quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

R7: Financiamento imobiliário pela poupança bate recorde.

Outra do R7:

Financiamento imobiliário pela poupança bate recorde.
Tanto em volume como em número de unidades, 2009 superou 2008; tendência deve seguir

O financiamento imobiliário com recursos da poupança foi recorde em 2009, em valor e em número de unidades, segundo divulgou esta manhã a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). O valor financiado chegou a R$ 34 bilhões, o que representa crescimento de 13,3% em relação aos R$ 30 bilhões de 2008. Foram financiadas 302,680 mil unidades, superando as 299,746 mil do ano anterior, que também tinha sido recorde.

O crédito habitacional com recursos da poupança deve crescer 50% em 2010 na comparação com o ano passado conforme projeção da Abecip, chegando a R$ 45 bilhões. A entidade estima, ainda, financiamento recorde de 400 mil a 450 mil unidades. O crédito imobiliário com recursos de poupança aumentou 51% no mês de dezembro, para R$ 3,8 bilhões. O número de unidades financiadas foi de 31,688 mil, 24,45% acima do registrado em dezembro de 2008.

Em dezembro, a Abecip afirmou, em nota, que o desempenho dos financiamentos com recursos da poupança em 2009 deveria ser "ainda melhor que o de 2008". A projeção representava melhora em relação à estimativa divulgada em agosto pela entidade de crédito imobiliário de, no mínimo, R$ 30 bilhões.

No ano passado, a captação líquida (depósitos menos retiradas) dos recursos da poupança destinados ao SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos) aumentou 11,05%, para R$ 23,8 bilhões. Em dezembro, a captação líquida cresceu 2,92%, para R$ 7,1 bilhões.

R7: Juros ao consumidor têm a maior redução da história.

Matéria do R7:

Juros ao consumidor têm a maior redução da história.

Taxa fechou o ano em 42,7%, no menor nível desde 1994, segundo dados do Banco Central

A taxa de juros ao consumidor teve a maior redução da história em 2009, atingindo 42,7% ao ano, no menor nível desde 1994, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (21) pelo Banco Central. Em 2008, a taxa cobrada era de 57,9% ao ano.

A taxa média de juros dos empréstimos atingiu 34,3% ao ano em dezembro, sendo o menor patamar desde dezembro de 2007. O spread bancário, que é a diferença entre o que os bancos pagam para captar o dinheiro e os juros cobrados de seus clientes, também caiu para 24,3 p.p (pontos percentuais).

Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros apresentou retrações de 0,5 p.p. no mês e de 5,2 p.p. no ano, situando-se em 25,5% ao ano em dezembro.

Ao longo de 2009, as taxas de juros das famílias diminuíram de forma mais expressiva do que nas operações com empresas, reflexo do comportamento das taxas de inadimplência.

O calote dos empréstimos caiu, em dezembro de 2009, pela primeira vez desde setembro de 2008, mês da crise financeira internacional. A parcela dos financiamentos com atraso superior a 90 dias diminuiu de 5,8% em novembro para 5,6% em dezembro.

Apesar do recuo, a taxa segue em nível bastante superior ao observado um ano antes, em dezembro de 2008, quando estava em 4,4%. Entre os segmentos, a inadimplência das empresas recuou de 3,9% para 3,8% entre novembro e dezembro, ante 1,8% em dezembro de 2008. No crédito para famílias, a taxa caiu de 8,1% para 7,8%, de 8% há um ano antes.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Você realmente acha que está no comando:

Crazy, por Gnarls Barkley.

CONJUR: São Paulo só ganha de Alagoas e Maranhão no número relativo de Defensores Públicos.

Segue artigo publicado pelo Consultor Jurídico.

Gostaria de realçar uma informação que se extrai do artigo: a Defensoria Pública do Estado de São Paulo tem apenas 4 anos de existência.

Ou seja, em 1988, a Constituição estabeleceu que "a Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV". Seis anos depois, com a nova carta política em pleno vigor, o PSDB assumiu o governo do Estado de São Paulo - onde está ainda hoje, 15 anos depois.

Somente em 2006, entretanto, mais de 10 anos depois de o PSDB ter assumido o governo estadual, a Defensoria Pública foi finalmente criada no estado mais rico do país.

Talvez, isso aqui explique o descaso com esta instituição, a Defensoria Pública, que a própria Constituição considera essencial à justiça.

Por André Castro e Juliana Garcia Belloque
(André Castro é defensor público no estado do Rio de Janeiro e presidente da Associação Nacional de Defensores Públicos.
Juliana Garcia Belloque defensora pública em São Paulo, presidente da Associação Paulista de Defensores Públicos (Apadep)


Nos últimos anos, o sistema de justiça brasileiro tem se empenhado na busca por maior efetividade e democratização. As reformas legislativas que simplificam os procedimentos judiciais e o processo de modernização da gestão e informatização de dados, acompanhados da conscientização das instituições públicas no sentido de garantir acessibilidade por parte dos que são excluídos do sistema, geraram o consenso de que, além de ser célere e eficaz, a Justiça deve chegar para todos, só assim cumprindo seu indispensável papel de pacificação social.
Nesse cenário, o fortalecimento da Defensoria Pública, responsável pelo acesso à Justiça dos que não têm condições de pagar um advogado, coloca-se como instrumento sem o qual tais objetivos não podem ser alcançados. Na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, representantes governamentais e da sociedade civil elegeram o fortalecimento da defensoria como uma das diretrizes para o estabelecimento de uma eficiente política de segurança pública no Brasil.
O segundo pacto republicano, compromisso dos três Poderes de Estado, também priorizou a meta de consolidação da instituição, o que resultou, entre outras medidas, na lei federal 132/09, que melhorou a organização, ampliou as atribuições, previu direitos dos usuários e controle externo das Defensorias Públicas.

A Defensoria Pública de São Paulo, que completou quatro anos de história no dia 9 de janeiro, tem cumprido papel de destaque na construção de meios inovadores que garantam exercício de direitos e de cidadania pela população pobre.

Em 2009, recebeu, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Innovare -mais importante da área e que elege práticas voltadas à melhoria e à modernização do sistema de justiça-, pelo desenvolvimento de uma parceria com a Secretaria da Saúde do Estado que resultou no rápido acesso pelo cidadão a medicamentos e tratamentos hospitalares, sem necessidade de ajuizamento das demandas. Esses acordos extrajudiciais intermediados pelos defensores diminuíram em 90% o número de ações desse tipo propostas na capital do Estado.

Apesar das vitórias conquistadas em prol da população carente - fruto de árduo trabalho de profissionais que têm, em média, cerca de 2.000 processos judiciais em andamento-, a defensoria paulista, no seu aniversário, não tem muito a celebrar em termos de fortalecimento institucional.
Com o orçamento diminuto e estacionado desde a sua criação, são grandes as dificuldades para a expansão do serviço e para a remuneração adequada dos servidores. Para 2010, o orçamento do Tribunal de Justiça aumentou em R$ 174 milhões e o do Ministério Público em quase R$ 80 milhões, enquanto a Defensoria Pública recebeu pouco mais de R$ 2 milhões de aumento em relação ao ano anterior.

Segundo dados coletados pelo Ministério da Justiça no 3º Diagnóstico da Defensoria Pública no Brasil, lançado em novembro de 2009, São Paulo possui a terceira pior relação nacional de defensor público por potencial usuário (maior de dez anos com renda mensal de até três salários mínimos).
São mais de 72 mil pessoas para cada profissional. Apenas os Estados do Maranhão e de Alagoas possuem relação pior. A média nacional é de 1 defensor para cada 32 mil usuários, o que demonstra uma defasagem da maior economia do país de mais de 125% em relação à média nacional.


No ano passado, foram criados cem novos cargos de defensor público no Estado. O avanço, contudo, consiste apenas em um primeiro passo, importante, mas demasiado tímido.

Com 500 defensores -num Estado que possui cerca de 2.200 juízes e 1.800 promotores públicos-, cada grupo de 57.458 cidadãos paulistas contará com um servidor público para garantir-lhe a solução de conflitos jurídicos nas áreas de família, cível, moradia, infância e juventude, consumidor, violência doméstica, criminal e execução penal, dentre outras.
Com essa proporção, São Paulo continuará amargando a terceira pior colocação no ranking dos Estados.
Também na questão remuneratória não é o caso de comemorar. Ganhando cerca de quatro vezes menos que juízes e promotores, com quem dividem as salas de audiência nos fóruns, os defensores públicos paulistas ostentam o sexto pior salário inicial dentre as carreiras irmãs nos demais Estados. O quadro tem gerado constante evasão de profissionais e instabilidade na prestação do serviço.

Na celebração de mais um ano de Defensoria Pública em São Paulo, tem-se a certeza de que é necessário maior investimento e atenção para que o Estado se equipare aos avanços alcançados na democratização do acesso à Justiça em todo o país.

UOL: depois de 15 anos de governo do PSDB, 73% dos paulistanos desaprovam o policiamento de seu bairro.

Matéria do UOL.

Outros dados interessantes:

- Se pudessem, 57% dos paulistanos deixariam a cidade;
- 74% estão insatisfeitos com as opções de formação profisional disponíveis;
- "o tempo de deslocamento médio dentro do município está em 2 horas e 43 minutos diários; e
- 61% dos paulistanos não confiam na administração de Gilberto Kassab (PFL, ops, DEMO, ops, DEM).


Violência e alagamentos são os maiores medos dos paulistanos, diz pesquisa.
Arthur Guimarães

Para tentar listar as situações que mais preocupam os paulistanos, o Movimento Nossa São Paulo pediu ao Ibope que tabulasse quais seriam, em ordem, os principais medos da população.

Dos cinco primeiros colocados, quatro estão relacionados com a segurança pública e um com os alagamentos, que estão causando diversos transtornos nessa temporada de chuvas.

Segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira (19), em número de citações, os "roubos e assaltos" foram os campeões. Em segundo lugar, aparece a "violência em geral". Logo depois, está registrado o "tráfico de drogas", seguido de "alagamentos" e, finalmente, "sair à noite".
O impacto dessa sensação de insegurança na qualidade de vida dos paulistanos foi medido em outras fases da pesquisa. Setenta e três por cento da população está totalmente insatisfeita com a o policiamento em seu bairro.

Já 74% fazem uma péssima avaliação da ronda policial, enquanto apenas 3% dos entrevistados alegaram estar plenamente satisfeitos com a segurança na cidade, em termos gerais.
As causas para esse quadro também parecem estar claras para os paulistanos. Setenta por cento das pessoas disseram ao Ibope que julgam inadequados os valores pagos aos policiais.

Outros fatores que influenciam indiretamente no quadro também foram notados. Setenta e seis por cento dos paulistanos negam que haja igualdade no acesso à oportunidade de trabalho. Já 81% tiveram a avaliação mais crítica possível da distribuição de renda no município.

A iluminação pública, outro quesito que interfere na sensação de segurança, também teve um diagnóstico dramático. Mais da metade dos entrevistados disse que está totalmente insatisfeita com o serviço municipal, enquanto apenas 10% se julgaram felizes com o item.

Carta Maior: segundo Sepúlveda Pertence, o PNDH3 é fiel à Constituição e ao projeto de país nela expresso.


Em entrevista à Carta Maior, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence, defende o 3° Plano Nacional de Direitos Humanos e critica a ignorância de quem não leu o plano e o "propósito, mal dissimulado, de fazer da objeção global ao plano uma bandeira da campanha eleitoral que se avizinha". Para Pertence, "o Plano é fiel à Constituição. Não apenas ao que dela já se implementou, mas principalmente, ao arrojado projeto de um Brasil futuro, que nela se delineou, e que falta muito para realizar".

Redação - Carta Maior

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence, defende que o 3° Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) é fiel à Constituição brasileira e à tarefa expressa nela de constituir uma sociedade livre, justa e solidária. Em entrevista concedida por email à Carta Maior, Sepúlveda Pertence analisa a polêmica e as reações que sugiram contra o plano. Ele critica a ignorância de quem não leu o plano e o “desconhecimento da verdade de que a liberdade e a igualdade formais do liberalismo clássico valem muito pouco, se não se efetivam os pressupostos substanciais mínimos da dignidade da pessoa e, portanto, da fruição por todos dos direitos humanos”. E aponta “o propósito, mal dissimulado, de fazer da objeção global ao plano uma bandeira da campanha eleitoral que se avizinha”.

Carta Maior: Qual sua avaliação sobre toda essa polêmica em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos e da proposta da Comissão de Verdade?

Sepúlveda Pertence: Na base das críticas ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos - o PNDH–3 - está um cipoal que entrelaça galhos e raízes desconexas. Elas partem da ignorância de quem não leu o Plano e do desconhecimento da verdade – estabelecida há quase dois séculos – de que a liberdade e a igualdade formais do liberalismo clássico valem muito pouco, se não se efetivam os pressupostos substanciais mínimos da dignidade da pessoa humana e, portanto, da fruição por todos dos direitos humanos. A essa ignorância – quando não se servem propositadamente dela – se tem somado para aviventar atoarda contra o Plano, desde a manifestação legítima de divergências a algumas de suas propostas e metas - assim, a da Igreja, a respeito da descriminalização do aborto – os temores de segmentos das Forças Armadas, na questão da Lei de Anistia de 1979 – , e a voz poderosa dos interesses e privilégios a preservar contra qualquer ameaça, ainda que remota, de trazê-los à agenda da discussão nacional.

Tudo isso, sem considerar o propósito, mal dissimulado, de fazer da objeção global ao Plano uma bandeira da campanha eleitoral que se avizinha. Aí, fingindo ignorar que o PHDC–3 retoma e reagita, em grande parte – malgrado, às vezes, com estilo menos cauteloso –, as diretrizes, metas e propostas do Plano anterior, editado no governo do Presidente Fernando Henrique, e justamente creditado a Jose Gregori, figura admirável de dedicação, coragem, altivez e coerência na luta pelos direitos humanos no Brasil.

Desse modo, a crítica que se poderia fazer ao PNDH-3 – e no plano da estratégia política –, é a de sua abrangência, deveras ambiciosa. Nesse sentido, a censura do brilhante jornalista Willian Waack no seu programa de televisão, do qual participei, ao lado de Gregori e de Bolívar Lamonnier a de que o Plano, de tão amplo, pretenderia ser uma nova constituição do Pais. O dito é inteligente e espirituoso. Mas não é exato.

Ao contrário, o Plano é fiel à Constituição. Não apenas ao que dela já se implementou, mas principalmente, ao arrojado projeto de um Brasil futuro, que nela se delineou, e que falta muito para realizar.

Afinal, foi a Constituição que erigiu a tarefa de “constituir uma sociedade livre e justa e solidária” em objetivo fundamental da República. Objetivo no sentido do qual ela própria, a Constituição, se empenhou nas generosas declarações de direito individuais e coletivos. E para a consecução do qual o texto da Constituição se estendeu em capítulos e capítulos de aldazes inovações, a exemplo daqueles em se subdividia o Titulo VIII – Da Ordem Social.

O PNDH-3, como o Plano que o antecedeu, é um esforço admirável de sistematizar propostas no rumo da concretização do programa constitucional de uma sociedade futura- “justa, livre e solidária”. Lido sem preconceito, é claro que se sujeita a críticas e objeções pontuais. Nunca, porém, à reação global e desenfreada – às vezes, histérica – de que tem sido alvo, e que só os interesses atemorizados explicam.

Carta Maior: O que esse debate indica a respeito do atual estágio da democracia no Brasil?

Sepúlveda Pertence: A democracia se fortalece na razão direta da capacidade, que a sua prática demonstre, de solver conflitos.

A polêmica suscitada por um simples Plano, sem nenhuma eficácia jurídica, só antecipa os conflitos reais de idéias e de interesses a enfrentar no futuro, quando algumas das propostas nele apenas esboçadas – e contra a maioria das quais nem a reação mais emperdenida ousa manifestar-se –, se converterem em projetos concretos de legislação ou de ação governamental. Vale, assim, como advertência das dificuldades a vencer.

Carta Maior: Diante da reação manifestada por alguns setores da sociedade, quais são as chances de avanços no pais do debate sobre os direitos humanos? O que pode ser feito, na sua avaliação, para superar essa resistência?

Sepúlveda Pertence: Nos pontos em que a resistência se funda em preconceitos, a evolução da cultura social se encarregará de superá-los. Desde, é claro, que preservada e ampliada a liberdade para desmontá-los.

Mais árdua é a caminhada para vencer interesses e privilégios estabelecidos, em particular, os que comandam as empresas de comunicação de massa.

O que resta é confiar em que, passo a passo, a diminuição da pobreza gere a difusão e o aprofundamento da consciência da cidadania, e esta, a organização da maioria explorada pelos privilégios arraigados por séculos de brutal desigualdade. Eu não verei essas transformações, mas sou otimista, e creio que os meus netos as viverão.

Carta Maior: Qual sua opinião sobre a “acusação” de revanchismo, levantada pelos adversários da proposta de criação de uma Comissão da Verdade para avaliar fatos ocorridos durante a ditadura?

Sepúlveda Pertence: Para cuidar do tema da pergunta, é preciso, de início, desfazer a confusão -, difundida largamente por veículos da grande imprensa -, entre ela – a proposta, desenvolvida no PNDH-3, de criação da Comissão Nacional da Verdade, destinada, não a “avaliar”, mas, sim à reconstituição histórica dos anos de chumbo – e a suposta pretensão de rever os termos da concessão da anistia pela Lei 6.683, de 1979, de modo a excluir do seu alcance os abusos criminosos cometidos na repressão, aos crimes políticos dos adversários da ditadura militar, conforme a hodienta Lei de Segurança Nacional.

É no mínimo curioso – para não cogitar de distorção propositada da informação ao público – que o PNDH–3 não contém proposta alguma, e sequer sugere, a tal revisão da Lei de Anistia de 1979.

A única alusão à matéria está na referência à argüição pela Ordem dos Advogados perante o Supremo Tribunal, visando à declaração de que a tortura, os homicídios e outros crimes da repressão aos presos políticos não foram beneficiados por aquela Lei da Anistia (PNDH–3: Eixo Orientador VI: Direto à Memória e à Verdade): sobre o mérito da questão, o Plano não emite juízo; ao contrário, ao enumerar o rol de competências sugerido para a Comissão Nacional de Verdade, nele inclui a de “colaborar com todas as instâncias do Poder Público para a apuração de violações de Direitos Humanos, observadas as disposições da Lei n° 6.683”, isto é, a Lei de Anistia de 1979.

Quanto a idéia e às linhas gerais da proposta da Comissão Nacional da Verdade, minha opinião é decididamente favorável: viabilizar a reconstituição histórica daqueles tempos é um imperativo da dignidade nacional.

Para propiciá-la às gerações de hoje e de manhã, é necessário, descobrir e escancarar os arquivos, estejam onde estiverem, seja quem for que os detenha.

Passado um quarto de século da eleição de Tancredo Neves, e da retomada do processo democrático, divisar “revanchismo” nesse esforço de desvelar os segredos ainda remanescentes da historia das décadas anteriores seria animar o ressurgimento das “vivandeiras de quartel”, a que se referiu com desprezo o Marechal Castello Branco.

Outra coisa é compreender as feridas ainda não cicatrizadas dos que padeceram a tortura institucionalizada, ou da perda de entes queridos, muitos dos quais ainda jazem nos sepulcros clandestinos: o mínimo a reconhecer-lhes é o direito a verdade.

Ainda guardo certo constrangimento de externar opiniões sobre questões pendentes no Supremo Tribunal, que integrei por quase duas décadas. E em termos profissionais, me tenho recusado terminante e freqüentemente a fazê-lo, na observância da interpretação mais estrita do triênio da quarentena prescrita pela Reforma Judiciária.

Fui no entanto, modesto participe e testemunha privilegiada da luta pela anistia.

Relator, no Conselho Federal, da manifestação unânime da OAB sobre o projeto de lei da anistia - reivindicação pioneira da Ordem – afinal extraído do governo do General Figueiredo, nada tenho a alterar no parecer que então submeti aos meus pares

No projeto, havia um ponto inegociável pelo Governo: o § 1° do art. 1°, que, definindo, com amplitude heterodoxa, o que se considerariam crimes conexos aos crimes políticos, tinha o sentido indisfarçável de fazer compreender, no alcance da anistia, os delitos de qualquer natureza cometidos nos “porões do regime” - , como então se dizia – pelos agentes civis e militares da repressão.

Meu parecer reconheceu abertamente que esse era o significado inequívoco do dispositivo. E sem alimentar esperanças vãs de que pudesse ele ser eliminado pelo Congresso, concentrava a impugnação ao projeto governamental no § 2° do art. 1°, que excluia da anistia os já condenados por atos de violência contra o regime autoritário.

A circunstância me transformou em assessor informal, na companhia de Raphael de Almeida Magalhães, do ícone da campanha da anistia, o indomável Senador Teotônio Vilela. Teotônio foi um tipo singular daqueles tempos, que a incurável amnésia histórica dos Brasileiros começa a esquecer.

Acompanhei, por isso, cada passo da tramitação legislativa do projeto, pois Teotônio presidiu a comissão especial que o discutiu.

É expressivo recordar que, no curso de todo processo legislativo – que constituiu um marco incomum de intenso debate parlamentar sobre um projeto dos governos militares – , nenhuma voz se tenha levantado para pôr em dúvida a interpretação de que o art.1º, § 1º, se aprovado, como foi, implicava a anistia da tortura praticada e dos assassínios perpetrados por servidores públicos, sobre o manto da imunidade de fato do regime de arbítrio. O que houve foram propostas de emenda - não muitas, porque de antemão condenado à derrota sumária – para excluir da anistia os torturadores e os assassinos da repressão desenfreada.

É que – na linha do parecer que redigira, e que a Ordem, sem discrepância, aprovara –, também no Congresso Nacional, a batalha efetivamente se concentrou na ampliação da anistia, de modo a retirar do projeto governamental, a execrável regra de exclusão dos já condenados por ações violentas de oposição à ditadura. Exclusão tão mais odiosa na medida em que – contrariando o caráter objetivo do conceito de anistia – discriminava entre agentes do mesmo fato, conforme já estivessem ou não condenados.

A orientação de Teotônio – que Raphael e eu municiávamos – foi espargir emendas para todos os gostos, até identificar uma, de aprovação viável.

A eleita – pelo conteúdo e pela respeitabilidade do subscritor, o Deputado Djalma Marinho – um ex–udenista que continuou fiel ao discurso libertário da UDN: nela além de suprimir a odiosa regra de exclusão do §2º, ampliava-se o raio de compreensão do § 1º, de modo a tornar indiscutível que a anistia – malgrado beneficiasse os torturadores também alcançaria que a linguagem oficial rotulava de “terroristas”, já condenados ou não.

A Emenda Djalma Marinho – sustentada pelo discurso candente de Teotônio – contra toda força ainda esmagadora do governo autoritário –, dividiu literalmente a Câmara dos Deputados: foi rejeitada por 206 contra 202 votos!

A derrota sofrida no processo legislativo se converteu em vitória, vinda de onde menos se esperava: à base do princípio da igualdade, o Superior Tribunal Militar estendeu aos já condenados a anistia concedida aos acusados, mas ainda não julgados, dos mesmos crimes políticos .

Desculpem–me pelo tom de antecipadas “memórias póstumas” deste depoimento.

Se não pude evitá-lo, é por que a minha convicção jurídica continua a mesma do parecer apresentado à Ordem, em 1979: não obstante toda nossa repulsa à tortura estatal, os torturadores foram, sim, anistiados pela lei de 1979.

E lei de anistia é essencialmente irreversível, porque implica, na lição dos mestres, tornar não criminosos atos criminosos ao tempo de sua prática. E, por isso, sua eficácia jurídica se exaure e se faz definitiva, no momento mesmo em que entra em vigor.

É certo que a anistia se restringe a elidir caracterização penal do fato. Resta íntegra, quando se refere à ação de agentes públicos, a responsabilidade patrimonial do Estado pelos danos causados aos cidadãos. Mas essa, a responsabilidade civil – cujos efeitos a prescrição quinquenal poderia extinguir – as leis editadas sob o governo Fernando Henrique reassumiu.

Li e reli , com a veneração intelectual e o respeito pessoal por seu redator , o amigo Fábio Konder Comparato, a petição da OAB de hoje, de retratação da posição assumida em 1979. Mas dela não me convenci.

Não superei a impressão inicial de que a maestria do autor não logrou livrar a tese do pecado do anacronismo: ela pretende reler, à luz da Constituição de hoje, que fez da tortura crime “insusceptível de graça e anistia”, e de convenções internacionais que ditam a sua imprescritibilidade, a inequívoca interpretação de uma lei de 1979, editada sob a égide do autoritarismo da Carta de 1969, outorgada pela junta militar que assaltara o Poder. Para aceitar a tese, de minha parte, teria de repudiar convicções acendradas.

Por outro lado, hoje, é cômodo tachar de “posição imediatista e visão curta sobre direitos humanos” – como está em importante revista da semana - o parecer que submeti à OAB, em 1979, e que o Conselho Federal acolheu por unanimidade: afinal, hoje, não se tem presos políticos a libertar, nem processos a trancar, preocupações inadiáveis para os que então lutávamos pela anistia. E o crítico feroz de agora sequer fora escorraçado dos quadros da magistratura que - é justo dizê-lo – exerceu com brilho e dignidade. “E la nave và”...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Brasil Econômico: empresas brasileiras e seus modelos de negócios são exemplo em feira mundial de varejo.

Matéria do Brasil Econômico.

Regiane de Oliveira (roliveira@brasileconomico.com.br) - A repórter viajou para Nova York a convite da GS&MD;  18/01/10 16:03

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Na principal feira, realizada pela 99ª vez em Nova York, práticas de empresas nacionais são citadas como tendência a ser seguida.

Luiza Trajano, presidente da rede varejista Magazine Luiza, há oito anos faz as malas no começo de janeiro e prepara-se para deixar o calor de Franca, no interior de São Paulo, e enfrentar a fria Nova York.

Seu destino: a maior feira de varejo do mundo, o Retail's Big Show, organizada há 99 anos pela Federação Nacional de Varejo dos Estados Unidos (NRF, na sigla em inglês), que aconteceu na semana passada.

Luiza é do grupo de participantes caxias, que visita cada estande, assiste o máximo de palestras e anota as principais tendências para colocá-las em prática no Brasil.

Compras? Praticamente não dá tempo, apesar de ela jurar que sempre leva algo para os netos. No evento deste ano, porém, as coisas estão um pouco diferentes.

As anotações de Luiza rarearam. O motivo: pela primeira vez, são exemplos brasileiros que lideram as tendências que, espera-se, vão nortear o comportamento do varejo mundial nos próximos anos.

O Magazine Luiza, assim como a Livraria Saraiva e a Cacau Show, estava entre as atracões principais do evento. Os destaques: modelo de atendimento, expansão agressiva e investimentos em multicanais de venda. Parece exagero? De fato. Mas uma nova realidade foi desenhada no mercado varejista.

"Entre os palestrantes internacionais, ficava até mal quem não falasse do Brasil como oportunidade de negócio, soava desinformação", contou Marcos Gouvea de Souza, presidente da consultoria GS&MD, que levou um grupo de 180 executivos para a feira.

Além da GS&MD, delegações de executivos da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e Grupo Cherto fizeram com que o Brasil tivesse o maior número de participantes, juntamente com o Canada, com 27% do total de estrangeiros. Neste ano, cerca de 600 brasileiros, seguiram os passos de Luiza Trajano rumo a Nova York.

Frente a este publico, nenhum palestrante quis passar vergonha. Solução para aumentar a rentabilidade das empresas americanas? Expandir para os mercados emergentes, como o caso do Walmart no Brasil, afirmou o presidente da J.C Penney, Allen Questrom.

Exemplo de empresas que estão tendo sucesso no varejo on-line? Em meio aos tradicionais, como Amazon, o modelo de negócio do Submarino, disse Sucharita Mulpuru, da consultoria Forrester. Novos players do varejo que estão saindo de países emergentes? O Boticário, rede de franquias brasileira, é um dos que tem maior potencial para internacionalização, segundo Ira Kalish, diretor global da Deloitte Research.

Luiza ficou surpresa com a exposição das empresas nacionais. "Até então a gente estava fora do mapa.". As dificuldades em acreditar no potencial brasileiro mostram que as empresas têm um novo desafio.

"O americano está preparado para se posicionar com o sucesso, mas em momentos de dificuldades eles não sabem o que fazer. O caso do Brasil é diferente, não estamos acostumados com o sucesso, mas vamos ter de lidar com isso", afirmou Acacio Rosa Queiroz Filho, presidente da Chubb do Brasil, que participou do evento.

Lidar com o sucesso, por outro lado, não significa jogar para baixo do tapete as questões que ainda prejudicam o crescimento. Se as empresas brasileiras se destacaram como modelos de adaptação, resultado de um penoso e por vezes rentável aprendizado nos períodos de hiperinflação, ainda têm dificuldade em alguns quesitos, entre eles a tão falada sustentabilidade.

"O varejo brasileiro ainda está longe de realmente abraçar a sustentabilidade. Todos estão na fase de testes", diz Luiza Trajano. "Tenho até vergonha de falar que estou investindo em sustentabilidade se não consegui reduzir nem o consumo da minha casa."

A estratégia do Magazine Luiza é educar os funcionários e para isto vale até incentivo para os colaboradores que mantém as plantas do escritório vivas, conta a empresária. "Ainda temos a questão logística, que tem um grande impacto, além das embalagens, que não começaram a se adequar para a nova realidade", diz.

Mas não é só neste quesito que ainda é possível aprender muito com as empresas americanas. A empresária afirma que em relação à organização de processos e objetividade, design de lojas e inovação, as redes americanas ainda se destacam. "Mas nós somos melhores em colocá-los em prática", diz Luiza, que não esconde o sorriso de contentamento.

Marcos Gouvea concorda: "O que passamos nos últimos 10 anos no varejo brasileiro equivale ao crescimento de 50 anos. Hoje não é possível só pensar na evolução dos negócios lá na frente. Podemos pensar grande."

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Inovação Tecnológica: com atraso, Brasil começa a desenvolver tecnologoa robótica própria.

Matéria do Inovação Tecnológica.
Robô brasileiro é alternativa para incrementar robótica no país.
Com informações da Agência Fapesp - 14/01/2010
Robótica no Brasil

Os robôs têm sido fabricados e comercializados há décadas para aplicações industriais - como os braços robóticos utilizados na indústria automobilística desde a década de 1960.

Mas, segundo pesquisadores, ainda há um atraso nessa área no Brasil, principalmente nas faculdades de engenharia mecânica, eletrônica e informática, nas quais é necessário importar robôs ou, na ausência deles, usar simuladores computadorizados para o desenvolvimento de pesquisas básicas em robótica.

Esse quadro começa a mudar, com a área de robótica ganhando alguma força no país nos últimos anos. Um exemplo está na experiência da empresa Cientistas Associados, criada em 2003 por pesquisadores brasileiros para desenvolver produtos tecnológicos baseados em software e hardware, como sistemas interativos e robôs móveis.

Plataforma robótica

A grande novidade da empresa na área é o RoboDeck, uma plataforma robótica multi-uso projetada para utilização em educação e pesquisa. O modelo é capaz de se adaptar a projetos tanto de estudantes do ensino médio técnico como da graduação e da pós-graduação.

O robô é constituído de um hardware básico, formado pelos componentes principais, e um hardware opcional, constituído de módulos como câmera, placa de alta desempenho e dispositivos adicionais que podem ser acoplados dependendo da necessidade de cada projeto.

"Trata-se de uma plataforma universal e aberta que permite acoplar outros módulos. Isso facilita a pesquisa porque não é necessário partir da estaca zero todas as vezes que se for desenvolver um novo projeto. Permite ainda que professores e alunos direcionem os trabalhos diretamente aos módulos tanto de hardware como de software ou em um algoritmo inteligente, em vez de se preocupar com as ferramentas", afirma Antonio Valério Netto, diretor da empresa.

Robô reconfigurável

O projeto foi transformado em produto e será comercializado em 2010 pela empresa XBot. Seis universidades brasileiras já solicitaram a aquisição do RoboDeck.

"O RoboDeck funciona como um sistema operacional de computador, em que cada usuário pode programá-lo de diversas formas. A ideia é que a tecnologia para controlá-lo não seja específica, mas sim aberta. No caso brasileiro, existe um filão com a popularização de softwares livres. Pode-se usar Windows, Linux e reconfigurar o robô para cada pesquisa", disse.

Segundo Valério Netto, o objetivo é fazer com que o robô seja uma ferramenta, de modo que os pesquisadores e estudantes na área não precisem fugir do foco principal, que é a pesquisa.

Eletrônica viva

O RoboDeck pode ser controlado remotamente ou funcionar de forma autônoma para realizar tarefas predeterminadas.

Nos módulos opcionais pode-se acrescentar placa de alta performance com Linux embarcado que permite, por exemplo, comunicação por meio de tecnologias como wi-fi, bluetooth ou zigbee, além de câmeras com entrada USB, garras mecânicas e motores de direção, entre outros dispositivos.

Segundo Valério Netto, a plataforma robótica cria o que ele chama de "eletrônica viva". "Há 20 anos, uma plaquinha eletrônica em cima de uma mesa era algo fantástico para se estudar. Hoje isso não funciona muito. Os alunos ficam livres para pensar a criação de módulos e dissecar o robô em várias partes. Dentro dele, tem eletrônica, mecânica, computação, onde se pode estudar a inteligência computacional", disse.

Preço de um carro

O preço dos kits do RoboDeck varia de R$ 3 mil a R$ 35 mil dependendo da configuração e do modelo do produto. Segundo o pesquisador, essa variação de preço envolve o acréscimo de módulos e a aquisição de módulos separadamente. A empresa já tem encomendas para 2010 de várias universidades brasileiras e instituições de pesquisa.

"O robô tem um custo bem acessível em relação a seus concorrentes internacionais. Além disso, a barreira alfandegária encarece em até 60% a compra de produtos eletrônicos de fora do país, o que torna o processo mais complicado para as universidades", disse.

Robô de vigilância

Apesar do foco em pesquisa e educação, Valério Netto conta que outras empresas podem se interessar e utilizar a plataforma universal do RoboDeck e, a partir dela, fazer novas aplicações.

"Tivemos a experiência de uma empresa da área de segurança que achou bastante interessante a utilização dos robôs para realizar rondas programadas em locais como grandes armazéns e galpões onde ficam armazenados produtos estocados. O robô pode se locomover durante várias horas e, por meio da câmera digital e outros sensores, identificar intrusos ou mesmo situações não programadas que precisam ser alertados para a central de segurança", disse.

"Além disso, é possível implementar módulos específicos que permitirão ao robô atuar na execução de rondas para segurança e monitoramento de condomínios horizontais (áreas residenciais) e áreas de risco em indústrias petroquímicas e usinas de geração de energia (nuclear, termelétricas, entre outras", complementou.

Viomundo: as lições e a história de mais uma crise imaginária.

Essa suposta crise em torno do PNDH III, insuflada pelo Ministro da Defesa e potencializada pela nossa isenta grande mídia, teve lances tão bizarros, que gostaria de elaborar um post contando sua história. Mas cadê tempo e competência?

Pois bém, problema resolvido. Com maestria, o Viomundo de Azenha fez o trabalho.

Segue o artigo, que inclui links para matérias e artigos sobre cada um dos movimentos mais esdrúxulos da história.
Atualizado em 14 de janeiro de 2010 às 01:35 | Publicado em 14 de janeiro de 2010 às 00:40

por Luiz Carlos Azenha

Definiu um leitor do Nassif que "a montanha pariu um rato". Seria uma boa imagem se, depois de tantos litros de tinta, tantas páginas de jornal, tantos minutos em emissoras de rádio e televisão dedicados à polêmica do Plano Nacional de Direitos Humanos não extraíssemos absolutamente nada.

Não foi o caso. Podemos dizer que a polêmica pariu uma tremenda discussão sobre Direitos Humanos e renovou o ímpeto daqueles que lutam para aprofundar a democracia brasileira e fazer valer direitos não apenas aos latifundiários da terra e do espaço eletromagnético. Um leitor do Viomundo -- a quem peço perdão antecipado por não ter anotado o nome -- apontou o nexo entre esses dois grupos por trás da polêmica.

Não é por acaso que, do lado de lá, sustentando a teoria doidivanas de que o PNDH representa algum tipo de "cobertura" a um "golpe autoritário" no Brasil, estavam os editorialistas da Folha, do Estadão, as páginas da revista Veja, o Ali Kamel, o Boris Casoy apud Ives Gandra Martins, a Confederação Nacional da Agricultura (da Kátia Abreu), a OAB paulista (a mesma do "Cansei"), setores conservadores da Igreja, o José Nêumanne, o Alexandre Garcia e uma infinidade de outros personagens menores.

O leitor Gustavo Paim Pamplona disse, em comentário, que o terremoto no Haiti -- e as trágicas mortes de Zilda Arns e dos militares brasileiros -- acabou abortando a primeira grande "crise" de 2010, que na verdade é mais uma de muitas. Quem é leitor do site acompanhou conosco o caos aéreo, a epidemia inexistente de febre amarela e a devastação da gripe suína, em que alguns ingredientes que vimos agora já estavam presentes: a desinformação acoplada a um discurso apocalíptico dos adversários do governo Lula.

Já dava para notar para onde caminharia a "crise", não fosse pelo infortúnio caribenho: iria bater às portas da Casa Civil e de Dilma Rousseff.

Há quem diga que foi tudo tramado por José Serra ou assessores dele: a crise perfeita. Presidente da República em férias, a musa da febre amarela vaza um relatório que ainda não tinha chegado ao Ministério da Defesa dando conta de que a FAB montou uma espécie de pódium aeronáutico com medalhinha de ouro para o jato sueco, medalhinha de prata para o jato americano e medalhinha de bronze para o jato francês, justamente o preferido do presidente da República.

Some-se a isso o descontentamento militar com detalhes do Plano Nacional dos Direitos Humanos, especificamente com o estabelecimento de uma comissão da verdade para apurar os crimes cometidos pela "repressão política" durante o regime militar. Eram esses os ingredientes do caldo cozido no fogo da mídia.

Resisto em acreditar em maquinações que requeiram a articulação de mais de meia dúzia de pessoas. Mas o "modo de operação" é razoavelmente conhecido: os jornais repercutem as notícias uns dos outros, que ganham perna nos telejornais e... vira uma bola de neve, especialmente atraente num ciclo de poucas notícias.

Vi isso ao vivo, nos tempos em que eu era repórter da TV Globo: sai na Veja, ganha pernas no Jornal Nacional de sábado, sai nos jornalões de domingo e segunda-feira tem "crise". Ou seja, é uma fórmula um tanto desgastada.

É importante considerar, nesse caso, que em um negócio bilionário como a compra de caças há sempre muito dinheiro de lobistas. Não é por acaso que tanto na Folha quanto no Estadão -- este em editorial -- se falou que a solução era "adiar" o negócio. A quem interessa "adiar"? A Washington, com certeza: os Estados Unidos não querem que o Brasil feche uma parceria estratégica com a França, injetando europeus militarmente no Hemisfério Sul, porque com isso perdem poder e dinheiro. Muito dinheiro.

É inegável que algum desconforto militar houve com o PNDH. Não no tom descrito pela musa da febre amarela, segundo o qual os militares temiam a "depredação" de instalações militares. Ela disse que os militares "imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o constrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora".

Era só o que faltava para o repertório de piadas brasileiras: sequestro relâmpago de tanque de guerra pelo MR8.

Que a jornalista tenha tido a coragem de escrever isso, mesmo atribuindo a uma fonte, no pé de uma reportagem sobre a crise -- uma das primeiras -- diz muito da qualidade da mídia brasileira, em que jornalistas são guiados, quando não cavalgados, pelas fontes.

Tem a má fé e tem a desinformação, o despreparo, a preguiça mental de repórteres e editores. Em tempos de internet, os PNDHs I, II e III estavam lá o tempo todo, para quem quisesse ler e entender. O próprio Viomundo foi um dos primeiros a falar disso, depois de ver no Paulo Henrique Amorim um vídeo com a votação em que a proposta para formar a Comissão da Verdade foi aprovada por 26 votos contra dois de representantes do Ministério da Defesa, na conferência nacional de Direitos Humanos de 2008, que rascunhou o PNDH III.

Foram dias até a mídia chegar -- graças à rádio CBN -- ao Paulo Sergio Pinheiro, organizador do PNDH II, que esclareceu o nexo entre a Conferência de Viena e o PNDH I, em 1996. O Brasil, junto com a Austrália, é que propôs o conceito dos planos nacionais. Há repórteres que até agora não entenderam o caráter meramente propositivo do plano, de definir diretrizes gerais. O fato de que o PNDH resulta de um decreto presidencial não o torna lei. Cada um daqueles pontos do plano, para se tornar lei, terá de fazer todo o trâmite legislativo no Congresso Nacional.

A falta desse entendimento ou a má fé -- é difícil dizer quando é preguiça e quando é malícia -- resultou em abordagens inacreditáveis, como a já famosa reportagem do Jornal da Band que junta tudo o que pode haver de pior no Jornalismo: deveria ser gravada e mostrada nas salas de aula pelos professores como exemplo de como não fazer.

Para uma aula nas sutilezas manipulativas do Ali Kamel, recomendo essa aqui. Também não é novidade. O Rodrigo Vianna foi o primeiro a denunciar isso e as provas, evidências e testemunhos só fazem crescer, como registra quase diariamente o Marco Aurélio Mello.

E tem também a grosseria pura e simples, em rede nacional de TV.

Esses três momentos da TV brasileira são a justificativa para a Conferência Nacional de Comunicação recém-realizada. Ajudam a explicar porque alguns empresários do setor evitaram a conferência: eles querem ter o direito eterno de usar um bem público do qual são concessionários para mentir, forjar, deturpar e distorcer informações, sem dar qualquer satisfação à sociedade.

Ao constatar isso, há quem queira reviver no Brasil de hoje os anos 60, trazendo de volta os antigos e mal resolvidos embates ideológicos. Há, aliás, um bom artigo do Rodrigo Vianna sobre o momento que vivemos.

Mas, francamente, acho contraproducente trazer de volta as memórias da rua Maria Antonia [quando os direitistas do Mackenzie enfrentavam os esquerdistas da Faculdade de Filosofia da USP], que pertencem a outro tempo. Há que se investigar o passado, punir os criminosos que cometeram seus crimes em nome e em defesa de um regime ilegítimo. Ponto.

De outra parte, se algumas centenas de brasileiros se engajarem na defesa dos princípios expressos no PNDH, a "crise militar" terá valido a pena. E a contribuição de todos vocês, que ajudaram a disseminar informação a respeito, foi e continua sendo valiosa. É um assunto muito importante para ficar nas mãos de poucos em Brasília.

Mais uma vez ficou provado que a mídia tem poder -- mas bem menos do que imagina. Eu diria até que cada vez menos aquele grupinho de editores do eixo Rio-Brasília-São Paulo pode manobrar a opinião pública. Das dezenas de reparos feitos ao PNDH, houve apenas uma "correção", acordada entre os ministros do governo Lula, muito embora há quem diga que a pequena mudança descaracterize o essencial, abrindo a possibilidade de equiparar torturadores aos que pegaram em armas contra o regime militar. A ver.

Mas é bom prestar atenção em duas coisas que a "crise do PNDH" deixou claro: dessa vez, o caldo da mídia foi engrossado por algumas organizações -- CNA, OAB-SP, setores da igreja, setores militares, a extrema-direita -- que ensaiaram uma coalizão conservadora que não havia mostrado o rosto em situações anteriores.

É importante que aqueles que se dizem de esquerda não contribuam com o crescimento e o fortalecimento dessa coalizão, com palavras e atos doidivanas. Na História brasileira, como destacou o Rodrigo Vianna, o PSD [antigo partido político, que ficava sempre entre a UDN e o PTB, uma espécie de centro político, hoje ocupado pelo PMDB] é o pêndulo: quem perde o centro, perde o poder. Quem perde a razão, também.

Leiam o livro "1964 -- A Conquista do Estado". Vale a pena.

As manifestações mais hidrófobas que vimos durante a "crise militar" mostram que os conservadores brasileiros estão perdendo a razão. Eles dispõem dos meios para propagar suas mensagens. Dispõem do oportunismo político de alguns. E dispõem de uma fatia da classe média urbana brasileira, pequena, que está absolutamente convencida de que tem um chavista no ralo do banheiro -- e a culpa é do Lula. Tenho uma vizinha, telespectadora assídua do JN, que está ameaçando o cãozinho de estimação com o grito: "Cuidado, o Vanucchi vem te pegar".

Disseminar informação de qualidade e um debate franco e honesto é a melhor forma de evitar o inchaço da legião de celerados. Descomprimir a imensa panela de pressão que é um país injusto como o Brasil requer paciência e cuidado, especialmente quando mudanças rápidas colocam em xeque um modelo concentrador de renda, de terra e de poder. Nesse contexto, Direitos Humanos representam uma ameaça por serem exatamente o que são: universais.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

BBC Brasil: caça francês (o Rafale) é a melhor aeronave para defender os céus do Brasil, diz especialista inglês.

Copiando o Nassif, segue matéria da BBC Brasil.

O francês Rafale é o mais caro, mas também o melhor para defender os céus do Brasil, diz analista

Três tipos de caça disputam a preferência do governo brasileiro para estar entre as aeronaves de combate da Força Aérea. O objetivo desse processo de renovação é a compra imediata de 36 jatos. Nos próximos anos, o país deve aumentar as compras para chegar até 120 unidades.

Os modelos que continuam no páreo são: o Rafale, produzido pela francesa Dassault; o sueco Gripen NG, cuja fabricante é a Saab; e finalmente o FA-18 Super Hornet, da americana Boeing.

A BBC Brasil ouviu analistas para entender melhor as vantagens e desvantagens dos três modelos.

O reitor do Royal Air Force College (Faculdade da Força Aérea britânica), Joel Hayward, e o analista de aviação da consultoria Jane's, Craig Caffrey, acreditam que as três aeronaves têm capacidades similares.

Mas Hayward vê no Rafale a melhor aeronave para defender os céus brasileiros, enquanto Caffrey crê que o Gripen pode oferecer a melhor oportunidade de desenvolvimento da indústria aeroespacial do país.

Performance e poderio bélico

Segundo os especialistas ouvidos, os três modelos são bastante parecidos.

"Nenhum dos três caças tem alguma grande vantagem de desempenho em relação aos demais", diz Caffrey. O Rafale e o FA-18 voam a uma velocidade máxima de 2 mil quilômetros por hora, enquanto o Gripen chega a 1500. Todos os três superam os 3 mil quilômetros de autonomia.

No quesito capacidade de carga bélica (mísseis e bombas que podem carregar), todos são semelhantes também. "Os três caças portam bombas de precisão guiada e avançados mísseis para atingir alvos no ar", explica Caffrey.

Mas o Gripen tem uma vantagem e uma desvantagem nesse quesito. Por ser o menor, o caça sueco pode transportar 6,5 toneladas desse tipo de material, enquanto o francês leva oito e o americano 9,5 toneladas. "Porém ele está sendo desenvolvido para portar uma maior variedade de armamentos do que os outros dois", diz Caffrey.

O fato de o sueco ter apenas um motor contra dois dos concorrentes é visto com reticência por alguns pilotos. Mas Caffrey explica que os motores modernos são extremamente confiáveis. "A Força Aérea Sueca opera a primeira geração do Gripen desde 1997 e estou certo de que eles nunca perderam um caça por causa de problemas no motor", comenta o analista.

Joel Hayward concorda, dizendo que os monomotores são tão confiáveis quanto os demais. Para o reitor do Royal Air Force College, o que realmente deve pesar nessa questão de performance é a função que o caça irá desempenhar.

"Se o objetivo primordial do governo brasileiro é patrulhar a faixa de mar do pré-sal e a Amazônia, ou seja, lidar com alvos no solo, qualquer uma das três aeronaves é perfeitamente capaz. Mas se o país quer estar preparado para se defender de ataques aéreos de outras nações sul-americanas, o modelo francês é certamente o mais adequado", diz Hayward.

O reitor explica que o Rafale tem maior agilidade nas manobras e seus avionics (conjunto de instrumentos de pilotagem e combate) são os mais avançados.

Transferência de tecnologia

O Brasil colocou a transferência de tecnologia como critério essencial nessa negociação. Hayward explica a importância desse aspecto:

"É como quando você compra um computador. Se você não domina os códigos-fonte do processador, será sempre dependente dos avanços que o fabricante conseguir, o que certamente terá um custo alto. Mas se você tem os códigos, pode desenvolver o equipamento por sua própria conta".

Todos os três fabricantes prometem transferir integralmente a tecnologia. Mas na prática pode não ser bem assim. "É muito comum que na hora de vender o produto, as empresas prometam transferir completamente a tecnologia de seus caças. No entanto, depois do contrato assinado, muitas vezes as coisas não transcorrem tão bem", comenta Hayward. Por isso ele crê que a boa relação diplomática entre Brasil e França deve pesar, já que ela pode garantir o cumprimento do contrato.

Os especialistas avisam que também é preciso considerar o grau de desenvolvimento atual de cada aeronave, pois isso indica o quanto o modelo ainda poderá ser explorado pelo Brasil.

Para Caffrey, o FA-18 talvez ofereça a maior garantia de desenvolvimento, porque a Marinha americana ainda vai utilizá-lo por muitos anos e, portanto, investir nele. Quanto ao Gripen NG, que é a nova geração do Gripen original, é o que promete o maior desenvolvimento tecnológico futuro por ser o mais novo.

"Se o Gripen for o escolhido, então o Brasil poderia se tornar um parceiro nos estágios finais do programa de desenvolvimento do caça. Nenhum dos demais concorrentes pode oferecer esse grau de envolvimento", diz Caffrey. Mas Hayward observa que, ao contrário dos rivais, essa nova geração do Gripen ainda não foi testada em combate.

Preço

Um último fator que também pode ser decisivo é o custo das aeronaves. O pacote completo do Gripen deve sair por R$ 5 bilhões, enquanto o do FA-18 custaria R$ 8 bilhões e o do Rafale por R$ 10 bilhões. Além disso, o custo operacional de cada aeronave também varia. Cada hora de vôo do modelo sueco custa US$ 4 mil, incluindo combustível e manutenção, enquanto para os demais esse valor chegaria a US$ 14 mil.

"Supondo uma transferência total de tecnologia e preços semelhantes para os três, eu ficaria com o Rafale da França por ser o melhor caça. Mas se houver realmente uma diferença brutal de preço, aí eu poderia mudar de idéia, pois com os mesmos recursos o Brasil compraria muito mais aeronaves", completa Hayward.

Essa pode ter sido a interpretação da FAB. Em um extenso relatório, a Aeronáutica classificou o Gripen como a melhor opção, levando em conta a performance, o preço e o potencial de transferência de tecnologia.

O poder executivo brasileiro, porém, já havia declarado em setembro do ano passado que o Rafale é o favorito, principalmente porque Brasil e França assinaram uma parceria estratégica no setor militar. Por se tratar de um assunto de segurança nacional, quem dará a palavra final é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

R7: Alemanha tem a pior recessão desde a Segunda Grande Guerra.

Matéria do R7:

Enquanto isso, no Brasil.

PIB contraiu 5% no ano passado; em 2008, cresceu 1,3%

O PIB (Produto Interno Bruto) da Alemanha contraiu 5% em 2009, na maior recessão da principal economia europeia desde o fim da Segunda Guerra Mundial, segundo dados provisórios divulgados nesta quarta-feira (13) pelo instituto de estatísticas Destatis.

O resultado anunciado está de acordo com as projeções oficiais.

Em 2008, o PIB alemão cresceu 1,3%.

O Bundesbank (banco central alemão) anunciou no mês passado que o PIB retomaria o caminho do crescimento em 2010, com alta de 1,6%.

O Destatis também anunciou um déficit público de 3,2% do PIB alemão em 2009, depois do equilíbrio em 2008 e de um leve excedente em 2007.

Brasil Econômico: vendas nos shoppings da Multiplan subiram 20,5% em 2009.

Matéria do Brasil Econômico:

Enquanto isso, na Alemnha.


Conrado Mazzoni (cmazzoni@brasileconomico.com.br)
13/01/10 13:45

Os números preliminares dos 13 shopping centers da Multiplan revelam um total de vendas de R$ 6,1 bilhões em 2009. Um retrato da recuperação da economia brasileira.

A cifra da companhia é 20,5% superior ao resultado de 2008. Considerando somente o mês de dezembro, as vendas superaram a marca de R$ 1 bilhão.

"Acreditamos que o resultado contempla a retomada forte do consumo no Brasil, o que deve ter continuidade neste início de 2010", analisa a corretora Ativa.

Para os analistas, os dados reforçam a resiliência do consumo doméstico brasileiro, apesar da crise.

"O crescimento das vendas nos shoppings é muito favorável, além de retratar a recuperação da atividade econômica brasileira", comenta a Lopes Filho & Associados, otimista com relação à divulgação do resultado da Multiplan.

A resposta de Soninha.

Vamos lá: aqui, reproduzi um artigo do Dr. Rizzato Nunes para o Terra Magazine. Nele, o autor chamou às falas o Prefeito de São Paulo e o Presidente do Conselho do Grupo Pão de Açucar pelos trantornos que uma nova loja da empresa na cidade vem causando aos seus vizinhos.

Comentando o artigo, entre outras coisas, registrei que o articulista deixara de incluir entre os repreendidos a Subprefeita da Região Lapa, Soninha Francine, que, supus eu, deve ter responsabilidade mais direta sobre o caso que o prefeito, já que a loja situa-se em área sob seu comando.

Vejo, hoje, que, ontém, Lylian Concellos, que se identifica como "Imprensa - Subprefeitura Lapa", deixou um comentário no blog com a suposta resposta da Subprefeita.

Obviamente, aceitei o comentário. Mas, para ser justo, isso não me parece o bastante. Portanto, sem qualquer apreciação quanto ao mérito da manifestação, segue a íntegra do comentário, tomado, por boa-fé, como efetiva resposta da Subprefeita:

"Lylian Concellos disse...
Prezado Blogueiro e senhores leitores:
em respeito ao próprio texto de apresentação deste blog, manifesto aqui a resposta da Subprefeitura Lapa ao doutor Rizzatto: da parte que compete à Subprefeitura Lapa, tanto a Cia Brasileira de Distribuição como a empresa de engenharia responsável pela obra foram devidamente autuados e multados. Muito obrigada, Lylian Concellos (Imprensa - Subprefeitura Lapa).
12 de janeiro de 2010 17:17"


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Brasil Econõmico: Governo Federal anuncia medidas para reconstrução de São Luiz do Paraitinga.

Matéria publicada pelo Brasil Econômico.

Governo anuncia medidas para reconstrução de São Luiz do Paraitinga.
Brasil Econômico - As informações são da Agência Brasil
12/01/10 08:10

O ministro interino da Cultura, Alfredo Manevy, e o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, visitam hoje (12) o município paulista de São Luiz do Paraitinga.

Na ocasião, eles devem anunciar as primeiras medidas a serem tomadas para a reconstrução da cidade, que teve o centro histórico destruído pelas chuvas. A entrevista está marcada para as 15h00.

Técnicos do Iphan trabalham - em esquema de plantão - desde o dia 5 deste mês para avaliar as perdas e resgatar peças importantes para a recuperação da cidade.

Para dar mais suporte à equipe técnica, o Iphan está montando um escritório em um dos casarões que resistiram à força das águas.

O local será utilizado também como depósito para material que será restaurado e reutilizado na reconstrução dos imóveis.

Brasília Confidencial: Tucanos, Demos e PPS unidos na proteção à Arruda.

Matéria do Brasília Confidencial:
PSDB, DEM e PPS comandam proteção a Arruda e outros mensaleiros.
12/01/2010

Um mês depois que os comandos nacionais de seus partidos simularam rompimento com o governo de José Roberto Arruda, parlamentares do PSDB, do DEM e do PPS assumiram ontem a missão de proteger o governador e demais beneficiários do mensalão do DEM comandando três das quatro comissões que terão papel decisivo sobre os pedidos de cassação de mandatos acumulados na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A CPI da Corrupção, formada para investigar o propinoduto, será integrada por quatro aliados de Arruda (três deles ex-secretários do governo) e apenas um oposicionista. O presidente da CPI será Alírio Neto, do PPS, e o relator será Raimundo Ribeiro (PSDB). Os outros dois governistas são Eliana Pedrosa (DEM), secretária de Desenvolvimento Social que voltou à Câmara para fortalecer a tropa de choque de Arruda, e um deputado do PRP, Batista das Cooperativas. Batista será relator dos três pedidos de abertura de processo para cassação de Arruda.

A Comissão de Constituição e Justiça, primeira instância para analisar os pedidos para abertura do processo de impeachment contra Arruda, será presidida por um representante do DEM, Geraldo Naves, e terá entre seus integrantes a deputada Eurides Britto (PMDB), flagrada enchendo uma bolsa com propina entregue pelo delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa..

Casa fechada, insultos na rua e anti-prece na parede

O esquema de proteção aos mensaleiros do DEM foi montado ontem com a Câmara Legislativa fechada ao público, por ordem de outro mensaleiro que reassumiu a presidência da Casa, Leonardo Prudente (ex-DEM). Ele alegou motivos de “segurança”.

Em frente à sede do Legislativo, estavam concentrados aproximadamente mil manifestantes. Parte deles, majoritariamente formada por militantes da CUT, integrava o movimento “Fora Arruda!”; outra parte, formada por funcionários públicos e representantes de associações de bairros subsidiadas pelo governo, defendia a permanência do governador no cargo com a palavra de ordem “Fica Arruda”.

A claque de Arruda dançou – quadrilha – e discursou sobre obras feitas por seu governo. O outro grupo gritava “Arruda na Papuda” (nome do presídio do Distrito Federal) e, numa referência ao vice-governador, Paulo Otávio, “P.O no xilindró”, ao som da música “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”. Os manifestantes trocaram insultos.

Dentro da Câmara, a Polícia Legislativa impediu os jornalistas de entrar no corredor que dá acesso às salas das comissões.

Na sala da Assessoria de Comunicação da Câmara Legislativa, a jornalista Ana Maria Campos, do Correio Braziliense, encontrou um texto sob o título “A anti-prece dos homens públicos que têm preço”. A “anti-prece”, reproduzida em seu blog, é a seguinte:

“Financiador nosso que estais na terra

Santificado seja o teu negócio

Venha a nós o teu dinheiro

Seja feita a tua vontade

Assim no público como no privado

A propina nossa de cada dia nos dai hoje

Perdoai nossos desfalques

Assim como nós perdoamos os que malversaram antes de nós

E não nos deixeis cair na tentação da honestidade

Mas livrai-nos do flagrante e da verdade,

Amém.”

Portal Exame: a nova classe média tem recursos para comprar eletrodomésticos e pacotes de viagem, além das depesas básicas.

Matéria do Portal Exame:


Agências de viagem fazem guerra de liquidações.

Por AE

São Paulo - De olho na nova classe média brasileira que agora tem recursos para quitar as despesas básicas do mês com alimentação, moradia e transporte e ainda comprar eletrodoméstico ou pacotes de viagem a prazo, as operadoras de turismo começaram o ano fazendo megapromoções numa concorrência acirrada com lojas de varejo de outros segmentos.

"Hoje as agências de viagens entraram numa disputa acirrada com as Casas Bahia", exemplifica o diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (Abav), Leonel Rossi, fazendo referência à gigante do setor de móveis e eletroeletrônicos que não para de fazer liquidações.

É exatamente para fisgar esse consumidor que a CVC, a maior operadora de viagens, iniciou no sábado uma megaliquidação de pacotes que vai até domingo. São cerca de 50 mil pacotes de viagens, entre destinos nacionais e estrangeiros, com passagens aéreas, rodoviárias e marítimas incluídas, além de hospedagem. Os descontos são de até 30% que podem ser parcelados em 10 vezes sem acréscimo.

A Marsans é outra operadora de viagens que decidiu cortar em até 50% os preços de seis roteiros de cruzeiros para a costa brasileira. Duas concorrentes, a Agaxtur e a Stella Barros, não entraram na onda de liquidações. A Stella Barros informa que está com todos os pacotes vendidos. A Agaxtur diz que já têm preços competitivos mesmo sem promoções.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Terra Magazine: em artigo, Dr. Rizzato Nunes chama Kassab e Diniz às falas.

Logo abaixo, segue artigo de Rizzato Nunes publicado pelo Terra Magazine.

Pelas razões que expòs no texto, o autor aproveitou a visibilidade de que goza para chamar atenção de duas personalidades que, ele mesmo reconhece, não devem ter conhecimento direto do assunto. Sua opção se funda na visibilidade dos repreendidos e no seu poder de intervir na situação. O prefeito de São Paulo e o Presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açucar, além de figuras públicas, comandam as máquinas administrativas que podem resolver a situação - desde que pressionadas por seus chefes, agora expostos.

O que o autor não diz, mas, parece, fica nas entrelinhas, são considerações acerca de uma responsabilidade relativa de Gilberto Kassab e Abíliop Diniz na questão. Posto que não possam ser diretamente culpáveis pelo incômodo causado aos vizinhos do novo mercado, pela posição que ocupam, eles são sim bastante responsáveis pela cultura das corporações que dirigem e, portanto, pela lógica decisória que possibilitou o suposto abuso.

No mais, é preciso registrar que o Dr. Rizzato Nunes, em seu desabafo, esqueceu de nomear uma terceira personagem, essa sim mais diretamente ligada ao caso. Ele cita o órgão responsável pela fiscalização na área, a Subprefeitura da Lapa, mas deixa não chama às falas a autoridade que o chefia. Trata-se da (pra mim) incompreensível Soninha Francine. Além de igualmente pública, a ex-vereadora e atual subprefeita da Lapa, ainda que não possa ser diretamente culpada, tem responsabilidade muito mais próxima sobre o caso, já que dirige o órgão pública cuja suposta leniência supostamente ensejou o suposto abuso do mercado.


A dignidade da pessoa humana, Gilberto Kassab e Abílio Diniz.
Rizzatto Nunes
De São Paulo
Tentei evitar, mas como testemunha, sou obrigado a começar meus artigos deste ano que tratam de abusos reais narrando o que vai abaixo.

Aqui nesta coluna, por mais de uma vez, comentei o desrespeito que existe quanto ao direito ao sossego de que gozam as pessoas. Também já apontei mais de uma vez a característica "selvagem" do capitalismo contemporâneo, que nada vê pela frente na sanha de buscar obter mais lucro, custe o que custar. Como diz Octávio Paz, "o mercado sabe tudo sobre preços, nada sobre valores", ao que eu acrescento que pouco sabe sobre o respeito à dignidade da pessoa humana.

Muito bem. Hoje conto um caso real, infelizmente, de abuso incrível. O Grupo Pão de Açúcar, ou melhor, a Companhia Brasileira de Distribuição, na sua sede de se tornar cada vez maior (O capital atualmente declarado é de R$5.374.750.648,18 - Cinco bilhões, trezentos e setenta e quatro milhões, setecentos e cinquenta mil, seissentos e quarenta e oito reais e dezoito centavos), abriu mais uma filial. Fica na Rua Tito, 639, Vila Romana, Lapa. Até aí, nada de mais.

A construção da loja foi feita a toque de caixa, numa velocidade incrível. E a loja já foi inaugurada. Mas, sabe você leitor o que está acontecendo com os vizinhos? Eles não dormem já há mais de duas semanas e mesmo durante o dia não têm qualquer sossego. Na parte de trás, que dá para a Rua Camilo, foram colocadas algumas "turbinas" que provavelmente servem para a manutenção refrigerada da loja e que produz um som altíssimo que não deixa ninguém em paz.

Quer saber mais: as turbinas são dirigidas diretamente à janela do quarto da casa da Rua Camilo e lá estão sem poder dormir, sem tranqüilidade e tendo a saúde prejudicada, uma senhora, semi-inválida, de 79 anos e um senhor cardíaco, que tem três pontes no coração e 77 anos. Aposentados, ela precisa de ajuda para sair da cama, se deitar, ir ao banheiro, se alimentar etc. Seu quarto é preparado para que ela possa ter um pouco de tranqüilidade na velhice, direito básico e fundamental, mas tudo se perdeu com a inauguração do novo supermercado, cujo slogan é "lugar de gente feliz".

Agora, faço mais uma pergunta: você imagina porque eu sei o que esses idosos estão sofrendo?

Porque a senhora de 79 anos, Da. Angelina, é minha mãe e o senhor de 77 anos, Sr. Almir, é meu pai. E eu sou testemunha dessa absurda violação.

Você leitor, como eu, neste nosso Brasil, já assistiu pela tevê tantos flagrantes de abusos e arbitrariedades, que eu pergunto: como é que se permitiu que uma loja fosse inaugurada violando o direito ao sossego dos vizinhos? Ninguém foi lá checar o que ocorre?

Eu posso garantir a vocês que o barulho é insuportável e realmente é impossível ter sossego. Ninguém viu isso? A fiscalização da subprefeitura da Lapa não sabe o que se passa?

Foi por essas dúvidas que me acodem que eu resolvi colocar no título o nome do Prefeito de São Paulo. Ele certamente não sabe o que ocorreu na construção da loja nem em sua permissão para inauguração. Tenho certeza de que se soubesse, mandaria os fiscais fecharem o estabelecimento até que o respeito aos dois idosos fosse restabelecido. Penso que o Senhor Gilberto Kassab tomará as providências devidas, afinal todos nós vemos na tevê os anúncios da Prefeitura que garantem que há respeito às leis na cidade de São Paulo e no site da Prefeitura que cuida do "Psiu do combate à poluição sonora" está escrito que desde 2005 até agora foram realizadas 64.274 vistorias e 260 locais foram fechados. Vamos lá, Senhor Prefeito, acrescente mais um número aos locais fechados! (Nota: meu pai apresentou reclamação no SAC da Prefeitura para o setor do "Psiu" no dia 26/12/09).

E, foi levando em consideração o enorme tamanho da Cia Brasileira de Distribuição, que têm no cargo de Presidente do Conselho de Administração, o Sr. Abílio Diniz, que também resolvi colocar seu nome no título deste artigo de início de ano. Penso que, do mesmo modo, certamente, o famoso empresário não sabe que uma das lojas de seu supermercado Pão de Açúcar está violando o sossego, atingindo a saúde e a dignidade de dois idosos. Se soubesse, não permitiria.

Lembro que no dia 11 de dezembro de 1989 o Sr. Abílio Diniz foi seqüestrado e passou as agruras do cativeiro por seis dias. Isso deve tê-lo tornado mais ainda compreensivo e respeitador dos direitos de todas as pessoas, pois estar na mão de seqüestradores é ver-se aniquilado de todo respeito, todo direito, é ter a dignidade duramente atingida. Ele ficou seis dias no cativeiro. Meus pais estão presos em casa, torturados em seu direito ao sossego de idosos, de saúde frágil já há mais de duas semanas. Pensando junto com você, leitor, tenho certeza de que o Sr. Abílio Diniz nada sabe disso, mas assim que souber determinará o fim da tortura a meus pais.

No dia 29 de dezembro passado, a reportagem do Programa Fala Brasil da Tevê Record mostrou a flagrante violação a meus pais e seus vizinhos. Nos dias seguintes alguns funcionários da construtora encarregada da obra e também do Pão de Açúcar estiveram no local e prometeram resolver o problema, mas nada foi feito. Ficou no abuso mesmo. Um total desprezo aos direitos desses cidadãos, que estão tendo sua dignidade e saúde violadas.

Para você leitor tomar conhecimento, anoto que a Lei das Contravenções Penais (DL 3.688/41) deixa claro o delito e pune com prisão o mesmo fato nesses termos: "Art. 42. Perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios:(...) II- exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; III- abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos. (...)".

Do mesmo modo, a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) cuida do assunto ao tipificar como crime gerar dano à saúde humana em função de "poluição de qualquer natureza", no que se inclui a poluição sonora, fixando pena de reclusão, nesses termos: "Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora" (art. 54).

E também o Código Civil cuida do assunto: "Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha".

Será que esse supermercado barulhento tem alvará da Prefeitura para poder funcionar? Se tiver, então há mais questões jurídicas graves envolvidas.

Muito bem.Vou terminar por aqui, repetindo meu apelo aos dois cidadãos Sr. Gilberto Kassab e Sr. Abílio Diniz para que façam cessar os abusos contra duas pessoas idosas.

Anoto de todo modo, que meus pais ingressarão com as medidas criminais e civis que o caso exige e para quem tiver interesse em ouvir o excessivo barulho produzido, basta clicar no endereço a seguir e assistir a matéria veiculada pela Tevê Record: http://videos.r7.com/idosos-sofrem-com-barulho-de-sistema-de-refrigeracao-de-supermercado-em-sp/idmedia/38220627440fd9d7671fa6a468271549-1.html.