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domingo, 26 de julho de 2015

Ex-beneficiário do Bolsa Família, estudante brasileiro apresenta projeto sobre hanseníase em Bruxelas.

Do Portal Brasil.


ESIMundi


Trabalho foi um dos 20 escolhidos para a Expo-Sciences Internacional; mãe destaca importância do Bolsa Família para garantir que jovem chegasse ao ensino superior

Aos 19 anos, o jovem estudante de Comunicação Social, Raimundo Otávio Ribeiro Neto, morador de Campo Maior (PI), embarca neste sábado (18) para Bruxelas, Bélgica, para representar o Brasil na Expo-Sciences Internacional (ESIMundi).

Raimundo e Nazaré Andrade, colega do estudante, desenvolveram o projeto Diagnóstico e acompanhamento dos casos de hanseníase nas unidades básicas de saúde na zona urbana de Campo Maior, que ganhou o direito de representar o Brasil em um dos maiores eventos científicos do mundo após ter ganhado o título de melhor projeto da II Feira de Ciência e Engenharia do Estado do Amapá.


“É uma satisfação representar meu estado e meu País. Meu objetivo é levar o projeto para a universidade”, destaca. A viagem está sendo custeada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).

O estudante desenvolveu o projeto durante o ensino médio no curso profissionalizante de Técnico em Enfermagem no Centro de Ensino Profissionalizante de Tempo Integral, quando descobriu que seu município apresentava dados preocupantes de hanseníase. “Temos 45 mil habitantes e 80 casos da doença”, conta Raimundo.

Os jovens então resolveram trabalhar no projeto e realizar o sonho de conscientizar as pessoas, por meio da divulgação em veículos de comunicação, sobre a importância do tratamento da doença. “Multiplicamos a informação para minimizar o preconceito e mostrar que o tratamento é simples, leva de seis meses a um ano.”


Maria Amparo, mãe de Raimundo, conta que a educação sempre foi vista pela sua família como algo essencial para que eles pudessem ter uma vida melhor.  Até o mês passado, a família era beneficiária do Bolsa Família. Maria Amparo utilizava a complementação de renda para alimentação e na compra de remédios. Raimundo reforça a importância do programa. “Na escola, alguns alunos tinham melhores condições. Com o Bolsa Família, conseguimos comprar uniforme, sapatos, material escolar.”

A irmã, Jamile Loides Otávio Ribeiro, 23 anos, também ingressou na faculdade. Ela está cursando licenciatura em Biologia na Universidade Estadual do Piauí, em Campo Maior. No ensino médio, fez curso técnico de Higiene Bucal. Ainda concluiu um curso profissionalizante de Maquiadora, pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Maria Amparo conta que devolveu o cartão do Bolsa Família porque a filha conseguiu um emprego com carteira assinada. “Jamile foi umas das 10 selecionadas, entre 80 candidatos, por uma rede de farmácias para trabalhar como operador de caixa. Teve prova de português e matemática, entrevista e teste psicológico.”

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Inclusão pelo consumo: entre 2002 e 2014, Brasil reduziu número de subalimentados em 82,1%.

Textinho do MDS, compilando dados sobre o Brasil da versão 2015 do relatório "O Estado de Insegurança Alimentar no Mundo".

Inclusão pelo consumo?

Gráfico - fome - redução - brasil


Ações de transferência de renda e de segurança alimentar são citadas como exemplo de que a proteção social gera um círculo virtuoso de crescimento inclusivo

O relatório O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) nesta quarta-feira (27), destaca os avanços brasileiros na redução do número de pessoas em situação de fome conquistado nos últimos anos. O Brasil é o país, entre os mais populosos, que teve a maior queda de subalimentados entre 2002 e 2014, que foi de 82,1%. No mesmo período, a América Latina reduziu em 43,1% esta quantidade.

Entre os mais populosos, o país também é aquele que apresenta a menor quantidade de pessoas subalimentadas. São 3,4 milhões no Brasil, pouco menos de 10% da quantidade total da América Latina, que é de 34,3 milhões. “O relatório confirma o esforço e reconhece a trajetória do Brasil na ação de redução da pobreza e do combate à fome”, ressaltou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

Dos arquivos do blog:

“O Brasil, ao contrário de outros países do mundo, sempre foi um grande produtor de alimentos. E, mesmo assim, a população passava fome. O nosso problema não era a disponibilidade de alimentos, o nosso problema era acesso aos alimentos e à renda. E isso conseguimos alcançar com políticas públicas”, explicou.

A publicação aponta também que o país alcançou todas as metas das Nações Unidas em relação à fome. O Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) era de reduzir pela metade a fome e o da Cúpula Mundial de Alimentação era de reduzir pela metade os números absolutos de subalimentados. O Brasil é um dos 29 países que conseguiram alcançar essas duas metas. “O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que está em processo de formatação, tem o objetivo de reduzir até menos de 5% até 2030. Desde o ano passado, nós já conseguimos alcançar esta meta”, contou a ministra.

As ações de segurança alimentar desenvolvidas e o Programa Bolsa Família foram citados como cruciais para o crescimento inclusivo que o Brasil alcançou. “A proteção social pode estabelecer um círculo virtuoso de progresso à população pobre com melhores salários, empregos e rendas”, destaca o relatório. “Estes programas reduziram significativamente a desigualdade de renda - entre 2000 e 2012, a renda média do quintil [20%] mais pobre da população cresceu três vezes mais rápido que a dos 20% mais ricos.”

A ministra Tereza Campello explica que o país agora enfrenta um novo desafio. “O Brasil saiu do Mapa da Fome. Temos a primeira geração de crianças alimentadas, que estão na escola e não vão repetir a trajetória de seus pais. E nos deparamos com o Brasil vivendo problemas de saúde típicos de países desenvolvidos, como a obesidade. E, principalmente, a obesidade infantil”, destacando que é um dos principais temas que serão tratados pelos governos e sociedade durante a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, no segundo semestre deste ano.

Veja mais dados elaborados pelo MDS em relação ao relatório

quarta-feira, 27 de maio de 2015

FAO/ONU: melhoria na renda dos mais pobres e fortalecimento do poder aquisitivo das mulheres tiraram o Brasil do Mapa da Fome.


Bom, a FAO divulgou nova edição do seu Mapa da Fome 2015, que confirma o Brasil com baixo índice prevalência da fome.

O relatório está disponível aqui.

Mapa da Fome da FAO - Edição de 2015
Mapa da Fome da FAO - edição de 2015


Novo relatório sobre o Estado da Insegurança Alimentar no mundo destacou que o Brasil tirou milhões de pessoas do mapa da fome não apenas por conta dos programas de transferência de renda. Fatores como fortalecimento do poder aquisitivo das mulheres e a melhoria da renda dos mais pobres também contribuíram para que país tivesse menos de 5% de sua população em situação de subnutrição.

Um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira (27) destacou o protagonismo do Brasil no combate à fome. Segundo o documento, o Brasil teve uma redução das taxas entre as décadas de 1990 e 2000, com o total de pessoas subnutridas passando de 22,6 milhões para 19,9 milhões.

Dos arquivos do blog:

A redução mais significativa veio em 2012, quando o país alcançou as duas metas da ONU de redução das taxas de fome: cortar pela metade o número de pessoas passando fome e reduzir esse número para menos de 5% da população.

O relatório global “Estado da Insegurança Alimentar 2015” (SOFI) foi publicado por três agências da ONU – a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Segundo o relatório da ONU, a proteção social pode estabelecer um círculo virtuoso de progresso envolvendo o aumento da renda, do emprego e dos salários das pessoas mais pobres. O documento cita como exemplo os programas “Fome Zero” e “Bolsa Família”, que segundo a agência da ONU foram “cruciais para alcançar um crescimento inclusivo no país”.

O Programa Bolsa Família, acrescenta, chegou a quase um quarto da população, principalmente às mulheres, com a transferência de recursos financeiros por mês para cada família – desde que elas mantenham seus filhos na escola e preencham outros requisitos, incluindo a área de saúde.

Com a economia brasileira crescendo 3% ao ano desde 2000 – e fornecendo, assim, as receitas públicas necessárias –, estes programas reduziram significativamente a desigualdade de renda, diz o documento. A ONU lembra que, entre 2000 e 2012, os rendimentos médios dos 20% mais pobres da população cresceram três vezes mais rápido que os dos 20% mais ricos.

Em vários casos, diz o documento da ONU, os efeitos positivos do crescimento econômico sobre a segurança alimentar e nutricional estão relacionados com a maior participação das mulheres na força de trabalho. O documento cita o Brasil novamente, informando que a participação na força de trabalho das mulheres subiu de 45% em 1990-1994 para 60% em 2013. Na Costa Rica, outro exemplo citado, a proporção de mulheres trabalhadoras aumentou 23% entre 2000 e 2008.

“Os gastos das mulheres geralmente envolvem mais investimentos domésticos em alimentação e nutrição, mas também em saúde, saneamento e educação, em comparação com os recursos controlados pelos homens”, acrescenta o documento.

Atualmente, os indicadores da ONU apontam o número de pessoas subnutridas no Brasil como “NS”, quando as estatísticas são insignificantes. Na prática, isso indica que o país tem menos de 5% da população nesta situação.

Os Estados-membros das Nações Unidas fizeram dois grandes compromissos para combater a fome no mundo. O primeiro foi na Cúpula Mundial da Alimentação (CMA), em Roma, em 1996, quando 182 governos se comprometeram a “erradicar a fome em todos os países, com o propósito imediato de reduzir o número de pessoas subnutridas à metade do nível atual até 2015”.

A segunda foi a formulação do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), criado em 2000 pelos Estados-membros da ONU, que inclui entre suas metas específicas “reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população que sofre de fome”.

Além do Brasil, as taxas de fome estão atualmente abaixo do limiar de 5% também na Argentina, Chile, Costa Rica, México, Uruguai e Venezuela. O objetivo da Cúpula Mundial de Alimentação foi alcançado na Argentina, Chile, Guiana, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela. Ao todo, 13 países da América Latina alcançaram a meta de reduzir a fome previsto no primeiro ODM. Além dos listados acima, estão também a Bolívia, a Guiana, o Panamá, o Peru e o Suriname.

Outros quatro países – Colômbia, Equador, Honduras e Paraguai – estão a caminho de atingir a meta nos próximos anos, se as tendências atuais persistirem. Mesmo que alguns países, como Guatemala ou El Salvador, pareçam estar fora do caminho para alcançar as metas internacionais, nenhum país da região tem uma taxa de prevalência de subnutrição (PoU) – indicador monitorado pela FAO – superior a 20%.

Apesar da queda global, quase 800 milhões ainda passam fome

Em relação aos dados globais, a ONU informou que o número de pessoas cronicamente subnutridas caiu, ficando abaixo da marca de 800 milhões, com um número crescente de países alcançando as metas do ODM contra a fome.

O relatório revela que o número de pessoas passando fome caiu para 795 milhões – 216 milhões a menos do que no período de 1990 a 1992 e quase 100 milhões a menos do que em 2012. Isto se deve em grande parte, destacaram as agências da ONU em um comunicado de imprensa, aos sucessos obtidos em regiões em desenvolvimento do mundo.

“O quase cumprimento das metas dos ODM sobre a fome nos mostra que podemos efetivamente eliminar o flagelo da fome de nossas vidas”, disse o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. “Temos de ser a geração Fome Zero. Esse objetivo deve ser integrado em todas as intervenções políticas e no coração da nova agenda de desenvolvimento sustentável a ser criada este ano”, acrescentou.

A maioria dos países monitorados – 72 de 129 – pela FAO atingiram a meta do ODM número um de reduzir pela metade a prevalência de subnutrição em 2015, com as regiões em desenvolvimento como um todo não alcançando a meta apenas por uma pequena margem. Além disso, 29 países cumpriram a meta mais ambiciosa definida na Cúpula Mundial da Alimentação, em 1996

terça-feira, 12 de maio de 2015

Desde 2003, número de filhos por família entre mais pobre no NE caiu 26% (frente a 10% no geral).

Não, as pessoas não estão tendo filhos pra ganhar o Bolsa Família.

Nordeste bolsa famíla
Fonte: http://www.psicosmica.com/2012/05/identidade-cultural-nordeste.html


Redução no número de filhos por família é maior entre os 20% mais pobres do País

Para a ministra, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios


Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%. Entre os 20% mais pobres, a queda registrada no mesmo período foi 15,7%. A maior redução foi identificada entre os 20% mais pobres que vivem na Região Nordeste: 26,4%.

Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e têm como base as edições de 2003 a 2013 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra que, em 2003, a média de filhos por família no Brasil era 1,78. Em 2013, o número passou para 1,59 [-10%] . Entre os 20% mais pobres, as médias registradas foram 2,55 e 2,15, respectivamente [-15%]. Entre os 20% mais pobres do Nordeste, os números passaram de 2,73 para 2,01 [-26%].
Para a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios.

“Mesmo a redução no número de filhos por família sendo um fenômeno bastante consolidado no Brasil, as pessoas continuam falando que o número de filhos dos pobres é muito grande. De onde vem essa informação? Não vem de lugar nenhum porque não é informação, é puro preconceito”, disse.

Entre as teses utilizadas pela pasta para explicar a queda estão os pré-requisitos do programa. “O Bolsa Família tem garantido que essas mulheres frequentem as unidades básicas de Saúde. Elas têm que ir ao médico fazer o pré-natal e as crianças têm que ir ao médico até os 6 anos pelo menos uma vez por semestre. A frequência de atendimento leva à melhoria do acesso à informação sobre controle de natalidade e métodos contraceptivos”.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Guardian: Bolsa Família marca uma década de pioneirismo no alívio da pobreza

Texto publicado no The Guardian (porcamente) traduzido com ajuda com Google.

Amplamente elogiado e muitas vezes ridicularizado, o principal programa de bem-estar social do Brasil continua sendo fortalecido uma década após a sua criação

Como uma das moradoras mais pobres do município mais pobre do Brasil, a vida sempre foi uma luta para Maria Eunice Alvis.

O telhado de sua casa de adobe vaza durante a temporada de chuvas e vermes representam uma ameaça constante para a saúde de seus 10 filhos. Há tão pouco dinheiro, que a família muitas vezes passa fome.

Dos arquivos do blog:

Durante a maior parte de seus 40 anos, a sobrevivência dependeu de "farinha", a farinha amarelada da raiz da mandioca. Nas cidades ricas, como Rio de Janeiro ou São Paulo, ela é um poerento acompanhamento; mas para Alvis e outras famílias desfavorecidas em Belágua, Maranhão, até recentemente, ela era o único vivere que eles tinham em tempos difíceis.

Hoje, no entanto, o governo lançou-lhes uma outra tábua de salvação - um apoio em dinheiro conhecido como Bolsa Família, que é pago com a condição das crianças irem para a escola e serem vacinadas

A cada mês, Alvis recebe R$ 250 reais (65 £). Esse montante não é suficiente para acabar com todos os seus problemas, mas, pela primeira vez em sua vida, ela tem uma renda regular.

"Eu fiquei muito feliz quando recebi o primeiro pagamento. Agora, eu estou acostumada. Mas ainda é bom saber que há um dinheiro que entra todo mês", diz Alvis, sentada na pequena, mas imaculada, cada de dois quartos que ela compartilha com outros 11.

Faz 10 anos desde que o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez do Bolsa Família um pilar central da estratégia de bem-estar social do país. Nos anos seguintes, projetos similares de ajuda a pobreza se espalharam por todo o globo. O programa pioneiro é agora o maior sucesso do Brasil na exportação, embora os prós e os contras de uma abordagem direcionada e condicional permaneçam ferozmente debatidos.

Em seu aniversário este ano, os defensores comemoram o programa como uma forma barata e eficiente para melhorar a vida dos mais necessitados. Os críticos dizem que ele apenas prende os pobres em um padrão de exploração e tem pouco impacto sobre a desigualdade.

Poucos, no entanto, duvidam que, dando diretamente dinheiro para os pobres gastarem, o Bolsa Família representa uma mudança de paradigma.

Em sua configuração mais básica, o Bolsa Família é o pagamento de R$ 70 por pessoa para qualquer família que vive abaixo da linha de pobreza de R$ 140 reais.

O programa tem crescido rapidamente. Nos últimos 10 anos, o número de famílias beneficiárias aumentou de 3,6 milhões -13,8 milhões, o que significa que o Bolsa Família agora abrange cerca de um quarto da população de 199 milhões de habitantes do Brasil.

Sua importância não deve ser exagerada. O Bolsa Família é apenas um dos quatro pilares do Plano Brasil Sem Miséria (Brasil Sem Pobreza), que também inclui salário mínimo, formalização do emprego e políticas de apoio às famílias rurais. Há também planos de pensões e projetos habitacionais que visam combater a desigualdade.

Mas foi o programa de pagamento condicional que atraiu a atenção do mundo porque é inovador, ousado e particularmente adequado para uma era de austeridade, redes sociais e construção de plataformas.

A Ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, diz que o Bolsa Família foi politicamente difícil de implementar, porque havia uma profunda resistência a dar apoio em dinheiro às pessoas.

"Os críticos citam Confúcio e dizem que é melhor ensinar as pessoas a pescar do que dar-lhes peixe, mas os beneficiários do Bolsa Família não são pobres porque são preguiçosos ou não sabem como trabalhar, eles são pobres porque não têm oportunidades, não têm educação e têm saúde precária. Como eles podem competir com essas desvantagens? Ao dar às pessoas o dinheiro para sobreviver, estamos capacitando-os, incluindo-os e dando-lhes os direitos de um cidadão em uma sociedade de consumo."

Comparado a um estado de bem-estar totalmente financiado ou a um sistema de pensões sociais, os gastos são pequenos. Os desembolsos anuais subiram de 4,2 para 23.95 bilhões de reais, mas ainda custam menos de 0,5% do PIB. O governo diz que o esquema também é rentável, com um retorno de 1,78 reais para a para cada real gasto.

O principal ganho é uma redução de 36 milhões de pessoas em extrema pobreza. A proporção de brasileiros que vivem neste estado (definido como menos de R$ 70 por mês) caiu de 8,8% para 3,6% entre 2002 e 2012. O forte crescimento econômico durante este período e a introdução do salário mínimo [SIC] foram os principais motivos, mas o governo credita ao Bolsa Família mais de um terço da melhoria.

"Todas essas pessoas estão em nosso programa. Se ele desaparecesse, todos cairiam de volta para a pobreza extrema", disse Campello.

Os números são contestados. Lena Lavinas, professora de economia do bem estar, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, diz que o governo exagera a importância do Bolsa Família e exagerou suas realizações ao não contabilizar adequadamente a inflação em suas estatísticas. Se o aumento dos preços fosse devidamente levados em conta, diz ela, a taxa de pobreza extrema deveria ser de 90 reais por mês - o que significaria o Bolsa Família tem levantado apenas 7 milhões de pessoas para acima desta linha.

Mas, enquanto a escala dos ganhos pode ser debatida, não há dúvida do esquema diminuiu a pressão sobre as comunidades mais necessitadas. Isso certamente é sentido em Belágua, onde a renda média mensal dos cerca de 7.000 moradores é de R$ 146,7 (£ 38.2).

"Esta é uma área muito pobre. Cerca de 80% das pessoas aqui dependem do Bolsa Família. Algumas pessoas ainda contam apenas com farinha e sal, mas as coisas estão melhores do que antes, graças ao Bolsa Família", disse o chefe da Câmara Municipal, Sidra Soares.

O dinheiro não dura muito, especialmente para famílias grandes, que são comuns em Belágua. Alvis percebe que, depois de comprar arroz (R$ 2,2 por kg), feijão preto (R$ 5,4 por kg), tapioca (R$ 5 por kg) e farinha (R$ 3,5 por kg), sobra pouco para fraldas e creme dental. A renda do bolsa geralmente não dura mais de uma semana. Para o restante do mês, a família muitas vezes faz apenas uma refeição por dia, comendo o que as galinhas botam ou usando qualquer rendimento que o marido de Alvis possa encontrar, nas raras ocasiões em que ele acha trabalho nos campos ou em um canteiro de obras.

"Não há empregos aqui", encolhe os ombros Alvis. "A única renda nesta cidade é o Bolsa Família."

Esta é uma das principais críticas do Bolsa Família - que faz pouco para combater a desigualdade, pois mantém os pobres apenas acima de um nível de subsistência, sem os meios para subir a escada social. Mas há um elemento de programa que faz com que seja um investimento de longo prazo no futuro.

O Bolsa Família é usado como um método de imposição de metas de saúde pública e educação. Os pais que não levam seus filhos para vacinar ou não os enviam para a escola são penalizados com pagamentos reduzidos. Em Belágua, isso é uma ameaça real, de acordo com o professor local Rosimat dos Santos Souza.

"Quando comecei a dar aulas, há 10 anos, eu diria que não mais de 40% das crianças iam à escola, mas agora é mais do que 70%. Agora, quando as crianças faltam, eu vou ver seus pais e eu lhes digo eles podem perder o seu Bolsa Família. Eles realmente ficam com medo, então funciona ", diz Souza.

Nacionalmente, o governo diz que as crianças são 10% mais propensas a ir para a escola se os pais recebem o Bolsa Família, enquanto as mães são 25% mais propensos a se inscrever para exames de saúde.

Os maiores ganhos foram nas áreas tradicionalmente mais pobres. Pela primeira vez na história do Brasil, as taxas de graduação de escolas no norte e nordeste são mais elevadas do que a média nacional, de acordo com a Ministra do Desenvolvimento Social.

"O Bolsa Família é uma plataforma não só para aliviar a pobreza, mas para ter mais crianças na escola e melhorar a saúde pública", disse Campello. "A renda é um incentivo que podemos usar para resolver outros programas sociais. Uma vez que as pessoas estão em nosso banco de dados, podemos oferecer-lhes outros benefícios e focar programa neles. Desta forma, o Bolsa Família é um instrumento para programas mais amplos. É uma plataforma ".

Como exemplo, ela diz que a presidente Dilma Rousseff está agora tentando introduzir escolas em período integral, em vez de o meio período, que é a norma. Este é um programa vasto e caro, que mira primeiro nas comunidades mais pobres, que têm maior necessidade de educação extra e refeições escolares. O banco de dados Bolsa Família tem ajudado o governo a identificar esses bairros. Dos 40.000 primeiros estudantes a participar das escolas públicas de período integral, mais de 75% são de famílias que recebem o Bolsa Família.

Embora em escala menos impressionante, houve outros ganhos desde o início do programa nos índices de desnutrição e mortalidade infantil. E eles aumentaram o índice de desenvolvimento humano do estado do Maranhão, que há muito tempo tem a maior taxa de analfabetismo no Brasil.

Enquanto é improvável que o Bolsa Família tire adultos da pobreza, a esperança é que ele irá crie as condições de saúde e educação para a próxima geração pensar além da próxima refeição de farinha.

"Nunca antes houve um programa social desse porte e importância no Brasil", disse Maria Ozaniro da Silva, da Universidade Federal do Maranhão. "O Bolsa Família está trazendo os maiores benefícios para as crianças. No futuro, sua vida será melhor do que a de suas mães ou pais."