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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ozires: ao piorar o rendimento dos títulos públicos, redução da SELIC obrigará empresários a investir em produção.

Artigo do Brasil Econômico explica como a redução da Selic pode alavancar os investimentos produtivos.

Redução da rentabilidade dos títulos públicos forçará os empresários a garantir retorno sobre a produção.

Após a Taxa Básica de Juros (Selic) romper sua mínima histórica ao alcançar o patamar de 8,5%, industriais e especialistas do setor indicam que os empresários serão obrigados a levar mais dinheiro para as companhias para conquistar o retorno que era garantido pelos investimentos em títulos públicos.

Assim, a indústria terá de enfrentar a falta de competitividade do país e realocar recursos em produção e diferenciação de seus principais produtos.

Entre os setores mais sensíveis à redução da Selic estão os de bens de consumo duráveis, como produtos de linha branca, eletroeletrônicos e automotivos. Com isso, máquinas e equipamentos também serão beneficiados com as novas necessidades da indústria manufatureira.

Ozires Silva, reitor da Unimonte e fundador da Embraer, comenta que os empresários terão que se movimentar com a perda de rentabilidade dos títulos públicos.

"Agora não há mais espaço para a renda fixa. O retorno ficará cada vez mais baixo e os empresários terão que investir na própria companhia para melhorar a produtividade e reduzir os custos."

Dados indicam que há espaço para que os aportes em máquinas e equipamentos, além de pesquisa e desenvolvimento, aumentem.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 60% dos investimentos são custeados pelas próprias empresas, mas elas seguram boa parte do capital, cerca de um quarto do montante, devido ao bom retorno fornecido pela Selic e pelas incertezas econômicas.

Silva afirma que não há mais saída para os empresários. "O retorno dos investimentos está mais atrativo que o dos títulos, e a indústria terá que se movimentar para sobreviver", avalia.

Outros reflexos da queda da Selic são indiretos, mas poderão subsidiar um ambiente econômico melhor para que o setor possa voltar a crescer. O principal deles é a redução da volatilidade do câmbio.

A expectativa é de que o real perca atratividade no mercado internacional à medida que os títulos brasileiros valham menos. A atual taxa do dólar, em torno de R$ 2,00, é entendida como o piso para os industriais.

"É um nível de câmbio que atende os interesses do Brasil. Se permanecer neste patamar, espera-se algum efeito positivo na produção industrial em seis meses", diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Skaf também acredita que a demanda pode aumentar com a redução da Taxa Básica de Juros, mas a posição atual dos bancos configura uma barreira entre os industriais e seus potenciais consumidores.

"A Selic baixa tenderia a estimular o crédito e a demanda, porém o sistema bancário está muito seletivo e não vem expandindo o crédito. Assim, a demanda continua fraca", argumenta Skaf em tom de reclamação.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Ministério Público quer saber: porque o carro é tão caro no Brasil?

A notícia abaixo foi publicada no sítio da própria Procuradoria Geral da República.

Dos arquivos do blog: Afinal, o que encarece o carro no Brasil?

4/10/2011

Objetivo é apurar possível lucro abusivo das montadoras de automóveis

A 3ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) do Ministério Público Federal, em sua 7ª sessão ordinária, aprovou diligência que solicita à Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) do Ministério da Fazenda investigação sobre eventual lucro abusivo das montadoras de automóveis.  A situação se verifica em relação a veículos vendidos no Brasil, quando comparados com os mesmos carros vendidos no exterior. O MPF também quer a revisão da chamada Lei Ferrari (Lei 6.729/1979), que dispõe sobre a concessão comercial entre produtores e distribuidores de veículos automotores no país.

O pedido de investigação ao Ministério da Fazenda é motivado pelo envio, de forma sigilosa, de uma cópia de matéria jornalística enviada à Procuradoria da República no DF. As reportagens noticiam o alto preço cobrado pela venda de veículos no Brasil em comparação com outros país e sugerem, ainda, que o alto preço seria decorrência do lucro abusivo praticado pelas montadoras brasileiras. Para o coordenador da 3ª CCR, subprocurador-geral da República Antonio Fonseca, “dentro da atribuição de zelar pelos princípios constitucionais relativos à atividade econômica e à defesa do consumidor, cabe ao MPF provocar os órgãos federais competentes a voltar sua atenção para o tema”.

De acordo com o voto coletivo aprovado na 3ª CCR, “a Lei Ferrari pode ter tido algum papel, há 30 anos, na época da reestruturação dos mercados de veículos no Brasil, numa época em que vigia uma economia de controle de preços. Mas hoje existem fortes suspeitas de que essa lei é desnecessária e até prejudicial”. Assim, o MPF, no âmbito de suas atribuições de zelar pela observância dos princípios constitucionais relativos à atividade econômica, decidiu requisitar à SEAE/MF investigar, em até 180 dias, questões relacionadas à importação de veículos, como a execlusividade na venda de veículos novos e a proibição de restrições territoriais na comercialização.

Para a 3ª CCR, órgão de cúpula do MPF dedicado à defesa dos direitos do consumidor e à proteção da ordem econômica; além das barreiras à importação, da carga tributária e da mão-de-obra; os preços altos podem ser indício de falhas de mercado e de regulamentos obsoletos, como a chamada Lei Ferrari. Nesse sentido, a 3ª CCR também irá solicitar ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que desenvolva estudos para verificar se existe conveniência ou não na manutenção da Lei Ferrari. De posse dos estudos fundamentados, o MPF avaliará a possibilidade de provocar outros órgãos governamentais, seja para aprofundar a investigação de eventuais falhas de mercado ou para considerar a revisão.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Portal Exame: varejo brasilerios tem crescimento chinês.

Matéria do Portal Exame.


As vendas do comércio cresceram 18,1% de janeiro a março na comparação com o mesmo período do ano passado.

Luís Artur Nogueira, de EXAME.com

Últimas notícias

São Paulo - Não será nenhuma surpresa se observarmos nos próximos dias novas projeções - para cima, é claro - do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Os modelos de cálculo das principais consultorias atribuem forte peso para as variáveis Produção Industrial e Vendas do Varejo, que vieram acima das expectativas em março.

Na semana passada, o IBGE informou que a produção industrial crescera 2,8% em março ante fevereiro, superando com folga a mediana das expectativas do mercado divulgada pela Agência Estado, que era de 1,85%. Na comparação com março do ano passado, a alta foi de 19,7% (a mediana era de 18,8%).

Nesta quarta-feira, vieram números robustos do varejo, com alta de 1,6% em março ante fevereiro (a mediana das expectativas divulgada pela Reuters era de 0,75%), e de 15,7% na comparação com o mesmo período do ano passado (com mediana de 14,1%).

"Fatalmente teremos que revisar - para cima - mais uma vez o PIB projetado para o primeiro trimestre", diz o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, em relatório divulgado nesta manhã.

A dúvida a partir de agora é se o Banco Central vai precisar acelerar o aperto monetário para esfriar a economia, que estaria crescendo acima do seu PIB potencial, ou seja, aquele limite a partir do qual a expansão gera inflação. A lógica indicia que sim, mas é preciso observar o impacto que a retirada dos estímulos fiscais do governo terá nos próximos meses.

Além disso, embora com a ressalva de que este é um ano eleitoral, o governo anunciou nesta semana que pode reduzir despesas se o PIB acelerar muito. Seria uma ajuda da política fiscal à árdua missão do Banco Central.

terça-feira, 30 de março de 2010

Gulherme Barros: mesmo sem incentivo, vendas de carros devem bater recorde e montadoras já operam no limite de suas capacidade, diz consultoria.

Post do Blog do Guilherme Barros.

Mesmo com o fim da redução do IPI, as vendas de veículos leves deverão crescer 7,4% em 2010 e 3,1% no ano que vem, registrando novos recordes, segundo projeções da Lafis. A consultoria também projeta novas marcas históricas de produção nos dois períodos.

Osmar Sanches, economista da Lafis, coloca a expectativa de crescimento da economia brasileira, de 5,2% neste ano e 5,3% em 2011, como principais fundamentos para a evolução das vendas da indústria automobilística.

Para ele, as exportações podem reagir também, na medida em que mercados externos importantes para o setor se recuperam.

“A expectativa é que esta recuperação gire em torno de 10,6% em 2010, chegando a cerca de 500 mil unidades”, disse Sanches.

No caso da produção, a previsão da Lafis para a produção é de 3,4 milhões em 2010 e 3,6 milhões em 2011, números muito próximos da capacidade instalada da indústria na opinião do economista.

“As principais montadoras estão operando no limite da capacidade e partem para um novo ciclo de investimentos, o mais importante desde o final dos anos 1990, quando ocorreu o boom das novas empresas no País”, afirmou.