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domingo, 26 de julho de 2015

Ex-beneficiário do Bolsa Família, estudante brasileiro apresenta projeto sobre hanseníase em Bruxelas.

Do Portal Brasil.


ESIMundi


Trabalho foi um dos 20 escolhidos para a Expo-Sciences Internacional; mãe destaca importância do Bolsa Família para garantir que jovem chegasse ao ensino superior

Aos 19 anos, o jovem estudante de Comunicação Social, Raimundo Otávio Ribeiro Neto, morador de Campo Maior (PI), embarca neste sábado (18) para Bruxelas, Bélgica, para representar o Brasil na Expo-Sciences Internacional (ESIMundi).

Raimundo e Nazaré Andrade, colega do estudante, desenvolveram o projeto Diagnóstico e acompanhamento dos casos de hanseníase nas unidades básicas de saúde na zona urbana de Campo Maior, que ganhou o direito de representar o Brasil em um dos maiores eventos científicos do mundo após ter ganhado o título de melhor projeto da II Feira de Ciência e Engenharia do Estado do Amapá.


“É uma satisfação representar meu estado e meu País. Meu objetivo é levar o projeto para a universidade”, destaca. A viagem está sendo custeada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).

O estudante desenvolveu o projeto durante o ensino médio no curso profissionalizante de Técnico em Enfermagem no Centro de Ensino Profissionalizante de Tempo Integral, quando descobriu que seu município apresentava dados preocupantes de hanseníase. “Temos 45 mil habitantes e 80 casos da doença”, conta Raimundo.

Os jovens então resolveram trabalhar no projeto e realizar o sonho de conscientizar as pessoas, por meio da divulgação em veículos de comunicação, sobre a importância do tratamento da doença. “Multiplicamos a informação para minimizar o preconceito e mostrar que o tratamento é simples, leva de seis meses a um ano.”


Maria Amparo, mãe de Raimundo, conta que a educação sempre foi vista pela sua família como algo essencial para que eles pudessem ter uma vida melhor.  Até o mês passado, a família era beneficiária do Bolsa Família. Maria Amparo utilizava a complementação de renda para alimentação e na compra de remédios. Raimundo reforça a importância do programa. “Na escola, alguns alunos tinham melhores condições. Com o Bolsa Família, conseguimos comprar uniforme, sapatos, material escolar.”

A irmã, Jamile Loides Otávio Ribeiro, 23 anos, também ingressou na faculdade. Ela está cursando licenciatura em Biologia na Universidade Estadual do Piauí, em Campo Maior. No ensino médio, fez curso técnico de Higiene Bucal. Ainda concluiu um curso profissionalizante de Maquiadora, pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Maria Amparo conta que devolveu o cartão do Bolsa Família porque a filha conseguiu um emprego com carteira assinada. “Jamile foi umas das 10 selecionadas, entre 80 candidatos, por uma rede de farmácias para trabalhar como operador de caixa. Teve prova de português e matemática, entrevista e teste psicológico.”

terça-feira, 7 de julho de 2015

Cisternas nas escolas melhoram vida de alunos e de comunidades no Semiárido

Da EBC.

Fonte



A placa de alumínio com a identificação da obra era o último elemento que faltava na cisterna da Escola Furtado Leite, na comunidade Pereiros, em Nova Russas (a 304 quilômetros de Fortaleza). Na prática, o reservatório foi inaugurado pelas chuvas de março, quando as águas serviram para lavá-lo e deixá-lo pronto para garantir que aulas não sejam mais suspensas pela falta desse recurso.

Dos arquivos do blog:

“Tinha a água da rua, que caía um dia, dois não. A gente aparava e ia usando, mas não dava para todos os dias da semana. Às vezes, eu ia pegar no cacimbão [poço profundo] com o carrinho de mão. Já houve vezes em que a aula foi suspensa porque não tinha água”, conta a auxiliar de serviços gerais Mirlânia Magalhães Camelo, que trabalha há seis anos no local.

A agricultora Maria Iranir de Souza, assim como muitos pais, costumava mandar uma garrafa d'água pela neta Maria Heloísa, de 6 anos. “Antes era muito ruim. As crianças tinham que trazer água de casa. A cisterna ajudou muito.”

A cisterna, de 52 mil litros, é a primeira construída dentro do programa Cisternas nas Escolas, que deve inaugurar 2,5 mil unidades em escolas da zona rural no Semiárido brasileiro até o fim de 2015 e mais 2,5 mil em 2016, beneficiando 254 municípios. O programa é coordenado pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

No Sertão de Crateús, serão 83 cisternas distribuídas nos municípios de Nova Russas, Ipaporanga, Independência, Tamboril, Monsenhor Tabosa e Quiterianópolis. Nessas cidades, a construção das tecnologias sociais é feita por meio da Cáritas de Crateús, que foi selecionada pela ASA.

A monitora pedagógica da Cáritas, Valdênia Delmondes, fixa a placa de alumínio com pregos na lateral da cisterna sob os olhos atentos das crianças e dos moradores do local, que tiveram papel crucial na construção do reservatório. Antes de iniciar o projeto, a Cáritas faz encontros com a comunidade para apresentar os detalhes e definir os papéis de cada um.

“A grande importância desse projeto é envolver as pessoas e trazer renda para os moradores. Os pedreiros são agricultores que, no momento de estiagem, estão sem roça. Os serventes são pais de alunos que se dispuseram a ajudar na construção da cisterna para ter água para o filho beber”, explica Valdênia.

“O objetivo da ASA não é construir tecnologias, mas sim cidadania. Muitas pessoas que não vinham à escola passaram a vir a partir desse empoderamento que a gente possibilitou”, destaca.

Dez escolas de Nova Russas foram contempladas e as cisternas já estão prontas. Dentre as unidades selecionadas, cinco são creches, consideradas prioritárias pelo programa. A lista de escolas aptas a receber os reservatórios é feita pelo Ministério da Educação (MEC) a partir de informações dadas pelos municípios no Censo Escolar. A Cáritas de Crateús estima que cada cisterna custe R$ 7,6 mil e que a construção seja feita entre quatro e cinco dias.

De dia, no prédio da Escola Furtado Leite, funciona a Creche Sonho Feliz. Já à noite, o espaço recebe alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ao todo, 31 estudantes terão acesso à cisterna não só como um reservatório de água, mas também como um item pedagógico.

“Eles vão passar a trabalhar a qualidade da água, como preservá-la e como cuidar da cisterna. Quando a gente vai visitar essas escolas, a gente vê as crianças bem mais animadas, porque já estão trabalhando esses conteúdos, veem que a qualidade da água está melhor. Isso melhora a autoestima delas, porque não é mais necessário mendigar água, recorrer a político A ou B. A escola fica independente”, ressalta a coordenadora do Programa Cisternas nas Escolas e da Educação Contextualizada de Nova Russas, Dina Raquel.

Além dos alunos, a cisterna visa a atender a todos os 322 moradores da comunidade Pereiros. Devido às poucas chuvas deste ano, não foi possível captar água por meio das calhas do telhado da escola. Atualmente, a cisterna está abastecida com água de carros-pipa.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Gasto do Governo Federal com educação tem aumento real de 285% em 10 anos.

Matéria do Valor, copiada do site do Todos pela Educação.

Palácio Gustavo Capanema

Gasto federal com ensino sobe 285% em dez anos, focado nos níveis superior e técnico


O governo federal aumentou seus gastos reais em educação em expressivos 285% nos últimos dez anos. Em 2014, a despesa da União com Educação somou R$ 94,2 bilhões, ou 1,71% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estudo recém-concluído por Marcos Mendes, assessor legislativo do Senado Federal. Em proporção da receita líquida do Tesouro, os desembolsos para o setor alcançaram 9,3% no ano passado, 130% acima da parcela de 4% detida em 2004.

Dos arquivos do blog:

Brasil sobe 4 posições e fica em 43º entre 133 países em ranking de progresso social.Desde 2003, número de filhos por família entre mais pobre no NE caiu 26% (frente a 10% no geral).
Para o Banco Mundial, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública.
A carga tributária, os "tributos de país desenvolvido" e os serviços públicos brasileirosBrasil tem alto desempenho no desenvolvimento humano e é modelo para o mundo, diz ONUA revolução do sistema de aquisição de alimentação escolar do Brasil (sustentabilidade + apoio à agricultura familiar).OCDE: nos últimos anos, o Brasil soube aproveitar bem seu investimento em educação.Pesquisa mostra Brasil liderando índice de aproveitamento social do crescimento econômico

O aumento apontado no estudo é real, já descontada a inflação no período, e considera os gastos com o Fies (o fundo de financiamento estudantil) como despesa, embora tecnicamente não sejam. Mesmo sem esse gasto, o aumento continua muito alto: 245% entre 2004 e 2014.

Embora os dados mostrem que a Educação foi bastante privilegiada na alocação dos recursos federais, Mendes levanta um senão. "Essa expansão é positiva se os programas nos quais o dinheiro público está sendo gasto realmente trouxerem retornos para a sociedade", pondera. E o assessor legislativo vê uma "aposta" nas escolhas feitas no último ano.

Um exemplo está na explosão dos recursos relacionados ao Fies. Essa despesa já é a segunda de maior importância entre os principais gastos do governo federal, com R$ 13,8 bilhões no ano passado, valor 1.110% superior ao de 2004. Ele representou 15% de todas despesas federais em Educação no ano passado, e só "perdeu" para os gastos com pessoal e encargos.

Outros programas até cresceram mais que o Fies, como a complementação ao Fundeb (o fundo do Ensino básico) e os gastos com Educação profissional e tecnológica, mas o montante desses gastos foi proporcionalmente menor que o do Fies (ainda que o mecanismo desse fundo não envolva gasto direto do Tesouro e teoricamente os recursos devam ser ressarcidos no futuro). E o Fies é mais recente, pois embora já existisse em 2004, o crescimento acontece a partir de 2010, quando envolveu R$ 1,2 bilhão, valor quase idêntico ao de 2004.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Forbes: de alguma forma, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza tem sido ignorado.

A culpa da péssima "tradução" é toda minha, apesar do Google ter feito quase todo o trabalho.


Independência, de Djanira da Motta e Silva



World Cup Economics: Why Brazil's Bashers Have Got It Wrong
Nathaniel Parish Flannery

No Brasil, a Copa do Mundo gerou protestos de ativistas interessados ​​em chamar atenção para os persistentes problemas com pobreza e desigualdade no seu país. Em 2013, manifestantes seguravam cartazes com mensagens em inglês como "WE DON’T NEED THE WORLD CUP" e "WE NEED MONEY FOR HOSPITALS AND EDUCATION." No entanto, como os cientistas políticos Diego von Vacano e Thiago Silva explicaram em seu excelente artigo para o The Washington Post, "os protestos são paradoxais, porque o Brasil obteve melhorias sociais e econômicas muito significativas desde que o país se candidatou para o evento, em 2003."
De forma mais ampla, a Copa do Mundo de 2014 destaca a ascendência econômica da América Latina na última década. O mar de camisas amarelas que podem ser vistos em jogos da Colômbia e as seções de torcedores mexicanos vestindo verde e torcendo para apoiar a sua equipe são um testemunho do recente sucesso econômico e crescente classe média da América Latina . Segundo o historiador do futebol David Goldblatt  "Imagens da televisão podem ser enganosas, e vestir uma camisa colombiana não é garantia de cidadania, mas o Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, foi inundado de amarelo - talvez 20.000 em uma multidão de 57.000. A mídia chilena tem relatado que até 10 mil torcedores estão fazendo a viagem ao Brasil, e parecia que todos estavam presentes em Cuiabá, quando a seleção passou pela Austrália ".

Em 2011, pela primeira vez na história, a classe média da América Latina superou o número de pobres da região. O Brasil, em particular, se destaca por seu sucesso no investimento em programas sociais e na redução da pobreza.

Pelo o número de camisas brasileiras expostas na multidão nos jogos, a Copa do Mundo do Brasil também está sendo fortemente assistida pela crescente classe média do país. Ainda assim, a percepção de que os gastos com o futebol são um desperdício em um país onde quase um quinto da população vive na pobreza ganhou impulso nas mídias sociais. Fotos deste mural, mostrando uma criança faminta chorando com a visão de uma bola de futebol em seu prato, foram compartilhados dezenas de milhares de vezes no Twitter e no Facebook. Outros usuários do Twitter compartilharam fotos como esta, lembrando fãs da pobreza que eles devem lutar a poucos quarteirões de distância de alguns estádios.

Entretanto, estes desenhos falham em mencionar que o Brasil destinou menos de 2 bilhões de dólares para a construção de estádios. Por outro lado, entre 2010 (ano em que começou a construção dos estádios) e o início de 2014, o governo federal do Brasil gastou mais de 360 bilhões de dólares em programas de saúde e educação. Para colocar isto em perspectiva, o governo do Brasil gastou quase 200 dólares em programas de saúde e educação para cada dólar gasto em estádios da Copa do Mundo. Embora a saúde, a educação e o sistema de transportes do Brasil precisem de investimento melhoria contínuos, os gastos com a Copa do Mundo não eclipsaram em nada os gastos com programas sociais progressistas.

A economia do Brasil é definida pela desigualdade profundamente arraigada. É um país conhecido por favelas e bilionários. De acordo com a Forbes, o Brasil é o lar de dezenas de bilionários, incluindo Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, que, juntos, controlam o maior império de mídia da América Latina, a Globo, e têm um patrimônio líquido combinado é de  28 bilhões de dólares. A empresa registrou 1,2 bilhão de dólares de lucro em 2013.

Segundo a pesquisa da Forbes, "Enquanto a crescente riqueza do país está criando mais milionários e bilionários do que nunca, as famílias ricas estão ficando com um grande pedaço da torta. Dentre os 65 bilionários brasileiros listados pela Forbes na nossa mais recente lista de bilionários do mundo, 25 são parentes de sangue. Oito famílias têm vários membros na nossa classificação." Jorge Lemann, proprietário parcial da Anheuser-Busch InBev, tem um patrimônio líquido de US $ 22 bilhões. Ele é a 30º pessoa mais rica do mundo. As quinze famílias mais ricas do Brasil têm um patrimônio líquido combinado de 122 bilhões, uma soma que é apenas um pouco menor que a produção econômica anual combinada da Costa Rica e do Equador.

Mas, embora seja fácil apontar caros estádios da Copa do Mundo ou longa lista de bilionários do Brasil e fazer comparações com os milhões de moradores do país que ainda vivem em situação de pobreza extrema, tais comparações não conseguem reconhecer o tremendo sucesso que os políticos brasileiros têm tido na erradicação da pobreza na última década. De acordo com um relatório recente do Centro das Nações Unidas para a América Latina e Caribe (CEPAL), em 2005, 38% da população do Brasil viviam abaixo da linha da pobreza. Em 2012, essa taxa de probreza caiu para 18,6% da população.

Em outras palavras, desde 2005, o Brasil efetivamente reduziu em mais da metade o número de seus cidadãos que vivem na pobreza. Em contrapartida, o México, um país cujos políticos estão mais focados na exportação e em salários competitivos, de fato, viu um aumento da pobreza durante este mesmo período de tempo, de acordo com os dados da CEPAL. O Chile, um país há muito elogiado por suas políticas de desenvolvimento econômico, viu um declínio muito menor na pobreza durante este mesmo período. No Chile, a pobreza caiu de 13,7% em 2005 para 11%  em 2011.

A América Latina é a região mais desigual do mundo, e o Brasil, em particular, é conhecido por sua história colonial, que girava em torno da exploração de culturas de rendimento e ajudou fomentar o estabelecimento de uma economia profundamente dividida dos residentes ultra-ricos e ultra-pobres. Na controvérsia sobre a Copa do Mundo, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza de alguma forma tem sido ignorado.

Jason Marczak, especialista em América Latina do "The Atlantic Council", em Washington, me disse: "A crítica ao excesso de custos dos estádios é, na verdade, um grito de que a cidadania do novo Brasil, um Brasil mais de classe média, exige maior transparência e um novo modelo de Estado mais ágil." No momento em que a seleção brasileira de futebol entra em campo, o mundo também deve ter um momento para reconhecer o sucesso dos políticos progressistas do país.

"O Brasil tem feito progressos impressionantes em crescimento sócio-econômico na última década, com dezenas de milhões de pessoas se deslocando da pobreza para a classe média", acrescentou Marczak.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

OCDE: Brasil lidera avanço no índice de matemática do Relatório do PISA de 2012.

Segue um pequeno trecho do Relatório do Pisa 2012 sobre o Brasil
Principais achados (sobre o Brasil)

Enquanto o Brasil tem desempenho abaixo da média da OCDE, o seu desempenho médio em matemática melhorou de 356 para 391 pontos desde 2003, tornando o Brasil o país com os maiores ganhos de desempenho desde 2003. Melhorias significativas também são encontradas em leitura e ciências.

As melhorias têm sido particularmente fortes entre aqueles com baixo desempenho em matemática, leitura e ciências.

Entre 2003 e 2012, o Brasil também expandiu a matrícula nas escolas primárias e secundárias, com as taxas de matrícula para alunos de 15 anos de crescimento crescendo de 65% em 2003 para 78% em 2012.

O clima disciplinar nas escolas brasileiras está melhor em 2012 do que em 2003, e as escolas foram capazes de atrair e reter professores qualificados com mais facilidade.

A repetência é ainda muito difundida no Brasil, está associada negativamente com o desempenho em matemática e é mais prevalente entre os estudantes desfavorecidos. O Brasil precisa buscar formas mais eficazes para trabalhar com os alunos de baixo desempenho, a fim de estabelecer expectativas elevadas para todos, motivar os alunos, e reduzir as elevadas taxas de abandono escolar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Hospitais universitários economizam R$ 480 milhões em compras públicas

Matéria do site Brasília em tempo real.






O primeiro balanço da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), uma das estatais mais recentes, criada em 2011 para atuar na gestão dos 46 hospitais universitários federais (HUFs) espalhados pelo país, mostra que um novo modelo de compras de equipamentos médicos, remédios e outros produtos trouxe uma economia de R$ 477 milhões aos cofres da União. O valor é o resultado de dezenas de pregões eletrônicos feitos em dois anos de forma centralizada e em grande escala, estratégia que permitiu reduzir, numa média de 35%, os preços de mercado de mamógrafos, tomógrafos, leitos e antibióticos, por exemplo.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, explica que organizar a política de aquisição dos hospitais federais, onde médicos e enfermeiros recebem formação prática e milhões de pacientes são atendidos via Sistema Único de Saúde (SUS), é um dos objetivos iniciais da Ebserh, subordinada ao MEC.


"Em vez de cada hospital fazer sua licitação, é feito um pregão eletrônico e o ganho em escala aumenta. Se cada compra fosse feita individualmente, os desembolsos seriam de R$ 1,4 bilhão, mas fechamos nos pregões por R$ 914,7 milhões. Conseguimos, por exemplo, comprar mamógrafos com valor unitário inicial de R$ 204 mil por R$ 92,2 mil", relata o ministro.

O presidente da Ebserh, José Rubens Rebelatto, acrescenta que, antes dos pregões, a estatal e os hospitais universitários fazem um levantamento de estoque e das necessidades de cada unidade para que as compras sejam feitas em escala maior. "O preço cai também porque conseguimos eliminar atravessadores, negociando diretamente com o fabricante. É inteligência de compras", diz Rebelatto.

Segundo Mercadante, toda economia feita nessa área será revertida em investimentos no Programa de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que desembolsou R$ 1,9 bilhão desde 2010 em recursos dos Ministérios da Educação e da Saúde para reformas, novos leitos e aquisição de equipamentos e remédios.

No momento o projeto, de responsabilidade da Ebserh, executa 147 obras e prevê a abertura de cinco novos hospitais universitários federais até 2018. A estatal também responde pela modernização do sistema de informática e pela nova política de contratação e treinamento de pessoal, que tem hoje 72 mil profissionais e oferta de mais de 11,2 mil leitos do SUS.

Está em fase final o fechamento de pregão para informatizar a rede. O modelo a ser replicado nos 46 HUFs será o aplicativo eletrônico de gestão hospitalar do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nessa unidade, todos os registros, da entrada do paciente à emissão de uma receita por um médico, são feitos digitalmente em computadores ou tablets. "Quando um médico prescreve alguma medicação no consultório, o sistema acusa automaticamente no almoxarifado e logo é emitido um pedido eletrônico de reposição", explica Mercadante.

Na área de pessoal, a Ebserh tem o poder de chamar concursos públicos para contratar conforme as necessidades dos hospitais via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e não pelo tradicional sistema de contratação do funcionalismo. "Assim como a 8.666 [lei de licitação do setor público], o RJU [regime jurídico único] não é a melhor maneira para fazer funcionar um hospital. Primeiro porque não acompanha os salários do mercado, gerando grande rotatividade, depois é lento na reposição de profissionais", aponta Rebelatto.

Para fugir desse engessamento, muitos hospitais universitários criaram fundações privadas nos últimos anos para ter mais agilidade na contratação. Dos 72 mil profissionais da rede, 26 mil são empregados dessas entidades, contratados com carteira assinada ou como autônomos. Além de contratar mão de obra nova, a Ebserh pretende levar para o regime de CLT todos os profissionais de fundações. Nos próximos anos, a estatal prevê contratar 50 mil celetistas - já contando a regularização de trabalhadores das fundações.

Para participar dos editais da Ebserh, os hospitais universitários precisam assinar contratos de gestão, elaborar um diagnóstico e seguir uma série de indicadores de qualidade. Dos 46 hospitais, 34 aderiram ao modelo de contratação da Ebserh, mas a maioria ainda não formalizou a parceria. Para os sindicatos do setor, esse movimento é manobra de privatização.

"Não se trata disso, a Ebserh é uma empresa pública que não vai interferir na autonomia acadêmica dos hospitais. No âmbito de pessoal está trazendo mais agilidade administrativa, com a regularização das contratações das fundações - que usam recursos do SUS para pagar autônomos, por exemplo", diz José Roberto Ferraro, diretor-superintendente do Hospital São Paulo, o HU da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

No Maranhão, o hospital da federal do Estado, a UFMA, se beneficiou com a política de compras e de obras e está com o contrato de gestão assinado com a Ebserh. Nos próximos dias, a estatal lançará edital para a contratação de 790 profissionais, a maioria para substituir os atuais 757 trabalhadores da fundação do hospital universitário, considerados "precarizados". Além disso, o Ministério do Planejamento autorizou a abertura de 1,2 mil vagas futuras para a unidade, que passa por expansão.

"Temos 573 leitos e 1,9 mil funcionários, uma média baixa de profissional por leito [de 3,3, recomendação do Ministério da Saúde é de, no mínimo, 5]. Nossa demanda é muito grande porque somos o único hospital do Estado credenciado para fazer transplantes. Nosso fluxo é de 1,5 mil pacientes por mês, temos que ser eficientes ao extremo para minimizar as longas filas. Antes não tínhamos a quem recorrer em termos de apoio de organização, de gestão e até da parte financeira. Com as reformas, os novos equipamentos e a chegada de mais gente nos sentimos mais apoiados", conta Joyce Lages, superintendente do hospital universitário da UFMA.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

OCDE: nos últimos anos, o Brasil soube aproveitar bem seu investimento em educação.

Matéria da BBC Brasil.

Duas observações minhas:

1 – não é só o percentual do PIB aplicado em educação que é similar no Brasil e na OCDE; a relação entre o investimento por estudante e renda per capita no Brasil também já é bem similar àquelas dos EUA e da média da OCDE. Tanto lá como cá, investe-se pouco mais de 20% da renda per capita em educação. Veja:

investimento em educação e renda per capita Brasil x EUA x OCDE
Fonte: este artigo e essa tabela da OCDE: http://www.keepeek.com/Digital-Asset-Management/oecd/economics/oecd-factbook-2013/size-of-gdp_factbook-2013-10-en
O problema, que não deve ser esquecido ao comparar a qualidade, penso eu, é que, aplicando a mesma parcela do PIB, por aluno, o Brasil dispõe de apenas 30% dos recursos disponíveis nos países da OCDE, em média. Num país pobre, como o nosso, o cobertor é sempre muito curto.

2 – ao contrário do que a matéria afirma, o maior investimento por aluno de nível superior não significa que “a educação superior recebeu a maior parcela de gastos no Brasil “. Isso porque o número de estudantes de nível superior é bem menor que o número de estudantes de ensino fundamental, médio ou profissional: cerca de 1 universitário pra cada aluno de educação básica ou técnica.

Márcia Bizzotto
De Bruxelas, para a BBC Brasil

Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira indica que o investimento do Brasil em educação aumentou de 3,5% para 5,6% do produto interno bruto (PIB) entre os anos 2000 e 2010, alcançando assim a média de investimento dos países da organização, que é de 5,4%.

Pertencem à OCDE 34 países, a maioria deles desenvolvidos, como França, Alemanha, Estados Unidos e Grã-Bretanha, e também nações emergentes, como México e Chile.

Divulgado nesta terça-feira em Bruxelas, o relatório Education at a Glance ("Educação em Revista", em tradução livre) afirma, no entanto, que o governo brasileiro investiu em média US$ 2.964 (aproximadamente R$ 6,6 mil) por estudante em 2010, contra US$ 8.382 (cerca de R$ 18,8 mil) nos países da OCDE.

O nível de investimento público do Brasil na educação em 2010 foi igual ao da Áustria, superior ao dos EUA (5,1% do PIB) e comparável com o da França (5,8%) e o da Grã-Bretanha (5,9%), mas ficou longe dos primeiros países da lista da OCDE. A Dinamarca dedicou 7,6% de seu PIB ao setor, a Noruega, 7,5% e a Islândia, 7%.

Entre os países da América Latina analisados no estudo, o Brasil tem o segundo maior nível de investimentos no setor, atrás da Argentina, que em 2010 destinou 5,8% do PIB à educação, mas à frente de México e Chile, com 5,1% e 3,9%, respectivamente.

A educação superior recebeu a maior parcela de gastos no Brasil ─ US$ 13.137 por estudante, mais que a média dos países da OCDE, de US$ 11.383, e mais que os US$ 12.112 dos Estados Unidos, onde 31% dos investimentos em educação são de fonte privada.

Por outro lado, os investimentos brasileiros em educação primária e secundária foram muito inferiores aos dos países ricos ─ US$ 2.653 por estudante, comparado com US$ 8.412 nos países da OCDE e US$ 11.859 nos EUA.

'Bons investimentos'
"Não há ligação direta entre o nível de investimento e a qualidade da educação. O que faz a diferença é a qualidade do investimento, não a quantidade. E o Brasil, nesses últimos anos, soube utilizar bem seus investimentos na educação", disse Eric Charbonnier, analista da OCDE, à BBC Brasil.

A organização considera que "durante a última década o Brasil provou que era capaz de melhorar sensivelmente o desempenho de seus alunos" combinando o aumento em investimentos com uma "divisão de gastos mais equilibrada que no passado".

"Os fundos federais são agora consagrados aos estados mais pobres, garantindo a seus estabelecimentos (de ensino) recursos similares aos dos estabelecimentos de estados mais ricos", diz o relatório.

O documento também destaca programas de formação para professores de todos os níveis, entre eles o "Universidade Aberta", programas de cooperação entre universidades federais e estabelecimentos municipais para intercâmbio de melhores práticas e a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2007.

Como resultado, a classificação do país no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) entre 2000 e 2009 melhorou 16 pontos no quesito compreensão escrita, 15 em ciências e 30 em matemática, apesar de que sua pontuação "continua muito inferior à média da OCDE".

Por outro lado, um ranking divulgado no ano passado pela consultoria Economist Intelligence Unit (EIU) colocou o Brail em penúltimo lugar entre 40 países no tocante à qualidade da educação.

O ranking foi compilado com base em testes de alunos realizados entre 2006 e 2010 e em outros critérios, como a quantidade de alunos que ingressam em universidades.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Brasil tem alto desempenho no desenvolvimento humano e é modelo para o mundo, diz ONU

O que diz o PNUD sobre o desempenho do Brasil no RDH.

País registra crescimento de 24% no IDH desde 1990 e cresce mais rápido que vizinhos latino-americanos. IDH do Brasil melhora em 2012; país mantém 85ª posição no ranking em relação a 2011.
É enganoso comparar valores e classificações com os de relatórios publicados anteriormente, em razão da mudança nos dados e métodos. Isso significa que os dados de IDH contidos no RDH 2011 devem ser desconsiderados para comparação.   A única referência para a comparação dos valores de 2012 com os de anos anteriores é a Tabela 2 do Anexo Estatístico do Relatório de Desenvolvimento Humano 2013.
Ressalva solenemente ignorada por muitas publicações.

O Brasil está entre os 15 países que mais conseguiram reduzir o déficit no IDH entre 1990 e 2012, uma trajetória que o coloca no grupo de “alto desempenho” em desenvolvimento humano. As conclusões são do Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado, lançado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A classificação de “alto desempenho” foi dada aos países que: tiveram desenvolvimento humano significativo pois, além de experimentar aumento do rendimento nacional, registram valores superiores à média nos indicadores de saúde e educação; reduziram o hiato necessário para alcançar o teto do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – igual a 1 –; e tiveram desempenho melhor em relação a seus pares – países que se encontravam em patamares semelhantes em 1990.


Dos arquivos do blog:

A estratégia de política estrutural de longo prazo adotada pelo Brasil, com a universalização do bem-estar social, foco na redução das desigualdades e redução da pobreza, coloca o país em posição de destaque no Relatório deste ano, ao lado de outras nações em desenvolvimento como China e Índia. “A promoção da coesão e da integração sociais, um objetivo declarado nas estratégias de desenvolvimento de países como o Brasil, tem por base o manifesto impacto positivo que uma sociedade unificada tem sobre o desenvolvimento. As sociedades mais igualitárias tendem a produzir melhores resultados na maioria dos parâmetros relativos ao desenvolvimento humano”, diz o Relatório.

Brasil, China e Índia estão remodelando a dinâmica mundial no contexto amplo do desenvolvimento humano. (...)

(...)concluem os autores do RDH 2013.

Novos modelos de desenvolvimento
Três são os fatores impulsionantes para esta ascensão de países do Sul. Primeiro, um estado desenvolvimentista, proativo e orientado para o investimento nas capacidades das pessoas, alargando os serviços sociais de base. Segundo, a integração a mercados globais, especialmente nas dinâmicas Sul-Sul. Por fim, a implementação de políticas sociais inovadoras e criativas, customizadas para as realidades nacionais.

“A aplicação de programas inovadores bem conhecidos no Brasil, Índia e México – programas de transferência condicionada de renda e de garantia de emprego rural – são exemplos de um vivo interesse na promoção de uma distribuição mais equitativa das oportunidades econômicas e sociais”, aponta o Relatório.

“A ênfase comum destas iniciativas sociais tem sido a promoção da equidade e da integração social, aspectos menos valorizados nos modelos de desenvolvimento do passado, mas que provam ser elementos essenciais de qualquer percurso sustentável rumo ao progresso humano”, diz o estudo. A promoção de emprego, o expressivo aumento dos investimentos em educação, a universalização dos serviços de saúde e o estímulo às capacidades industriais são outros exemplos de políticas inovadoras do Brasil citadas no Relatório e que colocam o país entre o que os autores chamam de novos modelos de desenvolvimento.
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

O IDH do Brasil para 2012 é de 0,730, mantendo o país no grupo dos países de Desenvolvimento Humano Alto. Sua posição em relação aos 187 países e territórios classificados é a 85ª, mesma posição que em 2011.

O IDH do Brasil continua bem à frente de outros emergentes como China (101ª), África do Sul (121ª) e e Índia (136ª).

O Relatório aponta que o país cresceu expressivamente no IDH, num ritmo mais rápido e com mais qualidade do que muitos dos vizinhos latinoamericanos, por equilibrar crescimento nas três dimensões do desenvolvimento humano.

Entre 1990 e 2012, o IDH saiu de 0,590 para 0,730, um aumento de 24%. Essa taxa de crescimento do IDH brasileiro no período é maior que a de Chile (40ª posição), Argentina (45ª) e México (61ª), por exemplo.

Passivos Históricos
Em 1990, Argentina e Chile tinham o dobro da média de anos de estudo da população adulta do Brasil. Um adulto brasileiro tinha, em média, menos de 4 anos de estudos, enquanto um adulto argentino já alcançava 8 anos. O mesmo exemplo vale para a saúde. Em 1990, o Chile já tinha a expectativa de vida que o Brasil registra hoje.

Incrementos nessas variáveis demandam políticas estruturais de longo prazo, ou seja, o Relatório aponta que o país está no caminho certo, mas que o percurso ainda é longo para que isso chegue a surtir efeito no valor do IDH.

Quanto mais alto o IDH de um país, mais difícil é o esforço complementar para subir seus valores e impactar no ranking. Além disso, todos os países listados no relatório estão em tendência crescente do IDH.

O IDH 2012 mostra que o Brasil apresenta progresso em dois componentes do índice: expectativa de vida e renda nacional bruta per capita. Em função da abordagem metodológica do RDH de usar dados de fontes internacionais, o Brasil aparece  com dados de 2005 para anos esperados de escolaridade e dados de 2010 para média de anos de estudo. 

Indicadores complementares
A partir da compreensão de que o IDH não capta todas as dimensões que constituem o desenvolvimento humano, a equipe do Relatório vem trabalhando na criação de novos índices. De modo experimental, alguns deles vêm sendo apresentados no RDH desde 2010: o IPM (índice de Pobreza Multimensional), o IDAH (IDH Ajustado à Desigualdade) e o IDG (Índice de Desigualdade de Gênero).

O primeiro busca captar as privações humanas nas dimensões não-renda, bem como a intensidade da pobreza dentro dos países e ao redor do mundo. O segundo busca descontar do IDH o valor que corresponde às perdas que o país sofreria em razão das suas desigualdades sócio-econômicas. E o terceiro fala sobre a desigualdade de gênero.

O Relatório aponta para uma perda de 27,2% do IDH quando ajustado à desigualdade em 2012. Para o IPM, os dados mais recentes para o Brasil são referentes a 2006. Naquela época, no Brasil, 2,7% da população vivia em situação de pobreza multidimensional enquanto 7% eram vulneráveis a múltiplas privações. O Brasil tem um valor de 0,447 no IDG.

sexta-feira, 1 de março de 2013

A revolução do sistema de aquisição de alimentação escolar do Brasil (sustentabilidade + apoio à agricultura familiar).

Texto de Kei Otsuki, pesquisadora associada na Universidade Instituto para a Sustentabilidade e Paz das Nações Unidas, publicado no site da Aljazeera.

Alterações na aquisição pública de alimentos melhoraram a qualidade da merenda escolar no Brasil , escreve o autora.

Kei Otsuki



As discussões sobre a economia verde estão mudando a ênfase do desenvolvimento da quantidade para a qualidade: o foco limitado do crescimento econômico está se abrindo para incluir as preocupações com a sustentabilidade ambiental e equidade social. A aquisição de alimentos pelo setor público é uma área onde as preocupações com o preço tipicamente triunfou sobre o valor nutricional. Mas, em países como o Brasil, a crescente evidência de problemas de saúde, juntamente com uma dieta pobre e hábitos alimentares está levando as pessoas a repensar como fornecer alimentos em instituições públicas, como escolas.

No Brasil, esse repensar trouxe a nutrição e a sustentabilidade para o foco, levando a iniciativas que visam promover o abastecimento local com produtos agrícolas frescos para a merenda escolar. Estes programas são projetados para aumentar a capacidade de produção e distribuição de cooperativas locais de agricultores, envolver ativamente os cidadãos-consumidores em negociações com as autoridades locais e, finalmente, criar um quadro institucional que promova o engajamento deliberativo e garanta a qualidade dos alimentos utilizados. A produção local, aliada ao consumo local, também reduz a pegada ecológica associada a aquisição de alimentos, o que contribui para o verde, no desenvolvimento econômico e social em curso.


Dos arquivos do blog:

As inovações brasileiras não são únicas. Países desenvolvidos, como Japão e Itália, têm programas nacionais de alimentação escolar voltados para a agricultura local. No Japão, o plano nacional de educação alimentar, implementado em 2004, promove Chisan-chisho (produção local e  consumo local), com 30% do alimento utilizado para refeições de escolas públicas produzidos localmente. A política da Itália vai além, definindo a merenda escolar "como parte integrante tanto do direito das pessoas à educação e quanto do direito dos consumidores à saúde". No entanto, entre os países em desenvolvimento, as reformas do Brasil abriram o caminho, criando um ambiente favorável para que os pequenos agricultores tenham acesso aos mercados e participem das compras, enquanto organizaram os canais de distribuição de seus produtos.

Mais especificamente, o Brasil já atingiu quatro metas internacionalmente estabelecidas para ​​sistemas mais sustentáveis de aquisição pública de alimentos: (1) criar um mercado para os pequenos agricultores; (2) mudar as estruturas de mercado, de modo que uma proporção maior do de mercado vai para os agricultores locais; (3) promover um papel mais forte para os agricultores locais na cadeia de abastecimento através da redução da relevância de intermediários no processo de compra, e (4) assegurar que os pequenos agricultores produzam uma quantidade suficiente de produtos de boa qualidade para que possam responder à demanda do mercado.

Estas intervenções baseiam-se num sistema de padronização e distribuição e na cooperação entre uma vasta gama de participantes na cadeia de alimentos, a fim de garantir a transparência e a prestação de contas. Esse mecanismo de participação é o que caracteriza a aquisição de alimentos orientada pela qualidade no Brasil.

Da centralização à descentralização
As origens da aquisição local de alimentos no Brasil pode ser rastreada até os debates iniciais sobre a segurança alimentar durante os anos 1930. Durante este tempo, nutricionistas sociais foram treinados para combater a desnutrição em crianças em áreas rurais do Nordeste, a região mais pobre do país, conhecida por sua vulnerabilidade a secas. Estes nutricionistas procuraram ajuda do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Programa Alimentar Mundial (PAM), ao mesmo tempo pressionaram o governo federal a estabelecer programas nacionais de nutrição.

Em 1955, uma campanha nacional de alimentação escolar ofereceu leite em pó e suplementos em algumas escolas do Nordeste, Norte, Sudeste. No entanto, os programas governamentais não alcançaram as regiões do interior do Norte e alguns nutricionistas ligados a igrejas começaram a divulgar a "alimentação alternativa" chamada multimistura, uma mistura de grãos moídos contendo farinha de arroz e trigo, diferentes tipos de sementes e nozes, e folhas secas comestíveis, colhidas em florestas próximas.

Em 1976, sob o regime militar, todo o sistema de programas nacionais de alimentação escolar foi centralizado. No âmbito deste programa, a comida, juntamente com outros materiais escolares, era armazenada em armazéns centrais, tanto a nível federal quanto estadual, e, em seguida, enviada para as escolas. Devido aos precários sistemas de distribuição nas áreas do interior, muitas escolas não recebiam comida regularmente e, portanto, a freqüência escolar era pequena, especialmente no Norte.

Na década de 1990, para neutralizar este problema, o governo procurou descentralizar a operação de alimentação escolar, principalmente no Sudeste, relativamente desenvolvido. Este esforço de descentralização, no entanto, diminuiu em outras partes do país, e em particular no Norte e Centro Oeste, devido a fraca coordenação institucional entre as diferentes agências governamentais responsáveis ​​pela operação de aquisição de alimentos. Após a democratização, em 1988, a descentralização foi revivida a fim de distribuir materiais escolares e alimentos, bem como melhorar o transporte, mas apenas em 1998  a aquisição de alimentos foi totalmente atribuída aos municípios, após uma onda de opinião pública negativa sobre a qualidade da alimentação escolar .

Inicialmente, a descentralização não significou necessariamente melhor qualidade ou comida local, devido à falta de financiamento e conhecimento. Em 2003, o novo governo liderado pelo Partido dos Trabalhadores, de Luiz Inácio Lula da Silva (Lula), ampliou o programa de ajuda financeira chamado Bolsa Família para melhorar as taxas de matrícula escolar por meio da transferência de dinheiro para famílias pobres. O Partido dos Trabalhadores ligou este programa a um novo projeto chamado Projeto Fome Zero (Fome Zero).

O governo Lula alocou 14% do produto interno bruto (PIB) para o Ministério do Desenvolvimento Social, que administra o projeto. Por meio dessa conexão, o orçamento para a aquisição de alimentação escolar foi elevada para R$ 1,5 bilhões em 2006, a maior soma já utilizada para a alimentação escolar no Brasil.

Ao mesmo tempo, o governo Lula promoveu um programa de compra direta, para permitir que os pequenos agricultores de base familiar acessem os mercados sem lidar com intermediários exploradores. Em 2009, uma lei foi implementada para incluir o programa de compra direta na aquisição escolar nacional, e ela obrigou os governos municipais a utilizar pelo menos 30% do orçamento alocado na compra de comida para adquirir produtos de agricultores de base familiar locais.

Acompanhando a lei, houve uma campanha para promover a "soberania alimentar", incluindo o conceito de "cultura alimentar" e de fornecimento de comida local como parte do desenvolvimento da agricultura familiar. A cultura alimentar foi incorporada ao desenvolvimento de cardápio, tendo o governo estabelecido uma meta de 15 a 30% do consumo de nutrientes fornecidos por meio de legumes frescos, frutas e carne de aquisição local.

Estes produtos são solicitados aos agricultores locais, enquanto aquisições mais centralizadas e em grande escala são mantidas para alimentos não perecíveis básicos, como arroz, feijão, farinha, sal, açúcar e óleo. Alguns municípios e escolas também criaram hortas comunitárias ou escolares, a fim de produzir vegetais básicos por conta própria. Neste processo, alunos, professores e pais foram envolvidos no cultivo de alimentos, como parte do programa educacional para informá-los sobre a cultura alimentar.

Cerca de metade dos mais de 5.500 municípios no Brasil criaram Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs), compostos por autoridades locais, pais e associações de professores. Esses conselhos têm tomado a frente da aquisição local de alimentos escolares; como resultado, as refeições escolares contêm produtos frescos, como legumes, frutas e carnes, e menus que refletem os desejos e as necessidades alimentares das crianças e seus pais. Junto como os já antigos arranjos informais de provisão das multimisturas pelas igrejas e as refeições escolares informais das organizações de trabalhadores rurais em áreas remotas, este tornou-se um mecanismo institucional de participação pública na garantia da qualidade da alimentação escolar no Brasil.

O exemplo de Campinas
São Paulo é um dos estados que tem promovido vigorosamente o programa de alimentação escolar descentralizada e, no dentro do estado, Campinas foi o município mais ativo na melhoria da qualidade de alimentação escolar em sua rede escolar. Na década de 1990, o governo municipal contratou três empresas privadas agro-industriais para administrar a alimentação escolar. Insatisfeito com o seu serviço, em 2002, o governo municipal se voltou para um atacadista estatal, Central de Abastecimento e Serviços Auxiliares (CEASA), para o abastecimento de alimentos para escolas.

A filial de Campinas da CEASA supervisiona mais de 1.000 atacadistas e produtores cadastrados. Para os produtores locais de Campinas e do interior do estado de São Paulo, o CEASA é o principal centro de comercialização, armazenamento e  distribuição. Em 2003, a CEASA criou um banco local de alimentos, que compra diretamente dos pequenos agricultores no estado de São Paulo e doa para a população mais pobre do município. O mesmo programa também iniciou um projeto chamado Prato Cheio, que oferece 6.000 cestas de alimentos básicos (cesta básica) e mais de 10.000 sacos de frutas e legumes, doados pelos atacadistas para os beneficiários do Bolsa Família.

No âmbito deste programa, a CEASA criou o Departamento de Alimentação Escolar, que organiza o desenvolvimento menu e a aquisição e armazenamento dos alimentos, e também envia nutricionistas e cozinheiros às escolas, quando solicitado. Em 2006, ele também criou o Centro Administrativo de Alimentação Escolar. com a ajuda financeira de um atacadista, o De Marchi. Em 2007, o Departamento de Alimentação Escolar contratou 10 nutricionistas e 30 outros administradores, que constantemente criam novos menus com base no que esta disponível para adquirir durante o ano.

O programa de alimentação orientado pela CEASA aumentou significativamente o uso de frutas e legumes frescos na merenda escolar; eles agora aparecem quatro dias por semana e em um lanche no quinto dia de escola. Antes deste acordo, o menu era "industrial", incluindo itens como arroz doce, mingau de aveia, macarrão e suco de soja. Muitas crianças não aprovavam a qualidade da comida e alguns levavam sua própria comida para a escola ou iam para casa para comer. Depois que o novo arranjo foi introduzido pela CEASA, os nutricionistas realizaram uma pesquisa, que mostrou que quase 80% dos estudantes aprovaram o novo menu, que consiste de carne e salada ou frango cozido e suco fresco.

A carne fresca, as frutas e os legumes são enviados diretamente pelos atacadistas que fecham contratos com o governo municipal para o ano. Duas vezes por ano, os cozinheiros são treinados na CEASA sobre o aspecto nutricional dos cardápior, as questões sanitárias, e as experiências culinárias. Estes cardápios são testados em cada escola e precisam ser aprovado pelos Comitês de alimentação escolar em cinco distritos diferentes dentro do território do município de Campinas.

De acordo com um nutricionista da CEASA, o custo da alimentação escolar depende de cada cardápio, mas, em média, a comida custa R$ 0,50 R$ 0,25 por criança por dia. Em 2007, o governo federal forneceu R$ 0,18 por aluno por dia, o governo do Estado de São Paulo R$ 0,22 , e o governo municipal, aproximadamente R $ 0,34 por aluno, a fim de melhorar o menu e para cobrir outros custos (por exemplo, fornecendo o equipamento de cozinha necessário e envio de cerca de 600 cozinheiros para as escolas).

Em 2008, a CEASA desenvolveu 15 cardápio diferentes em Campinas, que cobriram 164.000 alunos em 512 creches, escolas primárias e centros públicos de aprendizagem de adultos. Naquele ano, no total, o programa de alimentação escolar municipal em Campinas teve um orçamento de R$ 37,5 milhões.

O envolvimento ativo do atacadista municipal e o arranjo orçamentário multi-nível para a melhoria da merenda escolar também tem contribuído para as intervenções de aquisição recomendadas. Os pequenos agricultores podem agora acessar um mercado recém-criado de refeições escolares, no qual o governo compra diretamente no atacado seus de produtos frescos para o desenvolvimento do cardápio. Os agricultores, assim, ganham um papel mais forte na cadeia de abastecimento, sem depender de intermediários. Ao mesmo tempo, o mercado atacadista reúne um grande número de pequenos agricultores e a quantidade suficiente de produtos de boa qualidade é garantida.

No entanto, o sucesso em Campinas não tem sido alcançado em municípios do Norte e Nordeste, onde a infraestrutura deficiente e a falta de orçamento municipal continuam a dificultar a entrega de alimentos de qualidade. Em 2010, metade das crianças no estado do Pará, no Norte, por exemplo, não frequentavam a escola porque elas não forneciam alimento de forma regular. Como a capacidade de cada governo municipal não é tão grande quanto a capacidade de Campinas, a promoção municipal orientada para a iniciativa de promoção de alimentos localmente adquiridos, orientada pela municipalidade, é muitas vezes limitado.

Em vez disso, os programas de alimentação escolar nos estados do Norte tendem a ser orientados e conduzidos pelas Secretarias Estaduais de Educação. No Pará, o Estado agora está promovendo a regionalização da alimentação escolar através da contratação de cooperativas que fornecem frutos nutririvos de palmeiras, como o açaí, a acerola e o cupuaçu, que são originárias da região amazônica.

A fim de obter esses produtos regionais, a logística e a infra-estrutura básica precisam ser melhorados no que diz respeito às cooperativas de pequenos agricultores, que por vezes nem sabem como participar dos programas de compras diretas realizadas pelo governo ou como fazer corretamente o acondicionamento dos seus produtos para armazenamento e transporte.

Enfrentar os diferentes níveis de desenvolvimento dentro do país continua a ser uma tarefa difícil para o Brasil. Enquanto isso, as igrejas e as organizações de trabalhadores rurais continuam a fornecer alimentos alternativos como parte do movimento catequista e de educação agrícola. Parents also often start taking the initiative of private rural schooling, where they take it in turn to cook.

Remodelar governança
Apesar desses desafios, o Brasil manteve-se comprometido com sistemas de compras de alimentos totalmente localizados. No processo, o país viu-se no meio de uma mudança fundamental em seu sistema de governaça. Quando aquisição de alimentos escolares era centralizado, o governo central tinha que ser normativo, para orientar como governança local devia funcionar. Com a compra localizada, mesmo no Norte isolado, uma forma mais flexível de governo foi desenvolvida para conectar os cidadãos locais - incluindo produtores, consumidores e as diversas organizações locais - aos municípios e às autoridades nacionais.

Por exemplo, o Comitê de Alimentação Escolar em cada município é um mecanismo largamente cívico, que coloca exigências sobre os governos de vários níveis para melhorar a infra-estrutura e ampliar os serviços para os pequenos produtores e distribuidores e facilitar ainda mais o seu envolvimento nas cadeias de fornecimento. Então, os serviços federais e estaduais são obrigados a ajudar associações de agricultores e cooperativas em cada município. Esta participação cívica ativa nos programas nacionais tem trabalhado para mudar as maneiras como os governos operam em relação às empresas de alimentos, cooperativas de agricultores e atores da sociedade civil.

Por causa da noção amplamente aceita de que a alimentação é um direito básico, o governo federal atua hoje como um tutor de deveres, que monitora a transparência dos Comitês de Alimentação Escolar e da sua conformidade com as normas federais. Desta forma, a operação de aquisição de alimentos inteira deve se tornar transparente para produtores e consumidores, e abrem-se espaços em que práticas mais sustentáveis ​​e localmente apoiadas são geradas.

O caso da aquisição de Alimentação Escolar no Brasil demonstra como fortalecer a relação entre sociedade civil e governo pode levar a um novo tipo de economia, ou seja, uma economia verde, focada na qualidade da produção e do consumo. A descentralização dos serviços públicos tem permitido que cidadãos-consumidores desenhem uma economia local centrada na qualidade.

A desigualdade regional deve ser combatido no Brasil, mas isso também pode tornar-se uma nova oportunidade para pensar em sustentabilidade com base na variabilidade local. Em vez de se concentrar apenas na conservação das florestas, por exemplo, poderíamos seriamente tentar apoiar os estados da Amazônia, no Norte, para incorporar produtos alimentares florestais, como frutas e nozes, à merenda escolar, ligando a atividade conservacionista ao sistema de compras.

A possibilidade vai incentivar o uso sustentável da floresta e a agricultura na Amazônia, assim reduzindo o desmatamento e também reduzindo as emissões de carbono. Além disso, as crianças da Amazônia podem aprender sobre suas valiosas florestas  através de merenda escolar e, conseqüentemente, podem vir a se envolver facilmente na conservação das florestas como parte de seu próprio ambiente.

Afinal, como um oficial da CEASA em Campinas comentou, a refeição escolar "não é uma despesa, mas um investimento", que deve dar ao país ao mundo retornos  significativos no futuro.

Kei Otsuki é uma associada de pesquisa na Universidade Instituto para a Sustentabilidade e Paz das Nações Unidas. Ela trabalha em mudança social transformadora para o desenvolvimento sustentável na América Latina, Ásia e África. Seu trabalho já apareceu em vários jornais e revistas internacionais. Ela também é uma das autora da nova Série de estudos Routledge em Desenvolvimento Sustentável.