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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Brasil sobe 4 posições e fica em 43º entre 133 países em ranking de progresso social.

Da EBC.

2015 Social Progress Index
Mapa do Índice de Progresso Social
Fonte:http://www.socialprogressimperative.org/pt/data/spi/findings



O Brasil ficou na 42ª posição, em uma lista com 133 países, no Índice de Progresso Social de 2015, elaborado pela fundação norte-americana Social Progress Imperative (SPI). O índice leva em conta três grandes áreas: necessidades humanas básicas, fundamentos de bem-estar e oportunidades. Em uma escala de 0 a 100 em cada área, o Brasil ficou com média 70,89, sendo o mais bem colocado do Brics, grupo econômico formado  ainda por Rússia (71ª), Índia (101ª), China (92ª) e África do Sul (63ª).

Dos arquivos do blog:
Forbes: de alguma forma, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza tem sido ignorado.
Desde 2003, número de filhos por família entre mais pobre no NE caiu 26% (frente a 10% no geral).

Na América do Sul, o país ficou atrás do Uruguai (24ª), do Chile (26ª) e da Argentina (38ª). O Brasil subiu quatro posições em relação ao ano passado, quando ficou na 46ª colocação. A Noruega ocupa a primeira posição, com 88,36 pontos, seguida por Suécia e Suíça. A República Centro-Africana está na última posição, com 31,42 pontos, acompanhada der perto por Chade e Afeganistão.

“Na dimensão de necessidades humanas básicas, o Brasil tem desempenho melhor em nutrição e cuidados médicos básicos e tem mais oportunidade de melhorar no componente de segurança pessoal. Na dimensão de fundamentos de bem-estar, o Brasil tem pontuações mais altas no acesso ao conhecimento básico, mas fica para trás no componente de sustentabilidade dos ecossistemas. Na dimensão oportunidade, o Brasil é mais forte em direitos individuais e tem o maior espaço para melhorar no acesso à educação superior”, informa a SPI em seu relatório.

Na categoria de fundamentos de bem-estar, o país teve 76,21 pontos de média, conseguindo nota 96,13 em acesso ao conhecimento básico e 61,49 em sustentabilidade dos ecossistemas. Em necessidades básicas humanas, a média brasileira foi 71,14, alcançando 96,34 pontos no item nutrição e cuidados médicos básicos e 35,55 em segurança pessoal. Na dimensão de oportunidade, o país teve média de apenas 65,33 pontos, conseguindo 75,20 em direitos individuais e 48,05 em acesso à educação superior.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Forbes: de alguma forma, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza tem sido ignorado.

A culpa da péssima "tradução" é toda minha, apesar do Google ter feito quase todo o trabalho.


Independência, de Djanira da Motta e Silva



World Cup Economics: Why Brazil's Bashers Have Got It Wrong
Nathaniel Parish Flannery

No Brasil, a Copa do Mundo gerou protestos de ativistas interessados ​​em chamar atenção para os persistentes problemas com pobreza e desigualdade no seu país. Em 2013, manifestantes seguravam cartazes com mensagens em inglês como "WE DON’T NEED THE WORLD CUP" e "WE NEED MONEY FOR HOSPITALS AND EDUCATION." No entanto, como os cientistas políticos Diego von Vacano e Thiago Silva explicaram em seu excelente artigo para o The Washington Post, "os protestos são paradoxais, porque o Brasil obteve melhorias sociais e econômicas muito significativas desde que o país se candidatou para o evento, em 2003."
De forma mais ampla, a Copa do Mundo de 2014 destaca a ascendência econômica da América Latina na última década. O mar de camisas amarelas que podem ser vistos em jogos da Colômbia e as seções de torcedores mexicanos vestindo verde e torcendo para apoiar a sua equipe são um testemunho do recente sucesso econômico e crescente classe média da América Latina . Segundo o historiador do futebol David Goldblatt  "Imagens da televisão podem ser enganosas, e vestir uma camisa colombiana não é garantia de cidadania, mas o Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, foi inundado de amarelo - talvez 20.000 em uma multidão de 57.000. A mídia chilena tem relatado que até 10 mil torcedores estão fazendo a viagem ao Brasil, e parecia que todos estavam presentes em Cuiabá, quando a seleção passou pela Austrália ".

Em 2011, pela primeira vez na história, a classe média da América Latina superou o número de pobres da região. O Brasil, em particular, se destaca por seu sucesso no investimento em programas sociais e na redução da pobreza.

Pelo o número de camisas brasileiras expostas na multidão nos jogos, a Copa do Mundo do Brasil também está sendo fortemente assistida pela crescente classe média do país. Ainda assim, a percepção de que os gastos com o futebol são um desperdício em um país onde quase um quinto da população vive na pobreza ganhou impulso nas mídias sociais. Fotos deste mural, mostrando uma criança faminta chorando com a visão de uma bola de futebol em seu prato, foram compartilhados dezenas de milhares de vezes no Twitter e no Facebook. Outros usuários do Twitter compartilharam fotos como esta, lembrando fãs da pobreza que eles devem lutar a poucos quarteirões de distância de alguns estádios.

Entretanto, estes desenhos falham em mencionar que o Brasil destinou menos de 2 bilhões de dólares para a construção de estádios. Por outro lado, entre 2010 (ano em que começou a construção dos estádios) e o início de 2014, o governo federal do Brasil gastou mais de 360 bilhões de dólares em programas de saúde e educação. Para colocar isto em perspectiva, o governo do Brasil gastou quase 200 dólares em programas de saúde e educação para cada dólar gasto em estádios da Copa do Mundo. Embora a saúde, a educação e o sistema de transportes do Brasil precisem de investimento melhoria contínuos, os gastos com a Copa do Mundo não eclipsaram em nada os gastos com programas sociais progressistas.

A economia do Brasil é definida pela desigualdade profundamente arraigada. É um país conhecido por favelas e bilionários. De acordo com a Forbes, o Brasil é o lar de dezenas de bilionários, incluindo Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, que, juntos, controlam o maior império de mídia da América Latina, a Globo, e têm um patrimônio líquido combinado é de  28 bilhões de dólares. A empresa registrou 1,2 bilhão de dólares de lucro em 2013.

Segundo a pesquisa da Forbes, "Enquanto a crescente riqueza do país está criando mais milionários e bilionários do que nunca, as famílias ricas estão ficando com um grande pedaço da torta. Dentre os 65 bilionários brasileiros listados pela Forbes na nossa mais recente lista de bilionários do mundo, 25 são parentes de sangue. Oito famílias têm vários membros na nossa classificação." Jorge Lemann, proprietário parcial da Anheuser-Busch InBev, tem um patrimônio líquido de US $ 22 bilhões. Ele é a 30º pessoa mais rica do mundo. As quinze famílias mais ricas do Brasil têm um patrimônio líquido combinado de 122 bilhões, uma soma que é apenas um pouco menor que a produção econômica anual combinada da Costa Rica e do Equador.

Mas, embora seja fácil apontar caros estádios da Copa do Mundo ou longa lista de bilionários do Brasil e fazer comparações com os milhões de moradores do país que ainda vivem em situação de pobreza extrema, tais comparações não conseguem reconhecer o tremendo sucesso que os políticos brasileiros têm tido na erradicação da pobreza na última década. De acordo com um relatório recente do Centro das Nações Unidas para a América Latina e Caribe (CEPAL), em 2005, 38% da população do Brasil viviam abaixo da linha da pobreza. Em 2012, essa taxa de probreza caiu para 18,6% da população.

Em outras palavras, desde 2005, o Brasil efetivamente reduziu em mais da metade o número de seus cidadãos que vivem na pobreza. Em contrapartida, o México, um país cujos políticos estão mais focados na exportação e em salários competitivos, de fato, viu um aumento da pobreza durante este mesmo período de tempo, de acordo com os dados da CEPAL. O Chile, um país há muito elogiado por suas políticas de desenvolvimento econômico, viu um declínio muito menor na pobreza durante este mesmo período. No Chile, a pobreza caiu de 13,7% em 2005 para 11%  em 2011.

A América Latina é a região mais desigual do mundo, e o Brasil, em particular, é conhecido por sua história colonial, que girava em torno da exploração de culturas de rendimento e ajudou fomentar o estabelecimento de uma economia profundamente dividida dos residentes ultra-ricos e ultra-pobres. Na controvérsia sobre a Copa do Mundo, o tremendo sucesso recente do Brasil em reduzir a pobreza de alguma forma tem sido ignorado.

Jason Marczak, especialista em América Latina do "The Atlantic Council", em Washington, me disse: "A crítica ao excesso de custos dos estádios é, na verdade, um grito de que a cidadania do novo Brasil, um Brasil mais de classe média, exige maior transparência e um novo modelo de Estado mais ágil." No momento em que a seleção brasileira de futebol entra em campo, o mundo também deve ter um momento para reconhecer o sucesso dos políticos progressistas do país.

"O Brasil tem feito progressos impressionantes em crescimento sócio-econômico na última década, com dezenas de milhões de pessoas se deslocando da pobreza para a classe média", acrescentou Marczak.

domingo, 2 de maio de 2010

Jorge Furtado: Follha erra mais uma vez; mais uma vez, em proveito de Serra.

Texto de Jorge Furtado, publicado pelo Nassif.

Aqui, há mais dados sobre o assunto.

Pequeno comentário meu.

Talvez o colunista da Folha disponha de dados dos quais eu não tenho conhecimento. Nesse caso, obviamente, só poderia render-me à realidade. Mas, como ele não deu a fonte, em tese apenas, permito-me uma certa perplexidade com uma frase sua.

Segundo ela, a frase, homicídios, roubos a bancos e sequestros talvez sejam os crimes que mais afetam o ânimo da população. Tá, quantos aos homicídios, vamos deixar passar. Mas roubo a banco e sequestro? A nossa população realmente está mais preocupada com roubos a banco do que com furtos e roubos em residências ou de veículos? Nos tiram o seu sono os sequestros, e não as ameaças, a violência nos estádios ou aquela praticada pela polícia? É isso mesmo?

Talvez no meio em que o colunista viva, de fato, sequestros sejam uma preocupação cotidiana. E, obviamente, não digo que eles e os assaltos a bancos não devam ser coibidos. Mas, intuitivamente e sem nenhum dado mais concreto, acredito que o tráfico de drogas, os pequenos crimes de ruas (roubos e furtos), os roubos de carro e em residências, entre outros, afetem muito mais o "ânimo da população".

Bom, sei que o meu eles afetam muito mais.

Mas, fazer o que? É tudo, sempre, uma questão de ponto de vista. Visto de seu lugar social, talvez o colunista esteja certo. É provável que nos meios em que ele circula o sequestro seja efetivamente uma preocupação que afete o ânimo daquela população específica.

Parafreseando o Ministro Joaquim Barbosa, eu diria: saia às ruas, "jornalista".


A Folha errou, mais uma vez. Para variar, o mais novo erro factual da Folha é contra o governo federal (Lula, Dilma) e a favor do governo paulista (Serra). O mais recente erro da Folha está na coluna de hoje de Clóvis Rossi, intitulada “Questão social, questão policial”:

“Era uma vez uma certeza: as obscenas pobreza e desigualdade brasileiras eram as principais responsáveis pela igualmente obscena violência urbana. Aí, veio uma expressiva redução da pobreza. (…) Logo, a conclusão inescapável é a de que diminuiu a violência urbana, certo? Errado, mostram as estatísticas que esta Folha divulgou ontem, relativas justamente a um período (primeiro trimestre de 2010) em que a economia está bastante aquecida e, por extensão, aquece almas e corações de pobres e classe média (ricos nunca passaram frio, nem na idade do gelo na economia). Aumentaram os homicídios, os roubos a bancos e os sequestros, talvez as categorias de crime que mais afetam o ânimo da população. (…) É fatal concluir que a questão social continua sendo relevante, como é óbvio, mas não pode ser tomada como a única nem a principal causa da violência”.
Clovis Rossi, FSP, 02/04/10
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0205201003.htm (só para assinantes)

O jornalista da Folha esqueceu de avisar que as estatísticas que o jornal divulgou ontem se referem às taxas da violência EM SÃO PAULO E NÃO NO BRASIL. A manchete na matéria da Folha de ontem é: “Homicídios crescem 23% em São Paulo”. O sub-título: “Após nove anos em queda na capital paulista, número de assassinatos no primeiro trimestre de 2010 supera o de 2009”

Fatos: a pobreza e a desigualdade social diminuíram NO BRASIL (durante o governo Lula). Em 2009, violência aumentou EM SÃO PAULO (durante o governo Serra).

Clóvis Rossi reconhece que houve, no Brasil, uma “expressiva redução da pobreza”. E afirma, com base nos dados da cidade de São Paulo, que a violência, ao contrário da pobreza, aumentou.

Os dados disponíveis sobre o Brasil, até 2007, são bastante claros: o número de assassinatos cresceu significativamente durante o governo tucano (de 41.950 em 1998 para 49.695 em 2002), período em que a desigualdade social permaneceu praticamente inalterada. E caiu durante o governo petista (de 51.043 em 2003 para 47.707 em 2007), quando houve expressiva redução da pobreza.

 
O Brasil não é São Paulo. O número de homicídios, NO BRASIL, aumentou ou diminuiu em 2008 e 2009? Eu não sei. A Folha e Clóvis Rossi também não sabem ou, se sabem, não informam.

Depois de comparar alhos com bugalhos, Clovis Rossi afirma que “é fatal concluir que a questão social continua sendo relevante, como é óbvio, mas não pode ser tomada como a única nem a principal causa da violência”. O jornalista da Folha não esclarece qual seria, se não a questão social, a principal causa da violência. O futebol? Cachaça? Mulheres? Engarrafamentos? Quem sabe, a maldade humana?