sexta-feira, 12 de maio de 2017

Dilma, a guerrilheira que perde o ponto - ou não apaga o email


Fonte: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/2606iolandagmail-com/


A imagem acima reproduz uma ata notarial entregue pela Mônica Moura como prova de uma de suas alegações à força tarefa da Lava Jato, dadas em troca de sua liberdade.

Segundo a delatora, com dados falsos, ela e Dilma teriam criado uma conta no Gmail, para se comunicarem com segurança.

A comunicação se daria por meio da criação de rascunhos de mensagens, que poderiam ser lidos pelas duas sem transitarem entre contas na rede.

E, de fato, a ata prova que a conta de email existia. Afinal, um tabelião a acessou e atestou a existência e a veracidade dos prints.

Mas parece forçado dizer, como já tem gente dizendo, que ela prova o compartilhamento da conta.

Mas tem mais uma coisa um tanto ridícula na história.

A ata notarial foi lavrada em 13 de julho de 2016 (https://pbs.twimg.com/media/C_ptfFgWsAE5sup.jpg:large). Isso quer dizer que os prints representam o conteúdo da conta de email naquele momento.

O print que aí de cima mostra que, em 13 de julho de 2016, repito sim, havia apenas um rascunho na caixa.
Providencial, o rascunho foi criado em 22 de fevereiro, dia em que a Polícia Federal tentou executar os mandados de prisão da Mônica e de seu marido (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/02/1742270-com-prisao-decretada-joao-santana-e-sua-mulher-chegam-ao-brasil.shtml.)

Obviamente, como não poderia deixar de ser, ele sugere uma mensagem cifrada sobre um espetáculo.

No dia seguinte, eles voltaram ao Brasil e se entregaram a polícia.

Pouco tempo depois, em 08 de março, começaram a circular notícias de que a hoje delatora negociava sua colaboração premiadíssima (http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/mulher-de-marqueteiro-do-pt-negocia-delacao-premiada.html).

Em 04 de abril, surgem notícias de que o MPF fechara o acordo para comprar a delação da Mônica de seu marido (http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/joao-santana-e-monica-moura-fecham-acordo-de-delacao-premiada-na-lava-jato.ghtml).

E, aí, vem a parte tragicômica da prova: neste tempo todo, quase cinco meses desde a prisão, Dilma e seu assessor, que também teria a senha, não se lembraram de entrar na conta e encerrá-la ou, ao menos, apagar o rascunho supostamente incriminador?

É pra levar isso a sério mesmo?

Uma das poucas presas pela Lava Jato que, por acaso, teve chance de preparar sua própria prisão apresenta uma coisa dessas como prova e os investigadores aceitam?

Para quem quer, deve ser mais fácil imaginar um ex-guerrilheira desleixada, do que uma marqueteira aproveitando o tempo que lhe resta de liberdade para criar provas. Provas a serem trocadas por sua liberdade e por uma boa fatia de sua fortuna.

Para mim, é difícil de acreditar;

4 comentários:

ABCD EFGH disse...

Amigo, sou de esquerda também.
Dizendo isso só para você não achar que sou troll.

Faz sentido a hipótese de que Monica Moura tenha mudado a senha pouco antes de ser presa?

ABCD EFGH disse...

Você estava certo. A delação não faz sentido.

“Para preservar a existência da conta de e-mail, enquanto a colaboradora se encontrava presa, a senha de acesso foi trocada para “lice1984”, que permanece até hoje”, afirmou.

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/2606iolandagmail-com/

Ob. disse...

Cara, até faz sim. Depois que vc falou, fui reler a matéria do Estadão.
Na declaração firmada pela Mônica sobre o email, ela diz afirma que trocou a senha enquanto presa. Convenientemente, não diz a data da mudança da senha.
De qualquer forma, não pode ter sido imediatamente após a prisão.
E Dilma teria sido muito relapsa.
Continuo achando a história difícil de engolir, mas...

NeyMaria Menezes disse...

ABCD fez uma boa observação,e Mônica disse que arquivou no Word, mas,segundo observação do Nassif: a data que consta no rascunho (22 de fevereiro) não bate com os relatos que vieram depois-http://jornalggn.com.br/noticia/as-provas-e-duvidas-no-depoimento-de-monica-moura-contra-dilma