quinta-feira, 28 de maio de 2015

Inclusão pelo consumo: entre 2002 e 2014, Brasil reduziu número de subalimentados em 82,1%.

Textinho do MDS, compilando dados sobre o Brasil da versão 2015 do relatório "O Estado de Insegurança Alimentar no Mundo".

Inclusão pelo consumo?

Gráfico - fome - redução - brasil


Ações de transferência de renda e de segurança alimentar são citadas como exemplo de que a proteção social gera um círculo virtuoso de crescimento inclusivo

O relatório O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) nesta quarta-feira (27), destaca os avanços brasileiros na redução do número de pessoas em situação de fome conquistado nos últimos anos. O Brasil é o país, entre os mais populosos, que teve a maior queda de subalimentados entre 2002 e 2014, que foi de 82,1%. No mesmo período, a América Latina reduziu em 43,1% esta quantidade.

Entre os mais populosos, o país também é aquele que apresenta a menor quantidade de pessoas subalimentadas. São 3,4 milhões no Brasil, pouco menos de 10% da quantidade total da América Latina, que é de 34,3 milhões. “O relatório confirma o esforço e reconhece a trajetória do Brasil na ação de redução da pobreza e do combate à fome”, ressaltou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

Dos arquivos do blog:

“O Brasil, ao contrário de outros países do mundo, sempre foi um grande produtor de alimentos. E, mesmo assim, a população passava fome. O nosso problema não era a disponibilidade de alimentos, o nosso problema era acesso aos alimentos e à renda. E isso conseguimos alcançar com políticas públicas”, explicou.

A publicação aponta também que o país alcançou todas as metas das Nações Unidas em relação à fome. O Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) era de reduzir pela metade a fome e o da Cúpula Mundial de Alimentação era de reduzir pela metade os números absolutos de subalimentados. O Brasil é um dos 29 países que conseguiram alcançar essas duas metas. “O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que está em processo de formatação, tem o objetivo de reduzir até menos de 5% até 2030. Desde o ano passado, nós já conseguimos alcançar esta meta”, contou a ministra.

As ações de segurança alimentar desenvolvidas e o Programa Bolsa Família foram citados como cruciais para o crescimento inclusivo que o Brasil alcançou. “A proteção social pode estabelecer um círculo virtuoso de progresso à população pobre com melhores salários, empregos e rendas”, destaca o relatório. “Estes programas reduziram significativamente a desigualdade de renda - entre 2000 e 2012, a renda média do quintil [20%] mais pobre da população cresceu três vezes mais rápido que a dos 20% mais ricos.”

A ministra Tereza Campello explica que o país agora enfrenta um novo desafio. “O Brasil saiu do Mapa da Fome. Temos a primeira geração de crianças alimentadas, que estão na escola e não vão repetir a trajetória de seus pais. E nos deparamos com o Brasil vivendo problemas de saúde típicos de países desenvolvidos, como a obesidade. E, principalmente, a obesidade infantil”, destacando que é um dos principais temas que serão tratados pelos governos e sociedade durante a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, no segundo semestre deste ano.

Veja mais dados elaborados pelo MDS em relação ao relatório

quarta-feira, 27 de maio de 2015

FAO/ONU: melhoria na renda dos mais pobres e fortalecimento do poder aquisitivo das mulheres tiraram o Brasil do Mapa da Fome.


Bom, a FAO divulgou nova edição do seu Mapa da Fome 2015, que confirma o Brasil com baixo índice prevalência da fome.

O relatório está disponível aqui.

Mapa da Fome da FAO - Edição de 2015
Mapa da Fome da FAO - edição de 2015


Novo relatório sobre o Estado da Insegurança Alimentar no mundo destacou que o Brasil tirou milhões de pessoas do mapa da fome não apenas por conta dos programas de transferência de renda. Fatores como fortalecimento do poder aquisitivo das mulheres e a melhoria da renda dos mais pobres também contribuíram para que país tivesse menos de 5% de sua população em situação de subnutrição.

Um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira (27) destacou o protagonismo do Brasil no combate à fome. Segundo o documento, o Brasil teve uma redução das taxas entre as décadas de 1990 e 2000, com o total de pessoas subnutridas passando de 22,6 milhões para 19,9 milhões.

Dos arquivos do blog:

A redução mais significativa veio em 2012, quando o país alcançou as duas metas da ONU de redução das taxas de fome: cortar pela metade o número de pessoas passando fome e reduzir esse número para menos de 5% da população.

O relatório global “Estado da Insegurança Alimentar 2015” (SOFI) foi publicado por três agências da ONU – a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Segundo o relatório da ONU, a proteção social pode estabelecer um círculo virtuoso de progresso envolvendo o aumento da renda, do emprego e dos salários das pessoas mais pobres. O documento cita como exemplo os programas “Fome Zero” e “Bolsa Família”, que segundo a agência da ONU foram “cruciais para alcançar um crescimento inclusivo no país”.

O Programa Bolsa Família, acrescenta, chegou a quase um quarto da população, principalmente às mulheres, com a transferência de recursos financeiros por mês para cada família – desde que elas mantenham seus filhos na escola e preencham outros requisitos, incluindo a área de saúde.

Com a economia brasileira crescendo 3% ao ano desde 2000 – e fornecendo, assim, as receitas públicas necessárias –, estes programas reduziram significativamente a desigualdade de renda, diz o documento. A ONU lembra que, entre 2000 e 2012, os rendimentos médios dos 20% mais pobres da população cresceram três vezes mais rápido que os dos 20% mais ricos.

Em vários casos, diz o documento da ONU, os efeitos positivos do crescimento econômico sobre a segurança alimentar e nutricional estão relacionados com a maior participação das mulheres na força de trabalho. O documento cita o Brasil novamente, informando que a participação na força de trabalho das mulheres subiu de 45% em 1990-1994 para 60% em 2013. Na Costa Rica, outro exemplo citado, a proporção de mulheres trabalhadoras aumentou 23% entre 2000 e 2008.

“Os gastos das mulheres geralmente envolvem mais investimentos domésticos em alimentação e nutrição, mas também em saúde, saneamento e educação, em comparação com os recursos controlados pelos homens”, acrescenta o documento.

Atualmente, os indicadores da ONU apontam o número de pessoas subnutridas no Brasil como “NS”, quando as estatísticas são insignificantes. Na prática, isso indica que o país tem menos de 5% da população nesta situação.

Os Estados-membros das Nações Unidas fizeram dois grandes compromissos para combater a fome no mundo. O primeiro foi na Cúpula Mundial da Alimentação (CMA), em Roma, em 1996, quando 182 governos se comprometeram a “erradicar a fome em todos os países, com o propósito imediato de reduzir o número de pessoas subnutridas à metade do nível atual até 2015”.

A segunda foi a formulação do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), criado em 2000 pelos Estados-membros da ONU, que inclui entre suas metas específicas “reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população que sofre de fome”.

Além do Brasil, as taxas de fome estão atualmente abaixo do limiar de 5% também na Argentina, Chile, Costa Rica, México, Uruguai e Venezuela. O objetivo da Cúpula Mundial de Alimentação foi alcançado na Argentina, Chile, Guiana, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela. Ao todo, 13 países da América Latina alcançaram a meta de reduzir a fome previsto no primeiro ODM. Além dos listados acima, estão também a Bolívia, a Guiana, o Panamá, o Peru e o Suriname.

Outros quatro países – Colômbia, Equador, Honduras e Paraguai – estão a caminho de atingir a meta nos próximos anos, se as tendências atuais persistirem. Mesmo que alguns países, como Guatemala ou El Salvador, pareçam estar fora do caminho para alcançar as metas internacionais, nenhum país da região tem uma taxa de prevalência de subnutrição (PoU) – indicador monitorado pela FAO – superior a 20%.

Apesar da queda global, quase 800 milhões ainda passam fome

Em relação aos dados globais, a ONU informou que o número de pessoas cronicamente subnutridas caiu, ficando abaixo da marca de 800 milhões, com um número crescente de países alcançando as metas do ODM contra a fome.

O relatório revela que o número de pessoas passando fome caiu para 795 milhões – 216 milhões a menos do que no período de 1990 a 1992 e quase 100 milhões a menos do que em 2012. Isto se deve em grande parte, destacaram as agências da ONU em um comunicado de imprensa, aos sucessos obtidos em regiões em desenvolvimento do mundo.

“O quase cumprimento das metas dos ODM sobre a fome nos mostra que podemos efetivamente eliminar o flagelo da fome de nossas vidas”, disse o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. “Temos de ser a geração Fome Zero. Esse objetivo deve ser integrado em todas as intervenções políticas e no coração da nova agenda de desenvolvimento sustentável a ser criada este ano”, acrescentou.

A maioria dos países monitorados – 72 de 129 – pela FAO atingiram a meta do ODM número um de reduzir pela metade a prevalência de subnutrição em 2015, com as regiões em desenvolvimento como um todo não alcançando a meta apenas por uma pequena margem. Além disso, 29 países cumpriram a meta mais ambiciosa definida na Cúpula Mundial da Alimentação, em 1996

terça-feira, 12 de maio de 2015

Desde 2003, número de filhos por família entre mais pobre no NE caiu 26% (frente a 10% no geral).

Não, as pessoas não estão tendo filhos pra ganhar o Bolsa Família.

Nordeste bolsa famíla
Fonte: http://www.psicosmica.com/2012/05/identidade-cultural-nordeste.html


Redução no número de filhos por família é maior entre os 20% mais pobres do País

Para a ministra, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios


Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%. Entre os 20% mais pobres, a queda registrada no mesmo período foi 15,7%. A maior redução foi identificada entre os 20% mais pobres que vivem na Região Nordeste: 26,4%.

Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e têm como base as edições de 2003 a 2013 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra que, em 2003, a média de filhos por família no Brasil era 1,78. Em 2013, o número passou para 1,59 [-10%] . Entre os 20% mais pobres, as médias registradas foram 2,55 e 2,15, respectivamente [-15%]. Entre os 20% mais pobres do Nordeste, os números passaram de 2,73 para 2,01 [-26%].
Para a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios.

“Mesmo a redução no número de filhos por família sendo um fenômeno bastante consolidado no Brasil, as pessoas continuam falando que o número de filhos dos pobres é muito grande. De onde vem essa informação? Não vem de lugar nenhum porque não é informação, é puro preconceito”, disse.

Entre as teses utilizadas pela pasta para explicar a queda estão os pré-requisitos do programa. “O Bolsa Família tem garantido que essas mulheres frequentem as unidades básicas de Saúde. Elas têm que ir ao médico fazer o pré-natal e as crianças têm que ir ao médico até os 6 anos pelo menos uma vez por semestre. A frequência de atendimento leva à melhoria do acesso à informação sobre controle de natalidade e métodos contraceptivos”.

Gasto do Governo Federal com educação tem aumento real de 285% em 10 anos.

Matéria do Valor, copiada do site do Todos pela Educação.

Palácio Gustavo Capanema

Gasto federal com ensino sobe 285% em dez anos, focado nos níveis superior e técnico


O governo federal aumentou seus gastos reais em educação em expressivos 285% nos últimos dez anos. Em 2014, a despesa da União com Educação somou R$ 94,2 bilhões, ou 1,71% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estudo recém-concluído por Marcos Mendes, assessor legislativo do Senado Federal. Em proporção da receita líquida do Tesouro, os desembolsos para o setor alcançaram 9,3% no ano passado, 130% acima da parcela de 4% detida em 2004.

Dos arquivos do blog:

Brasil sobe 4 posições e fica em 43º entre 133 países em ranking de progresso social.Desde 2003, número de filhos por família entre mais pobre no NE caiu 26% (frente a 10% no geral).
Para o Banco Mundial, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública.
A carga tributária, os "tributos de país desenvolvido" e os serviços públicos brasileirosBrasil tem alto desempenho no desenvolvimento humano e é modelo para o mundo, diz ONUA revolução do sistema de aquisição de alimentação escolar do Brasil (sustentabilidade + apoio à agricultura familiar).OCDE: nos últimos anos, o Brasil soube aproveitar bem seu investimento em educação.Pesquisa mostra Brasil liderando índice de aproveitamento social do crescimento econômico

O aumento apontado no estudo é real, já descontada a inflação no período, e considera os gastos com o Fies (o fundo de financiamento estudantil) como despesa, embora tecnicamente não sejam. Mesmo sem esse gasto, o aumento continua muito alto: 245% entre 2004 e 2014.

Embora os dados mostrem que a Educação foi bastante privilegiada na alocação dos recursos federais, Mendes levanta um senão. "Essa expansão é positiva se os programas nos quais o dinheiro público está sendo gasto realmente trouxerem retornos para a sociedade", pondera. E o assessor legislativo vê uma "aposta" nas escolhas feitas no último ano.

Um exemplo está na explosão dos recursos relacionados ao Fies. Essa despesa já é a segunda de maior importância entre os principais gastos do governo federal, com R$ 13,8 bilhões no ano passado, valor 1.110% superior ao de 2004. Ele representou 15% de todas despesas federais em Educação no ano passado, e só "perdeu" para os gastos com pessoal e encargos.

Outros programas até cresceram mais que o Fies, como a complementação ao Fundeb (o fundo do Ensino básico) e os gastos com Educação profissional e tecnológica, mas o montante desses gastos foi proporcionalmente menor que o do Fies (ainda que o mecanismo desse fundo não envolva gasto direto do Tesouro e teoricamente os recursos devam ser ressarcidos no futuro). E o Fies é mais recente, pois embora já existisse em 2004, o crescimento acontece a partir de 2010, quando envolveu R$ 1,2 bilhão, valor quase idêntico ao de 2004.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Brasil sobe 4 posições e fica em 43º entre 133 países em ranking de progresso social.

Da EBC.

2015 Social Progress Index
Mapa do Índice de Progresso Social
Fonte:http://www.socialprogressimperative.org/pt/data/spi/findings



O Brasil ficou na 42ª posição, em uma lista com 133 países, no Índice de Progresso Social de 2015, elaborado pela fundação norte-americana Social Progress Imperative (SPI). O índice leva em conta três grandes áreas: necessidades humanas básicas, fundamentos de bem-estar e oportunidades. Em uma escala de 0 a 100 em cada área, o Brasil ficou com média 70,89, sendo o mais bem colocado do Brics, grupo econômico formado  ainda por Rússia (71ª), Índia (101ª), China (92ª) e África do Sul (63ª).

Dos arquivos do blog:
Forbes: de alguma forma, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza tem sido ignorado.
Desde 2003, número de filhos por família entre mais pobre no NE caiu 26% (frente a 10% no geral).

Na América do Sul, o país ficou atrás do Uruguai (24ª), do Chile (26ª) e da Argentina (38ª). O Brasil subiu quatro posições em relação ao ano passado, quando ficou na 46ª colocação. A Noruega ocupa a primeira posição, com 88,36 pontos, seguida por Suécia e Suíça. A República Centro-Africana está na última posição, com 31,42 pontos, acompanhada der perto por Chade e Afeganistão.

“Na dimensão de necessidades humanas básicas, o Brasil tem desempenho melhor em nutrição e cuidados médicos básicos e tem mais oportunidade de melhorar no componente de segurança pessoal. Na dimensão de fundamentos de bem-estar, o Brasil tem pontuações mais altas no acesso ao conhecimento básico, mas fica para trás no componente de sustentabilidade dos ecossistemas. Na dimensão oportunidade, o Brasil é mais forte em direitos individuais e tem o maior espaço para melhorar no acesso à educação superior”, informa a SPI em seu relatório.

Na categoria de fundamentos de bem-estar, o país teve 76,21 pontos de média, conseguindo nota 96,13 em acesso ao conhecimento básico e 61,49 em sustentabilidade dos ecossistemas. Em necessidades básicas humanas, a média brasileira foi 71,14, alcançando 96,34 pontos no item nutrição e cuidados médicos básicos e 35,55 em segurança pessoal. Na dimensão de oportunidade, o país teve média de apenas 65,33 pontos, conseguindo 75,20 em direitos individuais e 48,05 em acesso à educação superior.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Forbes: de alguma forma, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza tem sido ignorado.

A culpa da péssima "tradução" é toda minha, apesar do Google ter feito quase todo o trabalho.


Independência, de Djanira da Motta e Silva



World Cup Economics: Why Brazil's Bashers Have Got It Wrong
Nathaniel Parish Flannery

No Brasil, a Copa do Mundo gerou protestos de ativistas interessados ​​em chamar atenção para os persistentes problemas com pobreza e desigualdade no seu país. Em 2013, manifestantes seguravam cartazes com mensagens em inglês como "WE DON’T NEED THE WORLD CUP" e "WE NEED MONEY FOR HOSPITALS AND EDUCATION." No entanto, como os cientistas políticos Diego von Vacano e Thiago Silva explicaram em seu excelente artigo para o The Washington Post, "os protestos são paradoxais, porque o Brasil obteve melhorias sociais e econômicas muito significativas desde que o país se candidatou para o evento, em 2003."
De forma mais ampla, a Copa do Mundo de 2014 destaca a ascendência econômica da América Latina na última década. O mar de camisas amarelas que podem ser vistos em jogos da Colômbia e as seções de torcedores mexicanos vestindo verde e torcendo para apoiar a sua equipe são um testemunho do recente sucesso econômico e crescente classe média da América Latina . Segundo o historiador do futebol David Goldblatt  "Imagens da televisão podem ser enganosas, e vestir uma camisa colombiana não é garantia de cidadania, mas o Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, foi inundado de amarelo - talvez 20.000 em uma multidão de 57.000. A mídia chilena tem relatado que até 10 mil torcedores estão fazendo a viagem ao Brasil, e parecia que todos estavam presentes em Cuiabá, quando a seleção passou pela Austrália ".

Em 2011, pela primeira vez na história, a classe média da América Latina superou o número de pobres da região. O Brasil, em particular, se destaca por seu sucesso no investimento em programas sociais e na redução da pobreza.

Pelo o número de camisas brasileiras expostas na multidão nos jogos, a Copa do Mundo do Brasil também está sendo fortemente assistida pela crescente classe média do país. Ainda assim, a percepção de que os gastos com o futebol são um desperdício em um país onde quase um quinto da população vive na pobreza ganhou impulso nas mídias sociais. Fotos deste mural, mostrando uma criança faminta chorando com a visão de uma bola de futebol em seu prato, foram compartilhados dezenas de milhares de vezes no Twitter e no Facebook. Outros usuários do Twitter compartilharam fotos como esta, lembrando fãs da pobreza que eles devem lutar a poucos quarteirões de distância de alguns estádios.

Entretanto, estes desenhos falham em mencionar que o Brasil destinou menos de 2 bilhões de dólares para a construção de estádios. Por outro lado, entre 2010 (ano em que começou a construção dos estádios) e o início de 2014, o governo federal do Brasil gastou mais de 360 bilhões de dólares em programas de saúde e educação. Para colocar isto em perspectiva, o governo do Brasil gastou quase 200 dólares em programas de saúde e educação para cada dólar gasto em estádios da Copa do Mundo. Embora a saúde, a educação e o sistema de transportes do Brasil precisem de investimento melhoria contínuos, os gastos com a Copa do Mundo não eclipsaram em nada os gastos com programas sociais progressistas.

A economia do Brasil é definida pela desigualdade profundamente arraigada. É um país conhecido por favelas e bilionários. De acordo com a Forbes, o Brasil é o lar de dezenas de bilionários, incluindo Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, que, juntos, controlam o maior império de mídia da América Latina, a Globo, e têm um patrimônio líquido combinado é de  28 bilhões de dólares. A empresa registrou 1,2 bilhão de dólares de lucro em 2013.

Segundo a pesquisa da Forbes, "Enquanto a crescente riqueza do país está criando mais milionários e bilionários do que nunca, as famílias ricas estão ficando com um grande pedaço da torta. Dentre os 65 bilionários brasileiros listados pela Forbes na nossa mais recente lista de bilionários do mundo, 25 são parentes de sangue. Oito famílias têm vários membros na nossa classificação." Jorge Lemann, proprietário parcial da Anheuser-Busch InBev, tem um patrimônio líquido de US $ 22 bilhões. Ele é a 30º pessoa mais rica do mundo. As quinze famílias mais ricas do Brasil têm um patrimônio líquido combinado de 122 bilhões, uma soma que é apenas um pouco menor que a produção econômica anual combinada da Costa Rica e do Equador.

Mas, embora seja fácil apontar caros estádios da Copa do Mundo ou longa lista de bilionários do Brasil e fazer comparações com os milhões de moradores do país que ainda vivem em situação de pobreza extrema, tais comparações não conseguem reconhecer o tremendo sucesso que os políticos brasileiros têm tido na erradicação da pobreza na última década. De acordo com um relatório recente do Centro das Nações Unidas para a América Latina e Caribe (CEPAL), em 2005, 38% da população do Brasil viviam abaixo da linha da pobreza. Em 2012, essa taxa de probreza caiu para 18,6% da população.

Em outras palavras, desde 2005, o Brasil efetivamente reduziu em mais da metade o número de seus cidadãos que vivem na pobreza. Em contrapartida, o México, um país cujos políticos estão mais focados na exportação e em salários competitivos, de fato, viu um aumento da pobreza durante este mesmo período de tempo, de acordo com os dados da CEPAL. O Chile, um país há muito elogiado por suas políticas de desenvolvimento econômico, viu um declínio muito menor na pobreza durante este mesmo período. No Chile, a pobreza caiu de 13,7% em 2005 para 11%  em 2011.

A América Latina é a região mais desigual do mundo, e o Brasil, em particular, é conhecido por sua história colonial, que girava em torno da exploração de culturas de rendimento e ajudou fomentar o estabelecimento de uma economia profundamente dividida dos residentes ultra-ricos e ultra-pobres. Na controvérsia sobre a Copa do Mundo, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza de alguma forma tem sido ignorado.

Jason Marczak, especialista em América Latina do "The Atlantic Council", em Washington, me disse: "A crítica ao excesso de custos dos estádios é, na verdade, um grito de que a cidadania do novo Brasil, um Brasil mais de classe média, exige maior transparência e um novo modelo de Estado mais ágil." No momento em que a seleção brasileira de futebol entra em campo, o mundo também deve ter um momento para reconhecer o sucesso dos políticos progressistas do país.

"O Brasil tem feito progressos impressionantes em crescimento sócio-econômico na última década, com dezenas de milhões de pessoas se deslocando da pobreza para a classe média", acrescentou Marczak.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Para o Banco Mundial, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública.

Do sítio da ONU no Brasil.




Sistema Único de Saúde do Brasil – conhecido como SUS – lançou os alicerces de um sistema de saúde melhor para o país, contribuindo para o bem-estar social e a melhoria da qualidade de vida da população, é o que afirma o livro “20 anos de Construção do SUS no Brasil”, recentemente lançado pelo Banco Mundial.
O livro busca analisar a trajetória do programa desde sua criação, destaca progressos trazidos pelo SUS e aponta que, com base nessa experiência e apesar de todas as dificuldades inerentes a um país em desenvolvimento, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública e exemplo para outros países que buscam sistemas mais igualitários de saúde.

Com a criação do SUS, o Brasil foi um dos primeiros e poucos países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a prever na legislação o acesso universal aos serviços de saúde, reconhecendo a saúde como direito do cidadão e dever do Estado.

O livro destaca que os esforços para a ampliação dos gastos em saúde e de uma melhor alocação dos recursos federais e estaduais, privilegiando as áreas e populações mais pobres do país, contribuíram para uma forte ampliação do acesso da população aos serviços básicos de saúde, com importante impacto na redução da mortalidade.

Entre os desafios do SUS, o estudo identifica que o aporte de recursos à saúde precisa ser equacionado e que a capacidade gerencial do sistema ainda é um obstáculo importante. Além disso, há questões reconhecidas sobre as quais é preciso evoluir, como a melhora da qualidade e da coordenação do cuidado e a continuidade da expansão na cobertura da atenção primária.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Guardian: Bolsa Família marca uma década de pioneirismo no alívio da pobreza

Texto publicado no The Guardian (porcamente) traduzido com ajuda com Google.

Amplamente elogiado e muitas vezes ridicularizado, o principal programa de bem-estar social do Brasil continua sendo fortalecido uma década após a sua criação

Como uma das moradoras mais pobres do município mais pobre do Brasil, a vida sempre foi uma luta para Maria Eunice Alvis.

O telhado de sua casa de adobe vaza durante a temporada de chuvas e vermes representam uma ameaça constante para a saúde de seus 10 filhos. Há tão pouco dinheiro, que a família muitas vezes passa fome.

Dos arquivos do blog:

Durante a maior parte de seus 40 anos, a sobrevivência dependeu de "farinha", a farinha amarelada da raiz da mandioca. Nas cidades ricas, como Rio de Janeiro ou São Paulo, ela é um poerento acompanhamento; mas para Alvis e outras famílias desfavorecidas em Belágua, Maranhão, até recentemente, ela era o único vivere que eles tinham em tempos difíceis.

Hoje, no entanto, o governo lançou-lhes uma outra tábua de salvação - um apoio em dinheiro conhecido como Bolsa Família, que é pago com a condição das crianças irem para a escola e serem vacinadas

A cada mês, Alvis recebe R$ 250 reais (65 £). Esse montante não é suficiente para acabar com todos os seus problemas, mas, pela primeira vez em sua vida, ela tem uma renda regular.

"Eu fiquei muito feliz quando recebi o primeiro pagamento. Agora, eu estou acostumada. Mas ainda é bom saber que há um dinheiro que entra todo mês", diz Alvis, sentada na pequena, mas imaculada, cada de dois quartos que ela compartilha com outros 11.

Faz 10 anos desde que o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez do Bolsa Família um pilar central da estratégia de bem-estar social do país. Nos anos seguintes, projetos similares de ajuda a pobreza se espalharam por todo o globo. O programa pioneiro é agora o maior sucesso do Brasil na exportação, embora os prós e os contras de uma abordagem direcionada e condicional permaneçam ferozmente debatidos.

Em seu aniversário este ano, os defensores comemoram o programa como uma forma barata e eficiente para melhorar a vida dos mais necessitados. Os críticos dizem que ele apenas prende os pobres em um padrão de exploração e tem pouco impacto sobre a desigualdade.

Poucos, no entanto, duvidam que, dando diretamente dinheiro para os pobres gastarem, o Bolsa Família representa uma mudança de paradigma.

Em sua configuração mais básica, o Bolsa Família é o pagamento de R$ 70 por pessoa para qualquer família que vive abaixo da linha de pobreza de R$ 140 reais.

O programa tem crescido rapidamente. Nos últimos 10 anos, o número de famílias beneficiárias aumentou de 3,6 milhões -13,8 milhões, o que significa que o Bolsa Família agora abrange cerca de um quarto da população de 199 milhões de habitantes do Brasil.

Sua importância não deve ser exagerada. O Bolsa Família é apenas um dos quatro pilares do Plano Brasil Sem Miséria (Brasil Sem Pobreza), que também inclui salário mínimo, formalização do emprego e políticas de apoio às famílias rurais. Há também planos de pensões e projetos habitacionais que visam combater a desigualdade.

Mas foi o programa de pagamento condicional que atraiu a atenção do mundo porque é inovador, ousado e particularmente adequado para uma era de austeridade, redes sociais e construção de plataformas.

A Ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, diz que o Bolsa Família foi politicamente difícil de implementar, porque havia uma profunda resistência a dar apoio em dinheiro às pessoas.

"Os críticos citam Confúcio e dizem que é melhor ensinar as pessoas a pescar do que dar-lhes peixe, mas os beneficiários do Bolsa Família não são pobres porque são preguiçosos ou não sabem como trabalhar, eles são pobres porque não têm oportunidades, não têm educação e têm saúde precária. Como eles podem competir com essas desvantagens? Ao dar às pessoas o dinheiro para sobreviver, estamos capacitando-os, incluindo-os e dando-lhes os direitos de um cidadão em uma sociedade de consumo."

Comparado a um estado de bem-estar totalmente financiado ou a um sistema de pensões sociais, os gastos são pequenos. Os desembolsos anuais subiram de 4,2 para 23.95 bilhões de reais, mas ainda custam menos de 0,5% do PIB. O governo diz que o esquema também é rentável, com um retorno de 1,78 reais para a para cada real gasto.

O principal ganho é uma redução de 36 milhões de pessoas em extrema pobreza. A proporção de brasileiros que vivem neste estado (definido como menos de R$ 70 por mês) caiu de 8,8% para 3,6% entre 2002 e 2012. O forte crescimento econômico durante este período e a introdução do salário mínimo [SIC] foram os principais motivos, mas o governo credita ao Bolsa Família mais de um terço da melhoria.

"Todas essas pessoas estão em nosso programa. Se ele desaparecesse, todos cairiam de volta para a pobreza extrema", disse Campello.

Os números são contestados. Lena Lavinas, professora de economia do bem estar, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, diz que o governo exagera a importância do Bolsa Família e exagerou suas realizações ao não contabilizar adequadamente a inflação em suas estatísticas. Se o aumento dos preços fosse devidamente levados em conta, diz ela, a taxa de pobreza extrema deveria ser de 90 reais por mês - o que significaria o Bolsa Família tem levantado apenas 7 milhões de pessoas para acima desta linha.

Mas, enquanto a escala dos ganhos pode ser debatida, não há dúvida do esquema diminuiu a pressão sobre as comunidades mais necessitadas. Isso certamente é sentido em Belágua, onde a renda média mensal dos cerca de 7.000 moradores é de R$ 146,7 (£ 38.2).

"Esta é uma área muito pobre. Cerca de 80% das pessoas aqui dependem do Bolsa Família. Algumas pessoas ainda contam apenas com farinha e sal, mas as coisas estão melhores do que antes, graças ao Bolsa Família", disse o chefe da Câmara Municipal, Sidra Soares.

O dinheiro não dura muito, especialmente para famílias grandes, que são comuns em Belágua. Alvis percebe que, depois de comprar arroz (R$ 2,2 por kg), feijão preto (R$ 5,4 por kg), tapioca (R$ 5 por kg) e farinha (R$ 3,5 por kg), sobra pouco para fraldas e creme dental. A renda do bolsa geralmente não dura mais de uma semana. Para o restante do mês, a família muitas vezes faz apenas uma refeição por dia, comendo o que as galinhas botam ou usando qualquer rendimento que o marido de Alvis possa encontrar, nas raras ocasiões em que ele acha trabalho nos campos ou em um canteiro de obras.

"Não há empregos aqui", encolhe os ombros Alvis. "A única renda nesta cidade é o Bolsa Família."

Esta é uma das principais críticas do Bolsa Família - que faz pouco para combater a desigualdade, pois mantém os pobres apenas acima de um nível de subsistência, sem os meios para subir a escada social. Mas há um elemento de programa que faz com que seja um investimento de longo prazo no futuro.

O Bolsa Família é usado como um método de imposição de metas de saúde pública e educação. Os pais que não levam seus filhos para vacinar ou não os enviam para a escola são penalizados com pagamentos reduzidos. Em Belágua, isso é uma ameaça real, de acordo com o professor local Rosimat dos Santos Souza.

"Quando comecei a dar aulas, há 10 anos, eu diria que não mais de 40% das crianças iam à escola, mas agora é mais do que 70%. Agora, quando as crianças faltam, eu vou ver seus pais e eu lhes digo eles podem perder o seu Bolsa Família. Eles realmente ficam com medo, então funciona ", diz Souza.

Nacionalmente, o governo diz que as crianças são 10% mais propensas a ir para a escola se os pais recebem o Bolsa Família, enquanto as mães são 25% mais propensos a se inscrever para exames de saúde.

Os maiores ganhos foram nas áreas tradicionalmente mais pobres. Pela primeira vez na história do Brasil, as taxas de graduação de escolas no norte e nordeste são mais elevadas do que a média nacional, de acordo com a Ministra do Desenvolvimento Social.

"O Bolsa Família é uma plataforma não só para aliviar a pobreza, mas para ter mais crianças na escola e melhorar a saúde pública", disse Campello. "A renda é um incentivo que podemos usar para resolver outros programas sociais. Uma vez que as pessoas estão em nosso banco de dados, podemos oferecer-lhes outros benefícios e focar programa neles. Desta forma, o Bolsa Família é um instrumento para programas mais amplos. É uma plataforma ".

Como exemplo, ela diz que a presidente Dilma Rousseff está agora tentando introduzir escolas em período integral, em vez de o meio período, que é a norma. Este é um programa vasto e caro, que mira primeiro nas comunidades mais pobres, que têm maior necessidade de educação extra e refeições escolares. O banco de dados Bolsa Família tem ajudado o governo a identificar esses bairros. Dos 40.000 primeiros estudantes a participar das escolas públicas de período integral, mais de 75% são de famílias que recebem o Bolsa Família.

Embora em escala menos impressionante, houve outros ganhos desde o início do programa nos índices de desnutrição e mortalidade infantil. E eles aumentaram o índice de desenvolvimento humano do estado do Maranhão, que há muito tempo tem a maior taxa de analfabetismo no Brasil.

Enquanto é improvável que o Bolsa Família tire adultos da pobreza, a esperança é que ele irá crie as condições de saúde e educação para a próxima geração pensar além da próxima refeição de farinha.

"Nunca antes houve um programa social desse porte e importância no Brasil", disse Maria Ozaniro da Silva, da Universidade Federal do Maranhão. "O Bolsa Família está trazendo os maiores benefícios para as crianças. No futuro, sua vida será melhor do que a de suas mães ou pais."

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

OCDE: Brasil lidera avanço no índice de matemática do Relatório do PISA de 2012.

Segue um pequeno trecho do Relatório do Pisa 2012 sobre o Brasil. 
Principais achados (sobre o Brasil)

Enquanto o Brasil tem desempenho abaixo da média da OCDE, o seu desempenho médio em matemática melhorou de 356 para 391 pontos desde 2003, tornando o Brasil o país com os maiores ganhos de desempenho desde 2003. Melhorias significativas também são encontradas em leitura e ciências.

As melhorias têm sido particularmente fortes entre aqueles com baixo desempenho em matemática, leitura e ciências.

Entre 2003 e 2012, o Brasil também expandiu a matrícula nas escolas primárias e secundárias, com as taxas de matrícula para alunos de 15 anos de crescimento crescendo de 65% em 2003 para 78% em 2012.

O clima disciplinar nas escolas brasileiras está melhor em 2012 do que em 2003, e as escolas foram capazes de atrair e reter professores qualificados com mais facilidade.

A repetência é ainda muito difundida no Brasil, está associada negativamente com o desempenho em matemática e é mais prevalente entre os estudantes desfavorecidos. O Brasil precisa buscar formas mais eficazes para trabalhar com os alunos de baixo desempenho, a fim de estabelecer expectativas elevadas para todos, motivar os alunos, e reduzir as elevadas taxas de abandono escolar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Hospitais universitários economizam R$ 480 milhões em compras públicas

Matéria do site Brasília em tempo real.






O primeiro balanço da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), uma das estatais mais recentes, criada em 2011 para atuar na gestão dos 46 hospitais universitários federais (HUFs) espalhados pelo país, mostra que um novo modelo de compras de equipamentos médicos, remédios e outros produtos trouxe uma economia de R$ 477 milhões aos cofres da União. O valor é o resultado de dezenas de pregões eletrônicos feitos em dois anos de forma centralizada e em grande escala, estratégia que permitiu reduzir, numa média de 35%, os preços de mercado de mamógrafos, tomógrafos, leitos e antibióticos, por exemplo.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, explica que organizar a política de aquisição dos hospitais federais, onde médicos e enfermeiros recebem formação prática e milhões de pacientes são atendidos via Sistema Único de Saúde (SUS), é um dos objetivos iniciais da Ebserh, subordinada ao MEC.


"Em vez de cada hospital fazer sua licitação, é feito um pregão eletrônico e o ganho em escala aumenta. Se cada compra fosse feita individualmente, os desembolsos seriam de R$ 1,4 bilhão, mas fechamos nos pregões por R$ 914,7 milhões. Conseguimos, por exemplo, comprar mamógrafos com valor unitário inicial de R$ 204 mil por R$ 92,2 mil", relata o ministro.

O presidente da Ebserh, José Rubens Rebelatto, acrescenta que, antes dos pregões, a estatal e os hospitais universitários fazem um levantamento de estoque e das necessidades de cada unidade para que as compras sejam feitas em escala maior. "O preço cai também porque conseguimos eliminar atravessadores, negociando diretamente com o fabricante. É inteligência de compras", diz Rebelatto.

Segundo Mercadante, toda economia feita nessa área será revertida em investimentos no Programa de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que desembolsou R$ 1,9 bilhão desde 2010 em recursos dos Ministérios da Educação e da Saúde para reformas, novos leitos e aquisição de equipamentos e remédios.

No momento o projeto, de responsabilidade da Ebserh, executa 147 obras e prevê a abertura de cinco novos hospitais universitários federais até 2018. A estatal também responde pela modernização do sistema de informática e pela nova política de contratação e treinamento de pessoal, que tem hoje 72 mil profissionais e oferta de mais de 11,2 mil leitos do SUS.

Está em fase final o fechamento de pregão para informatizar a rede. O modelo a ser replicado nos 46 HUFs será o aplicativo eletrônico de gestão hospitalar do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nessa unidade, todos os registros, da entrada do paciente à emissão de uma receita por um médico, são feitos digitalmente em computadores ou tablets. "Quando um médico prescreve alguma medicação no consultório, o sistema acusa automaticamente no almoxarifado e logo é emitido um pedido eletrônico de reposição", explica Mercadante.

Na área de pessoal, a Ebserh tem o poder de chamar concursos públicos para contratar conforme as necessidades dos hospitais via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e não pelo tradicional sistema de contratação do funcionalismo. "Assim como a 8.666 [lei de licitação do setor público], o RJU [regime jurídico único] não é a melhor maneira para fazer funcionar um hospital. Primeiro porque não acompanha os salários do mercado, gerando grande rotatividade, depois é lento na reposição de profissionais", aponta Rebelatto.

Para fugir desse engessamento, muitos hospitais universitários criaram fundações privadas nos últimos anos para ter mais agilidade na contratação. Dos 72 mil profissionais da rede, 26 mil são empregados dessas entidades, contratados com carteira assinada ou como autônomos. Além de contratar mão de obra nova, a Ebserh pretende levar para o regime de CLT todos os profissionais de fundações. Nos próximos anos, a estatal prevê contratar 50 mil celetistas - já contando a regularização de trabalhadores das fundações.

Para participar dos editais da Ebserh, os hospitais universitários precisam assinar contratos de gestão, elaborar um diagnóstico e seguir uma série de indicadores de qualidade. Dos 46 hospitais, 34 aderiram ao modelo de contratação da Ebserh, mas a maioria ainda não formalizou a parceria. Para os sindicatos do setor, esse movimento é manobra de privatização.

"Não se trata disso, a Ebserh é uma empresa pública que não vai interferir na autonomia acadêmica dos hospitais. No âmbito de pessoal está trazendo mais agilidade administrativa, com a regularização das contratações das fundações - que usam recursos do SUS para pagar autônomos, por exemplo", diz José Roberto Ferraro, diretor-superintendente do Hospital São Paulo, o HU da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

No Maranhão, o hospital da federal do Estado, a UFMA, se beneficiou com a política de compras e de obras e está com o contrato de gestão assinado com a Ebserh. Nos próximos dias, a estatal lançará edital para a contratação de 790 profissionais, a maioria para substituir os atuais 757 trabalhadores da fundação do hospital universitário, considerados "precarizados". Além disso, o Ministério do Planejamento autorizou a abertura de 1,2 mil vagas futuras para a unidade, que passa por expansão.

"Temos 573 leitos e 1,9 mil funcionários, uma média baixa de profissional por leito [de 3,3, recomendação do Ministério da Saúde é de, no mínimo, 5]. Nossa demanda é muito grande porque somos o único hospital do Estado credenciado para fazer transplantes. Nosso fluxo é de 1,5 mil pacientes por mês, temos que ser eficientes ao extremo para minimizar as longas filas. Antes não tínhamos a quem recorrer em termos de apoio de organização, de gestão e até da parte financeira. Com as reformas, os novos equipamentos e a chegada de mais gente nos sentimos mais apoiados", conta Joyce Lages, superintendente do hospital universitário da UFMA.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

OCDE: nos últimos anos, o Brasil soube aproveitar bem seu investimento em educação.

Matéria da BBC Brasil.

Duas observações minhas:

1 – não é só o percentual do PIB aplicado em educação que é similar no Brasil e na OCDE; a relação entre o investimento por estudante e renda per capita no Brasil também já é bem similar àquelas dos EUA e da média da OCDE. Tanto lá como cá, investe-se pouco mais de 20% da renda per capita em educação. Veja:

investimento em educação e renda per capita Brasil x EUA x OCDE
Fonte: este artigo e essa tabela da OCDE: http://www.keepeek.com/Digital-Asset-Management/oecd/economics/oecd-factbook-2013/size-of-gdp_factbook-2013-10-en
O problema, que não deve ser esquecido ao comparar a qualidade, penso eu, é que, aplicando a mesma parcela do PIB, por aluno, o Brasil dispõe de apenas 30% dos recursos disponíveis nos países da OCDE, em média. Num país pobre, como o nosso, o cobertor é sempre muito curto.

2 – ao contrário do que a matéria afirma, o maior investimento por aluno de nível superior não significa que “a educação superior recebeu a maior parcela de gastos no Brasil “. Isso porque o número de estudantes de nível superior é bem menor que o número de estudantes de ensino fundamental, médio ou profissional: cerca de 1 universitário pra cada aluno de educação básica ou técnica.

Márcia Bizzotto
De Bruxelas, para a BBC Brasil

Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira indica que o investimento do Brasil em educação aumentou de 3,5% para 5,6% do produto interno bruto (PIB) entre os anos 2000 e 2010, alcançando assim a média de investimento dos países da organização, que é de 5,4%.

Pertencem à OCDE 34 países, a maioria deles desenvolvidos, como França, Alemanha, Estados Unidos e Grã-Bretanha, e também nações emergentes, como México e Chile.

Divulgado nesta terça-feira em Bruxelas, o relatório Education at a Glance ("Educação em Revista", em tradução livre) afirma, no entanto, que o governo brasileiro investiu em média US$ 2.964 (aproximadamente R$ 6,6 mil) por estudante em 2010, contra US$ 8.382 (cerca de R$ 18,8 mil) nos países da OCDE.

O nível de investimento público do Brasil na educação em 2010 foi igual ao da Áustria, superior ao dos EUA (5,1% do PIB) e comparável com o da França (5,8%) e o da Grã-Bretanha (5,9%), mas ficou longe dos primeiros países da lista da OCDE. A Dinamarca dedicou 7,6% de seu PIB ao setor, a Noruega, 7,5% e a Islândia, 7%.

Entre os países da América Latina analisados no estudo, o Brasil tem o segundo maior nível de investimentos no setor, atrás da Argentina, que em 2010 destinou 5,8% do PIB à educação, mas à frente de México e Chile, com 5,1% e 3,9%, respectivamente.

A educação superior recebeu a maior parcela de gastos no Brasil ─ US$ 13.137 por estudante, mais que a média dos países da OCDE, de US$ 11.383, e mais que os US$ 12.112 dos Estados Unidos, onde 31% dos investimentos em educação são de fonte privada.

Por outro lado, os investimentos brasileiros em educação primária e secundária foram muito inferiores aos dos países ricos ─ US$ 2.653 por estudante, comparado com US$ 8.412 nos países da OCDE e US$ 11.859 nos EUA.

'Bons investimentos'
"Não há ligação direta entre o nível de investimento e a qualidade da educação. O que faz a diferença é a qualidade do investimento, não a quantidade. E o Brasil, nesses últimos anos, soube utilizar bem seus investimentos na educação", disse Eric Charbonnier, analista da OCDE, à BBC Brasil.

A organização considera que "durante a última década o Brasil provou que era capaz de melhorar sensivelmente o desempenho de seus alunos" combinando o aumento em investimentos com uma "divisão de gastos mais equilibrada que no passado".

"Os fundos federais são agora consagrados aos estados mais pobres, garantindo a seus estabelecimentos (de ensino) recursos similares aos dos estabelecimentos de estados mais ricos", diz o relatório.

O documento também destaca programas de formação para professores de todos os níveis, entre eles o "Universidade Aberta", programas de cooperação entre universidades federais e estabelecimentos municipais para intercâmbio de melhores práticas e a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2007.

Como resultado, a classificação do país no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) entre 2000 e 2009 melhorou 16 pontos no quesito compreensão escrita, 15 em ciências e 30 em matemática, apesar de que sua pontuação "continua muito inferior à média da OCDE".

Por outro lado, um ranking divulgado no ano passado pela consultoria Economist Intelligence Unit (EIU) colocou o Brail em penúltimo lugar entre 40 países no tocante à qualidade da educação.

O ranking foi compilado com base em testes de alunos realizados entre 2006 e 2010 e em outros critérios, como a quantidade de alunos que ingressam em universidades.