seu apoio à candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff.

Ele afirmou que faz isso por acreditar que Dilma representa um projeto de país em linha com o que acredita ser desejável para o Brasil: o desenvolvimento de uma "ciência tropical" e de um conhecimento voltado para garantir a soberania nacional. O áudio e a transcrição aparecem abaixo:

Transcrição:

 
Por que é que o sr. decidiu anunciar publicamente seu apoio à candidata Dilma Rousseff?

Porque desde as eleições do primeiro turno eu cheguei à conclusão que essa é uma eleição vital para o futuro do Brasil e eu estou vendo um debate que está se desviando das questões fundamentais na construção desse futuro e dessa maneira eu achei que como cientista brasileiro, mesmo estando radicado no Exterior — mas que tem um projeto no Brasil e tem interesse que o Brasil continue seguindo este caminho — eu achei que era fundamental não só que eu mas que todos que pudessem se manifestassem a favor e fizessem uma opção pelo futuro que a gente acredita que é o correto para o nosso país.

Que futuro é esse?

É o futuro da inclusão social, o futuro em que as crianças que ainda nem nasceram possam ter a educação, saúde, ciência, tecnologia e a possibilidade de construir os seus sonhos pessoais sejam eles quais forem. Futuro que nós, a sua e a minha geração não tiveram. E um futuro que não leve o Brasil a retornar a um passado recente onde nós tinhamos, além da insegurança financeira, uma total falta de compromisso com o povo brasileiro e com a coisa brasileira. Então, nesse momento para mim essa é uma eleição vital, é um momento histórico para o Brasil. Eu viajo pelo mundo inteiro e eu nunca vi o nome do Brasil e a reputação do Brasil tão alta (inaudível) e este é o momento de deslanchar de vez e não voltar para o passado.

 
Fale um pouquinho do projeto que o sr. tem em Natal pra gente e da importância que o sr. acredita que o governo Lula teve — eu já li muito o que o sr. escreveu a respeito — para que esse projeto fosse implantado.

Nosso projeto é o primeiro projeto no mundo que usa a ciência como agente de transformação social – ciência de ponta.

Quando, oito anos atrás, comecei esse projeto… fui a São Paulo, me disseram que não havia esperança de fazer nada igual fora de São Paulo, porque 80% da produção científica do Brasil está concentrada no estado de São Paulo. Eu usei isso como um diagnóstico dos erros passados, porque um país que quer se desenvolver como uma federação e que quer oferecer cidadania ao seu povo não pode concentrar a produção de conhecimento de ponta e a disseminação de conhecimento de ponta num único estado da União.

E aí eu propus de levar esse projeto de ponta — que é fazer neurociência como se faz em qualquer lugar do mundo, em lugares que são, que tem a dianteira da fronteira dessa área no mundo — na periferia de Natal, usando essa ciência para desenvolver uma série de projetos sociais que permitem que a criança tenha um projeto educacional desde a barriga da mãe — que faz o pré-natal dentro de nosso campus do cérebro — até a pós-graduação na universidade pública.

E o primeiro grande parceiro desse projeto foi o governo federal, foi o presidente Lula e a seguir quem eu considero o maior ministro da Educação que o Brasil jamais teve, dr. Fernando Haddad, que transformou não só as políticas públicas mas o pensar do Brasil em educação, concluindo e chegando à conclusão que toda criança brasileira tem direito a perseguir seus sonhos intelectuais e não só ser abandonada em alguma escola técnica para servir ao mercado de trabalho. Que ela pode ser física, química, bióloga. É isso o que nós fazemos.
 
Nós criamos um projeto de educação científica que é principalmente um projeto de educação para cidadãos, que vão lá no turno oposto da rede pública, são mil crianças no Rio Grande do Norte, 400 crianças no interior da Bahia — na terceira escola que nós acabamos de abrir — e nós vamos ampliar isso para 2 mil crianças no ano que vem e se tudo der certo para 4 mil crianças em 2012. E esse projeto só foi possível porque o Ministério da Educação e o governo federal acreditam, como a gente, que essas crianças da periferia de Natal, do interior da Bahia, do sertão do Piauí, do Amazonas, de Roraima, também tem direito à educação de altíssimo nível e a perseguir seus sonhos intelectuais.

E como é que isso se conecta com a campanha de Dilma Rousseff?

Essa é uma visão de país onde a cidadania é levada a todos os brasileiros, onde todos os brasileiros tem a oportunidade de acesso ao conhecimento e à informação para fazerem e tomarem decisões por si mesmos, de acordo com a sua própria visão do mundo. Eu acredito que a candidatura da ministra Dilma possibilita viabilizar esse futuro para o Brasil e a candidatura oposta, a candidatura do partido de oposição, ela basicamente não tem mensagem alguma para o resto do Brasil, ela tem mensagem para a sua audiência, que é restrita, na minha opinião, ao estado de São Paulo e talvez até a cidade de São Paulo, não existe projeto de Brasil na outra candidatura. Enquanto a futura presidente do Brasil, Dilma Rousseff, tem um projeto de Nação que é o que sempre faltou para o nosso país. Nós sempre tivemos projetos de alcançar o poder e nunca um projeto de Nação. E o que o presidente Lula fez que foi colocar o Brasil nesse caminho, só pode ser, na minha opinião, continuado, com as políticas públicas que a ministra Dilma tem proposto e que eu acredito vai dar continuidade. Se nós não tivermos essa disposição de ter um projeto de Nação, se nós optarmos como país pela outra proposta, eu temo que infelizmente o Brasil vai perder sua chance histórica de se transformar no país que todos nós queremos ter.

Dr. Nicolelis, qual é a importância do conhecimento que o sr. está transferindo — o sr. está em Duke, agora?

Estou aqui em meu laboratório da Duke [University, na Carolina do Norte] nesse momento, mas quarta-feira já estou viajando para o Brasil, para Natal, onde nós montamos um centro de pesquisas de ponta, de neurociências. Nós estamos transferindo conhecimento, inovação, do mundo todo… Nós estamos a ponto de receber o que vai ser um dos mais velozes supercomputadores do Hemisfério Sul, doado pelo governo da Suiça, um dos maiores centros de tecnologia do mundo – a Escola Politécnica de Lausanne, que fechou um convênio com nosso instituto de cooperação internacional – então nós estamos criando em Natal, na periferia de Natal, num dos distritos educacionais mais miseráveis do país, um centro de disseminação de conhecimento de ponta que está transformando não só a neurociência brasileira como a forma de educar as crianças e a forma de trazer as mães destas crianças para dentro de um projeto de inclusão e de cidadania.

Nós estamos construindo lá o primeiro campus do cérebro do mundo, não existe nada igual em nenhum lugar do mundo. E quando o governo suiço veio visitar as obras, veio ver o que nós estávamos fazendo, eles ficaram completamente encantados. Então, eles decidiram fechar um acordo de colaboração conosco ao mesmo tempo em que eles estão fechando um acordo com a [Universidade de] Harvard. Ou seja, nós ficamos em pé de igualdade com a maior universidade do mundo pela inovação da proposta que nós temos na periferia de Natal, provando que em qualquer lugar do Brasil algo desse porte pode ser feito.

Dr. Nicolelis, além do governo federal e agora do governo da Suiça, existem outras entidades ou instituições privadas colaborando com esse projeto?

Ah sim, este é um projeto privado. Mais de dois terços dos nossos fundos e do nosso suporte financeiro vem de doações privadas de brasileiros que moram fora, no Exterior, de fundações europeias, americanas, nós temos parcerias — inúmeras — pelo mundo afora e a beleza disso é que para cada real investido pelo governo federal nós conseguimos coletar quase três reais privados no Exterior e mesmo dentro do Brasil — o hospital Sírio Libanês, por exemplo, é um de nossos parceiros, a Fundação Lily Safra, da brasileira Lily Safra, é uma outra parceira. Nós conseguimos captar para cada real investido publicamente quase três reais privados, mostrando que é possível, sim, realizar parcerias público-privadas que tenham um fundo e um escopo social tão grande quanto este projeto.

Dr. Nicolelis, qual é a importância de o Brasil desenvolver as suas próprias tecnologias em conjunto com universidades de outros países para a soberania nacional e para a capacidade do país inclusive de reduzir a importação de equipamento fabricado fora do Brasil?

Ah, sem dúvida, eu acho que a Petrobras é o grande exemplo, a Petrobras e a Embraer. Nós precisamos de Googles, Microsofts, IBMs brasileiras. Nós precisamos transferir o conhecimento de ponta gerado pelas nossas universidades e pelos nossos cientistas — e o Brasil tem um exército de fenomenais cientistas dentro do Brasil e espalhados pelo mundo que estão dispostos, como eu, a colaborar com o Brasil. Nós temos que criar uma indústria do conhecimento brasileira. É uma questão de soberania nacional. A questão que me chamou a atenção agora, no começo da campanha do segundo turno, a questão da Petrobras, ela se aplica à indústria do conhecimento, que vai ser a indústria hegemônica na minha opinião, no século 21, que pode vir a ser o século do Brasil.

Mas, para isso, nós temos que investir no talento humano. Nós temos que criar formas dessa molecada — como as nossas crianças de Natal — de se transformar em cientistas, inventores, de uma maneira muito mais rápida e ágil do que as formas tradicionais que requerem todo esse cartório até você receber um doutorado e ser reconhecido oficialmente como cientista. Eu estou encontrando crianças no nosso projeto, por exemplo, de 17, 18 anos, que estão sendo integradas às nossas linhas de pesquisa antes mesmo delas entrarem na universidade, porque elas tem o talento científico, talento de investigação, curiosidade e que podem dar frutos muito mais rápidos do que a minha geração deu para o país.

 
Mas este investimento que pode ser feito com os fundos que vão vir do Fundo Social do Pré-Sal tem que ser feitos para revolucionar a ciência brasileira e criar uma coisa que eu gosto de chamar de "ciência tropical", que é a ciência do século 21, aplicada às grandes questões da Humanidade — energia, ambiente, suplemento de comida, suplemento de água, novas formas de disseminação democrática da informação — tudo isso faz parte do escopo dessa "ciência tropical" em que o Brasil tem condições plenas de ser, se não o líder, um dos grandes líderes deste século.

Dr. Nicolelis, onde que está aí o nexo entre o que o sr. acabou de dizer, que o sr. mencionou, e a riqueza da biodiversidade brasileira, que ainda não é explorada?

 Nós nem sabemos o que nós temos, Azenha. Nós nem tivemos a chance de mapear essa riqueza. Todo mundo fala dela mas ninguém pode dar uma dimensão. Então, esse discurso que eu ouço, ambientalista, superficial, que foi caracterizado no primeiro turno, inclusive, da eleição, ele não serve para nada, porque ele não aprofunda nas questões vitais.

As questões vitais é que a soberania do Brasil também depende de investimentos estratégicos no mapeamento das riquezas que nós temos, do que pode ser feito para o povo brasileiro em termos de novos medicamentos, novas fontes alimentares, novas fontes de energia. Existem dezenas de sementes oleaginosas do semi-árido que são não-comestíveis, que são muito mais eficientes na produção de óleo do que a mamona, por exemplo, que poderiam ser usadas em projetos de parceria de cooperativa no interior da caatinga do Brasil, para se produzir óleo biocombustível para trator, caminhão, que aliviariam tremendamente os custos da produção alimentar, familiar, nessa região do Brasil.

Isso precisa ser explorado, precisa ser mapeado com investimentos em pesquisa básica, em estudos de genômica funcional dessas plantas, tentar entender porque elas conseguem produzir esses óleos de alto valor energético e tentar transferir isso para a economia do Brasil. Existe toda uma economia que pode ser altamente sustentável, que pode preservar muito melhor o ambiente do que nós estamos fazendo até hoje e que pode servir de retorno em empregos e conhecimento que ampliariam ainda mais a matriz renovável energética brasileira.

Então, são coisas que estão na nossa cara e que eu acho que só uma política voltada para o Brasil, uma política que dê continuidade ao que o presidente Lula iniciou nestes oito anos, vai ter condições de manter dentro do Brasil. Porque existem evidentemente interesses enormes nessas riquezas nacionais, existe um interesse enorme nos cérebros brasileiros que estão desenvolvendo essas ideias e nós temos que manter isso de uma maneira agregada ao Brasil e não simplesmente dar isso de mão beijada para o primeiro que bater na porta com uma oferta ridícula de privatização ou da venda de nosso patrimônio intelectual para fora do Brasil.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Nature: Lula mudou a ciência no Brasil com aumento contínuo do investimento em pesquisa; Dilma deve manter a política


Matéria da Nature.

Ciência segura nas eleições do Brasil
Próximo chefe de Estado não deve perturbar o status quo.

Anna Petherick 



Dilma Rousseff pode ser ainda melhor para a ciência brasileira do que o presidente Lula.
Como muitos outros brasileiros, os cientistas do país têm esperança que as eleições presidenciais de 03 de outubro tragam o mínimo possível de mudanças. Depois de quase uma década de forte apoio à ciência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua provável sucessora, Dilma Rousseff, tem tudo para manter esse quadro. A educação formal do próprio Lula pode ter sido escassa, mas, durante seus sete anos como presidente, ele elevou o status da ciência no Brasil por meio de um aumento constante da participação do financiamento da pesquisa no produto interno bruto (ver gráfico) – que, por si só, cresceu de forma impressionante (ver Nature 465, 674-675, 2010). Ele também tem elevado perfil científico do Brasil, escrevendo numerosos editoriais sobre suas iniciativas em desenvolvimento da ciência, inclusive um na revista Scientific American, em 2008, e seu ministro da ciência por cinco cinco anos, Sérgio Rezende, publicou pesquisa sobre o spin-waves teoria na Physical Review Letters, enquanto no cargo.




"O governo Lula trouxe um aumento muito importante no financiamento e fez um trabalho muito importante em termos de estabelecimento de políticas e definição de agenda", diz Paulo Gadelha, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto de Pesquisas Biomédicas do Rio de Janeiro. "Foi a primeira vez que reunimos áreas tradicionais relacionadas à política industrial com àquelas relacionadas à saúde, ao financiamento à ciência e à agricultura."

Mas nem tudo foram boas notícias, contudo. A ex-Ministra de Meio Ambiente de Lula, Marina Silva - que está agora está disputando contra Dilma - se demitiu em 2008 porque acha que o governo não está fazendo o suficiente para proteger a Amazônia. Apesar de suas preocupações, os números de 2009 mostraram que o desmatamento caiu para um nível recorde de 7.464 quilômetros quadrados. Outra forte queda é esperada quando os números de 2010 forem divulgados, ainda este ano.

Rousseff, candidata de centro-esquerda do Partido dos Trabalhadores, detém uma posição forte como candidata ungida por Lula para a eleição. Desde o final de agosto, quase 50% dos brasileiros entrevistados disseram que pretendem votar nela para presidente. Os candidatos precisam metade da votação popular, mais um voto, para ganhar em definitivo, e seu riva mais próximo, José Serra, da oposição de centro-direita do Partido Social Democracia Brasileira, está oscilando em torno de 28%. Silva está em terceiro lugar.

Espera-se que Dilma Rousseff prossiga com as políticas de Lula em seu mandato. No entanto, não seria necessariamente uma má notícia para a ciência, se Serra ganhasse. A valorização dos benefícios económicos a longo prazo da inovação é espalhado de forma bastante equilibrada por todos partido, afirma Eduardo Viotti, da Universidade Columbia, em Nova York, que aconselha o Senado brasileiro sobre a política para a ciência. Serra foi um popular ministro da saúde, durante a presidência do antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso, quando muitas das leis que sustentam os gastos de Lula em ciência foram aprovadas.

Se Dilma Rousseff conquistar a vitória, ela poderá fazer ainda mais para a ciência brasileira do que Lula. Muito se fala de como ela não tem o seu carisma, mas, com sua longa carreira como administradora diligente e eficaz, "ela provavelmente será capaz de ir mais longe em algumas das discussões que estão acontecendo no momento, por exemplo na integração entre a política científica e tecnológica e a política de saúde", Viotti aponta. Esse tipo de integração cuidadosa, é claro, recai sobre os ombros do ministro da ciência, que é deve ser um dos últimos a ser nomeado no novo gabinete.

A escolha do ministro das Finanças de Dilma também vai ser fundamental. Luciano Coutinho, apontado como o favorito para o cargo, é atualmente chefe do Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, no Rio de Janeiro. Pelo menos no papel, Coutinho parece ser um ministro das Finanças de sonho para a comunidade de pesquisa. Ex-secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Coutinho é também professor da Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo, e especialista em economia da inovação. Ele já declarou que, como ministro das finanças, ele cortaria o déficit do Brasil e, assim, as taxas de juros - um passo que pode impulsionar o investimento em pesquisa e desenvolvimento corporativo no Brasil. Cientistas têm feito lobby junto a políticos de forma invulgarmente agressiva e coordenada este ano. A Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência fizeram circular uma carta a todos os candidatos presidenciais exortando-os a prestar mais atenção à educação em ciência básica e matemática.
Além disso, uma comissão nomeada por Rezende, liderada pelo físico Luiz Davidovich, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, está terminando um guia para a equipe do próximo governo. Ele contém recomendações formuladas em conjunto por cientistas em conferências regionais e nacionais de política científica, tais como a necessidade de maior ênfase na formação científica, para permitir ao Brasil aproveitar a recém-descoberta riqueza em petróleo, encontrado ao largo da costa de São Paulo e Rio Janeiro em 2007, enquanto a preserva a Amazônia. Como equilibrar essas questões em uma política de mudança climática coerente é fundamental para o futuro do Brasil.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Brasil Econômico: Governo Federal concede benefícios fiscais a empresas que invistam em inovação.

Matéria do Brasil Econômico.

Brasil Econômico - As informações são da Agência Brasil
02/08/10 09:49

Após assinar medida provisória que prevê a redução de impostos para empresas que investirem em inovação tecnológica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou hoje (2) de empresários brasileiros maior adesão ao estímulo dado pelo governo.

"Nós precisamos ficar mais competitivos, melhorar a qualidade dos nossos produtos, baratear a qualidade dos nossos produtos e isso, obviamente, está ligado à inovação", disse.

Os incentivos incluem, por exemplo, a isenção de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Em seu programa semanal Café com o Presidente, Lula lembrou que, com a medida, o Brasil passa a ser o segundo país que mais promove incentivos fiscais no setor, perdendo apenas para os Estados Unidos.

"Do ponto de vista do dinheiro colocado pelo Estado brasileiro, nós estamos mais ou menos equiparados a todos os países do mundo. A diferença é que, em alguns países, as empresas privadas fazem muito investimento em ciência e tecnologia. E, no Brasil, nós fazemos muito pouco ainda", disse.

Durante o programa, o ministro da Ciência e Teconologia, Sergio Rezende, lembrou que, a partir de agora, as empresas brasileiras contam com incentivo ainda maior para investir em inovação tecnológica.

"Temos hoje, no Brasil, um leque de apoio do governo para que as empresas sejam estimuladas. Agora, é muito importante que os empresários se arrisquem mais. O Brasil tem hoje muitos pesquisadores com capacidade de ajudá-los, para que as empresas realmente passem a fazer da inovação parte do seu processo produtivo", afirmou.

Brasil Econômico: Cefet desenvolve asfalto mais barato e ecológico - com bagaço de cana.

Matéria do Brasil Econômico.

Carolina Pereira   (cpereira@brasileconomico.com.br
01/08/10 07:23

No Brasil, cerca de 70% do bagaço de cana que resulta do processo de produção de açúcar e álcool é queimado para geração de energia.

O restante, no entanto, não é aproveitado, de acordo com Cláudio Leal, pesquisador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF).

Preocupado em encontrar um destino sustentável para esses restos, que são desperdiçados, Leal desenvolveu um tipo de asfalto que contém bagaços de cana em sua composição.

Ao observar os materiais que compõem as misturas asfálticas como a chamada de Stone Matrix Asfalt (SMA), que é mais resistente que o convencional e no Brasil é utilizada em locais como o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, Leal percebeu que era possível substituir as fibras de celulose ou de vidro utilizadas nesse composto pelo bagaço da cana.

Dessa maneira, além de evitar o desperdício, foi possível baratear a produção do asfalto do tipo do SMA. "O bagaço é totalmente mais barato do que as outras fibras usadas nas misturas SMA, já que estas precisam de um processo industrial para sua produção", diz o pesquisador.

Os testes feitos por Leal comprovam que a mistura que contém o bagaço apresenta o mesmo desempenho que o asfalto SMA.

Entre as vantagens do asfalto SMA em relação ao convencional estão maior resistência ao desgaste, diminuição do efeito de aquaplanagem e aumento da aderência do pneu à superfície do pavimento.
Com o barateamento da sua produção, o SMA pode começar a ser utilizado nas ruas e estradas do Brasil, diminuindo os custos com a manutenção do asfalto. Nos Estados Unidos, Canadá e países da Europa a mistura já é bastante utilizada em rodovias por conta da alta resistência, principalmente ao fluxo de veículos pesados, que normalmente causam danos à pista.

A exemplo do que já acontece nos países desenvolvidos, no Brasil o SMA começa a ganhar espaço.

Teste no Rio de Janeiro

Por enquanto, a previsão é o pavimento entrar em fase de testes no estado do Rio de Janeiro, na BR-356, entre as cidades de Campos de Goytacazes e São João da Barra, no segundo semestre desse ano.

Segundo Leal, o projeto foi apresentado ao Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), que aceitou construir o trecho experimental.

A pesquisa, até agora, demandou investimentos de R$ 86 mil, vindos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), aplicados principalmente na aquisição de equipamentos de monitoramento do trecho experimental.

Por enquanto, não há interesse de empresas privadas em utilizar ou comercializar a mistura, de acordo com Leal

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Jornal da Ciência: UFRJ inaugura moderno laboratótio de Bioimagem.

Matéria do Jornal da Ciência.

JC e-mail 4001, de 03 de Maio de 2010.

Centro terá o primeiro equipamento da América Latina para análise morfológica e funcional de órgãos e sistemas em animais vivos. Projetos de pesquisa relacionadas às doenças infecciosas causadas por parasitas,
bactérias e vírus terão impulso

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, é um dos convidados para a inauguração do Centro Nacional de Bioimagem (Cenabio) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na quarta-feira, dia 5. o centro concentrará equipamentos para imageamento de pequenos animais e micro-organismos.

Os equipamentos incluem um de Ressonância Magnética Nuclear 7 Tesla (MRI 7 Tesla), o primeiro da América Latina que permite uma análise morfológica e funcional de órgãos e sistemas em animais vivos. A ideia do Cenabio é aplicar ferramentas de bioimagem e biologia estrutural em linhas de pesquisa relacionadas às doenças infecciosas causadas por parasitas, bactérias e vírus, além de doenças crônicas e degenerativas, como hipertensão, câncer, Parkinson e Alzheimer.

O Cenabio faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB) e contou para seu financiamento com um consorcio de agencias estaduais e federais. O Centro já disponibilizava também diversos equipamentos de microscopia óptica, eletrônica e de força atômica, além dos de ressonância magnética nuclear de macromoléculas.

Na quarta-feira, também serão inaugurados o ultrassom de alta resolução e o sistema de detecção de bioluminescência e fluorescência em animais vivos. O objetivo é consolidar uma rede para análise de sistemas biológicos, em nível atômico-molecular e celular. A infraestrutura estará à disposição de toda a comunidade científica nacional e da América Latina.

A cerimônia de inauguração está prevista para começar às 9h30, no Auditório Leopoldo De Meis, do Centro de Ciências da Saúde, no campus da Ilha do Fundão.

Jornal da Ciência: UFRJ inaugura laboratório que impulsiona programa nuclear

Matéria do Jornal da Ciência.

JC e-mail 4004, de 06 de Maio de 2010.

O Laboratório Multiusuário de Fusão a Arco, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi inaugurado nesta quarta-feira, dia 5. No mesmo dia, o Centro Nacional de Bioimagem (Cenabio) também foi inaugurado

O Laboratório Multiusuário de Fusão a Arco fica no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) e dará início à produção experimental de ligas de zircônio no Brasil usadas na área nuclear.

Essas ligas metálicas são usadas na produção das varetas que receberão as pastilhas de urânio para depois formar o elemento combustível. Hoje, essas ligas são importadas de outros países. O laboratório está equipado com um forno de fusão a arco de última geração, onde as ligas são processadas a vácuo, com capacidade de processamento de 100 quilos.

O coordenador do projeto na Coppe, professor Luiz Henrique de Almeida, explicou que essa é uma etapa que permitirá a independência de componentes externos. "A próxima etapa do projeto é produzir em escala industrial. Essa é uma oportunidade para que o País se torne o primeiro produtor de ligas especiais no Hemisfério Sul."

A expectativa é que o Brasil passe a economizar em torno de 15% do preço do elemento combustível importado. Atualmente, o Brasil demanda 2 mil tubos de zircônio para a Usina Angra 2 e 1,6 mil para Angra 1, que deixarão de ser importados no longo prazo. O metal é utilizado por ser o único material resistente ao esforço mecânico, radioatividade e calor do reator nuclear. As ligas também são utilizadas na recarga de um terço dos elementos combustíveis dos reatores de Angra 1 e 2. Ao todo, são 115 quilômetros de tubos compostos por zircônio nas duas usinas.

Presente à inauguração, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, ressaltou que, como o Brasil tem a sexta maior reserva comprovada de urânio no mundo, precisa continuar se desenvolvendo na área nuclear.

"Para o Brasil continuar crescendo, não podemos negligenciar essa área como foi feito por muitos anos. Com a retomada do Programa Nuclear Brasileiro, precisamos trabalhar para desenvolver toda a tecnologia nuclear. Hoje, temos um programa nuclear absolutamente transparente e o domínio de toda a tecnologia usada no ciclo do combustível nuclear. Não precisamos ficar dependentes de outros países", enfatizou.

Para Rezende, a produção do material é ponto estratégico para o desenvolvimento. "Deter essa tecnologia é uma questão não só econômica como estratégica. Estamos tendo certas dificuldades para encontrar no mercado internacional certas ligas de zircônio", explicou o ministro.

Segundo o jornal "O Estado de SP", Rezende afirmou ainda que o país já vem enfrentando uma espécie de boicote por causa da intenção de buscar autonomia no programa nuclear, investindo no desenvolvimento de tecnologias para dominar todo o ciclo do urânio.

"Há vários componentes do programa nuclear e espacial que o Brasil não consegue dos países que detêm essa tecnologia por motivos que todos entendemos. Não podemos ficar temerosos do que pode acontecer. Mas já estamos enfrentando em muitos aspectos essa questão. É quase um boicote", citou o jornal paulistano, completando que o ministro não informou quais países se negam a vender para o Brasil.

De acordo com o diretor de produção do combustível das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Samuel Fayad, a inauguração do laboratório marca o início da nacionalização de componentes. "Estamos trabalhando no desenvolvimento de projetos nessa área de fabricação de componentes, que serão úteis para a área nuclear como também para outros campos. É uma oportunidade para a INB se inserir no centro acadêmico e manter seus técnicos atualizados", destacou.

O laboratório teve investimentos de R$ 4,4 milhões, sendo R$ 3,8 milhões aplicados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com apoio do Conselho Nacional Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Coppetec.

Bioimagem
Nesta quarta-feira, a UFRJ também inaugurou o Centro Nacional de Bioimagem (Cenabio), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb).

O centro tem o primeiro equipamento da América Latina para análise morfológica e funcional de órgãos e sistemas em animais vivos. O objetivo do Cenabio é aplicar ferramentas de bioimagem e biologia estrutural em linhas de pesquisa relacionadas às doenças infecciosas causadas por parasitas, bactérias e vírus, além de doenças crônicas e degenerativas, como hipertensão, câncer, Parkinson e Alzheimer.

O Inbeb reúne pesquisadores de todo o Brasil e é coordenado pelo pesquisador e professor da UFRJ e diretor científico da Faperj, Jerson Lima Silva. "Muitas promessas da medicina podem ser comprovadas a partir desses experimentos básicos", afirmou Lima ao jornal "O Globo".
(Com informações das Assessorias de Comunicação do MCT e do INB e dos jornais "O Estado de SP" e "O Globo")

BBC: Lula ajudou o Chile a vencer disputa com a Espanha por supertelescópio.

Matéria da BBC, copiada do Jornal da Ciência.

JC e-mail 4003, de 05 de Maio de 2010.

Presidente teria influenciado União Europeia para que maior telescópio do mundo fosse instalado na América do Sul e não nas espanholas Ilhas Canárias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria investido seu cacife político de "forma definitiva" para influenciar as negociações que acabaram decidindo pela instalação de um supertelescópio no Chile, de acordo com o jornal chileno El Mercurio.

Supertelescópio
O Telescópio Extremamente Grande (E-ELT, na sigla em inglês) é um projeto da Organização Europeia para a Investigação Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês) - que reúne 14 países - e era disputado com a Espanha, que queria levá-lo para a Ilha de Palma, uma das Ilhas Canárias.

Sociedade brasileira
O jornal afirma que a dobradinha entre os vizinhos sul-americanos começou em meados de fevereiro, quando a ESO teria convidado o ministro da Ciência e Tecnologia brasileiro a conhecer, durante uma semana, os observatórios que a organização europeia já mantém no Chile.

Ao ficar sabendo da visita, a Chancelaria chilena teria, ainda segundo o Mercurio, se integrado à comitiva para conhecer o objetivo da viagem do brasileiro.

"Foi como ficaram sabendo que a ESO estava interessada em oferecer ao Brasil ser sócio da organização", afirma a reportagem assinada por Sergio Acevedo Valencia.

Prioridade
Mais que a qualidade do céu, que favorece a astronomia, pesaria a favor da Espanha o fato de o país estar disposto a investir 300 milhões de euros (cerca de R$ 680 milhões) no projeto.

Por isso, em março, o presidente chileno, Sebastián Piñera, teria iniciado conversas com Lula sobre formas de compensar os 300 milhões de euros que faltavam ao projeto.

O Mercurio afirma que a importância do assunto era tamanha que Piñera planejava discuti-lo com Lula no dia de sua posse, mas a ausência do presidente brasileiro impediu que a ideia fosse adiante.

Barganha
O periódico chileno afirma que Piñera teria então decidido ir, ele próprio, a Brasília para tocar o projeto. Em 9 de abril, ele se reuniu com Lula por mais de uma hora. Um dos assuntos tratados teria sido o telescópio.

"Lula se comprometeu informalmente a enviar um comunicado relevante à junta diretiva da ESO na Alemanha. E o fez: uma semana depois da visita de Piñera e uma antes da eleição do monte Armazones (no Chile) como local do telescópio."

Na nota, segundo o jornal chileno, Lula manifestava o interesse brasileiro em integrar a ESO sob uma condição: que o E-ELT fosse instalado em um país sul-americano, sem citar o Chile, embora não houvesse outro país do continente na disputa.

"Na Chancelaria chilena, considera-se que a determinação do Brasil foi definitiva. O governo acreditava que a decisão seria em junho, mas ao que parece, as palavras do Brasil tiveram o seu peso", conclui o Mercurio.

Benefícios e riscos naturais
 O Chile temia perder a disputa pela sede do supertelescópio para a Espanha depois do violento terremoto que sacudiu o país em 27 de fevereiro. A ESO temia investir milhões em instalações que pudessem vir a ser destruídas por futuros tremores, segundo o jornal chileno.

No entanto, o governo chileno teria pedido à ESO que divulgasse a informação de que o observatório de Paranal, próximo ao local escolhido para o novo telescópio, não sofreu qualquer dano por causa do sismo de fevereiro, nem tampouco do registrado em 4 de março.
(BBC Brasil, 5/5)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Inovação Tecnológica: empresa brasileira pesquisa combustível de foguetes a base de etanol.


Alex Sander Alcântara - Agência Fapesp - 07/04/2010

Empresa brasileira desenvolve motores para foguetes à base de etanol, considerado um combustível mais seguro do que a hidrazina, usada atualmente.

Atraso espacial

O Brasil acumula um atraso de meio século na propulsão de foguetes espaciais em relação aos norte-americanos e russos. Para tentar dar um impulso no setor, há cerca de 15 anos o país iniciou um programa de pesquisa em propulsão líquida e que tem como base o etanol nacional.

O desafio do programa, liderado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), é movimentar futuros foguetes com um combustível líquido que seja mais seguro do que o propelente à base de hidrazina empregado atualmente. Esse último, cuja utilização é dominada pelo país, é corrosivo e tóxico.

Combustível verde

O desafio da busca por um combustível "verde" e nacional também conta com o apoio de um grupo particular de pesquisadores, formado em parte por engenheiros que cursam ou cursaram o mestrado profissional em engenharia aeroespacial do IAE - realizado em parceria com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica e com o Instituto de Aviação de Moscou.

Liderado pelo engenheiro José Miraglia, professor da Faculdade de Tecnologia da Informação (FIAP), o grupo se uniu para desenvolver propulsores de foguetes que utilizem propelentes líquidos e testar tais combustíveis.

"Os propelentes líquidos usados atualmente no Brasil estão restritos à aplicação no controle de altitude de satélites e à injeção orbital. Eles têm como base a hidrazina e o tetróxido de nitrogênio, ambos importados, caros e tóxicos", disse Miraglia.

A Agência Espacial Europeia (ESA) também anunciou, há poucos dias, um projeto para desenvolver um combustível verde para satélites e foguetes, que já está em testes.

Foguete a etanol

Na primeira fase do projeto, o grupo, em parceria com a empresa Guatifer, testou motores e foguetes de propulsão líquida com impulso de 10 newtons (N), com o objetivo de avaliar propelentes líquidos pré-misturados à base de peróxido de hidrogênio combinado com etanol ou querosene.

"Os testes mostraram que o projeto é viável tecnicamente. Os propulsores movidos com uma mistura de peróxido de hidrogênio e etanol, ambos produzidos em larga escala no Brasil e a baixo custo, apresentaram o melhor rendimento", disse.

Segundo Miraglia, a mistura apresenta algumas vantagens em relação à hidrazina ou ao tetróxido de nitrogênio, usados atualmente. "Ela é muito versátil, podendo ser utilizada como monopropelente e como oxidante em sistemas bipropelentes e pré-misturados. O peróxido de hidrogênio misturado com etanol apresenta densidade maior do que a maioria dos propelentes líquidos, necessitando de menor volume de reservatório e, consequentemente, de menor massa de satélite ou do veículo lançador, além de ser compatível com materiais como alumínio e aço inox", explicou.

Foguete de sondagem

Na segunda fase do projeto, o grupo pretende construir dois motores para foguetes de maior porte, com 100 N e 1000 N. "Nossa intenção é construir um foguete suborbital de sondagem que atinja os 100 quilômetros de altitude e sirva para demonstrar a tecnologia", disse.

A empresa também está em negociações para uma eventual parceria com o IAE no projeto Sara (Satélite de Reentrada Atmosférica), cujo objetivo é enviar ao espaço um satélite para o desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas e especialidades, como biologia, biotecnologia, medicina, materiais, combustão e fármacos.

"Nosso motor seria utilizado na operação de reentrada para desacelerar a cápsula quando ela ingressar na atmosfera. Atualmente, não existe no Brasil foguete de sondagem a propelente líquido. Todos utilizam propelentes sólidos", disse.

Kits educativos de foguetes

O grupo também pretende produzir motores para foguetes de sondagem que tenham baixo custo. "Eles seriam importantes para as universidades, com aplicações em estudos em microgravidade e pesquisas atmosféricas, por exemplo", disse Miraglia.

Em trabalhos de biotecnologia em microgravidade, por exemplo, pesquisas com enzimas são fundamentais para elucidar processos ligados a reações, fenômenos de transporte de massa e calor e estabilidade das enzimas. Tais processos são muito utilizados nas indústrias de alimentos, farmacêutica e química fina, entre outras.

"Queremos atingir alguns nichos, ou seja, desenvolver um foguete movido a propelente líquido que se possa ajustar à altitude e ser reutilizável. Esse é outro ponto importante, porque normalmente um foguete, depois de lançado, é descartado", disse.

O grupo já construiu um motor de 250 N, que será utilizado em testes. Como forma de difundir e reunir recursos para o projeto, a empresa comercializa kits de minifoguetes e material técnico. "São direcionados principalmente para estudantes", disse Miraglia.

No site http://www.foguete.org/, a empresa oferece também apostilas técnicas e livros digitais sobre foguetes com informações sobre astronáutica, exploração espacial e aerodinâmica.

Brasil Econômico: Brasil entra na rota global de inovação do grupo Bayer.

Matéria do Brasil Econômico.

Domingos Zaparolli   (dzaparolli@brasileconomico.com.br)
07/04/10 10:30

Alemã traz ao país a divisão Technology Services e amplia investimento em pesquisa.

Uma nova divisão da alemã Bayer começa a operar no Brasil este ano, a Technology Services, especializada em soluções de engenharia e execução de obras para as indústrias químicas, farmacêuticas, petrolíferas e de construção civil.

No ano passado, o negócio gerou uma receita global de € 380 milhões. Entre as metas da nova unidade que começa a operar em junho na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, está detectar oportunidades em novos negócios que surgirão com a exploração do pré-sal, com as obras de infraestrutura em andamento no país e com a adequação das arenas esportivas brasileiras para a Olimpíada e Copa do Mundo

Horstfried Läpple, presidente da filial brasileira da Bayer, diz que ainda é cedo para projetar o desempenho da nova divisão. "Teremos um ano de prospecção de mercado e planejamento. Em 2012 teremos uma visão melhor do negócio", diz.

No Brasil, a Bayer atua em três segmentos, farmacêutico, defensivos agrícolas e materiais inovadores, que abriga os negócios com polímeros de alta performance, como poliuretanos, um produto criado nos laboratórios da Bayer nos anos 30 do século passado, e o policarbonato.

No ano passado, as vendas do grupo no país cresceram 3%, alcançando R$ 3,8 bilhões. A unidade é a sétima em faturamento no ranking interno da companhia, que está presente em 180 países. Läpple avalia que, em menos de uma década, galgará o quinto posto, posicionando-se atrás apenas das operações nos Estados Unidos, Alemanha, China e Itália.

Läpple está no Brasil há quatro anos. Nas horas de folga, sua atividade predileta é fazer caminhadas no campo. Já fez passeios no Pantanal, na Amazônia e nas imediações de São Paulo.

Mas agora, além de observar a natureza, ele aproveita o tempo para refletir. É que recentemente ele recebeu da matriz a incumbência de coordenar um planejamento, que será concluído em 2011, que direcionará os investimentos da companhia no país. É sobre os vetores deste trabalho que Läpple fala ao Brasil Econômico.

Quais são os fatores que fazem o Brasil ganhar maior importância no planejamento global da Bayer?

Os Brics respondem por 14% das vendas da Bayer, mas esta participação cresce a um ritmo de 30% ao ano. O interessante é notar que o Brasil não é mais o país do futuro. Tornou-se um país que, ano a ano, transforma seu potencial em desenvolvimento.
Além disso, há o pré-sal e os eventos esportivos, que gerarão novas oportunidades. Estou no país há quatro anos, passei por EUA, Japão e China.
O Brasil me surpreendeu positivamente pela forma como está avançando em seus marcos regulatórios e no controle da informalidade. Isso permitirá ao país assumir novas funções globais dentro do grupo.
Quais funções globais a filial brasileira pode assumir?
Para ser considerado um país chave na companhia é preciso ter produção e também pesquisa e desenvolvimento. Nosso parque industrial em Belford Roxo (polímeros e defensivos agrícolas) tem mais de 50 anos.
A Bayer tem três fábricas de hormônios femininos, duas na Alemanha e a de São Paulo, que exporta 45% de sua produção para mais de 30 países da América Latina e Ásia. Então, produção já temos. Falta avançar em P&D.
No ano passado, recebemos a tarefa de realizar pesquisas e monitoramentos em farmaco-vigilância, ou seja, controle dos efeitos dos medicamentos nas pessoas. Só EUA, Japão e Alemanha fazem. É uma função sensível para a companhia e teremos 70 profissionais envolvidos nisso. Neste ano, pela primeira vez, seremos responsáveis por coordenar mundialmente a pesquisa clínica de um novo medicamento, o Riociguat, para hipertensão pulmonar. O momento é de mostrar trabalho. Se tivermos boa performance, novos investimentos virão.
Entre os investimentos programados para 2010 estão novos laboratórios. Qual é a importância do Brasil no esforço global de inovação do grupo?
Hoje os laboratórios brasileiros têm a função de adaptar os produtos desenvolvidos pelo grupo para as condições climáticas do país e, em muitos casos, para toda a América Latina.
É uma função importante, que determina nossa importância regional. Mas acreditamos que no futuro iremos além disso, vamos fazer inovação radical aqui, desenvolver novas moléculas por exemplo.
Quais são as inovações que estão sendo trabalhadas nos laboratórios mundiais da Bayer que devem impactar os negócios no Brasil?
Estamos vivendo um momento de mudanças climáticas. O mundo poderá ficar mais quente e teremos menos água. Precisaremos de plantas mais resistentes, que consigam crescer nestas condições. Outra questão importante: a população mundial cresce em 80 milhões de novos habitantes por ano. Mas a área agrícola não tem como acompanhar.
Precisamos buscar mais eficiência e produtividade no campo. Estes são os mais importantes desenvolvimentos nos quais trabalhamos. É importante registrar que, mesmo com a crise, aumentamos nossos investimentos globais em P&D de € 2,7 bilhões em 2008 para € 2,9 bilhões neste ano.

O Brasil está investindo em infraestrutura, além disso há os eventos esportivos no horizonte e o pré-sal. Como isso impacta os negócios da Bayer?
A Bayer tem inúmeras soluções inovadoras a oferecer. Temos soluções anticorrosivas adequadas para equipamentos de perfuração em águas profundas. Temos poliuretanos que permitem a fabricação de dormentes para trilhos de trem mais resistentes e menos barulhentos e que já estão em teste no Metrô de São Paulo. Temos isolantes térmicos que permitem construções ecologicamente sustentáveis.
Na área esportiva, temos a experiência de fornecimentos para a Copa da Alemanha e a Olimpíada de Pequim. Uma solução que será oferecida no país são as chapas de policarbonato como a que cobre o estádio do Bayer Leverkusen, meu time, que disputa a Bundesliga, a primeira divisão alemã.

Brasil Econômico: empresa brasileira de software ganha o mundo na carona da Ambev.

Matéria do Brasil Econômico.

Pode ser polêmica a estratégia do Governo Lula de apoiar a criação de grandes empresas nacionais e de multinacionais brasileiras. Alguns, como o Kanitz, a consideram fundamental para o crescimento do país.

Independente disso, as escolhas sempre podem ser criticadas. Taí o caso BROI, apenas para exemplificar.

O caso da Ambev, que envolve controle estrangeiro, pode ser mesmo em exemplo do caminho contrário. Mas essa notícia exemplifica uma das vantagens da estratégia do governo: a internacionalização a reboque dos fornecedores das novas grandes empresas.

Fabiana Parajara   (fparajara@brasileconomico.com.br)
07/04/10 10:44

Desenvolvedora de software para departamentos jurídicos exporta para 32 países, em 17 idiomas.

Em 1994, quando foi criada, a Tedesco Tecnologia oferecia sistemas de software para gestão de escritório de advocacia. Basicamente, o programa da empresa ajuda a controlar o trâmite dos processos em andamento, facilitando a organização do trabalho.

Não demorou muito para que departamentos jurídicos de grandes corporações começassem a se interessar pelo produto.

Hoje, a carteira de clientes da Tedesco tem 300 nomes, entre eles AmBev, Camargo Corrêa, Souza Cruz, CSN, Walmart, Pernambucanas e, mais recentemente, a filial italiana da British American Tobacco (BAT Italia), dona das marcas Dunhill, Kent e Lucky Strike.

O tamanho das contas contrasta com o da própria Tedesco, que é de médio porte. A empresa não revela o faturamento, mas está investindo R$ 3,5 milhões para triplicar o escritório em São Paulo. Ela tem ainda unidades em Porto Alegre e no Rio de Janeiro.

"As grandes corporações precisam de um sistema que ligue o departamento jurídico à contabilidade e ao gerenciamento de riscos", diz Alvaro Barretto, diretor comercial da Tedesco, sobre o sucesso das vendas. Para a empresa, a vantagem é vender um pacote maior de serviços, se comparado aos primeiros clientes, os escritórios de advocacia.

Made in Brazil

Para quem compra os programas da Tedesco, o que chama a atenção é a relação custo e benefício. "A escolha pelo software foi baseada na relação preço e qualidade", diz Antonio Claudio Tarre, diretor jurídico da BAT Itália. Ele afirma que o programa está sendo facilmente implementado, porque o sistema jurídico italiano é bastante parecido com o brasileiro. Mas a experiência anterior com o software também contou.

Tarre usou o mesmo processo de gestão quando trabalhava na Souza Cruz, ainda no Brasil, e o recomendou à BAT, que avalia sua instalação em todas as unidades da companhia ao redor do mundo. Essa é uma história que a Tedesco conhece bem.

Foi graças ao contrato com a AmBev no Brasil que a empresa virou exportadora e desenvolveu versões em 17 idiomas. "A AmBev nos apresentou ao pessoal da InBev. Os 32 países em que estamos hoje são aqueles nos quais a empresa está presente", diz Barretto.

Segundo o executivo, as diferentes legislações não são impedimento para a instalação do software de gestão. "Simplificando, fazemos o controle de entrada e saída dos processos, a análise dos pontos frágeis de contratos, ou seja, a gestão dos documentos e dos riscos, independentemente do sistema legal vigente", afirma.

Com isso, a empresa conseguiu avançar 52% ao ano até 2008. "Mesmo com a crise econômica atingindo vários países, em 2009, conseguimos crescer 23%", compara.

A meta para 2010 é elevar esse índice para 60%. Para isso, não descarta uma fusão ou aquisição, no modelo de troca de ações. "É um projeto embrionário ainda. Não temos nada acertado", diz. Até agora, a Tedesco usou apenas recursos próprios para bancar sua expansão.

terça-feira, 9 de março de 2010

Agência Brasil: FIOCRUZ cria inseticida biológico nacional contra mosquito da dengue e da malária.

Matéria da Agência Brasil.


Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Rio – Depois de quase três anos de estudos, a Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), criou um inseticida biológico capaz de matar as larvas do mosquito da dengue em 24 horas. A pesquisadora Elizabeth Sanches, que coordena o projeto, informou que o comprimido é inofensivo ao meio ambiente e à saúde humana e pode ser dissolvido em até 50 litros de água.
“A pastilha é colocada dentro da caixa d’água. Duas horas depois de ingerir o inseticida, a larva fica paralisada e impossibilitada de alimentar-se e morre depois de 24 horas. Além disso o efeito do inseticida dura até 21 dias”.
Paralelamente, a equipe da pesquisadora desenvolveu dois bioinseticidas: um contra o mosquito que transmite a malária e um contra a o transmissor da elefantíase. “Já estamos com o edital pronto para buscar parcerias empresariais para a produção dessas formulações,” adiantou a pesquisadora.
Atualmente todos os bioinseticidas usados no país são importados. A Fiocruz tem seis produtos totalmente nacionais, prontos para a fabricação em larga escala. A Farmanguinhos, que detém a patente desses produtos receberá os royalties pela comercialização e irá fiscalizar o processo de produção dos inseticidas nas empresas parceiras.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Valor: política do Ministério da Saúde visa reduzir o déficit comercial da área.

Matéria do Valor, copiada daqui.

Esforços para estimular inovação.


Valor Econômico - 03/03/2010
Apesar dos avanços na ampliação do atendimento, na erradicação de doenças e em diversas outras frentes, a história da saúde no Brasil nos últimos 20 anos tem um contraponto negativo no capítulo dedicado ao complexo industrial do setor. Enquanto a demanda por produtos e serviços se multiplicou, a capacidade produtiva foi enfraquecida com o fechamento massivo de fabricantes de fármacos - vítimas, segundo o setor, de uma abertura comercial precipitada - e a escassez de inovação nas empresas instaladas no país.

O resultado foi a explosão do déficit comercial da área de saúde: de US$ 700 milhões, no fim da década de 80, para um total de US$ 7,1 bilhões no ano passado (indústria farmacêutica, de equipamentos e outros segmentos), um dos maiores da balança comercial brasileira, que terminou 2009 com superávit de US$ 24,6 bilhões.

Para desfazer essa bola de neve, o governo lançou em 2007 uma política para fortalecer o complexo econômico e industrial da saúde, que abrange cinco setores industriais (medicamentos, fármacos e biofármacos, vacinas, reagentes para diagnósticos e equipamentos médico-hospitalares) e três de serviços (hospitalares, ambulatoriais e serviços para diagnósticos).

Coordenados pelo Ministério da Saúde, os esforços têm como principais objetivos aumentar a capacidade de produção e inovação da indústria local, melhorar a qualidade dos produtos e dar mais competitividade às empresas brasileiras. A expectativa é que o país possa reduzir o déficit comercial para US$ 4,4 bilhões até 2013, conforme a meta do programa Mais Saúde, o PAC da Saúde.

"É evidente que essa redução depende de um conjunto de fatores", diz o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, citando entre eles a influência do câmbio no comércio exterior. "Mas é uma meta e vamos perseguir", salienta.
Uma das ações que surtiram mais efeito até o momento foi a articulação do ministério com organismos de fomento como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A aproximação contribuiu para ampliar a disponibilidade de recursos e dar mais foco às operações de apoio, que passaram a considerar uma lista de itens prioritários publicada pelo ministério na portaria 978, de 2008.

No caso do BNDES, o ministério participou diretamente do redesenho do Profarma, criado em 2004 e renovado em 2007 com maior escopo e melhores condições. Antes voltado para a cadeia farmacêutica, o programa passou a abranger todo o complexo da saúde. Em projetos de inovação que atendam às prioridades do ministério, o banco pode participar integralmente do risco. Do orçamento de R$ 3 bilhões disponibilizado até 2012, R$ 1,2 bilhão já havia sido contratado em janeiro, num total de 69 operações com investimentos previstos de R$ 2,5 bilhões.

Outra estratégia do governo para promover a inovação e a produção local de itens hoje importados são as parcerias público-privadas (PPPs). Em 2009, foram firmados nove acordos envolvendo sete laboratórios públicos e oito empresas privadas, a maioria brasileira. As parcerias propiciarão economia de cerca de R$ 120 milhões por ano na compra de medicamentos.
Depois de estabelecer acordos promissores - como o que resultará na produção da vacina pneumocócica, em parceria com a inglesa GlaxoSmithKline -, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) promete novidades para este ano. Segundo o vice-presidente de produção e inovação, Carlos Gadelha, a Fiocruz mantém conversas com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) para desenvolver iniciativas que estimulem a fabricação de leitores de diagnósticos para doenças transmissíveis, como aids e dengue. Outra aposta é na aproximação com institutos nacionais como INCA (câncer) e INTO (traumatologia e ortopedia) para ações que gerem inovação na indústria e em serviços. (D.H.)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

IT: Lula inaugura a primeira fábrica de chips da América Latina, uma estatal criada por ele em 2008.

Matéria do Inovação Tecnológica.

Inaugurada primeira fábrica brasileira de circuitos integrados.
Redação do Site Inovação Tecnológica - 04/02/2010

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inaugura nesta sexta-feira (5), a fábrica da Ceitec S.A., a primeira fábrica de chips da América Latina.

Instalada em Porto alegre (RS), a Ceitec é uma estatal, com fins lucrativos, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, criada por decreto presidencial em novembro de 2008. O investimento na construção foi superior a R$ 400 milhões.

Indústria eletrônica no Brasil

O investimento feito pelo governo, superior a R$ 400 milhões, tem o objetivo de desenvolver a indústria de semicondutores no Brasil, atraindo novos fabricantes e gerando as condições para a consolidação da indústria microeletrônica avançada no País.

Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos países desenvolvidos, o setor eletrônico responde por 12% do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, a indústria eletrônica é responsável por apenas 1,7% do PIB.

Sala limpa

A fábrica tem uma sala limpa classe 100, considerada 10 mil vezes mais limpa do que uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Tamanho grau de assepsia é necessário para que os circuitos integrados (CIs) sejam gravados nas pastilhas (wafers) de silício. Para garantir esse nível de limpeza, a Ceitec utiliza água e ar ultra puros, produzidos na empresa.

Os chips da Ceitec são produzidos a partir de wafers de seis polegadas de diâmetro. O processo produtivo da fábrica se inicia com esses wafers, que são lâminas circulares de silício - que é um material semicondutor - e termina com os chips impressos em processos fotoquímicos nessas lâminas.

Cada chip é fruto de um processo de 200 etapas, desde a difusão das pastilhas de silício em fornos até a aplicação de íons sobre o chip para alteração de suas características de condutibilidade.

Cada circuito integrado gravado na pastilha tem uma espessura centenas de vezes mais fina do que um fio de cabelo. Por isso, desde o design do chip até sua fabricação e teste, é aplicada uma tecnologia de ponta até agora inédita no Brasil.

A Ceitec foca sua atuação nos segmentos de identificação por radiofrequência (RFID), comunicação sem fio e mídias digitais. A empresa já desenvolveu e produziu chips para rastreabilidade animal e para moduladores de TV digital, além de um circuito integrado para controle e automação industrial.

Mão de obra especializada

O presidente da entidade é o alemão Eduard Weichselbaumer, escolhido pelo comitê de busca do MCT devido à sua experiência de mais de 25 anos na indústria de semicondutores na Europa, Estados Unidos e Ásia. Weichselbaumer já foi executivo e presidiu companhias que, a exemplo da Ceitec iniciavam suas atividades, as chamadas start-ups.

A Ceitec está em fase de expansão. Após entrar em operação, em agosto de 2009, em apenas 60 dias contratou quase 100 profissionais de alta especialização e classe mundial. Até maio próximo, serão mais de 250 funcionários nas áreas de engenharia e técnicos especialistas no Design Center e na fábrica.

Este ano, o Ceitec prevê contratar 120 engenheiros, incluindo mestres, doutores, profissionais com experiência na indústria de semicondutores e recém-formados. A fábrica deve empregar cerca de 40 profissionais altamente especializados, enquanto os demais deverão trabalhar no centro do pesquisa e desenvolvimento da estatal.

RFID e WiMax
O Chip do Boi, tecnicamente uma etiqueta RFID, está em fase de teste de campo, em Minas Gerais. Serão mais de 10 mil brincos aplicados em rebanhos no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e outros estados.

Também usando a tecnologia de RFID, foram criados produtos para rastreabilidade de automóveis, automação de aeroportos, rastreabilidade de medicamentos e derivados de sangue e o passaporte eletrônico.

Estão em desenvolvimento, chips para modulação (recepção) de TV Digital e para a última milha de transmissão de banda larga via WiMax.

Balança comercial de eletrônicos

A indústria eletroeletrônica representa o maior setor industrial nas economias avançadas. Este ano, mais de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial serão gerados por este setor, de acordo com a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE). No Brasil, segundo a Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a indústria eletroeletrônica representava 4,3% do PIB, em 2008.

Os dados consolidados da Abinee mostram ainda que o déficit da balança comercial de produtos do setor eletroeletrônico foi de US$ 17,5 bilhões, em 2009, superando as previsões anteriores de US$ 16,8 bilhões. Para este ano, a previsão é que o déficit atinja US$ 19,5 milhões. Grande parte deste déficit resulta da reduzida fabricação no País de semicondutores e do alto volume de importações para atender a demanda por produtos eletroeletrônicos.

As exportações brasileiras decorrente da produção de componentes discretos e do encapsulamento, montagem final e testes de componentes semicondutores, em geral de baixa complexidade, cresceram 50% entre 2000 e 2008, passando de US$ 50 milhões em 2000 para US$ 76 milhões em 2008, retornando ao patamar de US$ 57 milhões em 2009. As importações, por sua vez, cresceram 94,1% no mesmo período (média superior a 8% ao ano). Em 2000, eram de US$ 2 bilhões, chegando a US$ 4 bilhões em 2008 e US$ 3,2 bilhões em 2009.

O déficit nacional em componentes semicondutores também tem crescido, em decorrência da pequena produção e do crescente aumento no uso de circuitos integrados na indústria eletroeletrônica. A relevância dos componentes semicondutores para o setor eletroeletrônico, não só como insumo, mas também como agente indutor de inovações, motivou a inclusão do tema entre as prioridades nos planos e programas do governo Federal.